sábado, 10 de maio de 2014

Aplicação da Prática Alemã seria oportuna para os Países carentes do Sul


Transferência de 2 triliões de Euros como Contributo de Solidariedade para a antiga Alemanha de Leste

António Justo

Para se ter a ideia do atraso da DDR (antiga Alemanha oriental) em relação à Alemanha ocidental (BRD), basta ter presente que, depois da união das duas alemanhas, a Alemanha oriental recebeu, segundo o investigador Klaus Schröder, nos últimos 25 anos, dois trilhões (triliões) de euros. Apesar disso ainda não atingiu o nível de vida da antiga Alemanha ocidental (BRD).

Todo o cidadão da antiga Alemanha ocidental é obrigado a pagar um suplemento de imposto que é transferido para a parte oriental; apesar da contínua transferência de milhares de milhões de euros por ano, a parte oriental da Alemanha ainda se encontra atrasada a nível de ordenados e reformas, em relação à Alemanha ocidental.
A solução para o equilíbrio das economias dos países do norte e do sul da União Europeia teria de passar por um imposto de solidariedade dos países ricos para os países pobres, tal como acontece dentro da Alemanha. Assim se construiria uma EU com base na solidariedade e numa união responsável. A EU, para chegar a uma união de facto terá de superar os muros internos nacionalistas e económicos. Uma análise da sociedade alemã e da maneira como soluciona os seus problemas nacionais poderia servir para um discurso mais realista em sociedades com problemas económicos e sociais.

Queda do Muro de Berlim e do Comunismo soviético há 25 Anos

Para o sindicalista e Nobel da Paz, Lech Walesa, as primeiras fendas nos muros do comunismo soviético “deram-se nos estaleiros de Gdansk” e “sem o movimento de liberdade da Polónia não teria havido a queda do muro de Berlim, há 25 anos.

O sindicato Solidarnosc (Solidariedade), em mesa redonda com o governo (apoiado pela Igreja), conseguiu em 1980 um pacto de “renúncia à violência” (HNA 5.05.2014).

No início de Abril de 1989 foram acordadas, entre o governo da polónia e o movimento Solidarnosc, eleições, meio livres, que reservavam 35% dos lugres no parlamento resultantes de eleições livres (oposição) e 65% para os partidos do governo. As eleições (4.06.1989) provocaram um colapso imprevisto pelo sistema na sociedade polaca: 160 dos 161 mandatos no parlamento foram ganhos pela oposição em torno da Solidarnosc, bem como 92 das 100 possíveis lugares no Senado.

A 27 de Junho de 1989, a Hungria começou a desmontar arame farpado da fronteira, declarando o fim da ditadura comunista. A 19 de Agosto de 1989 a Hungria deixa cidadãos da DDR (Alemanha socialista) passar a fronteira para a Austria.

Michael Gorbatchev (1985, Secretário Geral do partido comunista da união soviética) queria evitar o colapso económico do comunismo da União Soviética e impedir o seu contínuo atraso em relação ao Ocidente, e, nesse sentido, permitiu uma certa flexibilidade na liberdade de opinião (Glasnost) e democratização dos estados (Perestroika), o que autorizava reformas dentro do Estados da União Soviética. Gorbatschow declara o fim de alerta para os Estados e assegura em Berlim (40 aniversário da DDR a 7.10.1989) aos jornalistas: ” Perigos só vêm para aqueles que não reagem à vida ... Quem chega atrasado será punido pela vida“ (HNA).

O Muro de Berlim caiu a 9. Novembro de 1989. A partir daí os cidadãos têm liberdade de passar a fronteira. A reunificação da Alemanha deu-se a 3 de outubro de 1990.

Em 25 de dezembro de 1991, com a renúncia de Gorbatchev dissolve-se a União Soviética, surgindo dela doze repúblicas restantes como países pós-soviéticos independentes. A Federação Russa é agora a continuadora da antiga União Soviética.


