Mostrar mensagens com a etiqueta Luís santos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís santos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Crónicas Escolares: Sebastião da Gama

à Beatriz


BRINCADEIRA


Ando a correr atrás do Outro,
como fazem
dois meninos brincando num jardim…
 
            …até me achar, de repente,
            sem saber como, o Outro lá da frente,
            que vai fugindo de mim.
 
(Sebastião da Gama, Serra-Mãe, Edições Ática, 1996, p.82)



Sebastião da Gama, Azeitão

 Neste abril comemoramos 50 anos de Democracia e 100 anos do nascimento de SEBASTIÃO DA GAMA. Não será por acaso. Liberdade e Educação, de mãos dadas. Este nosso adorado Professor de Azeitão que tão cedo partiu, amante de alunos livres e de referenciada obra poética, com particular ligação à sua Serra da Arrábida, musa inspiradora. Nas suas idílicas flores e matas, grutas e praias, capelas e monges, no velho convento, contemplação de tão extraordinária natureza, inabalável fé. Já em meados do século passado Ele pedia a sua proteção, o que nem a delimitação do Parque Natural conseguiu afastar de forma aceitável, a exploração voraz do seu valioso solo rochoso. Até quando?... Mas, sem que se perca a esperança, como diz no poema “Fé”:


Falas – e és a Pastora.
Não contes a visão, nem as palavras
que a Senhora te disse: apenas fala.
Falas e em tudo creio. Até no Mundo.
És a Pastora, fala. Fala apenas.
 
Arrábida, 8 Dez. 1951
(Sebastião da Gama, Por Mim Fora. Porto: Officium Lectionis Edições, 2024, p.96.)


Ou, ainda nas suas palavras, em aprumada síntese que dá lema a cartaz das Comemorações do Centenário: "o segredo é amar".


Luís Carlos R. dos Santos
Alhos Vedros, 29 de abril

quarta-feira, 6 de março de 2024

Textos Soltos

 Luís Santos

"De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume."
(Matsuo Basho)



O ESTUDO GERAL, um pasquim digital que temos vindo a realizar, fez 14 anos. Ao longo destes anos muita e boa gente tem passeado por aqui. A tónica dominante tem sido a Língua Portuguesa, mas não exclusivamente. A última publicação foi do chileno Professor Catedrático Emérito Raul Angel Iturra, com quem temos tido gosto em aprender, já lá vão 40 anos. Um texto próprio de um sábio.
Muito mais se pode ver neste ESTUDO... Já este ano participaram autores como Firmino Pascoal (Projeto Musical Lindu Mona), Luís Souta (Literatura, o pão nosso de cada dia), Agostinho da Silva (a propósito dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões), Luís Santos (editorial e fotografia) e, por último, Raul Iturra (Leitura em Voz Alta).
Fica também um apreciável, adorável, "photopoema de Kity Amaral, pintora brasileira, mineira, que muito estimamos.

Vou até lá, mas volto já. Um miradouro, uma paisagemm uma paz: que beleza de natureza, aquela que gosta de regressar. E, depois, um rio que dá num rio, num doce balançar que trás à memória proncesinha do mar. Um antigo estaleiro naval e a água escura que molha a areia branca. Abaeté. A chuva molhava-me o rosto. Bacalhau de molho. Fevereiro, Carnaval e Março. Alô, Alô, Ernestina aquele abraço. Mas náo é José que o Egito resplandece em plemo umbigo e o sinal que vejo é este, onde o cujo faz a curva, o cu do mundo esse nosso sítio. E para você que me esqueceu, aquele abraço. Aquela bahia já me deu régua e compasso, quando Jorge assentou praça na cavalaria e eu fiquei feliz, porque eu também sou da sua companhia. De Iaparica à cidade da Praia, uma cidade com dois nomes. Logo mais, mornas e coladeras.



HOJE ao pequeno-almoço estivemos muito bem acompanhados. Uma roda de amigos, foi o Pomar que se lembrou, vieram o Ricardo, o Álvaro, o Alberto e a Hoffélia, como se vê na foto. Mais do que uma teoria, uma mónada de verdade, uma congregação de espíritos simples que encontramos amiúde, e que já vêm desde o início, inacessíveis e incorruptíveis a tudo quanto existe, pois que existe por inteiro e é ela própria sem partes. Uma evolução e desenvolvimento até chegar ao intelecto. União perfeita de espírito e matéria. Um frequenta o mesmo hipermercado e é engenheiro, outro vive na mesma rua ajudante de telecomunicações, também um guardador de rebanhos, ela professora, o promotor do encontro é pintor. Um deles disse que "o Homem é do tamanho do seu sonho", ao que se aproveita a ocasião para perguntar, afinal quantos somos cada um, ó Fernando Pessoa?

