domingo, 11 de junho de 2017

"Workshop de Verão- Formação de Actores"



Lisboa e outras Localidades

(também para técnicos, guionistas, coordenadores de performances e espectáculos (teatros dos politécnicos e das universidades de todo o país) ,escrita poética e teatral) .

José Reis e José Gil (Teatro UMANO e ESE/IPS) divulgam o 1º de uma série de Oficinas de formação de actores - sábado 24 de Junho 2017 entre as 11h-17h- no Teatro Umano em Lisboa - perto da Av. de Ceuta estação da CP e paragem das camionetas Lisboa-Setúbal (Rua da Cascalheira nº 9- Alcântara Terra.).Voz e Corpo, Movimento e harmonia, criação de escrita para ser escutada através da leitura e voz alta. (aceita-se que quem não poder estar todo o dia participe só de manhã - 11h-1h ou só de tarde - 14h-17h)


Inscrições simples e gratuitas (enviar rapidamente (só há 20 vagas) por email, nome, idade, email, localidade, telemóvel, se tiver alguma experiência de escrita ou de teatro, qual?).


Traga roupa leve, pão, água, sumos, chá, uvas, cerejas,melancia, um pouco de frango, morangos...E almoce connosco na merenda comunitária entre a 1 e as 14h. Colaboração da Escola Superior de Educação e do Instituto Politécnico de Setúbal, do seu Teatro Porta a Porta e GPPII (Grupo Performance Poesia Insubmissa e Itinerante) E Teatro Profissional UMANO de Lisboa.

cordialmente

José Gil

telem. 912 796 824

sábado, 10 de junho de 2017

Duetos Luso-Brasileiros


Fotografia de Kity Amaral
Poema de Luís Santos



Marolas

Uma caravela e o céu aberto só por ela
Triangular bolina a seguir desnorteada
Cruzeiro do sul de luz que nos anima e guia,
O sussurro do vento

Nostálgico balanço na doce cama do mar
O búzio e o eco distante no canto da sereia 
Uma India que ainda nos clama e chama,
O fogo do oriente

O lenço escuro composto atado no pescoço
A camisa de xadrez avermelhada e russa
O mastro gasto a que me agarro e miro, 
A Terra sem fim

Um vislumbre de samba e a deusa das águas
Cachoeira de saudade em chuva de prata
E o regaço de criança da mulata que nos mata,
O tempo sem tempo

quinta-feira, 8 de junho de 2017

POEMA DE VERDES ANOS NAS PAREDES DA AMADORA ESTE - METRO FALAGUEIRA-Lisboa-Portugal



ao amigo Luís Carlos Santos


vou tatuar os corações pequenos da minha cidade

as maminhas soltas que avançam nos subúrbios

a alegria aberta afro árabe da Amadora

parece um batuque o bairro à roda

as moças à solta

cresce nas paredes Carlos Paredes um prédio inteiro

arte urbana pura ao vento da manhã

cravo vermelho das flores da alegria da tranquilidade

da arte bruta

Os melhores amigos são como as mais belas paisagens

os mais belos murais na grande envolvente de Lisboa

Disparo o novo dia com uma maçã verde nos dentes e

uma viagem Vimeca Algés- Falagueira, a carreira 162

Na encosta de um prédio velho o desenho dos dedos de Picasso na guitarra portuguesa de Carlos Paredes

transparentes transportes públicos que partem e chegam a esta grande estação de Metro num deserto onde destacamos o

coração fresco

na Falagueira a alma é o corpo de uma mulata que atravessa

a correr, qual gazela bizarra a passadeira das estradas para o

transporte.

ouve-se a guitarra portuguesa no envolvente

podia dançar-se logo de manhã

o sol forte como estas gentes

a caminho do trabalho


Jose Gil
Metro da Falagueira - Amadora Este
19,37h
7-6-2017


quarta-feira, 7 de junho de 2017

PORTUGAL EM 3° LUGAR NO ÍNDICE GLOBAL DA PAZ

Países Lusófonos a Caminho.
Europa: a Região mais pacífica do Globo.

António Justo

O Instituto para Economia e Paz (IEP) apresentou o Índice Global de Paz (IGP 2017), baseado na análise de 163 países e coloca Portugal em terceiro lugar no Ranking das nações mais tranquilas. 

Países Lusófonos 

A classificação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é encabeçada com o 3°. lugar para Portugal, seguida do 53°. para Timor Leste; 61°. para Guiné Equatorial; 78°. para Moçambique; 100°. para Angola; 108°. para o Brasil; 122°. para Guiné Bissau.
Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe não entraram na análise.
Segundo IEP Portugal passou do quinto para o terceiro lugar, ultrapassando a Áustria na classificação da posição mundial, devido, sobretudo, a uma recuperação constante na sua crise financeira, o que levou a uma maior estabilidade interna para o país.  

