quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Akhenaton Faraó Místico


por Walter Barbosa de Oliveira


Amenhotep IV (Akhenaton - 1378-1350 a.C.) viveu no século XIV a.C., e reinava com o nome de Amenhotep IV, posteriormente mudou seu nome para Akhenaton ou Akhnaton. O monoteísmo era subjacente no Egito antes do reinado deste Faraó e ele adorava a energia irradiante e intangível que está no Disco Solar, que chamava de Aton.

Os historiadores por muito tempo situaram o Êxodo no reinado de Ramsés II, filho de Sethi I, isto é, entre 1298 e 1232 a.C., mas não têm nenhuma prova absoluta disto - cada vez mais autores põem essa data em dúvida, alguns indo a ponto de dizer que esse evento relatado na Bíblia teve lugar em vez disso na época de Akhenaton, como consta na Tradição Rosacruz - Sigmund Freud, em O Homem Moisés e o Monoteísmo, declaram: “Devemos escolher como data do Êxodo o período do interregno que se situa após 1350”.

Outros fatos desconcertantes: Seria Moisés egípcio? Observemos que o nome hebraico de Moisés é “Moshe”, composto das letras Mem, Shin e He, Este nome pode ser lido como “Mose”, vocábulo egípcio que significa “nascido de...” ou “filho de”, donde os nomes Thoutmose / Thoumosis, Ramose, Amose / Amosis... A Tradição Rosacruz relata que Moisés foi encarregado por Akhenaton de guiar o povo hebreu até Canaã e lhe inculcar durante esse périplo a crença num Deus Único. A Bíblia (Deuteronômio) indica que Moisés faleceu com 120 anos após ter passado 40 anos no deserto, pode-se deduzir que ele teria partido do Egito aos 80 anos.

Para que ele tivesse conhecido Akhenaton, teria sido necessário que essa partida tivesse ocorrido por volta de 1295, o que é perfeitamente possível. Por outro lado, a Bíblia nos indica que Moisés (Moshe) significa “Tirado das águas”. Se for de fato a filha do Faraó que lhe deu este nome, isto quer dizer que ela conhecia o hebraico, o que é pouco provável... Nesta linha de pensamento, o Livro do Êxodo indica que Moisés era um mau orador (“Minha boca é inábil e minha língua pesada” - Ex. 4.10) e que Aarão falava por Moisés (“Aarão repetia o que Deus dizia a Moisés” - Ex. 4.30). Pode-se então pensar que Moisés era de fato egípcio e que ele não conhecia o hebreu, donde a necessidade de ele apelar para um intérprete: Aarão.

Vários testemunhos históricos confirmam as ligações entre Moisés e Aquenaton. Assim é que no tratado “Contra Ápion”, o historiador Flávio Josefo (século I d.C.) fala em Mâneto, sacerdote egípcio de Heliópolis (século III a.C.), que teria escrito uma “História do Egito” na qual cita certo Moisés, sacerdote egípcio iniciado a Fraternidade Secreta também chamada de a Grande Fraternidade Branca e que teria feito os hebreus saírem do Egito (Pelo menos até o tempo de Akhenaton, o símbolo definidor dessa Fraternidade era uma Cruz Rosada – A Fraternidade de Akhenaton fez da rosa vermelha na cruz dourada o seu principal símbolo).

No judaísmo, YHWH, o Tetragrama sagrado que representa o Nome de Deus, nunca é pronunciado pelos judeus. Ele é substituído pela palavra “Adonai”, cuja forma antiga era “Adon”. Ora, este termo é foneticamente muito próximo da palavra “Aton”.

