sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Das azinheiras e árvores sacras de Valinhos, Fátima


Pedro Teixeira da Mota
Das azinheiras sagradas de Fátima e mais precisamente de Valinhos, eis o registo realizado a 28-VII-2018 da via sacra delas, nas margens que ladeiam a tradicional via sacra cristã e que as pessoas percorrem detendo-se em frente das capelinhas comemorativas dos passos da paixão de Jesus em orações, cantos ou reflexões.   
 Fazem-no, todavia, sem darem muita atenção ou mesmo admiração e amor às árvores centenárias que as rodeiam ou acompanham,  sagradas já que também elas consubstanciam a ligação ou intermediarização entre a Terra e o Céu, não só ao longo dos séculos ou mesmo milénios, mas no próprio processo das aparições marianas e angélicas, que sobre elas se realizaram, e que de um modo ou outro abençoam estas terras e gentes e, potencialmente, os muitos peregrinos que, com esta unidade consciencializada, poderiam mais ganhar energética e espiritualmente.

 Troncos trinitários, Pai, Mãe e Filho; Masculino, Feminino e unificado, passado, presente e futuro; Eu, tu, nós, ou outras trindades, mundos etrimurtis....
As árvores abrem-se no caminho, ou abrem alas e asas para os caminhantes, pois gostam de dar sombra refrescante, energia revigorante e som inspirador às almas peregrinas...
 Diálogos subtis de seres, formas, texturas, raízes, cores que vagamente vislumbramos...
 
 Que comunicações se estabeleceram ao longo dos anos entre as azinheiras, os pinheiros, as oliveiras, os sobreiros, os cedros que por aqui vivem sabemos pouco, e menos ainda dos espíritos da natureza que as habitam mas que se deixam intuir nas formas com que alguns troncos, cavidades ou protuberâncias assumem ao olhar do coração, aquele que vê os seres dentro das formas ou o invisível no visível.
  
 A via sacra arbórea está mais visível nos restos calcinados ou secos e que tanto podem indicar um raio do céu, como um fogo, como uma doença, fazendo-nos lembrar como a negligência em relação a elas e a ganância do dinheiro da pasta do papel obtida pela eucaliptização intensiva tem sido daninha em relação ao arvoredo autóctone e à harmonia das matas, bosquetes e campos.
 Estes restos secos, quase petrificados pelo sol ardente, criam esculturas que nos falam da elevação do túmulo vegetal ao corpo transfigurado espiritual, algo que se passa ou passou com os mestres, mormente com Jesus, mas que também cada ser deve fazer do seu corpo físico utilizado em prol do corpo espiritual, da realização divina e da comunhão no corpo místico ou universal da Humanidade, campo unificado de energia, consciência, informação e intenção.
O tronco da árvore como que levita, está angelizado e embora esteja no seu estado de menor vida biológica a sua potência espiritual de ressurreição em nós é grande.
   "Entrai mais em nós", dizem-nos os espíritos das árvores, bosques e campos...
 Esta azinheira destacou-se no caminho da peregrinação ou via sacra, do lado direito de quem a realiza e fez-me saltar o muro e correr para saudá-la, isto é, dar-lhe da minha aura e alma, abraçá-la, sintonizá-la e com ela comungar da sua função essencial de ligação entre a Terra e o Céu, no ser humano dotado de maior capacidade de auto-consciencialização, alargada à ligação entre a Humanidade e a Divindade...
Comunicação e certa comunhão com a azinheira... Fotografia do Pedro Teles que, com a Célia Delgado, originou a peregrinação dum pequeno grupo a Fátima e à maravilhosa gruta de Mira Aires. 
 
 Encostado à azinheira imensa, que visão divina esta de mil ramos, mil neurónios, mil pétalas de luz, milhões de sinais de comunicação vivos, interactivos, pulsantes...
 
Danças e gestos fabulosos esculpidos de algum modo por esses grandes artistas invisíveis das formas da natureza e particularmente das árvores e pedras que são os espíritos da Natureza, que infelizmente ainda muito pouca gente acredita ou já conhece...
 
 Falas das árvores e das suas folhas sussurrantes ao vento, ou das cigarras e aves que as habitam ou visitam, quem as sabe ouvir e dialogar?
 
