No Canto IX dos Lusíadas, Ilha dos Amores, «Camões dá este conselho pedagógico aos portugueses: os meus amigos, se querem alcançar o Céu na terra, tratem do seu navio, mantendo-o em ordem, com disciplina a bordo, porque um dia a Ilha dos Amores aparece».

Agostinho da Silva


terça-feira, 4 de junho de 2019

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Mas o que é isto de o nosso primeiro-ministro se demitir para assumir o cargo de Presidente da Comissão Europeia? 

Não me admiraria muito que isto fosse cacofonia jornalística para desestabilizar a governação. 

Há esconsos poderes e muitos poderosos que estão interessados que as instituições paralisem.
Investigações como as do caso do apito dourado e processos como os da pedofilia põem em causa muita coisa e envolvem muitos nomes grados e, quiçá, capazes de tudo. 
Não admira pois que hajam forças que visem, precisamente, enredar de tal modo esses casos com o propósito de que resultem em nada. 
De maneira que não me espantaria que Durão Barroso estivesse a escorregar numa possibilidade que a imprensa de encomenda que temos logo tratou de ampliar para que depois do assentar da poeira ele acabe por surgir mais fraco e pronto a aceitar certos diktats. 

Mas a ser verdade não sei se seria esta a melhor ocasião para proceder a uma mudança de governo, agora que a economia dá mostras de começar a arrebitar e, provavelmente, viriam a calhar algumas medidas de estímulo para a recuperação de alguns sectores de actividade, para já não falar das tão necessárias apostas no ensino e na educação e na reforma de toda a justiça. 


É verdade que seria interessante para o país ter alguém naquelas funções mas, neste caso, não sei se o preço a pagar por isso não virá a ser maior que os dividendos que eventualmente possam ser obtidos. 

E quando o nome de Santana Lopes vem à ribalta para substituir o primeiro-ministro, então a sensação com que ficamos é a de estarmos a viver na aldeia de Geppeto. 


Esperemos pelo desenrolar dos acontecimentos. 

Portugal está no limiar de uma tragédia. 



O Verão começou com calor. 
Há muitos dias que os termómetros vão acima dos trinta graus. 



Esta tarde comprámos os candeeiros para os novos aposentos do lar e até nem gastámos muito; noventa e nove euros. 



E esta noite em que saí de casa após o jantar por vontade da família, acabei por passar um serão de esplanada com uma conversa muito interessante a respeito da democracia. 

Esteve em confronto a ideia da democracia participativa versus democracia representativa, vista aqui como uma forma a ser aperfeiçoada e aprofundada pela outra. 
Enfim, um ponto de vista que vem na esteira do guru Sousa Santos que nem dá conta que essa foi, por exemplo, a experiência de todo o poder aos sovietes e conhecemos o resultado. 
Nem mesmo é possível imaginar uma sociedade em que o poder residisse nos grupos de representação – do quê? De quem? – em que os diversos componentes do tecido social poderiam ter uma participação activa e directa. 

Mas é pena que as pessoas não compreendam a pertinência e as virtudes da democracia, por si, que ainda não vimos como possa deixar de assentar na lógica da representatividade, mesmo não deixando de admitir que esta possa ser melhorada e em alguns planos aprofundada pela complementaridade, em certos níveis e em diversos âmbitos, com a participação directa dos cidadãos que, seja em que situação for, sempre deverá resultar do activismo cívico que, em qualquer caso, é tanto mais saudável quanto mais robusto e intenso. 


É tão arrepiante quando fazemos o exercício de listarmos os inimigos da democracia. 



No Iraque continuam as bombas da Al-Qaeda para testemunharem como estes criminosos sabem bem que ali se joga o principal campo de batalha da guerra mundial contra o terrorismo. 

Ironicamente, são certos governantes do ocidente que parecem ser os únicos que não o compreendem.  


Alhos Vedros 
  26/06/2004

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