sexta-feira, 4 de julho de 2014

Castanheiro


por Miguel Boieiro

"Quem me dá uma castanha, leva outra!"




Quase tenho vergonha de dizer que vi pela primeira vez castanheiros quando assentei praça na Escola Prática de Infantaria (Mafra) onde fiz a recruta do Curso de Oficiais Milicianos, nos idos de julho de 1968. Não conhecia tais árvores, praticamente inexistentes no sítio onde residia e logo me encantou a sua imponência, a beleza das suas folhas e amentilhos, a tranquilidade proporcionada pela sua sombra.

 É claro, que os magustos de São Martinho com castanhas cozidas e assadas e outras iguarias da época outonal preenchiam a minha juventude, mas que querem, não conhecia ainda a árvore que proporciona tão salutares frutos.

Mais tarde, encontrei um moribundo souto em Vale-de-Milhaços (Seixal), resquício ligado a uma atividade corriqueira do tempo das descobertas marítimas que possuía estaleiros navais em Vale-de-Zebro. As castanhas, o biscoito (pão seco) e o bacalhau salgado eram os principais mantimentos dos tripulantes nas suas morosas viagens. A água, iam abastecer ao Talaminho (onde atualmente se realiza a Festa do Avante) ou ao Samouco. Daí aquele dito “Só paro no Samouco para meter água!”.

Mas não me queria dispersar! A vontade de redigir algo sobre o castanheiro foi reforçada quando, de visita a Alcongosta em plena Serra da Gardunha por altura da Festa da Cereja, resolvemos ir visitar um amigo residente noutra aldeia próxima, o Souto-da-Casa. O percurso que liga as duas aldeias está repleto de lindos panoramas. Para além das cerejeiras que ladeiam a estrada, surgem os altaneiros castanheiros. A toponímia não engana: souto é um substantivo coletivo que designa um conjunto de castanheiros. Diga-se, de passagem, que os substantivos coletivos constituem um martírio para quem quer aprender o nosso idioma, pois, na sua maioria, diferem completamente da palavra que está na base do agrupamento. Veja-se: cardume, rebanho, manada, enxame, récua, cáfila, … Tal esforço de memorização não acontece em esperanto. Basta acrescentar o sufixo -aro e logo obtemos o coletivo. Mas, peço desculpa, cá estou eu, outra vez, a divagar.

A Castanea sativa é uma árvore longeva da família das Fagáceas que pode atingir os 35 metros de altura. A sua madeira é dura e resistente o que a torna muito apta para mobiliário e construções habitacionais. As folhas são brilhantes, compridas, lanceoladas, dentadas nos bordos, com acentuada nervação paralela. As flores amarelas, formando cachos (amentilhos), são perfumadas e coexistem na mesma árvore as masculinas e as femininas, já que a espécie é dioica. Os frutos (castanhas) estão envolvidos numa cápsula espinhosa (ouriço) que pode ter até três exemplares e são deiscentes. Julga-se que a espécie sativa é oriunda da Ásia Menor e que se espalhou pela Europa por ação da civilização romana.

O nosso País foi um dos grandes produtores mundiais deste nutritivo fruto que outrora constituía um dos farináceos mais importantes da alimentação quotidiana das gentes. Era até denominado ”o pão dos pobres”. Devido à sua fácil conservação (castanha pilada) ela integrava os mantimentos dos navegadores, como acima se disse. O interior norte do País era, e ainda é, o principal produtor, mas não devemos esquecer a Serra de São Mamede e especialmente o concelho de Marvão, onde todos os anos se realiza a Festa da Castanha que visitei já por duas vezes. Na última, fui presenteado com um útil livro de culinária de castanhas pelo respetivo Presidente da Câmara.

A castanha é, de facto, um fruto versátil que pode integrar inúmeras ementas, sendo rico em glúcidos, lípidos, prótidos, sais minerais como cálcio, magnésio, fósforo e potássio, vitaminas B1, B2 e C. É estomáquica (sobretudo cozida), remineralizante, sedativa e tónica. O “chá” proveniente da cozedura das folhas tem diversas aplicações fitoterápicas por se revelar expectorante, antitússico, antipirético, antidiarreico, devido a possuir bastante tanino. Serve também para gargarismos.