Corpos esbeltos ou mesmo angélicos podem sentir-se ou ver emergir das árvores, pois os espíritos da Natureza ligados a elas podem existir em várias gamas vibratórias e ir desde os duendes e anões a dríades e hamadríades já próximas de devas e anjos


 Por fim, a azinheira original na qual teriam pousado as plumas angelicais e diafanamente transmitido energias que se tornaram palavras e conceitos, orações e mensagens para os pastorinhos...
 
 O contraste entre a energia telúrica que perpassa a azinheira semi-calcinada pelas intempéries do tempo e da história contrasta bem com a brancura pura do espírito celestial que quer intensificar e desvendar a presença divina, ou o influxo divino nos seres humanos que, como crianças receptivas, se abrem ao mundo espiritual e não estão presas nos preconceitos sociais ou nas ambições materiais.
 Os humildes, os que são o húmus da terra, os que amam, cultivam e comungam com a Natureza, pura espelho da Divindade, podem mais facilmente ver os espíritos da Natureza ou mesmo os Anjos...
 Da visão angélica, rara, difícil mas maravilhosa...
 Pelo coração da árvore, pela abertura do teu coração, pela aspiração pura ou amorosa do teu ser, o Anjo ou o Arcanjo pode ser visto, em geral pela visão espiritual mas em certos casos também pela física...
 Neste local sacro oramos e meditamos,  saudamos e  invocamos os anjos da guarda e os arcanjos nacionais de cada um de nós.. 
A árvore é um grande espírito da natureza como que em dança, como o deus Pan, congraçando o culto imemorial da Natureza e seus seres e a nova desvendação divina cristã e fatimida que no século XXI se vai tornando mais inserida na Religião Universal do Espírito e do Amor Divinos, base e fim de todas as religiões...
 Apoios que por vezes devemos prestar às grandes árvores, algo muito comum no Japão e no Shintoísmo, onde as árvores são verdadeiramente respeitadas e cultuadas como capazes de conterem um Kami ou espírito da natureza, ou serem habitação ou local de irradiação de bênção dosKami, de Deuses, ou seja, de espíritos, anjos e grandes seres.
  
 "Meu Deus, eu amo-vos de todo meu coração,de toda a minha alma de todas as minhas forças..."
 O Y pitagórico, iniciático, da escolha constante pela maior luz e bem comum com que nos defrontamos, é um dos sinais evidentes da origem das letras nas formas dos ramos e troncos, como já intuí e vi há alguns anos numa meditação mais prolongada diante de uma árvore centenária em Santa Valha. E assim diariamente nos vamos colorindo e avançando no Caminho do conhecimento e do amor das verdades e seres espirituais, maxime a Divindade...

 "Meu Deus, eu creio-vos, adoro-vos, espero-vos e amo-vos," e sinto-vos e contemplo-vos, certamente a grande oração das azinheiras, dos pastores, dos videntes, dos santos e mestres, dos Anjos, e transmitida por este mensageiro celestial, quem sabe se epifania do Arcanjo de Portugal...
Firme, forte, bem enraizada, a última azinheira e a sua dríade ou Espírito da Natureza, qual Deusa Mãe Terra, saúda-nos e pede-nos para defendermos mais as árvores, em especial as mais velhas, raras e sagradas... 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

EG 102



ESTUDO GERAL
jul/ag         2018           Nº102


"Não haviamos marcado a hora, não haviamos marcado o lugar. E na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, os nossos tempos e os nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro." (Rubem Alves)


Sumário
Real...Irreal...Surreal...
O Repouso
Documentário vídeo
Fitoterapia
Poesia
Encontro


---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------


terça-feira, 31 de julho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Em Portugal, o regime democrático só não está preso por arames, por enquanto, dada a nossa qualidade de membros da União Europeia. 


Hoje rebentou mais uma bomba e ainda por cima num terreno minado, o futebol. 

Foram detidas para averiguação várias figuras ligadas à Câmara Municipal de Gondomar e ao Gondomarense, entre as quais o Major Valentim Loureiro, mas também vários árbitros e ex-árbitros e dirigentes da respectiva comissão da Federação Portuguesa de Futebol, entre os quais o seu Presidente, o senhor Pinto de Sousa. Fala-se de tráfico de influências, falsificação de documentos e resultados, corrupção e lavagem de dinheiros. Enfim, o costume, não é? 

