quarta-feira, 19 de abril de 2017

COLÓQUIOS DA LUSOFONIA


AGRADECIMENTOS E CONCLUSÕES DO 27º COLÓQUIO BELMONTE 2017


Com mais de cinquenta pessoas inscritas e um excelente clima soalheiro decorreu o excelente 27º colóquio em Belmonte que registou dezenas de presenças locais a assistirem aos trabalhos em muitas sessões.  
O autor homenageado era o escritor açoriano Urbano Bettencourt com três convidados de Honra, Dom Carlos Ximenes Belo, o cientista José António Salcedo e o escritor Miguel Real.
  
Além das sessões habituais sujeitas aos temas LUSOFONIA E LÍNGUA PORTUGUESA, AÇORIANIDADE E TRADUTOLOGIA houve uma sessão das Academias, uma sessão especial da AGLP (Academia Galega da língua portuguesa) e outra da UBI.  

Fomos recebidos juntamente com Dom Carlos Ximenes Belo numa sessão de boas vindas na Câmara Municipal com todo o pessoal camarário onde houve troca de galhardetes, incluindo uma miniatura da notável peça arqueológica reproduzindo a Torre de Centum Cellas.

A sessão de abertura com a presença do presidente da edilidade e o presidente da empresa municipal, tal como a de encerramento tiveram, respetivamente, a presença do autor homenageado e dos convidados de honra e patronos. Logo no primeiro dia fomos convidados a regressar e - posteriormente - surgiu uma proposta de fazermos de Belmonte a nossa sede em Portugal para os colóquios, o que seria decidido pela Direção da AICL após a Assembleia Geral e a definição do colóquio nº 29 na Galiza em Santiago de Compostela.

Tivemos três apresentações literárias e quatro recitais de Ana Paula Andrade (uma a solo e outras acompanhada pelo violoncelista Henrique Constância e duas representantes da Escola de Música de Belmonte), além do grupo Coro Animato de pais e encarregados de educação dos alunos da Escola de Música.

A participação local em sessões culturais centrou-se na Academia Sénior e na Escola de Música de Belmonte e numa forte componente museológica que incluiu a Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais, Castelo e seus núcleos interpretativos, a Torre de Centum Cellas, a sinagoga e os museus do Azeite, dos Descobrimentos, Judaico, Ecomuseu do Zêzere.

Conclusões: 
  1. Aceitar a proposta da EMPDS e da Câmara Municipal de sediar os próximos colóquios de forma definitiva em Belmonte 
  1. Aceitar a proposta de revitalizar o nosso projeto de 2009 do Museu da Lusofonia e construir nos próximos dois anos o primeiro módulo dedicado ao período de início da língua galaico-portuguesa até Carta de Pero Vaz de Caminha, a fim de poder ser incluído no Museu dos Descobrimentos. Foi já criada uma equipa multidisciplinar liderada pelo Professor Malaca Casteleiro, coadjuvado pelas professoras Maria Francisca Xavier e Maria de Lourdes Crispim, a que se juntarão representantes da Academia Galega da Língua Portuguesa. A preparação de imagens e textos deverá estar pronta no prazo de um ano a fim de a entregarmos à EMPDS para encomendar a sua transposição para elementos interativos. Posteriormente iremos tratar do segundo módulo, com a inclusão de línguas nativas da era dos Descobrimentos e posteriores (tupi, guarani, etc.) e sua evolução até aos nossos dias. 
  1. Aceitar a proposta da EMPDS de editar em livro as comunicações deste 27º colóquio, sendo pedido a todos os oradores que enviem as versões finais dos seus trabalhos até 30 de abril 
  1. Protocolar um convénio com o Belmonte Sinai Hotel a fim de podermos manter os mesmos preços competitivos no próximo quadriénio 
  1. Fixar as datas dos PRÓXIMOS COLÓQUIOS, faltando apenas protocolar acordos para o 33º e 35º 
28º VILA DO PORTO 27 outº 1 NOVº 2017 
29º SANTIAGO DE COMPOSTELA 20-25 abril 2018 
30º BELMONTE 3-7 outº. 2018 
31º GRACIOSA PÁSCOA 22-26 abr 2019 
32º BELMONTE 3-6 outº. 2019 
33º MADALENA DO PICO OU VELAS PÁSCOA 2-5 abril 2020** 
34º BELMONTE 1-5 outº 2020 
35º S. MIGUEL (Maia, Moinhos de Porto Formoso, Nordeste) OU Velas, S. Jorge 25-28 março 2021** 
36º BELMONTE 1-5 outº 2021 
** a protocolar em devido tempo 