Constatamos também que há estranhas semelhanças em certos textos. Na mitologia do deus Tot, associado à cidade de Achmounein, em frente à cidade de Aton, a criação do mundo é apresentada assim: “No começo havia um Caos confuso, primordial, do qual emergiu a Terra. Para esta Terra vieram grandes Veneráveis: o oceano primordial, o infinito, as trevas, o mistério. Depois se deu o nascimento de um lótus iluminando o país com seus raios: Rê, o Sol. Dos amores de Rê nasceu um, íbis, Tot, que criou a vida”. Ora, está escrito no Gênesis: “No princípio, Deus criou o Céu e a Terra. A Terra era sem forma e vazia. Havia trevas sobre a face do abismo. O Espírito de Deus pairava por sobre as águas...”. No Hino a Aton, vemos: “... A Terra está em trevas e parece morta... todos os leões saem de suas covas... Depois Tu reapareces e a Terra se ilumina de novo... Os seres humanos despertam e se põem de pé... Os peixes, por sobre o rio, põem-se a saltar para a Tua face... Tu criaste a Terra, bem como os seres humanos, as manadas e todos os animais selvagens, segundo o Teu coração quando estavas só,...”. No Salmo 104: “Trazes as trevas e é a noite... então os filhotes de leões rugem para suas presas... depois o sol se ergue e eles se retiram... O ser humano sai para sua tarefa, para seu trabalho até à noite... Eis o mar, grande e vasto em todos os sentidos; nele se movem inúmeros animais, pequenos e grandes... Que Tuas obras sejam numerosas! Fazes todas com sabedoria. A Terra está cheia de Tuas criaturas...”.

Todos temos de convir que há analogias entre estes dois textos. Os documentos que nos esclarecem sobre a vida deste faraó do Êxodo das tribos de Israel (18a Dinastia) podem ser divididos em três grupos: Os talatates, os afrescos e os escritos presentes nas tumbas: Eles dizem que Ele era filho de Amenhotep III e Tiy (parece que Ela era filha de um plebeu). A Tradição Rosacruz afirma que a rainha tinha passado dos trinta anos, e ainda não tinha herdeiro para o trono, suplicou a Aton, ou a Deus, durante 12 anos pelo nascimento de um filho varão para o Faraó do Egito e nove meses mais tarde ela trouxe ao mundo o jovem príncipe.

Amenhotep (Akhenaton) que nasceu no palácio real, em Tebas, no dia 24 de novembro de 1378 a.C. era de origem Ariana, como sua mãe.  Após seu nascimento, a criança confirmou sua preparação no seio da Fraternidade, onde foi recebida muito jovem e instruída nos mais altos Mistérios pelos maiores sábios da época. Aos 11 anos de idade (1367), foi coroado cor regente. Foi noivo de Nefertiti e fundador de uma grande escola de misticismo no Egito, se antecipando em séculos à evolução espiritual da humanidade, na sua vitoriosa luta contra as trevas, a ignorância e a superstição; ele foi o primeiro a declarar que havia "UM DEUS ÚNICO" e a revelar poderes latentes em todos os homens; sua carreira jamais foi superada por outro Faraó, e sua história é de particular interesse para diversas Ordens Esotéricas.

Quando atingiu a maioridade, no vigésimo oitavo ano do reinado de seu pai, respondia pelo nome de Amon-hotep (Amon está satisfeito), foi associado ao poder real por uma cor regência, por ocasião de um jubileu que marcava uma nova era para a soberania do Egito. Recebeu como epíteto, "Neferkheperourê" ("As transformações de Rá são perfeitas"), ao qual ele próprio associou o epíteto "Ouãenrê" ("O Único de Rá"), seguido dos qualificativos "Divino soberano de Tebas, aquele que vive muito tempo".

Nessa época, mudou seu nome para "Horus de ouro" para "Que aparece em cerimônia Sed". Tornou-se faraó reinando até 1350 a.C. (consideradas as discrepâncias entre vários calendários antigos); Foi coroado em Mênfis e não em Tebas e no ano VI de seu reinado resolveu instalar-se em Tel-el.Amarna, a fim de implantar sua reforma religiosa – como sabemos, foi Amenhotep IV (Akhenaton) quem rompeu com o politeísmo substituindo-o por Aton, o Deus único sem igual, Senhor da eternidade, simbolizado pelo disco solar com raios descendo para a Terra e mãos nas extremidades desses raios, que simbolizavam a força criativa do deus único incidindo sobre a Terra e implantou esse culto em substituição de todo o panteão tradicional egípcio - portanto, tornando-se o primeiro monoteísta da história.

