quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

TISA - Acordo no Comércio de Serviços preparado às escondidas


Mais um Passo na Globalização Comercial e de Serviços à custa das Regiões


António Justo

2015 exige especial atenção e empenho, da opinião pública e dos políticos, não só no que toca à guerrilha política e religiosa internacional, mas também à guerra acentuada (em preparação) das grandes multinacionais da economia e finanças contra a economia regional das pequenas e médias empresas e dos Estados menos fortes.

A preparação dos acordos TTIP (Associação Transatlântica para o Comércio e a Inversão) e CETA (Acordo integral de Economia e Comércio) ainda não está concluída e já se encontra em negociação, sob sigilo absoluto (1), a TISA (Trade in Services Agreement = Acordo no Comércio de Serviços) entre a UE, EUA e 21 países.*

TTIP e CETA pretendem a globalização da grande indústria e das multinacionais contra pequenas e médias empresas locais, até agora defendidas por regulações nacionais. Estes acordos acarretam consigo processos jurídicos especiais, e tornam inoperantes os tribunais independentes nacionais e o tribunal europeu. Conseguem assim sacudir concorrentes incómodos e utilizar a sua posição monopolista (mais sobre o assunto em http://antonio-justo.eu/?p=2962).

TISA segue a mesma filosofia neoliberal pretendendo a liberalização dos Serviços, no sentido de desregular e privatizar este sector. Este acordo em preparação terá grande influência no sector da energia, saúde, educação, abastecimento de água, transportes públicos e protecção de dados pessoais porque limita, mais ainda, a intervenção do Estado. A comercialização de serviços passa a ser regida pelo critério do lucro. A protecção de dados vai-se ao ar. Com o Acordo, empresas dos EUA podem, a partir da América, determinar o que acontece na Europa (Empresas de Internet americanas não precisariam de respeitar leis europeias). Deste modo só as grandes potências filiadas terão capacidade e proveitos… Depois ter-se-á, a nível comercial, situações de países como a da Grécia e dos países do sul da Europa.

O acordo também prevê a abertura do mercado de trabalho para prestadores de serviços estrangeiros com direito a nomear trabalhadores estrangeiros para tarefas temporárias nos países signatários. (Problema do respeito de ordenados, tarifas e contratos sindicais!).

Falta transparência nas negociações que, nas suas consequências, abrangem propriamente todo o mundo até porque coloca os países não participantes sob pressão ao colocar as regras da Organização Mundial do Comércio fora de jogo. Só a Suíça, devido ao seu compromisso político-democrático com o povo, tem publicado resultados das conversações. Pelos vistos os participantes pretendem a publicação dos resultados para o público apenas cinco anos após celebração do contrato. 

A filosofia subjacente à elaboração dos contratos referidos não tem em conta a defesa de pessoas e grupos mais frágeis. Vivemos num mundo desigual que precisa de instituições que defendam também os interesses dos mais fracos, doutro modo, só os fortes passam a não só ter o direito como até a impô-lo. Uma sociedade pautada apenas por valores económicos conduz à desumanização e à violência estruturada.


António da Cunha Duarte Justo
Jornalista



Estes acordos, sob a forma de um tratado internacional, estão a ser negociados entre a UE, os EUA, Canadá, Suíça, Japão, Chile, China Taipei, Hong Kong China, República da Coreia do Sul, Nova Zelândia, Noruega, Islândia, Israel, Colômbia, México, Costa Rica, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru e Turquia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

COMO EU GOSTAVA DE SER


• Água para poder refrescar as pessoas, regar todos os campos, as ideias; 
• Vento para espalhar essas ideias e voar, viajar e ver cada partícula e tudo ao mesmo tempo; 
• Sol para aquecer esse tempo, espaço frio e remoto e aconchegar a mais recôndita flor; 
• Terra para fortificar as ideias, o tempo e acolher a água, o vento, a flor e o sol … 

e sermos um só! 

 Ana Santos – Janeiro 2012

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (113)


Vasos de Gerânios Ensolarados
RAQUEL TARABORELLI  


Simplicidade
A vida tem dessas coisas
Um tropeço
Um aperto
Um aviso
E o sorriso

E a notícia às vezes
Nem sempre boa
Outras
Pra rir à toa

E o verso
Esforçado
Desta vez
Saiu rimado

No fim de tudo
Um sorriso teu
E no fundo
Viver valeu !!