Sentimos saudades daquele pequeno promontório do nosso familiar ROSÁRIO. Já não nos permitíamos aquela boa contemplação, fazia demasiado tempo. Um dia destes António Lobo Antunes há-de descrevê-lo por magistrais palavras. À beira do sítio onde mora, uma pequenina igreja que está perto de comemorar quinhentos anos. Portal manuelino, arco triunfal de volta perfeita do mesmo estilo e paínéis de azulejos azuis e brancos com cenas da Senhora com o Menino. Senhora que certamente lhe dá nome, tantas as voltas que foram dadas a desfiar as contas maiores e as contas menores... o Rosário.
Mas, desta vez, o que nos levou lá foi aquela boca da ponta da passadeira por onde, depois de kilómetros a fio, nos entras o Tejo. Por detrás, ponte 25 de Abril e Cristo-Rei, Almada e Lisboa, foz do rio feito um estuário que se despeja no Atlântico. Oceano que nos trás a água do rio misturada com o salgado vai-vém do mar. Movimentos de maré. E até o Coina que vem descendo da Arrábida e se enfia neste seu braço do Tejo, ali na crescente beleza do nosso Barreiro, ajuda à festa da dança prateada das águas que nos assistem. O resultado é esta baía de águas calmas, mar da palha, onde tantas vezes nos enfiámos da cabeça aos pés e nos vai ajudando a desfiar esta maravilhosa coisa rara e preciosa, do estar aqui.

Bem hajam.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Agostinho da Silva 118 anos

Em dia de aniversário do Professor Agostinho da Silva, um pensamento vivo, deixamos aqui imagens de um "powerpoint" que fizemos para sessão na Fnac do Chiado, em Lisboa, no ido 19 de setembro de 2013.

Luís Santos

















quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Oliveira Bimilenar

Luís Santos

Com mais de 2 mil anos de vida, segundo datação arqueológica assinada, e catalogada como o ser vivo mais antigo de Portugal,

se conseguirem, já que a fotografia não é muito favorável, poderão ver um tronco de largo perímetro, onde dá para entrar dentro, sentar e, quiçá, meditar envolto em aura muito resistente a temporal desgaste,

e, sem esperar, numa visita habitual que se vai repetindo, lá estava ela anunciando-se em super amistosa e doce misteriosofia, sagrada natureza, onde por companheira tem uma oculta alfarrobeira que também faz por chamar a atenção.

domingo, 18 de junho de 2023

GENEALOGIA

Luís Santos 

CINCO GERAÇÕES - lado da mãe

1) bisavó Conceição Miranda dos Santos (1878-1968), nasceu ainda antes de Fernando Pessoa, parteira, de Alhos Vedros, teve cerca de vinte irmãos, com fama de santa, porque dizia-se "nunca nenhum parturiente faleceu às suas mãos"... da sua mãe não tinha ideia, mas o meu primo Rodrigo diz que se chamava Iria Rosa dos Santos que faleceu em 1904, e eu acredito;
2) avó Aura Maria Rodrigues (1906-1994, se bem me lembro), corticeira e operária fabril, analfabeta, um percurso temporal semelhante ao de Agostinho da Silva, (quase) inteira travessia do século XX, atravessada pela 1ª República, peste espanhola, 2 grandes guerras, filho na guerra do ultramar, Aura para os amigos, simplesmente;
3) mãe e tia, Lena e Olímpia (nascidas entre a década de 30 e 40 do século passado, a primeira corticeira ainda na adolescência e vida de verdadeira dedicação a marido e filhos; a segunda, uma vida de serviço no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em vários países, várias línguas;
4) irmã, Célia Santos, à volta de 50 anos, olhos azuis, portuguesa, licenciada, professora, funcionária pública, casada, mãe, guardiã dos mares, continua a fazer por uma vida bem sucedida;
5) filha, Maria do lado da mãe, Luís do lado do pai, junho de 2023, carinhosa refilona, estudos na área da saúde, aqui na praça Gualdim Pais, em Tomar;
enfim, perdoem-me este lugar comum, género humano, genes que saem de genes, culturas que saem de culturas, nos meus mais de 150 anos de idade, lado da mãe, Ilha dos Amores.

