Por dentro.
Por fora.
Por dentro e por fora.
Nem por dentro, nem por fora.
Entre.
(Luís Santos)

terça-feira, 11 de abril de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

CHEGARAM AS ANDORINHAS

É possível identificarmos um elemento mínimo num sistema de ensino através de um pequeno jogo. 
Bem, na presente circunstância não podemos ter a pretensão de elaborarmos uma análise com o rigor e a minúcia que um estudo científico implica, mas não é por isso que nos veremos obrigados a pôr aquela completamente de lado e nem o aludido escolho, apesar do que escrevemos, nos impede de fazermos uso de certos preceitos e princípios de um trabalho naqueles domínios. 
Assim, aqui entendemos sistema de ensino como o conjunto de elementos que, coordenados e interligados ou não, estão relacionados com o produto final daquilo que é o acto de transmitir conhecimentos e competências a outrem. 
Escolhemos esta visão mais alargada e abrangente para que a possamos aplicar a um maior número de casos quer espacial quer temporalmente. Deste modo, tanto consideramos as escolas particulares do início do século dezanove como as lições nas cidades gregas da antiguidade clássica ou a formação de escribas no Antigo Egipto, tal como a realidade dos estabelecimentos de ensino na actualidade. 
O jogo consiste em imaginarmos um quadro em que registaríamos todos aqueles tipos de unidades e as respectivas particularidades a partir das quais adquirem aquelas consistência. 
Finda esta tarefa inicial, perguntaríamos sobre a existência ou não de alguma partícula que em todas elas se repetisse. 
A resposta seria o cenário em que se desenrola a transmissão de uma mensagem entre indivíduos o que traduzido para os nossos tempos se consubstancia na sala – o espaço, se quisermos, em termos genéricos – de aula ou nos seus equivalentes. 
Por mais incrível que pareça é este o elemento mínimo de um sistema de ensino. É aí que devemos identificar o ponto de partida para aquele, pois é lá que se reúnem as partículas sem as quais deixaria de existir o sistema em causa e, concomitantemente, é também aí que todas as nossas teorias devem ser testadas como válidas ou não, obviamente de acordo com os objectivos estabelecidos. Prosaicamente, um sistema de ensino será tanto melhor quanto em esses lugares de aprendizagem se conseguir que as metas propostas sejam atingidas com sucesso. 



“-Hum! Finalmente apareceu.” –Ouviu-se à Matilde, provavelmente ao encontrar algum brinquedo, pois estamos na hora em que os trabalhos já foram cumpridos. 



Pois eu, esta tarde, tive o meu pequeno espectáculo particular. 
Enquanto gozava um rebanho sobre o tapete verde, aqui e ali colorido por manchas amarelas e brancas das flores de Inverno, dei conta do voo de andorinhas no céu. 



O segundo canal da televisão pública parece ter melhorado com a renovação que desde o princípio do ano está em curso. 
Ainda um pouco enlatada, a grelha reúne programas interessantes e, mantendo-se o actual modelo, é de crer que o tempo traga melhorias qualitativas não só em termos dos conteúdos, como ainda no que se refere às prestações daqueles que ali prestam serviço. 
Tudo indica que vale a pena voltar a tomar atenção aos documentários e séries documentais anunciadas. 
Mas também tudo leva a acreditar que poderemos dar de caras com algumas conversas proveitosas e o telejornal da noite, às vinte e uma e trinta, tem sido sucinto e sóbrio sem com isso deixar de atender a temas pertinentes de âmbito nacional e internacional e só a esses. Neste particular, só é pena que as reportagens continuem as mesmas de que se fez uso no primeiro canal o que, por escassez de recursos, se compreende. Contudo, não inviabiliza isso que pensemos que a concorrência entre os dois canais públicos, a esse nível, talvez induzisse melhores desempenhos em ambos os casos. 

Seja como for, lá que a dois está melhor do que o seu antecessor segundo canal, lá isso é verdade. 



Dia bonito, cheio de cambiantes no céu que propiciam jogos de contra-luz nos ramos esquálidos e nus que as árvores apresentam. 



E agora vou imprimir e corrigir os primeiros artigos com que conto iniciar uma coluna no “Rio”, subordinada ao tema geral do ensino e do papel das associações de pais nesse fenómeno. 



O bastonário da ordem dos advogados é que continua infatigável. 
À saída de mais uma visita à cadeia, onde sempre sofre, segundo confessou aos jornalistas presentes que, certamente, ali estavam por adivinhação, o ilustre causídico propôs que o organismo a que preside, colaborando com a tutela, venha a instalar gabinetes de apoio jurídico nas penitenciárias. Tocante, não é? 

Isto não é demagogia 
é talvez hipocrisia, 
pois há pouco poucochinho 
nem um preso gemia 
na quieta melancolia 
das prisões deste cantinho. 
Fui ver. 

Era a politicazinha do chafariz da tradição cultural do século dezanove português, caciquista e caceteiro, o dá-lhes o chafariz que eles precisam de água encanada e de um sistema de esgotos, mas a bica, inaugurada a preceito, calará o pé descalço que o manga-de-alpaca esquecerá com o tempo e as discussõezinhas de cada momento. 

Os ricos e os poderosos conquistaram a imunidade em Portugal. 
Será que não daremos a volta ao problema? 



Foi concedido o estatuto de prisioneiro de guerra a Saddam Hussein. 


 Alhos Vedros 
  11/01/2004

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