terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A MATILDE E A LEITURA

Portugal não tem emenda nem melhoras. 
O Presidente da Câmara de Celorico de Basto, o Senhor Avelino Ferreira Torres, decidiu entrar no recinto de jogo do seu clube de futebol e insultar o árbitro da partida que então decorria, acabando por provocar a interrupção do desafio devido às ameaças que verbal e fisicamente fez ao homem do apito, para além dos acessórios pontapés em mesas e outros objectos alinhados na periferia do relvado. 
Bem, o sujeito entrou ilegalmente num dado espaço desportivo, onde provocou desacatos e, muito provavelmente, desobedeceu às autoridades. Tudo isto foi presenciado pelos espectadores e todos os outros presentes no local e posteriormente visionado, em boa parte, por milhões de pessoas através das imagens televisivas. 
Que se trata de um caso de polícia é básico e elementar e só assim o assunto deveria ser visto e tratado e se destaque lhe fosse oferecido, seria apenas pelo facto de termos pela frente uma figura política local a quem naturalmente se exige e de quem obviamente se espera o melhor exemplo em termos de comportamento social; seria, digamos assim, o bom exemplo pela negativa, o gesto do autarca seria tido como uma boa ilustração daquilo que devemos considerar incivilizado e definitivamente reprovável, isto é, o que de modo algum se pode fazer. Uma vez que algumas daquelas atitudes incorrem em ilicitudes criminais, o autor deveria ter sido pura e simplesmente detido e levado a comparecer perante as autoridades competentes. 

Mas que hoje se tenha feito disto assunto de primeira página e ponto incontornável da agenda política só não é bizarro por se passar no nosso país. 
Lana caprina. 
Se estivéssemos num estado de direito o homem teria respondido perante um juiz e ponto final. 

A nossa tragédia é a cultura despótica que tudo isto revela, a cultura dos coronéis que Jorge Amado tão bem descreveu na sua ficção e que os brasileiros tão bem conheceram na pele e nas barrigas vazias, o caciquismo que a nossa sociedade partidocrática e clientelar elevou ao máximo expoente e que, por isso e a impunidade de que goza num estado de direito incipiente, se perpetua no poder pela chantagem do medo. 



E o robot “Oportunity” recolheu amostras de rochas que parecem indiciar uma pretérita submersão. 
Aumentam as expectativas sobre a existência de água no planeta vermelho num passado, por enquanto, a determinar. 



No mesmo dia em que ouvi uma Professora contratada há quinze anos dizer que até agora não lhe foi legal e regularmente possível fazer a profissionalização e, em conformidade, dar entrada na carreira docente. 
É esta a grande aposta no ensino que nos tem afastado do mundo civilizado. 

Quando será que conseguiremos descobrir o caminho certo para o desenvolvimento? 



Hoje os alunos continuaram os exercícios e o ritmo do dia anterior. 



Mas ao fim da tarde tive a feliz surpresa de deparar com a Matilde lendo o título de um livro de Paulo Coelho a quem também soletrou o nome. 

Palmas para o pardalito! 



E em Kerbala, Iraque, houve atentados suicidas sobre uma mesquita e uma festividade xiita. O terrorismo tudo fará para que ali se deflagre uma guerra civil e no Ocidente assobiamos para o ar, quando não acabamos por prestar uma sub-reptícia mas maldosa colaboração. 

Deus nos salve da loucura destes homens. 



Dia de Sol e a Primavera a bocejar aqui e ali sob um céu que o frio traz de azul. 


 Alhos Vedros 
  02/03/2004

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