segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Marina, naturalmente

Marina da Silva não se pintou, nem foi pintada. Marina pintou: apareceu, surgiu. Natural e alternativa.

Respeito o pensamento de quem acha que a campanha de Marina não decolou ou de que foi um fracasso. Talvez não se tenha percebido que, ao contrário de muitos candidatos cônscio de não vencer (basta ver o resultado e as ‘coligações’ da eleição de 2002, 1998, 1994), Marina não se candidatou para ter uma votação expressiva a fim de estabelecer uma aliança (conluio?) no segundo turno e com isso apoiar alguém para garantir um ministério, muito menos se candidatou apenas com a finalidade de criar uma plataforma eleitoral para 2014.

Ela, militante, ecológica, esquerda rubra sem desbotos, tem um compromisso não só com os quase 20 milhões de cidadãos brasileiros que votaram nela, mas também com os outros que não votaram e independentemente de votação, tem compromisso, como foi citado, “com o grito da terra e dos pobres”. Duas coisas que não podem esperar. Muito menos esperar quatro anos. Como alguém comentou no site do Movimento Marina [www.movmarina.com.br], é necessário “incluir na pauta assuntos como sustentabilidade com desenvolvimento” responsável num país (acrescento aqui) cuja política tem sido (depois que Marina saiu do Ministério do Meio Ambiente) a de distribuição de licenças ambientais e de bolsas cujos valores ($$) terminam por voltar aos bolsos de quem tem o que vender.

Dizer que a votação expressiva de Marina se deu por uma estratégia do segundo colocado nas intenções de voto e nas eleições é, no mínimo, subestimar o pensamento crítico dos quase 20 milhões de brasileiros que votaram, não no Partido Verde, mas numa candidatura que levava uma proposta alternativa alicerçada em ideias de economia e ecologia plausíveis tanto para esta bilateralidade política quanto para os radicalismos tautológicos. Como ela mesma afirmou em seu pronunciamento no dia 03 de Outubro (aliás, quando foi que vimos um terceiro colocado comemorar tanto?), sua candidatura e seu trabalho não acabaram com o término da apuração, pois representa uma audiência e uma voz, ora assumidos ou reafirmados.

Por tudo que disse nas eleições e tem dito depois, Marina não deixou que lhe pintassem “esse rosto que é só seu”. Ela, que já é bonita com a história Deus lhe deu, é certo que está mais longe de Serra que de Dilma, mas o problema é o quanto Dilma (ou as alas pseudo-esquerda do PT) está perto dos interesses capitalistas, das posturas adotadas por seus aliados, de uma já conhecida direita; basta ver as alianças.

Marina assinala “uma nova forma de fazer política”. Ao contrário do uso tradicional dos votos dados aos candidatos derrotados nas outras eleições, ela sabe usar esse capital eleitoral de forma mais política, para um debate de ideias e ideais, que politiqueira. Estávamos acostumados a ver no dia seguinte às eleições o terceiro, o quarto ou o quinto colocados de mãos dadas a um dos dois colocados no primeiro turno (em muitos estados brasileiros ainda é assim). Daí assistirmos a esse processo de loteamento político (de um ou de outro lado). Não é difícil imaginar que se Marina estivesse no segundo turno, Dilma e Serra no dia 04 de outubro estariam, em nome da governabilidade, posando de mãos dadas e erguidas.

Ao contrário desse e de outros eufemismos, não esperemos alguém que quer estar no poder a qualquer custo. Não esperemos o apoio em troca de cargos ou status. Esperemos alguém cujo apoio será dado ao candidato que assumir a inclusão de uma pauta exclusivamente a fim de ganhar votos e ser eleito, mas sim àquele que aceitar a pauta e a presença de pessoas que façam o compromisso assumido ser efetivamente cumprido. Caso contrário, os quase 20 milhões de brasileiros desejosos dessa pauta e devidamente representados, saberão agir.

Quem se habilita? Quem, de fato, cumprirá?

Abilio Pacheco, professor, escritor.

Vidas Lusófonas

O rigor histórico não está condenado à prosa de notário,
é possível conviver com as figuras do passado.
Saber o que foi, pode ajudar-nos a talhar o que será.

O filósofo
AGOSTINHO DA SILVA
http://www.vidaslusofonas.pt/agostinhodasilva.htm
diz a Renato Epifânio:
- Agora, Portugal é todo o território
de língua portuguesa...

Ambos sobem depois até
VIDAS LUSÓFONAS
http://www.vidaslusofonas.pt
onde já moram 135.

Naquela casa
tudo está a acontecer,
cada vida / cada conto.
Por isso já recebeu
mais de 20,9 milhões de visitas


Fernando Correia da Silva

domingo, 10 de outubro de 2010

Filosofia e Saudade


1. Pequenos excertos que vêm da Grécia Antiga

" Desterrado dos deuses também eu agora faço parte deste mundo por ter mantido a discórdia..." Péricles

"A alma não é humana. A humanização é permitida a uma alma que observou a verdade de uma forma mais demorada"
Platão

" Há uma despotenciação ontológica nos que se afastam da natureza. A grande virtude não é viver na separação, mas no regresso à natureza (ao estado primordial)"
Empédocles

Luis Santos

( Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges.)

