quarta-feira, 4 de julho de 2018

A PROPÓSITO DA CONSTRUÇÃO DO NOVO AEROPORTO DE LISBOA



Decorreu na passada 6ª feira, dia 29 de junho, no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, uma sessão de esclarecimento e debate sobre a possível localização do Novo Aeroporto de Lisboa. O meritório e oportuno Encontro foi organizado pela Assembleia Municipal da Moita e moderado pelo seu Presidente João Lobo. O painel esteve constituído por pessoas que ocupam lugares de relevo sobre o tema em debate, onde se pretendeu, afinal, perceber qual é a melhor solução, se um aeroporto absolutamente alternativo ou apenas um pólo aeroportuário complementar, para o atual Aeroporto de Lisboa, respetivamente, em Canha, no Campo de Tiro de Alcochete, ou na base Aérea Nº6 do Montijo. O tema é premente, já que o Aeroporto de Lisboa (Portela) está a atingir um elevado grau de lotação, com tudo de negativo que isso representa para o país. 

O grupo dos intervenientes convidados que constituiram o ilustre painel foi o seguinte: Moderador João Lobo (Presidente da Assembleia Municipal), Rui Garcia (Presidente da Câmara Municipal da Moita, Presidente do Conselho Diretivo da Associação de Municípios da Região de Setúbal) Eng. Carlos Matias Ramos (ex-Bastonário da Ordem dos Engenheiros, ex-Presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil), Carla Graça (Vice-presidente da Associação Ambientalista Zero), Duarte Silva (Gabinete do Secretário de Estado das Infra-estruturas), Francisco Pita (Administrador da ANA – Aeroportos de Portugal/Vinci Airports).

Foi um Encontro muito significativo para que se perceba, de facto, o que está em causa, com a decisão a tomar sobre qual a melhor solução para resolver os atuais problemas que o Aeroporto de Lisboa enfrenta. A audição pública que será aberta pelo governo, antes da decisão final, está prevista para muito breve, e acontecerá depois da apresentação do relatório dos impactos ambientais, favoráveis ou desfavoráveis, sendo que as obras estão previstas iniciar-se já no próximo ano.

Eis, então, numa síntese  que não esgota o problema, alguns dos prós e contras a que chegámos depois do debate, sobre se as novas infraestruturas aeroportuárias do país devem passar, ou não, pela Base Aéra Nº6, do Montijo:

PRÓS:
i) A Vinci, empresa da ANA – Aeroportos de Portugal, aposta nesta solução;
ii) Maior proximidade da Portela (do que Canha);
iii) Aposta numa solução dual – Portela + Base Aérea do Montijo, em vez de na construção de um novo aeroporto de raiz;
iv) as companhias aéreas preferem esta solução;
v) uma eventual maior sustentabilidade financeira, já que a UE não permite aplicações de dinheiros dos orçamentos estatais na construção de aeroportos...

CONTRAS:
i) a limitação espacial da Base Aérea que obriga a algumas intervenções polémicas (aumento do comprimento da pista para cima do rio, influências negativas na sua navegabilidade, expropriação de terrenos e eventual abate de casas no Samouco, etc.);
ii) A segurança, na pista e nas populações, integra alguns fatores de risco;
iii) Os equilíbrios ambientais locais sofrerão algumas alterações preocupantes, com afetação da avifauna e flora;
iv) aumento do stress ambiental e, sobretudo, da poluição sonora;
v) a curta longevidade desta solução, já que se prevê que, mais ou menos, uma dúzia de anos depois da sua entrada em funcionamento haja uma lotação das suas possibilidades;
vi) e, o mais importante, a forma como poderá afetar negativamente o bem estar das populações da margem sul do Tejo, nomeademanete, dos concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.

Luís Santos

(Nota: As imagens foram extraídas do Google)


terça-feira, 3 de julho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

O REPOUSO

Ui que belo fim-de-semana de repouso que para o pai resultou na recuperação do sobre-esforço que tive de fazer nestes últimos dias, agravado pela dificuldade que desta vez senti para regressar ao bio-ritmo do nosso meridiano. 


