De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

sábado, 29 de maio de 2010

«Olivença recupera as suas ruas»

A Associação Cultural Além-Guadiana prossegue na defesa da cultura oliventina. (http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/91673.html)

«A Câmara Municipal de Olivença começou a recuperar os antigos nomes em português das ruas da localidade. A iniciativa parte da associação cultural Além Guadiana, que há um ano apresentou à Câmara e aos diferentes representantes políticos de Olivença um projeto pormenorizado para a valorização da toponímia oliventina, com unânime aceitação.
O projeto contempla a adição dos antigos nomes das ruas aos atuais, mantendo a mesma tipologia e estética nas placas. Assim, resgatam-se as denominações das ruas, dos becos, das calçadas, etc., que configuram o extenso casco histórico encerrado nas muralhas abaluartadas, com um total de 73 localizações. Tudo irá acompanhado de um simbólico ato inaugural e da edição de brochuras turísticas bilingues.
A maior parte da toponímia urbana de Olivença foi substituída ou modificada na primeira metade do século XX, embora alguns dos nomes continuem a ser utilizados pela população apesar das alterações, como nos casos da rua da Rala, da rua da Pedra, da Carreira, etc.
Os antigos nomes das ruas falam-nos do passado português da “Vila”, como popularmente é conhecida a cidade, desvelando aspetos diversos, amiúde desconhecidos, da sua história. Estes remontam a séculos atrás, muitos deles à Idade Média, aludindo a pessoas ilustres da História, a antigos grémios de artesãos, a santos objeto da devoção popular ou à fisionomia das ruas, entre outros aspetos. A rua das Atafonas, a Calçada Velha, o Terreiro Salgado e o beco de João da Gama” são alguns exemplos.
Com esta iniciativa pretende-se, enfim, realçar um interessante componente da rica herança cultural oliventina, a toponímia, contribuindo para testemunhar a história partilhada deste concelho e para a tornar visível em cada recanto intramuros. Os nomes ancestrais dos espaços públicos conformam uma janela que convida a assomar-se e a explorar a apaixonante história de Olivença. Expressados na sua originária língua portuguesa, constituem o testemunho vivo de uma cidade onde se respiram duas culturas e são um veículo que encoraja os mais novos a manter a língua que ainda falam as pessoas mais velhas do município. Para a associação Além Guadiana, trata-se de uma iniciativa com fins didáticos, culturais e turísticos, com a qual se resgata para o presente uma parte do passado oliventino.»

A.M.
in, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

3 comentários:

luis santos disse...

Ficamos expectantes quanto à resposta do Governo Português à interpelação feita pelo Deputado e Constitucionalista Professor Jorge Bacelar Gouveia ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, em 27 de Maio, na Assembleia da República, sobre a situação de Olivença.

Margarida disse...

Mas Luís, O que me parece estranho é que este assunto é desconhecido pela maioria dos portugueses. Ou estou enganada?

luis santos disse...

Da mesma forma que, aparentemente, muitos outros temas o são. Não se esqueça que há muitos portugueses pouco interessados em questões mais intelectualizadas, por assim dizer. O trabalho, os filhos, a casa... deixam pouco tempo para o resto. Mas depois quando chega a hora da verdade estão todos lá. Pense, por exemplo, no caso de Timor. Parece que ninguém sabia o que se passava, mas quando foi preciso o país inteiro se levantou. E, depois, somos muito mais dados às coisas da paz do que da guerra e isso tem um significado que encerra fundo na cultura portuguesa. Mas aí são necessárias outras leituras menos evidentes do que nós somos e, de resto, do que por extensão está incutido nas melhores utopias das pretensões lusófonas.