Brasília 50 anos


clique em cima e com a lupa do rato amplie a imagem

sábado, 9 de outubro de 2010

Divagar pela questão

O homem que confronta a dor estabelece, entre si, um paralelo que vai do ser terrestre que é ao ser divino que está a ser no momento em que a dor actua sobre ele.
O ser humano controla-se a si próprio num ciclo vicioso em que a mente de tão controlada que está faz com que toda a terra estabeleça entre si uma estática enérgica dirigindo-se para os pólos segundo a sua criação de energia, que tanto pode ser norte ou sul como vice-versa.
Existem ligações atómicas que provocam esse mesmo controlo (demasiado) sobre a mente do homem comum. Tudo é suprimido através do electromagnetismo de superfície, actuando como uma bola em fusão vagueando nas essências históricas do mundo em translação.

Só os seres inanimados são imortais. As rochas, por exemplo, pensam de uma determinada maneira, mas uma rocha para pensar tem que ter um cérebro que raciocine de forma inteligente.
Então se um homem olhar para uma rocha e a questionar de todas as maneiras, reflectindo sobre ela contemplando-a ou mesmo sentindo-a tocando-lhe com o tacto, a rocha ganha vida e quem passa a pensar é a rocha e não o homem.
Ele entrega-se de uma maneira a tal objecto de forma inconsciente, absorvendo ela o que no sentir do homem poderia ser fictício, naquele instante em que um simples olhar humano transporta toda a vida que a tal rocha tanto deseja.
Outra coisa à rocha que pensa por ponte humana, é a sua existência perante todo o universo em que toda a superfície em que ela assenta, consiste em outras infinitas rochas que a sustentam desde o seu manto, percorrendo o caminho que vai de encontro ao seu centro, que neste caso é o centro onde pela gravidade é atraída toda a matéria.
Ou seja o núcleo terrestre, ou centro da terra, é o tal cérebro com que o homem através do seu dá vida á nossa rocha. Pois sem núcleo terrestre não há rocha e sem homem não há cérebro capaz de reflectir dando vida à rocha.

Diogo Correia

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A paragem do Corvo

Na rota das caravelas e dos galeões que iam e vinham das Colônias Americanas e das Índias, carregados de prata, ouro, especiarias e mercadorias do velho mundo, ficava o local conhecido pelos navegantes e piratas como a “Paragem do Corvo”. Rochedo íngreme, emergido abruptamente no Atlântico Norte, onde as correntezas marinhas e os Ventos do Ocidente geram uma mudança de direção das águas, ao largo, para a Terceira e Continente, assinalado nos portulanos do século XIV, era ponto de aguada e refresco para aqueles que ficavam no mar por muitos meses na arte da pesca e da cabotagem e, para os piratas, área de espreita para pilhagem das ricas presas.

A Ilha do Corvo, que com as Flores faz parte do grupo de ilhas mais ocidental do arquipélago açoriano, pelas dificuldades de acesso e sobrevivência foi, nos primeiros séculos de ocupação, quase esquecida e marginalizada pelo reino. A dificuldade de ocupação, a pobreza e escassez do solo, os impostos desmedidos dos donatários e da Coroa, os caprichos da natureza, a falta de defesa eficiente, fizeram destes quatrocentos ilhéus homens que se adaptaram às circunstâncias, que não se importavam muito com as retardadas ou madrastas decisões do governo. Quando não podiam se proteger ou estavam em desvantagem, barganhavam com inimigo, e quando não tinham o que comer, emigravam com ou sem a permissão das autoridades, geralmente como clandestinos, nos barcos que ali aportavam.

Naqueles primeiros tempos, a vida corria envolta em mistério, povoada de lendas, naufrágios e encontros com piratas. O que não chegava pela via legal, a do governo, chegava pela ilegal, com o comercio com a pirataria e a recolha dos destroços. Nas invasões da ilha, quando não se tinha lugar para esconder ou nada para oferecer, o medo era ser morto ou seqüestrado pelos mafomas, para depois ser vendido no mercado do oriente como escravo, ou para ser resgatado pelos reis cristãos. O recurso foi como disse Drummond: “ser um pigmeu nas muralhas de Tiro”, procurar inverter a situação. Fazer como se fazia na costa da ilhas da Bretanha francesa ou na Cornualha inglesa, na escuridão da noite acender tochas nas regiões costeiras, atrair o inimigo para o desconhecido...

O mar, às vezes tão traiçoeiro, era quase sempre um aliado. Para se chegar ao porto das Casas era preciso conhecer aquelas águas para não ser tragado.

Na fúria das tempestades, quando poderosas ondas escuras se levantavam em altas e ameaçadoras paredes espumadas e, raivosamente, se atiravam contra as rochas num ruído ensurdecedor e profundo, barcos eram arremessados contra a costa, espalhando as cargas preciosas, engolindo com avidez gentes e cascos. Mais tarde, depois que tudo amainava, vinha a clamaria. Um imenso espelho turquesa se dilatava e, como dádiva, oferecia os restos do seu banquete, àqueles ilhéus que, assustados, os aproveitavam.

Com a madeira recolhida casas se levantavam, mobília se completava. Gêneros e utensílios enriqueciam os desprovidos lares. Era a pilhagem da desgraça alheia, feita sem culpa. Era a oferta do mar aos cativos do rochedo.

Conta-se que, dentre os não poucos naufrágios que ali ocorreram, em dezembro de 1770, uma nau vinda do México, afundou na costa da ilha com cerca de 200 pessoas a bordo e uma grande caixa de ferro, repleta de ouro e pedras preciosas. Os habitantes chamaram o barco de: “A nau dos Quintos”.

Em 1654, também nestas águas corvinas, naufragou o galeão português, vindo do Maranhão, com o padre Antonio Vieira e outros passageiros. Salvou-os um navio pirata, que rondava pela paragem. Deixou-os em outra ilha, a da Graciosa, para que seguissem viagem.

