"Não haviamos marcado a hora, não haviamos marcado o lugar. E na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, os nossos tempos e os nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro."

(Rubem Alves)


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Manuel (D'Angola) de Sousa


“De Degrau Em Grau Subo Ao Ingreme Céu Escorregadio Da Mitologia Psicotrópica”

Subo degraus da escadaria e desço graus do termómetro
Ascendo com o ar e a ambição ao tôpo da montanha
Trepo que nem um bode montanhês as íngremes encostas
Pulo de um lado para o outro de penhasco para falésias

O mêdo que tenho do mêdo é tanto que me pélo
Receio não sabêr lidar com os tremores que sinto
Escorrego ao mínimo sinal de pavôr de um terrôr maior
Não controlo as emoções e nem o sentimento mitológico

Acredito nas sombras e em tudo o que mexe aparentemente
Escondo os olhos da claridade e da penumbra também
Vejo mal um simples e suspeito barulho no meio do nada
Vislumbro silhuetas em formas indistintas na escuridão

Queimo calorias e outras porcarias que colecto por aí
Bem desejo reciclar tudo o que é lixo atómico ou simbólico
Há que aprender a fazer coisas que sempre pensei sabêr
Ando errado e troco os pés e os cotovelos e tudo o mais

Rapo e raspo tachos furados feitos de alumínio reaproveitado
Minero antigos resquícios de inteligência em profundas minas
Cavo buracos nos cérebros alheios com o pensamento furador
Influencio sem querer e de propósito mentes cultas e ocultas

Quero lá saber se sei ou sou um inculto em plenitude total
Saiam as palavras como me saírem da boca sinto-me feliz
Gingo até de contente por dizer significâncias distorcidas
Pouco me importa se sou ou não realista e minto ao quadrado

Convenço-me amiúde ao espelho que o melhor é ser vaidoso
Acredito em ilusões e em miragens no deserto sem árvores
Que se lixem as boas maneiras e a ética que poucos usam…
Arrepender-me-ia por obrigatória dôr própria de consciência se estas fossem atitudes minhas…

Acabaria por auto-condenar-me a ficar calado e quieto na mansidão da eternidade moral…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 8 de Maio de 2018, em Alusão à necessidade de existirem práticas de educação forte e de ética e moral firmes, sobretudo no sistema educacional total, a fim de que tenhamos uma Sociedade muito mais harmoniosa e consciente e virada para as questões ambientais e o comportamento digno, de boas maneiras e honesto…

“Viva a Verdade e a Realidade Prática acima de tudo, como valores orientadores essenciais da Sociedade…”

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