Agradecimentos  
QUEREMOS DEIXAR AQUI OS NOSSOS AGRADECIMENTOS a todos os que connosco colaboraram para este sucesso, começando pelos nossos convidados, homenageados e demais autores 
Dom Carlos Ximenes Belo, cientista José António Salcedo, Miguel Real, Urbano Bettencourt (autor homenageado 2017), Eduíno de Jesus (decano dos escritores), Norberto Ávila, Álamo Oliveira, Brites Araújo, Mª João Ruivo, Carolina Cordeiro, Pedro P. Câmara, António Ponces de Carvalho,  Carla Guerreiro e Lídia Santos, à maestrina Ana Paula Andrade e Henrique Constância, bem como à AGLP e UBI e ainda aos colegas que me ajudaram na minha sessão de poesia a cinco vozes (Luciano Pereira, Concha Rousia, Brites Araújo e Carolina Cordeiro) 
Igualmente agradecemos às nossas comissões, em especial a Helena Chrystello e José Soares, todo o pessoal da EMPDS / CMB que incansavelmente esteve connosco quase todo o tempo, a saber Eng.º Joaquim Costa, Susana Miranda, Elisabete Manteigueiro e o luminotécnico e sonoplasta Marco Santos Silva, que além da sua presença constante ainda nos serviram de guias nas várias visitas que fizemos.  
Um agradecimento muito especial ao Presidente da Câmara, Dr António Pinto Dias Rocha, pela sua disponibilidade, e hospitalidade e visão ao propor-nos uma sede fixa e pelas suas inúmeras ofertas a todos os participantes.  
Um agradecimento mais ao Sr. José da Sinagoga Beit Eliahu (Filho de Elias), a todo o pessoal (em especial ao Sr. Vasco e Sr. José Belchior) e aos donos do Belmonte Sinai Hotel por nos terem feito sentir em casa e terem prontamente atendido a todos os nossos pedidos e retificações. 

Antecipadamente grato pela atenção dispensada, subscrevo-me Att. 


Com os melhores cumprimentos 
 
  
J. CHRYS CHRYSTELLO (Dr., MA, BSc),13-04-2017 
Presidente da Direção AICL, [Colóquios da Lusofonia] 
Portal www.lusofonias.net     