Acontecimentos fantásticos de desespero, loucura e antropofagia em alto mar, com desaparecimento de tripulações, revoltas e batalhas, ficaram esquecidas na história do Corvo, quando os piratas e os corsários de antigamente se foram com o tempo.

Maria Eduarda Fagundes
Uberaba,27/08/08

Dados e referência bibliográfica:
A Ilha das Flores. Da descoberta à actualidade.
(Subsídios para a sua história) de Antonio Francisco Nunes Pimentel Gomes.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria VI


Altar-Mor da Igreja de S. Lourenço
Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 100x100cm

A Igreja de S. Lourenço, Matriz de Alhos Vedros, representava a nobreza da vila. Da igreja construída no século XIII, nada resta. A actual data do século XV e a nave e pórtico do século XVII, com azulejos de 1749 que relatam passagens da vida do seu patrono.
Foi nesta igreja, que pelo seu conjunto estilístico heterogéneo deixa adivinhar modos diferentes de encarar a religiosidade, que eu, frente ao altar-mor de talha dourada, com a autorização do Padre Carlos, passei alguns dias a cuidar dos pormenores da pintura que agora apresento.
Talvez por ser demasiado óbvio não empreguei nenhuma tinta dourada. Utilizei toda a gama de cores a começar no “cadmium yellow pale” e a acabar no castanho “burnt umber”, passando pelo “naples yellow” e “yellow ochre”. Tentei dar-lhe toda a riqueza de nuances e matizes que a luz filtrada pelos vitrais, e a luz bruxuleante das velas, ora esconde, ora revela, num jogo de claro-escuro, que me obrigou ao mesmo tempo a ser paciente e rápido, para registar na tela as impressões de momentos, quase sempre irrepetíveis.
Trabalhei esta obra um pouco a contra-relógio, porque tinha imposto a mim próprio a obrigação de a apresentar nas Festas de Nossa Senhora dos Anjos, que se realizavam no final do mês de Julho. E consegui.
Fui recompensado pelo meu esforço com os comentários favoráveis que ouvi. No entanto, no dia da sua apresentação fiquei um pouco preocupado: mais do que um apreciador da obra (ou da Igreja), espreitou os cantos para ver como é que eu tinha colado os azulejos... Esta dúvida provocou uma acesa discussão num casal: o marido dizia que eram pedaços de azulejos colados, a mulher que era pintura. Ele, para provar à mulher que tinha razão, tirou uma navalha do bolso para levantar os azulejos...
Já tenho ficado com pele de galinha quando pessoas, sem problemas de visão, assumem que a superfície da tela é uma escrita em Braille, que só pode ser apreciada com os dedos...
Com uma navalha nunca tinha visto!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Longe

Longe em ares
sou vácuo. Diferença
indistinta entre o som
e o nada. Aconselhado
retorno ao vício em respiração
diária: anoto a solicitude
do pedido: ares
ininterruptos. No vácuo
me encontro em corpos
decompostos: retorno ao ovário
e me aplacento.

O vácuo permite aos ares
o desfazimento dos elementos.

A decomposição do corpo
no irrealizável.

Pedro Du Bois,
inédito
( http://pedrodubois.blogspot.com )

terça-feira, 5 de outubro de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alberoni, Francesco –ENAMORAMENTO E AMOR
Tradução de Amandina Puga
Bertrand Editora (2ª. Edição), Venda Nova,
1985;
-AMO-TE
Tradução de Cristina Rodriguez e Artur
Guerra
Bertrand Editora (4ª. Edição), Venda Nova,
1997;
-SEXO E AMOR
Tradução de Jessica Falconi
Bertrand Editora (3ª. Edição), Venda Nova,
2007;
Almada Negreiros, José de –TEXTOS DE INTERVENÇÃO
Obras Completas, 6
Editorial Estampa, Lisboa, 1972;
Borges, Paulo –UMA VIAGEM POR FERNANDO PESSOA
Curso Livre sobre a obra de Fernando Pessoa
CACAV, Alhos Vedros, 2009;
Caeiro, Alberto –POEMAS DE ALBERTO CAEIRO
Introdução, organização e bibliografia de António
Quadros
Nota do Editor sobre o organizador e introdutor
Publicações Europa América, Mem Martins;
Campos, Álvaro de –POESIAS
Nota explicativa à primeira edição dos
Editores
Nota sobre o Autor de Fernando Pessoa
Edições Ática, Lisboa, 1978;
Costa Gomes, Luísa –NUNCA NADA DE NINGUÉM
Teatro da Trindade, Lisboa, 1991;
Gomes, Luís F. de A. –A CARTA
In “O Pau”, 03/0/2009
Atirei O Pau Ao Gato, pauga.blogspot,com;
Kirkegaard, Soren –LE CONCEPT DE L’ANGOISE
Gallimard, Paris, 1968 ;
Jay Gould, Stephen –A VIDA É BELA – O XISTO DE BURGUESS
E A NATUREZA DA HISTÓRIA
Prefácio do Autor
Tradução de Ana Maria Pires, Carlos
e Florbela Fernandes e Jorge Pires
Revisão científica de Carlos M. da Silva
Gradiva (1ª. Edição), Lisboa, 1995;
Lévy, Primo –SE ISTO É UM HOMEM
Nota de Abertura do Autor
Tradução de Simonetta Cabrita Neto
Público, Lisboa, 2002;
Marinetti, Filippo –MANIFESTO FUTURISTA
In “Abaciente”
http://abaciente.blogspot.com;
Marx, Karl e Engels, Friederich –MANIFESTO DO PARTIDO
COMUNISTA
Prefácio à edição alemã de 1872 e
à edição russa de 1882, pelos
Autores
Prefácios às edições alemãs de
1883 e 1890 por F. Engels
Tradução sob responsabilidade da
Editora
Sementes, Porto, 1974;


