terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma oportunidade para as boas práticas – MT – uma técnica mental sem esforço

A procura da melhor forma para um encontro no terceiro grau com o sucesso está presente nas mais diversas expressões da atualidade social e pessoal… livros de auto-ajuda, cursos de formação, master classes – (estou a lembrar-me por exemplo de David Lynch no Centro de Congressos do Estoril, em 17 de Novembro, no Festival de Cinema de Cascais há cerca de três anos, a falar de Meditação Transcendental - MT) workshops, etc.

Queremos dias libertos de erros e de más notícias… queremos ir além da qualidade truncada que vai e volta, volta e vem; procuram-se sistemas de engenharia humana e práticas sociais que previnam perdas de tempo com correções, ou pedidos de desculpa pelos desnecessários incómodos decorrentes.

As boas práticas serão parte do fenómeno de busca da nossa realização pessoal e social dada a sociedade de competição… ou apenas um epifenómeno de algo mais radical, subjacente a uma necessidade interior de retorno a determinada grandeza perdida?

Para o investigador neurólogo Fred Travis da MUM dos EUA as redes dos 100 biliões de neurónios do cérebro humano refazem-se 70% em cada 24 horas; Em cada segundo cada neurónio está em rede com 10.000 outros neurónios recebendo e enviando mensagens. Qualquer experiência (mensagem) entre estes altera a qualidade do funcionamento do cérebro; Por seu turno, a qualidade do funcionamento do cérebro determina a qualidade da mente e vice-versa... As boas práticas emergem de uma mente individual em equilíbrio constante. Daí que todos nós somos mais do que recursos humanos para a produção fordista. Somos seres muito especiais que têm necessidades subjectivas fundamentais desatendidas pelas culturas das sociedades de consumo e idolatria dos seus objectos que por sua vez mediatizam e distribuem relações de poderes sociais.

Os erros em todas as áreas destas sociedades advêm dos efeitos do stresse pessoal/social que por sua vez tende a obnubilar a mente e a reiterar estados de erro crónico (estrutural) nos indivíduos e nas organizações, países incluídos. Eis uma lição desaprendida quando se tende a aumentar o cansaço e o stresse das populações - destruindo a economia, a educação e a saúde destas – ou potenciando a ascensão de novos barbarismos e outros primarismos sociais.

Por outro lado, o abster-se de desejar neste mundo para não sofrer decepções ou perder-se no labirinto da sua actividade é também um dilema (ansiedade) bastante moderno.

De acordo com a 3ª lei da Termodinâmica a libertação de impurezas de um sistema depende de uma sistemática redução na sua actividade. Hoje em dia não é necessário rejeitar os desafios que nos são apresentados, a solução reside paralelamente nessa redução eficiente da actividade de tal ordem que nos permite recuperar do stresse - anormalidades materiais e/ou estruturais bioquímicas, como as toxinas no organismo associadas a uma relação predominantemente desequilibrada com o ambiente. A título de exemplo - se injectarmos uma pessoa de lactato sanguíneo a mesma revelará sintomatologia depressiva.

O que acontece a partir da primeira experiência da MT é que o estado de repouso atingido pela mente e pela fisiologia é de cerca do dobro ao fim de 4 a 5 horas de sono. Tal é mensurável através do registo do consumo de oxigénio decair para -16% em relação ao estado de vigília, enquanto durante o sono nocturno o seu registo é de -8%, entre outros parâmetros neurofisiológicos, como demonstrado pela tese de doutoramento do Dr. Keith Wallace em 1970 na UCLA. Esta foi o primeiro de mais de 600 trabalhos científicos sobre esta técnica conhecida por MT.

Da mesma forma, durante a prática da MT – a coerência cerebral e a sincronia cerebral mensuráveis através do EEG proporcionam a redução da taxa metabólica da fisiologia (actividade) a um nível de tal ordem (estado de repouso em alerta mental) cujo modo de funcionamento permite equilibrar gradual e naturalmente a bioquímica associada ao stresse (terceira lei da termodinâmica) - que se traduz na experimentação de um grau de profundo repouso e alívio enquanto a mente está plenamente desperta em si mesma – o seu estado original.

