quinta-feira, 19 de junho de 2014

D'ARTE - CONVERSAS NA GALERIA
 
18 / 2014
 
PINTURA
 
Luís da Silva Delgado




CASTELO DE SESIMBRA
Óleo sobre tela
60 x 85
 
"Olhando o mar e tocado pela brisa, por aqui me fico."
 
 
 
 
  LUIS DA SILVA DELGADO  
Nasceu em Amêndoa- Mação em Novembro de 1955.
 
   Em 1987/88-Frequentou a 1ª Fase do Curso de Pintura no ARCO, durante três       
   semestres.
                ·        EXPOSIÇÕES:
 
   1989 - Concorrente seleccionado ao Prémio “ O Vinho e a Vinha” das Caves    
               Aliança na S.N.B.A. – Sociedade Nacional de Belas Artes;
   1999 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L. – Alhos Vedros;
   2001 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L. – Alhos Vedros;
   2003 - Concorrente seleccionado ao Prémio de Pintura Joaquim Afonso  
               Madeira - Alhos Vedros;
   2004 - Participa na colectiva - 1º Salão de Pintura integrada nas Conferências
              de Primavera - Alhos Vedros;
   2004 - Exposição individual na Biblioteca Bento de Jesus Caraça – Moita;
   2005 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L., que lhe atribui o
               prémio “ Incentivo ás Artes”;
   2005 - Concorrente seleccionado ao Prémio de Pintura Joaquim Afonso
               Madeira, onde lhe foi atribuído o Prémio Revelação - Alhos Vedros;
   2005 - Exposição individual no Posto de Turismo – Moita;
   2007 - Exposição individual ”Mulheres”, no Fórum José Manuel Figueiredo
            – Baixa da Banheira;
   2007 - Concorrente seleccionado ao Prémio Joaquim Afonso Madeira;
   2010 - Exposição individual ”Casas da minha Terra”, na Galeria Municipal do
               Barreiro;
   2013 - Exposição individual na Biblioteca de Alhos Vedros;
   2013 – Exposição ”Encontros de Primavera”, no moinho de maré em Alhos
               Vedros;
   2013 – Exposição individual no Centro Cultural Elvino Pereira (Mação)
   2013 – Exposição individual na Casa da Cultura de Mora.
 
Está representado em várias colecções particulares e institucionais.
Actualmente é operário fabril, numa empresa de produtos químicos.
 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Cerrados (3)





Cerrado em Flor

30X60 cm
Acrílica sobre tela

Kity Amaral
(Cristiana Penna de Amaral)
2014
Brasil



segunda-feira, 16 de junho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (84)


Cabeça Coroada - A Rainha, Ben Nicholson, 1932
Óleo sobre Tela montada sobre Tábua, 91,4x120cm

A PERFEITA MOLDURA

Viviam numa moldura imaculadamente guardada num lugar onde todas as outras coisas eram restos sem uso.
Por viverem numa moldura, podiam ver e podiam ser vistos e há quem diga que conseguiam até trocar olhares com as pessoas de fora. Eram tidas como crianças perfeitas e arrancavam sorrisos enternecidos. 
As suas roupas perfeitas pintavam os dias e todos ficavam domingo a parar as horas naquela moldura imaculadamente guardada junto dos restos sem uso.
Sabe-se hoje que as crianças terão ficado ali para sempre.

Os sorrisos, esses duraram apenas uma vida.


Maria Teresa Bondoso

domingo, 15 de junho de 2014

 
 
21 / 2014
 
 
INTERROGAÇÕES
 
 
A brisa
fresca
roça
a água
rasa
fresca
e não pára
continua
e traz
a maresia.
 
 
Talvez que
a fidelidade à “ideia”
não resista
ao conjugar
das circustâncias.
As circunstâncias são
pessoais
a “ideia” utopia-se
colectiva.
Entre pessoal
e colectivo
qual o ponto equilibrado
e justo
para traçar a bissectriz?

