“ Que imenso descanso, não dar nome às coisas! Que infinito espanto, olhar para um mundo sem nome

Paulo Borges


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Histórias por Contar"






ANIMAÇÃO DO LIVRO E DA LEITURA
“Histórias por Contar”
Seminário de Design, Desenvolvimento e Avaliação de Projetos

DAR VOZ AO SILÊNCIO

Começar pelos obrigatórios agradecimentos:
- à Professora Carla Cibele, pelo convite para apresentação deste livro
- aos Professores Luciano Pereira e Carlos Xavier, por terem aceitado também dar um pouco mais de Voz ao Silêncio
- a todos, pela vossa presença

Dizer, antes de mais, que nos reconhecemos inteiramente  neste seminário sobre “Animação do Livro e da Leitura”, título que dá nome a um Projeto que se tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos dois anos letivos, no 2º ano do Curso de Animação, já que a unidade curricular de Seminário de Investigação e de Projeto (SIP), cuja equipa de docentes integro, tem participado nele de forma ativa, conjuntamente com a equipa que leciona a “uc” de Design, Desenvolvimento e Avaliação de Projetos que, coordenada pela Professora Carla Cibele, organiza este seminário.
Neste sentido, não deixarei de relembrar as Professoras Catarina Delgado e Marisa Quaresma que comigo constituem a equipa de SIP, mas também do Professor Fernando Almeida que é o seu Professor Responsável.

Muito feliz o título do seminário “Histórias por Contar”, porque para além do mais, saiu de uma graciosa proposta dos alunos, como nos foi revelado numa das nossas aulas. Então, é justamente ao que nos propomos, contar brevemente a história devida deste livro “Dar Voz ao Silêncio”, sobretudo, sobre o que nele não se diz.

Um livro de poemas, relativamente pequeno, que até teve de ser esticado nos arrumos gráficos, que não na substância, porque o editor quando lhe chegou a primeira versão disse que não publicava livros com menos de 40 páginas. E aqui, ao que cremos, uma primeira revelação assumida pelo próprio livro, ao obrigar-nos, ele próprio, a sair a público sob o signo do  “quarenta”, cujo significado, entre outros, nos remete imediatamente para o período da “quaresma”, ou “quadragésima”, o período de quarenta dias que antecede a Páscoa, se excluirmos a semana santa, que foi o tempo a que o autor se obrigou para o escrever, durante este mesmo ano de 2018. Efetivamente, o livro relata uma viagem vivenciada poeticamente pelo autor, num período que se estendeu entre o Carnaval e o Domingo de Páscoa, do corrente ano.

Um livro de poemas que igualmente se revela como “um libreto”, cujo subtítulo “Música de Palavras” o anuncia. De facto, toda a estrutura do livro se desenvolve como se de uma sinfonia se tratasse. Só lhe falta mesmo o compositor e o maestro, porque nós de música, de facto, percebemos muito pouco. É verdade que, neste nosso jeito meio acanhado para a poesia, alguns anos atrás, escrevemos e musicámos um número razoável de canções, quando aprendemos a dedilhar alguns acordes na guitarra, mas não foi mais do que coisa fugaz. Os amigos músicos é que foram sempre muitos, e a prová-lo cá está mais um, o colega e amigo Carlos Xavier com a sua reconhecida mestria, que aproveitamos para, em público, parabenizar pelo seu último belíssimo trabalho nos “Passione”, trio musical do qual faz parte.

Um livro de poemas que embora pequeno na sua dimensão é de um livro de chegada que se trata. Quer dizer, um livro que transforma a Filosofia em poesia, relembrando da importante dimensão que, nos últimos anos, a Filosofia assumiu no nosso percurso académico, mas aqui, cremos, sem a demorada carga filosófica das palavras.

Um livro que é dedicado ao nosso planeta, à mãe Terra, e à lembrança da necessidade que temos de a poupar a desgastes inúteis. Afinal, uma viagem em forma de poesia, com permanente música de fundo, que assenta, sobretudo, numa tensão entre espiritualidades várias, que misturam o ocidente com o oriente, sejam pagãs ou cristãs, védicas ou budistas, e, aqui, sem que se deixe de lembrar os balanços do mar que vencemos, o que nos permitiu alargar horizontes, e consciência, com as nossas múltiplas idas expansionistas  ao Brasil, à Índia, ao Japão. Como resultado, esta enorme herança que temos entre mãos que é a da representatividade da Língua Portuguesa, que assim, como sabemos, se tornou numa das mais faladas no mundo, entre centenas de outras.

E por referenciarmos a nossa Língua, acabámos por nos lembrar da terna expressão de Fernando Pessoa, de que “a minha pátria é a Língua Portuguesa”, sendo que é igualmente, a partir de provocação sua, feita na última estrofe do seu livro “Mensagem”, e cito: “Ninguém sabe que coisa quer. / Ninguém conhece que alma tem, / Nem o que o é mal nem o que é bem. / (Que ânsia distante perto chora?) / Tudo é incerto e derradeiro. / Tudo é disperso, nada é inteiro. / Ó Portugal, hoje és nevoeiro...”, e é a partir daqui, diziamos, que nós chegamos ao fim do nosso livrinho, que é simultaneamente a sua ideia de partida, onde, de alguma forma, reafirmamos com Pessoa: “Tudo é aqui e agora, é esta a hora”.

Muito obrigado.
28.11.2018

2 comentários:

Victor Rocha disse...

Muito belo adorei! Parabéns.

luis santos disse...


Caro Victor Rocha, obrigado.

Permita-me dizer-lhe que, perto de si, a Livraria Uni Verso, Rua do Concelho, Nº 13, Setúbal (muito perto do edifício da Câmara Municipal) tem o livrinho a preço muito módico. Quem sabe, uma bela prenda de Natal. Estou à vontade para o dizer, porque não recebo dinheiro algum pelas vendas.

Grande Abraço
Luís