quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Património de Uberaba - Minas Gerais


Margarida Castro
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

Mercado Municipal

Mercado Municipal
O Mercado Municipal funciona em prédio erguido em 1922, na Praça Manoel Terra. Sofreu reformas em 1936 e 1992, que modernizaram seu interior e todas as suas instalações, mas que conservaram seu estilo original. É uma excelente opção para compras de produtos típicos mineiros, frutas, verduras, laticínios, carnes e peixes, além de contar com outras lojas de produtos típicos. Nas manhãs de Domingo a fundação cultural promove o Domingo Musical.

Horário de funcionamento: Segunda a sábado das 6h às 18h, Domingo das 6h às 12h.
Pça. Manoel Terra s/n°
 3332-1691

Prédio do Paço Municipal Major Eustáquio 

Prédio do Paço Municipal Major Eustáqui
É o prédio público mais antigo da cidade. Foi construído em 1836 e é o centro histórico das decisões políticas do Município. A construção evoluiu do estilo colonial ao atual eclético, tendo passado por várias reformas, mas resguardando suas características e proporções. Sua decoração interna apresenta tetos e paredes adornados, com pinturas da década de 20, alusivas à história de Uberaba. Abriga, atualmente, a Câmara Municipal de Uberaba.
Horário de visita: Somente com agendamento prévio
Rua Coronel Manoel Borges, 41
  3318-7261 / 3318-1761 - Contato: Sumaira / Diretora do Departamento de Documentos e Pesquisa         


Igreja Santa Rita

Horário de visita: Segunda a Sexta das 7h às 18h
Pça. Manoel Terra, s/n
  3316-9886   masmuseudeartedeuberaba@yahoo.com.br

 
Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus 

Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus
Instalada no núcleo inicial de povoamento da cidade, a Igreja da Matriz do Sagrado Coração de Jesus acompanha a história de Uberaba. Tornou-se Catedral em 1896. A igreja passou por várias modificações durante estes anos, porém seu estilo neo-gótico foi conservado e é grande sua beleza interior. Comemorou no ano 2000, 180 anos de atividades paroquiais.
Horário de visita: Segunda a Sexta das 09:30h às 12h e das 13h às 17h
Rua. Tristão de Castro, 17 - Centro
 3332-1775  catedralpscdejesus@hotmail.com 


Igreja Medalha Milagrosa

Igreja Medalha Milagrosa
Está localizada no Mosteiro da Imaculada Conceição. No interior da igreja encontra-se o túmulo da fundadora do Mosteiro, Madre Virgínia, canonizada devido a um milagre ocorrido em março de 1988 na cidade. Atrai, anualmente, milhares de romeiros de todos os lugares do Brasil, principalmente no dia 27 de novembro, data da comemoração da festa dedicada à Santa Padroeira.
Horário de visita: Segunda a Sexta das 6h às 17:30h, Sábado e Domingo das 6h às 18:30h.

Igreja São Domingos

Igreja São Domingos
É um dos mais belos templos religiosos da cidade em estilo neo-gótico. Sua forma em cruz assemelha-se às igrejas bizantinas. A pedra fundamental foi lançada pelos padres dominicanos em 1895, tornando-se o marco de chegada desta ordem religiosa ao Brasil. Sua inauguração só ocorreu em 1904, ainda sem as torres, as quais foram terminadas em 1914. Por esse motivo ficaram com estilo diferente da construção original, que é toda construída em tapiocanga de cor avermelhada, deixadas aparentes, naturais da região de Uberaba, resultando em textura de grande originalidade.
Horário de Visita: Segunda a Sexta das 8h às 11h e das 13:30 às 17h
R. Lauro Borges, 272
  3332-1261  igcentenaria@netsite.com.br   www.igrejacentenaria.com.br

Igreja Nossa Senhora da Abadia

Igreja Nossa Senhora da Abadia
Sua construção quase toda horizontal impressiona pela grandeza. A bela imagem de Nossa Senhora da Abadia, a padroeira de Uberaba, está colocada em cima de sua torre e pode ser vista de vários pontos da cidade. Foi fundada no fim do século XIX (1884), e durante a primeira quinzena de agosto, realiza-se sua tradicional festa religiosa trazendo milhares de romeiros de outros lugares tendo seu ponto culminante no dia 15 de agosto, com procissão e missas durante todo o dia dedicado à nossa santa padroeira. Esta festa tem muito de nosso folclore, com barraquinhas, danças típicas, leilões, jogos, parques etc.
Horário de visita: Segunda: 8h às 11:30h e das 14h às 17h
                                Terça a Sexta das 7h às 11:30h das 14h às 20h
                                Sábado das 8h às 11:30h e das 16h às 18h
                                Domingo das 7h às 12h e das 16h as 20:30h
Pça. N. Sra. da Abadia, 323
  3322–7771  santuariodabadia@bol.com.br   www.santuarioabadia.org.br


Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus

Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus
Localiza-se no bairro fabrício. Teve sua pedra fundamental lançada em 1949. Construída em alvenaria de tijolos. A igreja aparenta características neoromânicas, com planta em cruz grega e nave única. Os vitrais dispostos nas ilhagens da capela. Reproduzem cenas da vida de Santa Terezinha.
Horário de Visita: Segunda a Sexta das 8h às 11h e das 13h às 17h
Praça Santa Terezinha, 231
  3332-2284  paroquiasantaterezinha@uol.com.br

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

S. Martinho, justiça e liberdade


Risoleta C.Pinto Pedro

Perguntamo-nos o que é a liberdade, se existe, se somos livres, de que modo podemos aproximar-nos disso que consideramos ser a liberdade. Se me sento ou não se sento, se vou pela esquerda ou pela direita e digo que isso é a minha liberdade, talvez os outros acreditem. Mas eu acredito nisso? Falo alto porque tenho a liberdade de o fazer, ou porque estou irritadíssima e o fígado quer fazer-se ouvir mais alto do que eu? Se uma vez admitindo que estou irritada com o que aconteceu ali naquela esquina, quem me garante que o que ali sucedeu não foi apenas um eco do episódio dos seis anos, por sua vez um eco do episódio dos seis meses, pro sua vez um eco do episódio de …? Ou de antes… ?

E que tem isto a ver com o recente e inocente S. Martinho, o do dia das castanhas?
Conta a lenda que ao ver um pobre com frio, num dia de chuva, com a sua espada cortou a própria capa ao meio para com ela cobrir o sem abrigo. Nisto, deu-se o milagre. O mau tempo parou. Daí, o verão de S. Martinho. 

Que tem isto a ver com justiça, com liberdade?
É a espada. A espada e Marte. S. Martinho foi baptizado por Marte. Mas o seu coração está tão temperado de compaixão, como o metal da sua espada foi temperado pela forja do amor. É o coração que dita o gesto deste Marte ou Martinho bem temperado como castanhas portuguesas.

O Marte destemperado não é guiado pelo coração, mas pela mente. Pelo medo. O gesto livre é justo e parte do coração. O gesto condicionado é injusto e parte da mente. O gesto ditado pelo generoso amor dá o verão de S. Martinho. O gesto ditado pelo ambicioso medo dá o aquecimento global. Esse, que agora é moda dizer-se que não existe.
Vejas as diferenças, como nos passatempos do jornal. E deixe as notícias. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

E hoje, com a luz da manhã, os campos salpicaram-se com o amarelo das azedas. 
O Sol de sombra larga, quando seco, deixa um azul no céu que faz o horizonte aprofundar-se diante dos nossos olhos. 

Apetece-nos voar directamente ao infinito. 



E nós aqui neste país de pernas para o ar, tão à beira da tragédia. 


Estamos agora em plena guerra civil mediática. 

O escândalo da pedofilia estoirou nos Açores e já provocou a demissão de um secretário do turismo no governo regional. Fala-se de locais e redes de prostituição infantil e de filmes pornográficos. Naturalmente, apontam-se algumas figuras localmente conhecidas e deixa-se no ar a eventualidade de, entre o vulgo, surgirem mais alguns nomes grados. 
Esta tarde, no “Portugal Diário”, escrevia-se finalmente a Madeira. Dizia-se que uma ONG pede a intervenção da ONU – estranho, não lhes parece? – naquele arquipélago. 

Pandora’s box it’s open… 

E esta tarde foi a vez do governo levar dois tiros em cheio. 

O indigitado novo Comandante da Brigada de Trânsito recusou tomar posse depois de vir a público que o general é alvo de uma investigação judiciária em torno de casos de gestão danosa e abuso do poder em anterior exercício de chefia, não posso precisar em que serviço. 
Como é que estas gafes são possíveis é que me deixa curioso. 
Amanhã, segundo o noticiário das vinte e três horas, na TSF, a revista “Visão” trará uma reportagem sobre um decreto que possibilitou a passagem da cooperativa que geria a Universidade Lusíada à figura de fundação. O pai do ex-ministro Martins da Cruz é o homem forte da instituição e o primeiro-ministro chefiou um dos departamentos daquele estabelecimento de ensino. Tudo isto foi objecto de perguntas que o deputado comunista Lino de Carvalho colocou no Parlamento, em Outubro, sem que até ao momento tenham obtido qualquer resposta. 
A coisa promete. 


Vai haver sangue para todos os gostos. 
Excepto daqueles que amam a democracia que aqui vai ver o seu tiro de misericórdia. 



“-Eu hoje fiz uma ficha de avaliação de Estudo do Meio.” –Disse a Matilde mal abriu a porta do carro. 
“-Sim, pardalito? Dá cá um beijinho.” –Ao mesmo tempo que me inclinei para lhe beijar a testa. “-E correu bem, querida?” –Perguntei em acto contínuo. 
“-Sim!” 

E não é que ao jantar, a Matilde foi capaz de repetir perante a mãe os enunciados das perguntas? 