Critérios para a classificação dos países

Como factores para a classificação dos países, os cientistas servem-se dos seguintes grupos de indicadores: 1. Os conflitos no país e no exterior: número e duração de conflitos com outros países, e o número de mortes por violência organizada; 2. Segurança Social: instabilidade política e probabilidade de manifestações violentas e do número de detidos nas prisões; 3. Militarização: quanto dinheiro disponibiliza o país para as suas forças armadas, número de soldados disponíveis e se tem armas nucleares.  

Os 10 países com mais paz e menos violência

1.Islândia, 2. Nova Zelândia, 3. Portugal, 4. Áustria, 5. Dinamarca, 6. República Checa, 7. Suíça, 8. Canadá, 9. Japão, 10. Irlanda. 
Entre outros: 16. Alemanha, 23. Espanha, 38. Itália, 41. Reino Unido (ainda sem o recente ataque terrorista), 51. França, 137. Índia, 151. Rússia, 161. Iraque, 162. Afeganistão,163. Síria.
Na carta apresentada pelo IEP a Rússia encontra-se com a cor vermelha tal como a Síria; até o Egipto tem um melhor índice de paz que a Rússia, o que parece questionável.  
O relatório coloca a Europa como a região mais pacífica do mundo. O projecto União Europeia tem sido, certamente, um factor de garantia de paz. Apesar da guerra na Jugoslávia e do bombardeamento da Sérvia, nos anos 1990, a paz tem-se estabilizado, apesar de certos indícios de insegurança e medos a aumentar. 
Apesar do cancro da guerra em muitos países e do terrorismo islamista a esperança é maior que o medo!
O facto de alguns se afogarem na praia não justifica que se traga colete salva-vidas na banheira.
O importante é assegurar a paz sem que isso aconteça à custa da exploração de outros. O Estado, as instituições e os indivíduos terão de se empenhar no grande projeto de criar uma cultura de afirmação pela paz.

António da Cunha Duarte Justo

terça-feira, 6 de junho de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

PARABÉNS, MÃE!

Os prodígios do “Spirit” prosseguem. Oxalá estejam ainda no início. 
A esta hora deve o robot estar a analisar uma rocha marciana, junto da qual parou. 
Brevemente começarão a chegar os dados à base terrestre. Isn’t that wonderfull? 
Espera-se um considerável aumento dos conhecimentos a respeito do planeta vermelho. 

Onde também há dias de Sol 
apenas sem o encanto que a Vida incute na luz 

e no ar 
que a abençoa. 



E esta? 
No mesmo artigo, (1) o Professor Fernando Rosas consegue dizer que não é possível democratizar o Iraque e que a solução do problema iraquiano passa pela democratização daquele país. Parece uma contradição mas não é. O referido fenómeno será possível desde que enquadrado sob a responsabilidade das Nações Unidas – presume-se – embora não explique como nem porque se resolverão mais facilmente os contenciosos em apreço, mormente os militares. 



O meu pai sofreu ontem uma pequena cirurgia no olho direito que hoje está tapado com o respectivo penso. 

Graças a Deus está bem e a recuperação será rápida e a preceito; a atitude do paciente é boa e o ânimo está em cima, o que é bom. Mas o médico aconselhou repouso nas próximas quarenta e oito horas. 
É isso que o homem está a fazer e as netas fizeram-lhe companhia. 


Infelizmente, com isto se passou o dia do aniversário da minha mãe que hoje faz setenta e um anos de idade. 



A aula repetiu-se entre a Matemática e a Língua Mãe e por fim houve trabalho para casa que a Matilde resolveu na perfeição. 
Os alunos realizaram exercícios com números a propósito do que fizeram ilustrações e colagens e depois exercitaram a nova palavra aprendida e outra a partir dela, nomeadamente mão. Com as fichas a este respeito, fizeram desenhos e pinturas. 

Sem que necessite de as ver para copiar, a Matilde já escreve todas estas palavras. 


E eu sinto um calor cá dentro do peito… 



Santana Lopes, presidente da câmara de Lisboa defende a construção do túnel do Marquês do Pombal por comparação com os túneis da Avenida João XXI. 
João Soares, o responsável pelo executivo municipal aquando desta última obra, respondeu que ela destinou-se a escoar o trânsito da cidade ao contrário da actual que tem a função oposta. 

É isto a politicazinha, entre nós. 