Tardes de passeio e convívio familiar, com manhãs de jornais e noites com o primeiro volume da obra de Helena Matos sobre Salazar. 
De resto, para os meus amorzinhos em ponto pequeno, a brincadeira que é bem merecida numas férias que estão a correr às mil maravilhas entre os jogos, na sala e o sótão da Beatriz. 

Vimos o “Belleville Rendez-Vouz”, uma longa-metragem de banda desenhada que nos fala da solidariedade dos periféricos face às prepotências do crime organizado que é um desafio para o mundo livre a nível global. 

E no Sábado estivemos na praia, na Lagoa de Albufeira, na companhia do colorido das velas de windsurf e uma espécie de ski puxado por um papagaio de que não sei dizer o nome. 
A Sílvia acompanhou-nos, a convite das minhas filhas e jantou na nossa casa. 


Hoje, o trabalho foi mais leve. 



Pois no Iraque, um líder xiita radical Mohamad Al-Baqr que as autoridades, afinal, deixaram rodear-se de uma milícia armada, amotinou a cidade santa de Najaf e a partir daí levantaram-se revoltas e distúrbios em outros locais. 
A situação chegou a estar muito complicada mas agora existe um mandado de captura emitido pela justiça iraquiana e o fora-da-lei refugiou-se numa mesquita, certo no seu finca-pé que os militares americanos pensarão duas vezes se valerá a pena arrombarem as portas para o prenderem. 
No entanto, o ayatolla Sistani já condenou a acção e o incitamento à violência e negou qualquer autoridade ao jovem dirigente que, apesar de, por herança, controlar uma rede de escolas corânicas, não tem qualquer título ou grau na hierarquia religiosa. 
Também os iranianos se ofereceram como intermediários neste episódio e, tudo o indica, aconselharam-no e aos seus seguidores a transformarem a milícia que controlam em partido político. 

Vamos ver o que sucede nos próximos dias. 


E o Ocidente continua a não falar a uma voz, com a veemência de um bloco que sabe estar ameaçado de morte por um inimigo comum, o terrorismo da Al-Qaeda e afins. Com isso abre os flancos aos terroristas que aproveitam para matar aqui e ali e com isso pressionarem a opinião pública mundial. 

É de esperar o pior. 

Pessoalmente lamento que os aliados não tenham muito simplesmente podido defender a guerra sobre o Iraque do regime de Saddam e do Partido Baas, como mais um dos elos na luta contra o terrorismo, especialmente pelo que um Iraque livre e pacífico poderia contribuir para o fim do conflito israelo-árabe. 

Defendi-o antes da guerra (1) e foi isso que levou a, pelo menos, não me opor a ela. 

Mas a tibieza destes governantes de tempos em que os interesses esconsos falam mais alto só servirá para radicalizar ainda mais os fanáticos e a sede de sangue que os move. 

Deus nos salve desta loucura. 



Morreu Francisco Lyon de Castro, antigo militante comunista e sempre resistente ao fascismo. 

Fundador da “Europa-América” fez, com isso, mais pela liberdade do que aquilo que terá obtido nos anos de chumbo que passou pelos calabouços da polícia política. 

E foi solidário com os que o Estado Novo ostracizou; foi no seu negócio livreiro que muitos camaradas encontraram um ganha-pão que o estigma que transportavam dificilmente lhes permitira conseguir em outros lugares. 



“-O que é característica?” –Perguntou a Matilde, logicamente para compreender uma frase em que usei aquela palavra. 
“-É aquilo que faz com que uma coisa se distinga das outras, aquilo que uma coisa tem que as outras não têm ou então têm de uma maneira diferente. Ora diz-me lá a característica de uma escova de dentes.” –Respondi-lhe, enquanto a auxiliava na secagem após o banho. 
“-É aquela coisa com pelinhos para lavarmos os dentes.” 

A felicidade de um homem. 



AH! E finalmente o primeiro volume a respeito do Salazar. 