António da Cunha Duarte Justo



sexta-feira, 9 de maio de 2014


De Minas
uma Mineira

a minha mulher que eu amo há 8 anos, linda, Solange,

escrevi o Minério minha mulher é de Minas
o amor difícil mas o minério forte, cheio
de fantasia, havemos de fazer as casinhas
brancas para vivermos um dia sempre juntos
por enquanto cada um no seu país com  viagens
de troca a troca, voaremos o que nos for possível
enquanto não nos reformamos e os nossos filhos
não têm netos, toda a terra é redonda como os
teus seios com fervor, amor lindo



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tocar o Céu





Carola Justo

Acrílico

50x50

2011


terça-feira, 6 de maio de 2014

(Des)Encontros


Subtítulo: Alhos Vedros – Rosário
(ainda por publicar)

SINOPSE

     Alhos Vedros e o Rosário são vetustos povoados da borda-d’água, ambos acariciados pelas águas do Tejo que, desde tempos imemoriais, os apartou e os uniu.
     Características comuns das suas laboriosas gentes: a pesca, a salicultura, a construção naval, a agricultura e o respeitador acatamento dos conselhos dos anciãos.   
     O rio, fonte de trabalho e pão, revelou-se por vezes o cerne de encarniçados conflitos.
     Na década de Quarenta do século XX, Alhos Vedros assistiu à implantação da indústria corticeira, que modificou hábitos de trabalho e modos de vida, mas não tanto as mentalidades.
     A ação decorre nos anos de 1940 e 1941.
     A Europa central sofria o morticínio da Segunda Grande Guerra.
     Na cidade de Lisboa, pululavam os foragidos, que a barbárie compelira ao exílio.
     Em Portugal, o Natal de 1940 foi vivido sob o temor de uma possível invasão franquista, em aliança com os boches. Nas casas, as tiras coladas nas vidraças das janelas mais não eram que as ligaduras visíveis que cobriam as feridas interiores.
     Na Vila de Alhos Vedros e no Rosário, o ciclone de 15 de fevereiro de 1941 martirizou a natureza, corpos e almas.
     A um agreste inverno sobreveio uma ridente primavera, brotou um amor, desvendou-se um segredo jurado a um moribundo!
     Eis a síntese de uma narrativa ficcionada, alicerçada em factos e em pessoas reais, que a vida compeliu a (des)encontros!


Francisco José Noronha dos Santos

segunda-feira, 5 de maio de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (78)

Dom Quixote, Autor António Tapadinhas, 2003
Óleo Sobre Tela, 80x100cm

Quixote

Sonhar é pouco
Há que ser louco
Pra conquistar as glórias
Diz o velho poeta cansado e triste

Mil batalhas a enfrentar
Sobre corcéis fogosos pelear
Enfrentar demônios
E dragões
Só para conquistar
Aquele amor sonhado

E Sancho testemunha
Que cada visão
Que louco tenha
Também é seu
Que louco maior o acompanha

Pelos caminhos
Mil moinhos
Relâmpagos e coriscos
Incitam as lutas

Vivo o insano momento
Da busca vã
Do amor perdido

Minha Dulcineia

Louco sim
De amor por ela.


Jorge Lemos

domingo, 4 de maio de 2014



                     15/2014



                          Foto: João Ramos                        

Quando nos movimentamos pelo azul, mesmo que o negro se intrometa, há sempre uma luz que alumia do amanhã.

                                                                       Foto: João Ramos

As nuvens eram muitas mas não davam para tanto céu.
O céu é mais!

É maior!

sábado, 3 de maio de 2014

Cavalinha


por Miguel Boieiro

Pela grande variedade de solos a que se juntam diversos microclimas, o nosso País pode justamente considerar-se uma das reservas mundiais da flora medicinal, dado que dispõe de ótimas condições para a produção de variadíssimas espécies. Daí que muito dificilmente se possa compreender que se importem determinadas plantas medicinais e seus extratos, de países onde, por vezes, é necessário criar condições artificiais de produção.

Sobre a planta medicinal que iremos abordar, podemos afirmar que só o concelho de Sesimbra possui, espontaneamente, quantidade suficiente para abastecer todo o mercado europeu. E isto de uma forma absolutamente natural: não é preciso semear, nem adubar, nem sachar, basta simplesmente colher.