 


Foto: Edgar Cantante

sábado, 14 de junho de 2014

Inspirando a valorização do património...





Quando falamos em sinalização do património histórico ou cultural, construído ou a construir, queremos dizer que, dado o significativo valor que se reconhece à nossa história local, será bom que se lhe dê destaque, colocando placas informativas como a que se vê em cima. Neste caso, ficamos a saber que esta preciosa escultura junta dois amigos à conversa, Fernando Lopes Graça e Fernando Araújo Ferreira,  em banco de jardim à beira do Nabão, Tomar, terra templária.

A fotografia e o texto são de Lucas Rosa

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Thomas Piketty “o Karl Marx do nosso tempo”?


A Desigualdade económica bloqueia o Futuro

António Justo

O especialista Thomas Piketty, professor de economia na École d’économie de Paris, no seu livro “O Capital no século XXI” mostra o surgir de um fosso cada vez maior entre ricos e pobres nas nações industriais. Provou que a riqueza se mantem durante séculos em determinadas famílias. O cúmulo da questão, como ele conclui, encontra-se no facto de os rendimentos do trabalho serem inferiores aos rendimentos do capital. A injustiça permanece e acompanha os diferentes regimes políticos e é fomentada pela crença divulgada de que “só não sobe na vida quem não se esforça”.

Piketty apresenta uma radiografia da desigualdade social proveniente da economia; este livro irá revolucionar a discussão política e económica; superará as discussões ideológicas, dado o seu autor ser uma pessoa íntegra e mais virada para a realidade empírica ao apresentar uma análise dos dados sobre os porquês da sustentabilidade da precaridade e de um certo determinismo económico e histórico. Este abuso só poderá ser corrigido por uma política forte e atenta. Numa sociedade consciente de ser constituída por cidadãos e não só por empresários, a riqueza terá de deixar de comprar a influência e o discurso público. O povo tem de reconhecer a sua dependência da economia e da política para a poder respeitar e transformar.

Numa entrevista à revista Spiegel (19/2014) Thomas Piketty, à pergunta se ele é “o Karl Marx do nosso tempo” respondeu, “de modo nenhum” e uma tal ideia só poderá vir da ousada afirmação de que ”O capital devora o futuro / o passado tende a devorar o futuro”, uma posição crítica ao capital herdado. Afirma que o seu livro fora escrito numa perspectiva histórica enquanto a obra de Marx é teorética. Piketty não alinha com o determinismo económico e histórico de Marx.

Para Piketty há uma lei que se repete através da História: “a taxa de rendimento sobre o capital excede, a longo prazo, a taxa de crescimento da economia” e constata: “Marx subestimou o potencial de crescimento que actua livremente através do aumento da produtividade e do aumento da população”. Para o crítico do capitalismo Piketty, a catástrofe que se tem de recear “não é económica mas política”.

O grande capital desestabiliza os Estados e fomenta a sensação de injustiça social na população. Enquanto o rendimento do capital é em média de “4 até 5% ao ano, na economia só cresce 1% por ano”. De facto temos assim a indústria financeira, o mercado de casino contra a economia real. Isto torna-se incompatível com uma sociedade democrática que parte do potencial de cada indivíduo e não do princípio patriarcalista da descendência. Por isso a conclusão de Piketty é lógica mostrando a incongruência entre Democracia e os seus princípios, implicando a sua análise uma crítica aos que se assenhorearam da Democracia e às ciências que as acompanham. Não há lógica entre Democracia e prática económica nem entre os seus princípios.

O grande Capital não se dá com a Moral

O capitalismo é, ao mesmo tempo consequência natural e testemunho da força das desigualdades; ele seria incongruente se por ele mesmo criasse igualdade, possibilitando, muito embora, o bem-estar de muitos. O grande capital não se dá com a moral, por isso precisaria das rédeas do Estado que o moderassem mas sem o coibirem a uma ideologia ou demasiado dirigismo. O facto de ele incluir energias injustas não justificaria a injustiça do seu contraente socialismo.