© Walmir Lima

domingo, 4 de janeiro de 2015



MIRADOURO 01 / 2015


SOB O SIGNO DO BALÃO




Que em 2015 encontremos música, poesia e inspiração para acrescentar mais um verso ao poema colectivo eternamente em construção porque a vida é sem paragem e, no perpétuo discorrer, vamos desenhando os caminhos.
Calcamos terra e deparamo-nos com rios.
Uns mansos e tépidos onde não resistimos a banhar-nos, outros bravios e caudalosos agitados por intrépidas torrentes que aconselham a procura de pontes para os atravessarmos.
Escalamos montanhas agarrando-nos firmemente à rocha nua para não nos despenharmos e, por vezes, aí nos acoitamos buscando a protecção que as escarpas proporcionam.
São esses tempos mais solitários já que a geografia das encostas não permite a roda comunitária em torno da fogueira.
Mas logo se acende em urgência o retorno à partilha e à comunidade e, então, descemos novamente pelos vales até à planície ao encontro de quem nos possa esperar ou queira receber.
Impõe-se a necessidade de um novo período de sementeiras que possam permitir colheita, o pão e a abundância.
São assim como que, mais do que as estações, os ciclos da vida.

Este novo ano apresentou-se de uma forma curiosa e original.
Mal tinha começado – estava a lua na sua fase quase cheia em plena exibição – e ofereciam-me um balão.
Fiquei, ao princípio, surpreendido com a oferta.
Mais surpreendido fiquei quando fui recebendo outros, de várias cores, de diferentes pessoas.
Perante o meu olhar espantado e inquisitivo, teve um Amigo a amabilidade de me esclarecer serem aquelas oferendas contributos para a Felicidade.
Ainda surpreso mas confortado, vi que também do meu corpo (peito, braços, olhos, boca,…) nasciam balões de várias cores e com vários nomes diferentes escritos. Aqueles eram balões que, ainda que gerados em mim, eu deveria entregar e distribuir por não serem meus.
E dizia o meu Amigo que a nossa felicidade só se torna possível na troca com o Outro já que, é o Outro, que alberga a parte de nós próprios que, sendo nossa, não nos pertence.
E depois foi registando que, visto assim, o Amor é um balão, a Amizade é um balão, a Família é um balão. A Felicidade também é um balão. Que a Lua/noite é um balão, o Sol/dia outro balão e que a própria Terra, nossa casa comum, é um balão e que, portanto, devemos ter cuidado para não deixarmos os balões rebentar.  
 AV, 04. Janeiro, domingo.

Fotos: Edgar Cantante;

Texto: Manuel João Croca
(este texto não respeita as regras do acordo ortográfico)

sábado, 3 de janeiro de 2015

Mágico Sagrado Momento



“Mágico Sagrado Momento”

Águas passadas
Carregadas de visões
Correndo para um tempo indefinido
Subindo e descendo étericamente
Dobrando esquinas e vontades
Obedecendo ao desejo do destino
Abrindo caminho via cardíaca…

Beleza sublime
Natureza pulsante
Raiz da vida
Sopro do Divino Espirito
Incógnita razão
Ambição feita carne
Matéria finalmente humana…

Paraíso oculto
Criado pelo sopro
Palavra perdida na consciência
Corrente energética inteligente
Cósmico pensamento
Presente agora eterno
Momento nunca sem fim…

Essência infinita do existir…

Escrito agora mesmo, infinitamente e eternidade adentro, no presente advir, por Manuel (JDF) de Sousa, em Luanda, Angola, a 1 de Janeiro de 2015, em Dedicação aos Sublimes Pensamento e Alma Cósmicos, assim como a fervilhante e magica Vida e à Humanidade…



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Homenagem a Fernão Mendes Pinto


por Miguel Real


HOMENAGEM A FERNÃO MENDES PINTO
NOS 400 ANOS DA PUBLICAÇÃO DE “PEREGRINAÇÃO”

INTERPRETAÇÕES DE PEREGRINAÇÃO: João David Pinto Correia, António José Saraiva e Rebecca Catz

João David Pinto Correia, num brilhante texto que opera a convergência de diversas leituras de Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, apresenta esta obra como uma “tessitura textual muito complexa”, uma sorte de “confluência de várias espécies de discursos que se cruzam e se fundem numa vasta ordenação” dominada pelas categorias de “discurso narrativo” e discurso “autobiográfico”[1].

