terça-feira, 8 de maio de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A praça da revolução é um imenso terreiro rodeado de edifícios governamentais e pela sede do Partido Comunista no seu ponto mais alto. Ao centro e bem ao estilo da arte imponente da consagração dos poderes políticos, um monumento a uma revolução anterior àquela que agora as multidões festejam e apoiam, ao sabor dos longos discursos do comandante supremo, o camarada Fidel que permanece fiel, hasta la vitória, ao socialismo que o Che, o ícone de la revolucion o muerte, lá está, numa das fachadas, em contornos de ferro a preto, para lembrar aos cubanos o muito que devem à imposta igualdade que, só na aparência das pretensões, gerou uma sociedade de iguais. 


Mas a cidade é bonita, mesmo tendo em conta as chagas que a economia estatizada lhe provocou, a luz que envolve o casario espreitando o mar, deixa-nos ver o rosto de uma urbe cheia de personalidade, ainda que nos últimos decénios possa ter perdido a alma. 

É lamentável o estado de degradação a que se deixaram chegar muitos edifícios, literalmente a cair, em alguns casos, esventrados e sujos naqueles em que podemos, eufemisticamente, falar de envilecimento. 
É incrível como há pessoas a morar em tais buracos, sem janelas e com as paredes das varandas caídas. Mas os inquilinos lá estão, olhando o oceano, sempre olhando o oceano e a roupa estendida assim o indica, em andares feitos quintais pelas ruínas que só tem paralelo no caos que são os emaranhados de fios que instalam uma electricidade de lâmpadas tristonhas. 


Há gente que na rua aborda o estrangeiro de mão estendida, por um dólar, curiosamente, uma das moedas correntes no país. 
E também há quem pretenda vender charutos que, sendo uma forma disfarçada de pedir, não deixa igualmente de ser expressão de vigarices várias. 

Contudo, nas ruas, não se avista a população raquítica e estropiada das metrópoles dos países pobres e, seja lá como for, todos andam vestidos e calçados. 



Na cidade velha sente-se ainda a expressão da colonização espanhola, com os palacetes virados para o centro de um jardim interior e as varandas de madeira trabalhada que aqui não foram fechadas por vidraças. 

Há um grupo carnavalesco cubano animando as ruas e as praças têm estátuas dos homens que lutaram pela independência. 

A Catedral, do século XVII, tem o calcário corroído pelo ar que sopra do mar e por dentro ostenta a modéstia da devoção em país oficialmente ateu. 



Regresso ao hotel para o jantar e o necessário repouso. 



Acabei de ler o trabalho de Helena Matos sobre Salazar. 


Dado o erro do vendedor do Círculo de Leitores, li primeiro o segundo volume, mas não faz mal. 


Não sendo o trabalho de uma historiadora, antes algo na esteira de uma análise de conteúdo da imprensa da época e, a partir daí, o registo da imagem que o próprio quis dar de si, para o que teve a cobertura e o empenho activo de alguns dos seus acólitos. 

O resultado é uma leitura incontornável para quem queira compreender o salazarismo e as suas especificidades, enquanto regime totalitário, no contexto dos congéneres nazismo alemão e fascismo italiano. 
Fica clara a criação do mito salazarista de competência e clarividência, tal como da vontade e disponibilidade do homem para exercer o poder de forma absoluta. 
E lá está bem nítida a ideologia nacionalista e católica, o ruralismo assente no poder do pater famílias, como a marca mental que caracterizou o fascismo português que, se após a segunda guerra mundial se transformou num anacronismo incapaz de se renovar e responder aos desafios do desenvolvimento capitalista que então se verificou, não deixou por isso de ter o mesmo culto do chefe que os congéneres e de pretender organizar todos os detalhes da vida dos portugueses enquanto foi vitoriosa. 

Agora fico cheio de curiosidade pelo primeiro volume. 



A noite, em Havana, tem o timbre de um país policiado. 


     Havana 
 28/03/2004 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Matos, Helena, SALAZAR, Vol. 2, Círculo de Leitores, Lisboa, 2003

segunda-feira, 7 de maio de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (303)


Praça do Castelo, Autor, Denis Mandarino
40 x 100 cm


Denis Mandarino, nascido em São Paulo a 7 de maio de 1964 é um compositor, escritor e artista plástico brasileiro.

Escreveu em 1995 a Teoria da Percepção Quadridimensional, na qual afirma que os conceitos por detrás da perspectiva renascentista envolvem quatro dimensões, em vez da tridimensionalidade que habitualmente lhe é atribuída.

Em 2007, publicou um manifesto literário propondo o Versatilismo.

"No Versatilismo não existem concursos de arte, pois nenhum homem, ou grupo, está apto a julgar o trabalho de outro(s) homem(ns). Um crítico de arte analisa uma situação sempre de um ponto de vista profundamente limitado, porque limitados são os seus conhecimentos. Os concursos e prêmios podem ser formas de dirigir a opinião pública e, desse modo, valorizar este ou aquele artista em busca de vantagens financeiras ou sociais, entretanto éticas iniciativas culturais são louváveis."