O problema é que se este novelo da bola fosse puxado até ao fim veríamos que as mãos sujas apanhariam em cheio tanto o PSD como o PS e o CDS. 
E daríamos de caras com gente muito poderosa e, em alguns casos, perigosa, capaz de chegar ao ponto de pôr o país a ferro e fogo. 

Seja como for, por enquanto estamos a falar de peixe miúdo e é precisamente por isso que isto me cheira a esturro. 

Quando até já houve um árbitro condenado em tribunal num processo que roçou gente do Leça, à época, uma espécie de clube satélite do Futebol Clube do Porto, a corrupção mais grave é a que se verifica ao nível do futebol não profissional? 

E depois tudo parece girar em torno do Gondomarense que concorre, vejam só, com os “Dragões Sandinenses” de Gaia. 


Bem, esperemos pelos próximos capítulos mas que dá para desconfiar, dá. 
Vamos a ver se me engano. 



Hoje os alunos aprenderam os números onze e doze, em torno dos quais realizaram os exercícios e as fichas, tendo ainda executado contas de somar e subtrair. 



A Margarida colocou o aparelho para correcção dos dentes que terá de usar durante uns três a quatro anos. 
No regresso deixei-a na biblioteca onde decorreu a aula com a presença de uma escritora.



A noite está à espera da chuva. 


Alhos Vedros 
  20/04/2004

segunda-feira, 30 de julho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (314)


Roupa estendida, Eliseu d'Angelo Visconti, 1940
Óleo sobre tela, 67 x 82 cm

Eliseo d'Angelo Visconti nasceu em Giffoni Valle Piana, Itália, a 30 de Julho de 1866 e morreu no Rio de Janeiro a 15 de Outubro de 1944.
Foi um pintor, desenhista e designer que, ainda hoje, é considerado um dos mais importantes artistas brasileiros do período e dos mais expressivos representantes da pintura impressionista no Brasil.
Neste quadro que representa a casa de campo do pintor, em Teresópolis, as roupas no cordel ocupam quase toda a extensão da tela, tornando-se, assim, o principal motivo da pintura. A sua alvura contrasta com o vermelho da terra, com as flores e o vestido da mulher que as estende. As duas crianças conferem à cena um toque de ternura característico de algumas obras de Visconti.

Selecção de António Tapadinhas

terça-feira, 24 de julho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

3º. VOLUME

O TERCEIRO PERÍODO

O TERCEIRO PERÍODO

E as aulas lá recomeçaram esta manhã, mais a contento da Margarida que ficou satisfeita por rever as amiguinhas e retomar as tagarelices e brincadeiras de recreio do que para a Matilde que por vontade própria teria ficado um pouco mais na cama, muito embora também ela tenha confessado que gostou do regresso ao trabalho e ao recreio. 

E hoje os meninos fizeram brincadeiras com números e as últimas palavras dadas e para que o reatamento não fosse de cansar, a Mestra doseou o esforço com desenhos e pinturas. 



O Hamas promete vingança pela morte do seu líder mas, por razões de segurança, o nome do substituto não é conhecido. 
Khaled Machad, chefe político do movimento, apela à união das nações árabes e muçulmanas para que em conjunto combatam o inimigo comum, os Estados Unidos da América e Israel. 



Os familiares das vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios têm sido pressionados para não apresentarem recurso da sentença que mandou arquivar o processo-crime que envolvia as autoridades e os areeiros. 



E querem ver como é que o poder político fica nas mãos de certos esconsos poderes? 
Fernando Gomes, do Partido Socialista, Lobo Xavier, dos centristas e o presidente da câmara de Castelo de Paiva, do PSD, farão parte da futura direcção do Futebol Clube do Porto. 

Depois é o que se sabe. 



Ah e esqueci-me de registar! 
Na tarde em que vimos o “Belleville Rendez-Vous”, no Monumental, comprei o “Track”, dos King Crimson. 

