terça-feira, 22 de outubro de 2019

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Visita ao Zoo com regresso pelo CEASA e a rota do centro que atravessa a favela da Madalena. Para lá rodeámos a Mangueira, onde se destaca o cor-de-rosa e o verde da sua escola de samba.



Tarde de repouso com jantar em casa do meu cunhado, uma vez que ontem, todos nós, mais a Daniela que esta manhã nos acompanhou, nos decidimos pela picanha de um restaurante do Down Town, um shopping nas imediações da casa do Luís.



Para a ganilha foi bom.

A Marga esteve a ver um filme do Harry Potter e a Matoldas e o Daniel fartaram-se de brincar.



Dia de jornais brasileiros, onde se destaca a vitória do Brasil sobre a Argentina, na final da copa americana das nações, em futebol.


Mas também há novas sobre o aumento do investimento e a descida do desemprego.

Ainda que no “Globo” o partido do Presidente esteja debaixo de fogo.


O orçamento federal comporta uma verba de dezasseis milhões de reais para a educação o que se não é comparável com os cento e oitenta milhões para a defesa, pode muito bem ser confrontada com a opção de trinta milhões para o desporto, ou os oitenta e sete para o que se possa entender como desenvolvimento social, facto esse que nos deixa sem saber se a formação da população integrará ou não. (1) 

É assim no país do favelado e, não por acaso, os gastos com pessoal absorvem importantes maquias que necessariamente são desviadas do investimento público tão imperioso, justamente, na educação. (2) 



Infelizmente, a esta distância de um oceano, temo que seja para este mundo que o meu país está a caminhar. 

Como é que aqui, no Brasil, se chegou a esta situação? 
Nem sempre o tecido social brasileiro esteve tão marcado pela corrupção e a criminalidade. A miséria sempre existiu; endémica com o fim da escravatura que muito explica das incapacidades posteriores das descendências geradas, exponenciou-se, especialmente nas grandes cidades, pelo normal crescimento demográfico que o êxodo rural aí provocou e uma maior taxa de natalidade de muitos desses estratos contribuiu para reforçar. Mas ainda assim, de uma ou outra maneira, foram existindo poderes capazes de controlar o aumento e a sofisticação do crime, particularmente na vertente organizada, mas também no que diz respeito à pequena criminalidade que espontânea e aleatoriamente vai catando a cidade. 
Pois nos últimos trinta anos assistiu-se à multiplicação dos crimes e se isso de deveu em primeiríssimo lugar à dinâmica própria da delinquência, por si, igualmente encontrou causas tanto no hábito continuado das práticas corruptas entre os cidadãos e organizações de todo o tipo e o estado, como nas consequências que isso teve em termos de obstruir a justiça e desacreditá-la junto das pessoas comuns. 

Ora é precisamente aqui que nos começamos a aproximar do caso deste estado continental e federalista; não tenho dúvidas que as palhaçadas que vêm caracterizando os casos do apito dourado ou da pedofilia deixarão marcas e terão consequências práticas que irão no sentido de estiolar o estado de direito, se é que para o mesmo, entre nós, ainda não tocaram os sinos a rebate. 
Da corrupção temos tudo dito, não é assim? 


E haverá fuga à miséria sem liberdade ou, por outras palavras, haverá liberdade sem estado de direito? Terá aquele condições para ser real e eficaz sem que aquela seja um dado adquirido? 


Pelo que as espoleta, são estas dúvidas inquietantes.

Rio de Janeiro


NOTAS 

(1) Oliveira, Eliane e Alvarez, Regina, A DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS, p. 15 
(2) Idem, GASTOS COM PESSOAL BLOQUEIAM INVESTIMENTOS 


CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 

Oliveira, Eliane e Alvarez, Regina, A DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS, In “Globo”, nº. 25922, de 27/0/2004; GASTOS COM PESSOAL BLOQUEIAM INVESTIMENTOS, In “Globo”, nº. 25922, de 27/07/2004

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