Fonte: Universidade de São Paulo - Trecho do Manifesto Versatilista (2007)

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Cacaueiro


"Se entre pedras pode haver uma flor, porque é que entre nós não pode haver amor?" Surripiei esta romântica frase  de uma ervanária de Viana do Castelo aquando da estada no Hotel da Fábrica do Chocolate e visita ao respetivo museu.
O cacaueiro vai ser o protagonista da próxima lição de fitoterapia.

Miguel Boieiro


Depois de ter andado por várias roças de cacaueiros na ilha de São Tomé, visitei na Tasmânia (Austrália) a fábrica de chocolates da Cadbury e, mais tarde, o magnífico Museu do Chocolate da cidade de Colónia (Alemanha). Modéstia à parte, este era já um currículo chocolateiro invejável, mas faltava ainda conhecer a Rota do Chocolate organizada pelo Cacau Clube de Portugal, cujo itinerário abrange Aveiro, Porto e Viana do Castelo. Esta persistente “cacaufilia” foi estimulada pela tertúlia “Do Cacau para o Chocolate”, realizada em março na Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal, brilhantemente dirigida pelo professor gastrónomo Virgílio Gomes e pela leitura da obra, que vivamente recomendo, “Um Ano de Chocolate”, de Odete Estêvão.

Na Rota do Chocolate há a destacar a visita à “Feitoria do Cacao” em Aveiro, a pernoita no Hotel Fábrica do Chocolate, integrando a visita ao respetivo museu interativo na antiga fábrica de chocolates vianense, em Viana do Castelo e finalmente o passeio pelas tradicionais chocolatarias do Porto: “Equador”, “Maria Chocolate” e “Chocolataria das Flores”. Não é possível mencionar neste singelo escrito os riquíssimos pormenores, sentires, saberes e sabores que o cronista fruiu, mas deu para refletir e aprender. Condensa-se, a seguir, numa síntese imperfeita, de formulação obviamente discutível, algo do muito que foi apreendido.

O cacaueiro, ou seja, o Theobroma cacao é uma pequena árvore que geralmente não excede os 6 metros de altura, existente apenas nas regiões tropicais, mais propriamente numa faixa que raramente ultrapassa a latitude de 20 graus acima e 20 graus abaixo da linha do equador. Desenvolve-se em solos férteis com pluviosidade elevada, temperaturas que variam entre os 18 e os 32 graus centígrados e à sombra de árvores de maior porte.

Os botânicos incluíram o cacaueiro na família das Malvaceae. A planta é perene, estando em flor e frutificando durante todo o ano. É uma espécie caudiflora, ou seja, as flores e os frutos surgem ao longo do tronco principal e nos ramos adjacentes. As folhas são grandes, pecioladas, elípticas ou oblongas e alternas. As flores surgem aos cachos, muito pequenas, esbranquiçadas, em forma de estrela. Os frutos são carnosos e oblongos, cuja cor que, contudo, não indica o estado de maturação, vai do amarelo ao vermelho e quando secos passam a castanho-escuro. No seu interior, as sementes de cacau (30 a 40 por fruto) encontram-se encapsuladas numa polpa branca agridoce que serve para preparar uma excelente bebida refrescante, como a que nos foi dada a provar à chegada ao Hotel Fábrica do Chocolate.

As civilizações pré-colombianas desde há 1500 anos a.C. já utilizavam uma bebida amarga confecionada com as sementes do cacau, a que chamavam tchocolat, considerada estimulante e afrodisíaca. Diz-se que o imperador azteca Montezuma bebia, por dia, 50 malgas dessa bebida para aumentar o seu vigor. Acrescente-se que Theobroma se decompõe em theo (deus) e broma (alimento), logo, “alimento dos deuses”. O seu valor era tal que chegavam a utilizar as sementes como moeda de troca.

Os espanhóis trouxeram para a Europa essa bebida divina a que se adicionou açúcar, frutas e especiarias como a baunilha, entre outras. A massa do cacau originou a tablete de chocolate. A junção de leite em pó foi uma invenção de Henri Nestlé que teve enorme sucesso e o chocolate, finalmente, universalizou-se.

A maturação dos frutos demora, em regra, 5 a 6 meses. A colheita é feita manualmente e os frutos são esventrados para retirar as sementes, grãos, castanhas, ou favas, como também são chamadas. Dá-se depois a fermentação e a secagem. Nas respetivas fábricas do chocolate procede-se à torrefação, à retirada da casca, à moagem para obter a pasta de cacau que contém cerca de 50% de gordura (manteiga de cacau), ao envelhecimento, à conchagem, à temperagem e à moldagem. Bem, o processo é complexo e este escriba não dispõe de conhecimentos suficientes para detalhá-lo. Quem quiser saber mais visite, por favor, a Feitoria em Aveiro e o Museu em Viana.

