quinta-feira, 21 de maio de 2015

Bolsa-de-pastor


Capsella bursa-pastoris

Miguel Boieiro

Nunca será demais repetir que é altamente inconveniente colher plantas selvagens junto das vias rodoviárias. Está provado que as plantas assimilam e incorporam substâncias tóxicas provenientes da combustão dos motores dos veículos. De resto, a constituição química de qualquer vegetal depende muito das condições onde se desenvolve. Tem a ver com a constituição química e o pH do solo, com o clima, sobretudo com a insolação, a humidade, os ventos e a temperatura e ainda com a poluição envolvente.
Outro dos perigos, infelizmente hoje em dia muito comum, é apanhar plantas em áreas que foram tratados com herbicidas. Isso acontece amiúde nos meios urbanos e suas periferias. Instalou-se a ideia errada de que a existência de ervas é sinal de sujidade e de desleixo e então, pulveriza-se, indiscriminadamente o solo com produtos venenosos, numa prática rotineira de “aprendiz de feiticeiro”. É claro que não só se arruína a vida vegetal, mas também se dissemina na atmosfera e nos terrenos, quantidades incontroladas de tóxicos com nefastos efeitos duradouros em todos os seres vivos.

Vem esta conversa a propósito da bolsa-de-pastor, erva comum que aparece junto de estradas, caminhos de pé posto, baldios e mesmo nas calçadas e arruamentos das grandes cidades. Ela é extraordinariamente prolífera – uma só planta pode produzir 75 mil sementes, apesar de, pela sua fragilidade, não a considerarmos propriamente uma infestante. O facto é que o ingrato bicho-homem procura destruir este ser vivo, seu companheiro de jornada, como se de um inimigo se tratasse, através do uso e abuso de pesticidas.

Ora a Capsella bursa-pastoris L. é uma pequena erva anual de que só se dá conta quando brota o seu espigão floral. A raiz é cilíndrica e ligeiramente lenhosa e as folhas radicais formam uma roseta basal, sendo normalmente penatifendidas e pecioladas. O caule chega a medir 50 cm, tendo folhas mais curtas (folhas caulinares) e no cimo cachos densos de pequenas flores brancas. Cada flor é composta por quatro sépalas e quatro pétalas ovais. A sua forma, em cruz, determinou a família botânica a que pertence a nossa planta. É uma crucífera, ou brassicácea, tal como a couve, o nabo ou a mostarda negra.
Mas é a forma dos frutos que ajuda a identificar a erva e a torna inconfundível. Eles são cordiformes, isto é, têm a forma de um pequeno coração, assemelhando-se às bolsas que os pastores medievais traziam a tiracolo – daí o seu idêntico nome popular em, praticamente, todas as línguas europeias.

Para que serve a bolsa-de-pastor? Bom, as propriedades curativas desta planta são conhecidas desde remotas eras. É fundamentalmente hemostática, estancando rapidamente as hemorragias, mas é também adstringente, diurética e tónica. Contém tanino, potássio, ácido málico, ácido acético, ácido fumárico e ácido cítrico, entre outros componentes.
Serve para as hemorragias (nomeadamente as uterinas), as perturbações renais ou urinárias, as desinterias, as inflamações da garganta e as feridas da pele.

A melhor forma de a consumir é através da maceração a frio, na proporção de três colheres de chá da erva seca para uma chávena de água. Deixa-se macerar durante oito horas, filtra-se e toma-se duas chávenas, dia sim, dia não.
O Dr. Oliveira Feijão, na sua “Medicina pelas Plantas”, aponta também o infuso, o suco da planta fresca, o cozimento e o “vinho”. Este é produzido por 180 g da planta fresca migada, macerada durante oito dias num litro de vinho branco. Filtra-se e toma-se uma colher de sopa, de hora a hora.
Para terminar, refira-se que a bolsa-de-pastor, tal como as suas irmãs crucíferas, é também comestível (tem um sabor levemente salgado), mas apenas quando as folhas estão tenras e antes da ramificação.

Adverte-se, contudo, para o facto das doses elevadas serem susceptíveis de produzir efeitos tóxicos, devido à existência, embora em pequena proporção, de um alcalóide específico denominado bursina.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

ÍNDICE DE FELICIDADE MUNDIAL EM 2015 E A DOR DO VIVER


Felicidade da mulher como índice do desenvolvimento de um país?

António Justo

Segundo o estudo da ONU sobre o Índice de Felicidade Mundial realizado pela universidade Colúmbia de Nova Iorque, a felicidade mundial aumentou ligeiramente em relação a anos passados. O norte é mais feliz que o sul, tem mais confiança. Nos países desenvolvidos, as mulheres são mais felizes do que os homens, enquanto nos países em desenvolvimento se passa o oposto.
A ordem de felicidade por países: 1° Suiça,2° Islândia,3° Dinamarca, 4° Noruega, 5° Canadá, 6° Finlândia, 7° Holanda, 8° Suécia, 9° Nova Zelândia, 10° Austrália, 15° Estados Unidos, 16° Brasil, 26° Alemanha, 88° Portugal.
Dos países qualificados, os dez países menos felizes seriam o Afeganistão e países africanos.