Nietzche, Friederich –ASSIM FALAVA ZARATRUSTA
Tradução de M. de Campos
Edições Europa América, Mem Martins, 1978;
-PARA ALÉM DO BEM E DO MAL
Prefácio do Autor
Tradução de Herman Pfluger
Guimarães & Companhia Editores, Lisboa,
1978;
-ECCE HOMEM
Introdução do Autor
Guimarães & Companhia Editores (4ª. Edição),
1978;
Pareto, Vilfredo –SOCIOLOGICAL WRITINGS
Escolha e introdução de S. E. Finer
Tradução para o inglês de Derick Merfin
Pall Mall Press, Londres, 1966;
Pessoa, Fernando –MENSAGEM E OUTROS POEMAS AFINS
Introdução, organização e bibliografia de
António Quadros
Nota Editorial de António Quadros
Edições Europa América, Mem Martins;
-POESIAS
Nota explicativa da primeira edição por
João Gaspar Simões e Luís de Montalvor
Edições Ática (10ª. Edição), Lisboa, 1978;
-POESIAS INÉDITAS (1930-1935)
Prefácio de Vitorino Nemésio
Advertência de Jorge Nemésio
Edições Ática, Lisboa, 1978;
-O ROSTO E AS MÁSCARAS
Antologia cronológica organizada por
David Mourão-Ferreira
Círculo dos Leitores (2ª. Edição), Lisboa,
1979;
-TEXTOS FILOSÓFICOS (Vol. II)
Textos estabelecidos e prefaciados por
António de Pina Coelho
Edições Ática, Lisboa, 1968;
-PÁGINAS DE ESTÉTICA E DE TEORIA E
CRÍTICA LITERÁRIA
Textos estabelecidos e prefaciados por
George Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho
Tradução dos textos ingleses por Jorge Reis
Edições Ática (2ª. Edição), Lisboa, 1975;
-ULTIMATUM E PÁGINAS DE
SOCIOLOGIA POLÍTICA
Introdução e organização de Joel Serrão
Notas sobre o critério da edição de
Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão e
Joel Serrão
Recolha dos textos de Maria Isabel Rocheta
e Maria Paula Morão
Edições Ática, Lisboa, 1980;
Platão –A REPÚBLICA
Tradução de Sampaio Marinho
Publicações Europa América, Mem Martins, 1975;
Poirier, Jean –HISTÓRIA DA ETNOLOGIA
Tradução de Ivone Toledo
Editora Cultrix, São Paulo, 1981;
Reich, Wilhelm –ESCUTA ZÉ NINGUÉM
Introdução do Autor
Tradução de Maria de Fátima Bívar
Publicações Dom Quixote (10ª. Edição),
Lisboa, 1981;
Reis, Ricardo –ODES
Edições Ática, Lisboa, 1978;
Silva, Agostinho da –NAMORANDO O AMANHÃ
Grafação e Nota de Abertura de
Luís F. de A. Gomes
CACAV, Alhos Vedros, 1996;
Singer, Peter –ESCRITOS SOBRE UMA VIDA ÉTICA
Tradução de Pedro Galvão, Maria Teresa
Castanheira e Diogo Fernandes
Publicações Dom Quixote (1ª. Edição), Lisboa
2008;
Vargas Llosa, Mário –A GUERRA DO FIM DO MUNDO
Tradução de Maria Vitória Navas e Salvato
Teles de Meneses
Livraria Bertarnd, Lisboa, 1984
Vários –OS UPANISHADES
Nota Introdutória dos Editores
Tradução da versão inglesa por Inês Busse
Livros da Vida Editores Ldª., Mem Martins

Uma oportunidade para as boas práticas – MT – uma técnica mental sem esforço

A procura da melhor forma para um encontro no terceiro grau com o sucesso está presente nas mais diversas expressões da atualidade social e pessoal… livros de auto-ajuda, cursos de formação, master classes – (estou a lembrar-me por exemplo de David Lynch no Centro de Congressos do Estoril, em 17 de Novembro, no Festival de Cinema de Cascais há cerca de três anos, a falar de Meditação Transcendental - MT) workshops, etc.

Queremos dias libertos de erros e de más notícias… queremos ir além da qualidade truncada que vai e volta, volta e vem; procuram-se sistemas de engenharia humana e práticas sociais que previnam perdas de tempo com correções, ou pedidos de desculpa pelos desnecessários incómodos decorrentes.

As boas práticas serão parte do fenómeno de busca da nossa realização pessoal e social dada a sociedade de competição… ou apenas um epifenómeno de algo mais radical, subjacente a uma necessidade interior de retorno a determinada grandeza perdida?

Para o investigador neurólogo Fred Travis da MUM dos EUA as redes dos 100 biliões de neurónios do cérebro humano refazem-se 70% em cada 24 horas; Em cada segundo cada neurónio está em rede com 10.000 outros neurónios recebendo e enviando mensagens. Qualquer experiência (mensagem) entre estes altera a qualidade do funcionamento do cérebro; Por seu turno, a qualidade do funcionamento do cérebro determina a qualidade da mente e vice-versa... As boas práticas emergem de uma mente individual em equilíbrio constante. Daí que todos nós somos mais do que recursos humanos para a produção fordista. Somos seres muito especiais que têm necessidades subjectivas fundamentais desatendidas pelas culturas das sociedades de consumo e idolatria dos seus objectos que por sua vez mediatizam e distribuem relações de poderes sociais.