O cacau proporciona um sem número de especialidades gastronómicas bem mencionadas no admirável livro de Odete Estêvão. A manteiga de cacau que derrete à temperatura do corpo humano (36 graus centígrados) é usada em medicina e em cosmética. O cacau serve para confecionar batons, champôs, velas, sabonetes, cervejas, sorvetes, geleias …

Ninguém é alérgico ao cacau, pelo contrário. As alergias que porventura poderão surgir são devidas, ou ao leite, ou à lecitina de soja, ou ao açúcar ou a outras incorporações adicionadas nos chocolates.
O cacau é muito rico em antioxidantes e contém centenas de compostos úteis para a saúde, entre os quais, teobromina, cafeína, cálcio, cobre, ferro, magnésio, manganês, potássio, zinco, vitaminas B, C, E e provitamina A. O chocolate negro (com mais de 70% de cacau e sem açúcar) é um superalimento com as seguintes propriedades no que respeita à saúde: antidepressivo, estimulante da serotonina/cérebro, preventivo das doenças degenerativas, diminui o risco de enfarte, melhora a circulação, combate as doenças intestinais, aumenta a sensibilidade à insulina, baixa o colesterol, possui ação anti-inflamatória, fornece energia e desperta o humor e a boa disposição.

Chega?

quarta-feira, 2 de maio de 2018

EG99



ESTUDO GERAL
abr/mai     2018           Nº99

"Não basta ouvir o silêncio fora. É preciso silêncio dentro. E aí, quando se faz silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia"
(Rubem Alves)

Sumário
dueto luso-brasileiro
uma outra nau
sobre livro de Eduardo Aroso
para livro de Pedro Martins sobre Jaime Cortesão (no prelo)
ensaio, gentilmente partilhado no EG pelo autor
na Síria...
teatro politécnico
a novela literária do Estudo Geral, às terças
acrílico sobre tela
Alhos Vedros TV, entrevista de Luís Santos e realização de Luís Rosa



---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------

terça-feira, 1 de maio de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Havana, finalmente!

A viagem foi cansativa. Mais de dez horas dentro de um avião e, à chegada, duas horas de autocarro entre o aeroporto de Varadero e a capital.

Agora o quarto do hotel e a noite de sono que nos espera e que esperamos seja revitalizador.
Há um mundo a descobrir a partir de amanhã.


E o mar, visto do Malecón, dá sinais de vida com a espuma que salta sobre o passeio costeiro.

A cidade tem o silêncio das vias sub-aproveitadas pelo tráfego.


     Havana
  27/03/2004

segunda-feira, 30 de abril de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (302)

Auto-retrato, Autor Dorival Caymmi
Óleo sobre Tela

No dia 30 de abril de 1914 nasceu, em Salvador da Baía, Dorival Caymmi, cantor, compositor, violonista, actor e pintor.

"Uma faceta desconhecida e um tanto subestimada de Dorival Caymmi é a sua dedicação à pintura. Fã de Giotto, Utrillo, Cézanne, Gauguin, Tintoretto, Matisse e Pancetti, o baiano era praticamente um mestre da pintura e do desenho. Para muitos críticos isso explica a inigualável riqueza visual de suas composições musicais, que levam o ouvinte a “enxergar” as cenas descritas nas letras. Eis o trecho de uma entrevista que concedeu a Paulo Mendes Campos para a Revista da Música Popular de janeiro de 1955:
Bem, eu acompanhei toda essa querela entre abstracionismo e figurativismo. Mas não cheguei a uma posição definitiva. Sou um lírico em pintura, gosto da harmonia das cores. Por outro lado, não posso me desprender da forma. Meu ideal seria uma pintura que correspondesse em cores às harmonias de uma fuga de Bach."

Dorival Caymmi morreu no dia 16 de agosto de 2008, aos 94 anos, no Rio de Janeiro.

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Erva-de-são-roberto



Está no tempo propício para colher a erva-de-são-roberto!

por Miguel Boieiro

Quem fervilha nos meios urbanos, em atividade intensa e desgastante, precisa regularmente de visitar a natureza para a conhecer e desfrutar das suas benesses. Ir ao campo ou à praia, para além de constituir um passeio desintoxicante, se soubermos evitar os arreliadores “engarrafamentos”, é uma ocasião soberana para descansar a mente e apurar os nossos dotes inatos de observação. É também uma boa oportunidade para se receber uma admirável lição de lógica – a lógica da natureza, onde tudo se encadeia harmoniosamente.

Vem isto, a propósito, dos milhares e milhares de citadinos que, durante todo ano, frequentam o extenso areal que vai da Costa da Caparica à Fonte da Telha. Cremos que toda a gente se dá conta do imenso acacial que antecede a duna primária, mas quantos reparam na complexa sociologia vegetal que se desenvolve por debaixo dos arbustos? Quantos conhecem essa utilíssima planta que dá pelo nome de erva-de-são-roberto? E, no entanto, essa planta medicinal medra aí, na semi-penumbra, em doses industriais que quase daria para abastecer o mundo. O facto é de que muitas pessoas usam o “chá”, comprando a erva seca nas ervanárias, mas desconhecem que a respetiva planta vegeta à nossa volta com o seu odor inconfundível e aparência muito própria que não escapa ao bom observador.

Vamos então detalhar o Geranium robertianum L, da família das Geraniáceas, uma das minhas plantinhas preferidas.