Deus me perdoe se há nisto alguma vaidade, mas tanto eu como a Luísa ficámos tão contentes. 



Livros Escolares da Margarida, III 

“Tabuada Ratinho”, em edição revista e da autoria de Alfredo Cabral. Trata-se da septuagésima sexta edição, da responsabilidade da Papelaria Fernandes. 



Bem, vou ouvir as notícias da meia-noite. 


 Alhos Vedros 
   10/12/2003

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (229)


Nascimento de uma Estrela, António Tapadinhas, 2010 Óleo sobre Tela 110x80cm


SE PERGUNTAREM DAS ARTES

Se perguntarem das artes do mundo ?
Das artes do mundo escolho a de ver cometas
despenharem-se
nas grandes massas de água: depois, as brasas pelos
recantos,
charcos entre elas.
Quero na escuridão revolvida pelas luzes
ganhar baptismo, ofício.
Queimado nas orlas de fogo das poças.
O meu nome é esse.
E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as
noites
caem dentro dos dias - e eu estudo
astros desmoronados, mananciais, o segredo.

Herberto Helder


Selecção de António Tapadinhas

sábado, 12 de novembro de 2016

TOTALITARISMO E DEMOCRACIA


Abdul Cadre
Vendas Novas, 11 de Setembro de 2016

Aceite, consentido ou imposto, todo o pensamento único é, insofismávelmente, a fórmula codificada da implementação do totalitarismo. Nas sociedades sufragistas, que invocam em vão o santo nome da democracia, a prática é, em nome das maiorias, sufocar as minorias até que se tornem invisíveis, escamoteando-se que a opressão, o totalitarismo e a tirania não são um exclusivo de minorias armadas até aos dentes. Tirania é tirania, seja exercida por poucos seja exercida por muitos.

Sociedades de maiorias e sociedades de massas, mais estas do que aquelas, tendem a aceitar qualquer tipo de totalitarismo e estão sempre prontas para o expurgo das diferenças. Os demagogos sabem bem disto e é-lhes muito fácil arrebanhar multidões: vendem à pequena burguesia o pronto a pensar e às classes laboriosas o pronto a dizer, arranjam um inimigo a quem se retira a humanidade e está pronto o estrugido.

Com sufrágio ou sem sufrágio, com inimigos unificadores ou sem eles, o pensamento único impõe-se e torna-se, não uma rotina, como alguns dizem, mas a rotina, o caminho único, o hábito único, o comportamento único; fora destes espartilhos é a heresia e os autos-de-fé. Toda a heresia merece ser castigada. Era assim na outra Idade Média e é assim na actual.

Nesta Idade Média Pós-moderna, seja a Leste seja a Oeste, aposta-se forte nos mecanismos securitários. Na boca dos mandadores deste baile mandado a segurança não passa de um eufemismo que se pode traduzir por alienação das liberdades para espantar o medo. Ora, acontece que, quanto mais queremos calar o medo, mais medo temos, o que nos leva a alienar mais e mais liberdade até que ficamos tão «seguros», isto é, tão agrilhoados que acabamos por ter medo de ter medo. Foi isto que aconteceu nos países ditos do socialismo real e é isto que está a acontecer nos países anti-socialistas integrantes do Império Alemão, a que os ingénuos chamam União Europeia.

Durante o decorrer da campanha actual para a presidência americana, O candidato marginal ao sistema Bernie Sanders dizia algo indesmentível: «Tudo aquilo que temíamos no comunismo: perder as nossas casas e posses, economias, ter de trabalhar duro por um salário miserável realizou-se graças ao capitalismo».

O pensamento único está aí, as fogueiras autênticas de antigamente, não. As que há agora têm outra e diversificada natureza. Por exemplo, a ninguém é permitido, sem a risota geral, pensar fora do sebentismo académico da ideologia do mercado, sucedânea das religiões salvíficas de paraísos impalpáveis. As Universidades formatam os novos sacerdotes da religião do mercado com o mesmo afã com que a igreja romana formatou crentes e incréus ao longo dos séculos. A formatação deixou tantas sequelas que ainda hoje os ateus não conseguem negar outro deísmo que não seja o da Bíblia. De semelhante e paradoxal jeito sofrem os comunistas que sobram por aí: todos eles falam economês com a mesma fluência e convicção dos mandadores e dos mandatários do sistema único em vigor. Também eles assimilaram muito bem o «não há alternativas», mesmo que se retorçam a dizer o contrário. Vejam bem como o pensamento único é mais ameaçador do que o aquecimento global!

Esta aceitação, esta subordinação a pensar segundo o que está instituído e de nos comportarmos como se espera que façamos constitui uma doença grave de características epidémicas, que pode levar à morte da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, tendo como consequência o impedimento da solidariedade, da tolerância, da aceitação do outro e das diferenças, da empatia, da compaixão, do humanismo.