Os erros em todas as áreas destas sociedades advêm dos efeitos do stresse pessoal/social que por sua vez tende a obnubilar a mente e a reiterar estados de erro crónico (estrutural) nos indivíduos e nas organizações, países incluídos. Eis uma lição desaprendida quando se tende a aumentar o cansaço e o stresse das populações - destruindo a economia, a educação e a saúde destas – ou potenciando a ascensão de novos barbarismos e outros primarismos sociais.

Por outro lado, o abster-se de desejar neste mundo para não sofrer decepções ou perder-se no labirinto da sua actividade é também um dilema (ansiedade) bastante moderno.

De acordo com a 3ª lei da Termodinâmica a libertação de impurezas de um sistema depende de uma sistemática redução na sua actividade. Hoje em dia não é necessário rejeitar os desafios que nos são apresentados, a solução reside paralelamente nessa redução eficiente da actividade de tal ordem que nos permite recuperar do stresse - anormalidades materiais e/ou estruturais bioquímicas, como as toxinas no organismo associadas a uma relação predominantemente desequilibrada com o ambiente. A título de exemplo - se injectarmos uma pessoa de lactato sanguíneo a mesma revelará sintomatologia depressiva.

O que acontece a partir da primeira experiência da MT é que o estado de repouso atingido pela mente e pela fisiologia é de cerca do dobro ao fim de 4 a 5 horas de sono. Tal é mensurável através do registo do consumo de oxigénio decair para -16% em relação ao estado de vigília, enquanto durante o sono nocturno o seu registo é de -8%, entre outros parâmetros neurofisiológicos, como demonstrado pela tese de doutoramento do Dr. Keith Wallace em 1970 na UCLA. Esta foi o primeiro de mais de 600 trabalhos científicos sobre esta técnica conhecida por MT.

Da mesma forma, durante a prática da MT – a coerência cerebral e a sincronia cerebral mensuráveis através do EEG proporcionam a redução da taxa metabólica da fisiologia (actividade) a um nível de tal ordem (estado de repouso em alerta mental) cujo modo de funcionamento permite equilibrar gradual e naturalmente a bioquímica associada ao stresse (terceira lei da termodinâmica) - que se traduz na experimentação de um grau de profundo repouso e alívio enquanto a mente está plenamente desperta em si mesma – o seu estado original.

O praticante - meditante restaura e desenvolve as suas capacidades mais profundamente enraizadas ao mesmo tempo que dá um mergulho da sua percepção refrescante nos níveis (camadas) mais refinados da sua própria actividade mental até eventualmente desfrutar do estado de excitação mínima e transcendental da consciência – Eis a matriz das boas práticas de acordo com David Lynch: www.davidlynchfoundation.org

Naquilo que registamos como pré-história, ainda de acordo com Fred Travis o cérebro funcionava na tomada de decisão predominantemente a partir do sistema sensorial localizado na parte anterior e imediatamente acima do cerebrelo que tem a ver com o medo e respostas do tipo lutar/fugir. Posteriormente a tomada de decisão e pensamento passam a ser localizados no sistema motor. A partir deste centro, as decisões são tomadas de uma forma mais elaborada e uma a uma, ou seja, sem muita atenção ao todo (visível nos estados do urbanismo, economia, educação, saúde…. e por aí fora). Atualmente o córtice pré-frontal começa a centrar à sua volta a origem da capacidade de decidir onde o raciocínio moral, o pensamento ético e global, a previsão e o planeamento estão sediados, por assim dizer. A MT destaca-se no seu contributo para a recentragem neste sentido de um novo modelo de funcionamento do cérebro e na mobilização das reservas latentes do mesmo de uma forma natural de acordo com Nicholai Nicholaevitch Lyubimov, Diretor da Academia das Ciências Russas de Moscovo, o que promete uma revolução na visão durkheimiana do mundo em que vivemos.

A nível macrossocial encontramos as Novas Oportunidades para um certo país que difere à sua maneira na digestão (das informações) do mundo, mundo em navegação para futuros algures ainda incógnitos…

Hoje este país precisa mais do que nunca de privilegiar os seus preciosos recursos humanos. Uma aposta reside no aumento da carga de objectivação da mente da população. Uma outra aposta (poderá ser concomitante com as Novas Oportunidades) reside no aumento da capacidade de digestão e de maior capacidade de incorporação de informação complexa – ou seja desenvolver (que é o contrário de envolver) a mente dos sujeitos.

O des-envolvimento da subjectividade é intrínseco ao desenvolvimento humano. Sem este equilíbrio entre sujeito e objeto e a sua relação processual, a mente fica desnutrida e as decisões decorrentes resultam num fardo estrutural para todos direta e indiretamente. E a partir daqui todos os bons desígnios dos melhores Projetos Sociais e Educativos caem sucessivamente na banalização e/ou nos labirintos da ansiedade. Numa palavra, o enveredar pela expansão da criatividade mental do sujeito é essencial… tudo o resto é urgente. Quanto ao recurso da ferramenta MT caberá aos decisores políticos e não só.