Alhos Vedros 
 12/04/2004 


NOTA 

(1) Gomes, Luís F. de A., A ESPADA E O BURACO NEGRO 


CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 

Gomes, Luís F. de A., A ESPADA E O BURACO NEGRO, Prefácio do Autor, Dactilografado, Alhos Vedros, 2003 
Matos, Helena, SALAZAR, Vol. 1, Círculo de Leitores, Lisboa, 2003

segunda-feira, 2 de julho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (310)

No Cais do Tejo, Autor Alfredo Keil,  1881,
Óleo sobre Madeira, Dimensões 92 x 154 cm



Alfredo Cristiano Keil (Lisboa, 3 de julho de 1850 — Hamburgo, 4 de outubro de 1907) foi um compositor, pintor, poeta, arqueólogo e coleccionador de arte português. 


Estudou desenho e música em Nuremberga, numa academia dirigida pelo pintor Wilhelm von Kaulbach e August von Kreling. Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana, regressa a Portugal. Em 1890, o ultimato inglês a Portugal ofereceu a Alfredo Keil a inspiração para a composição do canto patriótico "A Portuguesa", com versos de Henrique Lopes de Mendonça. A cantiga tornou-se popular em todo o país e seria mais tarde feita hino nacional de Portugal - A Portuguesa.

O artista mostra-nos um cais no rio Tejo, em Lisboa, na zona de Santos ou do Cais do Sodré, ao fim da tarde, com um grupo de figuras em primeiro plano, ocupadas com o carregamento do peixe, e mais à frente dois indivíduos junto de um candeeiro, mirando o rio. Várias embarcações animam as águas do Tejo, destacando-se à direita, e recortando-se nos tons laranjas e violetas do céu crepuscular, o cruzamento dos mastros de alguns veleiros.

Selecção de António Tapadinhas

in. Wikipedia

domingo, 1 de julho de 2018

EG 101


ESTUDO GERAL
jun/jul        2018           Nº101

"Nascer não é uma fatalidade, mas uma escolha pré-consciente, daquela consciência que se perde quando se voa do céu para a Terra, como dizia Platão." (Agostinho da Silva, Vida Conversável, p.14)

Sumário
António Telmo
Comunicação Não Violenta
Forrobodó
Junho, 2018
Sunny Days
Real... Irreal... Surreal
Livro


---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Empatia – O segredo para uma sociedade melhor?


por Lara Nayr

            Sempre ouvi dizer que para vingarmos na vida precisamos de ter um espírito ambicioso e competitivo. Somos educados no sentido de olhar para a sociedade e a crer que o mundo à nossa volta é egoísta e que, para que possamos sobreviver neste meio, a necessidade é sê-lo também. Lutamos pela sobrevivência, por gerar resultados positivos para nós mesmos, porque, na verdade, acreditamos que terceiros não o irão fazer.

            Segundo Marshall Rosenberg, o Pai da Comunicação Não Violenta (CNV em diante), o ser humano é dotado de dois aspetos completamente opostos, um lado compassivo e outro competitivo. Mas, na prática, como é que é possível desligar-nos da compaixão e empatia para nos entregarmos à violência, como tantas vezes acontece, aumentando o tensão entre os intervenientes? E como é que é possível que haja pessoas que mesmo em situação de constrangimento e dor consigam manter o seu lado compassivo, criando um momento de conexão entre si e os outros?

            É com o objetivo de responder a estas questões que Marshall Rosenberg desenvolveu o seu trabalho, salientando a importância do desenvolvimento da comunicação empática e consciente entre as pessoas.

O que almejo na minha vida é compaixão, um fluxo entre mim e o outro com base numa entrega mútua, do fundo do coração” - Marshall Rosenberg

            Somos empáticos quando conseguimos concentrar-nos na mensagem que o interlocutor nos quer transmitir, entendendo a carga emocional nela implícita, mas sem que haja tentativa da nossa parte de encorajar ou dar conselhos. Quando somos empáticos, abrimos espaço para a conexão com o outro, dando oportunidade para que este se possa expressar, sentindo-se ouvido e compreendido. O nosso trabalho neste âmbito passa por escutar os seus sentimentos e necessidades em relação àquilo que lhe traz constrangimento, sem que haja lugar para julgamento da nossa parte e sem tentarmos moldar a pessoa que está diante de nós. Desta forma, criamos espaço para que, segundo Rosenberg, haja um fluxo entre duas pessoas, uma conexão, onde dois seres humanos partilham as suas alma e as suas vulnerabilidades.