Os sinais estão por toda a parte e só os não vê quem optou por pôr – voluntariamente ou por ignorância – as talas mentais que já não é preciso colocar-lhes à força. Veja-se, por exemplo, como a «indignação» se tornou um produto internético inconsequente e como há tanta gente sentada ao computador a indignar-se com os que não pertencem aos hábitos e aos comportamentos inerentes ao totalitarismo da ditadura democrática. O pensamento único ensina-nos que é bom que nos indignemos, não com o mal, mas com a dessincronia; temos todos de marchar com o passo certo e apanhar muitos Pokemons.

(in, A Verruma, http://acverruma.blogspot.pt/2016/09/totalitarismo-e-democracia.html?m=1 )

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Versículos


(Jovialidade)
A memória
uma capacidade física
que, como tudo no mundo
com o tempo se esvai.
A sua tradução em energia subtil
o que mais importa


(Essência)
A vida é um bem mais que precioso

Qualquer dia
esse tesouro guardado
abrir-se-á

A purificação é permanente,
e é bom que seja

Não há que mudar o que se é,
há que aprender, desaprendendo
(o transcendental salto)

Silêncio.


Luís Santos

Nota: Se clicar na ave ela o guiará... e boa viagem.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A AVARIA DO ESQUENTADOR

E Putin lá ganhou as parlamentares na Rússia. 
Os resultados são aceites por todos e ninguém fala de falseamento dos mesmos ou de falta de liberdade de acção durante a campanha. 
Mas a prisão de alguns oligarcas terá deixado certa oposição mais desprotegida e, em termos de capacidades de campanha, mais fragilizada ao nível dos possíveis financiamentos. Além disso, o controle da comunicação social por gente da confiança do Presidente e do seu partido terá certamente exercido as suas influências para o desfecho que veio a verificar-se. A democracia é titubeante naquela federação inter-continental e isto não só pela sua juventude; há também a herança soviética que se traduz pelo reduzido número de democratas convictos. 
Não estranha pois que os comunistas tenham sido claramente derrotados e que os tecnocratas ligados à abertura económica e que ali dão pela designação genérica de liberais quase tenham desaparecido do mapa pluri-partidário dos que têm assento parlamentar. Apesar disso, Girinovski, se bem que enfraquecido, manteve-se à tona de água. O seu discurso xenófobo e nacionalista permanece assim latente, muito embora, por enquanto, em certa medida contido pela própria actuação dos vencedores.
Contudo, o estado de direito não é uma realidade naquela constelação de povos e culturas e o poder das máfias é suficientemente grande para se apoderarem ou pelo menos imporem os seus desígnios em importantes centros de decisão. 
Com esta vitória dos seus partidários, Vladimir Putin vê melhorar as perspectivas de ser reeleito nas presidenciais do próximo ano e, pelos vistos, tudo indica que é a principal barreira às pretensões dos interesses mais esconsos. Parece-me ter aspirações de igualizar os velhos czares que trilharam o caminho para a grandeza da Rússia; a ambição que manifesta aponta para a vontade de recolocar o país no estatuto de grande potência mundial. 
Exactamente por isso, o mundo não dormirá descansado enquanto os russos sentirem o frio nas barriguinhas dos seus filhos. 

O Ocidente não teve homens à altura quando o Muro de Berlim caiu. 



E por cá continuamos a assistir ao triste espectáculo de um país sem rumo. 
Os estudantes da Faculdade de Direito fecharam as instalações a cadeado. 
E não é que para além do preço das propinas, protestam contra o facto de a nota de acesso à oral ter descido para sete valores? 



Pois eu espero que a Professora da Matilde não seja tão indulgente. 

E hoje os alunos fizeram exercícios com palavras, ao que se seguiu uma ficha de avaliação de Matemática. 

O meu pardalito já escreve sem recurso a cábula. 



Afinal, o esquentador não tinha qualquer avaria. 
O técnico da assistência veio cá, olhou e… Mudou a pilha. 



Parece que a Matilde ultrapassou a fase em que amuava quando os jogos não lhe corriam de feição. Curiosamente, o mesmo sucedera com a irmã, mais ou menos por volta da idade que a mais novinha tem agora. 
Nestes últimos dias, tenho reparado que as partidas de ludo e outras do género decorrem sem qualquer contestação dos números que os dados apresentam. 
Apesar disso, antes do jantar, preferiu brincar sozinha com os tractores da sua quinta enquanto a Margarida e a Beatriz jogavam monopólio.



“-Ó pai, o que é que quer dizer dengoso?” 



A chuva persiste em remeter-nos para os interiores, mas a Lua, a espaços, faz-nos caretas por detrás de uma cortina que a sua luz arroxeia. 

“Por você vou roubar os anéis de Saturno.” 
E não é que eu concordo com a Rita Lee, meu amor? 