Trata-se de uma delicada erva selvagem que pode atingir 40 cm de altura. Possui caules parcialmente avermelhados e algo peludos, e folhas alternas, pentagonais muito recortadas, de pecíolo longo, cuja forma e tamanho fazem lembrar a salsa. As flores possuem tons rosa-violáceos. As sementes formam cinco carpelos com extremidades ponteagudas que lembram o bico de um grou. Por isso, no Brasil, também é conhecida por “bico-de-grou”. Os caules, muito frágeis, são mais avermelhados junto à raiz e possuem intumescências nos nós.

A erva-de-são-roberto tem o seu habitat nos terrenos húmidos e baldios, em lugares sombrios, por todo o país. É muito frequente nas matas, onde alastra em grandes extensões.

A planta deve ser colhida logo que se encontra em flor. Deve-se evitar apanhá-la quando existe humidade, dada à sua textura muito tenra que ocasiona rápida deterioração. Pela mesma razão, a secagem deve fazer-se, com cuidado, ao abrigo do sol e em lugares secos.

Finalmente, para que serve a erva-de-são-roberto? Pois, para um nunca mais acabar de moléstias: doenças intestinais, como colites, prisão do ventre e outras, úlceras de estômago e do aparelho digestivo em geral, dores de dentes, feridas, doenças da pele, anginas, diabetes, edemas, hemorragias, infeções oculares, e nefrites. Há até quem a recomende para o tratamento de doenças cancerosas.

Contém princípios ativos à base de tanino, óleo essencial, substância amarga, ácidos orgânicos e vitamina C.

Principais propriedades: adstringente, anti-espasmódica, diurética, hemostática, tónica, vulnerária, etc.

Utiliza-se tradicionalmente a infusão, bastando 15 gramas por litro de água, dispensando-se a fervura demorada. O reputado Dr. Indiveri Colucci costumava receitar a erva fresca finamente cortada e misturada com gema de ovo, tomando o doente esta mistura em jejum. No caso de não se conseguir a planta em verde, deve seguir-se o mesmo método com a planta seca pulverizada.

Podemos também utilizá-la sob a forma de compressas, lavagens exteriores, bochechos, em pó e em essência.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Relembrando Augusto Sobral


Encenação de José Gil


É já na Sexta-Feira, 27 de Abril 2018, 15h, "Consultório" de Augusto Sobral, as actrizes estudam e preparam os últimos ensaios para os próximos dias, o cenário está pronto,É na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal,Sala de Drama.Como sempre Entrada Livre. Desta vez com uma simples marcação por email individuais, grupos ou turma: teatro.politecnico@ips.pt
23ª apresentação (2013-2018)
A não perder!
Teatro Absurdo -Teatro Rápido - Tragédia Optimista - Tragédia Terapêutica - Trágico-comédia - Actrizes e actor por ordem de entrada em cena Madalena Roque, Júlia Justino, Jose Gil e Anabela Pereira,Cartaz Ana Aguizo, fotografias Francisco Matias

AUGUSTO SOBRAL (1933-2017)


Dramaturgo e homem do teatro, morreu aos 83 anos.
Augusto Sobral, dramaturgo, tradutor e homem do teatro,
nasceu em 1933, foi estudante na Escola de Belas Artes de Lisboa e integrou o grupo de oposição MUD Juvenil.
Estreou-se como autor, em 1961, com duas peças em um ato - O Borrão, pelo Grupo Cénico da Faculdade de Direito, e Consultório, no TNDM II, com encenação de Artur Ramos, seguida, em 1963, de OsDegraus, peça em dois atos não aprovada pela censura.
No teatro, além de autor e tradutor, teve experiência como ator, encenador e cenógrafo. Foi membro fundador do Grupo de Teatro Proposta, em 1975, ao lado de Manuel Coelho, Fernando Gusmão, Luís Alberto e Victor Esteves. Entre os trabalhos deste grupo destaca-se Notícias do Poder (1976)
Em 1977 e 1978, escreve com José Carlos Ary dos Santos, para o Grupo 4, o texto-guião dos espetáculos musicados Os Macacões O Caso da mãozinha misteriosa. Seguiram-se peças, muitas delas publicadas, tais como: Quem matou Alfredo Mann (representada, em 1981, pelo TEAR); Memórias de uma mulher fatal (1981; Prémio da Crítica, ex-aequo para o melhor original português); Abel Abel (1984; Teatro do Bairro Alto); Inexistência (2002; Teatro Mirita Casimiro).
Traduziu, entre outras, as peças Três Irmãs de Tchekhov, Sonho de uma noite de verão de Shakespeare e A Escola de mulheres de Molière. Colaborou ainda com Fonseca e Costa nos guiões dos filmes Os Demónios de Alcácer-Quibir Viúva rica solteira não fica.Terminada
Em 2012, o encenador Rogério Vieira voltou a Memórias de uma mulher fatal, que encenou e interpretou num espetáculo apresentado no Teatro Nacional D. Maria II. Na folha de sala desse espetáculo, um pequeno texto de Augusto Sobral falava da sua aproximação ao teatro do absurdo."[https://www.dn.pt/artes/interior/morreu-augusto-sobral-5645911.html]

terça-feira, 24 de abril de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

NA VÉSPERA DA PARTIDA

Jantar em casa dos avós paternos onde as miúdas passarão a próxima semana pois os pais terão uns dias de férias em Cuba. Trata-se de uma das habituais ofertas que as seguradoras fazem à empresa e como vem sendo habitual nestes últimos anos, pai e mãe lá vão para gozo da sua semanita folgada. 