O liberalismo económico actual contradiz a democracia e o princípio cristão de se ganhar o pão com o suor do seu rosto e não com a especulação usurária (Legitima o trabalho individual e social mas não a exploração através dum mundo financeiro de jogadores sem escrúpulos). A riqueza, provinda do negócio com o capital, favorece quem tem muito capital, ao passo que a propriedade vinda do trabalho (economia real) favorece o indivíduo e essa é mais democrática.

O Mestre dizia: “pobres sempre os tereis convosco” porque conhecia os aspectos negativos e positivos da natureza humana; por isso aceitava a diferença a nível individual e social salvaguardando a premissa de que a diferença tem de estar sempre ao serviço do bem-comum e de cada pessoa em particular. De facto, a sociedade não se pode arquitectar em termos só ideológicos, só económicos, ou só políticos, por isso advertia: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mat. 22:21) e acrescentava: “Nem só de pão viverá o Homem”.

Há diferentes lógicas e todas elas serão certas na sua argumentação interna, mas para serem eficientes devem reconhecer-se como complementares e obedecer à razão superior. A lógica económica e financeira não pode continuar a assumir as rédeas da democracia e a transformá-la no cavalo que a serve e transporta. Já Platão advertia que a Ideia é a mãe que determina diferentes práticas e não o contrário porque a realidade vinda da observação é ilusória. A orientação por um mero pragmatismo, a que chegamos hoje, abole o pensamento; leva-nos a ajoelhar-nos perante uma opinião política que só segue a economia/finanças e ilude a sociedade com ofertas de liberdades individuais no domínio sexual ou do divertimento, como se a questão social se resumisse a um problema adolescente de luta pela emancipação da moral e de costumes entre gerações e de reivindicação da exatidão/verdade da própria ideologia em relação a outras.

Uma competição totalmente livre só beneficia o mais forte. Somos todos diferentes e por isso uma política de oportunidades para todos é sempre ditada pela diferença que faz os mais fortes.

Piketty constata que “A argumentação de que a sociedade de classes foi superada, é a expressão de uma ideologia republicana enganosa”. A progressão da desigualdade encontra-se hoje ligada ao desemprego.

Piketty sugere como início de uma tentativa de solução  “Um imposto progressivo sobre o capital líquido da propriedade privada”; o melhor seria um imposto sobre o capital a nível global, para que as transacções financeiras do capital não circulem descontroladamente de uma nação para a outra. O imposto sobre o capital poderia, no parecer de Piketty, ser empregue para reduzir as cobranças sobre uma classe média demasiado sobrecarregada.

Consequentemente o nosso sistema político-económico terá de transcender as discussões ideológicas que não passam de cancões para embalar a classe média e a classe precária.

Seria atraiçoar o conteúdo do livro e do autor tentar coloca-lo numa discussão ideológica ou partidária que o assunto do livro pressupõe já ultrapassada ou numa mera discussão ideológica entre capitalistas e socialistas. Precisamos das duas facções.
As carências de todas as instituições humanas, sejam elas capitalistas ou socialistas, vem da precaridade do Homem. A falha original, que legitima a discussão, situa-se na concorrência entre indivíduo e sociedade. A sociedade/instituição aproveita-se, da necessidade de protecção e de mais-valia do indivíduo, para, em troca de protecção, assumir o direito de regulá-lo. O ideal da igualdade de direitos e de oportunidades pressuporia instâncias justas que os impusessem com justiça e a organização de firmas que deixassem de obter os maiores rendimentos na construção de armas para o fomento da guerra em vez do fomento da paz. O problema está no modo de chegar lá numa humanidade feita de desiguais com estruturas que fomentam os mais fortes na convicção de que estes é que garantirão o desenvolvimento e o futuro! Para se subir a escada da jerarquia só se consegue através da autoafirmação, o que torna a instituição numa sociedade dirigida por autoafirmados! Daí concluir pela opção de um sistema seja ele capitalista ou socialista peca já de si do equívoco de pressuposto de que o ser humano seria um anjo. Quanto a mim entusiasma-me o projecto JC, como protótipo do Homem a construir, começando pela revolucionamento do ser humano (esteja ele onde estiver) na descoberta da sua gene divina que levará cada pessoa a arrumar com os vendilhões do templo seja ele de caracter socialista ou capitalista.