Quando os castanheiros estão floridos, como os que encontrei no Souto-da-Casa, em pleno mês de junho, as árvores parecem estar iluminadas. As suas flores são também um bom abastecimento de néctar para a produção do mel.
Termino com a citação de um popular provérbio galego:

- Não há ruim vinho com castanhas assadas e sardinhas salgadas.

Nota: As imagens são da responsabilidade do editor

quinta-feira, 3 de julho de 2014

D'ARTE - CONVERSAS NA GALERIA
 
20 / 2014
 
PINTURA
 
Miguel Imbiriba
 
 
 


"ÁRVORE DA VIDA"
Óleo sobre Tela;
100 x 150
(colecção particular)
 
 
 
Miguel Imbiriba é uma artista brasileiro natural de Belém do Pará.
Em tempos trabalhou como capista nas Publicações Dom Quixote donde saíu à vários anos. Actualmente desenvolve a sua actividade profissional em Paris. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

MONTE GORDO


Desde esta praia mais a Sul de Portugal, onde me encontro de férias,
partilho convosco esta dedicatória tecida a uma das mais tranquilas
e aprazíveis estâncias turísticas de Portugal.
Veja este tema formatado neste link:

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Monte_Gordo/index.htm

Desejos duma excelente Semana onde quer que se encontre.
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
www.euclidescavaco.com

terça-feira, 1 de julho de 2014

Três Gatos no Espaço





Kity Amaral
(Cristiana Penna de Amaral)

Três Gatos no Espaço
60x47 cm

Lápis de cor e Naquim
sobre papel canson

Rio de Janeiro - Brasil
1994




segunda-feira, 30 de junho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (86)

Os Jogadores  de Cartas, Cézanne, 1890
Óleo sobre Tela, 45x57cm

ROTINA DE UM HOMEM VELHO

Raramente falava com palavras… mas eram repletos os seus silêncios. E todos nós sabíamos o significado de cada um deles. 
De manhã, o primeiro silêncio. Quieto. Um comprimido em jejum e um outro que desde novo tinha que tomar para toda a vida. 
A seguir, um silêncio com gestos calculados acompanhava-lhe o café com leite e o pão macio. No fim, o comprimido das dores, que nem aquecia nem arrefecia, mas que com a idade dele mal não havia de fazer… 
Eram assim os seus primeiros silêncios do dia. 
Sabiam-se entendidos e permaneciam enquanto a vida era já quase toda. 

Todos os dias, às quatro da tarde, ele, o Dr. Veiga, o Paulo da Fazenda e o Zé das Figueiras encontravam-se no café. Chegavam exatos, de muitas horas iguais. Não falavam com palavras… mas eram fartos os seus silêncios. Jogavam uma partida de dominó e apenas ele sorria ao ganhar. Os outros arrumavam as peças.
Às quatro e meia ia lanchar. Todos ali sabiam as horas. Era o tempo escancarado da rotina precisa de um homem velho. De uma vida feita cada vez mais. Já quase toda.

Os miúdos corriam por ali. 
E um novo silêncio buscava num olhar longe o sossego de outro tempo. Era de novo ele e os miúdos brincavam fora para não incomodarem o paizinho. 
Súbito, um silêncio gelado de morte e de ausência. Fazia-lhe tanta falta… 
Uma lágrima resignava-se na memória certa e sem futuro ignorado. Conhecia-se assim, inevitável. 
Pesavam-lhe os silêncios quando a vida se chegava e sobravam-lhe as palavras. Por isso, nunca dizia nada. Nos seus olhos, uma quietude intencional.