O praticante - meditante restaura e desenvolve as suas capacidades mais profundamente enraizadas ao mesmo tempo que dá um mergulho da sua percepção refrescante nos níveis (camadas) mais refinados da sua própria actividade mental até eventualmente desfrutar do estado de excitação mínima e transcendental da consciência – Eis a matriz das boas práticas de acordo com David Lynch: www.davidlynchfoundation.org

Naquilo que registamos como pré-história, ainda de acordo com Fred Travis o cérebro funcionava na tomada de decisão predominantemente a partir do sistema sensorial localizado na parte anterior e imediatamente acima do cerebrelo que tem a ver com o medo e respostas do tipo lutar/fugir. Posteriormente a tomada de decisão e pensamento passam a ser localizados no sistema motor. A partir deste centro, as decisões são tomadas de uma forma mais elaborada e uma a uma, ou seja, sem muita atenção ao todo (visível nos estados do urbanismo, economia, educação, saúde…. e por aí fora). Atualmente o córtice pré-frontal começa a centrar à sua volta a origem da capacidade de decidir onde o raciocínio moral, o pensamento ético e global, a previsão e o planeamento estão sediados, por assim dizer. A MT destaca-se no seu contributo para a recentragem neste sentido de um novo modelo de funcionamento do cérebro e na mobilização das reservas latentes do mesmo de uma forma natural de acordo com Nicholai Nicholaevitch Lyubimov, Diretor da Academia das Ciências Russas de Moscovo, o que promete uma revolução na visão durkheimiana do mundo em que vivemos.

A nível macrossocial encontramos as Novas Oportunidades para um certo país que difere à sua maneira na digestão (das informações) do mundo, mundo em navegação para futuros algures ainda incógnitos…

Hoje este país precisa mais do que nunca de privilegiar os seus preciosos recursos humanos. Uma aposta reside no aumento da carga de objectivação da mente da população. Uma outra aposta (poderá ser concomitante com as Novas Oportunidades) reside no aumento da capacidade de digestão e de maior capacidade de incorporação de informação complexa – ou seja desenvolver (que é o contrário de envolver) a mente dos sujeitos.

O des-envolvimento da subjectividade é intrínseco ao desenvolvimento humano. Sem este equilíbrio entre sujeito e objeto e a sua relação processual, a mente fica desnutrida e as decisões decorrentes resultam num fardo estrutural para todos direta e indiretamente. E a partir daqui todos os bons desígnios dos melhores Projetos Sociais e Educativos caem sucessivamente na banalização e/ou nos labirintos da ansiedade. Numa palavra, o enveredar pela expansão da criatividade mental do sujeito é essencial… tudo o resto é urgente. Quanto ao recurso da ferramenta MT caberá aos decisores políticos e não só.

As boas práticas para connosco próprios e para com o mundo são determinantes para esta melhor ou pior História através da qualidade das continuadas decisões que tomamos… ou que negamos. Então paradoxalmente (além do paradigma clássico hegemónico) para melhorar toda esta visão materialista do sucesso e do reconhecimento pessoal/social surge uma ferramenta espiritual não-religiosa – uma dica, um segredo… uma via para o desenvolvimento do pleno potencial da mente através de uma técnica mental que há milhares de anos era dada aos Kshatryia - os governantes e militares dos diversos reinos da Índia clássica. Agora que se comemora o centenário da nossa respública é meu dever de cidadania promover a sua ampla difusão na nossa vida coletiva, como é o caso da Cooperativa Cultural de Ciência e Tecnologia Védica Maharishi no nosso país - e o velho paradigma da pobreza estrutural das mentalidades que por sinal tanto nos sai caro, acabará obviamente substituído. É a outra oportunidade.

Eduardo Espírito Santo

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