sábado, 18 de maio de 2013

Exercício de Revolução Silenciosa


Senta-te com a coluna bem direita, numa cadeira ou numa almofada, com as pernas cruzadas. Abandona todas as preocupações com o passado, o futuro e o presente. Inspira e expira três vezes profundamente. 

Concentra-te no centro do peito, no coração da energia subtil e profunda, sentindo e se possível visualizando que há aí uma pequena chama luminosa, como a chama de uma vela ou um pequeno sol, que é a tua natureza profunda. Ela está viva e é ela que em ti respira em cada inspiração e expiração. Ao inspirares sente então que essa chama absorve em si, por compaixão, toda a negatividade, doenças e problemas que possam existir em ti, conhecidos ou desconhecidos, sob a forma de um fumo cinzento que, ao tocar a luz do coração, nela imediatamente se dissolve e transmuta, aumentando o seu brilho, intensidade e calor. Repousa então com a respiração suspensa com os pulmões cheios durante uns momentos, sentindo a intensificação da luz e do calor. Expira então, sentindo e vendo que do coração essa luz e esse calor irradiam, por amor, impregnando-te totalmente e levando-te tudo o que há de melhor e mais benéfico e mais necessitas: saúde, paz, alegria, felicidade, sabedoria e amor por ti e pelos outros. Repousa então de novo com a respiração suspensa com os pulmões vazios durante uns momentos, sentindo a plenitude desta experiência. Prossegue inspirando e expirando assim até que todo o teu corpo e todo o teu ser transpareçam e irradiem luz, calor e felicidade.

É então o momento de convidares para diante de ti os seres que te forem mais queridos, que amas mais incondicionalmente, esperando menos algo em troca. Sente-os e se possível visualiza-os claramente à tua frente. Sente e visualiza que a luz no teu coração inspira e transforma igualmente em si, por compaixão, tudo o que possa haver nesses seres, tal como em ti, de menos positivo, repousa uns momentos suspendendo a respiração nesse calor e luz e depois irradia-os ao expirar levando a eles e a ti, por amor, tudo o que houver de melhor, mais benéfico e necessário, fazendo como antes, até que tu e eles se tornem igualmente transparentes, luminosos e irradiantes de saúde, paz e felicidade.
 

Prossegue assim, abrindo cada vez mais a mente e o coração e expandindo o círculo da prática, convidando para diante de ti, por esta ordem - e vendo-os sempre a sair do teu coração e do coração dos teus entes queridos, de vós inseparáveis - , os teus amigos, aqueles que te são indiferentes, aqueles de quem não gostas e por quem tens aversão, adversários ou inimigos, os seres que vivem na mesma casa, edifício e quarteirão que tu, na mesma cidade ou localidade, no mesmo país, no planeta e no universo, humanos e não-humanos, visíveis e invisíveis, pensem, digam e façam o que pensarem, disserem e fizerem. Sente que ao inspirar e transformar a negatividade de cada vez mais seres a compaixão aumenta, que ao oferecer a luz a mais seres o amor aumenta, bem como a alegria e a imparcialidade, sentindo o mesmo por todos, sem exclusões nem preferências.
 

À medida que a luz em ti incluir mais seres sente o aumento do poder, benefício e alegria da experiência, sentindo que o aumento da luz a partir do coração, ou seja, da sabedoria, amor, compaixão, alegria e imparcialidade, é a progressiva manifestação da tua e nossa natureza profunda, comum a todos os seres, e que a dissolução do apego a alguns, bem como da indiferença e da aversão pelos outros, é a dissolução do teu e nosso ser egocêntrico e fictício, com toda a sua estreiteza, juízos e preconceitos. Aprecia o privilégio de poderes fazer isto, dissolvendo os medos, conceitos, emoções, muros, frieza e raivas que te oprimem e limitam.

À medida que a luz em ti inspira e expira tu e todos os seres convertem-se na própria luz. No final nada és senão luz que inspira tudo o que houver a inspirar em todos os seres em tudo o universo, o transforma em si e o expira oferecendo-se igualmente com todo o bem a tudo e a todos, sem qualquer excepção ou discriminação. Numa expiração deixa que essa luz tudo dissolva em si mesma, incluindo tudo o que imaginas ser e existir, e repousa tanto quanto quiseres nesta experiência, sem pensar, dizer ou fazer nada.
 

Afinal nada és e nada há senão o que desde sempre nós e todos os seres verdadeiramente somos: luz sábia, amorosa e compassiva, livre de todos estes conceitos.
 

Façamos isto no mínimo uma vez por dia, de preferência de manhã, recordemos ao longo do dia que o fizemos por todos os seres que virmos, ouvirmos ou em que pensarmos, e o mundo será inevitável e irreversivelmente outro, sem ruído, conflitos, vencedores ou vencidos.

Boa prática!

Paulo Borges
27/4/2013


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