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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Património de Uberaba - Minas Gerais


Margarida Castro
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

Mercado Municipal

Mercado Municipal
O Mercado Municipal funciona em prédio erguido em 1922, na Praça Manoel Terra. Sofreu reformas em 1936 e 1992, que modernizaram seu interior e todas as suas instalações, mas que conservaram seu estilo original. É uma excelente opção para compras de produtos típicos mineiros, frutas, verduras, laticínios, carnes e peixes, além de contar com outras lojas de produtos típicos. Nas manhãs de Domingo a fundação cultural promove o Domingo Musical.

Horário de funcionamento: Segunda a sábado das 6h às 18h, Domingo das 6h às 12h.
Pça. Manoel Terra s/n°
 3332-1691

Prédio do Paço Municipal Major Eustáquio 

Prédio do Paço Municipal Major Eustáqui
É o prédio público mais antigo da cidade. Foi construído em 1836 e é o centro histórico das decisões políticas do Município. A construção evoluiu do estilo colonial ao atual eclético, tendo passado por várias reformas, mas resguardando suas características e proporções. Sua decoração interna apresenta tetos e paredes adornados, com pinturas da década de 20, alusivas à história de Uberaba. Abriga, atualmente, a Câmara Municipal de Uberaba.
Horário de visita: Somente com agendamento prévio
Rua Coronel Manoel Borges, 41
  3318-7261 / 3318-1761 - Contato: Sumaira / Diretora do Departamento de Documentos e Pesquisa         


Igreja Santa Rita

Horário de visita: Segunda a Sexta das 7h às 18h
Pça. Manoel Terra, s/n
  3316-9886   masmuseudeartedeuberaba@yahoo.com.br

 
Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus 

Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus
Instalada no núcleo inicial de povoamento da cidade, a Igreja da Matriz do Sagrado Coração de Jesus acompanha a história de Uberaba. Tornou-se Catedral em 1896. A igreja passou por várias modificações durante estes anos, porém seu estilo neo-gótico foi conservado e é grande sua beleza interior. Comemorou no ano 2000, 180 anos de atividades paroquiais.
Horário de visita: Segunda a Sexta das 09:30h às 12h e das 13h às 17h
Rua. Tristão de Castro, 17 - Centro
 3332-1775  catedralpscdejesus@hotmail.com 


Igreja Medalha Milagrosa

Igreja Medalha Milagrosa
Está localizada no Mosteiro da Imaculada Conceição. No interior da igreja encontra-se o túmulo da fundadora do Mosteiro, Madre Virgínia, canonizada devido a um milagre ocorrido em março de 1988 na cidade. Atrai, anualmente, milhares de romeiros de todos os lugares do Brasil, principalmente no dia 27 de novembro, data da comemoração da festa dedicada à Santa Padroeira.
Horário de visita: Segunda a Sexta das 6h às 17:30h, Sábado e Domingo das 6h às 18:30h.

Igreja São Domingos

Igreja São Domingos
É um dos mais belos templos religiosos da cidade em estilo neo-gótico. Sua forma em cruz assemelha-se às igrejas bizantinas. A pedra fundamental foi lançada pelos padres dominicanos em 1895, tornando-se o marco de chegada desta ordem religiosa ao Brasil. Sua inauguração só ocorreu em 1904, ainda sem as torres, as quais foram terminadas em 1914. Por esse motivo ficaram com estilo diferente da construção original, que é toda construída em tapiocanga de cor avermelhada, deixadas aparentes, naturais da região de Uberaba, resultando em textura de grande originalidade.
Horário de Visita: Segunda a Sexta das 8h às 11h e das 13:30 às 17h
R. Lauro Borges, 272
  3332-1261  igcentenaria@netsite.com.br   www.igrejacentenaria.com.br

Igreja Nossa Senhora da Abadia

Igreja Nossa Senhora da Abadia
Sua construção quase toda horizontal impressiona pela grandeza. A bela imagem de Nossa Senhora da Abadia, a padroeira de Uberaba, está colocada em cima de sua torre e pode ser vista de vários pontos da cidade. Foi fundada no fim do século XIX (1884), e durante a primeira quinzena de agosto, realiza-se sua tradicional festa religiosa trazendo milhares de romeiros de outros lugares tendo seu ponto culminante no dia 15 de agosto, com procissão e missas durante todo o dia dedicado à nossa santa padroeira. Esta festa tem muito de nosso folclore, com barraquinhas, danças típicas, leilões, jogos, parques etc.
Horário de visita: Segunda: 8h às 11:30h e das 14h às 17h
                                Terça a Sexta das 7h às 11:30h das 14h às 20h
                                Sábado das 8h às 11:30h e das 16h às 18h
                                Domingo das 7h às 12h e das 16h as 20:30h
Pça. N. Sra. da Abadia, 323
  3322–7771  santuariodabadia@bol.com.br   www.santuarioabadia.org.br


Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus

Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus
Localiza-se no bairro fabrício. Teve sua pedra fundamental lançada em 1949. Construída em alvenaria de tijolos. A igreja aparenta características neoromânicas, com planta em cruz grega e nave única. Os vitrais dispostos nas ilhagens da capela. Reproduzem cenas da vida de Santa Terezinha.
Horário de Visita: Segunda a Sexta das 8h às 11h e das 13h às 17h
Praça Santa Terezinha, 231
  3332-2284  paroquiasantaterezinha@uol.com.br

domingo, 12 de setembro de 2010

Água Suja: A história de um lugar no distante interior mineiro!