 Alhos Vedros 
   09/12/2003

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Auto-retratos, Ágora, Fundação Berardo e CACAV, Foto de Lopes Mourinha


LITANIA DA SOMBRA


Não perguntem nada: nós estamos dentro
do aro de frio, no frio do muro,
tão longe, tão longe da feira do Tempo!
Não perguntem nada.
                                        Nós estamos mudos.

Puseram açaimes nas ventas do vento,
ergueram açudes nas águas do Mar…
Não perguntem nada: nós estamos dentro,
ou fora de tudo.
                             Não perguntem nada.

Tumulto na estrada? O bicho na concha.
Miséria na casa? O farol na montra.
Não perguntem nada, não perguntem nada:
há sempre de gládios
                                      a ríspida sombra.

Não perguntem nada: as razões são longas.
Não perguntem nada: as razões são tristes.
Não perguntem nada: nós estamos contra.
E talvez perdidos.
                                E talvez perdidos.


david mourão-ferreira


Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Palácio da Comenda - Quinta da Comenda, Arrábida

por Fernanda Gil

                                                                                                                                                                                                                PALÁCIO DA COMENDA

Há coisas que nos acompanham ao longo da vida no nosso mundo dos sonhos - é o caso do Palácio da Comenda.

Erguendo-se altivo numa encosta da Arrábida, olhando sobre o Sado, Albarquel e Setúbal, e para a serra no outro (as primeiras 3 fotos do álbum não são minhas, obviamente, foram retiradas da net), sempre me lembro de frases como: "ali é que eu gostava de morar"; "quando me sair o euromilhões compro aquela casa"... e hoje, quando finalmente lá entrei senti um aperto no coração pelo estado em que o encontrei, ao mesmo tempo que me maravilhava com a forma espantosa como cada canto daquela casa foi aproveitada, como seja de onde for que olhemos, uma janela, uma varanda, o jardim, a vista é sempre soberba...

HISTÓRIA

A história da Quinta da Comenda remonta à época romana, segundo aponta o memorando técnico com base nos vestígios encontrados na região.  Aliás, revela o documento que na serra da Arrábida existem ainda vestígios de "numerosas cetárias", tanques retangulares destinados à salga de peixe e marisco.

Bem mais tarde havia de aqui nascer a torre de vigia de Mouguelas (cariz medieval), sendo então conhecida como Comenda de Monguelas,  e já no século XIX uma primeira casa de habitação, construída sobre a própria estrutura abaluartada da Plataforma de São João.

Na sua edição de 18 de Março de 1877, o jornal Gazeta Setubalense informava: “Esteve quinta-feira nesta cidade o sr. Conde Armand, distinto diplomata, ministro da França em Lisboa. S. Exª foi visitar a pitoresca propriedade que possui no sítio da Comenda.” A dita propriedade estava na posse do francês Armand desde o início de Março de 1872 por compra que este fizera a Henrique Maria Albino, morador em Beja, por “cinco contos de réis”. Ernest  Armand, viúvo, era o representante do governo francês em Lisboa. Em 1870, alugara o Palácio de Santos para aí instalar a Legação francesa, imóvel que o governo francês acabaria por comprar em 1909, aí mantendo a sua representação, mesmo depois que a Legação foi elevada ao nível de Embaixada em 1948.

Armand, Abel Henri George, faleceu no final de Abril de 1919, passando a propriedade para os herdeiros – a esposa, Condessa de Armand, Françoise de Brantes, e cinco filhos. Mais tarde, em 1952, o registo da propriedade era feito em nome da Sociedade Agrícola da Quinta da Comenda de Mouguelas, constituída pelos descendentes de Abel George.

No Verão de 1965, a Casa da Quinta da Comenda, em plena serra da Arrábida, recebia dois dos seus mais ilustres visitantes. Lee Radziwill, irmã de Jacqueline Kennedy, viúva do presidente norte-americano J.F. Kennedy, e o seu inseparável amigo, o escritor Truman Capote. Era habitual a família Armand ceder a casa - conhecida como Palácio da Comenda - a personalidades ilustres do círculo da melhor aristocracia europeia e portuguesa. Afinal, a quinta estava debruçada sobre uma das "melhores costas mediterrânicas", comparada à época com a Sardenha ou a Côte d"Azur, mas com a vantagem de oferecer os mesmos esplendores estivais num ambiente "muito mais pacato e tranquilo".
Nos anos 80, a Quinta da Comenda seria adquirida por António Xavier de Lima, que, em conversa com o jornal O Setubalense, publicada na edição de 17 de Abril de 1989, dizia: “Enquanto a Comenda for minha, nenhuma árvore será derrubada”. Com efeito, uma das apostas levadas a cabo pelo Conde Armand no início do século XX foi o da riqueza da flora, quer pela preservação das espécies existentes, quer pela plantação de outras – Henrique das Neves chamava a atenção no seu artigo para o parque que o Conde pretendia construir e para uma plantação “de cerca de 1000 pés de palmeira” que tinha visto a cerca de um quilómetro da residência da Comenda.

