No Canto IX dos Lusíadas, Ilha dos Amores, «Camões dá este conselho pedagógico aos portugueses: os meus amigos, se querem alcançar o Céu na terra, tratem do seu navio, mantendo-o em ordem, com disciplina a bordo, porque um dia a Ilha dos Amores aparece».

Agostinho da Silva


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Povos & Culturas da Hispânia/Espanhas/Ibéria: A História de Moisés de Leon (1238-1305)


Busto em Guadalajara (Espanha) de Moses de León, filósofo e rabino judeu do século XIII, auteur del Zohar, realizado por Luis Sanguino.

O judaísmo passou por um renascimento na Hispânia medieval. Os governantes islâmicos toleravam a prática da fé judaica e os judeus trabalhavam como comerciantes, banqueiros, artistas e até diplomatas. Enquanto alguns judeus mantinham a visão bíblica de Deus, outros tentavam dar a Ele uma interpretação mais mística e simbólica. Uma forma especial de misticismo era conhecida como cabala, ou ”tradição herdada” e um dos místicos judeus mais importantes foi Moisés de Leon (cerca de 1240-1305).

Moisés nasceu na Hispânia,  quando jovem estudou a teologia de Maimônides, mas gradualmente começou a sentir a vocação para o misticismo. Na Hispânia, estudou com vários cabalistas, até finalmente se estabelecer em Ávila.
Em 1275 aproximadamente, escreveu o Zohar (O Livro do Esplendor), um romance místico que apresenta o rabino do século III Shimon bar Yohai vagando pela Palestina e falando com seus discípulos sobre Deus, a natureza e a vida humana. O livro não tinha estrutura nem desenvolvimento de tema e apresentava a idéia de que Deus resiste a qualquer sistema de pensamento – em vez disso. Deus dá a cada místico uma revelação única e pessoal.

Moisés de Leon formulou a hipótese de que Ein Sof (Deus) somente poderia se tornar uma personalidade, de uma maneira que os humanos poderiam conhecer, através de um meticuloso processo de dez etapas. Kether (Suprema Coroa ou ”chama escura”) era o primeiro passo, seguido por Hokhmah (Sabedoria) e Binah (Conhecimento). Ao descer de Kether para Binah, Deus ficou conhecido como ”Ele”, uma presença masculina.

Segundo Moisés de Leon, duas coisas haviam interferido no processo divino. Em primeiro lugar, Adão escolhera venerar apenas o Shekinah, distanciando assim a vida do conhecimento. Em segundo, Hesed (Misericórdia) e Din (Julgamento Severo) haviam se separado um do outro. Sem o efeito equilibrador da misericórdia, o julgamento havia investido furiosamente, causando caos no mundo.

Pouco sabemos sobre o resto da vida de Moisés de Leon. Entretanto, ele deixou uma teoria que atraiu a atenção dos judeus de todo o mundo. O que escreveu parecia sugerir que os atos e orações do homem tinham significado cósmico, uma vez que eram necessários para que o espírito divino se restaurasse e se unisse novamente consigo mesmo. Além disso, a idéia de que Deus precisava (ou queria) se tornar humano conferia uma nova importância à humanidade.

Margarida Castro

Fontes consultadas  : 
Mapa Interativo da Hispânia que identifica os reinos conforme marcamos as datas  e um bom texto sobre o Al-Andalus e a Reconquista da Hispânia Islâmica    http://explorethemed.com/ReconquistaPt.asp?c=1 
O último cabalista de Lisboa (ficção), de Richard Zimler, Companhia das Letras, 1999  http://www.wook.pt/ficha/o-ultimo-cabalista-de-lisboa/a/id/77345

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