E as noites continuam estreladas mas frias, muito frias. 


Alhos Vedros 
  21/01/2004 


NOTA 

(1) Rosas, Fernando, O IMPASSE AMERICANO, p. 5 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Rosas, Fernando, O IMPASSE AMERICANO, In “Público”, nº. 5051, de 21/01/2004

segunda-feira, 5 de junho de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (257)

A recreation of  Keith Haring’s first major outdoor project. (1982)

SEMÁFORO
Ao caminho
De passagem avenida acima.
Espera, o semáforo para peões não está verde.
Ainda para mais acabou de passar um carro vermelho,
Não, não posso atravessar ainda,
Não sei que ideia tenho em mim para querer atravessa-la agora.
Agora respiro, coço a cabeça, mexo o braço
E faço uma vénia ao carro que acabou de passar.
Os carros pensam como um homem e sentem como uma máquina
E basta ligar a ignição para começarem a sentir,
A roncar, a rir ou a chorar
Ou não, ou talvez seja ao contrário
Talvez o homem pense como um homem e sinta como uma máquina.
Não sei... se o soubesse faria do mundo uma máquina,
O meu cavalo possante feito de aço e ferro
Com todas as leis da engenharia astral que um homem necessita
Para poder sonhar, e fazer vibrar as cordas das constelações.
Tenho o chapéu de chuva numa das mãos
Esta sol e aguardo que o semáforo se ponha verde
Sou peão na minha consciência ao querer passar a rua,
Do lado de lá o mistério da vida encontra-se,
O cão que urina no passeio
A mulher que vende cautelas
O velha que passa bengalando
O menino que avança sorrindo,
Com a mãe pedindo colo.
Ou não, espera...
Um só segundo é necessário
Para alterar o sentido mundano das coisas,
Se assim não o fosse não estaria agora
Querendo eu passar a rua,
Pode- se passar uma rua em apenas um segundo
que o mistério do mundo continua intacto,
E mesmo que demorássemos milénios
Uma só ideia de um homem santo faria
Com que o tempo de passar a rua se reduzisse ao mais ínfimo milésimo.
Aguardo... aguardo com todas a emoções dignas de um homem.
De um homem sim, eu o homem, com outro ao lado fumando cachimbo,
Com uma mulher do outro manipulando o hiphone aguardando,
Na a paciência constante com que todos seres aguardam
Entretanto o semáforo muda de cor, mas ainda não está verde...

Diogo Correia
Málaga 2017

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Poemas com Jazz


SEMÁFORO 

Ao caminho 
De passagem avenida acima.

Espera, o semáforo para peões não está verde.
Ainda para mais acabou de passar um carro vermelho,
Não, não posso atravessar ainda,
Não sei que ideia tenho em mim para querer atravessa-la agora.

Agora respiro, coço a cabeça, mexo o braço
E faço uma vénia ao carro que acabou de passar.
Os carros pensam como um homem e sentem como uma máquina
E basta ligar a ignição para começarem a sentir,
A roncar, a rir ou a chorar 
Ou não, ou talvez seja ao contrário 
Talvez o homem pense como um homem e sinta como uma máquina.

Não sei... se o soubesse faria do mundo uma máquina,
O meu cavalo possante feito de aço e ferro
Com todas as leis da engenharia astral que um homem necessita
Para poder sonhar, e fazer vibrar as cordas das contelações.

Tenho o chapéu de chuva numa das mãos
Esta sol e aguardo que o semáforo se ponha verde
Sou peão na minha consciência ao querer passar a rua,
Do lado de lá o mistério da vida encontra-se,
O cão que urina no passeio 
A mulher que vende cautelas
O velha que passa bengalando
O menino que avança sorrindo,
Com a mãe pedindo colo.

Ou não, espera...
Um só segundo é necessário 
Para alterar o sentido mundano das coisas, 
Se assim não o fosse não estaria agora
Querendo eu passar a rua,
Pode- se passar uma rua em apenas um segundo
que o mistério do mundo continua intacto,
E mesmo que demorássemos milénios
Uma só ideia de um homem santo faria
Com que o tempo de passar a rua se reduzisse ao mais ínfimo milésimo.

Aguardo... aguardo com todas as emoções dignas de um homem.
De um homem sim, eu o homem, com outro ao lado fumando cachimbo,
Com uma mulher do outro manipulando o hiphone aguardando,
Na a paciência constante com que todos seres aguardam

Entretanto o semáforo muda de cor, mas ainda não está verde...