O Palácio é composto por cinco pisos, tendo sido alvo de diversas intervenções de beneficiação, tanto a nível da fachada, como do interior. Todos os pisos estão ligados verticalmente por duas escadarias, uma de serviço que corre todos os pisos, e outra de ligação entre o 1º Piso e o 2º Piso, ligando a área social aos quartos privativos.

Rés-do-chão
No piso térreo do Palácio está instalada a cozinha, totalmente equipada, bem como área destinada à recepção, casa da caldeira, diversos quartos, quartos para arrumos, dois WC’s e um elevador de ligação às cozinhas entre o R/C e o 1º piso.
1º Piso
No primeiro piso existe o hall de recepção, com azulejos pintados à mão e tecto em madeira, três salões com tectos trabalhados, lareira e varanda com vista para o mar, uma suíte com três quartos com lareira e WC privativo, um WC comum e a escadaria em madeira de acesso ao piso superior, onde estão os quartos.
2º Piso
No segundo piso estão instalados seis quartos com WC e uma suíte com dois quartos, uma lareira e um WC duplo.
3º Piso
No terceiro piso existem dez assoalhadas e dois WC`S.
4º Piso
Miradouro - existe um salão que assume a função de miradouro, proporcionada uma vista magnífica.
Praia Privativa.

Actualmente, a Casa da Quinta da Comenda, conhecido como Palácio da Comenda, na Serra da Arrábida, está em fase de classificação do edifício como Imóvel de Interesse Municipal.
A proposta da Câmara Municipal de Setúbal  alerta que a Casa da Quinta da Comenda, além de obras “descaracterizadoras, mas completamente reversíveis”, após a transferência da propriedade nos anos 80 da família Armand para António Xavier de Lima, entrou, desde a morte deste, num “processo de abandono e degradação que se considera urgente reverter”.

Fontes: Câmara Municipal de Setúbal, João Reis Ribeiro, Outros                                                                                                                

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Anjo




Lembrei-me de partilhar este trabalho onde se torne oportuna a sua aparição.
(Eu chamo-lhe Omael, pode ser?)

Anjo na Carne
Técnica mista sobre tela 
60 X 80

Deixo um sorriso 
Grata 
beijinho
até breve
Ana Pereira

Nota: o parêntesis é do editor. Pode acompanhar e adquirir trabalhos da autora na sua página do facebook AQUI

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O QUE INTERPRETAMOS


por José Pais de Carvalho

Encontrar nas nossas vidas o que é essencial e destrinçar o que é acessório é, antes de mais, termos o discernimento de entender o que nos traz satisfação interior. E não é uma tarefa fácil. Na verdade estamos sempre sujeitos a uma escolha, mas esta depende muito da consciência que temos e não tanto da cultura na qual estamos inseridos, porque esta é o reflexo de como somos e pensamos.

Há dois aspectos dentro de nós com os quais convivemos. Um deles é o ego, a causa de todos os nossos problemas. É este que nos dá a perspectiva singular e divisível do que apreendemos e faz agarrar-nos às emoções e ao objecto delas, restringindo-nos a interpretação. O outro é a nossa verdadeira identidade, a que se revela quando, em momentos específicos, o nosso pensamento pára.  Ao que acontece nesses períodos, surpreendidos, erroneamente chamamos por coincidências, porque, numa atitude receptiva, permitimo-nos dizer que tivemos uma intuição ou no caso do artista, criou-se uma obra de arte. Até mesmo em nossas vidas, sem nada o fazer esperar, já se desbloquearam coisas que nem sabíamos como as resolver.

O ego é, pois, sustentado pela visão que temos do mundo. Remete-nos ao medo do que não conhecemos, o que nos leva a criar soluções dentro dos limites do nosso mapa emocional e comportamental. No entanto, dá-nos uma falsa ideia de criação, que não é mais do que mera construção. O seu âmbito de acção está no domínio intelectual que constrói conceitos, abstracções e interpretações - individualizando, analisando, categorizando. O que significa fazer um universo de diferenciações e contrários. Estes contrários, por si só, originam a ambiguidade e tampouco são sinónimos de opostos. Mas a interpretação de algo não necessita desta ambiguidade nem das suas consequências.  A polivalência de sentidos e as infinitas interpretações levam-nos a um distanciamento de nós mesmos, à confusão e às doenças mentais.

E é desta maneira que confundimos a realidade com a sua representação, a nossa identidade com a nossa mente – logo, nós não existimos porque pensamos, mas porque somos um todo que vai muito para lá do cérebro e dos cinco sentidos.

Essa maneira de usar a racionalidade impossibilita qualquer princípio de unicidade. Ainda que nos possa dar uma aproximação da realidade, a visão dualista não nos permite entendê-la. Ela nunca é fruto da experiência. Por esta razão é geradora de profundos conflitos existenciais, familiares e sociais.

