“ Que imenso descanso, não dar nome às coisas! Que infinito espanto, olhar para um mundo sem nome

Paulo Borges


domingo, 11 de novembro de 2018

37º Poema a I. - José Gil


DO DOCE DE ABÓBORA COM ROMÃS

Deito-me no leito do teu fado
Como uma romã rosa
Como comer o céu
Como comer as estrelas

a abobara em doce  do meu mel escrito
no cabedal das calças 
bem rente à chuva de saudade
espera-me na Damaia

do doce que prepares de abóbora
eu deito as romãs

Ontem fugimos do temporal intenso
Que se prolongou pela madrugada
Em Praias do Sado 9h o sol nasceu e
avançou na guitarra da frente
onde treinas
os carris do comboio que acorda
para Lisboa,
tenho dedos longos de viola
do teu peito
onde vou bordando o sentimento
do pequeno fole emotivo do
acordéon
dos abraços da amizade
no oceano
esqueço as flores das ilusões
como uma cantiga antiga
sei que as tuas costas de tristeza
contam histórias de cavalos e asas
na tua concha do Outono
nos ombros ainda não estão as
tatuagens dos pesadelos
tu és o meu lugar de segunda feira
desenhos tribais no pescoço para eu beijar
e nas pernas
o lugar da lima e da água
não estão claras as bagas de mirtilos
no umbigo
vamos anda  pelo sol das muralhas do Aqueduto
Aguas Livres que
tocam-me de manhã o violino
da vida num só corpo
finisterra
amo-te quando chegas perto em "concha",
vibro por um rio novo o Sado digital
uma maré azul com um largo de palavras
e uma flauta grossa
para te tocar,
para tocares ao largo,
vivam as nuvens rosa
a maré baixa para
vivermos num outro lugar
amo-te, o amor
veste-me junto aos teus seios onde tudo
começa seremos rosa
na concha mais branca da vitória,
terás o poema claro e brilhante
dá um passo no meu umbigo
e dança se chegar a musica
e o silêncio, toco-te,
no movimento criativo
na música e na
dança livre

Praias do Sado
9;43h
5-121-2018

José Gil

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