Neste sentido, e tendo em conta a dominância daqueles dois tipos de discurso, evidenciar-se-ia no texto de Fernão Mendes Pinto uma espécie de síntese de múltiplas categorias discursivas, do cruzamento e fusão das quais nasce justamente o texto literário: o discurso histórico ou historiográfico, o descritivo, o oratório, o dramático, o poético, de timbre lírico, o litúrgico e o epistolar[2].

Assim, enquanto texto autobiográfico e narrativo e devido ao seu tema principal (a vida do autor-narrador nas longínquas paragens do Extremo Oriente), Peregrinação entronca no vasto acervo da Literatura de Viagem escrita no século XVI: “um itinerário, ou uma relação de viagem, em que se apontaria, etapa por etapa, o conhecimento de lugares e populações” estranhas à mentalidade europeia[3], cujo título indicia uma espécie de provação existencial individual por terras incógnitas e exóticas de um “pecador peregrino”, uma sorte de “romagem de devoção”, na qual e pela qual o sofrimento vivido limparia os erros e pecados do autor-narrador[4].

Deste modo, João David Pinto Correia chama a atenção para o facto de Peregrinação não se constituir apenas como uma enumeração de factos (reais ou ficcionais), mas de apresentar igualmente “marcas de literariedade”[5] que testemunham estarmos de facto perante uma obra literária, apresentando “uma tensão entre um discurso coloquial (…) sem grandes pretensões estéticas, por um lado, e, por outro, um discurso literário, já narrativamente adequado ao suspense da narrativa e ao exotismo das descrições, já poeticamente organizado, de um barroquismo metafórico, ou então obediente aos cânones literários do classicismo”[6].

António José Saraiva, na introdução que escreveu para a edição de Peregrinação em quatro volumes da Editora Sá da Costa em 1961[7], realça ser o herói da narrativa um anti-herói ou um herói pícaro de timbre positivo, já que, com os lamentos do “coitado de mim”, suscitando o espírito sarcástico, coexistem “lágrimas e enternecimentos”[8]. Peregrinação estatuir-se-ia, assim, como expressão do esboroamento social e da decadência histórica da mentalidade feudal senhorial e cavaleiresca, activados por grupos soltos de mercadores portugueses não controlados pelo vice-reinado da Índia, mercadores que actuavam com o fito exclusivo de enriquecimento.

Segundo António José Saraiva, o autor, enquanto herói do seu livro, “tem a franqueza de nos declarar que a sua única preocupação é fazer fortuna. Conta as suas necessidades, misérias, fugas e os seus ataques de medo: «as carnes tremiam-me», diz frequentemente. Para salvar a vida é capaz não só de fugir, mas até de se rojar no pó, de caluniar o amigo, de beijar os pés do assassino”[9]; “desta forma, o herói principal de Peregrinação, como escravo, como miserável, como bobo, oferece-se ao riso dos leitores. É justamente um anti-herói, irmão de Sancho Pança. Não tem sombra de orgulho, de brio, de preceito. A noção de «honra» é-lhe inteiramente desconhecida. Dir-se-ia que o nosso Fernão Mendes Pinto quis apresentar o contraste, o avesso dos heróis empertigados de Camões e João de Barros, Este carácter do herói central é, porventura, a chave [de leitura] de Peregrinação e explica-nos numerosos episódios deste livro que de outra forma são incompreensíveis”[10].

Rebecca Catz, embora concorde quanto à natureza satírica de Peregrinação, tem, porém, sobre este livro, uma leitura muito diferenciada da de António José Saraiva.

Com efeito, esta autora critica de um modo muito sólido a vertente picaresca atribuída por António José Saraiva ao livro de Fernão Mendes Pinto, já que o facto de um texto ser autobiográfico, desenhar uma espécie de anti-herói, evidenciar episódios de miséria social e de cinismo narrativo não caracteriza necessariamente o texto de pícaro[11], embora seja comum à maioria dos textos satíricos.