António da Cunha Duarte Justo
Jornalista livre



quinta-feira, 12 de junho de 2014

D'ARTE - CONVERSAS NA GALERIA
 
17 / 2014
 
AZULEJARIA
 
Luís Cruz Guerreiro
 
 
PAINEL: CONSTRUÇÃO DAS CARAVELAS
Dimensões sem friso:
154 cm de largura x 140 cm de altura.
 
 A saga dos descobrimentos começou com a construção de portos para se construírem as caravelas, em Coina e no norte e sul de Lisboa.
Essas embarcações eram ainda muito parecidas com os atuais varinos que sobrevivem no rio Tejo. 
Desde 1435 que a Ordem de Cristo, sabedora dos antigos conhecimentos que tinha herdado da Ordem Templária, sabia da existência da ligação através do cabo Bojador que ligava o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico.
O Infante D. Henrique soube aproveitar os conhecimentos conhecidos dos povos que tinham cartografia marítima, tanto do norte do Mediterrâneo, África, como de todo o mar interior dominado pelas repúblicas e reinos burgueses da proto Itália.
A Escola de Sagres foi por isso um elemento catalizador de ciências marítimas.
Este painel de azulejos retrata uma época posterior de empreendimento dessa saga.
Uma mobilização geral de toda uma Pátria que, tirando alguns velhos do Restelo, quis e pode avançar para uma globalização.
Portugal na época de D. Manuel seguiu as diretrizes do seu grande antecessor, D. João II e a empresa marítima atingiu um apogeu, mas também aí começou a queda, devido ao despesismo e vaidade do rei D. Manuel.
                                                                                                      (Luís Cruz Guerreiro)

 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Jorinde e Joringel



Jorinde e Joringel

60X60

Acrílico

2014

Carola Justo 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (83)

O Quarto de Arlés, Van Gogh, 1889
Óleo sobre Tela, 56,5x74cm

O QUARTO DE PENSAR

Os seus dias compunham-se de poucas coisas e mesmo essas ficavam nada quando a irmã chegava da escola, ao fim da tarde.
O quarto não o era nem nunca o tinha sido sem ser apenas de nome. Nunca ninguém lá dormira e os miúdos chamavam-no assim por nada. 
Era um espaço grande, em tamanho e em palavras escondidas e era quase todo da mesma idade, não fosse aquela cadeira nova. 
Ignorado, o quarto de pensar esperava, também ele, a menina que havia de chegar da escola. Era ela, a menina mais velha que lhe dava uma vida… uma vida contada numa pergunta onde haveriam de caber todas as vidas, de todas as pessoas. Passadas as coisas normais, eram assim os seus dias. Num quarto, a pensar.
Hoje, as memórias são gastas e as palavras calaram-se. Numa cadeira, uma senhora de cabelos muito brancos e lisos senta-se, já sem forças. 
Os olhos, apenas os seus olhos, sustêm uma pergunta eterna. 
Vamos para o quarto pensar?

Passadas as coisas outrora normais, volto novamente a ser menina e a minha irmã mais velha regressa da escola. A cantar. 