A sopa de ovo. O pão migado. Um pouco de azeite em cru e uma pitadinha de sal.
Comia vagarosamente e apenas se sentia o barulho metálico da colher, batendo ritmadamente no prato.
Acabada a refeição da noite, tirava a loiça e dobrava cuidadosamente a toalha. À sexta era o dia de a colocar para lavar. Nos outros dias, seguiam-se as notícias na televisão. 
O comprimido adormecia-lhe então a certeza do fim e fechava-lhe os silêncios do dia. 

Quando a vida se fez toda nele, em mim restou a pena de um gesto perdido. Talvez uma carícia…
Porque o tempo é sempre rápido demais.

E o silêncio, esse, é certo.


Maria Teresa Bondoso

domingo, 29 de junho de 2014

 
23 / 2014
 
 
 
 
luz
energia
 a cabeça cheia.
Fragmentos
ideias
prodigiosas até, algumas,
talvez.
E no entanto …
que fazer com esta coisa?
 
                 Manuel João Croca
 

sábado, 28 de junho de 2014

Poema Construído




Prato à Pequim


Chegou à vida um pato que saiu do forno 

pensando-se a Fénix por causa disso,


assado e cozido, em repasto familiar renascido


as laranjas descascaram-se em espiral para acompanhar

Um pato saudável nunca está só: tem sempre duas patas



Os talheres foram postos em mesa aprumada

"-Para mim", pensou a fénix, olhando a cabeceira,

degolada e decepada, com laranja decorada

mesa posta a rigor já com pato e tudo quem será que vem jantar

Um Coelho que traz Aguiar Branco, Poiares Maduro e Mateus Rosé.



À roda, a mesa coloria de frutas, e cantava-se Alegrias

e o pato que se julgava a fénix lá se ergueu, olhou o coelho e disse:

"-Quem diria Coelho, renascidos os dois na mesma mesa."

O Coelho sorriu, pensando: pois, mas eu venho para comer e tu para ser comido

E, se bem pensou, melhor o fez: comeu a Fénix, com cinzas e tudo!



Diogo Correia
Luís Gomes
Luís Santos
Manuel João Croca
António Tapadinhas


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vidas Lusófonas


O rigor histórico não está condenado à prosa de notário, 
é possível conviver com as figuras do passado.
Saber o que foi, pode ajudar-nos a talhar o que será. 

decide escalar  
para, lá no alto, ver e ouvir
a cantar o fado.

Em VIDAS LUSÓFONAS, onde já moram 169,
tudo está a acontecer, cada vida / cada conto.
Por isso já recebeu mais de 28,8 milhões de visitas.


quinta-feira, 26 de junho de 2014





D'ARTE - CONVERSAS NA GALERIA

19 / 2014

FOTOGRAFIA

Edgar Cantante






E o mar imenso, em fúria, galgou a rocha, numa investida poderosa e concertada, mostrando ao mundo, que o mais firme poder submerge à força inabalável do querer e da razão.

                                                                                                                   (Edgar Cantante)




Edgar Manuel Almeida Cantante, de 58 anos, natural e residente em Alhos Vedros, iniciou a sua atividade profissional em 1977 na Quimigal e posteriormente trabalhou na Cimpor na área comercial.
Tirou o curso comercial na Escola Alfredo da Silva, onde pertenceu à direção da 1ª. Associação de Estudantes pós 25 de Abril (ano letivo 1973/1974). Estudou igualmente no Liceu do Barreiro onde concluiu o curso complementar ( antigo 7º. Ano dos Liceus), tendo pertencido ao Conselho Diretivo em representação dos Alunos.
No decorrer da sua atividade profissional foi trabalhador-estudante, em regime pós laboral, no curso de Direito- Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito de Lisboa.
Como dirigente associativo iniciou a sua colaboração aos 15 anos na comissão cultural da Academia, tendo passado pelos corpos sociais da Pluricoop, pela direção da Velhinha e da Cacav. É sócio fundador da Cacav  e da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita. Atualmente é membro da direção da Cacav e pertence à Comissão alargada de proteção de crianças e jovens do Concelho da Moita ( CPCJ ).
Como Autarca pertenceu à Assembleia de Freguesia de Alhos Vedros em 2 mandatos (1997/2001 e 2001/2005), à Assembleia Municipal da Moita também em 2 mandatos (2005/2009 e 2009/2013) sendo atualmente vereador eleito nas últimas eleições autárquicas pelo Partido Socialista.
Foi membro do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas José Afonso de Alhos Vedros na qualidade de representante da comunidade.
A fotografia sempre foi uma paixão e motivo de ocupação nos tempos livres. Embora sem formação Oficial específica, tem frequentado cursos amadores de iniciação à fotografia promovidos pela Cacav. Participou em algumas exposições colectivas, assim como em vários workshops e foi premiado na Maratona Fotográfica da Cacav  realizada em 2006.
Em 2013 realizou uma exposição individual de fotografia (“A Procura da Luz”) na Biblioteca Municipal José Afonso em Alhos Vedros.
E     