Málaga 2017

Notinha: O poema tem jazz. Para ouvir clique no nome do autor.

quinta-feira, 1 de junho de 2017


ESTUDO GERAL

Mai/Jun              2017          Nº88

«A meta é provavelmente o ponto sem dimensão. E esse é muito difícil. Acho que não o vou atingir e estou contente por a meta ser essa!» 
Agostinho da Silva

Sumário
















-----------------------------Fim de Sumário----------------------------

quarta-feira, 31 de maio de 2017

TEMPOS DE MUDANÇA – VIAGEM DE TRUMP SIMULTANEAMENTE LIÇÃO E CATÁSTROFE

As Marcas da Viagem de Trump


António Justo

Encontramo-nos na era das emoções, aquele tempo que precede a guerrilha. Assistimos aos nacionalismos a chegar, Trump a obrigar a Europa a voltar para ela, o povo a querer mudança no estilo e na filosofia dos governos da União Europeia e o Papa a apontar para o caminho.

O perigo é bilateral – A Europa odiou o candidato Trump e o presidente Trump despreza a Europa


Quando Merkel, fala sem dar possibilidade a grandes interpretações é porque a coisa é mesmo séria: Merkel disse, referindo-se à Europa, num comício do seu partido: “Está na hora de tomarmos o nosso destino nas mãos”.
O agir do presidente Trump, na Europa, faz apelo sobretudo às emoções embora o agir de Trump pareça ser só movido pelos interesses económicos, aqueles de que vive o resto, mais ou menos, em surdina. 
A Europa, no tempo da propaganda para as eleições americanas declarou-se contra Trump. Toda a Europa fez propaganda, mesmo a alto nível contra Trump e em favor de Clinton. A EU perdeu a aposta! Trump, um presidente com os nervos à flor da pele, desforra-se sem olhar a perdas! A Europa recebe agora o retoque bilateral.
Trump, ao declarar-se contra o Irão, sabe que este é um regime antiquado que apostou na luta das civilizações e que mais cedo ou mais tarde terá uma revolução interna. Nesta perspectiva, Trump quer apressar os dias dessa revolução…
O perigo é bilateral! Tanto a Arábia Saudita como o Irão são dois terrenos lodosos em que não se pode construir futuro porque só têm visão para o seu futuro. A estratégia antiterrorista seguida até agora não oferece razões suficientes para a continuar. Nela parece só ganharem os traficantes e os intermediários. Porque não se privilegiar as relações com a Rússia? Então deixaríamos de ter de favorecer corruptos ainda maiores como Arábia, Irão e Turquia.
Trump traz a classe política europeia a saltar na corda bamba! Os interesses das elites económicas, políticas e sociais europeias podem vir a ser ainda mais responsabilizadas se forem criados outros cenários de política internacional.

As Marcas da Viagem de Trump


A viagem de Trump foi uma lição e uma catástrofe. Começou bem, apresentando-se como homem de Estado, na Arábia Saudita (no covil do leão,) com um discurso, sem acidentes, dirigido ao mundo muçulmano. Apregoou maior ligação ao islão sunita da Arábia Saudita e de Erdogan e criticou o islão xiita do Irão que tem andado a jogar às escondidas com a energia atómica e as nações  e empobrecendo o povo (Trump esqueceu-se que a Arábia Saudita apoia os homens-bomba!); em Israel lançou a esperança de que, com um negócio entre Israel e os Palestinenses, se consiga a paz para toda a região (esqueceu certamente que toda a região é um vulcão aberto com poucas possibilidades  de extinção!); na Europa deixou a desilusão e a mensagem da mudança, e, na qualidade de super-comandante, aproveitou a oportunidade para ler os levíticos à Nato;  na Cimeira G7 deixou os parceiros desapontados e de queixos caídos porque habituados à cortesia (não o consideram um dos deles porque além do mais não aprendeu o jogo da diplomacia, assumindo o  comportamento dos homens do povo! Enfim um homem que desaponta os homens do sistema económico e político que para conduzirem o rebanho precisam de estabilidade para orientarem o negócio!); os parceiros da G7, para além de uns exorcismos ao terrorismo, às questões da imigração, da proteção da natureza a G7  e do magro apoio à fome na África (apenas 30% dos 6,9mil milhões de dólares que pretendia o “Apelo de ajuda da ONU”), ficou apenas com o desaponto e a espectativa. Talvez o fumo do Etna tenha contribuído para Trump não aceitar o plano italiano para fazer face à crise dos refugiados;  resta a esperança que Trump aproveite as semanas que faltam para a próxima Cimeira G20, em Hamburgo, para ler os textos que o Papa lhe ofereceu, especialmente, o seu texto sobre a  “nossa Casa comum” uma verdadeira “Constituição da ecologia” .
Resultado: A Europa terá de se redefinir, de se tomar a sério e de olhar mais para o Japão, China e Canadá.
“Está na hora de tomarmos o nosso destino nas mãos”; penso que, no caminho para lá chegar, está também a Rússia e a defesa dos países carenciados..
© António da Cunha Duarte Justo

terça-feira, 30 de maio de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Bem, vamos lá aos acertos. 