Também precisam e faz bem. Sabemos quão importante é a felicidade dos progenitores para a educação dos filhos. 



Mas os afazeres da viagem é que nos tomaram o tempo destes últimos dois dias. 
Agora tudo está em ordem. 

Sairemos às dez de Lisboa, faremos escala em Punta Cana e chegaremos a Varadero ao fim da tarde isto, claro está, pela hora cubana. 



Ontem os alunos fizeram exercícios em torno da nova palavra dada, mas também trabalharam os números com contas de somar e subtrair. 
Hoje foi o dia das lições de música e de religião e moral, para além do que fizeram uma ficha com a nova palavra dada. 



E agora vamos dormir que amanhã será dia de aeroportos e aviões. 


 Alhos Vedros 
  26/03/2004

segunda-feira, 23 de abril de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (301)




Igreja de S. Miguel, Alfama, Lisboa  
Autor António Tapadinhas
óleo sobre tela (80x60)

Igreja de São Miguel encontra-se situada na freguesia de Santa Maria Maior, Lisboa.
O templo original data do início da nacionalidade, tendo sido completamente reedificado entre 1673 e 1720 em estilo maneirista e barroco. A fachada desenvolve-se em altura, com duas torres sineiras. O interior é de nave única, com tecto de madeira e painéis ornamentais.

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 20 de abril de 2018

APOCALYPSE NOW (OU O GANG DOS DINOSSAUROS)


Quando eu era rapaz, lá no meu bairro, a miudagem resolvia habitualmente os seus conflitos à estalada, ou mesmo ao pontapé, e, em casos mais extremados, à pedrada. Nada de mais. Podia haver cabeças partidas, mas só isso, e tudo acabava bem, normalmente com a interferência de juízes de paz de ocasião: vá, façam as pazes, apertem a mão.

Esclareça-se que o entrar em vias de facto não era imediato, havia um ritual, preliminares como coisa de amantes. O desafiante cuspia no chão e só ia à cara do outro se ele espezinhasse o cuspo.


Também é assim com os adolescentes transviados, os mentecaptos que o povo identifica como «cá dos nossos» e coloca no cavalo do poder. Cada alcandorado destes é a sumarização dos piores vícios da populaça em um só indivíduo.


O problema é que esta miudagem cretina e malformada tem ao seu dispor pedras muito perigosas e escasseiam os juízes de paz de ocasião de antigamente.


Aquela senhora com ar de porteira das Avenidas Novas, metida num brexit que lhe arrepia o toutiço, assim que viu o czar bamboleante cuspir no chão, foi a correr pisar a desagradável cuspidela e telefonou de imediato ao fraldisqueiro da França e à patroa da Alemanha para lhe guardarem as costas. Os outros putos ranhosos do clube dos burocratas anafados, tirando burriés do nariz gritaram fanhosos: força, garina, estamos contigo.


Os gangues de adolescentes marginais comportam-se sempre assim, nem é expectável que se comportem assado.


Entretanto, o pato-bravo lá do outro lado do Atlântico, que foi escolhido pelos russos para que o povo lhe desse o voto, e o voto é aquela coisa que se põe nas urnas, como se fosse cadáver, pôs-se em bicos dos pés e disse: vamos mandar umas ameixas para a Síria. É preciso acabar de partir aquilo tudo, que a reconstrução vai ser um maná.


Está a contar com o recuo dos russos, mas engana-se. Recuaram em Cuba, quando eram comunistas, embora poucochinho, mas agora que são o contrário e muito, não vão recuar.


Será que estou com receio de uma guerra atómica?


De modo algum!


Não há condições para uma guerra atómica, só para um enorme e global holocausto. Se se der, não vai haver ninguém para se lamentar. Conhecem algum dinossauro que se lamente pela extinção?


ABDUL CADRE

quarta-feira, 18 de abril de 2018

UNIVERSO TÉLMICO. 57

Em pré-publicação antecipamos aos leitores o Prefácio que António Cândido Franco escreveu para Uma Vida de Herói: Morte e Transfiguração de Jaime Cortesão, de Pedro Martins, que será lançado no próximo dia 4 de Julho, no Museu Maçónico Português, em Lisboa.