Os indicadores de felicidade do questionário efectuado abrangiam sistemas sociais, mercados do trabalho bem como perguntas sobre a autopercepção das pessoas (bem-estar mental, liberdade na tomada de decisões, ter alguém em quem se confia, falta de corrupção, esperança de vida saudável, etc.).
A investigação sobre a Felicidade de um povo é uma boa iniciativa dado orientar a atenção do cidadão e dos políticos para um objectivo que deveria ser o mais importante da política. A satisfação da vida e o bem-estar social deveria estar na agenda de todo o deputado e do governo.

Naturalmente haverá povos de caracter mais alegre que outros, o que torna difícil a interpretação da qualificação da felicidade de uns países em relação a outros. A maneira de compreender a vida é muito diferente de cultura para cultura. Há povos por natureza mais satisfeitos que outros.
Talvez por falte de uma ciência da felicidade ainda não se saiba como fazer os cidadãos felizes.

O Butão foi o primeiro país que colocou como objectivo do governo a felicidade pública. Aí os indicadores de felicidade apresentados eram: bem-estar psicológico, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, vitalidade comunitária, educação, preservação cultural, proteção ambiental, boa gestão governamental e segurança financeira.

O grau de esperança é um elemento e um indicativo da felicidade de uma pessoa. Ela empresta à realidade vestidos mais agradáveis e coloridos! Quem já tem tudo poderá ter o gozo do desejo saciado no tempo mas, apesar de tudo, não ser feliz! Pode-se ter gozo sem se ser feliz, porque o gozo é a felicidade da parte enquanto a felicidade é o gozo do todo. A felicidade é rara porque gozo é um estado, um momento e felicidade é ser, o ser que não é soma dos momentos. A felicidade está ligada à saudade que goza a dor do não viver! Também é verdade que, por vezes, se vive com felicidade mas sem gozo porque o gozo depende também do parceiro, tem a ver com o próximo!


António da Cunha Duarte Justo
Jornalista


terça-feira, 19 de maio de 2015

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

O DIÁRIO DA MATILDE – O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA


1º. VOLUME

O PRIMEIRO PERÍODO

Luís F. de A. Gomes

Para a 
Matilde e a Margarida, 
as minhas filhas adoradas. 


 BOM DIA SRª. PROFESSORA! 

Aleluia! Aleluia! 
A Matilde entrou para a escola. 
Esta manhã, pelas onze horas, lá foi a família rumo à chamada para o dia de apresentação. 
Dia especial, é claro, até a irmã mais velha que, por sua vez, começará depois de amanhã, qual veterana, lá acompanhou a Matoldas à sessão inaugural, na qual ficamos a conhecer a Mestra e as normas do estabelecimento cujo edifício, afinal, a mais novinha já conhecia, quer por via das bisbilhotices da Margarida, quer no domínio das actividades do jardim-escola que frequentou até ao início deste Verão. 


Como é bom de ver, houve as fotografias da praxe quando o pai retornou a casa para o almoço. 


O evento é que esteve um tanto ou quanto desorganizado pelo que não deu para recolher grandes impressões, tanto pela parte da novel aluna, como do ponto de vista dos progenitores. 
A recepção conjunta a três turmas do primeiro ano não me pareceu a melhor forma para explicar o que quer que fosse. Demasiada densidade de população é o que dá: barulho que se sobrepõe às mensagens. 

E que impressão me causam os pais indisciplinados dando tão negativos exemplos aos filhos. Mas como se não fosse isso suficiente, a Professora que fez as honras do convento, não só não soube conduzir os acontecimentos, atrapalhando-se e baralhando-se em algumas situações, chegando mesmo a mostrar não saber o que dizer ou fazer, como ainda se revelou incapaz de calar as inconveniências, com isso permitindo uma espécie de caos que, pela predominância, pode muito bem dizer-se que teve fóruns de cidade. 
Foi ao ponto de interromper a Professora da Matilde quando esta fazia as suas recomendações quanto ao comportamento. 


Talvez por isso o meu pardalito nada tenha adiantado sobre o sucedido e a pessoa que lhe irá ensinar as primeiras letras e a acompanhará neste primeiro ciclo do ensino básico. 


Deus acompanhe este meu anjo para que tudo corra bem e ela venha a desempenhar a contento tudo aquilo que lhe seja confiado. 


Seja como for, parece que estamos em boas mãos. 
Trata-se de uma Professora efectiva nesta escola há vinte e três anos e de acordo com o testemunho de ex-alunos que passaram, no passado Junho, para o ciclo preparatório, é uma docente cumpridora e disciplinada, capaz de transmitir os conhecimentos de modo a que as crianças aprendam. 