Ontem, os alunos fizeram os exercícios e fichas com números e hoje aprenderam a palavra mamã, com a qual conheceram o til e o som que lhe corresponde, a respeito do que fizeram vários exercícios. 



Jorge Sampaio, em presidência aberta, traz a região de Aveiro para o telejornal. 

Desconfio que a ideia da regionalização que foi claramente recusada em referendo, há cinco anos, está a ser ressuscitada agora sob o epíteto de descentralização regional. 
Para já há um sinal contraditório. Os concelhos da foz do Sousa agruparam-se para darem corpo e gerirem a área urbana respectiva. 
Sempre me pareceu que é a partir da associação de municípios que se podem identificar as vantagens comuns de unidades mais vastas que podem rentabilizar melhor a gestão dos recursos disponíveis e afectos à actividade da coisa pública, ao mesmo tempo que podem gerar um maior impacto no tecido social da zona, quer enquanto geradores de emprego, quer enquanto fontes de procura em outras áreas da economia, não necessariamente e só a local. 
Nesta via, resta esperar que as pessoas envolvidas ao nível político saibam organizar a nova entidade e não que dela nada mais façam que uma nova coutada para negociatas e satisfação de clientelas. 
Façamos pois votos para que assim não seja. 

Sem embargo, é esta a via que melhor pode garantir que a descentralização ou o que quer que lhe chamem não tem a mola em interesses alheios às necessidades das populações envolvidas. 

Será que tais preocupações estarão presentes nesta iniciativa presidencial? 



A temperatura desceu contínua e significativamente desde Domingo. 
Esta manhã, o termómetro do carro da Luísa marcava um grau centígrado. 

Mas um sempre presente Sol radioso fez uma luz tão bonita. 


E já se nota a diferença dos dias. 
Em Janeiro, dá um salto de um carneiro. 



E no Iraque permanece a instabilidade de um futuro incerto. 


 Alhos Vedros 
  20/01/2004

segunda-feira, 29 de maio de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (256)



Poema: Fernando Pessoa - Álvaro de Campos
Ilustração: Pedro Sousa Pereira

Selecção: António Tapadinhas


sábado, 27 de maio de 2017

A Poesia de Pedro Du Bois






VONTADES
(Pedro Du Bois, inédito)


Tantas vezes fui embora
                      para sempre
como parar de fumar
                      nunca mais
ou dizer a primeira
mentira do dia

o sempre se mostra perto
e o retorno se faz
                         rápido
como voltar a fumar
ou dizer a primeira mentira
                          do dia

amanhã irei embora
                     para sempre
e levarei os cigarros.

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WILL
(Pedro Du Bois, unpublished)
(Marina Du Bois, English Version)

So many times I left
                          forever
as stop smoking
                 nevermore
or telling the first
lie of the day

always shows up to be close
and the turn of
                 is quick
as going back to smoke
or telling the first lie
               of the day

tomorrow I will be gone
                               forever
and I will take the cigarettes.

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outros poemas, em:
https://plus.google.com/u/0/108438516741639533660
http://pedrodubois.blogspot.com.br/


Concurso Nacional Novos Poetas. Prêmio Sarau Brasil 2017.


Estão abertas as inscrições para o Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Sarau Brasil 2017.

Podem participar do concurso todos os brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 16 anos. Cada candidato pode inscrever-se com até dois poemas de sua autoria, com texto em língua portuguesa.

O tema é livre, assim como o gênero lírico escolhido. Serão 250 poemas classificados.
A classificação dos poemas resultará no livro, Prêmio Sarau Brasil 2017. Antologia Poética.
O certame está entre os mais destacados concursos literários da língua portuguesa.
Concurso Literário e uma importante iniciativa de produção e distribuição cultural, alcançando o grande público, escolas e faculdades.