As boas práticas para connosco próprios e para com o mundo são determinantes para esta melhor ou pior História através da qualidade das continuadas decisões que tomamos… ou que negamos. Então paradoxalmente (além do paradigma clássico hegemónico) para melhorar toda esta visão materialista do sucesso e do reconhecimento pessoal/social surge uma ferramenta espiritual não-religiosa – uma dica, um segredo… uma via para o desenvolvimento do pleno potencial da mente através de uma técnica mental que há milhares de anos era dada aos Kshatryia - os governantes e militares dos diversos reinos da Índia clássica. Agora que se comemora o centenário da nossa respública é meu dever de cidadania promover a sua ampla difusão na nossa vida coletiva, como é o caso da Cooperativa Cultural de Ciência e Tecnologia Védica Maharishi no nosso país - e o velho paradigma da pobreza estrutural das mentalidades que por sinal tanto nos sai caro, acabará obviamente substituído. É a outra oportunidade.

Eduardo Espírito Santo

"Só Bombas... piroclásticas"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Interligação de Universos (7)

………………………………. Fala-me sobre a morte.

- Falar sobre a morte é falar sobre a Vida, sobre a continuação. Aquilo a que chamais “ morte “ é a transição, já por vós efectuada centenas, e por muitos, milhares de vezes. O acto de nascimento, a passagem do Real para o irreal, é para vós mais doloroso que a “morte”, é a passagem do ilimitado para o limitado. O véu que nos separa não vos permite, com os olhos dos sentidos, apreciar a comunicação dos dois planos, aquele em que vos encontrais agora, e o nosso, aquele de onde vieste. A Terra, esse belo planeta azul, é para vós a escola que vos propuseste frequentar para terdes várias experiências encarnados nesse corpo, com os seus limites, permitindo dardes mais um salto evolutivo na Consciência, o que não seria possível neste nosso lado, mas vós tendes a tendência de pensar que a vossa passagem por aí é um sacrifício, um peso, uma luta diária e que aquilo a que chamais Paraíso, se encontra neste nosso lado, sois como cegos que se chocam entre si no meio dele. Como podeis chamar “morte” à mudança de um estado denso para um mais subtil, mais perto daquilo a que sois em essência, Espírito, Energia Cósmica Universal, indestrutível.

António Alfacinha
Alfa2749@yahoo.com.br

domingo, 3 de outubro de 2010

“Rosas De Inexistências Passadas”

As rosas do meu quintal não murcham
Jamais se lhes acaba o perfume raro
Levo-as para todo o lado e até na mente
Sonho com um imenso jardim cheio delas...

Quem me dera ser a vida assim ajardinada
Onde somente o sussuro da brisa nos afaga
Os momentos em que a tristeza se nos acerca
Limpando em nossos corações as mazelas...

Vou correndo descompassado em tom de alegria
Sorrio a quem comigo cruza olhos de espanto
Rio de imaginar a força do rio a correr sadio
Visualizo a terra sedenta bebendo sua seiva...

Tanto tenho para contar e compartilhar
Que nao sei se começar por aqui ou por mim
Vendo que há algo esquecido bem lá dentro
Alguma coisa que soa a segredo oculto no íntimo...

Caminho pela beira em companhia das sombras
Agarro a luz tão desprevenidamente que me surpreende
Vou relendo a escrita em código gravada na calçada
Recorda-me de lembranças de reencarnações inexistentes...


Escrito em Luanda, Angola, a 05 de Setembro de 2010, por manuel de sousa, em Homenagem à Água e à rica rega com que ela alimenta a sendenta Vida Material...

sábado, 2 de outubro de 2010

Euromorfeus

Bom, ter de organizar o voto acerca de coisas tão enfadonhas quanto o sexo dos anjos e a matéria que constitui as asas dos mesmos, quebra a capacidade de vigília de qualquer mortal.
Depois, almoços pesados e bem regados dão uma cobra dos diachos. Para mais em salas aquecidas.
Com a breca, só se decretasse que as cadeiras tinham de ter pregos nas costas e nos assentos e que os deputados -- que são aqueles que deputam -- usassem obrigatoriamente fitas gomadas a sustentar-lhes as pálpebras é que podíamos exigir que deputassem bem e não passassem pelas brasas!
Mas podemos ver a coisa por outro prisma, que é pensarmos assim: ainda bem que dormem -- que o menino Jesus vele pelo seu soninho tranquilo e longo -- que enquanto dormem não nos fazem maldades.

Todavia...
Se nos fizerem maldades são apenas as que merecemos, consequência de termos posto aquele papelinho na urna. Urna é coisa que tem a ver com mortos. Ou não é?

Abdul Cadre
Defensor acérrimo da sesta, que é o Yoga ibérico, e da sexta, que é o dia em que se parte para espairecer um pouco, desde que se desligue o telemóvel, claro.
Façam o favor de ser felizes e dormir um pouco. Valeu?

"eurodeputado cansadinho de eurodeputar"

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria V


Outono Óleo sobre Platex 15x15cm
Autor António Tapadinhas
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

A mais popular obra de Vivaldi é "As quatro Estações", em que o compositor expressa musicalmente, de uma forma simples, directa e descritiva a natureza. O Outono (clic) estação da queda das folhas, é um concerto em fá maior para violino, cordas e cravo. Tem os três andamentos dos outros concertos e pela mesma ordem: “Vindima”, allegro, a bebedeira causada pelo vinho, adágio molto, e no último, o trepidante ritmo da caça, obviamente allegro, menos para o veado, que é morto!
Diz-se que o Outono é uma estação calma, de meias-tintas. Tal como acontece com o veado, também as folhas ao morrer não me deixam indiferente: mostram com a violência das suas cores, o seu protesto pela morte que adivinham! E como são eloquentes!
Quando morrer quero ter cores assim!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Aventuras de Luís Guerreiro e Tina no Brasil - Parte 9


A EXPOSIÇÃO DE RIBEIRÃO PRETO NO CERVEJARIUM.