Pouco a pouco a noite descia sobre largo e tranquilo planalto do Triangulo Mineiro. O calor abrasador do dia dava a vez ao ar fresco. As estrelas no céu tropical surgiam como translúcidos e faiscantes diamantes derramados sobre um manto de veludo azul-escuro. Não havia concorrência da luz artificial dos postes das cidades. A lua crescente, argêntea, clareava os caminhos que levavam os peregrinos a Água Suja. Lanternas e cajados nas mãos, garrafas de água amarradas à cintura, faixas luminosas cruzadas no peito, em bandos ou sozinhos, os devotos da Nossa Senhora da Abadia seguiam a passos lentos, seguros, para os festejos do dia 15 de agosto. Carros e barracas ao longo do trajeto lhes davam apoio.

À semelhança de Santiago de Compostela, na Galiza, todos os anos na primeira quinzena de agosto, romeiros saem de outras cidades triangulinas vizinhas a pé, a cavalo, de carro de bois, de automóveis, de ônibus, e percorrem até mais de 200 km para prestar homenagens, agradecer graças alcançadas e pedir favores, à padroeira do Triangulo Mineiro e Alto do Paranaíba. São noites e madrugadas de caminhadas arriscadas, à beira das estradas, nos acostamentos ou em caminhos de terra paralelos, pois durante o dia o calor abrasador cozinha-lhes os miolos, derrete-lhes os calçados, dá-lhes bolhas nos pés. Quando o sol está a pino, o que logo acontece, aproveitam para descansar, se alimentar e dormir em acampamentos localizados em áreas arborizadas, previamente demarcadas.

Preservando a tradição dos antepassados, os devotos de Nossa Senhora da Abadia, forasteiros, pedintes e visitantes, fazem romaria. Chegam cansados, mas esperançosos e contentes, à pequena cidade de Romaria, antiga Água Suja, movimentando o fraco comércio, distribuindo esmolas e alimentos, fazendo novenas, assistindo missas, participando das procissões, revigorando a fé, cada um à sua maneira.

Região outrora ocupada por tribos indígenas, algumas frontalmente avessas à aproximação do branco, o extremo-oeste mineiro foi tardiamente colonizado por faiscadores, garimpeiros, fazendeiros, a maioria aventureiros que buscavam riqueza fácil que o solo pudesse oferecer. Após tentativas e iniciais fracassos, ao fim conseguiram se estabelecer. Ganharam sesmarias, criaram raízes nas terras do Triangulo Mineiro. Trouxeram as famílias, amigos, parentes, tradições e crenças, muita vontade de vencer. Se é verdade que através das devoções religiosas pode-se adivinhar as origens de uma povoação, podemos dizer que o Centro-oeste mineiro teve na sua formação gente vinda do norte de Portugal, quando cultua a padroeira Nossa Senhora da Abadia, e dos Açores, quando festeja o Divino Espírito Santo. Fatos que podem ser comprovados pelos dados da história local.

No centro-oeste mineiro a devoção à Santa começou à época da Guerra do Paraguai (1864-1870), quando o Brasil por falta de engajamento popular, precisou fazer recrutamento forçado. No interior, para despistar o governo, as famílias davam aos rapazes nomes que poderiam ser aplicados em ambos os sexos, e os homens abandonavam suas casas e trabalhos para não serem encontrados e escaparem à convocação militar. Assim foi que muitos garimpeiros que não queriam trocar a bateia pela baioneta deixaram os garimpos de Bagagem ( hoje Estrela do Sul) e embrenhados nas matas, pesquisando córregos da vizinhança, descobriram diamantes no Córrego de Água Suja (devido à coloração amarelada das águas na lavagem do cascalho). A descoberta logo se espalhou e com a crescente afluência de gente, aí nasceu um povoado. Batizaram-no com o mesmo nome do córrego. Descendentes de bracarenses, os garimpeiros implantaram a devoção a Nossa Senhora da Abadia, já venerada em Goiás (Muquém), onde anualmente faziam romaria. Prometeram construir uma igreja caso o Estado os esquecesse. Atendidos, na tentativa de manter a tradição, e estando Muquém muito distante, pediram e tiveram autorização do Bispo de Goiás, D. Joaquim, para cultuar a Santa no recente povoado. Em 1870 construíram uma capela e encomendaram a imagem que veio do Rio de Janeiro, trazida pelo viajante português Custódio da Costa Guimarães. Inicia-se então a devoção de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, hoje Romaria ( Arquidiocese de Uberaba). Em 1872 edificaram a Igreja, e em 1930 inauguraram o Santuário de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, conhecido em toda a região.