CINCO GERAÇÕES - lado do pai
A MINHA AVÓ paterna, Palmira Ribeiro, nasceu no dia 7 de junho de 1903, em terras do Alto Alentejo, na freguesia do Espírito Santo, Nisa, distrito de Portalegre e faleceu em Alhos Vedros, mais ano menos ano, por volta de 1970. Sabe-se que os seus pais, António Maria Ribeiro e Maria Catarina, ou ancestrais, vieram do distrito de Castelo Branco, freguesia de Peral, lá para os lados onde viveu Viriato, chefe dos lusitanos, e donde vieram alguns cristãos-novos...
Por isso, António Maria Ribeiro, meu bisavô, terá vindo a descer Estrela abaixo e, atrás da cortiça, veio montar fabrico em Alhos Vedros que foi próspero, mas a má gestão de descendente familiar direto haveria de dar cabo do negócio.
O MEU AVÔ paterno, José António dos Santos (1887-1962), natural de Alhos Vedros, filho de Luiz António e de Mariana dos Santos. Foi ajudante de caldeireiro dos caminhos de ferro do sul e sueste. Tinha 1 metro e 55 centímetros de altura e "Milho" como alcunha. Viveu, pois, muito tempo ajudando a pôr carvão na caldeira do comboio, entre o Barreiro e Vendas Novas, lugar onde terá tido uma segunda mulher que deu à luz uma tia minha que nunca cheguei a conhecer.
De maneira que o MEU PAI, António Luís Ribeiro dos Santos, mais conhecido por Toninho da mercearia, justamente porque foi merceeiro por conta própria durante 60 anos, a que se podem juntar mais uma dúzia por conta de outrém, resultou de um encontro entre pessoal do Espírito Santo (Nisa) e pessoal da borda água (Alhos Vedros) que, em tempos idos, também terão andado a preparar as caravelas que haveriam de ir ao Brasil e à Índia, entre outros.
EU, nascido em Alhos Vedros, 1960, mesmo paredes meias com uma janela da taberna do Martinho, onde as carretas e as carroças vinham despejar uvas, logo pisadas e fermentadas a caminho do generoso vinhito com que se alegravam as almas, um simples escriba contador de memórias, muito dedicado ao longo dos anos às matérias da educação.
O MEU FILHO Tomás, também nascido em Alhos Vedros, em 1996, genes que vêm de genes no cruzamento de famílias, depois de trabalhar nos aviões, anda em engenheirices programando aplicações dando novas vidas às tele-comunicações.
Em suma, aqui borda de água, gente comum que para sobreviver se foi dedicando, ao longo deste século e meio, à indústria corticeira, aos caminhos de ferro, também à CUF (Companhia União Fabril), às vendas a retalho e, mais recentemente, entre os vivos da linhagem, à persistência em maiores estudos, outras especializações, que mais permitiu uma maior democratização e massificação do ensino.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

O emir do Qatar

 por Luís Santos

O emir do Qatar,

apelido de família Thani, entre outras coisas, é conhecido pelas suas 3 esposas e respetivos 13 filhos que, pressupostamente, são todos seus. Tanto quanto se sabe, vivem juntos, moram juntos, comem juntos, vão de férias juntos e, em salutar harmonia, dividem um jeito diferente de ciúmes da maneira ocidental.

Numa gente tão endinheirada, com tantos milhões de litros de petróleo e de gás natural, a juntar a família tão extensa, ainda pressupostamente, existem uma quantidade indefinida de concubinas e, aqui, entre outras coisas menos boas, aparece a questão dos direitos das mulheres, dos homens, das crianças, dos animais, etc.

Como o textinho não deve ser muito longo e o objetivo é falar da organização da família no mundo, do jeito que a Antropologia nos tem ensinado, para se viver numa família poligâmica, quer dizer, onde um homem casa com várias mulheres, não é preciso ser rico, nem ser árabe, já que, por exemplo, isso é um costume habitual nas sociedades africanas tradicionais. Tal como, numa outra forma de família, existem muitas famílias de tipo poliândrico, ou seja, lugares do mundo onde é normal uma mulher ter vários maridos.

Continuando a resumir, é também assim a condição humana e até se pode perguntar se é bom se é mau, se este tipo de gente com costumes tão diferentes dos nossos, no fim, vai para o céu ou para o inferno?

E, pronto, por hoje era isto.

Na fotografia, mulher nepalesa que tem 3 maridos e jura que é feliz.

domingo, 28 de agosto de 2022

O TRABALHO SOCIAL E A LIBERDADE

 Luís Santos

Imagem do google

Hoje, estive à conversa com um dos seniores da terra, amigo, oitenta e tal anos, pessoa de incrível jovialidade física e invejável lucidez. Escorreitamente dizia ele: "Em meados da década de 50 do século passado, com dezoito anos, trabalhava na CUF (Companhia União Fabril), e depois de alguns estudos e formação, fui aumentado para 4 escudos (2 cêntimos). Na altura, alguns tinham um dia de folga ao domingo. Depois, apareceu a semana inglesa, onde se começou a descansar também ao sábado à tarde...".