Com o tempo, tiraremos as conclusões. 

Por ora sabemos ainda que se chama Manuela Palma. 



E assim cá estou eu, novamente, para mais um diário que tinha data marcada e que será o último deste ciclo de volumes centrados nas vidas das minhas queridas filhas. 



Que, diga-se para primeiro dia, toda a família vai bem, com a graça de Deus. Saúde e harmonia quanto baste que o resto é o dia a dia de um lar tranquilo e acolhedor. 

São tão doces, os fins das jornadas. 


E porque o calor permanece, ainda este último Sábado estivemos a banhos, em Sesimbra que, para o pai, foi dos momentos de descontracção de um fim-de-semana repousante que bem veio a calhar depois de algumas semanas de trabalho intenso. 



Pela primeira vez li uma obra de Agostinho da Silva. 
“Reflexão”, um ensaio que, a propósito da literatura portuguesa, acaba por ser uma divagação a respeito da nossa cultura e a respectiva singularidade original, a partir da qual, sempre segundo o Autor, podem muito bem encontrar-se os parâmetros de uma filosofia de vida, tendo por base o humanismo cristão, com as consequentes implicações na organização social a partir do comunitarismo rural. (1) 
Quanto a isto direi que é uma proposta, como tantas outras. Ao nível filosófico nada tem de novo e no que à prática do quotidiano respeito diz, estamos perante um idealismo que facilmente se aceita e em que se podem encontrar pistas interessantes para um futuro que se pretenda ordenar. Ainda assim não andaremos longe daquilo que podemos apreender em certas perspectivas ecologistas, se bem que muito antes destas, justiça seja feita ao nosso compatriota. (2) 
Já sobre a vertente que destaca a natureza missionária da cultura lusíada, aí coloco as minhas mais sérias reservas. Esse é um caminho que facilmente resvala para discursos e visões xenófobas e racistas da História; tirando todas as consequências daquela ideia, chegaremos sempre a patamares em que nos vemos forçados a sustentar o determinismo biológico de que há povos naturalmente melhores que outros. 

Do pensador, chamemos-lhe assim, talvez fosse melhor seguir o exemplo prático e debruçarmo-nos sobre aquilo que ele fez ou propôs que se fizesse. Creio que das ideias de Universidades Populares, à confiança nas expressões civilistas, há bons exemplos em que poderemos beber ensinamentos para o presente. 
Teoricamente, é provável que, no século vinte, tenha sido o melhor expoente da defesa dos ideais do Quinto Império que o Padre António Vieira anunciara trezentos anos antes, em muitas das suas prédicas. (3) Não me parece é que isto reflicta muito mais do que a pobreza do pensamento filosófico feito por portugueses na modernidade. 

Razão tive eu quando grafei uma palestra do Professor, “(…) fazendo-o de forma que as ideias surgissem coerentes e claras, preferencialmente, em concomitância, respeitando o estilo oratório.” (4) É que o estilo do homem tem um ritmo vincadamente deste último nível, provavelmente, direi eu agora, por influência e em homenagem ao Mestre Vieira. 
Avaliando por esta obra que acabei de ler, mais me convenço que, para realizar a grafação da palestra que a CACAV publicou em noventa e seis (5), tomei então a decisão certa. 



Portugal é que vai mal 
coitado 
de tanta operação venal, 
amordaçado. 


Tenho visto confirmados os meus maiores receios. 
O país está dominado por teias de interesses a que nada nem quem quer que seja consegue fazer frente. 
Infelizmente, vivemos numa partidocracia oligárquica que é a forma em que se consubstancia o mosaico socio-cultural subjugado por tiranias larvares e sociologicamente dispersas, em que aos mais poderosos assistem as possibilidades de imporem os seus interesses e vontades e aos mais fracos o direito de servirem de base a uma pirâmide de onde excepcionalmente se conseguem erguer, afastados entre si por uma massa disforme dos que pululam para se aguentarem à tona de água e daqueles que, por diversas razões, acabam estatelados no fundo. 

Mas estas são lamúrias de que acabarei por falar adiante. 
Do abuso sexual de crianças às manigâncias no mundo da bola e das autarquias locais, passando, naturalmente, pelas nebulentas inter-secções entre o poder político e universos suspeitos, muitas são as meadas desta tragédia portuguesa. 



No mundo vivemos sob os efeitos da guerra que se iniciou com o massacre da população norte-americana e o bombardeamento do Pentágono, em onze de Setembro de dois mil e um. 

Os aliados que se empenharam na resposta ao terrorismo da Al-Qaeda e afins, depois de derrubarem os talibãs no Afeganistão e o regime de Saddam Hussein, no Iraque, agora estão a braços com a necessidade imperiosa de pacificação do Médio Oriente, ao mesmo tempo que terão que cooperar para a reconstrução das terras da antiga Babilónia. 