Estamos a falar da cavalinha ou Equisetum arvense L., planta vivaz da família das Equisetáceas que teve a sua origem em épocas geológicas muito recuadas. Esta planta primitiva, autêntico fóssil vivo, não floresce, não possuindo, portanto, sementes. A reprodução processa-se através de esporos contidos nos esporângios que se encontram agrupados na espiga com que termina o primeiro caule da planta. Feita a dispersão dos esporos, os caules primitivos, de cor acastanhada, murcham. Nascem então outros caules verde claros, canelados, ocos e ramificados que se dividem em segmentos separados por pequenos nós. Os segundos caules, estéreis, que chegam a atingir mais de um metro de altura, são os que possuem atributos medicinais.

A cavalinha propaga-se com muita facilidade em solos arenosos e húmidos, constituindo uma erva daninha, flagelo dos agricultores. Deve ser colhida no verão e seca à sombra. Depois de cortada em pequenos troços, convém guardá-la em recipientes herméticos. Conserva as suas propriedades durante alguns anos.

Os naturopatas são unânimes acerca das extraordinárias virtudes curativas da cavalinha, a qual contém potássio, ferro, sódio, magnésio, enxofre e sobretudo, silício. O famoso naturista Kneipp considerava a cavalinha, uma das doze plantas medicinais mais incontornáveis e recomendava-a para o combate às seguintes enfermidades: gripes, catarros, resfriados, reumatismos, gota, hidropisia, ciática, inchações, herpes, cárie, pés gretados, hemorroidal, cálculos, doenças dos rins, fígado, baço e bexiga, hemorragias e cancro. É na realidade uma lista impressionante mas ainda assim, incompleta. O espanhol Ferran Comas aconselha-a para o bócio, as inflamações oculares e a tuberculose. O médico chileno Lazaeta Acharan gaba a sua eficácia extraordinária na cicatrização de todo o tipo de feridas.

A rapidez com que estanca qualquer hemorragia é espetacular. Também não parece haver dúvidas de que a cavalinha limpa as impurezas do organismo, essencialmente por ação do silício solúvel de que é bastante rica.

O modo mais divulgado para beneficiar dos princípios ativos da Equisetum consiste em preparar uma infusão deixando ferver a planta pelo menos dez minutos. É conveniente não coar de imediato, pois a cavalinha continua a libertar princípios ativos após a fervura. O “chá” torna-se assim mais concentrado, o que se constata pela sua cor avermelhada. Para meio litro de água são necessários 50 g de cavalinha seca. Se for em verde há que duplicar o seu peso. O “chá” de cavalinha possui paladar discreto mas agradável e não apresenta contra-indicações.

A utilização do concentrado da cozedura da cavalinha para juntar à água do banho dá também bons resultados. Para males respiratórios aconselha-se a aspirar o vapor da cozedura da planta. Da cavalinha fresca pode extrair-se o respetivo suco, que é a melhor maneira de se aproveitarem as suas excecionais propriedades. Infelizmente, importamos este extrato da Alemanha a preços altíssimos.



Enfim, há ainda quem recomende misturar os rebentos tenros nas saladas cruas, ou usar o pó para temperar a comida já que a cavalinha é, comprovadamente, um óptimo remineralizante.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Livros d'África



LEONOR CORREIA DE MATOS 

“Sim África”! Soa a uma declaração de amor. Sim África sem condições nem elocubrações filosóficas.” É assim que António Pinto da França, ex-embaixador de Portugal em Angola, define o conteúdo do livro intitulado “SIM ÁFRICA”, publicado em 2006 pela Editora Prefácio.

A autora, nascida em 1925 na histórica Catumbela, licenciada em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, discorre sobre inúmeros assuntos respeitantes ao contacto de quinhentos anos entre os povos angolano e português: as primeiras relações com o reino do Congo; a deslocação para Sul e a fundação de Luanda; a fixação em Benguela e a lenta penetração no Bié; a vida aventurosa do sertanejo Silva Porto; as guerras com a rainha Jinga; as viagens exploratórias de Brito Capelo, Ivens e Serpa Pinto; a passagem por Angola de Stanley e Livingstone; as epopeias de pacificação de Paiva Couceiro e João de Almeida; a influência decisiva dos missionários.