Concordando que Peregrinação possui elementos pícaros avulsos, ou episódios em que o pícaro é dominante, a autora entende que o discurso dominante no texto possui as características da sátira. Escreve Rebecca Catz: “Sátira é, quanto a nós, retórica moral, e o seu propósito o de reformar [a sociedade, os costumes]. Ao mesmo tempo que critica males [descrevendo-os, narrando-os de um modo exemplar], estabelece o modelo positivo e aponta inexoravelmente o caminho para normas de moral elevada”[12]. E acrescenta, na Peregrinação “anda o diabo à solta; mas trata-se de um universo [social e literário] em que crime é um pecado contra Deus e o pecador ou se arrepende ou tem de responder perante Ele. Isto é, em nosso entender, o que o afasta do picaresco, um género literário isento de qualquer padrão moral normativo”[13].

Rebecca Catz critica igualmente a teoria sócio económica de António José Saraiva relativa à origem histórica do pícaro como “filho de uma ordem social agonizante, nutrido no solo espanhol, onde as suas energias [de origem cavaleiresca, fidalga, senhorial] se viam restringidas pelos valores de um sistema feudal já ultrapassado”[14], mormente transplantado para o ambiente social exógeno da Índia portuguesa e do Extremo Oriente. A autora considera forçada a extrapolação ou transplantação do pícaro, de origem eminentemente espanhola, para terras, ambientes e costumes radicalmente diferentes.

Em “Para uma compreensão de Peregrinação” (1989), Rebecca Catz regista ser este texto “uma obra de profunda filosofia moral e religiosa. A tese da obra, expressa simplesmente, é o pecado e o castigo. O impulso satírico que está nela patente é dirigido contra a ideologia de cruzada, que foi a maior força unificadora da história de Portugal. É isso, precisamente, que separa Fernão Mendes Pinto dos seus contemporâneos – porque só ele, no desabrochar da era do imperialismo europeu, teve a grande coragem, o discernimento e a perspicácia de pôr em dúvida a moralidade das conquistas ultramarinas, as quais condena como actos de bárbara pirataria, em ofensa a Deus”[15].

Por via do conceito retórico de “persona” (capacidade pela qual o autor literal ou histórico assume diversas vozes e/ou personagens), Rebecca Catz suplanta a visão picaresca de Peregrinação de António José Saraiva.

Assim, por via deste conceito, o autor-narrador do livro assume uma quádrupla dimensão:
a.  – a de voz moral, homem basicamente virtuoso e generoso;
b. – a de voz ingénua, como ser inocente, de coração simples, que suscita piedade;
c.  – a de voz heróica, capaz de desafiar e vencer o mal;
d. – finalmente, a de voz pícara, a “que revela a tolice e a patifaria dos outros dissimulando  uma aprovação, pela participação nele, do  mal que deseja condenar”[16].

 Miguel Real,
31 de Dezembro de 2014




[1] João David Pinto Correia, Autobiografia e Aventura na Literatura de Viagens. A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, Lisboa, Seara Nova / Editorial Comunicação, 1979, p. 51.
[2] Idem, ibidem, pp. 53 – 54.
[3] Idem, ibidem, p. 26
[4] Idem, ibidem, p. 25.
[5] Idem, ibidem, p. 77.
[6] Idem, ibidem, p. 77.  (FALTA   MARIA ALZIRA SEIXO)
[7] Cf. igualmente António José Saraiva, “Fernão Mendes Pinto e o romance picaresco”, in Para a História da Cultura em Portugal [1961], Lisboa, Europa – América, 1972, 3ª edição, pp. 117 – 136.
[8] António José Saraiva, “Prefácio” a Fernão Mendes Ponto, Peregrinação e Outras Obras, Lisboa, Sá da Costa, 1961, 1º vol., p. XLIV.
[9] Idem, ibidem, pp. XXII – XXIII.
[10] Idem, ibidem, p. XXVI.
[11] Rebecca Catz, A Sátira Social de Fernão Mendes Pinto. Análise Crítica de Peregrinação, Lisboa Prelo Editora, 1978, pp. 94 – 95.
[12] Idem, ibidem, p. 95.
[13] Idem, ibidem, p. 15.
[14] Idem, ibidem, p. 95.
[15] Rebecca Catz, “Para uma compreensão de Peregrinação”, in Fernão Mendes Pinto, Peregrinação & Cartas, Lisboa, Edições Afrodite, 1989, p. 1033.
[16] Idem, ibidem, p. 1033.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Editorial

O ESTUDO GERAL E A FELICIDADE

No dia 23 de Janeiro de 2010, pelas 14h12m, nasceu o Blogue Estudo Geral, o que quer dizer que fazemos, dentro de dias, 5 anos. Nasceu em completa liberdade.

