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domingo, 30 de março de 2014

                                                                                        (12 - 2014)
O PANO E O TALHE
Há semblantes fechados onde são as aproximações possíveis.
Nos desígnios por revelar, nos movimentos a evoluir, nos caminhos a percorrer.
Já não nos sorrisos mercantis de máscaras.
Não nas falas e risos transitórios, resquícios de despedidas não anunciadas.
Nuns, o perceptível resguardo, invoca a intacta possibilidade de construções no fluxo que ateia a brasa da fogueira colectiva e plural.
Noutros, a ínvia desistência de aceder ao alçado do edifício do querer, sela as portas do poder ser.
 
Na in-sinceridade da ocultação do desmoronamento, a negação da possibilidade da construção. 
 
A camisa é branca e, sobre o pano crú, exercita-se o desenho em riscado de alfaiate.
À frente do pano é que se talha o fato.

Manuel João Croca

Pintura de Luís Delgado