Maria teresa Bondoso

domingo, 8 de junho de 2014


20 / 2014


AINDA A PROPÓSITO DA ABSTENÇÃO


Neste fim de tarde aqui em Vale de Touros, olho pela janela e vejo o horizonte.
É uma paisagem campestre, natureza em estado puro.
No horizonte mais próximo havia em tempos um extenso olival cercado por pinhais.
O olival assinalava o esforço denodado do homem no trabalhar da terra e a sua existência dizia-nos que nem sempre a actividade humana na natureza é agressiva.
O homem abandonou a labuta e, em poucos anos, os pinhais invadiram o espaço.
Agora, quando olhamos, identificamos algumas oliveiras abafadas pela hegemonia dos pinheiros.
A acção permanente do homem era indispensável para a manutenção do olival e, ao ser interrompida, permitiu que a expressão mais selvagem e espontânea da natureza reconquistasse o território que lhe fora subtraído aquando da sua "domesticação".
Pessoalmente gosto muito de árvores.
Gosto de oliveiras, também de pinheiros, e de todas as outras.
Gosto mais de umas que de outras mas, gosto de todas.
Reconheço no entanto que, no caso, as oliveiras - quer dizer as azeitonas, o azeite, … - acrescentavam mais valor do que os pinheiros bravios.
Mais valor à paisagem, ao terreno, ao proprietário, ao país até.
Não conheço as causas para o abandono (fala-se de uma hipoteca a um banco) mas, provavelmente, todos prefeririam o olival ao pinhal só que …
Pois, intervir e cuidar são indispensáveis.
No social também é assim.
A construção e organização da sociedade dá trabalho, exige cuidados.
Quando cuidamos, podemos semear e colher o que quisermos. Quando abandonamos, somos normalmente invadidos pelo que calha, mesmo que o que calha não seja do nosso agrado.
Posto isto, acabei por concluir que, se calhar, é assim que é justo e como tal estará certo.


Manuel João Croca


Foto: Edgar Cantante

sábado, 7 de junho de 2014

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Erva-formigueira




por Miguel Boieiro

Numa pequena propriedade meio abandonada brotou, em interstício do empedrado, uma erva-formigueira. Passados alguns meses, quando lá voltei, a pequena erva tinha-se transformado numa enorme moita, reproduzindo-se vigorosamente por vários locais. Podemos assim, desde logo, deduzir uma das características desta planta mexicana: a produção de milhares de sementes o que origina a sua rápida proliferação como espécie infestante. Outro atributo marcante é o seu odor indefinido, mas inconfundível. Há quem diga que cheira a formigas esmagadas e daí o nome que se dá à planta. Outros mencionam que deita um aroma que parece uma mistura de petróleo, menta, cânfora, segurelha e limão. De qualquer forma, a fragrância é muito intensa e original.

Para que não haja confusões, uma vez que o termo popular “erva-formigueira” aparece atribuído a diferentes plantas, em várias regiões do mundo, esclareço que me estou a referir à Chenopodium ambrosioides L., planta da família das quenopodiáceas, nativa da América tropical, que se aclimatou com facilidade em todas as regiões subtropicais e temperadas. Sendo bastante utilizada pelos ameríndios como planta medicinal, foi trazida para a Europa pelos espanhóis no século XVI e logo tomou várias designações: epazote, chá-do-méxico, chá-dos-jesuítas, erva-de-santa-maria, erva-vomiqueira, formigueira, lombrigueira, mentruz, quenopódio, ambrósia, etc.

Crê-se que a reputação desta planta provém do facto de afugentar ou eliminar parasitas, outrora muito comuns nas habitações e povoados: pulgas, piolhos, percevejos, carrapatos, moscas …

Em traços largos, podemos descrevê-la como herbácea anual ou perene, de raízes brancas, compridas e oblongas. Os seus caules são vigorosos, angulosos e ramosos, possuindo sulcos longitudinais pouco profundos, podendo atingir um metro de altura. As folhas são ascendentes, oblongo-lanceoladas, irregularmente dentadas e agudas com pecíolo curto. As flores aglomeram-se em espigas terminais e são brancas ou levemente esverdeadas e pequenas (1 mm de diâmetro). Os frutos, também muito pequenos, são aquénios ovóides achatados, completamente envoltos nos respetivos cálices, dando sementes pretas, brilhantes e lisas. Com bom desenvolvimento vegetativo, um só pé pode produzir dez mil sementes. Toda a planta, sendo intensamente verde, avermelha um pouco, quando as sementes amadurecem.