Nesse sítio, foi contada uma seqüência de mil e seiscentos altares, Ao que se sabe, o templo, construído por Akhenaton tinha 210 metros de comprimento e 32 metros de largura.  A energia a que Akhenaton se referia, era de dupla polaridade; de um lado é “Chu”, a luz e o calor, e de outro, é “Maat”, a consciência universal, atributo da Alma Universal. Essa troca de grande profundidade é de grande importância para os rosacruzes, uma vez que em nossa concepção encontramos essas duas polaridades com os nomes de “Espírito” e “Força Vital”.

Em seu hino, Akhenaton qualifica Aton de “Pai-Mãe” da humanidade, o que era uma maneira alegórica de descrever a dupla natureza, positiva e negativa, do Deus Supremo simbolizado pelo disco-Aton. Essa qualificação emanava da Fraternidade Egípcia a qual pertencia. Mais tarde foi adotada pela extensão dessa fraternidade na Palestina, denominada “essênios”.

Durante o seu reinado houve uma revolução das artes, a pintura e a escultura, tratando-se de seres humanos, deixou de ser “estereotipada” ou estilizada. Houve um arredondamento e escorçamento das figuras para efeito de realismo, havia uma disposição de sacrificar uma parte do rosto ou da cabeça. Características físicas antiestéticas, como queixos ou abdomens salientes, eram retratados fielmente. A noção anterior da simetria, ou equilíbrio foi mantida na composição.

Seu primeiro ato importante foi à construção de um templo dedicado a Aton, em Karnak, a leste do templo de Amon. Por ter permitido aos antigos escravos egípcios (Israelitas) sua partida para sua suposta terra prometida, os sacerdotes da Cidade de Amon (fundada por este faraó), sublevaram os generais contra Akhenaton, culpando-o, e aos israelitas, das calamidades que haviam se abatido sobre o Egito (Pragas do período mosaico, registradas na história bíblica). Os generais se revoltaram e o assassinaram poucos anos depois da construção do templo a Amon em Karnak.

Sua obra foi aparentemente extinta após sua morte, fazendo-a desaparecer nas névoas do tempo através da destruição de seu nome. Akhenaton nem sequer recebeu o privilégio de uma tumba; o local onde foi sepultado permanece desconhecido até hoje (apagar o nome de um homem morto, no Egito era priva-lo da vida póstuma, pois os egípcios antigos davam grande importância ao nome de um homem no seu túmulo. Esta é a razão mais provável para o nome de Akhenaton ter sido apagado da história do Egito). O comandante do exército egípcio assumiu então a Insígnia Real do assassinado e perseguiu os israelitas. Esse general, portanto, foi o homem que morreu no Mar Vermelho, à testa do exército egípcio (acontecimento comemorado com o nome de Pessa’h, festa que comemora ao mesmo tempo a saída do Egito e a travessia do Mar Vermelho (Ex. 13; 18)).