            É a partir da escuta empática e da comunicação consciente, atenta aos sentimentos e necessidades do outro, que é possível responder às questões iniciais. A CNV aplica-se a todos os tipos de comunicação e é capaz de mudar consciências e atitudes. Quem sabe, um dia, não vejamos uma mudança ao nível global.

Lara Nayr
http://facebook.com/euquilibriobylara 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Diálogos Lusófonos


Apresentação de forró com Paulo Aguiar e Daniela Moura



in, Diálogos Lusófonos, 26/6/2018
Coordenação de Margarida Castro

terça-feira, 26 de junho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Confesso que estava cheio de saudades. 
E como é bom ter os miminhos de dois pardalitos como linguagem de boas vindas. 



Bem, chegámos a tempo de estarmos presentes nas reuniões de avaliação. 
As aulas acabaram na última sexta-feira. 



O trabalho é que não perdoa e temo ter que fazer serões nos próximos dias. 
É assim, quem quer festa… Depois sujeita-se. 



Os resultados dos meus amorzinhos não podiam ser melhores. 
O pai, é claro, encheu-se de orgulho que quase levou as lágrimas aos olhos que a mãe galinha, essa, tinha-o estampado num brilho ocular e num sorriso que não enganavam quem quer que fosse. 

Mas a verdade é que as cachopas cumpriram, ambas designadas por pontuais e interessadas. 


O pardalito tem bom em todos os parâmetros das áreas curriculares e revela boa apreciação no referente ao empenho e compreensão do que devem ser os comportamentos e atitudes consentâneas com o acto de aprender. 

A apreciação global foi a seguinte: 
“A Matilde lê e escreve pequenas frases recorrendo por vezes ao quadro silábico. Copia de letra de imprensa para letra manuscrita sem problemas. É um pouco trapalhona e desorganizada. Conhece os números até 10. Faz contagens progressivas e regressivas, somas e subtracções.” 


O piolhito, por sua vez, com excepção do cálculo mental em que tem bom, repete-se em muito bons nos restantes parâmetros e revela claramente a consciência de um aluno interessado e responsável. 

A sua apreciação global reza assim:
“Língua Portuguesa: Lê com clareza e compreende o que lê. Responde a questionários orais e escritos. Conhece e aplica as regras gramaticais. Produz textos diversos, com sequência de ideias e muita imaginação. Raramente dá erros. Matemática: Adquiriu com facilidade as noções dadas, aplicando os seus conhecimentos. Estudo do Meio: Revelou muito interesse e aprendeu as noções dadas.” 


Que mais pode um pai querer para ser um homem feliz? 



O Iraque é que permanece palco da luta entre aqueles que querem deixar os homens viver em paz e aqueles que pretendem que eles vivam enleados em mordaças e coletes-de-forças, 


Há um líder xiita que sublevou a cidade de Najaf. 

Para já, a situação está fora de controle. 


 Alhos Vedros 
  06/04/2004

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O livrinho já chegou


Aqui a capa integral, com badanas incluídas. Se não for antes, poderão manuseá-lo na 47ª Feira do Livro de Alhos Vedros que este ano decorrerá entre 28 de junho e 1 de julho, no Largo do Coreto. Para ampliar, clicar em cima da imagem


terça-feira, 19 de junho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Dias sem história e com um mergulho em alto mar, só para ver peixinhos de aquário ao natural. 

E o silêncio de uma ilha com praia de postal. 


Vimos um espectáculo de golfinhos em ambiente natural, num dos canais que os aglomerados de mangue fazem. 


De resto as noites, cheias de calor e abraços. 



Naipaul, em “A Curva do Rio”, fala-nos da sorte de África pós-independências que nada mais soube fazer que sugar o pouco de energias criativas que lhe ficaram do passado colonial. 
Sem esperança que não a certeza de saber que entre duas matanças há sempre um tempo para repor a comida sobre a mesa e os telhados sobre as paredes. 