Inscrições gratuitas
Até 05 de junho de 2017 pelo site: www.concursonovospoetas.com.br

Isaac Almeida
Realização: Vivara Editora Nacional
Apoio Cultural: Revista Universidade


quinta-feira, 25 de maio de 2017

AÇORIANOS EM TERRAS BRASILEIRAS

Rugendas, Brasil séc. XIX

Seja por vocação ou necessidade, a emigração sempre foi uma sina na vida dos ilhéus açorianos. Arquipélago oficialmente descoberto pelos portugueses, por volta de 1440, os Açores tiveram suas nove ilhas desabitadas paulatinamente ocupadas por portugueses do continente, madeirenses, flamengos (Brum, Bulcão, Silveiras, Dutra, Terra, Gularte ou Goulart, Rosa, Grotas) espanhóis (Bom-Dias, Arriagas,) alguns franceses (Berquós, Bettencourt, Labat), ingleses (Currys, Streets, Whytons), judeus (Bemsaúde) e africanos (escravos), emigrados de outras partes do antigo Império Português, ou de terras que com Ele tinham relações políticas de comércio, ou parentesco.

O ar salutar, o solo fértil, vulcânico, porém sujeito aos caprichos da natureza, e a paz reinante, longe dos movimentos geopolíticos que abalavam o mundo, proporcionavam ao longo do tempo um crescimento populacional gradativo que em momentos de crise frumentária e sísmica sofria com a falta de alimentos. Essas situações periódicas associadas à má política dos donatários (em geral gente da nobreza portuguesa), onde as melhores parcelas de terra eram doadas aos parentes e amigos, restando aos colonos, que com eles aportavam às ilhas, os piores nacos de terra, levavam a dificuldades de subsistência e a um desequilíbrio social deplorável, principalmente nas ilhas mais populosas. A emigração foi a solução encontrada e adotada todos esses anos de existência ilhoa.

Para os governantes portugueses as ilhas açorianas foram uma fonte de recursos humanos que supriram as necessidades da pátria. Ocuparam espaços, desbravaram e patrulharam caminhos, defenderam fronteiras, fundaram e povoaram vilas, lutaram em frentes de guerra, foram mão-de-obra barata, silo de grãos nas boas épocas de colheita.

Pelas histórias contadas de riqueza e beleza, pela facilidade da língua, pelos amigos e parentes que lhes antecederam, os locais de eleição para imigração foram, nos séculos XVI, XVII, XVIII, XIX, as terras brasileiras, embora o Alentejo, em grande escala, e América do Norte, em menor proporção, também tivessem sido a opção de muitos açorianos.

Nos últimos dois séculos os Estados Unidos da América e Canadá tornaram-se, pela prosperidade e oportunidades que ofereciam, os países de primeira escolha para a imigração dos ilhéus. No Havaí e em outros países menos procurados (Venezuela, Uruguai e Argentina) a passagem açoriana ficou marcada nas comunidades que fundou e nos descendentes que guardaram as suas raízes.

No Brasil chegaram com os portugueses do Continente e da Madeira como desbravadores e colonizadores para cultivar a terra, rastrear e explorar riquezas, abrir e patrulhar picadas, resguardar espaços, fundar vilas que se tornariam as futuras cidades brasileiras. Com os índios locais e negros trazidos das possessões africanas, miscigenaram-se. Na insana lida da conquista, os mais simples esqueceram as raízes, porém, perseveraram na fé e nas crenças, mantiveram hábitos e costumes, legaram sua língua e cultura aos seus descendentes, participaram efetivamente na formação do povo brasileiro.

A emigração oficial sempre se dava com o apoio financeiro e material dos governos e contratantes de mão-de-obra que os aguardavam no desembarque. Mas como tudo tem um preço, eles haveriam de trabalhar por muito tempo para pagar o investimento dos patrões, antes de conseguir a independência ou... a morte. Paralelamente à emigração regulamentada, havia também a clandestina, bastante numerosa, facilitada pela dificuldade de controle das autoridades em policiar o entorno marítimo das ilhas, pelo isolamento do arquipélago, pela escuridão oportuna da noite, e pela ajuda de comandantes de navios que faziam vista grossa no intuito de auferir lucros mais adiante. Era a saída mais aventureira, onde à chegada não haveria nenhuma ajuda, só riscos e canseiras.

Nos primeiros tempos vinham poucos, esparsamente. Depois em levas mais ou menos importantes para experimentos colonizadores determinados, como em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Amapá, e finalmente em pequenos grupos familiares ou mesmo isolados para encontrar parentes ou amigos já assentados ou estabelecidos. Saídos das ilhas em barcos contratados, chegavam ao país pelos portos coloniais (Recife, Salvador, Rio de Janeiro). Em terra, migravam em diáspora, pulverizados, para os locais que lhes chamavam ou para onde eram encaminhados pelo governo. Norte (Amapá, Maranhão e Pará), nordeste (Pernambuco e Bahia), Espírito Santo, Rio, Regiões auríferas, interior paulista e mineiro, sul do Goiás, minas de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina,... Iam para onde a sorte lhes acenava.