E dizemos nós, a folga ao domingo foi um luxo que as sociedades industriais pariram, porque no seu início a regra era os operários começarem a trabalhar aos 6,7,8 anos de idade, 12 horas por dia, muitas vezes sempre de pé, sem folgas, sem segurança social, apoio na saúde ou licença de maternidade…

Hoje, entre apoios sociais vários, vamos nas 35/40 horas de trabalho por semana e começamos a experimentar a semana de 4 dias, o que será uma realidade para breve e, certamente, que o tempo do “fim de semana” não vai parar de aumentar, mesmo que, neste processo de emancipação do trabalho, às vezes, seja preciso que a orquestra faça uma pausa para, depois, continuar a tocar. Por isso, fundamental mesmo, cada vez mais, é aprender a assobiar com as mãos nas algibeiras, porque, embora estejamos a meio do caminho, a libertação e a aproximação da humanidade de um mundo com cada vez menor dependência do trabalho está para continuar.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

À Janela

 


Simplesmente uma janela com paisagem a tremer de calor, mas o rigor da geometria geralmente causa-nos boa impressão.

Luís Santos

terça-feira, 30 de novembro de 2021

A propósito do 28º aniversário da Biblioteca Municipal de Alhos Vedros

 

por Luís Santos


Caro vereador da CMM António Carlos Pereira

Caro Presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros Artur Varandas

Cara Coordenadora da Biblioteca Municipal de Alhos Vedros Rosa Ribeiro

Todos os presentes.


Agradecer, antes de mais, o convite para participar nas comemorações do 28º aniversário da Biblioteca Municipal de Alhos Vedros, neste dia 28, um número que certamente se relaciona com a unidade, a amizade e o reencontro.

Estamos aqui para dar os Parabéns à Biblioteca de Alhos Vedros que se integra, como sabemos, na rede pública de bibliotecas do Concelho da Moita, um serviço que se enaltece, porque é de uma nossa casa comum que se trata. Um espaço de todos, que visa servir a todos, criado para nosso usufruto coletivo. E, sendo nós, ao longo dos anos, frequentadores assíduos desta rede pública de bibliotecas, sobretudo, desta em que aqui nos encontramos, devemos agradecer os significativos momentos que, amiúde, por aqui fomos passando, fosse para ler o jornal, para trabalhar, ou para aproveitar das inúmeras iniciativas culturais que por aqui foram acontecendo. Memórias de bons tempos passados que, reconhecidamente, foram ajudando ao nosso desenvolvimento pessoal e social.

Lembrar dos inúmeros concertos de música, das tertúlias poéticas, dos lançamentos de livros, das noites de lua cheia, das exposições, das leituras de livros para grupos de crianças vindas dos infantários e escolas locais, do belíssimo empenho da Anabela, do Jacinto e da Élia, só para lembrar, entre muitos outros, os que aqui têm trabalhado nos últimos anos.

Alguns desses momentos em que fomos também protagonistas diretos, fosse para ler uma história para crianças, para lançar um livro, fazer uma comunicação sobre história local, integrar tertúlias poéticas, ou até para um momento de participação em criativo encontro de literatura erótica, lendo um poema do sadino Bocage, no mesmo dia em que fomos presenteados com um extraordinário concerto dado pela banda “Penicos de Prata”.

Quando pensamos na nossa Biblioteca, e nas pessoas e associações que com ela mais se relacionam, logo nos vem à memória, a Academia, o CACAV, a Alius Vetus e, respetivamente, algumas das suas dinâmicas mais marcantes, como sejam a Feira do Livro, a Escola Aberta Agostinho da Silva, a Feira Medieval, entre outras múltiplas iniciativas. Todas elas, associações que de alguma forma se têm relacionado com a publicação literária, ou científica, em comunhão com a animação do livro e da leitura.

E aqui chegados, à reconhecida importância que o livro e a palavra escrita têm no desenvolvimento humano, nunca será demais recordar que temos uma Feira do Livro que é das mais antigas do país, com 48 edições realizadas, desde 1972, e que só a nefasta e preocupante pandemia que atravessamos conseguiu interromper a sua contínua realização, ao longo de todos estes anos.

Entre todas estas dinâmicas associativas, e não esquecendo que a palavra escrita se relaciona com as mais variadas áreas da cultura e das artes, seja na música, no teatro, na dança, e por aí fora, não deixaremos de salientar da existência, entre nós, de um movimento de significativa dimensão que vai editando e publicando livros, revistas, jornais, pasquins. E se nos centrarmos exclusivamente na nossa vila, onde se reconhecem existir algumas particularidades culturais, logo se pensa num número anormal de gente que se dedica à arte da escrita para uma terra relativamente pequena.