Prefácio a Uma Vida de Herói: morte e transfiguração de Jaime Cortesão, de Pedro Martins

António Cândido Franco

Pedro Martins neste seu novo trabalho não se afasta da sua linha anterior – ler o que há de mais vital e vivo nas manifestações da cultura portuguesa a partir dum estrato iniciático, que é anterior às religiões e que lhes sobreviveu muitas vezes à margem ou mesmo em franco antagonismo.
Isto deu já proveitosos frutos na leitura duma pintura ainda tão mal conhecida como a de Vasco Fernandes, o autor dos painéis do Retábulo da Sé de Viseu, coevo de Gil Vicente e de Bernardim e sobre o qual tão pouco se sabe.
Com idênticas chaves de leitura – experiência e saber iniciáticos – ele consegue agora uma cerrada e prodigiosa interpretação de parte da obra de Jaime Cortesão e que fica desde já a ser, pela inteligência, finura e teimosia com que cinge as letras, um marco assinalável de progressão nos estudos sobre a poesia e o teatro do autor.
 Só agora, após este trabalho, estamos em condições de começar a vislumbrar as verdadeiras dimensões duma obra poética e dramática que sem a simbologia iniciática ficava amputada dum espírito essencial que em muito contribui para a sua altura e o seu desmedido valor.
Cortesão é um dos grandes escritores do século XX português e este livro de Pedro Martins, escrito numa era sombria de morte e de esquecimento, contribui como nenhum outro até hoje para lhe restituir a aura de grandeza e de luz que tem.

Ler Mais: https://www.antonio-telmo-vida-e-obra.pt/news/universo-telmico-57/


terça-feira, 17 de abril de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

HISTÓRIAS DA TERRA ENCANTADA
18

E foi de África que, em duas vagas distintas e separadas no tempo por mais de um milhão de anos, a espécie homo partiu para colonizar o globo, primeiro como um ramo, o homo erectus que viria a desaparecer mais tarde, quando a segunda emigração do sapiens sapiens pelas terras do velho mundo era uma realidade consolidada e com francas probabilidades de irreversibilidade. 
Mas não nos precipitemos que dos australopitecos a essa época medeiam aproximadamente quatro milhões de anos, durante os quais terão coexistido naquele continente várias famílias desses mamíferos bípedes que tinham adquirido o hábito de se munirem com utensílios que inicialmente foram tão só aproveitados entre aquilo que a Natureza lhes oferecia, para mais tarde virem a ser propositadamente produzidos, sendo que no contexto dessas populações, há mais ou menos duzentos mil anos, terão aparecido os primeiros homens modernos. 
A verdade é que os australopitecos permaneceram recolectores o que acabou por os levar à extinção pois, se por um lado se encontravam menos apetrechados para enfrentarem as consequências de alterações climáticas, por outro lado devem ter sido empurrados para as zonas menos ricas em alimento, até que as taxas de natalidade deixaram de superar as de mortalidade e o número desses indivíduos deve ter descido consideravelmente abaixo do limiar em que uma população não tem como naturalmente evitar o desaparecimento. 
Em contrapartida, aqueles que Louis Leakey, Phillip Tobias e Jonh Napier apelidaram de homo habilis, descobriram a produção de utensílios e, com a caça, provocaram a primeira grande revolução no que à busca de alimento diz respeito. 
Com um cérebro maior – setecentos e setenta centímetros cúbicos contra os quinhentos daqueles outros primatas mais antigos – e naturalmente com maior destreza física e com mais e melhores capacidades cognitivas, estes exemplares tiveram à disposição as vantagens que um território virtualmente infinito, quer em tamanho, quer quanto aos recursos, tinha para lhes proporcionar. 
Assim, mesmo com saldos fisiológicos pequenos e ainda que geograficamente condicionados pela necessidade da proximidade de água, tiveram sucesso reprodutivo ao longo de alguns milhões de anos e souberam aperfeiçoar instrumentos de pedra bem como selecionar os melhores materiais para os fazer, tendo ainda construído abrigos com que aumentaram a sua mobilidade. 
É claro que então já se havia adquirido um imenso capital no desenrolar da vida em grupo, possivelmente com o desabrochar e amadurecimento dos sentimentos e afectos. Mas o homo habilis trouxe também um maior refinamento das capacidades intelectuais e de comunicação que melhor o apetrecharam quanto às faculdades de previsão e consequentemente para estabelecer e perseguir objectivos. Ao contrário do Australopitecos, essencialmente vegetariano, estes primeiros homens fizeram-se omnívoros e com isso se prepararam para a conquista de novos territórios. 
Pois foi entre estas populações que há volta de dois milhões de anos terão surgido indivíduos com crânios mais volumosos que, por isso mesmo deveriam ser portadores de capacidades físico-mentais mais desenvolvidas que os seus semelhantes. Coisas tão simples como uma memória melhor ou maior perícia no uso dos próprios membros do corpo podem muito bem ter sido vantagens decisivas para obterem mais e mais ricos alimentos. Além disso, entre outras coisas devem ter experimentado e aperfeiçoado a linguagem impondo, definitivamente, a caça como meio de obtenção de comida, vindo a capacitar-se para atingirem animais de grande porte que, tudo o indica, anteriormente apenas ousavam esquartejar quando tinham a felicidade de se depararem com algum exemplar morto ou indefeso. 
O mais certo é que por via de cruzamentos sucessivos se apuraram os crânios com os mil duzentos e cinquenta centímetros cúbicos que nos permitem falar de um outro homo, o erectus que sairia de África para o continente asiático, a partir do qual chegaria à Europa e à Austrália. Apto a identificar e a transformar as matérias-primas em qualquer local dos territórios que ia desbravando, sabendo abrigar-se das intempéries e defender-se dos predadores, ágil e hábil a encontrar boas zonas de caça e ricas em outros alimentos, capaz de falar e rir e de guardar memória, havendo também provas que estes seres usaram a abstracção, foi pois com todo esse legado que estes nossos antepassados foram os primeiros colonizadores do velho mundo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (300)

Madame Lebrun, Auto Retrato, 1790
Óleo sobre Tela


Madame Lebrun nasceu em Paris a 16 de Abril de 1755 e faleceu a 30 de Março de 1842, nesta capital.
É a pintora mais famosa do século XVIII, reconhecida pelo seu estilo neoclássico.
Pintou mais de 600 retratos, mas os mais famosos são os retratos de Maria Antonieta, de quem foi retratista oficial.