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Festa do Espírito Santo na Arrábida, por Fernanda Gil





"Divino Espírito Santo
senhor do imprevisível
me toma pois da verdade
só quero o que for incrível"

(Agostinho da Silva)

No Domingo de Pentecostes, 6 de Junho de 2014, realizou-se a XXIV Festa do Espírito Santo na Capela da Memória de Nossa Senhora da Arrábida.

Às celebrações e coroação das crianças, seguiu-se o Bodo.

Estas celebrações tiveram a participação da Associação Agostinho da Silva e Fundação António Quadros, o apoio do Convento da Arrábida - Fundação do Oriente, contando ainda com a participação de representações de diversos grupos culturais e religiosos, num espírito de compreensão, aproximação e união.

«Nas Festas do Império portuguesas, criadas por Dinis e Isabel, o homem de baixa condição, o pobre ou a criança sobre cuja cabeça era e ainda é colocada a Coroa do Imperador do Espírito Santo, coroa fechada e encimada por uma pomba branca, símbolo tradicional do divino Paráclito, é por assim dizer o profeta do Império do Espírito Santo de amanhã, iniciando o ritual e as festas, tal como se realizavam, a correlação das crenças e das ideias, das classes e das formas (...)» ( António Quadros em Portugal, Razão e Mistério, Vol. 2).


terça-feira, 24 de junho de 2014

GIL VICENTE E ALHOS VEDROS


Gil Vicente nasceu por volta do ano de 1465, mas não há concordância dos historiadores, nem quanto à data, nem no que se refere ao local do nascimento. Terá nascido no Minho, mais propriamente em Guimarães? Ou terá vindo ao mundo em Barcelos e tenha crescido numa localidade da Beira? Ou a sua terra natal possa ter sido Lisboa, na Estremadura?
Daquilo que não há dúvida, é que viveu nesta cidade.

Bom observador da realidade circundante, audacioso, detentor de um mordaz espírito crítico, nenhum estrato social escapou à sua perseverante denúncia de exageros, infidelidades e hipocrisias!

Conhecido na cidade, rapidamente a sua fama acudiu aos ouvidos régios, tendo sido introduzido na Corte como artista, e onde foi incumbido de superintender a organização das festividades da Casa Real.

Como era uso na época, a Corte transitava pelo País, assentando arraiais em diversas povoações: vilas e cidades, de Norte a Sul do Reino.
Gil Vicente tomava, invariavelmente, parte nessas viagens.
«São conhecidas as localidades seguintes, frequentadas pela Corte e quase sempre por Gil Vicente (...), durante o reinado de D. Manuel I de Portugal e do seu sucessor, o rei D. João III: Lisboa, Almeirim, Abrantes, Chamusca, Sintra, Torres Vedras, Évora, Alhos Vedros, Castro Verde, Lavradio, Benavente, Alcochete, Aldeia Galega, Tomar, Barreiro, Palmela, Alcácer- do-Sal, Alvito, Montemor-o-Novo e Coimbra. (...)»

Onde se alojaria a Corte em Alhos Vedros?