E da mesma forma que se refere a existência de vários escritores, podemos dar conta de múltiplas dinâmicas literárias que se foram desenvolvendo entre nós, algumas delas em que tivemos participação direta como foram, entre outras:

i) o grupo “Do Convento”, onde se fazia “uma escrita em grupo, com cada um em seu sítio, à mesma hora” que, depois, desaguava em animadas tertúlias de café;

ii) ou, “O Largo da Graça”, uma linha editorial alternativa numa iniciativa de amigos, dada a dificuldade de se chegar às grandes editoras nacionais e a dinâmicas mais comerciais, até pelas crescentes dificuldades de publicação na área do livro, mas também pelos frágeis apoios aos autores locais. Esta linha editorial “O Largo da Graça” é, de resto, o pequeno exemplo de um alargado movimento de “edições de autor” que por cá existe e pontua;

iii) ou, por fim, falar do blogue/revista “Estudo Geral”, uma revista digital, multimédia, que tem sido feita por alguns de nós, já com mais de 10 anos, editada a partir de Alhos Vedros, mas que se foi disseminando por uma vasta internacional comunidade lusófona.

O “Estudo Geral”, uma revista que explora as novas possibilidades das linguagens digitais, onde facilmente se mistura o texto, a imagem e a música, e que tem também insistido na divulgação de livros e autores locais, a que os apoios da autarquia, até agora, pouco têm chegado. Por isso, acreditamos na necessidade de novos desenvolvimentos nas políticas ligadas ao livro, que mais apoiem a edição e os autores da região, nomeadamente, a partir da criação de uma linha editorial pública, de um destaque próprio nas bibliotecas locais, e no apoio ao lançamento e à aquisição dos seus livros, o que será uma forma de ajudar e dar relevo à valiosa riqueza literária que caracteriza a nossa comunidade.

Obrigado pela atenção.

28.11.2021

sexta-feira, 10 de abril de 2020

VI. Da Crucifixação da Primavera (3)


3º andamento – canto à capela

Erguem-se as vozes no altíssimo tom
línguas de fogo entre o céu e a terra
preces que evitem a vil desmesura
do sacrifício nos pedidos de perdão
que trazem a natureza em agonia

adensam-se medonhas tempestades
encolhem-se ainda mais os corpos
rubros os olhos de sangue as lágrimas
os gritos e gemidos aflitos e infinitos
os coros de vestes pretas das velhas

mas o temporal vai ter de passar
levantem-se todas as ondas do mar
e o velho monstro hediondas trevas
do fundo dos abismos trespassado
no catavento de uma vela triangular

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

A Matriz Cultural de Portugal #1



Luís Santos

O LATIM e o CRISTIANISMO

A romanização da península ibérica durou, grosso modo, cerca de 600 anos, entre 200 anos, antes de cristo, e 400 anos, depois de cristo. Corria a primeira década do século V, quando Alarico, o primeiro rei visigodo, conquistou no ano de 410 a cidade de Roma, capital do império romano do ocidente.

Duas das marcas culturais mais significativas que os romanos deixariam na península foram: o latim e o cristianismo.

O latim, uma das línguas mais faladas no extenso império, a par com o grego. É do latim, sobretudo, que deriva a Língua Portuguesa, mas também outras línguas românicas como o italiano, francês, espanhol, português, romeno, catalão, entre outros idiomas. Como a Língua Portuguesa se acabará por desenvolver a partir do latim vulgar, falado na província do Lácio que se situa na atual região central italiana, por isso, o poeta brasileiro Olavo Bilac lhe atribuiu a feliz designação de “Flor do Lácio”.

O cristianismo, que por decisão do imperador romano Teodósio I, se tornou na segunda metade do século IV, depois de cristo, a religião de todo o império, depois de se caracterizar durante vários séculos pelo politeísmo que, entretanto, se tinha desenvolvido a partir do panteão grego. Ora, quando no século seguinte, o império romano do ocidente acaba por ruir às mãos dos povos germânicos que invadem a península ibérica, o cristianismo já tinha criado raízes suficientemente fortes para perdurar com grande força, por todo este território.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Cuidando da nossa história



No espaço contíguo à parede lateral da Biblioteca de Alhos Vedros, cujo edifício se integra num conjunto arquitetónico com meritório valor, temos 3 extraordinários painéis de azulejos que decrevem alguns episódios da história da terra. Uma iniciativa de bom gosto que merece ser salientada.
Porém, ao deixarmos aquele espaço ao abandono, ainda teremos uma surpresa desagradável. Então não é que, num dia destes, alguém colou um autocolante num dos painéis, a pedir que votassem no seu partido... Um bom alerta para que as autoridades locais dêm mais atenção a este lugar, no sentido da sua preservação e melhoria, para que não se perca aquela interessante unidade patrimonial.