Uau! Coisa linda! Editado em noventa e cinco do século passado, foi uma prenda pelo nascimento da Margarida que ainda não conhecia. Sequer tinha ideia que eles tinham gravado depois do trio de álbuns do início da década anterior. 


Alhos Vedros 
  19/04/2004

segunda-feira, 23 de julho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (313)


Boys Bathing at Skagen, Autor Peder Severin Krøyer

Ano 1899, Óleo s/ Tela

Peder Severin Krøyer, nasceu a 23 de Julho de 1851 e morreu a 21 de Novembro de 1909. 

Pode dizer-se que foi um pintor norueguês-dinamarquês, porque nasceu na Noruega mas cresceu em Copenhague, onde estudou na Royal Academy. É um dos mais conhecidos Pintores de Skagen, uma comunidade de artistas que viveram e trabalharam em Skagen, na Dinamarca, nos finais do século XIX. Krøyer era o líder não oficial do grupo.

É considerado um dos principais pintores impressionistas da Dinamarca.

Selecção de António Tapadinhas



quinta-feira, 19 de julho de 2018

Homenagem a Nelson Mandela


“Na Testa De Ferro Bato Insistentemente Sem Sujeição A Julgamentos Celestiais Terrestres Finais”

Bato insistentemente com a ponta da testa-de-ferro em batentes
Arrombo portas de cofres impenetravelmente duros de roer
Passo a custo zero por um finíssimo buraco de agulha

Penetro no sétimo céu sem sujeição a julgamentos abstractos de terceiros
Emparedo-me entre quatro paredes para amansar apesar de claustrofóbico
Arranco do pouco que me resta do couro cabeludo na careca o resto dos pêlos

Implanto em segredo absoluto os fundamentos de pilares morais essenciais
Reforço as minhas forças químicas e físicas com os fluxos de terras e metais raros
Por mera diversão troco circunstanciados momentos por outros de crucial inovação

Equipo o pensamento filosofal com matéria e correntes de ouro puro
No interior de templos afago certas feras sem venerações ou contemplações
Engato a quinta numa caixa de velocidades automática e arranco supersónicamente

Com variantes e variações pondero proceder às requeridas mudanças
Tempero a têmpera com tempêros de raríssimos sabôres e caracter alimentar
Ceifo e corto a eito e a preceito uma alface verde às riscas para confecção da salada russa

Atravesso a ponte subaquática através de um subsequente túnel aéreo
Fujo com os olhos postos no futuro de subratazanas desumanizadas à brava
Desenraízo todas as minhas raízes vegetais e animais e translado-me abruptamente

Entretenho-me entretanto a traduzir sinais e símbolos por alguns dizeres
Trasfego minha imagem líquida de uma cuba vazia para um tanque incapacitado
Converso a sós e discretamente com os botões electrónicos do meu comando televisivo

Endireito no cavalete a tela de pintura abstracta e pinto nela algo a vêr com a sétima arte…

Escrito em Luanda, Angola, a 19 de Julho de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Homenagem ao Grandioso Exemplo e Ser Humano, Sua Excelência o Grande Mestre do Bem e da Luz, o Senhor Nelson Mandela, o enormíssimo e inesquecível “Madiba”, sobretudo, por tantos ensinamentos que nos deixou a todos e a toda a Humanidade em geral, por sua compaixão, sabedoria, amor e sentido de paz e harmonia entre Irmãos, independentemente de suas origens, cores de pele, sensibilidades politicas, sociais ou religiosas, etc, etc, etc…
Hoje, se vivo, o Honorável “Madiba” completaria 100 Anos de existência, pelo que deveremos todos dedicar uns minutos de nossas reflexões e pensamentos a este Homem Divino…
“Viva Mandela para sempre em nossos corações e memórias e em nossos actos…”

terça-feira, 17 de julho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

AMANHÃ VOLTA O TRABALHO

E as férias chegaram ao fim; amanhã começará o terceiro período. 


Mas foram uns dias em cheio e eu tenho a certeza que os meus amorzinhos bem os aproveitaram. 

Fez-lhes bem a despreocupação de acordarem sem a pressa de saírem de casa. 


A Margarida leu “Uma Mão Cheia de Tudo e Outra de Coisa Nenhuma”. (1) 


Eu acho que o balanço a fazer quanto à Matilde é francamente positivo. 