O aspecto original e fundamental de sua reforma reside no fato de que a Divindade não é mais representada por uma estátua, qualquer que seja sua forma. Para adorar o seu Deus, Ele não hesitou em romper com a concepção usual dos templos; o defunto não mais apelava a Osíris, deus dos mortos, para guiá-lo no além. Por todos os fatos relacionados acima, alguns egiptólogos, o acham, megalomaníaco, pois tinha a pretensão de ser o único que podia conhecer Deus. Veja alguns de seus comentários: no trecho bem conhecido do "Grande Hino a Aton", onde Akhenaton diz: “Estas no meu coração, exceto teu filho Neferkheperourê”. “Quando houveres recolhido as sementes (pois não te dou senão a semente de tua transformação pessoal) e houveres recolhido os grãos, retorna ao mundo e cumpre a tua missão até que a terra onde tenha germinado a semente floresça e produza para mim seus frutos. Consagra-te humilde e alegremente ao meu serviço, não há ação por modesta que seja que não te ligue a mim, pois obedecendo assim a lei, teu corpo chega a ser inseparável do meu. “Eu sou teu Pai e tu és meu filho, aquele que vive na Verdade”.

Foi casado com Nefertiti (A bela que veio de longe) filha de Ay, alto funcionário e irmão da rainha Tiy. Teve sete filhas com Nefertiti. Fundou uma grande escola de misticismo no Egito, se antecipando em séculos à evolução espiritual da humanidade, na sua vitoriosa luta contra as trevas, a ignorância e a superstição. Foi o primeiro a declarar que havia “Um deus único” e a revelar poderes latentes em todos os homens (muito embora não se possa contar muito com a exatidão de “suas” declarações. Em virtude do fator “tradução e interpretação”). Segundo essas interpretações, só o faraó conhecia os desígnios desse Deus que nem sequer era chamado de Netjer como outras divindades: “Estás no meu coração e ninguém Te conhece exceto Teu filho Nefer-Kheperou-Ra, pois Tu o tornaste sábio no conhecimento de Teus planos e do Teu poder”. Assim: Akhenaton (nome que adotou), era o único intermediário entre Deus e os seres humanos e era nessa qualidade que ele outorgava um ensinamento. Poder-se-ia dizer: “Não há outro Deus além de Aton e Akhenaton é o seu intermediário”.

Muito tempo depois, o islamismo adotou uma profissão de fé semelhante; a saber: “Não há outro Deus além de Alá; e Maomé é o seu profeta”. O próprio Cristo se expressou em termos quase idênticos: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. “Ninguém vai ao Pai senão por mim; Se me conheceis, conhecereis também ao meu Pai”.

Akhenaton marcou com sua efígie o Pensamento religioso e insuflou no mundo uma nova espiritualidade que inspirou o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Numa Estela de alicerce do templo de Akhenaton está escrito: ”Esta cidade, foi Aton quem a desejou e não um intermediário ou um senhor qualquer. Vede Sua Majestade a encontrou e ela não pertence nem a um deus nem a uma deusa; é um lugar virgem". As maiores autoridades no estudo do idioma egípcio discordam quanto à interpretação ou tradução precisa de algumas de suas declarações. Isto se deve a que não existe um dicionário perfeito do alfabeto egípcio – por exemplo, o alfabeto egípcio que foi entalhado em pedra não continha vogais.

A carreira deste Faraó, jamais foi superada por outro faraó, e sem dúvida alguma foi o mais célebre faraó da XVIII dinastia, embora não tenha sido um grande político, principalmente no plano exterior. Sua história é de particular interesse para a Ordem Rosacruz, que o celebra respeitosamente como grande mestre tradicional da fraternidade secreta do Egito, embora seus sucessores, sobretudo a partir de Ramsés II, tenham feito tudo para destruir sua memória.

Em 1892 foi descoberta em Tel-el-Amarna, no fundo de uma ravina tortuosa, a tumba que fora preparada para Akhenaton, e ate Fevereiro de 2010, não se sabia o destino de sua múmia. Este era um grande mistério egípcio. Após anos de realização de exames genéticos e tomografias de 16 múmias, obteve-se a mais contundente evidência de que a múmia KV55, achada no Vale dos Reis, é mesmo de Akhenaton. E os testes determinaram que KV55 é pai de Tutankhamon (segundo fontes científicas era filho de Akhenaton com uma irmã que era também sua amante) e filho de Amenófis III, uma estirpe que coincide com a de Akhenaton.

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