"Não haviamos marcado a hora, não haviamos marcado o lugar. E na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, os nossos tempos e os nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro."

(Rubem Alves)


sexta-feira, 20 de abril de 2018

APOCALYPSE NOW (OU O GANG DOS DINOSSAUROS)


Quando eu era rapaz, lá no meu bairro, a miudagem resolvia habitualmente os seus conflitos à estalada, ou mesmo ao pontapé, e, em casos mais extremados, à pedrada. Nada de mais. Podia haver cabeças partidas, mas só isso, e tudo acabava bem, normalmente com a interferência de juízes de paz de ocasião: vá, façam as pazes, apertem a mão.

Esclareça-se que o entrar em vias de facto não era imediato, havia um ritual, preliminares como coisa de amantes. O desafiante cuspia no chão e só ia à cara do outro se ele espezinhasse o cuspo.


Também é assim com os adolescentes transviados, os mentecaptos que o povo identifica como «cá dos nossos» e coloca no cavalo do poder. Cada alcandorado destes é a sumarização dos piores vícios da populaça em um só indivíduo.


O problema é que esta miudagem cretina e malformada tem ao seu dispor pedras muito perigosas e escasseiam os juízes de paz de ocasião de antigamente.


Aquela senhora com ar de porteira das Avenidas Novas, metida num brexit que lhe arrepia o toutiço, assim que viu o czar bamboleante cuspir no chão, foi a correr pisar a desagradável cuspidela e telefonou de imediato ao fraldisqueiro da França e à patroa da Alemanha para lhe guardarem as costas. Os outros putos ranhosos do clube dos burocratas anafados, tirando burriés do nariz gritaram fanhosos: força, garina, estamos contigo.


Os gangues de adolescentes marginais comportam-se sempre assim, nem é expectável que se comportem assado.


Entretanto, o pato-bravo lá do outro lado do Atlântico, que foi escolhido pelos russos para que o povo lhe desse o voto, e o voto é aquela coisa que se põe nas urnas, como se fosse cadáver, pôs-se em bicos dos pés e disse: vamos mandar umas ameixas para a Síria. É preciso acabar de partir aquilo tudo, que a reconstrução vai ser um maná.


Está a contar com o recuo dos russos, mas engana-se. Recuaram em Cuba, quando eram comunistas, embora poucochinho, mas agora que são o contrário e muito, não vão recuar.


Será que estou com receio de uma guerra atómica?


De modo algum!


Não há condições para uma guerra atómica, só para um enorme e global holocausto. Se se der, não vai haver ninguém para se lamentar. Conhecem algum dinossauro que se lamente pela extinção?


ABDUL CADRE

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