Esperava-os a aventura da incerteza e aqueles compatriotas que lhes antecederam e que poderiam lhes dar apoio na difícil empresa de sobreviver numa terra estranha.

Oficialmente, a primeira entrada de um grupo de açorianos em solo brasileiro se deu em 1619. Foram 300 casais que vinham para se estabelecer no Maranhão após a expulsão dos franceses. Mais tarde em 1675 saíam 50 casais do Faial, vitimas do vulcão de 1672 (Praia do Norte), e que foram mantidas pela bondade do governador da ilha, Jorge Gularte Pimentel, até 1675, quando partiram para o Brasil. Chegaram ao Grão-Pará em 1676 para servir como colonos e mão de obra nas plantações daquele espaço amazônico.

Em 1679, na Graciosa, e em 1719, no Pico, novas erupções vulcânicas obrigaram os ilhéus sinistrados a emigrar para a América Portuguesa, desta vez para a Colônia de Sacramento. Embora não haja a certeza da chegada desses ilhéus, o certo é que há conhecida descendência açoriana em terras uruguaias. Em 1740, um destacamento militar formado com homens das ilhas açorianas se instalou no Amapá e fundou Macapá, sua capital. Em 1770 a fundação do Município de Mazagão se deu na origem de Mazagão Velho, quando a Coroa portuguesa mandou para lá 163 famílias de colonos portugueses cristãos, oriundos do Castelo de Mazagran, (El Djadidá) Marrocos, que se conflituaram com os mouros islamitas.

  • Em 1723, no sudeste, são conhecidos alguns açorianos que marcaram a região (Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, e interior de Minas), através da sua descendência. Eram ilhéus migrantes de outras partes do território brasileiro que chegavam em busca de terras e riqueza.
  • O enorme afluxo de gente que a descoberta do ouro e as disputas para a exploração do metal (Guerra dos Emboabas- luta entre os paulistas, descobridores das minas, e os portugueses e brasileiros vindos de todos os lados) proporcionou, tornou o comercio de carne e alimentos uma ocupação muito rentável. Mesmo com o declínio da produção aurífera e diamantífera, com a situação mais apaziguada, os migrantes passaram a procurar terras para o cultivo e criação de gado, era uma nova e atrativa possibilidade para conseguir uma vida mais digna e estável. O sertão estava à espera de quem tivesse força e coragem para conquistá-lo. O governo através de seus representantes políticos e militares apoiava-os, montando troços militares pelos caminhos, distribuindo terras (sesmarias) a quem se dispusesse a ocupá-las. Assim é que os migrantes brasileiros e portugueses foram empurrando os negros dos quilombos e os índios cada vez mais para o interior, destruindo-os ou assimilando-os, tomando-lhes o espaço.
  • Segundo o genealogista e historiador, José Guimarães, em São João Del Rei, por volta de 1723, é conhecida a presença das três ilhoas faialenses (Antónia da Graça, Júlia Maria da Caridade e Helena Maria de Jesus) que vinham para se encontrar com Diogo Garcia, seu conterrâneo aparentado e futuro marido de Júlia Maria. Dos casamentos dessas açorianas, com patrícios, se originaram os troncos de várias e importantes famílias mineiras.
  • Fato semelhante ocorreu no século XIX, no atual Espírito Santo, quando entre 1813 e 1814 chegaram quatro levas de açorianos (200 indivíduos) para fundar a colônia de Santo Agostinho (hoje Viana). Conta a história que, quando o governador, Francisco Alberto Rubim da Fonseca e Sá Pereira (1795-1890) recebia um grupo de ilhéus (da Horta-Faial), viu um dos guardas do palácio do governo, Antonio de Freitas Lira, encantado com a beleza de uma das seis irmãs faialenses (Luiza Aurélia da Conceição), tocar os cabelos da jovem, irritado, como desagravo, declarou no ato o noivado deles. Verdade ou não, o fato é que três meses depois casaram. Em breve, todas elas se transformariam em matriarcas de destacadas famílias capixabas.
  • Entre os primeiros povoadores de arraiais e vilas de Minas, Mato Grosso do Sul e sul goiano, não é difícil encontrar a presença de raízes açorianas. Pamplonas em Formiga, Botelhos em Araxá, Borges, Vilelas, no Prata. Junqueiras, Rodrigues da Cunha, Terras, Goulart, em Uberaba...
  • Mas sem dúvida alguma a maior e mais marcante leva ilhoa ocorreu no sul do país. Pode-se dizer que grande parte dos colonos portugueses que para lá foram são das ilhas, o que se pode verificar nos arquivos legais e histórias familiares dos seus descendentes.
  • Foi um processo estimulado pela Coroa (D. João V) que por razões políticas e estratégicas visava à solução de dois problemas. Aliviar o arquipélago de gente, ocupar e defender o sul brasileiro das investidas estrangeiras. Só para Santa Catarina, entre 1748 a 1752 foram, principalmente, das ilhas centrais do arquipélago dos Açores (Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Graciosa) cerca de 6000 pessoas. Para a época, quando o sul era pouco povoado, pode-se dizer que foi quase a translação de uma população de uma terra para outra.
  • Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os estados brasileiros onde mais se encontram sinais desses emigrantes, seja na genética, na arquitetura, na religiosidade ou na cultura popular. Os manezinhos, descendentes dos antigos povoadores açorianos, ainda conservam alguns dos seus hábitos e costumes. Não é sem motivo que chamam a ilha de Santa Catarina (onde está a Capital Florianópolis) a décima ilha açoriana.
  • A cada situação de fome ou desequilíbrio social, a emigração era a solução. Em 1771 e 1774 saíram da Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Flores e Corvo 301 pessoas. Destino Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco.
  • Em 1779 e 1785 outras levas (900 casais), principalmente de São Miguel, e em menor escala do Faial, dirigiram-se para o Alentejo, desta vez com patrocínio particular (Intendente Pina Manique), porém,  com o assentimento da Coroa. Toda essa evasão de gente, deixou o arquipélago desfalcado de braços para as lavouras. Em 1800, 1807 e 1813 dá-se notícia de mais casais açorianos chegados à Bahia. Facilitava a transferência da Coroa Portuguesa para o Brasil.
  • Mas foi após a Revolução Liberal Portuguesa, em 1820, que a emigração deixou de ser limitada pelo governo. A crescente procura de gente para a lavoura de café, e de jovens açorianas para serviços domésticos (eram solicitadas com preferências; morenas de olhos negros, claras de olhos azuis,...) pelos fazendeiros, estimulava a levas cada vez maiores de açorianos. Ao chegar, sem condições vantajosas de negociação, muitas dessas pessoas tornaram-se verdadeiras escravas brancas. As jovens rejeitadas, sem ter como se sustentar, terminavam desgraçadamente na prostituição. Inúmeras viviam em prostíbulos, morriam à míngua.