terça-feira, 18 de abril de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

VAMOS LÁ CANTAR AS JANEIRAS


Bem, quero aqui registar uma observação a um subtil argumento incerto num artigo de Pacheco Pereira e que me parece ser recorrente em muitos actores dos círculos de poder político quando à conversa vem a imagem que deles o povo faz. 
Referindo-se às denúncias anónimas no “processo Casa Pia” diz que se muitas delas têm por motivação a simples vingança, outras terão no “(…) ressentimento contra os políticos (…)” (1) a sua principal razão de ser. 
Assim será, diremos nós, mas acrescentamos que não será por isso que nos absteremos ou que nos devamos abster de ter e apresentar os nossos pontos de vista sobre o assunto. É que nós somos pessoas de bem e, em conformidade, não guardamos ressentimentos contra alguém. Tomamos por boa aquela velha sabedoria de não fazermos ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem pelo que respeitamos o nosso semelhante – somos todos irmãos humanos de uma mesma espécie e, se quisermos, todos Seus filhos – sendo esse, justamente, o pressuposto da nossa relação, não nos custando pois pedir perdão quando erramos e fazemos mal a alguém, do mesmo modo que retribuímos de bom ânimo a acção oposta. 
Quando falamos da mediocridade dos políticos, do clientelismo, da corrupção e do oportunismo e, por isso, protestamos e esticamos o dedo directamente às feridas, verificamos que são mentes pragmáticas as daqueles que mais falam de ressentimento e para estes, o género de discurso que é o nosso mais não é que uma relíquia museológica, o que não tem mal algum, protestamos na mesma e subimos o tom dos protestos, até que se transformem numa varredela naqueles que nos sugam o sangue e o tutano e o dinheirinho dos impostos. 
Ora sem a devida ponderação, pois não negaremos que haja ressentimento em algumas vozes críticas, direi que o reparo em causa pode ter efeitos perniciosos no que nos pode remeter para o silêncio. 
Foi Jomos Kenyata que um dia disse, numa conversa com os fazendeiros brancos das férteis highlands do Quénia, em vésperas da independência daquela então colónia britânica, “-All we want it’s the power.” 
Pois nós não, nós não queremos o poder, sequer sentimos o apelo para tal, mas queremos controlá-lo, pretendemos certificarmo-nos de que ele é exercido no interesse das populações e exigimos dispor dos mecanismos para o forçar a tanto ou, no mínimo, para o impedir de ir contra isso. Julgamos que estes são direitos democráticos que nos assistem. 
Se isto se trata de ressentimento… 



Ontem, ao fim da tarde, a Luísa desmontou o presépio e a árvore de natal. 
O pai arrumou a tralha no sótão e levou o pinheiro para o lixo. 



Em Marrocos foi libertado um jornalista que tinha sido preso por críticas ao Rei. 



E hoje os alunos fizeram diversos exercícios e fichas sobre as matérias aprendidas. 
A Matilde trouxe a informação sobre a ida ao teatro no próximo dia onze de Fevereiro e eu assinei a respectiva autorização. 



Esta tarde, antes da saída para a ginástica, lá escutei, uma vez mais, um trio encantador que parece estar a ensaiar as janeiras. 



A Lua brilha, feita meloa, no lado de lá do vidro da janela do escritório. 


 Alhos Vedros 
  12/01/2004 


NOTA 

(1) Pacheco Pereira, José, ANATOMIA DE UMA FUGA NO PROCESSO CASA PIA, p. 5 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Pacheco Pereira, José, ANATOMIA DE UMA FUGA NO PROCESSO CASA PIA, In “Público”, nº. 5038, de 08/12/2003

segunda-feira, 17 de abril de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (250)

Título: Judith, Autor: Klimt, Ano: 1909
Óleo sobre Tela, 84x42 cm

Mistério

Teu corpo veio a mim. Donde viera?
Que flor? Que fruto? Pétala indecisa...
Rima suave: Outono ou Primavera?
Teu corpo veio como vem a brisa...

Rosa de Maio, encastoada em luto:
O dos meus olhos e o do meu cabelo.
Um quarto para as onze! E esse minuto
Ai! nunca, nunca mais pude esquecê-lo!

Viu-se, primeiro, o rosto e o ombro, depois.
E a mão subiu das ancas para o peito...
— Quem és? Sou teu... (Quando um e um são dois,
Dois podem ser um só cristal perfeito!)

Um quarto para as onze! Caiu neve?
Abri os olhos! Era quase dia...
Ou bater de asas, cada vez mais leve,
De pássaro na sombra que fugia?      

Pedro Homem de Mello

Selecção de António Tapadinhas


sábado, 15 de abril de 2017

"Be"



"Be"

Foto de Lucas Rosa

Clique na gaivota que ela o guiará: Boa Páscoa.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

"Mutatis Mutandis"





"Mutatis Mutandis"

Kity Amaral

óleo sobre madeira
60x90cm/2001
coleção particular
BRASIL


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pedro Du Bois


EXIGÊNCIAS
(Pedro Du Bois, inédito)

 O rito exige o desassossego
do artista no plano
em que se apresentam
cenas improvisadas

o rito exige respeito ao momento
em que o poeta desrespeita
o tempo na hora em que palavras
atropelam o rigor e o texto explode
                                          no papel

o rito exige o cumprimento
negado ao que ocorre
na memória recuperada
quando me vejo em você.

