quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Herança


Fazenda Invernada de 1822 (em reforma) Morro Agudo-SP
                                                                          Fonte: Informativo (Jornal da Carol) 2005                                                                   
                                                
É triste ver cidades com séculos de existência destruírem o seu patrimônio histórico-arquitetônico em nome do tão sonhado progresso. Derrubada de casarões e de edifícios de época é feita da noite para o dia, sem a menor consciência. Que desenvolvimento é esse que apaga da sua história as marcas e caminhos percorridos por seus antepassados? Como exigir dos cidadãos de agora amor e respeito ao solo que os viu nascer se eles não têm referencias e exemplos a seguir? Como desenvolver sentimentos de identidade, pertença e orgulho, se eles não conhecem suas raízes, passado, lutas e conquistas! Como formar indivíduos briosos e valentes se eles não sabem de quem provêm, de onde vêm e para onde vão! Como poderão avaliar a força do gene que cada um traz em si, e que foi capaz de mobilizar gerações a ir atrás do sonho? 
                
É na sequência de gerações que o caminho se faz e se aprimora.  É nas marcas deixadas por elas que o orgulho de pertença aparece. É na herança que o passado nos deixa que o futuro se assenta e o progresso acontece.

A história interiorana é tão rica quanto seu solo.  Nele  se achou ouro, diamantes, pedras preciosas. Plantou-se e criou-se gado. Gente aventureira, desbravadora e destemida se instalou em seu território, fez coisas boas e más, aos trancos e barrancos, acertando e errando, trouxe progresso.

Longe do Poder Central e da civilização, os portugueses, depois de lutas, mortes e expulsões, conquistaram a região. Abriram com a ajuda dos índios aculturados picadas e caminhos, vararam rios e florestas, fundaram arraias e vilas, destruíram tribos e quilombos.  Ganharam sesmarias, compraram e se apossaram de terras, fizeram grandes fazendas onde desenvolveram latifúndios que, com ajuda do escravo e do caboclo, mais tarde dominaram a política do interior brasileiro.

Há quase duzentos anos, uma das famílias que marcou esse espaço fundou em Morro Agudo, na margem esquerda do Ribeirão do Carmo, a Fazenda Invernada.

                                                  Fazenda Invernada (de 1864) Morro Agudo-PS
 Fonte: Informativo (Jornal da Carol) Maio/2005

A idéia inicial do Tenente Francisco Antonio Junqueira, do seu irmão João Francisco, e do seu cunhado o alferes João José de Carvalho era pousar para invernar, mas gostaram tanto do local que ficaram e construíram uma fazenda que subsiste até os nossos tempos.  Nela Francisco Antonio estabeleceu-se definitivamente, criou seus 21 filhos (dos quais sobreviveram sete), criou gado e produziu queijos para a venda. Um dos seus filhos, Francisco Marcolino Diniz Junqueira, herdeiro que ficou com a Fazenda Invernada, se tornou um grande produtor de bovinos, porcos, muares e cavalos. Foi dessa geração que saíram os protótipos dos Mangalarga, orgulho da raça eqüina do interior. Nestes quase 200 anos de gerações da família o patrimônio cresceu e o conjunto arquitetônico da fazenda (casa grande, senzala, dependências de serviço,...) foi preservado (1822/1864) e reformado para orgulho da Família Junqueira de Morro Agudo SP.

Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 28/07/16

Fonte dos dados:
Jornal da Carol (Maio/2005)

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