Achando-se Gil Vicente em Santarém, aquando do terramoto de 26 de janeiro de 1531, que abalou Lisboa e o Vale do Tejo, «censurou num discurso os sermões terríficos, nos quais os frades de Santarém explicavam ao povo a catástrofe como resultado da ira divina. Então, referiu o facto ao rei, numa carta na qual se pronunciava também contra a perseguição movida aos Judeus, tendo o rei D. João III abandonado, a partir de 1531, a política de assimilação e tolerância religiosa que havia caracterizado a época manuelina

Essa missiva de Gil Vicente recebeu-a o Monarca em Palmela, depois de ter passado por Alhos Vedros e aí ter pernoitado, antes de ter seguido para Coina.


Francisco José Noronha dos Santos


segunda-feira, 23 de junho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (85)

Os Dois Irmãos, Rouault, 1948
Óleo sobre Tela sobre Tábua, 64x42cm
IRMÃOS… ÀS VEZES

Dizem que somos irmãos. Mas depois uns são e outros não.
Se alguém é, olham-no de cima. 
São muito inteligentes. Estão muito acima dos outros. Muito, mas mesmo muito acima dos outros. São SANTOS! São cristãos! Até são leitores… catequistas… acólitos. 
São da Igreja. Merecem ser da Igreja. Sabem tanto…
E são bem educados. MUITO bem educados!
E depois? Depois é só uma questão de esperar para se juntarem e falarem mal dos outros. Educadamente, claro!!!
E falam então daqueles aos quais se calaram. Por serem muito, muito bem educados e muito, muito fofinhos e muito, muito santinhos e muito, muito…

Não se corrigem. Não falam abertamente… mas fecham-se para falar.
E podem tudo. E sabem tudo… 
TONTOS!!!
A queda pode ser grande…

Dizem-me que podemos ser irmãos, mas e o amor? Pois, não se vê… será da boa educação? Ou talvez da inteligência…

Que irmandade tão estranha…
De um amor tão vazio…
Às vezes somos assim… mas não devíamos.


Maria Teresa Bondoso

domingo, 22 de junho de 2014



22 / 2014

ORGÂNICO ANIMAL


De mansinho, num relance do olhar, gente que se aproxima.

Perfil de rostos, sussurro de vozes, roçar de pele que sem se pensar estremece.
Um cão que ladra e sem pensar avança, o coreto do largo mais as aves que nele pousam e o musgo que nele cresce.
Ou a noite que vai caindo depois da tarde que fenece, luz que se acende e suavemente aquece, estímulo que se alarga e cresce.

Orgânico animal que se revela e se sente, que se pensa e depois se cala.

Manuel João Croca



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Carta Aberta


Resolvi reproduzir o apelo de Jan Amos Comenius – pai espiritual da UNESCO, escrito no século XVII, por achar oportuno para o momento em que estamos vivendo, ou seja: crise existencial, questionamentos e negação de valores essências a preservação dos valores éticos e morais de uma sociedade. Populações inteiras aviltadas em seus direitos individuais e fundamentais e já se passam quase duas décadas do século XXI e continuamos a ver a mesma intolerância que existia na idade média quanto aos direitos fundamentais do cidadão e o direito ao credo religioso:

“Queremos que todos os seres humanos, juntos ou separados, jovens ou velhos, ricos ou pobres, nobres ou plebeus, homens ou mulheres, possam receber uma educação completa e se tornem pessoas bem sucedidas. Queremos que recebam ensinamentos perfeitos e que sejam treinados não apenas em um ou outro assunto, mas também em todas as leis que lhe permitem compreender sua essência, para aprender a verdade, para não serem enganados por pretensões, para amarem o bem, não serem tentados pelo mal, fazerem o que têm de fazer e distingui-los do que devem evitar, para falar com propriedade de causa sobre tudo com qualquer pessoa e finalmente a sempre tratar todas as coisas, humanos e Deus, com cuidado e não precipitadamente e para nunca se desviarem de sua meta de felicidade”.