Luís Santos

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Espagíria


A imagem pode conter: comida

. Alimento dos Deuses

Cacau, significa literalmente alimento dos deuses. Por isso, sendo que o açúcar e o leite de vaca, já não são aquilo que eram, aconselhamos "mais chocolate (negro) e menos açúcar", como muito bem concluiria uma aluna minha.

Na Grécia Antiga, dizia-se que a "ambrosia", também chamada de "manjar dos deuses", era o alimento do Olimpo com grande poder de cura...

Ambrósia é também o nome de um doce originário da Península Ibérica que se chama "doce de ovos".

Numa receita arrojada poderá combinar ovos, cacau, mel, manteiga clarificada, sumo de limão (tudo q.b.), a que se pode adicionar frutos secos e/ou da época, polvilhado, ou não, com uma porção generosa de canela, e bom apetite.


. Alimento dos Santos

Pão ázimo
Ingredientes:
- 1 Kg Farinha integral de trigo (ou outros cereais: aveia, ou cevada, ou centeio)
- 1/2 litro de água
- meio copo de azeite
- sal a gosto
Opcionais: ovos e mel.

Extratos naturais com propriedades químico-preventivas.
Por exemplo, hóstia sagrada (circular, 3cm de diâmetro).
Pão e vinho, transubstânciação.


. Poção Mágica

à moda do druida Panoramix:
- visco (colhido com foice de ouro)
- nabos, cenouras e beterrabas, quanto baste
- morangos para adoçar
- um trevo de quatro folhas
- um pouco de peixe fresco
- uma pitada de sal

(na alternativa vegetariana, prevenindo a falta da vitamina B12, pode substiutir o peixe por manteiga clarificada "ghi" ou "ghee", e bom apetite!).


Luís Santos


sábado, 27 de abril de 2019

O Mar da Palha


Luís Santos

Estuário do rio Tejo, lugar de encontro entre águas doces e salgadas, movimento de maré, o Mar da Palha estende-se desde o mouchão de Alhandra, próximo de Alverca do Ribatejo, até Lisboa/Cacilhas e banha todos os concelhos da margem norte e sul, por onde o rio corre. Na foto, a praia do Moinho no Samouco, margem sul, mesmo ali ao pé donde sai a Ponte Vasco da Gama, capitão que mereceu a honraria, como é sabido, pela descoberta do caminho marítimo até à Índia, Índico que depois deu para o Tibete, para o Japão, e por aí a fora, Ilha de Moçambique, Madagáscar, Zanzibar, Seicheles...

Na enseada que o rio Tejo faz por aqui, círculo interior da margem sul, onde se situa também a base aérea nº6 do Montijo que, eventualmente, será substituída pelo novo aeroporto complementar ao de Lisboa... existem ainda amplas zonas naturais que são, entre outras coisas boas, lugar de moratória, nidificação e migração de dezenas de espécies de aves. Desde logo, os flamingos e as gaivotas, mas também as garças, brancas e cinzentas, os gaios, as gaivinas, os patos bravos, os maçaricos, os borrelhos, e um sem número de outras que nem lhes conhecemos os nomes. Uma questão real, pertinente e delicada, esta da possível coexistência num mesmo espaço de tantas aves e aviões.


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Dar Voz ao Silêncio


por Luís Santos

Faz hoje, 3 de abril, precisamente 25 anos, então um Domingo de Páscoa, que se deu o desparecimento físico do Professor Agostinho da Silva, rumo ao lugar donde nasceu, o futuro. Aqui fica como lembrança um poema nosso onde se O refere e que, muito provavelmente, sem os seus ensinamentos dificilmente teria acontecido.




MÚSICA DE PALAVRAS

VII. Da Ressurreição - Cântico dos Cânticos

Descansam os ventos, suspendem as chuvas
e sossegam ás águas dos mares, deslizam
os anjos vão acima, vão abaixo
e ladeiam um canal de luz, mais que luz
iridescente,
harpas e tamborins, uma flauta de pan
aproveita-se toda a claridade do luar
e, por detrás, um cântico dos cânticos

Um mel etéreo que escorre do céu,
devagar,
uma vibração que nem voz, um ânimo
um aconchego, um calor no peito
e por esse canal que nem luz
lá vai Jesus, quarenta e sete dias
depois do Carnaval,
primerio domingo depois
da lua cheia equinocial, um dia
especial o primeiro de abril