Selecção  de António Tapadinhas

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Duetos luso-brasileiros


Imagem de Kity Amaral
Texto de Kity Amaral e Luís Santos


Noite de Páscoa

Favela brasileira

Entre duas luas,

Da minha janela vejo uma favela.


Como será a luz do luar numa favela brasileira dentro da noite de um domingo de Páscoa?


Já tinha reparado que estava a madrugar,

diz ao chico escuro

que tem um amigo do outro lado do mar

manda um beijinho e bom soninho.



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Eduardo Aroso, A Quinta Nau


por Risoleta C. Pinto Pedro


É o título que tenho o privilégio de ver aqui a navegar nas estantes de poesia, livro necessário, porque estamos num tempo em que, mais do que de Messias necessitamos de naus. É que as naus não nos prometem nada, apenas são o que são, com a memória do que foram. E somos nós que as governamos. Recomendo a sua poesia, porque tem música. Ou não fosse o poeta, e este poeta, concretamente, também um músico. A cadência é a das naus perfeitas que navegam por todos os tempos e todos os elementos.
Fecho o livro e traço, com o lápis, no papel, as palavras sobre estes poemas. É um som antigo, o do lápis a deslizar sobre o branco, diferente daquele do teclado. Este é quase inaudível. Percorro o papel como uma nau faria no mar e o lápis é caravela em tempo calmo, singra sem obstáculos, à maneira destes poemas.
Este livro fala de nós, do antepassado sangue. É um desafio ao enigma que aprofunda para lá da superficial mente.
Cada poema é uma parte de uma carta de navegação que lembrando o sentimento e o ensinamento da História, guia o moderno português que abre o seu coração à viagem, a um outro navegar, não menos arriscado ou emocionante, que é a que se faz dentro de cada um.
Navega na esperança, esta Poesia, como a luz de um farol em que a Pátria pode transformar-se a partir do barco parado que aparenta.
Na tradição do nosso Romanceiro, soa à voz dos avós, que transporta como eco.
A “Toada do Pinhal de Leiria”, tão actual e urgente, deveria ser lida em todas as escolas pelos meninos, como uma espécie de hino alternativo. É a história da nossa navegação por mar e por terra, em cinco estrofes. Por seu lado, “O Ignoto Árabe” traz-nos o deserto agora aqui.
Os versos são belos, mas alguns elevam-nos, pela surpresa de quase excessiva beleza: «Já não há um amanhecer inteiro,/ Como requer a pureza do sal».
A estrofe que se segue a estes versos é firme como a Fé:
«Sei que as armadas do futuro/ Recrutam discretamente/ Marinheiros que dormem pouco,/ Os que sonham agitados e soltos.»
Fala-se da Pátria de modo diferente, como um ciclo, porque diferente é o caminho que o Poema vê. Traz o poeta os símbolos para a Poesia, e com o símbolo cria Poema.
O Poema “Cavalo Branco” é uma cavalgar das quinas entre a morte e as crinas. Nesse tropel, observamos os fantasmas que talvez sejamos nós: «mansa visão».
Alguns destes textos, quase haikais lusitanos de estrofe livre e versos irregulares de certeiro remate, formam um bordado tradicional.
Por vezes confunde-se o retrato de D. Sebastião com o nosso:
«Que avança sempre,/ Simulando que cai…». E não será ele… nós? E não seremos nós… ele?
Mas também a distância que vai entre a história, o mito e o coração e percorrendo essa distância assim se constrói a realidade, tal como o extraordinário poema sobre a realeza do mais humilde. É bem verdade que a nossa alma está aos nossos pés e o sapateiro-profeta que habita a nossa história bem o sabe, tal como a importância do que faz.
Eduardo Aroso constrói poemas e repete, em cada um, com diferentes palavras, que nada do que é real pode ser ameaçado. A vitória é certa e se o combate tem de se fazer é apenas para confirmar o real. Receitas secretas da alquimia antiga. Aqui temos, em verso simples, mas não menos belo, mas não menos complexo, a história misteriosa da alma lusitana. A rima não é forçada pela música, é consequência natural do tema, pois a sabedoria do espírito ilumina a matéria e cria um livro de poemas sobre as pedras, os corpos, os mitos, os milagres e as gentes. Sem concessões ao fácil, eleva a pedra de construção que somos e onde nos lemos. Não há um olhar nostálgico, há uma visão de reconhecimento e identidade do que somos ou do melhor que em nós adivinhamos vir a ser, já o sendo, sem o saber. Visão arguta da História Nacional em suporte simbólico-poético numa estrutura da aristocracia do pensamento.
Belo, fluido e sem peias, este livro. Modo de nos conhecermos melhor. Um olhar de dentro para dentro com ritmo de verso cadenciado em dança ritual.