Walter

quinta-feira, 19 de junho de 2014

D'ARTE - CONVERSAS NA GALERIA
 
18 / 2014
 
PINTURA
 
Luís da Silva Delgado




CASTELO DE SESIMBRA
Óleo sobre tela
60 x 85
 
"Olhando o mar e tocado pela brisa, por aqui me fico."
 
 
 
 
  LUIS DA SILVA DELGADO  
Nasceu em Amêndoa- Mação em Novembro de 1955.
 
   Em 1987/88-Frequentou a 1ª Fase do Curso de Pintura no ARCO, durante três       
   semestres.
                ·        EXPOSIÇÕES:
 
   1989 - Concorrente seleccionado ao Prémio “ O Vinho e a Vinha” das Caves    
               Aliança na S.N.B.A. – Sociedade Nacional de Belas Artes;
   1999 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L. – Alhos Vedros;
   2001 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L. – Alhos Vedros;
   2003 - Concorrente seleccionado ao Prémio de Pintura Joaquim Afonso  
               Madeira - Alhos Vedros;
   2004 - Participa na colectiva - 1º Salão de Pintura integrada nas Conferências
              de Primavera - Alhos Vedros;
   2004 - Exposição individual na Biblioteca Bento de Jesus Caraça – Moita;
   2005 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L., que lhe atribui o
               prémio “ Incentivo ás Artes”;
   2005 - Concorrente seleccionado ao Prémio de Pintura Joaquim Afonso
               Madeira, onde lhe foi atribuído o Prémio Revelação - Alhos Vedros;
   2005 - Exposição individual no Posto de Turismo – Moita;
   2007 - Exposição individual ”Mulheres”, no Fórum José Manuel Figueiredo
            – Baixa da Banheira;
   2007 - Concorrente seleccionado ao Prémio Joaquim Afonso Madeira;
   2010 - Exposição individual ”Casas da minha Terra”, na Galeria Municipal do
               Barreiro;
   2013 - Exposição individual na Biblioteca de Alhos Vedros;
   2013 – Exposição ”Encontros de Primavera”, no moinho de maré em Alhos
               Vedros;
   2013 – Exposição individual no Centro Cultural Elvino Pereira (Mação)
   2013 – Exposição individual na Casa da Cultura de Mora.
 
Está representado em várias colecções particulares e institucionais.
Actualmente é operário fabril, numa empresa de produtos químicos.
 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Cerrados (3)





Cerrado em Flor

30X60 cm
Acrílica sobre tela

Kity Amaral
(Cristiana Penna de Amaral)
2014
Brasil



segunda-feira, 16 de junho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (84)


Cabeça Coroada - A Rainha, Ben Nicholson, 1932
Óleo sobre Tela montada sobre Tábua, 91,4x120cm

A PERFEITA MOLDURA

Viviam numa moldura imaculadamente guardada num lugar onde todas as outras coisas eram restos sem uso.
Por viverem numa moldura, podiam ver e podiam ser vistos e há quem diga que conseguiam até trocar olhares com as pessoas de fora. Eram tidas como crianças perfeitas e arrancavam sorrisos enternecidos. 
As suas roupas perfeitas pintavam os dias e todos ficavam domingo a parar as horas naquela moldura imaculadamente guardada junto dos restos sem uso.
Sabe-se hoje que as crianças terão ficado ali para sempre.

Os sorrisos, esses duraram apenas uma vida.


Maria Teresa Bondoso

domingo, 15 de junho de 2014

 
 
21 / 2014
 
 
INTERROGAÇÕES
 
 
A brisa
fresca
roça
a água
rasa
fresca
e não pára
continua
e traz
a maresia.
 
 
Talvez que
a fidelidade à “ideia”
não resista
ao conjugar
das circustâncias.
As circunstâncias são
pessoais
a “ideia” utopia-se
colectiva.
Entre pessoal
e colectivo
qual o ponto equilibrado
e justo
para traçar a bissectriz?

 


Foto: Edgar Cantante