Dentre as inúmeras graças e histórias acontecidas conta-se o caso do Padre Tristão de Mendonça Carneiro:
“...Era 1878, vindo de Goiás, trazia a permissão do Exmo. Diocesano para administrar os sacramentos na capela aí existente, nas fazendas e roças do lugar. Estatura regular, robusto, olhos azuis e vivos, tinha características de homem de ação evidentes. A par de suas atividades espirituais resolveu tirar de um Córrego da redondeza chamado Paiol, um rego para abastecimento de água ao povoado. Para tal conclamou os fazendeiros e moradores da vizinhança para pôr mãos à obra.

Antonio da Cunha Ferreira, dono de três fazendas próximas, por algum motivo particular, tentou embargar a obra. Como o dito fazendeiro chegou ao local com a intenção, porém, sem as formalidades legais, o padre não lhe deu atenção.

Três dias depois apareceu um oficial de Justiça, mas este foi rechaçado porque não trazia, conforme exigia o padre, a papelada em termos. Passados mais 4 dias, serviço quase concluído, o padre assistindo aos trabalhos debaixo de uma árvore, chegaram dois oficiais de Justiça, com a papelada em mãos, exigindo do padre o embargo da obra. Conferido os termos, o padre Tristão aceita a intimação. Chama o pessoal e pergunta à frente dos dois oficias se algum deles estava trabalhando por conta dele. Com a negativa, disseram que ali não havia patrão, que estavam trabalhando cada um por sua própria conta e só parariam depois que cada um recebesse uma intimação, nos termos legais. Deste modo concluíram o serviço que é até hoje uma realidade.

Indignado com o fracasso de suas diligencias, o fazendeiro resolveu vingar-se. Foi a um amigo e pediu-lhe a indicação de alguém capaz de executar o seu plano mortal. Contratou um tal de José Vitorino, e deu-lhe as instruções.

Vésperas de Natal e Ano Novo, o padre Tristão que estava de viajem marcada, resolveu à ultima hora não ir. Coincidência ou intervenção da Santa, o matador de tocaia aguardou em vão a passagem do padre no Capão dos Rodrigues. Depois de muita espera resolveu ir a Água Suja, dar ciência ao patrão do que acontecia.

Logo que chegou à cidade foi à Igreja, onde a missa já estava no meio, à elevação. Ao entrar no recinto, seu tropel chamou a atenção. Ao ver o padre, procurou com o olhar o patrão que, ao vê-lo, cai repentinamente fulminado, não se sabendo porquê. Trouxeram água fresca, em vão tentaram reanimá-lo... . Era já um cadáver.

O padre Tristão ainda ficou mais um ano na paróquia até que se mudou para Poços de Caldas, onde faleceu. “


(Texto resumido, retirado de uma caderneta de um filho de Irahy (MG), presente na Monografia da Paróquia e Santuário Episcopal de Água Suja de N. S. da Abadia (P. Primo Maria Vieira)

Segundo o geógrafo e agente de Pastorais (na Igreja N.S de Fátima de Uberlândia), Geovane da Silva e Sousa, fundamentado em pesquisas do Mons. Primo Vieira:

Foi à época das invasões árabes na terra de Braga, onde mais tarde seria Portugal, que monges cenobitas esconderam a imagem esculpida em pedra de Nossa Senhora. Achada séculos depois, em 1107, numa caverna por frades do Mosteiro do Monte de São Miguel (Paio Amado e frei Lourenço), começa aí a devoção à Virgem. Foi por essa época que o superior desses monges recebe o nome de abade e o mosteiro de Abadia. A partir daí a Santa passa a receber o nome Nossa Senhora da Abadia.

Com as viagens dos descobrimentos e as migrações portuguesas o culto à Santa se espalhou por todos os continentes aonde chegou a colonização lusa.

Apesar de Nossa Senhora da Conceição ser a padroeira de Portugal, a veneração a Nossa Senhora da Abadia foi a primeira genuinamente portuguesa.

No Brasil, o culto a Nossa Senhora da Abadia começou na Bahia em 1718, Jandira (Diocese de Alagoinhas). Mas foi no centro-oeste brasileiro, talvez por ter recebido maior contingente nortenho português, que a devoção à Virgem teve maior repercussão. Da Bahia, a Goiás (Vila Boa de Goiás), de Muquém (GO) a Minas Gerais, principalmente nas áreas de Mineração e Garimpo, no Triangulo Mineiro e Alto do Paranaíba Ela é a padroeira.

Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 09/09/10
Triangulo Mineiro, MG

Para saber mais:
. Monografia da Paróquia e Santuário Episcopal de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja. (Padre Primo Maria Vieira)
. Nossa Senhora da Abadia, A história de uma devoção.(Mons. Primo Vieira) Obra póstuma
. Conhecendo Romaria (Geovane Silva e Sousa)