Trabalhos de Hércules que por inimigos têm todos aqueles para quem o mundo livre não passa de um emaranhado de injustiças. 



E eu que me senti tão satisfeito com a atitude que a Matilde revelou enquanto decorria a algazarra da apresentação. 
Sossegada, atenta e compenetrada, deu-me tanta vontade de abraçar a pardaloca com os bracinhos cruzados sobre a mesa. 


Mas eis que os dias vindouros precisam de motes pelo que hoje me despeço. 
Até amanhã! 


Alhos Vedros 
 15/09/2003 

NOTAS 

(1) Silva, Agostinho da, REFLEXÃO, pp 105 e ss 
(2) Schumacher, E. F., SMALL IS BEAUTIFULL 
(3) Vieira, Padre António, SERMÕES ESCOLHIDOS 
(4) Gomes, Luís F. de A., NOTA DE ABERTURA, p. 11 
(5) Silva, Agostinho da, NAMORANDO O AMANHà


CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 

Gomes, Luís F. de A., NOTA DE ABERTURA, in “Namorando O Amanhã, de Agostinho da Silva, CACAV (1ª. Edição), Alhos Vedros, 1996 
Schumacher, E. F., SMALL IS BEAUTIFULL, Advertência do Editor, Tradução de Cardigos dos Reis, Publicações Dom Quixote, 1980 
Silva, Agostinho da, REFLEXÃO, Prefácio de F. da Cunha Leão, Guimarães Editores (3ª. Edição), Lisboa, 1996; NAMORANDO O AMANHÃ, Nota de Abertura de Luís F. de A. Gomes, CACAV (1ª. Edição), Alhos Vedros, 1996 
Vieira, Padre António, SERMÕES ESCOLHIDOS, Selecção, Introdução e Notas de Maria da Graça Morais de Sá, Ulisseia (2ª. Edição), Lisboa, 1984

segunda-feira, 18 de maio de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (132)

Flor de Amendoeira, Autor António Tapadinhas, 1997
                 Óleo sobre Platex 15x15cm

VISITA AOS MESTRES



Ontem estive no céu! A visita à exposição, A Perspectiva das Coisas, foi a sensação que me deixou. Ver Cézanne, Monet, Manet, Matisse, Bonnard, Braque, Magritte, os nossos Vieira da Silva, Amadeo de Sousa Cardoso, Eduardo Viana e o génio louco Van Gogh, têm esse efeito sobre mim.
Com o trabalho tudo correu bem, o último quadro foram ramos floridos – tu verás, entre as minhas obras talvez a que fiz com mais paciência e melhor, pintada com calma e uma maior segurança das pinceladas. 
Estas palavras foram escritas por Van Gogh, numa carta ao seu irmão, depois de concluir um quadro, para oferecer ao seu sobrinho e afilhado, Vincent. 
A obra, com o título, “Amendoeira em Flor”, óleo sobre tela, 73x92cm, está em Amesterdão, no Rijksmuseum Vincent Van Gogh. Todos os críticos, nos seus comentários, consideram este céu, o mais intenso, o mais brilhante, que o artista alguma vez pintou. Tinha a intenção de colocar aqui o quadro, mas fiquei completamente baralhado: se se derem ao trabalho, verificarão, nas centenas de reproduções que há no Google, as diferenças gritantes que existem entre cada uma delas. E os livros que tenho não esclarecem as minhas dúvidas.
Agora, já vi e já senti o verdadeiro azul do Mestre. Este azul das flores de amendoeira está próximo. 
Neste Inverno, mais do que a queda de neve ou os gélidos ventos, imaginem as andorinhas pairando no ar, com o inconfundível aroma das amendoeiras em flor, anunciando a chegada da Primavera…

domingo, 17 de maio de 2015

 
 
MIRADOURO 18 / 2015
(esta rubrica não respeita as normas do acordo ortográfico)
 
 
DEPOIS DO MANDAR, PARA QUANDO O GOVERNAR?
“Quem governa e dirige sem justiça,
                                                                          não governa nem dirige, manda apenas”
(de um painel de azulejos algures no Alentejo.)
 