TRABALHO, MUITO TRABALHO...

AS ENTREVISTAS AO JORNAL "A CIDADE" E À "RÁDIO ELDORADO-CULTURA-AM-RP"

O ROUBO DA MÁQUINA E A SUA SUBSTITUIÇÃO POR OUTRA.

A FINESSAGE, UMA VERNISSAGE QUE FOI FEITA NO FIM DA EXPOSIÇÃO.

O CERVEJARIUM LOTADO DE CONVIDADOS. CERVEJA COLORADO À DISCRIÇÃO, PRETA E BRANCA, BELISQUETES PORTUGUESES.
O SUCESSO, A FAMA...
TUDO E TUDO, MENOS DINHEIRO, MAS COMO DIZIA A NANDA, A MINHA QUERIDA CUNHADA, QUANDO TINHA 5 ANOS, "SE NÃO TEM DINHEIRO, PASSA UM CHEQUE!"

OS AGRADECIMENTOS A TODOS.

O FIM DAS "AVENTURAS DE LUÍS E TINA NO BRASIL"

POR ESTE ANO É TUDO, OBRIGADO PELA PACIÊNCIA DE VISIONAREM ESTAS CRÓNICAS TÃO MAL PRODUZIDAS...
MAS É O QUE SE PODE ARRANJAR.

UM GRANDE BEM "MUITA" HAJA PARA TODOS VÓS.

TINA E LUÍS, UM CASAL FELIZ

:D

Saudações,
Luís Cruz Guerreiro

PS: A entrevista dada para a Rádio Eldorado será brevemente publicada em www.azulejariaguerreiro.com

terça-feira, 28 de setembro de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL
XXIV


-A ciência chama-nos a atenção, dá-nos a entender, põe em destaque a singularidade que é a vida, a irrepetibilidade de cada ser.
-Explique-se melhor.
-Se você verificar as contingências que são precisas que se reúnam para o aparecimento de um determinado ser, percebe que há uma singularidade tão grande, há um conjunto de circunstâncias que se combinam de um modo e um momento tão únicos que não têm qualquer repetição no decurso do tempo. Ora se aplicarmos isso ao ser humano, para que cada um de nós tenha nascido foram precisas a reunião de tantas circunstâncias que só por si nos confeririam a máxima importância. Se a isso acrescentarmos o facto de sabermos que resultamos da reunião de um espermatozóide determinado com um óvulo também ele determinado e que se fosse outro espermatozóide e outro óvulo já não nasceríamos aqueles que somos mas outros, considerando tudo isso verificamos uma singularidade tão irrepetível… Repare que mesmo no limite único da nossa génese, isto é, no acto preciso de que parte a nossa formação enquanto ser vivo, mesmo aí permanecemos nesse domínio da singularidade, do irrepetível, quer dizer, tendo também isso em conta, então não há como negar que a vida, as nossas vidas, são uma singularidade tão grande, são tão irrepetíveis que por si só valem como toda a humanidade e por isso também não podemos deixar de as achar infinitamente dignas e a partir daí também poderemos construir todo um sistema de ideias e valores que se alicerce no respeito pela vida, pela dignidade dos homens que nesse sentido nascem iguais e fraternos por serem membros de uma mesma espécie e, por isso, todos eles, à nascença, infinitamente dignos e merecedores de todo o respeito. Mas ainda há uma outra maneira de aí chegarmos por via da racionalidade científica, se assim podemos falar, desta vez parece-me a mim que pelo lado da filosofia.
(…)
-Sou toda ouvidos.
-Basta que pensemos na morte.
-Na morte?
-Sim.
-O que é que a morte tem a ver com isto?
-Ora bem. Consideremos o ponto de vista materialista segundo o qual não existe qualquer Paraíso e que a morte é pura e simplesmente o fim de tudo. Não existe nada mais para além do derradeiro suspiro de cada um. Há quem defenda isso, não é assim?
-Sim.
-Então, nesse caso, voltamos a ter que considerar tudo aquilo que dissemos a respeito da singularidade de cada uma vida e por via disso do quão cada vida terá que ser necessariamente preciosa. Ela acontece uma única vez, não mais se repetirá e isso volta a remeter-nos para a tal singularidade tão grande que, por si só, nos confere esse tal estatuto de infinitamente dignos.
-É uma observação pertinente.
-Mesmo tendo em conta todo o ror de atrocidades que desde tempos imemoriais o homem tem infligido ao seu semelhante?
-Mesmo tendo isso em conta, é claro e repare que a ciência, uma vez mais, vem em nosso socorro nesse aspecto.
-Como assim?
-É que apesar de, pelas provas arqueológicas que temos encontrado, sabermos que os seres humanos sempre se flagelaram uns aos outros, a verdade é que também se sabe que a natureza humana não é a da concorrência e da conquista e da rapina.
-O que queres dizer com isso?
-Se não é parece, não?