Todos os meses, sai uma revista digital com os artigos publicados. Hoje terão à vossa disposição o nº. 59, com as entradas registadas durante o mês de Dezembro de 2014.
Um dos nossos sonhos é arranjar meios para a publicar em papel. O outro, talvez mais difícil, mas não impossível, é tornar mais felizes todos os que nos rodeiam.

Imaginem um congresso com a presença de 500 convidados.
No palco, o apresentador propõe uma actividade aos congressistas. Deu a cada um dos participantes um balão, pedindo que escrevessem nele o seu nome e, de seguida, os balões foram colocados noutra sala.
Então o apresentador disse que dava 5 minutos para cada um encontrar o seu balão. Todos se precipitaram para a sala ao lado. Ficou instalado o caos em pouco tempo, com toda a gente a procurar o seu balão, freneticamente, chocando uns com os outros sem encontrar aquele que tinha o seu nome. No fim dos 5 minutos concedidos ninguém tinha encontrado o seu balão.
Nesse momento, o apresentador deu por terminado o tempo e pediu a cada pessoa para, em vez de tentar encontrar o seu balão, apanhar um qualquer e entregá-lo à pessoa que lá tinha escrito o nome. Em menos de 5 minutos todos tinham o seu balão.
O apresentador concluiu, dizendo: “Isto acontece com as nossas vidas. Procuramos freneticamente a felicidade sem conseguir descobrir onde ela está.
A nossa felicidade está nas mãos das outras pessoas. Comecemos por dar a felicidade aos outros, que em troca receberemos a nossa.
E é este o propósito da vida humana:
A busca da felicidade!”

Até esta certeza ficar interiorizada e se tornar realidade, todos estamos em perigo.
A salvação está no coração de cada um de nós.
Podemos começar por ajudar quem está mais próximo. Qualquer ajuda é para valer!

O blogue Estudo Geral já chegou a 165.000 pessoas. Actualmente, todos os dias, tem 100 visitantes distribuídos por 10 países, com destaque para a França, Portugal, Estados Unidos e Brasil.
Não temos a certeza de fazer tudo o que é possível para salvar o mundo…
…mas garanto que fazemos o melhor que podemos e sabemos!

Sempre com a vossa ajuda!

António Tapadinhas


(Nota: António Tapadinhas não adopta o novo acordo ortográfico)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Fotografias com Música





Noites de Lisboa
D. João I, rei de Portugal, e Castelo de São Jorge

Fotografia de Lucas Rosa
(Clique na Foto)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

PENSAVERSANDO


PENSAMENTOS QUE SE CRUZAM

Pensamentos que se
         Cruzam
Com tempos de vento cheio de mimosas
Com tempos quentes de alfazema.

Pensamentos que se
        Cruzam
Com palavras de luz azul
Com sons de uma memória futura.

Pensamentos que se
        Cruzam
     Com outros

Pensamentos que se
         Cruzam
Com ...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (116)

Cargador de Flores, Diego Rivera, 1935
Óleo e Têmpera sobre masonite, 121x121cm

OS MILITANTES DO POVO
Vêm de longe e perto
lavram do amor o futuro
são o músculo o nervo
o fermento amanhecendo a razão
o estrume fecundo
o homem a caminho do pão
São poetas.Mas se passam
revivem noutra poesia,
falam de guindastes,trigo
de alfaias e d'alegria
que vive no coração
de quem sabe construir
braço a braço,mão a mão
Vêm das obras,dos campos
de oficinas artesãs
vêm da mina mais longa
ou das marés das manhãs
Dum escritório sombrio
ou da lezíria alagada
trazem consigo a poesia
duma terra fecundada
Nos olhos trazem boiando
uma esperança feita à mão
pela certeza bordada
de futuro e de razão
E os que semeiam suor
colherão um fruto novo
que é este o gesto de amor
dos militantes do povo

manuel branco

REAL... IRREAL... SURREAL... (112)

Estás cansada? António Tapadinhas, 1995

Óleo sobre Tela, 36x45cm

Feliz Ano Novo
Pra quê ano novo?
Não posso ficar no que finda
Este que eu quero ainda
Tão bem?

Porque velejar
Novo amor, novo tempo,
Se ainda sinto no rosto
Tão bom o vento?

Que podem me dar
Caminhos do que não sei
Se o chão que eu já pisei
Conheço de cor?