A mobilização militar também trouxe para o Brasil gente açoriana, principalmente a partir do século XVII, quando Portugal ficou sob a dominação filipina. A Holanda que era a maior inimiga da Espanha , na época, tornou-se também nossa inimiga. Em 1766 seguiram de S. Miguel para o Rio de Janeiro 400 recrutas e em 1774 a Coroa requisitava mais 600. Em 1776, foram 890. Esvaziavam as ruas de São Miguel e das outras ilhas de vadios, as cadeias de prisioneiros, de gente à toa. Ao término do tempo de serviço os soldados podiam optar por voltar ou ficar como paisanos no Brasil, com reforma. Os recrutamentos continuaram até que o decréscimo populacional quase paralisou as ilhas, em especial São Miguel, que viu em 20 anos diminuir a população em mais de 10 mil pessoas.

Fugindo do serviço militar, da miséria ou por índole aventureira, a emigração açoriana foi uma epopéia que deixou rastro por onde passou. Mesmo na atualidade, em que a emigração/imigração é um fato corriqueiro num mundo globalizado, como emigrante açoriana que sou, deixo, no país que adotei para viver, geração luso-brasileira que há de continuar no sangue e no viver as marcas que trago do meu povo.

Maria Eduarda Fagundes 
Uberaba, 28/05/12











DADOS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • Emigração Açoriana (Luís Mendonça e José Ávila)
  • Anais do Município da Horta (Marcelino Lima)
  • Famílias Faialenses (Marcelino Lima)
  • Memória genealógica das famílias faialenses (Francisco Garcia do Rosário)
  • A Oeste das Minas. Escravos, Índios, homens livres numa fronteira oitocentista. Triangulo Mineiro (Luis Augusto Bustamante Lourenço)
  • WWW. Potyguar.com.br/Amapá/primeiros colonos
  • Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (n.º 66. 211).
  • As Famílias Portuguesas Radicadas no Espírito Santo (Artigo de Paulo Struck de Moraes Vice-presidente do IHGES)
  • Povoadores do Sertão do Rio da Prata (Benedito António Miranda Tiradentes Borges)