Debruça-se ainda sobre os problemas da escravatura e a sua lenta erradicação. Recorrendo a Cadornega, o incontornável, escreve a autora: “Quanto à exportação global de escravos, então a mais relevante do território, Cadornega fará as suas contas, provavelmente a necessitar de observação cuidada: “Haverá cem anos que começou a conquista destes reinos e têm ido um ano por outro despachados deste porto (Luanda) oito a dez mil cabeças de escravos, que são quase um milhão de almas, salvo melhor aritmética.” (segundo a autora, estes números não estarão totalmente correctos). Reconheça-se, no entanto, que o número de escravos exportados deverá ter sido elevado: porque na sua venda estavam interessados os senhores africanos, grandes e pequenos; porque, para os portugueses, esse se tornara um importante comércio; porque, à espera de mão-de-obra abundante e submissa, aguardava, ávido, um amplo mercado de várias nações com interesses coloniais.”
 
Analisa, também, as particularidades da língua bantu, dos povos, seus usos e costumes. Como curiosidade refira-se que, no início de cada capítulo, é colocado um provérbio ressaltando a pragmática sabedoria usada pelos africanos. Por exemplo, no capítulo dedicado aos bienos e á importância que a si mesmo atribuíam quando acompanhavam os exploradores nas viagens pelo interior, está este provérbio: “Sou pena de avestruz, não desapareço na multidão”.

Tudo isto e mais coisas exemplarmente condensadas em 113 páginas apenas.

A autora é também responsável pela tradução para português do romance “Exodus”, do escritor Leon Uris.


Tomás Lima Coelho

quinta-feira, 1 de maio de 2014

EDITORIAL

Os meses são como as estações, cada qual com seu encanto. Se, na serra, o Outono amarelece o chão, Abril traz à lezíria o cântico das cores que Bóreas faz exalar ao olfacto. É o cântico da Mãe Natureza que tanta dificuldade o Homem Moderno tem em entender. Também Maio tem assim as suas particularidades, a começar pelo esplendor da Primavera que o acompanha e talvez por isso há quem lhe faça derivar o nome de Maia, mãe de Hermes que os romanos viriam a associar à fecundidade. Curioso é igualmente o facto de ser o quinto mês do ano, o cinco, número que pela tradição cabalística representa a perfeição que, a par com a pureza, por exemplo, são paradigmas míticos dos substractos helenísticos e judeo-cristãos, tão importantes no(s) formato(s) cultura(is)l do mundo em que vivemos. É pois da Festa da Vida de que se trata e é agradável saber que foi em Maio que a escravatura foi abolida em terras que falam a nossa língua, no caso no Brasil, como não deixa de ser bonito que seja no seu primeiro dia que se comemora e realça o trabalho e a dignidade daqueles que vivem dessa mesma força que transportam consigo. Maio é então o mês em que podemos consagrar a dignidade do homem, essa centelha de respeito que todo o ser humano traz consigo, à nascença e que é o único atributo cultural universal – isto é, reconhecível em qualquer pessoa, quer no tempo, quer no espaço – com que, podemos dizer, os seres humanos nascem. 
Ora isto é uma escolha mental nossa – os indivíduos humanos – e essa escolha fundamental lembra-nos que o racismo é, antes de mais, um problema ético o que seria o bastante para que o rejeitássemos e o isolássemos enquanto inadmissível ofensa à dignidade dos Homens, isto se considerarmos que a ética, um ponto de vista ético, um comportamento ético, é aquele que considera os diversos interesses em apreço numa qualquer situação. Ainda que o racismo biológico fosse efectivo, quer dizer, se verificassem aptidões e capacidades variadas entre as populações humanas, havendo, por isso, grupos com indivíduos mais inteligentes e engenhosos e por isso dominantes – coisa que não se verifica, pois o racismo biológico não só não está provado, como é empiricamente desmentido, para além de o racismo, enquanto comportamento, atitude, mundivisão, não existir na Natureza, muito pelo contrário – mesmo em tal hipótese absurda, havendo o reconhecimento do conceito de dignidade, seria aquele eticamente reprovável e isso o suficiente para que a ele não só se opusessem as necessárias barreiras, como se usassem de todas as estratégias e medidas relativas, no mínimo, a evitar e corrigir as causas do mesmo. Antes de tudo o mais, a nossa recusa e o nosso combate ao racismo, em todas as suas nuances, decorre de uma atitude ética, como dissemos, ele é eticamente reprovável. É verdade que importa desenvolver argumentos científicos que sustentem a explicação da total falta de sentido daquele que, por isso, jamais conseguirá ultrapassar a condição de um falacioso preconceito ideológico; por outras palavras, certamente será decisivo que consigamos provar cientificamente a falsidade daquele. No entanto, da mesma maneira que não fazemos decorrer os nossos valores de factos mas sim das nossas escolhas morais, neste caso específico, a nossa primeira escolha tem que ser dessa ordem e daí a relevância de considera-lo, antes de mais, do ponto de vista ético, nível em que aquela ideologia não tem o menor suporte ou validade. 
Podíamos assim fazer de Maio, o mês da dignidade e da ética, o mês da luta contra o racismo.

