"Obstáculo foi coisa que jamais me importou; procurei sempre seguir nisto a lição dos rios: tiram a extensão e variedade de seu curso daquilo que se lhes opõe; ou das pedras: depende do que somos esbarrarmos nelas e nos queixarmos ou subir-lhes em cima e ver mais longe."

- Agostinho da Silva


terça-feira, 9 de outubro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Hoje os alunos aprenderam uma nova palavra, cenoura, com a qual trabalharam e a respeito da qual trouxeram trabalho para casa para o fim-de-semana, uma vez que amanhã deslocar-se-ão à Moita a propósito da Feira de Projectos que só os ocupará no turno matinal; com isso, a Margarida não terá aula à tarde e a Matilde regressará a casa ao meio-dia, uma hora mais cedo do que é habitual. 



Acabei de ver uma entrevista na RTP, feita pela jornalista Judite de Sousa a uma magistrada do Ministério Público encarregue da luta contra a corrupção, a Drª. Cândida Almeida que se revelou uma excelente conversadora o que poderia ter sido muito bem aproveitado para um diálogo interessante e esclarecedor. 

Mas qual quê? Nós estamos no reino do homo maniatábilis, não estamos? 
Pois a entrevistadora em vez de indagar a interlocutora sobre como se formam os diversos tipos de corrupção, as respectivas raízes, como agem, os propósitos que visam, como subjugam os poderes das áreas em que actuam, as repercussões que têm no tecido social e económico, quais as áreas em que mais acontece, enfim, já nem falaria em questões incómodas como as que interrogariam o silêncio sobre certos universos em que agora se revela uma certa antiguidade das práticas corruptas; mas a senhora, em vez de visar uma noite de esclarecimento sobre o estado de direito e as suas debilidades e pontos fortes, entre nós, limitou-se à lana caprina e a insistir naquele discursozinho ignorante e pernicioso do Ministério Público como justiceiro e não defensor da lei e das liberdades que, perante o arquivamento de uma investigação e a não formulação de acusação, é passível de sofrer derrotas na realização do seu trabalho. O que a mulher parecia pretender saber era se fulano seria acusado, se sicrano poderia vir a ser preso. 

Uma tristeza… 



A Sofia, a Professora de Ginástica que, por sinal, foi minha aluna, está com uma crise provocada por uma úlcera gástrica; há dois dias que não dá aulas. 

Fazemos votos para que melhore rapidamente. 



E por hoje é tudo que o cansaço é grande e a noite vai longa e fria. 


Alhos Vedros 
  06/05/2004

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