De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

domingo, 26 de abril de 2020

Manuel (D'Angola) de Sousa


“Cumpro Cabalmente Regras Certas E Dúbias Em Auto-Cópia 3D E/Ou À Mão” 

Cumpro com as regras desregradas e anómalas
Copio-me a mim mesmo pacientemente à mão
Pincelo e cinzelo as minhas curvas e dúbia silhueta

Agarro a pena com a mão esquerda e a tinta com a direita
Vôo com asas emprestadas duma borboleta acima da realidade
Encolho a ambição e poiso algures na pradaria

Misturo o vinho com água numa água-pé perfeita
A ferro e fogo extraio um alfinete entalado na garganta
Engulo em seco e a espinha atravessada no pescoço

Rebusco debaixo da pele indícios de tatuagens de há milénios
Sacudo as moscas e os moscardos dos ombros encolhidos
Abro o peito com uma chave-de-grifos francesa

Amarro-me sozinho ao poste dos sacríficos absurdos
Avanço para a berma dum vulcão activo sem intenções
Subo nas calmas os degraus de pedra da ingreme pirâmide

Ascendo ao cume pontiagudo para cúmulo do bom senso
Inalo os gases matinais da mais critica ascensão crística
Cristalizo-me misticamente em uma mistura de açúcares ancestrais…

Transformo-me em três ou mais ocasiões na cabalística árvore da vida…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 25 de Abril de 2020, em Homenagem aos Autores Activos do 25 de Abril, dia da Revolução dos Cravos em Portugal, dia da queda do famigerado regime ditactorial fascista e colonialista de Salazar e da instauração da Democracia Portuguesa e que, culminou nas justas e reconhecidas Independências das ex-Colónias Portuguesas e de seus Povos respectivos, em todo o Mundo…

“Viva o 25 de Abril de 1974, dia da libertação do pensamento e da liberdade de falar e opinar, em Portugal…”

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