Luís F. de A. Gomes

quarta-feira, 30 de abril de 2014

ALHOS VEDROS QUATROCENTISTA


Cristãos e Judeus – o enterramento de Fernão do Casal
(inédito)

SINOPSE

     Desde épocas imemoriais, nas terras da Ibéria, coabitam judeus e cristãos. Para Celso Lafer, «os judeus se instalaram na Península desde os tempos salomônicos, passaram pelo domínio romano, suportaram as invasões bárbaras, sofreram os primeiros reinados visigóticos, sustentaram os árabes, integraram-se nos reinados cristãos da Reconquista...»

     Para Ângelo Adriano Faria de Assis (*) «O nascimento político do reino português (…) [no] século XII, sob a espada abençoada por visões divinas e comandada por Afonso Henriques (…), dá-se num momento em que os filhos de Abraão já se encontram (…) sedimentados em algumas localidades de grande povoamento e importância, como Santarém, Coimbra e Lisboa. (…) O relacionamento entre cristãos e judeus no mundo português encontrava particularidades que o diferenciava dos outros países da Europa cristã. De acordo com Anita Novinsky, as diferenças começam na própria origem: durante a Idade Média, Portugal foi "o país que antes de qualquer outro da Europa reconheceu os direitos dos judeus"; consequência desta política de "aceitação" social, é que "foi nessa parte ocidental da Península que a propaganda oficiosa antijudaica penetrou mais tarde"

     Também em Alhos Vedros, povoação na margem esquerda do Tejo, dada a vizinhança de Lisboa, havia judeus integrados na comunidade local.

     Citando de novo Ângelo Assis, «Apesar da forte influência do direito canónico, (…) "a religião não impediu nem prejudicou seriamente os contatos mútuos, as inter-relações grupais, sendo mesmo considerável o número de casamentos mistos". A situação, na prática cotidiana, mostrava-se em Portugal - como em nenhuma outra parte – favorável ao bom convívio entre os grupos. (…) O povo não levava muito a sério as proibições dos representantes da Igreja e os monarcas portugueses foram muitas vezes recriminados de Roma por favorecerem aos judeus"».

     No funeral do Fidalgo alhosvedrense Fernão do Casal, cooperaram cristãos e judeus, irmanados no mesmo sentimento de pesar.

     Desgraçadamente, «o aumento das perseguições na Europa e (…) os acontecimentos em Espanha, (…) mormente na segunda metade do século XV, mudariam este quadro e trariam um triste fim ao período em que os hebreus conviviam abertamente com os cristãos no reino fundado séculos antes por Afonso Henriques(*)
     
Qual mito da cripta, sub-repticiamente, foi sem-do gerado o monstro.


(*) Ângelo Adriano Faria de Assis Coordenador do Curso de História/Docente - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nair Fortes Abu-Merhy (Além Paraíba - MG), in “O Medievo Português em tempos de livre crença: relações entre judeus e cristãos em Portugal antes do monopólio católico iniciado em 1497.”



Francisco José Noronha dos Santos

terça-feira, 29 de abril de 2014

Lúcia-lima


por Miguel Boieiro

A maltinha nova da minha geração tinha por costume intercalar cheirosas folhas de lúcia-lima entre as páginas dos livros para aumentar o prazer das leituras. As folhinhas secavam facilmente e reforçavam o seu característico perfume. Juntava-se assim o útil ao agradável.