A “pandilha” manda.
Antes destes outros mandaram com propósitos semelhantes.
Talvez que com menor eficácia, a ousadia não chegando a tanto.
Estes, os de agora, revelam maior atrevimento, são mais agressivos.
E mantêm-se na ofensiva.
A conjuntura tal permite, ou eles nisso acreditam no objectivo de manterem o “poder”. O “exercício do poder”.
Se não for esta (“pandilha”), outra virá mas, ainda, emanada do mesmo núcleo difusor de ideologia.
Talvez por tardar uma alternativa em que possamos acreditar, que nos faça acreditar. Decerto porque interesses maiores aos da generalidade dos cidadãos se afirmam de forma mais veemente já que, “a oeste nada de novo” apesar de levarmos já muito tempo a perder.
Sempre a perder e com perdas substanciais.
Regalias e direitos, princípios e valores.
Os critérios subvertidos, alterados a meio do jogo da vida que nos foi dada viver.
Tarda em apresentar-se um projecto de governação que possa ser mobilizador e motivador de uma maioria mais comum e se possa afirmar em alternativa a este exercício de apenas mandar.
Mandar de acordo com interesses que não os nossos.
Os interesses da ganância e do grande capital financeiro disfarçados sob a designação genérica de “economia”.
“Economia”, termo que cai bem e de que ninguém desconfia.
Talvez caiba aqui perguntar : economia de quem e para quem?
Ética, mérito, honestidade, honra, justiça social que significado e valor têm hoje em dia?
As perdas são muito mais do que materiais.
Processos complicados.
O que é que a gente podemos, vamos, fazer?
Manuel João Croca
AV, 17. Maio, domingo "Eu sei, mas não devia" de Marina Colasanti, no programa Provocações.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(foto: Edgar Cantante)

sábado, 16 de maio de 2015

O CES declara Maio, o mês do Ócio


 Para ver Programa de Maio do CES clique na imagem



O Círculo do Entre-Ser declarou este mês - que começou com o Dia Mundial do Trabalhador - o mês do Ócio, porque a cultura do trabalho, da produção e do consumo e a nova superstição e obscurantismo do crescimento económico ilimitado estão a destruir as vidas de humanos e animais, bem como os ecossistemas. É preciso parar e decrescer, ter tempo para nada fazer, para SER. Entra neste Círculo.



NOTA: Clique na imagem para ver próximas atividades do CES



sexta-feira, 15 de maio de 2015




Maria Madalena

De espírito leve, puro,
em nada parecia diferente,
das que como ela aceitavam
uma condição feminina,
à época dura, laboriosa
em seus afazeres

Seus pais humildes,
de mãos rugosas, calejadas,
por um labor diário,
sorriam quando a viam
já desperta para um vida
que anteviam
semelhante às suas
Um Mestre que passava
parou, olhou e viu o interior
daquela jovem
que respondeu com um sorriso,
era o prenuncio
duma amizade que se tornaria
ao mesmo tempo bela e inquietante,
díspar em contos futuros
Caminharam juntos,
juntos viviam,
já não eram duas vontades,
apenas uma, na procura
não só de uma união corpórea,
mas principalmente espiritual
Posteriormente os homens
de pena na mão
tudo mudaram
A eleita, passou
a não o ser
O seu amor,
a ser negado
Os seus passos
em união,
separados
Hoje, tão perto
e tão longe
surge uma compaixão,
uma compreensão,
da intolerância,
do medo
duma União
que aguarda serenamente
o surgir do Novo Homem

antónio alfacinha


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Políticas




A propósito de uma proposta de regulamentação de serviço profissional que nos toca, considera-se que o número de horas de trabalho semanal deve ser de 40 horas.

Ao que parece, a par da política de austeridade que se instalou no país, tornou-se moda aumentar o número de horas de trabalho, diminuir os salários, reduzir o número dos dias de férias, mais o corte de alguns feriados, entre outras.

Considerando nós que mais tempo de trabalho corresponde a uma perca de liberdade, pois que menos tempo passamos a ter para usufruir livremente da nossa vida, não podemos deixar de achar que esta "modinha" neoliberal nos está a pôr a pata em cima e a carregar com força.

Ora, pelo contrário, num país em que o desemprego muito aumentou nos últimos anos, em vez de se carregar alguns com mais horas de trabalho, antes se devia libertar quem mais trabalha e dar horas de serviço a quem deseja e precisa.


Luís Santos


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Etnografar a Arte de Rua (IX) Graffitar a Literatura




Graffiti fotografado por Luís Souta, 2015.
Travessa dos Navegantes, Cascais.


Se confiamos a educação das nossas crianças a professores, a saúde a médicos, a edificação de pontes a engenheiros civis, por que razão não entregamos a construção das nossas casas a arquitectos? Se assim procedêssemos, teríamos um país mais bonito, com outro nível estético e com menos mamarrachos, fruto de auto-construção ou de patos-bravos que enxameiam a construção civil. E arquitectos de qualidade nunca nos faltaram, reconhecidos e galardoados internacionalmente – Raul Lino, Pardal Monteiro, Cassiano Branco, Nuno Teotónio Pereira, Manuel Graça Dias, Siza Vieira, Souto de Moura,…

A Casa de Santa Maria, também conhecida como Palácio O’Neill, é obra de um deles, Raul Lino (1879-1974). Por esta Casa, situada num local aprazível perto do Farol de Santa Marta e da Marina de Cascais, passaram exilados políticos (Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo, condes de Barcelona, Rei Umberto de Itália,…), monarcas sem trono, aristocratas caídos em desgraça face às convulsões políticas operadas na Europa. Ali encontraram abrigo, em trânsito para outras paragens, onde iniciaram novos ciclos de vida… com menos poder, luxo e mordomias.