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REQUIREMENTS
(Pedro Du Bois, unpublished)
(Marina Du Bois, English version)

The rite requires an uneasiness
of the artist when
improvised scenes
are presented

the rite requires respect to the moment
when the poet disrespects
the time when words
run over rigor and the text explodes
                                              on paper

the rite requires the denial
greeting of what happens
in the recovered memory
when I see myself in you.

outros poemas: https://plus.google.com/u/0/108438516741639533660


terça-feira, 11 de abril de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

CHEGARAM AS ANDORINHAS

É possível identificarmos um elemento mínimo num sistema de ensino através de um pequeno jogo. 
Bem, na presente circunstância não podemos ter a pretensão de elaborarmos uma análise com o rigor e a minúcia que um estudo científico implica, mas não é por isso que nos veremos obrigados a pôr aquela completamente de lado e nem o aludido escolho, apesar do que escrevemos, nos impede de fazermos uso de certos preceitos e princípios de um trabalho naqueles domínios. 
Assim, aqui entendemos sistema de ensino como o conjunto de elementos que, coordenados e interligados ou não, estão relacionados com o produto final daquilo que é o acto de transmitir conhecimentos e competências a outrem. 
Escolhemos esta visão mais alargada e abrangente para que a possamos aplicar a um maior número de casos quer espacial quer temporalmente. Deste modo, tanto consideramos as escolas particulares do início do século dezanove como as lições nas cidades gregas da antiguidade clássica ou a formação de escribas no Antigo Egipto, tal como a realidade dos estabelecimentos de ensino na actualidade. 
O jogo consiste em imaginarmos um quadro em que registaríamos todos aqueles tipos de unidades e as respectivas particularidades a partir das quais adquirem aquelas consistência. 
Finda esta tarefa inicial, perguntaríamos sobre a existência ou não de alguma partícula que em todas elas se repetisse. 
A resposta seria o cenário em que se desenrola a transmissão de uma mensagem entre indivíduos o que traduzido para os nossos tempos se consubstancia na sala – o espaço, se quisermos, em termos genéricos – de aula ou nos seus equivalentes. 
Por mais incrível que pareça é este o elemento mínimo de um sistema de ensino. É aí que devemos identificar o ponto de partida para aquele, pois é lá que se reúnem as partículas sem as quais deixaria de existir o sistema em causa e, concomitantemente, é também aí que todas as nossas teorias devem ser testadas como válidas ou não, obviamente de acordo com os objectivos estabelecidos. Prosaicamente, um sistema de ensino será tanto melhor quanto em esses lugares de aprendizagem se conseguir que as metas propostas sejam atingidas com sucesso. 



“-Hum! Finalmente apareceu.” –Ouviu-se à Matilde, provavelmente ao encontrar algum brinquedo, pois estamos na hora em que os trabalhos já foram cumpridos. 



Pois eu, esta tarde, tive o meu pequeno espectáculo particular. 
Enquanto gozava um rebanho sobre o tapete verde, aqui e ali colorido por manchas amarelas e brancas das flores de Inverno, dei conta do voo de andorinhas no céu. 



O segundo canal da televisão pública parece ter melhorado com a renovação que desde o princípio do ano está em curso. 
Ainda um pouco enlatada, a grelha reúne programas interessantes e, mantendo-se o actual modelo, é de crer que o tempo traga melhorias qualitativas não só em termos dos conteúdos, como ainda no que se refere às prestações daqueles que ali prestam serviço. 
Tudo indica que vale a pena voltar a tomar atenção aos documentários e séries documentais anunciadas. 
Mas também tudo leva a acreditar que poderemos dar de caras com algumas conversas proveitosas e o telejornal da noite, às vinte e uma e trinta, tem sido sucinto e sóbrio sem com isso deixar de atender a temas pertinentes de âmbito nacional e internacional e só a esses. Neste particular, só é pena que as reportagens continuem as mesmas de que se fez uso no primeiro canal o que, por escassez de recursos, se compreende. Contudo, não inviabiliza isso que pensemos que a concorrência entre os dois canais públicos, a esse nível, talvez induzisse melhores desempenhos em ambos os casos. 