Que sal podem trazer
O correr de novas lágrimas
Se já tenho em minha boca
O sal do teu suor?

Ano novo?
Pra quê?
Que pode me dar que já não tenha,
Se pode me matar num de seus dias
Se posso eu perder a tua senha
E noites ter, como vadias
De medos que não tenho agora?

Segura
Meu amor
Na minha mão.


Ernesto Dias Jr.

domingo, 28 de dezembro de 2014




MIRADOURO 48 / 2014

O retrato do avô
 
Na casa sentado
á cadeira de verga
via de olhos ternos
o retrato de meu avô.
 
meu reparo sereno que era
na moldura habitava o silêncio
do que fui e ainda sou.
 
o candeeiro que via preso ao teto,
luzia num sol o petróleo que foi então
 agora elétrica, perfeita, maldita na saudade
com a cómoda em baixo inerte ao chão
girando o tempo da minha humanidade.
 
de súbito pela porta entrando em casa
alegria que entra toma lugar á mesa
no televisor que canta partiu um prato
e o avô que de olhos no destino
 repousa tranquilo do seu retrato.   
                                                                  
Diogo Correia
Cabeção
31/8/ 2012
(homenagem ao meu trisavô Luís Cravidão)
 
 

 
 

sábado, 27 de dezembro de 2014

O Homem da Caverna do Século XX


O Homem das Cavernas é o menino de rua das metrópoles atuais. Assim como aquele; vemos hoje em dia pessoas vivendo como no tempo das cavernas, isto é, inconscientes do mundo que as cerca com toda a riqueza e tecnologia atual, vivendo verdadeiras famílias exclusivamente da predação, catando lixo, restos de comida e jornais velhos para alimentação, aquecimento e aquisição de algum bem necessário. Garimpando restos de caixotes velhos, Elas acendem o fogo que vai aquecê-las nas noites de inverno e preparar algum alimento cru retirado do lixo das Feiras Livres. Banhando-se no Chafariz da Praça, lavando ali suas maltrapilhas roupas, latas que utilizam como utensílios domésticos, vivem num abismo primitivo dos viadutos e marquises atuais, vivendo da prima matéria como nossos antepassados moradores das cavernas que pescavam nos rios e lagos seu sustento, assim, o menino de rua de nossos dias, “pesca” na rua através de pequenos furtos e trabalhos informais a sua sobrevivência.

Com latas de azeite e garrafas de vinho encontradas no lixo, fazem seu banquete. Água morna? Nem pensar! Geladeira? Gela mais rapidamente a água completamente fria do Chafariz! Não há um verdadeiro repouso, tudo é apenas aparência. A quietude aparente desses nossos “meninos” é causada pela fome ou pelo frio absoluto do inverno. O tempo é o verdadeiro despenseiro e depositário de suas vidas, e os socorre quando lhe é confiado por um lapso considerável, aquele maltrapilho, protegendo-o, defendendo-o de toda força externa, só se manifestando em ajuda interior, de vez que a ajuda externa está interrompida.

“Pai que está no Céu”; Essência do Cósmico, Mestre Interior, projeta-se para a Terra; Eu exterior, faça o homem estabelecer a comunicação entre os dois; “O Pão nosso de cada dia” (processo de nutrição psíquica, simbolizado no pão) é-nos dado hoje para a necessidade do hoje, no aqui e agora; o pão de amanhã nos será dado amanhã”!

E o pão desses meninos? País da Igreja Católica, neoplatônicos e hermetistas, onde estão vocês?

Como o conceito de Deus não pode ser imposto, não se pode impor a caridade, ambos devem brotar da vivência e da meditação de cada um. É vã a tentativa do homem de compreender a Deus em sua infinidade, em comparação com as coisas finitas deste mundo.

Os chamados pagãos tentam expressar o Deus infinito de maneira finita, disto decorrem seus grosseiros ídolos, ou estátuas. Pela complexidade da ideia, muitos preferem relacionar-se com Deus através de um mediador, alguém mais próximo da experiência humana, um anjo, um mestre ou o próprio Cristo. Outros preferem pensar numa Mente Cósmica, ou no Espírito Santo, contatando diretamente com sua mente subconsciente. Por que então não tentar compreender Deus através da infinidade de suas criações e entre elas o Ser Humano!