A Casa de Santa Maria, projectada em 1902 e, posteriormente, ampliada (quando o irmão, José Lino, se tornou o seu segundo proprietário), é um belo exemplo da arquitectura de veraneio. Raul Lino é autor de edifícios bem conhecidos, entre os quais o Cinema Tivoli, em Lisboa (1925), a Casa dos Patudos, em Alpiarça (1904), o Museu e Jardim-Escola João de Deus, em Coimbra (1911) e em Lisboa (1915), a Casa da Quinta da Comenda (1903), no Outão e os Paços do Concelho (1928), em Setúbal. Recebeu o Prémio Valmor (1930) com uma moradia na Rua Castilho, em Lisboa. Gosto, particularmente, da Casa Branca, nas Azenhas do Mar; é nessa obra que melhor identifico a sua «ruralidade bucólica», o seu traço de «modernista da tradição». Raul Lino pensava, projectava e escrevia sobre a arquitectura – A Nossa Casa (1918), A Casa Portuguesa (1929), Casas Portuguesas (1933); nesses livros encontramos a ideia de conciliar uma certa nostalgia ligada às raízes nacionais com a modernidade, inerente à arte de construir o urbano.

PS: A Câmara de Cascais, presidida então por António Capucho, adquiriu este Palácio em 2004. Em 2012, face à inexistência de uma Faculdade de Arquitectura no concelho, atribuíram o nome de Raul Lino à Escola Básica do 1º ciclo e Jardim de Infância, na Amoreira. Já que o estudo da obra do patrono não consta do currículo daqueles níveis de ensino, esperemos, pelo menos, que se organizem visitas ao Palácio e… a este graffiti.

Luís Souta


terça-feira, 12 de maio de 2015

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

OS AMIGOS DO QUINTAL

O PARDAL DO PEDRITO


Quando for grande,
Dizia o Pedrito,
Quero ser um pardalito:
Salta aqui, pula acolá,
Foge no ar,
Enche o papinho
E brinca com seu vizinho!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (131)

Contraluz, Autor António Tapadinhas, 50x50cm
(Leiloado no decorrer do 2.º Cenáculo)


Poema colectivo construído no decorrer do 2.º Cenáculo - Tertúlia Poética da CACAV, lido por Carlos Fernando Bondoso Bondoso.

CENÁCULO
Poderemos até florir em crianças por nascer.
Poderemos até ter um mundo
de silêncio onde os homens 
se olhem de frente
e canteiros a florir em mil beijos por beijar.
Anjos e outros seres desse outro lado
paralelo pela dimensão ímpar!?!
Hirtos seremos, então, mesmo que de rastos nos tenham.
Saberemos que a poesia, por muito que duvidem, é para comer
alimento da alma e da esperança a renascer
dentro do coração dos homens
sem ódios, sem armas,
só Amor!
Essa utopia eterna que nos faz viver.

domingo, 10 de maio de 2015

 
 
MIRADOURO 17 / 2015
 
(esta rúbrica não respeita as normas do acordo ortográfico)
 
 
TENIA TANTO QUE DARTE
(para a pequena Hudea, criança síria de 4 anos)



Teria tanto que dar-te porque, a vontade é muita e a ternura imensa.
Teria para dar-te, desde logo, abraços e sorrisos.
Sorrisos largos que te envolvessem e fizessem sorrir também.
Depois, apresentar-te-ia a minha mulher e os meus filhos que te acarinhariam muito.
Depois faria para ti guloseimas (nunca fiz mas inventava), de que gostasses para te sentires especial e amada.
Depois, tentaria ser outra vez criança para podermos brincar iguais.
Levar-te à praia, empurrar-te o baloiço, correr contigo pelo campo, subir às árvores.
Cantar-te cantigas, contar-te histórias, sei lá.
Faria tudo para esqueceres o tempo que passou e poderes entrar sem mácula no tempo por nascer.
Por ti, tentaria ser melhor para poder justificar a tua crença na vida e nas pessoas, reacender a esperança e acalmar os ventos que a pudessem ameaçar.
Para ti, deixaria tudo em aberto para poder ser tudo aquilo que quisesses ou precisasses.
Gostava tanto de te mimar, proteger, fazer rir.
Gostava tanto de te dizer aquele poema do Victor Pinho Moreira (é só um pouco mais velho que tu e também criança, só tem 8 anos) e que diz que
“O Amor é um pássaro verde num campo azul no alto da madrugada”
e gostava que tu acreditasses, mesmo, por ser a verdade.
Tantas coisas de que gostava e não consigo.
Não porque não queira mas porque não me são possíveis agora, agora mesmo, quando são necessárias.
Vou deitar-me embora saiba não conseguir dormir.
Mas não me vou esquecer de ti (pareces-te tanto com a minha filha Joana).
Vou trazer-te comigo sempre (não te importas pois não?!) e, se um dia nos encontrarmos, tentar cumprir todas estas promessas.
Combinado?!