Na verdade, a Aloysia citriodora, também popularmente conhecida como bela-luisa é uma das plantas mais aromáticas que conheço e, não fora só por isso, deveria ter sempre lugar permanente nas hortas e quintais dos cidadãos mais atilados. Com ela prepara-se uma infusão deliciosamente aperitiva que não precisa de açúcar e serve, às mil maravilhas, acompanhada por umas fogaças à moda de Alcochete (passe o chauvinismo), para confecionar um requintado lanche, particularmente quando recebemos visitas, mas não só.

Este pequeno arbusto caducifólio da família botânica das verbenáceas veio da América do Sul, tendo sido introduzido na Europa no século XVII. Adaptou-se rapidamente ao nosso clima e consegue resistir às geadas desde que elas não sejam muito agrestes. As suas folhas, que caem no inverno, como já se anteviu, são lanceoladas, quase sésseis (pecíolo curto) e algo rugosas com coloração verde amarelada. As flores são brancas e muito pequenas, agrupando-se em espigas. Os frutos formam minúsculas drupas mas, jamais as vemos no continente europeu. Consequentemente, a reprodução processa-se mediante estacas já devidamente enraizadas que se separam da planta mãe.

A lúcia-lima é estimulante do apetite, digestiva, antiespasmódica, antifúngica, febrífuga, emenagoga, relaxante do sistema nervoso, sedante, hipotensora e carminativa.

Com tantas propriedades, não admira que seja uma das plantas medicinais mais estimadas.

Possui um óleo essencial algo complexo onde foram detetadas mais de cem substâncias. Destas destacam-se o citral, o limoneno, o eucaliptol, o pineno e o cariofileno. Contém também taninos, flavonóides, melatonina e mucilagens.

É indicada para situações de ansiedade, transtornos digestivos (dispepsias, digestões pesadas, flatulências superiores), menstruações dolorosas, cólicas renais e biliares. Por possuir melatonina que é um relaxante natural, por vezes mais eficaz que os tranquilizantes químicos e sem os efeitos secundários desses fármacos, torna-se excelente para combater as insónias.

O “chá” é muito simples de fazer: basta ferver, durante três minutos, 30 g de folhas secas num litro de água e tomar bem quente após as refeições ou ao deitar. Devido ao seu sabor muito aromático e adocicado, convém parar após cinco dias e retomar a tisana uma semana mais parte, porque, com a continuação, ela torna-se um pouco enjoativa.

No Perú, um dos países de origem desta verbenácea, fabricam, a partir das respetivas folhas, uma bebida gasosa muito agradável, cuja comercialização local chega a suplantar a da coca-cola.

Naturalmente que a lúcia-lima é também plantada como apreciado arbusto ornamental e odorífero nos jardins de todo o mundo de climas tropicais e temperados. Ela prefere uma boa exposição solar e solos húmidos bem drenados e levemente argilosos. Uma das características mais interessantes no que respeita ao seu cultivo é o facto de medrar satisfatoriamente no meio de outros vegetais (planta fitófila).

Tal como a erva-príncipe, também a lúcia-lima pode ser usada na gastronomia, conferindo aromas cítricos aos molhos, marinadas, saladas de frutas, gelatinas, etc.

Por fim, há que referir o seu emprego em produtos de cosmética e perfumaria. Segundo “La Beauté par les Plantes” da conhecida editora Gründ, o odor fresco da “verveine  citronnelle” perfuma os sabonetes, as loções capilares, as brilhantinas e os “batons” para os lábios das “madames”.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (77-II)

Foca-bebé, Autor António Tapadinhas, 1998
Tinta da china sobre Papel Canson, 400g, 56x44cm
Este trabalho, de 1998, resultou do apelo de uma câmara Municipal, aos artistas do Concelho, para colaborarem numa daquelas campanhas contra o massacre, especialmente repugnante, das focas-bebé.
Eu fui atingido pelo problema num daqueles telejornais especialmente realizados por Cronenberg para a hora de jantar, em que se mostrava homens a matar aquelas coisinhas fofas com um bastão de basebol! Sem comentários. Adiante...
Quando tinha o trabalho quase concluído a minha filhota Elsa passou no estúdio para ver o que eu estava a fazer. Adorou, claro (é filha), e então eu disse-lhe que faltava pôr o sangue que inundava aquela água... Olhou para mim incrédula! Quando compreendeu que eu estava a falar a sério tirou-me o desenho, que ficou sujo, não de sangue, mas de duas lágrimas que lhe correram pela face...