Integrou-se no ritmo e na vida escolar com facilidade e se bem que sempre desperta para a brincadeira, toma a atenção necessária à aprendizagem e não apresenta dificuldades. 

É claro que tanto eu como a mãe lhe dissemos logo no dia da reunião de avaliação que ela deveria concentrar-se mais e mostrar maior empenho em fazer as coisas bem feitas e hoje, pelo banho e no momento de arrumar a pasta, voltámos a lembrar-lhe que não é bonito que a Professora possa dizer que ela é um tanto trapalhona.
Quanto a isto terei que redobrar as atenções neste último período. 

Ainda assim não me parece que seja algo preocupante e a verdade é que podemos dizer que ela gosta da escola e da Professora e fica satisfeita por aprender. 
Para além disso tem a noção do dever; tem consciência que há regras que devem ser respeitadas e age em conformidade e geralmente não é preciso chamá-la à atenção para que tal aconteça e com isso não é preciso dizer-lhe para fazer os trabalhos de casa, muito embora hajam dias em que a pressa de brincar tolha a razão. 

Seja como for, ponderados todos os aspectos, o saldo é francamente positivo. 

Deus acompanhe as minhas queridas filhas. 



O recentemente empossado chefe do Hamas, Abdel Azis al-Ramtisi foi morto, esta madrugada, em mais uma operação do exército israelita. 

Bem, ninguém de bom senso negará a Israel o direito de se defender e este homem é co-responsável por centenas de mortes, se não milhares, de civis inocentes. 


É claro que de toda a parte chovem as condenações. 

Até Londres, pelo porta-voz Jack Straw, o ministro dos estrangeiros, veio dizer que o homicídio tinha sido injustificado e desnecessário. 
Será? 
Mas qual é a alternativa? 


E o Iraque continua a doer-nos no peito. 

Para aqueles que acham ser possível negociar com a Al-Qaeda é ler a entrevista com Omar Bakri Mohammed, juiz da sharia residente em Londres e dado como quem partilha a mesma escola de pensamento daquela constelação terrorista.
“-(…) Estamos agora no ano três da era da Al-Qaeda.” –Diz ele, referindo-se ao onze de Setembro. (2) 
Para quem tenha dúvidas que aquela carnificina foi um acto inicial… 

Mas ali sobressai o pensamento maniqueísta que alimenta o fanatismo que dá o fundo ideológico àquele terrorismo e afins. 

E também fica claro que estamos perante um fenómeno semelhante ao de Hassan Sabbah e à sua seita dos assassinos. (3) 
É a cegueira do fanatismo que os guia. 

Não há antídoto certo para uma doença destas. 



Bem e por agora me fico. 

Amanhã, a Matilde iniciará o primeiro último período da sua vida escolar e a Margarida o derradeiro último período que passará nesta escola. 



Ah e esquecia-me de registar! Na sexta-feira tivemos a visita do Carlos, da Tuxinha e do Leonardo que, vindos do Algarve, seguiram para o Porto na manhã seguinte. 

Estão todos bem e ficámos satisfeitos por nos revermos. 


Alhos Vedros 
  18/04/2004 


NOTAS 

(1) Lisboa, Irene, UMA MÃO CHEIA DE NADA E OUTRA DE COISA NENHUMA 
(2) Mohammed, Omar Bakri, O TERROR É A LEI DO SÉCULO XXI, pp 26 e ss. 
(3) Maalouf, Amin, SAMARCANDA, pp 141 e ss. 


CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 

Lisboa, Irene, UMA MÃO CHEIA DE NADA E OUTRA E COISA NENHUMA, Prefácio de Violante Florêncio, Breve Nota de Paula Morão, Editorial Presença (7ª. Edição), Lisboa, 2002 
Maalouf, Amin, SAMARCANDA, Difel, 1991 
Mohammed, Omar Bakri, O TERROR É A LEI DO SÉCULO XXI, “Pública”, nº. 42 de 18/04/2004, In “Público”, nº. 5139, 18/04/2004

segunda-feira, 16 de julho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (312)