MJC

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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Carqueja


Esta é a planta que irá servir de base à lição de fitoterapia na Universidade Sénior dos Coruchéus e a seguir na habitual "Oficina de Chás" que terá lugar na Biblioteca Municipal dos Coruchéus, em Lisboa, no dia 11 de Maio (segunda-feira), às 16h. No fim será servido um cházinho de flor de carqueja a todos os presentes.

Miguel Boieiro

Carqueja (Genista tridentata), in Wikipédia

A carqueja é uma planta sobejamente conhecida em Portugal. Ela faz parte da medicina popular desde tempos ancestrais. Não obstante, são escassos os registos dedicados a esta curiosa herbácea. Nas consultas efetuadas na minha já vasta biblioteca de botânica e no tocante a compêndios estrangeiros, ela está omissa. Mesmo em obras editadas no nosso País, muito poucas referem a carqueja, e algumas contêm erros e confusões que é mister deslindar. No Brasil, a que se designa por carqueja é uma espécie muito diferente da nossa. Trata-se da Baccharis trimera ou Baccharis genistelloides, referida, por exemplo, em “Plantas Terapêuticas” do notável botânico Sérgio Franceschini Filho. É uma boa planta da família das Asteráceas mas parece que não a temos em Portugal.

Os nossos irmãos galegos falam da “carqueixa boieira”, nome assaz simpático para este escriba. Contudo, nada mais é do que a popular designação local de uma conhecida Cistácea, cujo nome científico é Halimium alyssoides.

A nossa carqueja abunda em solos ácidos escarpados e xistosos, sobretudo no centro e no norte do País. Acha-se também nalgumas regiões de Espanha e no norte de Marrocos. Não há referências a que se encontre noutras regiões. Para ficarmos menos confusos, vamos ver qual é o seu nome científico. Acontece que, para complicar, também nesta área os botânicos divergem. Uns chamam-lhe Genista tridentata, outros, Pterospartum tridentatum. O meu amigo José Salgueiro, famoso ervanário de Montemor-o-Novo, identifica-a como Chamaespartium tridentatum. Gonçalo Sampaio, na edição de 1947 da “Flora Portuguesa”, aponta Genistella tridentata. Pelo que apurei, são sinónimos da mesmíssima planta da família das leguminosas ou Fabaceae. Apelo aos botânicos para se entenderem de vez, evitando-se que o vulgo amador esbarre com acrescidas dificuldades nas identificações dos seres viventes deste universo, já bastante complexo, que compõe o Reino Vegetal.

A carqueja, que ora abordo, é um pequeno arbusto perene, muito ramificado a partir da base, podendo atingir um metro de altura. É destituída de folhagem, pelo que a função fotossintética é assegurada pelos caules. Estes são ondulados e coriáceos, formando asas tridentadas que saem de cada nó. As flores são amarelas e à medida que perdem o viço vão ficando com tons alaranjados. Consocia-se a estevas, urzes e tojos.

A carqueja é pirófila. Isso significa que, aquando dos cíclicos incêndios que assolam os pinhais, emite novos rebentos a partir do solo, os quais se desenvolvem rapidamente, visto não terem a concorrência de outras espécies de muito mais lenta regeneração.

Algumas publicações referem que a carqueja começa a florir a partir de maio. Posso comprovar que tal não corresponde à realidade. Recentemente, ainda em março, procedi a uma boa recolha de flores de carqueja nas imediações da aldeia da Pombeira, concelho de Ferreira do Zêzere. Destinei-as à confeção do “chá” para o habitual Almoço de Primavera da Sociedade Portuguesa de Naturalogia. Aproveito para comentar que a paisagem era soberba: a barragem em baixo e nas vertentes dos montes, entremeando-se harmoniosamente, o amarelo-torrado das carquejas e o rosado das urzes – lindo!

A carqueja possui abundantes sais minerais, especialmente o crómio. Tem também saponinas e flavonóides. É diurética, emoliente e depurativa.
A infusão das flores é boa para a tosse, a rouquidão, os resfriados e as irritações do sistema digestivo. Serve ainda para diminuir o inchaço dos pés e das pernas, a artrose e a gota. Ajuda a emagrecer e protege o fígado da ação nociva do alcoolismo.

José Salgueiro recomenda ferver 35 g das flores para um litro de água. Deixar 10 minutos em repouso, coar e beber. Diz que não conhece melhor remédio para um fígado doente, prescrevendo também o cozimento das flores para aplicar diretamente, em cataplasma, sobre as chagas venéreas.