Os seus principais constituintes químicos são saponinas, taninos, sucos amargos e um óleo essencial, cujo componente determinante se chama ascaridol. É ele o principal responsável pelas propriedades anti-helmínticas da erva-formigueira (capacidade de eliminar os parasitas intestinais). O óleo, amarelado e de aroma penetrante, serve de base a muitos medicamentos e aplicações veterinárias.

Para além da propriedade antes citada, a planta é carminativa, tónica estomacal, emenagoga, antiespasmódica, vermífuga, diurética, cicatrizante, analgésica, antirreumática e antiasmática.

Outrora abusava-se em demasia, quer da erva, quer da sua essência, ocorrendo frequentes intoxicações devido ao ascaridol. Hoje em dia continua a consumir-se a erva-formigueira mas com os devidos cuidados e não ultrapassando as doses prescritas pelos especialistas.

Algumas receitas clássicas:
Para eliminar vermes intestinais, melhorar as funções digestivas, aliviar a asma e as perturbações nervosas – tomar três chávenas por dia de uma infusão de 20g da planta verde num litro de água.

Para pernas inchadas, varizes, afeções da pele e picadas de insetos – aplicar cataplasmas das folhas cozidas com sal marinho.

Tendo sempre presente, as contra-indicações provocadas por doses elevadas, lembra-se que a infusão da erva-formigueira era, noutros tempos, tomada com regularidade como sucedâneo do verdadeiro chá.



Atualmente estuda-se, com acuidade, o seu efeito inseticida contra melgas e mosquitos e a aplicação em agricultura biológica para combater determinadas pragas.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cerrados (2)





Cerrado entre pássaros e fogo

Cristiana Penna de Amaral
30X60 cm
Acrílica sobre tela

2005
Brasil


segunda-feira, 2 de junho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (82)



Contraluz, Autor António Tapadinhas, 2010
 Acrílico sobre Tela, 50x50cm

PARÁBOLA

não sou capaz de dizer 

o que teima e quer nascer 

cá dentro do meu pensar



mas quando eu me for embora 

apanha um vidro do chão 

e tapa com a tua mão 

o sol que aí brilhar 
hás-de ver que o que aí mora 
não é mais do que a saudade 
que passa da tua pele 

numa luz que se quisesses 
não podias apagar

Maria Teresa Bondoso

domingo, 1 de junho de 2014



19 / 2014


UM BEIJO NO LADO DE DENTRO

 
Era o agora e o depois.
Era o que nascia, por força do que era e do que queria ser.
Porque todo o homem é o que é quando se sente ou pensa, mais tudo aquilo que é
antes de pensar ou ser.
Se em tudo o que fomos está o que seremos no que somos está a semente, o embrião, matéria delicada e sensível do que mais queremos no tangir sensível das cordas do coração.

Um amigo, um dia, beijou-me.
Faz já tempo.
Beijou-me, delicadamente.
Beijou-me no pescoço, lembro-me.
E eu não me sobressaltei.
Irradiei apenas, como se aquele beijo me trouxesse a manhã.
Beijou-me mansa e intensamente, de surpresa, como se soletrasse uma divisa em letra de canção e eu, nunca mais esqueci o que me disse.
Talvez porque, o racional se encaixasse na emoção.
Talvez porque, o que me disse eu já soubesse e porque o que já sabia apenas precisasse da confirmação que, vinda de fora, em surdina, me confirmasse o que formulava nas variáveis da equação.

E o que ele disse não era complicado nem difícil de entender.
Não convocava tratados de filosofia.
Falava apenas do deve e do haver ou, se quisermos simplificar, do dar e receber.
Disse apenas, (e o olhar estava-lhe iluminado)
«Já viste o que seria se toda a gente se unisse pelo amor?»
E eu (percebendo-lhe muito bem a emoção), vi.
Vi, claramente.
E nunca mais foi a mesma coisa.

Se calhar nunca lhe verbalizei o agradecimento mas, se não o fiz, faço-o agora.

                                                                                                      
                                                                              Manuel João Croca



 
Foto: Edgar Cantante