-Mas não é. Os seres humanos viveram a maior parte da sua existência enquanto espécie como caçadores e recolectores e, nessa dimensão, a chave da sobrevivência sempre foi a da partilha e a da cooperação. Mesmo tendo em conta a violência entre os homens desde os tempos mais primitivos, a verdade é que em tal modo de vida que foi o nosso desde as origens e que partilhamos ou herdamos das espécies anteriores das quais evoluímos, como, por exemplo, o homo erectus que, tudo o indica, já seria caçador, em tal modo de vida, dizia, a chave da sobrevivência sempre foi a da partilha e da cooperação e, se tivéssemos alguma natureza, seria assim essa. Portanto, nunca poderíamos sustentar que o homem é, por natureza, concorrente e predador em relação ao seu semelhante ainda que de facto também o seja, quer em relação ao seu semelhante como em relação ao meio envolvente no qual sobrevive. Mas não é essa a característica que lhe garantiu a sobrevivência; essa foi a da partilha. O gesto aparentemente inocente do caçador que chegava ao acampamento e partilhava a carne, da mesma maneira que esse outro gesto de apresentar, para a refeição do dia, aquilo que se tinha recolhido no ecossistema circundante. Foi isso que possibilitou que as populações humanas sobrevivessem e se multiplicassem num meio que, apesar de toda a abundância que a Natureza lhe colocou ao dispor, não deixava por isso de ter as suas hostilidades e naturalmente mortais. Mas foi essa relação de grupo que permitiu aos seres humanos resistirem à fome e ao frio e se, quiséssemos apontar alguma natureza para a nossa espécie, essa seria certamente a primeira de todas. Afinal, é aquela que seguramente se verifica desde sempre. Para além do que sabemos que existem populações humanas que nunca conheceram a guerra que, tal como os Andaman do arquipélago do Sueste do sub-continente indiano, nem mesmo têm uma palavra para designar esse fenómeno.
-Muito curiosa, essa tua observação.
-Mas isso mostra-nos que não estamos condenados e viver em conflito uns com os outros, não é?
-Sim.
-E isto mesmo tendo em consideração que também há povos que vivem sobretudo da caça e da recolecção, como nas terras altas da Nova Guiné e que vivem em quase conflito permanente entre grupos diferentes. Há meio século até, ainda haviam caçadores de cabeças. Mas não é isso que apaga aquilo que disse.
E agora voltando ao Pessoa, é por tudo isto que referi que, em minha opinião, não achei assim tão transcendente o seu ponto de vista da potencial infinitude que cada um tem dentro de si.

O sopro e o arranhar do chão, cascateado numa amaragem fonte de um ondulado aplaudido pelos piares que passam e, no atrevimento, saltitam nas margens, na concomitância do gargalhar da folhagem.

-Vocês não se querem levantar e passear um pouco? Não quererão aproveitar a frescura para continuarmos esta conversa por este sítio tão bonito?
-Por mim, já estou no ir.
-E eu já estou levantada.
-Vamos então.
-Depois de si.
(…)
(…)
(…)
-Diz-se que as conversas são como as cerejas, não é verdade? Mas depende sempre da qualidade das mesmas, não será? Aqui temos daquelas gradas e cheias de sabor. Já repararam onde o nosso Fernando Pessoa nos levou? Não será isso um testemunho, o melhor testemunho da grandeza da obra que nos legou?
-Estou inteiramente de acordo consigo.
-Não nos faltam provas de…


FIM

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

manipulação da luz

Lucas Rosa

CURSO ANUAL DE CULINÁRIA MACRO-VEGETARIANA

Olá!
Dia 8 de Outubro começa o meu Curso Anual de Culinária Macro Vegetariana (baseada nos Princípios da Alimentação Ayurvédica e da Macrobiótica).
No dia 8 Outubro, 6ª feira, é apenas a aula teórica, e no sábado 9 Out. passaremos à prática! Têm em baixo as datas das aulas de Outubro até Junho de 2011.
Para informações e inscrições têm que ligar para a Secretaria da Sociedade Portuguesa de Naturalogia, 21.3463335, entre as 12h00 e as 19h00.
Conto convosco e poder ver-vos em breve!
Agradeço, desde já, a divulgação deste email. :)


Um abraço,

Paula Soveral
tlm: 93.6423440
www.paulasoveral.net

sábado, 25 de setembro de 2010

VARIAÇÕES DE SE SER, algumas reflexões

Tudo o que o espírito materializa produz significações reactivas
Tudo o que é exterior ao espírito produz significações reactivas

Na tentativa de racionalizar o acto intuitivo e de fixá-lo num suporte a que o outro entenda, sem que sejam necessárias verbalizações, muita coisa poderá ficar sem ser fixada. Quando entramos no campo do subtil, a materialização do ímpeto interior sustenta-se por si só, tornando-se una com a envolvente e a envolvência de quem frui e se permite à fluição desse instante.

A árvore é uma árvore, ganha vida nos jogos de sombra. A sua silhueta é a essência da sua própria vida, a que constrói com um outro, nessa relação de troca subtil. Troca essa, que se complexifica na simplicidade do acto de se ser. Ser esse, que se traça numa linha ténue por vezes recta, por vezes curva, por vezes vazia de conteúdo e outras vezes ainda carregada de sombras.

As raízes alimentam-na, mantém-na atenta à consciência de que existe uma realidade que dá forma ao tronco, este sustenta-a na sua relação com o térreo, querendo sempre alcançar o etéreo com os seus ramos. E é nessa tentativa de querer abraçar o vento que todo o silêncio ecoa.

O silêncio ecoa no movimento
A palavra ecoa no irreflectido/reflectido
A acção ecoa na materialidada
Somos assim...nas variações de se ser

Maribel Sobreira, Julho de 2009

Texto no âmbito da instalação "Espaço" no www.projectoasala.blogspot.com/2009/07/maribel-sobreiraespacoquarta-feira-22.html

pormenor da instalação "Espaço", Maribel Sobreira 2009.