Em terras nortenhas a carqueja servia para aquecer os fornos e para chamuscar os coiratos dos porcos após a matança.
Finalmente há ainda que aludir a sua utilização em culinária em que se sobrepõe o famoso arroz de carqueja.


quinta-feira, 7 de maio de 2015


QUERO

Quero subir bem alto
rumo ao infinito
do meu Ser,
que em minhas entranhas
renasça o que já foi meu,
a Beleza, a Harmonia, a Sabedoria

Quero gritar bem alto:
parem, ouçam
o que as palavras
não podem dizer,
a semente já foi lançada,
já não é preciso sofrer
Mães, pais, filhos,
avós, irmãos, netos
o que quer que sejam,
esqueçam, esqueçam
tudo isso
não alimenteis mais crenças,
não vos deixeis subjugar
Religiões, governos, gurus,
quem quer que seja
que vos imponham,
já não há tempo
para quimeras,
faz de conta,
que vos embalam e adormecem
Aí bem dentro de ti,
onde só tu podes entrar,
tens tudo o que necessitas,
a Liberdade, o Amor,
a Compreensão, a Sabedoria
Apenas necessitas
parar, silenciar,
escutar, escutar,
escutar...

António Alfacinha

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Miscigenação no Brasil

         
  
Fonte: Wikipédia livre


A miscigenação foi um processo genético-cultural que deu origem à formação do povo brasileiro. A principio, na época do descobrimento, os grupos étnicos eram o ameríndio e o europeu, marcadamente o português. Com a introdução do cultivo da cana-de-açúcar no meio do século XVI, a necessidade de mão de obra importou africanos (principalmente escravos bantos e sudaneses) que se miscigenaram com o branco e o índio já presentes no território sul americano. Nos séculos XVIII, XIX e XX aportaram no Brasil levas de colonos portugueses (açorianos), italianos, espanhóis, alemães, contratados para substituir com trabalho livre e renumerado o trabalho escravo que,  em 13 de maio de 1888, se extinguiu com a Lei Áurea. Em menor número, o governo brasileiro foi abrindo espaço a grupos de japoneses, chineses, sírio-libaneses, coreanos, franceses, ingleses, norte-americanos e leste-europeus, que aqui também se instalaram buscando  novas oportunidades de trabalho e vida. Estes formaram comunidades que se espalharam, em grupos específicos, pelo campo, comercio e indústria. Embora multicultural e geneticamente mestiça, a sociedade brasileira teve influência preponderante do elemento português pela maior presença numérica e afluência constante ao longo dos séculos, desde o descobrimento, fato que marcou indelevelmente a construção da nação e formação do povo brasileiro.

Para os mestiços que formaram basicamente a sociedade brasileira, há para nomeá-los os termos:
Mameluco, caboclo, caiçara- mestiço de branco com índia (a coloração da pele acobreada lembrava os mamelucos egípcios)
Curiboca- filho de índio com mameluca
Mulato- filho de negra com branco
Pardo- filho de mulata com pai branco
Cafuzo- filho de negro com índia
Cabra- filho de negro com mulata
Crioulo- filho de pais negros, nascidos no Brasil
Mazombos- descendentes de pais brancos europeus.

Os japoneses que emigram são os issei.
Nisseis - são os filhos desses emigrantes
Sanseis-são os netos
Yonseis- são os bisnetos
Gosseis- são os trinetos

Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 01/05/2015


Fonte dos dados: A Construção do Brasil ( Jorge Couto), 

terça-feira, 5 de maio de 2015

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

PENSAVERSANDO


VOU


Vou!
Percorro caminhos de memórias
Sem viagem de regresso...
Desenho, alfabeticamente,
Espaços, personagens, histórias
Cheiros, sentidos e afectos,
Mas...
O tempo surge sempre,
De espada em punho
E corta
Arrasa
Destrói
Todos esses caminhos
Todas as minhas histórias.
E eu,
Pela realidade,
Passo
E apenas vou.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (130)


           Contraluz, Autor António Tapadinhas, 2010
                     Acrílico sobre Tela, 50x50 cm


Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Neste provérbio chinês, mais uma vez o poder da palavra.
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
Gosto de acreditar que se completam. A prova?
O poema que se segue, do amigo, Álvaro Giesta


Além 
das silhuetas perdidas
num horizonte de fogo e sangue,
a vida.
Eternizam-se os mitos
inventados
na aridez das palavras construídas
sem sabor.
Não há mitos.
Apenas mãos esculturais
na construção das constelações
por descobrir.

Alvaro Giesta

domingo, 3 de maio de 2015


Hélio no Balão


Asas amorosas penetradas
Por mim acima.
A tangente universal partiu
A chaleira que aquece as estrelas.
O mar ficou mais belo
Que o calor do sol.
E o pasmo de uma vida monótona
Quebrou a cadeira em que me sento.

Ouvi algures fitas e palhaços
Barulhantes em mi menor,
Roí também o ruído com eles
Por cima de escalas  em si maior,
Caindo em cima da tenda de circo
Na feira raiando,
Rangendo monótona alegria
Pelos dentes alegres cantando.


Diogo Correia