Seja como for, lá que a dois está melhor do que o seu antecessor segundo canal, lá isso é verdade. 



Dia bonito, cheio de cambiantes no céu que propiciam jogos de contra-luz nos ramos esquálidos e nus que as árvores apresentam. 



E agora vou imprimir e corrigir os primeiros artigos com que conto iniciar uma coluna no “Rio”, subordinada ao tema geral do ensino e do papel das associações de pais nesse fenómeno. 



O bastonário da ordem dos advogados é que continua infatigável. 
À saída de mais uma visita à cadeia, onde sempre sofre, segundo confessou aos jornalistas presentes que, certamente, ali estavam por adivinhação, o ilustre causídico propôs que o organismo a que preside, colaborando com a tutela, venha a instalar gabinetes de apoio jurídico nas penitenciárias. Tocante, não é? 

Isto não é demagogia 
é talvez hipocrisia, 
pois há pouco poucochinho 
nem um preso gemia 
na quieta melancolia 
das prisões deste cantinho. 
Fui ver. 

Era a politicazinha do chafariz da tradição cultural do século dezanove português, caciquista e caceteiro, o dá-lhes o chafariz que eles precisam de água encanada e de um sistema de esgotos, mas a bica, inaugurada a preceito, calará o pé descalço que o manga-de-alpaca esquecerá com o tempo e as discussõezinhas de cada momento. 

Os ricos e os poderosos conquistaram a imunidade em Portugal. 
Será que não daremos a volta ao problema? 



Foi concedido o estatuto de prisioneiro de guerra a Saddam Hussein. 


 Alhos Vedros 
  11/01/2004

segunda-feira, 10 de abril de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (249)


Estudo de Mulher, Rodolpho Amoêdo, 1884
Óleo sobre Tela, 150x200 cm 



Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada... 

Olho a roupa no chão: que tempestade! 
Há restos de ternura pelo meio, 
como vultos perdidos na cidade 
onde uma tempestade sobreveio... 

Começas a vestir-te, lentamente, 
e é ternura também que vou vestindo, 
para enfrentar lá fora aquela gente 
que da nossa ternura anda sorrindo... 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós 
a despimos assim que estamos sós! 

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal" 

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 8 de abril de 2017

“Paz Em Marcha Pela Paz”



Sirvam-me a paz numa bandeja…
E não me importarei se for de ouro
A prata também não me incomodara
Será igual se for de vime ou palha

Soltarei uma pomba branca…
Visto uma camisola da mesma cor
Serei alegre com a ocasião
Paraliso a atenção na reflexão

A calma será meu modo de vida
Estarei pronto para eternizar o momento
Congelarei para sempre a violência
Adoptarei a atitude da tolerância

O perdão andará comigo no coração
Pegarei um palanque para falar de fraternidade
Comungarei o espirito da solidariedade
Apertarei a mão aos de boa vontade

Abraço a todos os bem-intencionados
Marcharei pacificamente em silêncio
Pretendo ser porta-bandeira da alegria
Cantarei no coro dos que cantam o hino da amizade…

Escrito em na Fazenda Orgânica de Ängavalle, na Província de Scäne (Scania), Sul da Suécia, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 4 de Abril de 2017, por ocasião do Dia da Paz Nacional em Angola, com o intuito de honrar e de celebrar esta importantíssima data para todos os Angolanos de boa vontade e bem intencionados e preocupados com a efectiva e evolutiva modernização do País…

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A IMORALIDADE DA MORAL


Abdul Cadre

 Histon, 2 de Abril de 2017

Andava eu no secundário, e era um tempo em que se impunha à miudagem uma disciplina indecente a que os ditadores da formatação ideológica e da castração do espírito crítico chamavam «Religião e Moral». Creiam que era uma coisa medonha que chegava a ser repugnante. Imoral, pode dizer-se.

No entanto, veja-se o paradoxo, isto proporcionou alguns resultados positivos, que não estavam previstos nas intenções dos cruéis mandadores. Dava-se o caso de alguns dos jovens menos formatáveis criarem anticorpos de tal ordem que tudo o que ali se dissesse, por verdade que fosse – e é claro que não era – logo era tido por mentira.

Num dos anos, nesse tempo de tortura, aparecia-nos a dar aulas um padre, que era uma caricatura digna de ilustrar A Velhice do Padre Eterno. Baixote, a condizer com o seu próprio carácter, todo vestido de gato pingado, tinha tonsura e guarda-chuva e começava todas as aulas com um peditório, ou antes, uma extorsão aos pobres desgraçados de quantos tostões pudesse. Era para a Conferência de São Vicente de Paula, dizia ele, e quando a colheita não lhe parecia suficiente, por critérios que só ele sabia, berrava desalmadamente que éramos todos hereges, comunistas, pagãos e outras coisas mais.

Um dia, um mal-avisado gaiato lembrou-se de dizer que, mesmo que tivesse, não dava nem um tostão para aquilo, dado não ser católico e os pais já terem requerido autorização para não assistir àquela catequese.

De que te havias de lembrar, rapaz!
Se ainda fores vivo – isto foi há tantos anos! – estarás de certo lembrado das chapeladas que apanhaste  no lombo e dos impropérios que ouviste…

Bom foi o guarda-chuva, devido a tanta raiva, ter-se partido. Melhor ainda foi ter chovido a  cântaros e o cangalheiro de Cristo, se ter visto obrigado  a regressar ao seu abrigo cavernoso que imaginávamos como próprio de qualquer lobisomem, com a sua encharcada farda de luto colada ao corpo.

Uma contínua, que  muito lamentava a nossa sorte, vendo a nossa satisfação pela molha do padre, chegou ao pé de nós e disse: «não fiquem assim tão satisfeitos, porque erva ruim não morre».

Nós não desejávamos a morte da aventesma, bastava-nos que partisse uma perna.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A ENERGIA E O FUTURO

Ora aí está algo de que o povo da Invicta se deveria orgulhar. 
Os Serviços de Transportes Públicos da Cidade (STCP) que já têm a maior frota de veículos movidos a gás natural preparam-se agora, em conjunto com uma mão cheia de outras cidades numa dezena de países de vários continentes, para experimentarem a utilização de um autocarro movido a hidrogénio que, para já, os cientistas pensam ser uma energia virtualmente inesgotável e limpa. 
Estamos face a face com o futuro. 
É hoje um dado adquirido que os combustíveis fósseis são não só finitos como, a manterem-se as actuais taxas de consumo, terão um prazo de duração que não se poderá prolongar por muitos séculos, para além do pormenor, digamos assim, não menos relevante de não se conseguir que as suas aplicações energéticas deixem de contribuir para o agravamento de problemas atmosféricos globais como o efeito de estufa ou a diminuição da película de ozono. 
Não é pois apenas o futuro da Humanidade que implica a alternativa a este género de recursos; o mesmo se passa quando pensamos em termos de desenvolvimento a nível mundial, na medida em que seria impossível estender os actuais padrões de vida das sociedades ocidentais a todo o planeta tendo por base os actuais meios de transporte baseados nas tecnologias que fizeram a modernidade do século passado. 
Daí a importância de fontes de energia limpas e tão abundantes como é o caso do hidrogénio. 

E a experiência neste domínio em que, entre outras, participa uma cidade portuguesa, deveria ser motivo de orgulho para nós que tão precisados andamos de nos vermos ao espelho com maior auto-estima. 
Mas também é claro que para os pacóvios que falam do Norte e do Porto como a sua capital, é mais importante que o jogo de abertura do europeu de futebol aconteça no estádio do dragão. 


