De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

OLÁ INVERNO!

Peguemos então em duas das perguntas que fizemos num artigo anterior. Comecemos pelas seguintes:
As associações de pais têm algum papel a desempenhar na vida escolar? Tais organismos podem produzir contributos benéficos para a vida escolar? 
As respostas são positivas e não é muito difícil encontrarmos argumentos que o sustentem. 
Desde logo pelo facto de os pais serem os primeiros responsáveis pela educação dos filhos, não é? 
Por muito que se objecte que as famílias já não são as únicas responsáveis pela socialização e enculturação dos seus filhos, ainda que se diga que repartem esses papéis com outros elementos das sociedades de que a escola, os grupos de amigos ou a televisão são elementos corriqueiros, como também, em tal co-responsabilidade, acabam por ter o prato mais leve da balança, sem embargo de tudo isso, a verdade é que os pais têm o dever de zelar pela educação dos filhos e isso significa que devem estar conscientes de que a transmissão de certos valores e regras de conduta parte, em primeiríssimo lugar, deles e só deles, o que traz implícito a permanência de uma atitude de acompanhamento para que haja sempre uma porta aberta ao aconselhamento ou à crítica e repreensão, se for esse o caso. 
Em conformidade, só pelo facto de eventualmente propiciar uma maior aproximação entre os progenitores e a realidade escolar, as associações de pais desempenham uma função positiva. Conhecer o meio onde alguém se move é um modo de se lhe estar próximo e há dados empíricos que provam que tais alunos, de maneira geral, têm comportamentos mais adequados para com a escola e o acto de aprender. 
Daqui resulta que a participação das associações de pais na gestão das escolas pode ter proveitos no que diz respeito à disciplina e à implementação de regras de boa conduta nos estabelecimentos de ensino. 
Não sendo tudo, não é, de modo algum, um contributo despiciendo. 
Fora disso e focando a lente na experiência da Associação de Pais da Escola Básica nº. 1 de Alhos Vedros, verificamos que um tal corpo jurídico tanto pode colaborar na identificação das lacunas nas condições de trabalho e vivência da população escolar, como funcionar como mais um parceiro de diálogo e de pressão para que surjam as respostas por quem de direito. 
Pois foi isso que sucedeu no contexto daquela cooperação de que saíram vários melhorismos como, por exemplo, obras que vinham sendo adiadas e se revelavam necessárias, tais como a reparação dos telhados e das janelas, ou os arranjos do recreio e dos canteiros em que se eliminaram falhas de segurança, mas também poderíamos acrescentar a troca do mobiliário ou as lombas e a sinalização que vieram abrandar certas velocidades incivilizadas que punham em risco físico as crianças que saíam pelo portão. 
Bem, estes motivos, digamos assim, egoístas, são suficientes para defendermos a existência das associações de pais. Contudo, existem outros de ordem colectiva, de que vamos apenas citar um. 
As escolas públicas são pagas com os dinheiros dos impostos pelo que nos diz respeito as aplicações que daqueles se façam. 
Ora com tudo isto está resolvida a primeira pergunta: vale a pena que os pais se envolvam no associativismo escolar? 
Claro que sim. 
Depois não poderemos olvidar que se pretendemos criar uma civilização de cidadania, então não nos devemos furtar às oportunidades para a intervenção cívica. 

Será este o segundo de uma série de artigos que conto publicar no jornal “O Rio” a propósito da associação de pais para o agrupamento vertical. 
Há que lançar a discussão em torno do objectivo de sabermos como é que aquela se comporá e de propostas a respeito do modo de funcionamento. 



Mal vai o mundo nesta quadra de natal. 

Os europeus continuam anestesiados pela crise económica que teima em fazer finca pé na economia alemã que parece não ter ainda recuperado do choque de integração da ex-RDA e mais recentemente do que resultou da adopção da moeda única europeia o que, pelo efeito de arrastamento, afecta os parceiros da União e gera um clima psicológico de pouca confiança e incerteza perante a crescente globalização dos mercados. 
Como praticamente não contam em poderio geo-estratégico pois, para tanto, não dispõem das necessárias forças militares, deixam que os discursos mais radicais proliferem e que os integrismos não só se mantenham de pedra e cal em algumas partes do mundo, como ainda se instalem no interior das demografias que habitam este espaço. Em França, por exemplo, está convocada uma manifestação de mulheres muçulmanas a favor do uso do véu nas escolas públicas. Alguém acredita que os mullahs não estão por detrás disto? 
Ora acontece que o futuro reclama que os ocidentais falem a uma só voz. 
Do ponto de vista do perigo que representa para a paz mundial e a própria Humanidade, o terrorismo da Al-Q aeda é uma ameaça semelhante ao nazismo e já declarou a guerra mundial que hoje em dia presenciamos. 

Será que assistiremos ao grito de vitória de fanáticos sobre um monte de cinzas? 
Enfim… 

E só assim se compreende que o Iraque continue a ser palco de um esforço dos aliados sem o empenho das Nações Unidas e da larga maioria das nações amigas. 



Ena, ontem, na festa da catequese, a Margarida participou num coro da sua classe que interpretou canções de natal. 
A restante família aplaudiu com um sorriso na boca. 

Agora que as amigas brincam na sala, o pai põe as letras em dia. 

Ainda há pouco, na Matriz da Vila, eu e a mãe escutámos um recital do coro da “Vélhinha”. 



O Inverno começa nevoento. 


 Alhos Vedros 
   21/12/2003

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