No Canto IX dos Lusíadas, Ilha dos Amores, «Camões dá este conselho pedagógico aos portugueses: os meus amigos, se querem alcançar o Céu na terra, tratem do seu navio, mantendo-o em ordem, com disciplina a bordo, porque um dia a Ilha dos Amores aparece».

Agostinho da Silva


domingo, 20 de maio de 2012

Era uma vez...


Era uma vez um menino que tinha um vovô e uma vovó. Um dia o menino virou Papai Noel e o vovô virou o homem de gelo, tinham começado o sonho e a brincadeira.

- Vovó, eu preciso de duas cadeiras da cozinha, uma pra mim e outra pro vovô homem de gelo, pra fazer o meu trenó.
- Está bem, pode pegar.
- Leva pra mim, eu sou Papai Noel e sou velhinho...
- Então o “senhor” me ajuda levando uma enquanto levo a outra. Certo?

Montado o trenó na varanda, eis que de lá vem um novo chamado:
- Vovó, eu preciso de mais “cadeira” porque o trenó tem que ser grandão pra caber tudo, senão as criancinhas não vão ter “ brinquedo”.
- Tudo bem Papai Noel, vamos buscar as outras.

E assim as cadeiras da cozinha, os banquinhos, tudo foi sendo transferido para a varanda, montando o grande trenó da fantasia infantil.
Espichado o trenó surge, de imediato, uma nova questão “dificílima” de resolver.
- Vovó, eu não tenho “arrena” e o Kamba  não quer puxar o trenó.
- Tudo bem Papai Noel, vamos buscar as coleiras.

Com as coleiras e as guias nas mãos, em dois tempos, muito contra a vontade deles, Lady, uma cocker de sete anos, Joe, um vira-latas amarelinho que já conta dezoito para dezenove anos, e Kamba, um labrador de nove anos, transformaram-se em renas mágicas para puxar o trenó. Pronto, fazendo de conta que as renas de Papai Noel eram apenas três, lá se foram voando na imaginação aguçada o menino Papai Noel e o vovô homem de gelo distribuindo alegria, aventura, brinquedos imaginários pelo mundo todo e muita felicidade pela casa. Uma noite mágica como mágicos eram todos os encontros entre o menino de quatro anos e seu vovô.

Não demorou muito tempo, apenas um mês, o menino voltou sorrindo procurando o vovô para brincar mas ele não estava mais lá.
- Vovó, onde está o vovô, ele vai demorar ?
- Vovô, meu amor, está no céu. Papai do céu precisou de um vovô bonzinho para ajudar a Ele e levou o seu para morar lá. Ele não volta mais. Vai ficar vendo você lá de cima das nuvens...
- Mas não tinha outro vovô pra Ele levar?
- Papai do céu sempre chama aqueles que Ele gosta mais pra ficarem pertinho Dele. Quando Ele chama, a gente não pode desobedecer.  
- Por quê ?
- Você pode desobedecer ao seu papai?
- Não, mas vovô já é grande, até dói o joelhinho...
- É, mas Papai do céu é muito maior e mais velho. Vamos falar de outra coisa?
Vamos, mas me conta, como é que vovô foi pro céu?

E a vovó, abraçada ao menino e contendo as lágrimas, começou:
- Lembra que você e vovô plantaram feijões mágicos? Pois bem. Era uma vez um vovô.....

                                                                            Nádia P.Chaia (Sidewí)
Maricá, maio de 2012.

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