Catedral de Chartres, Camille Corot, 1830
Óleo sobre Tela, 64 x 51,5 cm

Jean-Baptiste Camille Corot nasceu em Paris a 16 de Julho de 1796 e morreu em Ville-d´Avray a 22 de Fevereiro de 1875.
Nasceu perto das Tulleries, junto ao Sena, tendo ao fundo o Louvre, como que antecipando a sua vocação para a  pintura.
A obra que apresentamos tem diversos pontos que são uma pedrada no charco de conceitos sobre o que se considerava uma verdadeira obra de arte.
Desde logo, pintar a fachada da mais importante Catedral de França concedendo-lhe a mesma importância que um monte de pedras em primeiro plano. O plano oblíquo e também as figuras dão à obra um certo ar enigmático que reforça a sua elaborada simplicidade.

Esta peça é um dos bons exemplos que Corot legou para o reconhecimento do impressionismo, como uma corrente de pintura decisiva para a arte doo nosso tempo.

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Loureiro



Envio mais uma croniqueta botânica e informo que vou entrar de férias. As aulas de fitoterapia já terminaram, quer na Escola Comunitária de Alcochete, quer na Universidade Intergeracional de Benfica (UNISBEN).
Este texto que submeto à vossa apreciação para que critiquem e proponham eventuais alterações tendentes à sua melhoria, irá protagonizar a primeira lição a seguir às férias.
Obrigado pela vossa atenção e condescendência.

Miguel Boieiro

É lendária a fama do louro que continua a adubar histórias adoráveis. Desde muito jovem leio avidamente as séries de banda desenhada de “Astérix, o Gaulês”. Dá-me mais gozo lê-las na língua original (francês) mas elas estão traduzidas em muitos idiomas e há mesmo, pelo menos uma das aventuras, redigida em esperanto. No “Les lauriers de César”, o nosso herói ficou encarregado de ir a Roma surripiar a coroa de louros do imperador para perfumar um “ragoût”, ou seja, um atrativo guisado, confecionado na aldeia dos irredutíveis gauleses. Chega! Não é agora o momento de contar as peripécias da saborosa história.

O Laurus nobilis, arbusto (ou árvore) perene da família das Lauraceae é típico da região mediterrânica, mas chegou a povoar densas florestas em todo o continente europeu antes do arrefecimento global que se verificou há umas dezenas de milhares de anos. Os loureiros de crescimento espontâneo que ocorrem na cordilheira da Arrábida constituem uma relíquia desses tempos primitivos.

O fascínio pelo loureiro remonta a recuadas eras. Envolvida em mistérios, superstições e premonições esta laurácea tem acentuado relevo nos livros “Plantas Mágicas e Botânica Oculta” de Sédir e de Paracelso. Na Grécia, a árvore era consagrada a Apolo e integrava uma curiosa forma de magia adivinhatória chamada dafnomancia, a qual tinha a ver com a mastigação de folhas tenras praticada pelas pitonisas e sibilas e também pela interpretação do crepitar e da fumaça ocasionados no cerimonial da queima das ramagens. O volumoso “Diccionario de Plantas Curativas de la Península Ibérica” de Enric Balasch e Yolanda Ruíz dedica todo um capítulo à botânica oculta e à mitologia clássica do “laurel común”.

Sendo uma planta ornamental de folhas brilhantes enraizou-se o costume de coroar os heróis vencedores das batalhas ou das pugnas desportivas com folhas de louro. Esta tradição que se iniciou na antiga Grécia, transitou depois para o império romano e daí para todo o mundo significando sucesso. Várias línguas neolatinas incluíram no seu vocabulário corrente palavras como laureado ou bacharel (do latim baccalaureatus).

A planta é dióica, o que significa que as flores masculinas e as femininas estão em pés separados. Propaga-se com facilidade, quer por semente, quer por estacaria, dá-se bem em quaisquer solos, suporta razoavelmente as podas e só não gosta de geadas As suas folhas são glabras, coriáceas, brilhantes, aromáticas, alternas e lanceoladas. As flores são amareladas com cerca de 1 cm de diâmetro. Depois de polinizadas geram uma baga que, quando madura, é negra e reluzente, semelhante às azeitonas pelo tamanho e pela cor. O tronco é direito, tem casca acinzentada, formando com as ramagens uma copa densa.

