Levou tempo para que eu percebesse que quem presta muita atenção no que é dito não consegue escutar o essencial. O essencial se encontra fora das palavras.

Rubem Alves


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Vamos de férias três semanas e o que nos espera é o trabalho desses mesmos dias. Passei o resto da semana fechado no gabinete e ainda tenho outro tanto pela frente. Ainda assim, hoje fiz por sair a tempo de ver a cerimónia de abertura dos jogos olímpicos, que uma pessoa não é de ferro e depois dos ritmos e da liberdade de uma viagem demora sempre um pouco a recuperar as cadências da normalidade laboral. 


E ainda bem que assim decidi. 

Foi um espectáculo magnífico como acho nunca ter visto algo semelhante. 
Um desfile de estátuas humanas impressionante, evocando uma espécie de apresentação dos jogos na antiguidade, com fugiras da mitologia e da tragédia grega, um cortejo que tanto pela exuberância do guarda-roupa, como pela representação irrepreensível das centenas de actores que o realizaram, teve o efeito de espantar a própria imaginação. E a parte aérea do desfile, em que os figurantes suspensos por cordas atravessaram o estádio em corridas ou voos acrobáticos, revelou-se como uma subtil solução para a ausência de tempos mortos para quem ao vivo se maravilhou com aquela verdadeira obra de arte. 


Só tenho pena de já não ter a disponibilidade de outrora para em deixar ficar a ver as provas do meu agrado. 
Mas este ano, com a diferença horária de duas horas, creio que terei oportunidade de ver algumas delas. 



O Jorge veio visitar-nos, com as suas filhas. Chegaram ontem à noite depois de andarem perdidos pela Moita dada a inexistência de sinalização adequada. 
Mas chegaram e hoje, com a Luísa e as miúdas, foram todos passear para o jardim zoológico, em Lisboa, de onde regressaram há pouco, contentes e ruidosos. 


“-Um leão marinho deu um beijo à mãe.” –Disse a Matilde mal eu abri a porta para os receber e beijar os meus amores. 
“-Verdade!” –Acrescentou o piolhinho perante a minha incredibilidade. 
E sempre de espírito pronto, a mais novinha logo tratou de mostrar a fotografia que registou o acontecimento. 



Por sua vez, as fotografias da viagem de férias ficaram boas. 



E que vergonha se passa em torno do sórdido processo Casa Pia, agora que veio a público o conteúdo de conversas de um jornalista do Correio da Manhã com o Director da Judiciária, Adelino Salvado e outras figuras públicas, tudo o indica gravadas sem conhecimento e o consentimento dos interlocutores e em que a primeira daquelas pessoas parece ter falado de assuntos em segredo de justiça e aos quais não deveria ter acesso. 

Não tenho a menor dúvida que isto parte da defesa de Carlos Cruz e nada mais visa que a descredibilização da justiça e, por via desta, da acusação. 
Dentro de dias pedir-se-á a demissão do Procurador-Geral da República. 


Esta gente tem sido capaz de dar os golpes mais sujos. 



Os grilos falam de calor, enquanto um bufo grita sobre um telhado vizinho, provavelmente para afastar um concorrente na hora do alimento. 


 Alhos Vedros 
  13/08/2004

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