Lembramos um Professor que também
partiu num domingo de Páscoa,
não se percebeu se foi ele que escolheu
ou se decidiram por si,
sabemos que segundo diz
nasceu onde quis
e fez do seu berço Portugal,
a Língua Portuguesa e a Ibéria,
tudo junto, e adiante
um pensamento ecuménico

Na cruz floresce uma rosa
de dentro do meio da dor,
o amor
uma flor na primavera,
ou muitas cores, muitas flores
porque se é feio também
há-de ser bonito, e se tem mal
bem também tem, o meu bem
ou nem isso, tudo é Um só
tudo junto, é a suprema beleza
da natureza, tão rija e forte
mas é doce e é bela, é Ela
uma mulher, Maria
Trindade, tudo no mundo

Pelo tal canal sobe uma luz
uma energia subtil, cor de rosa
e azul, um brilho azulado, uma taça
e uma chama. És tu!
É uma roda viva de vidas infinitas
raras e preciosas, o tal vitral
um cristal, uma ponte, uma passagem
uma miragem no deserto
uma fonte de água cristalina
um riacho, uma lagoa
uma flor de lótus

É o fim da dor
Deus dos ateus até
e tu vais, ou não vais, vais
ter de escolher, ou de reconhecer
o que é igual, a paz do lugar enfim,
e a música é o cântico dos cânticos
o bater das asas dos anjos
uma pomba branca refeita
e a pauta são os fios de luz
onde pousam as andorinhas

O céu é azul, os campos são verdes
e castanhos correm os rios
a caminho da foz.
Tudo é aqui e agora.
É esta a hora.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Gente da Nossa Terra

por Luís Santos
 Leonel Eusébio Coelho e Celina Baltazar, a sua companheira de sempre.
O incansável antifascista, militante comunista, associativista, agricultor nos tempos livres, treinador de ténis-de-mesa de crianças e jovens, apaixonado pelo livro e pela leitura, escritor, poeta, tanto que organiza uma Feira do Livro há quarenta e tantos anos, naquela que em jeito de brincadeira dizemos ser a terceira mais antiga do país, logo a seguir a Lisboa e ao Porto...
E a Celina a preparar uma sopinha para o Zeca Afonso, em tempos que para se ter ideias próprias tinha de se andar fugido, escondido, da polícia política salazarenta, por entre casas de amigos e ensaios da "Grândola Vila Morena". Ou, a passagem de José Afonso por Alhos Vedros, numa história que está por contar.

ALHOS VEDROS, para lá de outras dinâmicas culturais e artísticas muito próprias e ricas, tem uma atividade literária que impressiona, com muita gente a escrever e a publicar livros.
Durante as últimas duas semanas, enquanto íamos escrevendo um Prefácio para o último livro de Leonel Coelho, a ser publicado em breve, dois outros escritores locais, apresentaram as suas últimas obras: "Asas Presas", de Maria Celeste Carvalho, e "Orgânico Animal", de Manuel João Croca.
Mas, num repente, vem-nos à memória mais meia dúzia de nomes da terra que tem vindo a escrever e a publicar...
Ora, se a tudo isto juntarmos uma Feira do Livro que a Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro organiza, de forma ininterrupta, há quarenta e tantos anos, o que dizer?
O lançamento do último livro do meu amigo Manuel João Croca foi no Espaço FAVO (Fábrica de Artes Visuais e Oficios), em Alhos Vedros.
A sala estava cheia e o ambiente muito fraterno. O livro está francamente atrativo e nele se desenrolam um conjunto de apontamentos, poemas, crónicas, de fortíssima qualidade literária, ou não fosse o Manuel João um homem dos livros de corpo inteiro, faz muitos anos. Não deixem de ler.


"STREET ART" Foto do Encontro de ontem "Os Impactos da Street Art", na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal", organizado pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e pela Câmara Municipal de Setúbal.
O município da Moita esteve muito bem representado. Aqui se pode ver o seu Vice-Presidente Daniel Figueiredo, com a "mão na massa".
Entretanto, Pedro Dominguinhos, Presidente do IPS, aproveitou para anunciar a abertura de um concurso para "Intervenção Artística em Mural do Campus Politécnico de Setúbal", em iniciativa conjunta com a autarquia setubalense. As candidaturas decorrem até 15 de fevereiro de 2019. Informações aqui: http://www.si.ips.pt/ese_si/noticias_geral.ver_noticia…

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Versículos


(Amor)
Um grande amor É!


Luís Santos

(Sonho) 
Os sonhos
são outros mistérios
formas de ser
momento de vida.
Etéreos.
Linguagem dos pássaros.