As folhas do louro contêm provitamina A, vitaminas C, D e do complexo B, ferro, cálcio, potássio, magnésio, fósforo, tanino, óleo essencial mas também alguns alcaloides que, em excesso, podem ser tóxicos. São conhecidas as suas propriedades como antissépticas, anti-inflamatórias, estimulantes, antibacterianas, sedativas e sudoríficas. Os frutos possuem até 30% de ácidos gordos.
Plínio, o Velho, já indicava o louro para paralisia, espasmos, ciática, dores de cabeça, catarros, infeções do aparelho auditivo e reumatismo.

Investigações modernas referem os seus benéficos efeitos em diabetes tipo 2 e colesterol, já que reduz os níveis da glicose e diminui os triglicéridos do sangue e ainda em artrites, problemas respiratórios, doenças cardiovasculares, envelhecimento precoce e cancro porque restringe o crescimento das células cancerígenas.

A “Science Alert”, via internet, recomenda o seguinte “chá”: Deitar uma chávena de água fervente sobre 3 g de folhas de louro. Deixar em repouso de 10 a 15 minutos. Beber em jejum diariamente mas interromper por uma semana ao fim de 20 dias.

O óleo extraído das bagas negras que em pasta se chama “manteiga de loureiro” abranda, através de fricções, as dores musculares de pessoas e animais. Entra também em formulações dermatológicas para debelar micoses, psoríase e pediculose.

Na cozinha dos países mediterrânicos as folhas de louro são omnipresentes na aromatização de guisados e refogados. Essa prática condimentar alastrou já à gastronomia de todo o mundo e há mesmo quem seque e pulverize as folhas para as integrar nos cozinhados. Consta-se que os beduínos do norte de África utilizam as mesmas folhas para reforçar o paladar do café.

O loureiro é muito adequado para a topiária, ou seja a arte de fazer esculturas vegetais. É também ideal para a formação de sebes na divisão de propriedades com a vantagem do seu odor repelir os insetos predadores.

A madeira do loureiro é duríssima e pode ser utilizada nos trabalhos de entalhar em marcenaria.
O famoso sabão de Alepo (cidade síria totalmente destroçada pela infame guerra) era tradicionalmente fabricado com óleo das “azeitonas” do loureiro.

Há ainda que aludir aos grelhados madeirenses em pau de louro que, dizem os entendidos, dá um gosto especial à carne. Todavia, esses paus de louro provêm duma variedade afim, o Laurus azorica, endémica da região macaronésica (Açores, Madeira e Canárias).

Devo igualmente referenciar outras espécies abundantes em Portugal, como o loureiro-rosa (Nerium oleander) e o loureiro-cerejo (Prunus laurocerasus), altamente venenosas. É preciso não as confundir porque as folhas são parecidas com as do Laurus nobilis, mas o odor que emanam é bem diferente. Cuidado pois!

Finalmente, acentuo que as folhas de louro devem ser usadas com moderação, a sua ingestão em quantidade é tóxica e podem causar dermatites de contacto em pessoas mais sensíveis.

terça-feira, 10 de julho de 2018

segunda-feira, 9 de julho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (311)

Fuga de Moscovo, Adolf Schreyer, Sem Data
Óleo sobre Tela

Schreyer nasceu a 9 de Julho de 1828 e morreu a 29 de Julho de 1889.
Estudou Arte primeiramente no Instituto Städel em sua cidade natal, e depois em Stuttgart e Munique. Pintou muitos dos seus temas favoritos em suas viagens ao Oriente. Inicialmente acompanhou o príncipe Thurn und Taxis pela Hungria, Valáquia, Rússia e Turquia; em seguida, em 1854, seguiu o exército austríaco através da fronteira valaquiana. Em 1856 foi para o Egito e Síria, e em 1861 para a Argélia. Em 1862 estabeleceu-se em Paris, mas regressou à Alemanha em 1870, e foi morar em Kronberg im Taunus perto de Frankfurt, onde morreu.

in. Wikipedia

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 6 de julho de 2018

A Casa Amarela


Realização de Rafael Antunes

Documentário filmado que reune vários testemunhos sobre os 32 anos de história do Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros.