O vôo é largo, é longa a rota
quando é amargo um beijo adoça
e um abraço reconforta
descemos sempre à nossa porta
(...)
Luís Represas, O Vôo da Garça


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Reflexão




Há uma necessidade premente, em cada ser humano, de estar em movimento, querer ajudar os outros, uma dificuldade em estar quieto, como se a quietude seja um estado de inércia. Todos somos energia, e a maneira como a utilizamos é da responsabilidade de cada um. O desejo de movimento compelido é emanado pela mente, e conduz o ser a um desgaste energético, que se manifesta no corpo.
Não há necessidade de fazer tantas coisas como pensamos. O equilíbrio energético requer uma ligação à fonte que alimenta, a Alma, então sim, o que realmente tiver que ser feito, sê-lo-à, em pleno equilíbrio.

A.A.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

FRONTEIRAS DO SABER


Mais um poema para refletir sobre a nossa condição humana e quão pouco sabemos sobre as eternas interrogações da vida. Veja e ouça o poema declamado neste link:


Desejos duma maravilhosa semana.
Euclides Cavaco




quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Etnografar a Arte de Rua (XVII)


GRAFFITAR A LITERATURA


Graffiti fotografado por Luís Souta, 2015.
Av. do Ultramar, velho Hospital de Cascais


«Nada que possa ser feito devagar deve ser feito à pressa.»
(Robert Louis Stevenson)


Este soberbo graffiti, o segundo de maiores dimensões do Muraliza 2015, decora uma das fachadas laterais do antigo Hospital (um espaço público ainda desactivado). O seu autor, o argentino Bosoletti, ofertou-nos a figura de uma mulher serena, a extravasar saúde e beleza; as plantas de cores quentes dissimulam a sua tentadora nudez. E, de imediato, veio-me à memória uma passagem do livro Stevenson sob as Palmeiras do também argentino (hoje cidadão canadiano) Alberto Manguel:
«Em Samoa a nudez das mulheres, que tanto incomodava os missionários, nunca era feia. À noite, quando a gente da aldeia descia à praia para se banhar e ficava a chapinhar nas ondas com as crianças, os cabelos negros, fartos e emaranhados das mulheres abriam-se como anémonas na água, e os hibiscos que elas usavam atrás das orelhas flutuavam em torno dos seus corpos, como ilhas ígneas. Stevenson adorava ficar a vê-las do molhe, contemplando-lhes a pele escura, brilhante e dura como pedra vulcânica.» (2003:14)

Nesta curta obra (71 p., Edições ASA), Manguel ficciona a estadia do escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894) em Samoa (onde viria a falecer). Apesar de saúde frágil desde a infância e que a tuberculose veio acentuar, Stevenson gostava «de ir» pelo mundo (França, EUA, Pacífico Sul). E foi entre os samoanos, tendo por companhia a mãe, a sua mulher americana e os seus enteados, que viveu um tempo calmo, aprazível, pleno de histórias. 
«– Os nativos gostam de histórias. Eles são a sua própria história, entende? Eles escutam as minhas às vezes. Chamam-me ‘Tusitala’, o contador de histórias. (…) Nesta parte do mundo, as histórias que se contam incorporam-se na realidade.» (p. 28)

O ensaísta e escritor Alberto Manguel (1948), leitor compulsivo (quando adolescente, leu em voz alta para Jorge Luís Borges, e, em 1999, publicou Uma História da Leitura, Editorial Presença), viajante incansável (residiu em Israel, Toronto, França, Taiti), esteve em Portugal por diversas vezes. Dessas ocasiões, ficaram duas interessantíssimas entrevistas ao jornal Público-Ípsilon (02/07/10 e 20/12/13). Aí, responde à questão de ainda fazer sentido ler os clássicos na escola:
«Os grandes clássicos não foram escolhidos por ninguém; não há um comité que decide que Homero é importante. O que houve foram cem gerações de leitores que disseram que esse livro é importante. É isso que define o clássico, é a obra que não se esgota junto dos seus leitores.» 

Por isso, o célebre livro de aventuras Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, tem sido uma das obras recomendadas, e bem, para «leitura autónoma» no 7º ano. Mas será que a leram?

Luís Souta

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Foi hoje um dia de trabalho duro e em que não tive um momento sem que estivesse a fazer algo com outras decisões ou assuntos a sobreporem-se. Até o almoço foi acompanhado pela leitura de relatórios financeiros e tudo; nem tive tempo para perguntar aos anjinhos se a manhã lhes correra bem e só ao fim da tarde houve oportunidade para me inteirar sobre o decurso da jornada escolar. 

Mas como não percorrer as horas difíceis quando, logo pela manhã, à saída de casa, andava um bando de pintassilgos cantarolantes sobre os telhados a que um verdilhão, num dos quintais da vizinhança, parecia responder? 
E a luz que esteve sempre tão alegre. 



Não fosse isso e agora estaria incapaz de escrever uma única linha. Estive a ver uma entrevista ao Dr. Pedro Strecht que, obviamente, se centrou no caso do abuso e exploração sexual de crianças, na Casa Pia e na tentativa da entrevistadora, Judite de Sousa de por um lado descredibilizar o trabalho profissional que aquele pedo-psiquiatra tem feito junto de muitas das vítimas e, por outro lado, lançar poeira sobre a validade dos testemunhos destas últimas e da possibilidade de a partir daí se poder partir para a acusação fosse de quem fosse. 

A pessoa revelou-se de uma educação e de uma delicadeza a toda a prova. Só isso explica que tenha usado a inteligência que possui para, com toda a serenidade, responder com o máximo polimento mas simultaneamente com a veemência necessária para pôr a nu a canalhice de todos aqueles que tudo têm feito para obstruir o regular decurso do processo e o apuramento da verdade. 

Graças a Deus que há pessoas assim. 
Permite-nos manter o respeito pela nossa condição de portugueses. 

O depoimento do homem é que foi tão pungente que nós, depois de o ouvirmos, só podemos guardar silêncio perante o indizível sofrimento que atormenta aqueles miúdos. 



Na aula de hoje houve exercícios de Matemática em torno de correspondências e de quantidades. 
Mas também continuaram os jogos com as sílabas que compõem a palavra menina que culminaram no trabalho de casa. 

Ai que alegria tão grande quase nos fazendo explodir no céu, tamanha é a felicidade sentida. 
O pardalito revela uma evolução incrível no desenho das letras. 
Foi tão bom ver o trabalho bem feito, todo ele revelando zelo e competência. 



Mas hoje não quero escrever mais, aquela entrevista impõe o silêncio do recato e uma oração a qualquer pessoa de bem. 


 Alhos Vedros 
   22/10/2003

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (168)

Vénus ao Espelho, Diego Velazquez, 1651
Óleo sobre Tela, 142x177 cm


PARÁBOLA

não sou capaz de dizer 
o que teima e quer nascer 
cá dentro do meu pensar

mas quando eu me for embora 
apanha um vidro do chão 
e tapa com a tua mão 
o sol que aí brilhar 
hás-de ver que o que aí mora 
não é mais do que a saudade 
que passa da tua pele 

numa luz que se quisesses 
não podias apagar



Maria teresa Bondoso

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Du Bois: Poemas


FOGO

Repetição do fogo: labareda e chama
                                ao encontro da terra.

Sobre a grama ressecada crepita:
decrépito senhor do fogo.

Queima o horizonte poente
e se desdobra em cores: repete o fogo
e derrete a terra. Calcina o corpo.

 (Pedro Du Bois, inédito)
FIRE

The fire’s repetition: blaze and flame
                                      to meet the earth.

On the resected grass crakles:
decript lord of fire.

Burns the west horizon
and unfolds in colors: repeat the fire
and melts the earth. Calcinates the body

(Marina Du Bois, versão)



HORIZONTES

Na fórmula encerra o contexto.
Nenhum número impensado à palavra.
Nenhum verbo disparado à ação.
Nenhuma palavra armada em números.

O lugar comum permite ao cientista
avançar a busca: o inalcançável
se faz longe em horizontes.

(Os horizontes se repetem).

(Pedro Du Bois, inédito)
HORIZONS

The formula keeps the context.
No number is unidvised to the Word.
No verb is fired to action.
No word is armed in numbers.

The common place lets the cientist
progress the search: the unachievable
is made far away in horizons.

(The horizons reapet itselves).

(Marina Du Bois, versão)


outros poemas:

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Quer a Alemanha para si o Investimento nos Refugiados e para os Países à Margem da EU os Problemas?

EXTORSÃO DAS POTÊNCIAS DA EU AOS PAÍSES MAIS DISTRAÍDOS E ECONOMICAMENTE DESORGANIZADOS

António Justo

Quase todos os partidos alemães apoiaram a política de “boas-vindas” aos refugiados, iniciada por Merkel, tendo ela, para isso desrespeitado os acordos europeus. Como medida do governo alemão para a Alemanha não há nada a obstar. Os partidos da esquerda chegaram até a apoiar a sua política quando o CSU (partido da coligação) colocava perguntas sobre a maneira de modelar a imigração de forma organizada. O que é de abrir os olhos é a Alemanha, em nome da solidariedade querer impor a distribuição de refugiados pelos países à beira da bancarrota.

Este ano haverá eleições em vários estados alemães. Agora que se aproximam as eleições, os partidos sabendo que a maioria do povo critica a política de Merkel e dos partidos da Coligação e da Oposição, para não serem tao castigados nas eleições, criticam agora a política de Merkel empurrando a solução dos problemas que a Alemanha criou para os países da União Europeia.

Agora falam sobre “o não sucesso” da política alemã de refugiados e por toda a nação se levanta o descontentamento e a voz que a EU “não nos deixe sós”. “Quem não recebe refugiados tem que pagar” diz claramente Dzdemir dos VERDES.

 Para as potências europeias a única coisa que conta é o dinheiro e a economia que controlam. Ao acabarem com as fronteiras do mercado interno europeu destruíram, com um prato de lentilhas, as bases da economia portuguesa; agora que provocaram uma imigração descontrolada, porque precisam de forças novas para o mercado de trabalho (e para a disciplinação do operariado carente na Alemanha e na Europa) e para compensar a falta de natalidade alemã, querem que os mais carenciados dos refugiados sejam distribuídos pela EU.

Destruíram a economia das pequenas e médias empresas portuguesas, puseram os nossos mares à disposição de grandes empresas marítimas, controlaram as direcções nacionais através das Agências europeias, receberam os emigrantes portugueses bem formados e agora querem mandar para Portugal e para os países da margem os emigrantes sem formação.

O Governo português não terá emenda e em troca de uns lugares bem pagos em organizações internacionais para personalidades dos partidos e numa de “Maria-vai-com-as-outras” continuará a vender Portugal.


António da Cunha Duarte Justo


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Silêncio


Risoleta Pinto Pedro


branca flor


Abro a porta do frigorífico e uma imobilidade e um silêncio ao mesmo tempo me tomam. Do fundo dos tempos, dentro do saco onde a guardo, o perfume misterioso da hortelã. Invade a casa depois de passar pelas minhas mucosas e espalha uma bênção airosa e firme a recordar avós e mãe. As mãos que no tempo têm colhido, recolhido e transportado a hortelã de vasos ou da terra para dentro de tachos, chás, mesas rituais.
Fica para trás o frigorífico e passo à porta que dá para o terraço. Sentada, em pose nobre e elegante, a minha cadela, imóvel, aspira discretamente algo que só ela saberá. É frequente a esta hora, no início da manhã, ou no final da tarde, sentar-se na abertura da porta e assim ficar aspirando o ar como quem contempla. E ao mesmo tempo contemplando com o olhar algo que não consigo ver, que apenas ela consegue descortinar. O rastro do sol que chega, do sol que parte? O Silêncio, que ao início da manhã e ao fim da tarde, num momento, se torna absoluto e eterno? Contemplará ela a eternidade?
Ela contempla o invisível e eu imito-a, contemplando o perfume da hortelã e contemplando-a a ela. Momentos de absoluta paz que apetece eternizar, mas que apenas têm valor porque são únicos, não perenes, mas constantes, o retorno eterno. A promessa de que cada dia terá, pelo menos, dois momentos de paz indescritível e viva. Antiga. Não sei de onde vem. Mas passa pela hortelã e por uma cadela (ou mais) sentada entre portadas, doméstica e inapreensível.




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

TRISTEZA 

A Margarida teve dois dias de folga inesperada e pelos piores motivos. Devido à morte da sogra, a Professora viu-se na contingência de ter que faltar ao trabalho. 

Amanhã, espera-se, tudo voltará ao normal. Não tanto para a Mestra, claro, certamente ainda em período de tristeza. Mas a vida é teimosamente persistente e sempre recupera das perdas que do seu fluir são eventos inevitáveis. 

O piolhinho é que teve dois dias suplementares para a brincadeira. 


Ao contrário da Matilde que lá teve de cumprir o cedo erguer de quem se dirige para o dever. Salvam-se as tardes, livres que têm estado de trabalho para casa. 

E na aula de hoje continuaram os exercícios com a palavra menina. Mas houve recortes. 



Portugal é que não tem cura e o portuga de baixo acaba por ver confirmada a velha sabedoria dos avós que a cada um compete desenrascar-se o melhor possível, tendo presente que, por experiência feita, essa coisa dos princípios a ninguém dá sopas e as ladainhas sobre a moral ou traz água no bico ou são coisas de convencidos e lunáticos. 
É esta a perversão que cimenta a nossa realidade. Afinal, este é o caldo cultural que nos possibilita a conquista do terceiro lugar entre os países com maiores índices de corrupção da União Europeia, no que somos ultrapassados por italianos e gregos. E só por isto não há quem se incomode com o escândalo – haverá alguma palavra que designe o absurdo? – de as receitas que o estado arrecada em IRS sejam superiores às provenientes do IRC. Mas isto é fado e a ninguém do poder lembraria perder tempo e paciência com fatalidades que, à semelhança de certas catástrofes naturais, como um terramoto, por exemplo, não estão sujeitas às nossas capacidades de previsão e controle. 

Pois bem, de acordo com tal fermento sociológico num povo que ainda há trinta anos era maioritariamente analfabeto, o Presidente da República fez uma comunicação para garantir que não está sujeito a pressões e que não fez favores a quem quer que seja – estava aqui e lembrei-me do presidente da assembleia geral de uma associação musical e recreativa – para além de chamar a atenção para a pedagogia da tolerância, a presunção da inocência e os direitos dos arguidos não poderem ser escamoteados sob pena de criarmos injustiça sobre aquela que existe – o meu pai explicava-me essas coisas em criança – e finalmente lembrar que os portugueses têm mais com que se preocupar, especialmente numa conjuntura internacional que não está para problemas – como muito seriamente explica o Zé, ao Domingo de manhã, quando a conversa puxa pelo lado intelectual de uma bicazinha ociosa. 

Juizinho, meninos e vão trabalhar! 


Ora aqui temos o mais alto magistrado merecedor do mesmo reconhecimento que Franklin Delano Roosevelt teve. 
Já tenho a esferográfica preparada para votar nele. 



Verdade verdadinha 
é que o bastonário da ordem dos advogados diz que alguém tem que pôr Souto Moura, o Procurador-Geral da República, na ordem. 


Volta Cunha Rodrigues, fazes falta. 


Estão a ver como foi bem acolhido o discurso do Presidente da República? 



Mas tudo isto me entristece. Mais que a vergonha, é a tristeza que nos cria um negrume na alma. 


Alhos Vedros 
  21/10/2003

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (169)

Amanhecer nos Moinhos, Autor António Tapadinhas, 2009
Acrílico sobre Tela, 30x40 cm
ÁGUAS TRANQUILAS

escolhi caminhar-te
até onde o horizonte me levar
e no final do caminho
aguardas-me
paciente

tu sabes
que os meus passos navegam as tuas águas tranquilas
.
João Carlos Esteves
in "Inventei-te as Manhãs" (Chiado Editora, 2013)

Selecção de António Tapadinhas 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Velho Racismo


Francisco Gomes Amorim

A entrevista que se segue foi publicada num jornal do sul da Austrália, há cerca de seis meses, que reproduzimos sem ter pedido autorização. 
A um português que para ali foi quando saiu das colónias em 1973, pressentido já que tudo ia acabar mal.
Agora na faixa dos oitenta anos, começou por lembrar à entrevistadora, Monique Johnston, que não tinha sido colono, não ocupou terras, não foi funcionário público, não fez a chamada guerra colonial, limitou-se a viver em África, com a família, por mais de vinte anos, trabalhando em indústrias. Teve quatro filhos, uma casada com um australiano, e três homens, um vive perto dele em Melbourne, um no Brasil e outro nos Estados Unidos.
A vida correu-lhe bem e hoje, aposentado, viaja através do mundo para estar com os filhos, quando aproveita para tentar entender a razão dos conflitos a que está constantemente a assistir.
Engenheiro, sempre se interessou pelas relações com o pessoal seu subordinado, e sobretudo pelos problemas de “raça”, que desde África lhe parecia, pensava, ter compreendido como conviver.
A entrevistadora não indicou o nome dele, distingui-o somente com duas letras VA, que explica assim: “Vim de África”!

MJ (Monique Johnston) – Como já falámos, o nosso tema para a conversa é o racismo. Pode começar por contar-nos um pouco como foi o começo do seu contato com os africanos?
VA – Não posso dizer que tenha sido uma surpresa, porque desde sempre, até em Portugal onde nasci e de onde saí, sempre houve escalões nas sociedades. Sobretudo nas cidades principais esses escalões eram definidos pelo poder económico das pessoas, como o casamento entre os descendentes de grandes fortunas, pela classe média alta, os trabalhadores braçais ou operários, etc. De uma forma geral estes grupos eram e são, relativamente fechados.
Em África havia algo semelhante: os quadros superiores das empresas, os conterrâneos emigrantes, a classe média operária de origem europeia e os africanos. Não que isto envolvesse exatamente um racismo, mas do mesmo modo que um diretor de empresa, em qualquer lugar da Europa, América ou aqui, não convida para jantares em sua casa os operários mais simples da sua empresa, a convivência com os africanos mais simples era semelhante.

MJ – Então o contato com os nativos era só formal?
VA – Nem pensar. Havia muitos com educação e cultura que eram recebidos em nossas casas. Penso ainda muito em alguns padres, de pele muito escura que eram nossas visitas habituais, e com quem nos dávamos muito bem. Além disso havia uma classe, importante, de mestiços, em ocupações de destaque tanto na administração pública quando privada.
Eu mesmo tive um chefe de secretaria, mestiço, que muita vez esteve em minha casa. Não era um amigo, mas volta e meia aparecia e bebíamos uma cerveja juntos.

MJ – Mas havia algum racismo, porque até hoje os africanos falam nisso, ou acha que não?
VA – Evidente que havia, mas foi sobretudo um racismo criado pelo sistema colonial, pelos governos das metrópoles, que ao pretenderem manter essas populações com o mais baixo nível possível, imaginavam que assim lhes causariam menos problemas e teriam um custo de trabalho mais baixo quando não... quase escravo. Além disso mesmo em Portugal, a política durante mais de meio século, era igual. E também, como em todo o lado, havia muito colono, bruto, inculto, que tratava mal o pessoal. E isso tem uma explicação simples: o medo!

MJ – Alguma vez o senhor se sentiu ameaçado por ser branco?
VA – Nunca. E olhe que percorri o interior de vários países, muitas vezes sozinho no meu carro. E regra geral era muito bem acolhido pelos camponeses, a quem até hoje estou reconhecido.

MJ – E os mestiços, como reagiam?
VA – O problema maior, e vou-me referir só a Angola e Moçambique começa com a República, em Portugal em 1910. Com uma ganância imensa, o governo central de Portugal, decidiu começar a substituir, em lugares de destaque na função pública, como Fazenda e Administração do Território, pessoas das famílias tradicionais, quase todas mestiças, por funcionários mandados de Lisboa. Isso teve várias consequências graves: por um lado, uma sensação de abandono dos angolanos natos, e por outro um quase incentivo à corrupção e aumento de desentendimento entre uns e outros que culmina, já nos anos 50, com os quadros de todos os “matizes” de pele a se rebelarem contra o governo central e daí a luta pela independência.

MJ – A história relata constantes lutas entre os nativos e os, chamemos-lhes, invasores. Como foi?
VA – É uma falácia dizer que Portugal “ocupou” as antigas colónias africanas durante 500 anos! Pior ainda quando diz que as colonizou. É verdade que logo de início os contatos tinham como objetivo o comércio e a cristianização. Mas logo situações complicadas obrigaram a tomar partido em lutas internas e a partir daí começam a querer “governar” as populações, que nunca aceitaram! Lutas, guerras que, essas sim, duraram 500 anos! Sobretudo em Angola e Moçambique.
Sacrificaram-se milhares e milhares de vidas, de parte a parte, atrás de quimeras como a prata em Angola e o ouro em Moçambique!

MJ – E durante a guerra colonial como era o contato com os nativos?
VA – Nalguns lugares era perigoso, até mesmo inviável entrar nalgumas zonas, mas na maioria dos territórios os povos sabia que não era contra os portugueses que lutavam, mas contra o sistema colonial.

MJ – Voltemos ao racismo. Os africanos ainda olham para os portugueses com maus olhos?
VA – Por muito incrível que pareça, o que se tem visto é que preferem ter lá portugueses do que indivíduos de qualquer outro país! Nós não os segregávamos por serem desta ou daquela cor de pele, enquanto que, por exemplo, ingleses, altamente esnobes, os tratavam como seres inferiores. Desprezavam-nos. Veja o que se passou por exemplo aqui na Austrália onde os governos chegaram a retirar crianças aborígenes de suas famílias, para os criarem longe das suas raízes, como fizeram até há bem pouco tempo, também no Canadá.
A propriedade das terras tradicionais (chamadas native title) não era reconhecida até 1992, os aborígenes continuam com taxas superiores à média de prisão e desemprego, além de baixos níveis de escolaridade e expectativa de vida.
Nos Estados Unidos os “pilgrims” começaram por caçar nativos como quem caçava bisontes, e ainda hoje a segregação é vergonhosa, para com os índios, latinos e sobretudo os chamados, eufemisticamente afro-descendentes.

MJ – A que o senhor atribui essa diferença entre portugueses e ingleses?
VA – Ao modo como cada um interpretou o cristianismo! Os católicos, complacentes, condenando o lucro desmedido, começaram por tratar os chefes africanos como reis, irmãos do rei de Portugal, a quem este enviava oferendas e, à moda da época, dava títulos de nobreza aos familiares! Inúteis os títulos, eram uma deferência, e mas ninguém mais fez isso. Talvez tivesse achado inútil  ou grotesco, mas de qualquer modo era uma distinção. 
Os ingleses, puritanos ou calvinistas, visavam o lucro e a total independência do rei de Inglaterra. As leis foram eles que as fizeram a seu bel-prazer nas novas colônias, tanto nos Estados Unidos quanto aqui, sem se importarem com qualquer um que fosse o Outro.
Os portugueses podem ter cometido, e cometeram, muitos erros, mas tinham que prestar contas ao rei, e muitos governadores foram punidos e até enviados sob prisão para Portugal.

MJ – Segundo a sua visão do problema, como imagina que se pode acabar com o racismo?
VA – Essa é pergunta mais difícil que tive que encarar toda a vida! Mesmo quando tinha que resolver problemas de engenharia complicados, nada se compara com isso! Mas vamos lá.
Em primeiro lugar está a educação. Se não se der a mesma oportunidade de educação a todos haverá eternamente os eleitos e os outros, os sub qualquer coisa.
Depois uma legislação e um sistema jurídico de completa isenção, que é o que hoje, nos Estados Unidos estamos a ver que não existe! Lá é muito difícil para um juiz, ou para os jurados, condenarem policiais.  Há um medo imenso em retaliações, sobretudo nas pequenas cidades do interior. Em cidades dominadas pelos tais afro descendentes, ricos, com o mayor e a polícia toda com gente de sangue africano, parece que ainda é mais difícil, mesmo que o réu seja da mesma cor.
O sonho americano é enriquecer. Atropelar o Outro se necessário. Criar seitas tipo KKK e leis como a de Linch que continua a vigorar desde 1837. Mas nada que atrapalhe o tal Sonho que tende a desmoronar.
Veja o que se passa na política: implantar por exemplo o programa de saúde para todos como quis o Obama, não é possível. Cheira-lhes a socialismo e isso é pior do que dor de dentes!
Socialismo para os americanos significa reduzir-lhes a perspectiva de ganhos para os distribuir a quem ganha menos! E em se tratando de brancos e negros...

MJ – E no Brasil?
VA – O problema do Brasil é a série de governos incapazes que, à moda soviética, querem impor o “politicamente correto”, e têm criado problemas nas relações entre as pessoas. Ao mesmo tempo é a imensa falta de educação e cultura, a todos os níveis, mas sobretudo no ensino primário.
Além disso o caso dos bairros miseráveis, as favelas, onde vive a maioria da população pobre nas cidades, lugares dominados pelo tráfico de drogas, e onde há, praticamente todos os dias, tiroteio entre traficantes e polícia. O Brasil há já mais de dez anos que contabiliza cerca de 50.000 assassinatos por ano! É o único país do mundo onde isso acontece.
O que lhe vale são os estupendos jogadores de futebol, ídolos, na sua maioria negros ou mestiços.

MJ – A mídia de todo o mundo diz que é perigoso ir ao Brasil. Porque?
VA – A estatística! 50.000 assassinatos por ano é pior do que a guerra no Média Oriente! Mas há dois anos ninguém, mundo fora, falava nisso. Agora é manchete.
Qualquer pessoa pode, à vontade, entrar num bar dessas áreas dos subúrbios, beber um café ou uma cerveja, sem que seja minimamente incomodado. O que não pode é meter-se entre a guerra do tráfico com a polícia!

MJ – O senhor tem um filho no Brasil. Como ele encara a vida nesse ambiente?
VA – Ele está lá há quase trinta anos. Casou com uma brasileira, tem três filhos já na universidade, e nunca teve problemas, nem com polícias nem com marginais. Mas, como é de supor toma as suas cautelas. Não se pode dizer que seja um país de segurança total, mas não é preciso fugir de lá!

MJ – Acho que temos que fazer uma breve síntese desta conversa. Com o senhor resumiria o problema do racismo? O que é necessário que se faça?
VA – Educação, desde o berço, cultura e justiça. Igual para todos.

14/01/2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Alburrica





António Dias

Clicar em cima da Foto para ampliar.
Merece.

Alburrica.
Um braço do Tejo.
Margem sul do Tejo.
Barreiro.
Praia fluvial,
lugar de ancestrais moinhos de vento,
onde vêm descansar as águas do mar.

(legenda de Luís Santos)


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

PAISAGEM DE ALHOS VEDROS RURAL




Dores Nascimento


Nota: Pintura feita a propósito da 44ª Feira do Livro de Alhos Vedros. Um dos prémios rifados. A Feira do Livro de Alhos Vedros é, certamente, uma das Feiras de Livro que se realiza consecutivamente há mais anos no país, logo a seguir às de Lisboa e Porto. A artista, Dores Nascimento, é uma das suas organizadoras, desde sempre.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

QUE VIVA A CLASSE OTÁRIA! 


E pronto, o PS deixou cair o biombo 
e com estrondo 

mas não faz mal, 
também se tem visto do piorio em criaturas que os nossos escribas de bajulação colocam nos píncaros da Lua e elas aí estão como exemplos a admirar, não interessando se um cínico é elevado a referência moral ou se um simples vigarista é apresentado como o caso de alguém empreendedor. 

De maneira que o estrondo 
por ter caído o biombo 
com um bocadinho de magia de editorial 
e uns pozinhos de notícia transversal 
acabará reduzido ao esquecimento que o pão e circo habitualmente provocam. 

Uns dizem sim e outros não, há os que dizem mim e os que perguntam então, eis o que se fala sobre um hipotético congresso do PS. 

Do lado de lá, um intelectual do calibre de Luís Delgado, editor do Diário de Notícias, pessoa insuspeita, pediu a demissão de Souto Moura do cargo de Procurador-Geral da República. 

E do lado de cá, a cerejinha que alinda o bolo, António Saleiro lembra a moral para criticar o comportamento do seu secretário-geral. 


E viva! E viva! E viva a classe otária! 



Os alunos continuaram os exercício em torno da palavra menina. 
Não houve trabalho para casa. 



Hoje tomei o café que se segue ao almoço à beira do rio, vendo os reflexos coloridos na superfície escura que trepidava pelo arrepio da brisa, aqui e ali, um pouco mais vigorosa e, por instantes, deixei-me levar no balanceio da imagem de grafite de histórias do mar, de um mar imaginário. 

Depois disto, trabalhamos melhor e mais concentrados. 



“Koba O Terrível”, um livro que se lê de uma penada, sem vontade de interromper. 

Num estilo livre, o Autor traça-nos um retrato político de José Estaline que se deixa transcender para ganhar a forma de um fresco sobre a demência criminosa que foi o estalinismo enquanto sistema político e social levado à prática. 

Mas com o paralelismo que, a miúde, se cria com Adolf Hitler e entre os dois totalitarismos mais bárbaros do século vinte – o que nada tem de novo se nos recordarmos, só para dar um exemplo, de um Ernest Nolte (1) e que a própria obra em apreço deixa bem claro – este trabalho de Martin Amis tem o acréscimo de nos levar a perguntas e com isso a deixar a janela aberta por onde podemos compreender que para além de tudo o que já tem sido apontado como similar entre ambos os regimes, da simbologia artística ao desiderato último de criar uma nova humanidade, além de tudo isso e bem mais fundo, está o mesmo relativismo que, tanto num como no outro caso, produziu o mesmo desprezo pela vida humana e uma igual ausência da moral subjacente ao reconhecimento da dignidade que esta tem em si. E foi daqui que saiu a massa que forjou os monstros que milhões e milhões de pessoas conheceram da pior maneira. 


E para que choremos a nossa tragédia, permanece uma pergunta indejectivável: como foi tudo isto possível? 



I’m alone 
keeping to my window 
to the streets below 
(…) (…) (…) (…) (…) 

I am a rock 
I am a Island 

É pá, há quanto tempo eu não ouvia isto… 


Alhos Vedros 
 20/10/2003 


NOTA 

(1) Furet, François e Nolte, Ernest, FASCISMO E COMUNISMO 


CITAÇÕES BILBIOGRÁFICAS 

Amis, Martin, KOBA O TERRÍVEL, Tradução de Telma Costa, Editorial Teorema Ldª., Lisboa, 2003 
Furet, François e Nolte, Ernst, FASCISMO E COMUNISMO, Tradução de Francisco Agarez, Gradiva (1ª. Edição), Lisboa, 1999

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (166)

Regresso da Faina, Autor António Tapadinhas, 2008 
Óleo sobre tela 80x100 cm

Esta peça foi criada a partir duma fotografia tirada por um grande amigo, que numa certa altura da sua vida, viajava pelo mundo, como auditor dum banco português. A calma, a paz que se traduz nas cores suaves do entardecer, fascinaram-me desde que a vi. Julgo ter transmitido com fidelidade esses sentimentos, para o quadro.
Eu e o meu amigo passámos muitos anos a ir à pesca, sempre que tínhamos oportunidade. Raro o fim-de-semana que, no Inverno ou no Verão, a nossa equipa não se deslocasse para os diversos pesqueiros, de acordo com os estudos científicos (leia-se, palpites) efectuados, para determinar qual o local mais certo para apanhar peixe.
Para não perder o treino, esse meu amigo, procurava fazer nas suas deslocações aquilo que mais gostava: pescar.
Já nessa altura, nos seus relatórios, ele pescava alguns tubarões. Pelos vistos, não os suficientes, atendendo à actual situação dos bancos…

António Tapadinhas

sábado, 9 de janeiro de 2016

Celidónia



por Miguel Boieiro

O ilustre Maurice Mességué, para além de famoso fitoterapêuta, era também, subsidiariamente, “maire” de um pequeno município do Gers (Pirinéus franceses). Os seus livros, de que se encontram traduzidos em português, pelo menos dois, “Homens e Plantas” e “A Natureza tem Razão”, continuam a entusiasmar os leitores. De facto, Mességué foi igualmente um extraordinário escritor.

Vem isto a propósito da planta que ele considerava mais importante para os tratamentos dos numerosos doentes que o procuravam, muitos deles já desenganados na medicina alopática.
De resto, é sabido que cada ervanário ou fitoterapêuta tem a sua planta preferida, ou seja aquela com a qual mais se identifica.
De entre as suas “simples”, Mességué, colocava a celidónia nos píncaros.

Após ter lido alguns dos seus trabalhos, fiquei com imensa curiosidade de conhecer a tal celidónia, ou quelidónia, como também a apelidam.
Já tinha memorizado a sua configuração física mas, a despeito de ser uma planta muito comum e vulgar, segundo referia Maurice, eu nunca a tinha visto. Não era seguramente uma planta da minha região, na qual, mais ou menos, mantenho alguma intimidade com todas as ervas espontâneas.
Devo dizer que andei, tempos infindos, quase obcecado, para encontrar a celidónia. Até que um dia, já lá vão quarenta anos, fui a uma festa de aniversário da empresa Bouygues, onde um dos meus primos trabalhava, nos arredores de Paris. Depois da fina comezaina (foi a primeira vez que comi salmão, nessa altura raro em Portugal), começou o baile. “Pé de chumbo”, como sempre fui, escapuli-me para uma mata próxima onde me entretive a observar a abundante flora silvestre. Nisto, surge, perante os meus olhos, uma planta que me era desconhecida. Analisei-a e, quase por instinto, cortei uma das suas folhas que imediatamente brotou uma seiva amarela. Então, pela descrição há muito memorizada, logo concluí que finalmente tinha descoberto a tão famosa celidónia. Fiquei eufórico.
Apanhei um grande ramo e entrei no baile gritando para a minha mulher “Manela! Encontrei a celidónia!!”. Toda a gente ficou a olhar para mim com ares interrogativos e só então me dei conta da “barraca” que estava a dar.
Familiarizei-me depois com a minha amiga Celidónia (posso escrever com maiúscula?) e passei a apaparicá-la sempre no meu jardim.

A celidónia, Chelidonium majus L, é uma vivaz da família das Papaveráceas que se dá em terrenos sombreados e frescos, sendo muito abundante no norte do País. Cresce, sobretudo, em entulheiras, muros arruinados e zonas pedregosas.
Possui um rizoma carnoso donde saem talos tenros que chegam a ter 80 cm. As folhas são lobadas, verde-claras e levemente azuladas na página inferior. Os talos apresentam-se vilosos, cilíndricos e quebradiços deitando um suco de cor amarela, mas que logo passa a alaranjado em contacto com o ar. As bonitas flores, de um amarelo brilhante, compõem-se de quatro pétalas em cruz. Têm numerosos estames e frutificam numa vagem com sementinhas castanhas.

O nome “Chelidonium” provém do grego e significa andorinha, talvez porque a floração costuma coincidir com a chegada daquelas aves migratórias. Por isso, também se chama erva-andorinha, ou ainda, erva-das-verrugas. Este último nome indicia uma das suas aplicações mais populares.
Com efeito, o látex da celidónia cura admiravelmente verrugas, herpes, calos e feridas cutâneas.
Atribuem-lhe também propriedades antiespasmódicas, hipotensoras e purgativas, entre outras.

A planta é muito forte, contendo, pelo menos, dez alcaloides. Tal significa que é bastante tóxica e em doses mais elevadas chega a ser mortal. Portanto, nunca a devemos usar para usos internos, isto é, para infusões. Há quem diga que basta 80 g da raiz fresca (a parte mais tóxica) para matar um cão. No entanto, todos os animais, mediante as suas qualidades radiestésicas, evitam tocar-lhe. Não parece, portanto, haver perigo.
Em homeopatia é utilizada pelos especialistas mais experientes, mas em doses infinitesimais.

Não quero responsabilidades. Fica bem esclarecido de que toda a planta é venenosa e só pode ser usada em alcoolaturas, tratamentos por osmose, cataplasmas, banhos ou aplicações diretas da planta fresca. Os resultados, em quaisquer dos casos, são excelentes, como tenho vindo a comprovar por experiência própria e das pessoas que me são chegadas.

Há três anos, fiz uma alcoolatura (com álcool a 60 graus), quando estive nas termas de S. Pedro do Sul, região onde a celidónia abunda. Ainda dura. Utilizo-a sobretudo, como desinfetante cutâneo e resulta muito bem.
Para terminar, direi como Mességué, “a celidónia faz chorar o homem que vai morrer e cantar o que vai curar”.

Cuidado com esta planta de forte “personalidade”!