De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (79)

HISTÓRIA DO AQUEDUTO

Uma nova forma de cantar. O que se canta, como se canta, por que se canta.

O Grupo Coral e Musical Aqueduto actuou pela primeira vez, em 18 Dezembro de 1971, na Sociedade Filarmónica União Agrícola do Pinhal Novo.
Aqueduto em 1971

No programa estavam anunciados, Jorge Letria, Francisco Naia, João Paulo Guerra. Preparado para cantar estava também Zeca Afonso, que foi impedido pela GNR. Jorge Letria, apesar da proibição cantou tudo o que quis.
No Diário de Lisboa, de 24 de Dezembro de 1971, saiu a reportagem. Lá está escrito que “cantar nesta terra é um exercício complicado, que oferece a quem ele se abalança dificuldades sempre crescentes. Se já não é brincadeira nenhuma cantar sozinho, muito mais difícil será ainda cantar em grupo com as indispensáveis bases que o canto colectivo compreensivelmente exige”.
Termina o artigo de uma página, com fotografia, dizendo “Em resumo um Aqueduto das horas livres que se prepara para transformar a música num instrumento útil de comunicação, quando aumenta assustadoramente o número dos que pretendem dificultá-la”.

Foi perto do Moinho de Maré de Alhos Vedros que, durante muitos anos, o AQUEDUTO ensaiou no escritório de Joaquim Afonso Madeira. Não sei se teríamos condições para o voltar a fazer mas, por vezes, dou por mim a pensar que é necessário intervir, porque tudo indica que está a haver o regresso a um passado que julgávamos abolido, para sempre, com o 25 de Abril de 1974.
Afinal a resposta foi dada no passado Sábado: os poemas, as palavras e o som musical inconfundível do Aqueduto, voltaram a soar  no Moinho de Maré de Alhos Vedros. E a participativa assistência que lotou este renovado espaço, numa Noite de Lua Cheia criada pela CACAV, aplaudiu e, mais, colaborou intensamente. Que noite luminosa!

Aqueduto em 2014 (foto J. Estiveira)

Nada se perde no Universo. Os sons que produzimos continuam pelo espaço infinito. Quarenta anos depois, senti esta verdade com uma força que me deixou de lágrimas nos olhos...
...pura felicidade!  

5 comentários:

MJC disse...

Foi de facto uma noite maravilhosa e memorável e, tal como eu previra, a actuação do Aqueduto não poderia correr mal. E tanto assim é, que só me resta desejar que a aventura possa prosseguir.
Com mais temas daqueles antigos e, porque não, com novos temas a compor e a criar.
Artistas é o que não falta. Poetas, compositores, declamadores, músicos, ... e um segmento significativo da tribo cá da terra sempre disponível e com vontade de acompanhar em coro.
O que é que falta?
Disponibilidade;
Vontade;
Querer.

Será possível harmonizar os três?

Abraço.

Manuel João Croca

A.Tapadinhas disse...

MJC: Parece ser possível.
No final do mês, vamos ensaiar com vista à realização de uma gravação, para memória futura.

Vais ficar como um dos responsáveis pelo reaparecimento, não sei se fugaz, do Aqueduto. Terás de viver com esse fardo... Sobre o seu peso, a palavra é tua!

Abraço,
António

MJC disse...


Caro Amigo,

mas não vês como fico feliz?!

Fardo?! Fardos destes dão-me asas.

Abraços.

Manuel João Croca

A.Tapadinhas disse...

MJC: Eu sabia!

:)

Abraço,
António

Gil disse...

Foi de facto uma noite memorável, quase tanto como aquela da primeira actuação, em 1971. Inesquecível. Como inesquecíveis são muitos outros episódios que passámos juntos.
Daria um belo vídeo :D
Vou pensar...
Agora quero viver e saborear estes novos momentos que estamos a partilhar, porque me são muito queridos, e sempre enriquecedores!
Bem hajam
Abraço a todos