O vídeo trouxe-me à memória este trabalho.

REAL... IRREAL... SURREAL... (77)

domingo, 27 de abril de 2014



14 / 2014
 
 
ABRIL, agora
 
Sentado na sua cadeira junto à janela do Lar de 3ª Idade onde agora habita, olha.
Olha e pensa.
A cal e a telha compõem a arquitectura do edifício.
O céu, carregado de nuvens negras, emoldura esta parte visível de mundo.
É Abril.
É Abril, e chove.
A chuva cai e escorre pelos beirais.
O olhar vê os pequenos rios que dos vãos das telhas se precipitam mas não é nisso que a alma se detém.
A alma sente que a água que dos céus cai vem irrigar o chão, encharcar a terra em que os pés se enterram como charruas arando o futuro.
Novas sementeiras se preparam e consumam.
São indispensáveis para que se possa colher no futuro.
Não, ao contrário de outros, não se sentia deprimido ou triste com a chuva que caía.
Enfim, diferentes maneiras de olhar reflectindo formas várias de sentir.

 
Foto de João Ramos

sábado, 26 de abril de 2014

Petúnia Libertas Quæ Sera Tamen, por Cristiana Penna de Amaral






Petúnia Libertas Quæ Sera Tamen
Kity Amaral

22x22cm 2004

Técnica mista sobre papel

Tiradentes/M.G. - Brasil

(coleção particular)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

HERÓIS DE ABRIL


Dos meus diversos trabalhos alusivos ao 25 de Abril
este ano partilho convosco este poema declamado
que poderão ver e ouvir neste link:

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Herois_de_Abril/index.htm


Euclides Cavaco
Director da Rádio Voz da Amizade
cavaco@sympatico.ca

Venha tomar comigo um cálice de poesia
entre por aqui na minha sala de visitas
www.euclidescavaco.com

quinta-feira, 24 de abril de 2014

D'ARTE - CONVERSAS NA GALERIA
 
3ª Série - (17)
 
PINTURA
 
Luís da Silva Delgado
 



No princípio eram os grandes silêncios.
Os amplos espaços abertos, as florestas cerradas,
e a imensa aventura das coisas todas por inventar e construir.




 
LUIS DA SILVA DELGADO 
Nasceu em Amêndoa- Mação em Novembro de 1955                                                        Em 1987/88-Frequentou a 1ª Fase do Curso de Pintura no ARCO, durante três semestres.
EXPOSIÇÕES
 
1989 - Concorrente seleccionado ao Prémio “ O Vinho e a Vinha” das Caves    
               Aliança na S.N.B.A. – Sociedade Nacional de Belas Artes;
   1999 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L. – Alhos Vedros;
   2001 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L. – Alhos Vedros;
   2003 - Concorrente seleccionado ao Prémio de Pintura Joaquim Afonso  
               Madeira - Alhos Vedros;
   2004 - Participa na colectiva - 1º Salão de Pintura integrada nas Conferências
              de Primavera - Alhos Vedros;
   2004 - Exposição individual na Biblioteca Bento de Jesus Caraça – Moita;
   2005 - Participa no EXPORÁDICO, iniciativa da T.A.L., que lhe atribui o
               prémio “ Incentivo ás Artes”;
   2005 - Concorrente seleccionado ao Prémio de Pintura Joaquim Afonso
               Madeira, onde lhe foi atribuído o Prémio Revelação - Alhos Vedros;
   2005 - Exposição individual no Posto de Turismo – Moita;
   2007 - Exposição individual ”Mulheres”, no Fórum José Manuel Figueiredo
            – Baixa da Banheira;
   2007 - Concorrente seleccionado ao Prémio Joaquim Afonso Madeira;
   2010 - Exposição individual ”Casas da minha Terra”, na Galeria Municipal do
               Barreiro;
   2013 - Exposição individual na Biblioteca de Alhos Vedros;
   2013 – Exposição ”Encontros de Primavera”, no moinho de maré em Alhos
               Vedros;
   2013 – Exposição individual no Centro Cultural Elvino Pereira (Mação)
   2013Exposição individual na Casa da Cultura de Mora
 
Está representado em várias colecções particulares e institucionais.                       Actualmente é operário fabril, numa empresa de produtos químicos.