Seja como for, este pioneirismo que é de todo louvável, põe ainda mais a nu a acusação sibilina, por parte de um físico como João Magueijo que denuncia a inexistência de investigação científica e de produção de ciência nas universidades nacionais. Ora não estamos a falar de um cientista qualquer, mas sim de alguém que está a produzir teoria inovadora e a laborar numa das mais prestigiadas universidades mundiais. E ele é peremptório ao dizer ser “(…) impossível fazer ciência em Portugal (…)” (1) e explica porquê. 

O problema é que sem ela não tiraremos todo o partido possível do ensaio de uma energia apontada ao futuro. 


E pensar que tudo isto acontece oito anos depois da vitória eleitoral da paixão que Guterres dizia ter pela educação. 



Pois este sórdido caso do abuso e exploração sexual de crianças da Casa Pia evoluiu agora da palhaçada para a imoralidade mais abjecta. 

Num oportuno congresso de psiquiatria em que oportunamente fora convidada uma especialista norte-americana que oportunamente tem chamado a atenção para a falibilidade dos testemunhos dos pretensos abusados sexuais em criança e de quem a defesa de Carlos Cruz oportunamente queria ouvir o testemunho no processo em que é acusado, nesse congresso oportunamente promovido por um dos gurus que hablán en los medios de comunicacion, com o oportuno desiderato de discutir a fiabilidade da memória, falou o insigne psiquiatra Dr. Pio Abreu para dizer que um abuso sexual feito por uma pessoa famosa é mais fácil de suportar pela vítima. 

Enquanto decorria esta sem vergonhice, nos Açores ficaram em prisão preventiva oito dos doze detidos em mais um caso de pedofilia. 
E o padrão repete-se, gente influente, um médico bem colocado e as vítimas que sobem à tona de muitos anos de silêncios forçados. 



Por sua vez, a democracia, em Portugal, ascendeu ao patamar da farsa. 
Nós ouvimos os políticos que participam num programa televisivo, “O Debate da Nação” e escutamos palavras vãs, sabedoria de cordel e argumentação interesseira. 



Com a primeira sessão de patinagem e a necessidade de reformularem o horário da aula de educação moral e religiosa, ontem, os alunos acabaram por não ter preocupação com a matéria curricular. A manhã completou-se com a educação musical. Mas trouxeram trabalhos para casa. 



E hoje, enquanto a Luísa e as miúdas foram para a festa de anos do Manuel, o filho mais velho da Teresa e do João, eu fiquei em casa para tratar das futuras obras no sótão. 

São amigos de escola primária que laboram no ramo que nos farão o trabalho. 

Esta tarde identificámos o que pretendemos e tirámos as medidas. Segunda ou terça-feira virão mostrar à Luísa o catálogo das janelas e a madeira que fará o tecto. 

Começaremos as obras no início da Primavera. 


Aumentam as necessidades da família e a casa tem de crescer com alegria. 


 Alhos Vedros 
  10/01/2004 


NOTA 

(1) Magueijo, João, FALTA CLIMA CIENTÍFICO, p. 20 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Magueijo, João, FALTA CLIMA CIENTÍFICO, Entrevista por Filomena Naves, In “Diário de Notícias”, nº. 49231, de 10/01/2003

segunda-feira, 3 de abril de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (248)


ODE MARÍTIMA

Poema de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos

Desenho de Pedro Sousa Pereira

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 1 de abril de 2017


ESTUDO GERAL
Mar/Abr              2017          Nº86

"Não defendo este partido, nem o outro; se ambos diferem à superfície e podem arrastar opiniões, aprofundemos nós um pouco mais e olhemos o substrato sobre que repousa a variedade; o mundo das formas levanta oposições que se desfazem à luz do entendimento" (Agostinho da Silva)


Sumário

Dossier: Um Encontro de Escritores em Alcobaça



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