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domingo, 14 de setembro de 2014




MIRADOURO 34 / 2014
 
 
MOSTO
Setembro é desde sempre e por excelência o mês das vindimas.
O nosso clima temperado mediterrânico é talvez o mais indicado ao cultivo da vinha e do vinho e, um pouco por todo o país, se colhe o que a terra proporciona de abundância.
Também na minha terra, Cabeção, ainda que com menos produtores e menos vinhas do que há anos não muito distantes atrás, se assiste a um afadigamento que reconheço desde os primeiros anos da minha existência. Agora já não com o tráfego de mulas e carroças mas, ainda assim, se reconhece a familiar labuta ainda que assumindo outros registos.
Também da “Adega Afonso Croca” se libertam os calores dos mostos em fermentação. A quase totalidade das talhas acolhe a elaboração de néctares que, lá mais para meados de Novembro, poderão vir a ser saboreados.
O corpo sente-se amansado por imperativo do cansaço mas, mais uma vez, o ritual foi cumprido.
Assim é a Terra.
Mesmo que global e sucessivamente agredida, quando mimada pelo cuidado e desvelos de quem a semeia e cuida, acaba sempre por retribuir.
Porque um espírito profundo e benfazejo a anima e poder partilhar disso é aceder à maravilhosa dimensão da poesia.
 
 MJC
 Cabeção, 14 Setembro, domingo