Walter Babosa de Oliveira
(in, Jornal da Federação dos Procuradores de Autarquias
Federais do Rio de Janeiro, 16 de Dezembro, 1996)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014


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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014




"O amor é um ato de fé"

Feliz Natal
Merry Christmas
Buon Natale
Feliz Navidad
Frohes Fest
Joyeux Noël


Joana Espírito Santo




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

E se...

Por vezes, dou comigo a pensar no que seriam os meus pais, se fossem jovens nos dias de hoje. 
Pelas suas motivações, pelas suas vivências e pelas suas práticas ao longo destes anos, acho que as suas profissões estariam ligadas à Arte. 
Começando pelo meu pai, penso que poderia ter ido por duas vias. Uma, ligada aos estudos históricos e linguísticos: sempre o vi ler muito (o primeiro livro que abri em casa, teria eu quatro ou cinco anos, era um romance histórico - vim a saber mais tarde, claro – principalmente obras com um forte cunho histórico ou biográfico). Aprendeu praticamente sozinho, com ajuda de um primo, creio que o Aníbal Paula ou o irmão, a escrever e, depois, a falar Francês (ainda tentou o Alemão). Tal facto veio a ajudá-lo quando foi para França e, depois, facilitou-me a integração na escola francesa. Por outro lado, demonstrou e demonstra curiosidade em conhecer a origem das palavras e a estabelecer relações entre as diferentes línguas, principalmente as românicas. 
A outra hipótese, mais ligada à sua profissão de carpinteiro / marceneiro, passaria pelas Belas Artes. Desenhava primorosamente. O meu primeiro livro de imagens foi um pequeno caderno com utensílios de cozinha desenhados e coloridos por ele, quando ainda 10 ou 12 anos. Era lindo. Hoje, o caderno materialmente não existe, contudo continua vivo e colorido na minha mente. Outro caderno, este com desenhos de ferramentas, mostra bem a precisão do seu traço. 
De início referi que este lado estava ligado à sua profissão, uma vez que era um artista a fazer móveis, a decorá-los com flores esculpidas, entalhes e requebes nas formas. Cheguei a ter um quarto com móveis criados e feitos por ele. Tinham formas direitas, de duas cores (azul e vermelho – os tons não eram vivos) com o bege por base e foram inspirados numa revista alemã dos anos 50. 
Agora a minha mãe. Acho que daria uma óptima economista. Sempre soube governar muito bem a casa com o pouco que ganhavam. De um escudo, bem gostaria de fazer dez! 
Mas aquela área que é o seu rosto, é sem dúvida o Estilismo. Era uma artista na confecção de todo o tipo de modelos, alguns criados por ela própria, tirando uma ideia aqui outra ali. Com diferentes tipos de tecidos dava vida a vestidos alegres, de cerimónia, para criança. Ensinou a costura, ainda com os seus 16 anos, a mais de dez raparigas que iam lá para casa aprender. 
Quando era para fazer as contas, ela tinha tudo anotado: o feitio, os avios (molas, botões, fechos...). Tudo contabilizado (lado economicista). Quem sabe se não teria sido uma empresária de sucesso na Alta Costura! 
O mais engraçado é que, realmente, eles se completam e a prova disso foi um vestido que eu tive desenhado pelo meu pai e confeccionado pela minha mãe! Dos dois, acho que herdei o gosto por várias áreas, até o de ensinar, de partilhar conhecimentos; aprendi, também, a não separar o trabalho manual do intelectual; os dois completam-se, os dois enriquecem o ser humano. 

(Este texto foi escrito ainda em vida dos meus pais.) 

 Ana Maria Santos

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

(111)

Fotografia de António Tapadinhas

CRIANÇAS

 O tempo sorriu dentro das horas e em nós. Uma fina inocência percorreu-nos os braços devagar e perdemos todas as noções. As crianças cantaram muito baixo espreitando-lhes na voz o peso do fim. As mãos, velozes, desenharam cores e formas extraordinárias em muitas folhas de papel. Sem demora e sem resto, todas as coisas inúteis partiram e ficou apenas um silencioso e prudente odor a liberdade. Num sussurro descontínuo, a duração do instante tocou a eternidade breve.

Maria Teresa Bondoso

REAL... IRREAL... SURREAL... agradece a todos os Artistas que colaboraram nas já longas 111 semanas de duração desta rubrica e aos amigos leitores que a têm acompanhado.
Para todos, mesmo todos, os meus votos sinceros de um Feliz Natal..
António Tapadinhas