Não estou com isto a dizer que a racionalidade é inútil, mas antes a chamar a atenção de que, no âmbito do conhecimento por via do intelecto, é útil quando queremos construir uma máquina, mas nunca para adquirir o conhecimento de nós próprios. Este conhecimento adquire-se através da experiência e é, a partir desta, que se interpreta.

Do mesmo modo, quanto mais nos limitamos a interpretar o mundo à luz dos factos e dos acontecimentos mentais, mais perdemos a noção de que o fazemos baseados nas nossas próprias concepções, e isso perturba-nos  a visão sobre nós próprios e do mundo, enchendo-nos de emoções prejudiciais e  conflitos, afirmando constantemente a nossa individualidade, enchendo-nos de conceitos e pré-conceitos, vincando a separabilidade de tudo ou qualquer coisa.

Dizendo de outro modo, a visão que temos, não é só consequência de um conjunto de variantes improváveis de poderem ser entendidas intelectualmente, mas também de condições que se manifestam perante circunstâncias e situações favoráveis; porém,  não nos permitem ver nada mais além desses limites da visão. Por isso, cada um de nós tem caracteres, tendências e interpretações diferenciadas e uma perspectiva única de nos olharmos e ao mundo. Poderemos dizer que os apetrechos inatos que possuímos são o necessário para cumprir a nossa vida.

Na perspectiva de nos libertarmos da ignorância, desenvolvemos as nossas qualidades, mas também corrigimos os nossos defeitos. Estudamos, pensamos, treinamos habilidades, desenvolvemos a capacidade de elaborar conceitos, ideias, trocamos opiniões. No fundo, debatemo-nos para ultrapassarmos a ignorância, procurando soluções próprias.

E afinal o que interpretamos? Ou uma perspectiva estritamente intelectual do senso comum que nos leva a infinitas interpretações abstractas e, como consequência, aos caos emocional e existencial. Ou compreendemos a nossa emocionalidade através da nossa experiência de vida, da nossa percepção e sensações, onde o intelecto posteriormente interpreta.

São estes dois os movimentos possíveis entre os quais nos deslocamos. Um, o que definitivamente nos distancia, e outro que nos leva ao encontro de nós mesmos. Não é por sabermos teorias, munirmo-nos de muitos conceitos e encontrarmos diferenças em tudo que nos tornamos melhores ou piores; e tampouco isso permite-nos ter satisfação. Já o movimento contrário leva-nos a saber discernir e perceber o nosso verdadeiro objectivo na vida ao encontramos aquilo que nos deixa intimamente satisfeitos e em paz, e é quando a multiplicidade, que torna a nossa vida num inferno, desaparece.

Mas essas escolhas têm de ser feitas não só para a nossa vida pessoal, como também para os objectos dos nossos interesses e estudos. Por exemplo, em literatura, na interpretação, a análise da diversidade de sentidos, da intenção do autor, da intenção do texto ou das qualidades do leitor, entre outros, só podem ser entendidas como uma forma limitada. Todos estes aspectos são de natureza intelectual, por conseguinte, mentalmente construídos, permitem-nos a análise, a suspeição, as descrições de estruturas, de modelos, mas no contexto do autoconhecimento e do conhecimento do ser humano na sua essência e natureza nada trazem que melhore as nossas qualidades e potencialidades, nem o entendimento da existência humana. O contexto do conhecimento intelectual traz-nos infindáveis possibilidades, contudo inúteis, porque estas nunca poderão chegar a qualquer finalidade para além do aspecto formal.

Tal como num jogo, os jogadores podem, ao longo da sua carreira,  ganhar melhor capacidade física, desenvolver melhores estratégias técnico-tácticas, mas o jogo é sempre o mesmo: se ganham uma vez, terão de voltar a ganhar, se perdem, têm de conseguir ganhar no próximo. A interpretação, no ponto de vista tradicional, é igual a um jogo, um círculo fechado, estéril. Em nada evoluímos, nem progredimos. Pelo menos numa perspectiva existencial.

Através das experiências da Fisica moderna e à medida que se penetra na natureza do universo, o físico tem de abandonar a sua linguagem para descrever essas mesmas experiências; nós, de igual modo, quando vivenciamos esses mesmos fenómenos, não temos palavras para os descrever.

O que difere entre ambas as perspectivas parece estar na particularidade de, individualmente, podermos vivenciar os fenómenos, enquanto nas experiências científicas se podem descrever e interpretar (interpretações essas chamadas teorias ou modelos). E aqui há, não só uma convergência no pensamento, mas idênticas descrições dos fenómenos.

A diferença entre aqueles que, pela experiência, vivenciam o fenómeno e as conclusões dos cientistas, reflecte-se em  que, estes, o fazem por via intelectual e os primeiros pelo que integram quando é vivido. Ou seja, pode-se explicar a diferença através de um exemplo muito simples como é andar de bicicleta. Pode-se explicar como temos de nos equilibrar em cima dela, como pedalamos e travamos, descrever os meios que utilizamos para andar, mas isso não nos permite saber andar de bicicleta. É preciso praticar, sentarmo-nos nela e colocar esses aspectos teóricos em prática, e se não tivermos essa experiência que nos permite equilibrar, pedalar, travar, olhar para os lados que, no fundo, é o que se chama andar de bicicleta, então não sabemos andar de facto de bicicleta.

