(12 - 2014)
O PANO E O TALHE
Há semblantes fechados onde
são as aproximações possíveis.
Nos desígnios por
revelar, nos movimentos a evoluir, nos caminhos a percorrer.
Já não nos sorrisos mercantis
de máscaras.
Não nas falas e risos transitórios,
resquícios de despedidas não anunciadas.
Nuns, o perceptível
resguardo, invoca a intacta possibilidade de construções no fluxo que ateia a
brasa da fogueira colectiva e plural.
Noutros, a ínvia
desistência de aceder ao alçado do edifício do querer, sela as portas do poder
ser.
Na in-sinceridade da ocultação
do desmoronamento, a negação da possibilidade da construção.
À frente do pano é que
se talha o fato.
Manuel João Croca
Pintura de Luís Delgado