(Permanência)
Delicada atenção
Provas de amor
Cuidados como pérolas
Testemunhos de eternidade.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A Ilha dos Amores


Curta Metragem/Documentário

Duração: 20 a 30 minutos

Tema: Alhos Vedros,   Título: A Ilha dos Amores.

Objectivos: Mostra local, Concurso de curtas metragens do ICAM, etc.


Ideia Central – Desenrolar alguns episódios de Alhos Vedros, paralelamente à história de Portugal. Mas ATENÇÂO nunca se falará em Alhos Vedros (nem em Portugal) excepto, talvez, na dedicatória do filme.


TAPE 1
A Lenda do Domingo de Ramos (séc.XII)
- o poço mourisco
- Etimologia de Alhos Vedros: Homens Velhos com Asas (precisa de explicação) - a Linguagem dos Pássaros.

Texto:
Depois dos Lusitanos e dos Romanos
E volvidos anos
Com costumes Bárbaros pelo meio
Apartadas as mãos de mouros e cristãos
Veio…

Imagens:
- Pássaros (pardais, andorinhas, gaivinas, garças e flamingos) e
Anjos (no interior da Igreja)
- Missa
- Nossa Senhora dos Anjos (Procissão)
- Oliveiras (ao pé da Junta, quintal do Padre, ao lado da escola…)
- Castelo de Palmela visto de Alhos Vedros
- O poço mourisco
  
TAPE 2
Século XIII: O Concelho de Alhos Vedros; A Igreja; O mais antigo registo escrito sobre Alhos Vedros. D. Dinis e Isabel (Ordem de Cristo e Culto do Espírito Santo) 

 Texto:
Um país.
Sonhado e a sonhar
Com o Mar
Querendo fazer do Templo o mundo inteiro Português,
e Fez…
  
Imagens:
- o interior da Igreja (seria bom ouvir primeiro a história do Padre?)
- o mais antigo registo escrito sobre Alhos Vedros
- a Cadeia e os Paços do Concelho
- as águas do Cais Velho
- Pombas brancas

 TAPE 3
- D. João I e Filipa de Lencastre (sec. XIV-XV)
- A Peste Negra
- O Palácio da Graça
- A Conquista de Ceuta
- O Infante D. Henrique e a Ordem de Cristo
  
Texto:
Pela peste e em luto, no Palácio da Graça
Reuniram-se os infantes e o Rei
Para atravessar Gibraltar.
Toda a força do vento se aproveitou…

Imagens:
- Barcos à vela que chegam ao Cais (jogar bem com a luz no filme)
- Imagem do rei D. João I, da rainha Filipa de Lencastre e do infante D. Henrique (grão Mestre da Ordem de Cristo)
- O Largo da Graça
- A Quinta da Graça
- O Palácio da Graça
- O Marinho da Graça
- Manuel Tavares no Cais Velho
- Barcos que saem do Cais

 TAPE 4
- O Foral e D. Manuel I ( A Índia e o Brasil) - sec. XVI
-Álvaro Velho
-A Quinta do Império
-O estaleiro naval, os biscoitos, a Igreja de Palhais

Texto:
Foi o vento sim
que me levou a mim para lá
do Suão,
além do Atlântico, além do Índico
meditar no Tibete, ou no Pacífico
cambiar no Japão

Imagens:
- a carta de Foral de Alhos Vedros de 1514
- Pelourinho
- o estaleiro naval no sapal de Coina (construção e reparação das caravelas que foram às Descobertas)
- os fornos de biscoitos em Vale do Zebro (comida que seguia nas caravelas, alimentação dos navegantes)
- o sal, as salinas, os viveiros de peixe, imagens de peixes
- foto de Álvaro Velho (cronista da viagem de Vasco da Gama à Índia)
- A igreja de Nossa Senhora da Graça, em Palhais.
- a Quinta do Império (onde está hoje o aeródromo – filmagens aéreas?)

 TAPE 5
- Rumo ao futuro.

Texto:
Neste nobre estremenho lugar
Onde vêm as águas do Tejo
Trazidas pelo vai-vém do mar
Existe uma pequena ilha

Num momento mais insensato
Chamaram-lhe “Ilha do Rato”
Mas eu nos meus sonhos às cores
Chamo-lhe de “Ilha dos Amores”

Foi ela que em tempos de outrora
Sussurrou aos ouvidos do rei
Que se tinha chegado a Hora

Imagens:
- Ilha do Rato (filmada de cima?)
- águas do Tejo
- muitas caras de pessoas de Alhos Vedros
- muitos pássaros
- Depósito da Água – RI Alhos Vedros


Este filme é dedicado à vila de Alhos Vedros.

11 de Setembro de 2004 (dois anos depois...),
Luís