Risoleta C. Pinto Pedro
4 de Abril de 2018

terça-feira, 10 de abril de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Hoje os alunos deram uma palavra nova, escada. 



E eu quero apenas registar mais um dado. 

Em Lisboa, o executivo camarário deu o aval a uma casa de Eça de Queiroz onde ele nunca esteve, para ali nada colocar do escritor, cujo espólio se perdera num naufrágio, tão só tendo em vista a realização de colóquios e palestras sobre o Autor e a sua obra. (1) 
É claro que o erário público pagou a aquisição do imóvel, logo um hotel cujo nome – olhem que pormenor edificante – é o mesmo daquele que se cita em “Os Maias”, por exemplo e que também terá servido para alguns encontros dos “Vencidos da Vida.” 
Como é igualmente compreensível, há também o vínculo laboral de uma senhora doutora que assume a directoria do projecto que, naturalmente, tem verba orçamentada. 

Estou certo que se trata de mais uma pérola cultural da cidade. 
Teremos romaria de turistas e o panorama editorial verá um acréscimo de publicações que, por sua vez, traduzirão o torrencial investigativo que seguramente irá acontecer nos domínios da literatura queirosiana em particular e da língua e cultura portuguesa, em geral. 

É a grande visão política e cultural do Dr. Santana Lopes a funcionar em pleno. 



Neste princípio de Primavera, aos dias de Sol têm-se seguido as noites frias. 


 Alhos Vedros 
  24/03/2004


NOTA 


(1) Mónica, Maria Filomena, UMA CASA VAZIA PARA EÇA DE QUEIROZ, p. 5 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Mónica, Maria Filomena, UMA CASA VAZIA PARA EÇA DE QUEIROZ, In “Público”, nº. 5114, de 24/03/2004

segunda-feira, 9 de abril de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (299)

Cidade Sonhada, Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela, 100x120cm

Esta obra começou a ganhar forma na minha imaginação, à medida que a executava. Para transmitir a sensação de misticismo, pensei executar a obra com uma paleta de cores dominada pelas cores pigmento terciárias. De entre estas cores, queria usar e abusar do violeta, combinando-o preferencialmente com carmim, azul ultramarino e verde-esmeralda. Foi este o resultado!

    Selecção de António Tapadinhas

sábado, 7 de abril de 2018

Dois Poemas de Eduardo Aroso


VARIAÇÕES DO LABIRINTO *
(Sobre meditação-estudo de Lima de Freitas)

1
Não se entra no labirinto.
Alarga-se quando se está.
Só a saída é probabilidade.

2
É a cidade, alicerces solitários,
O estádio, a claque, o dízimo alienado.
Mas a praça central desconhece a amêndoa.

3
O labirinto mantém-se.
O mesmo de quem tem vários empregos
Para ganhar mais dinheiro.

4
É essa fome estranha e roedora
Que não sabe de que alimento
E afoga-se na água que procura.

5
No labirinto os corredores baixam ao Hades
Se o fio se perde.
Oh, angústia da memória!

6
Nele existe o melhor da escola
Da verdade sem sombras:
Discernir o círculo e o quadrado.

7
O labirinto só é
Enquanto há larva.
Se surge borboleta, é céu.

8
Nele o tempo é espaço
- O tal ponto em toda a parte
E em lado nenhum.

9
Não te iludas: os ecos sufocam
A melodia única que conduz.
Uma gota de orvalho basta-se.

10
No labirinto busca-se a saída
Como o poema perfeito
Onde falta sempre a última palavra.

* inédito

Eduardo Aroso
Páscoa, 2018



NOVA  CARTOGRAFIA

Ultimam-se as cartas


Com referências a paragens
Nunca suspeitadas.
Agora é desfraldar a vela,
Ser o aqui e o além
A não perder de vista;
Cá dentro há longas costas,
Cadinho para alquimistas
Celebrarem sínteses de etnias.
Completa é a última carta
- Onde quer que viajemos
No pensamento ou na acção
Deixaremos sempre
O nosso padrão.

E ai de quem volte atrás,
De quem troque o Sonho pelo pesadelo
E queira ter o amargo gosto
De saber se a máscara do Velho do Restelo
Ainda serve ao nosso rosto!

De «A Quinta Nau» (Edições Gresfoz, 2003)
Eduardo Aroso

quinta-feira, 5 de abril de 2018

REGISTO DE MEMÓRIAS




Registo de Memórias, uma produção da Alhos Vedros TV em iniciativa conjunta com Círculo de Animação de Alhos Vedros e Estudo Geral. Aqui se pode ver entrevista em jeito de história de vida, feita por Luís Santos a Joaquim Martins Henrique, nascido em 1934 no Cerro do Alportel, Algarve, e que vive em Alhos Vedros desde os 6 anos de idade. Aqui ficam as suas memórias.