Reparo que cada vez mais as pessoas procuram dar um sentido ao sentido que a vida tem, mas também que, cada vez mais, se torna distante essa possibilidade. Provavelmente, porque não sabem o que procurar ou reconhecer a sua meta.  No fundo, a vida é simples, também precisamos de parar um pouco e ficar apenas a observar. Sermos espectadores de nós próprios.

O que escrevo, por exemplo, se não vivido também por outras pessoas, está sujeito a todo o tipo de criticas, comentários e divergentes opiniões que se baseiam nos mais diversos aspectos intelectuais. Essas divisibilidades não são tão perceptiveis quando se trocam ideias, devido à  própria natureza da linguagem; contudo agarramo-nos a conceitos da mesma maneira como as pessoas  que  se agarram demasiadamente a factos e, quantas vezes  isso nos afasta delas, porque percebemos que são muito comesinhas, mesquinhas, conflituosas, que  se agarram a tudo e, até sem querer, acabam por transformar tudo num conflito, sempre a confrontar-se com o que o outro disse e fez ou faz.  Portanto, quanto mais nos agarramos aos factos e a construções mentais, menor é a possibilidade de entender o que vemos e  o que escutamos.  A  isto chama-se ignorância no contexto em que o apresento.

Por outro lado, quando temos a receptividade de sermos espectadores de nós mesmos e não ficarmos a fazer comparações com os outros e a pôr em causa tudo o que nos é exterior, quando, de facto, fruto da nossa vivência, entendemos o que o outro nos transmite, porque este também já vivenciou o mesmo, então estamos naturalmente de acordo. Nada nos pode perturbar. O silêncio, usando-o como figura de estilo ou de uma forma linear, é a expressão do conhecimento vivenciado, do Verbo para alguns, para outros da experiência.

É, pois, esta simplicidade o lugar do conhecimento onde não há segredos, sentidos ocultos, nem mistérios.

José Pais de Carvalho
Sintra, 2015

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

HISTÓRIAS DA TERRA ENCANTADA
15

Através dos vestígios que esses nossos antepassados nos deixaram. 
Bem, vestígios dos mais variados tipos. Para os mais antigos estamos a falar apenas do que restou dos seus próprios corpos. 
Sim, os ossos, mas também dentes, por exemplo. Em qualquer dos casos quase sempre apenas partes do esqueleto ou especificamente dos maxilares correspondentes. 
Muito mais tarde, à medida que esses seres foram descobrindo formas exteriores aos seus corpos de se auxiliarem para a satisfação das suas necessidades e, especialmente, depois de inventarem ferramentas para procurarem alimentos, a partir de então começaram a deixar também esses indícios da sua presença. 
Em pedra, pois claro. São as mais antigas que se conhecem. 
É possível que tenham usado outros materiais, por exemplo, provenientes do reino vegetal. Mas se o fizeram, ou não chegaram aos nossos dias ou, se por ventura ainda existirem, pelo menos por enquanto, nós não somos capazes de os reconhecer como objectos que, de algum modo, tenham sido manuseados pelos nossos mais remotos ancestrais. 
Boa pergunta e dir-se-á, com alguma segurança que, para um não especialista, nem sempre será fácil proceder a essa distinção entre as pedras que foram e as que não sofreram qualquer alteração intencional provocada pelo homem. Mas a actividade científica habilita-nos a identificar com alguma certeza as pedras que foram objecto de intervenção desses animais. 
Há lascas, só para olharmos um caso, que só poderiam ser obtidas a partir de certas fracturas provocadas por uma acção exterior que, se fosse fruto de causas naturais, certamente não produziria, tal como se verifica em centenas de exemplares, os mesmos efeitos. Daí que seja de presumir que a autoria decorra da mesma espécie e manifestamente com o propósito de criar esses mesmos utensílios. 
Tal como dizes. Com a passagem do tempo, o que neste domínio significa uma escala de dezenas, centenas de milhares de anos, foi com o acumular das experiências de inúmeras gerações que essas criações culturais se multiplicaram e, por isso, os vestígios que hoje podemos encontrar não são só em maior número como mais diversificados e a partir de uma dada altura, não apenas em pedra mas também em outros materiais. 
Osso, por exemplo. 
Sim, para estas épocas, digamos assim, mais recentes, continuam a ser da máxima relevância os restos físicos, propriamente ditos, desses seres. Mas a esses juntam-se esses outros testemunhos fruto da actividade cultural da espécie e que vão desde ferramentas aos restos das mesmas, até aos próprios lixos que esses grupos foram produzindo e abandonando. 
Pois, tudo isso é obtido através das pesquisas e dos estudos científicos, mas isso ficará para a próxima conversa, pode ser?