Um mestre, só um mestre consegue falar de um país, simbolizado continente, materializado povo, ao ritmo das histórias de vida de um sujeito e daqueles que mais directamente com ele privaram. 

Obra-prima! 



Bolas! Nunca consigo dormir no avião. 


 Algures sobre o Atlântico 
         04/04/2004


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Naipaul, V. S., A CURVA DO RIO, D. Quixote, Lisboa, 2003

segunda-feira, 18 de junho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (309)

Daedalus Attaching Icarus' Wings, Joseph-Marie Vien, 1754
Óleo sobre Tela, 195 x 130 cm


Joseph-Marie Vien, nasceu na cidade de Montpellier, França, a 18 de Junho de 1716 e faleceu a 27 de Março de 1809, em Paris.
Foi o pintor, desenhista e gravurista francês, que ganhou o Prix de Roma em 1743.
Deve a sua admissão na Academia de Paris graças a esta obra, Daedalus e Icarus.
Vien foi um dos primeiros pintores do movimento artístico designado como Neoclassicismo.

Selecção de António Tapadinhas 

quarta-feira, 13 de junho de 2018

«OS MEUS PREFÁCIOS». 15

Coordenação Pedro Martins

03-06-2018 11:54

Prefácio, com texto adicional na contracapa, a A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, de Rodrigo Sobral Cunha[1]

Neste livro, Rodrigo Cunha tirou uma história de outra história como quem tirasse uma pérola do seu engaste de ouro. Talvez nada mais esteja hoje ao nosso alcance do que tirar histórias de histórias. Porém, ao fazê-lo, se na primeira história há verdade e a soubermos ver, continuamos a engendrar segundo o espírito e poderemos, talvez, olhar o que está para além de nós. Não será este o caso de Rodrigo Cunha?
A História Verdadeira de Aladino, compreendida através do que seu autor nos diz dos liliputianos, anões e gigantes, à luz do raio, que lhe coube, da lâmpada maravilhosa, não virá convencer os incrédulos, desta, tão actual, impressionante profecia:

«Sobre os traços de Seth nascerá o último ser engendrado do género humano. Ele será portador dos seus segredos. Depois, não haverá mais filhos entre os humanos, porque ele é o Selo dos engendrados.
Com ele, nascerá uma irmã. Ela virá ao mundo antes dele, e ele depois dela, a sua cabeça junto aos seus pés.
O lugar desse nascimento será a China e a sua língua será a dos povos deste país.
Em seguida, a esterilidade espalhar-se-á entre os homens; as uniões sem progénie multiplicar-se-ão.
Chamará os homens para Deus, mas ninguém o ouvirá.
Quando Deus, o Altíssimo, o fizer morrer e Ele tenha feito morrer os crentes do seu tempo, aqueles que restarem serão como bestas, sem consideração pelo que é lícito e pelo que não o é. Agirão governados pela natureza, dominados por instintos que nem o Intelecto nem a Lei controlarão. É sobre eles que se levantará a Hora.»

Segundo estas palavras de Ibn’Arabî, o último descendente de Seth nascerá, como vem de ler-se, na China. O mágico negro foi lá que adivinhou Aladino e a sua lâmpada e veio de extremo a extremo da terra até ao Império do Meio, para, uma vez de posse da lâmpada, poder dominar o mundo, fazer dele o seu globo, uma farsa macaqueada do Quinto Império. No momento exacto em que estava prestes a consegui-lo, uma criança negou-lhe esse poder. Aladino não lhe entregou a lâmpada. Pouco foi preciso depois para que nesse mesmo mundo, que é o nosso, reinasse a Bondade e a Beleza.
E também a Verdade, porque tudo será um Milagre da Luz.
É essa mesma luz que perpassa, remota, nas páginas admiráveis em que Rodrigo pretende contar-nos a Verdadeira História de Aladino.

Texto publicado na contracapa do livro

«Pediu-me o autor de A Verdadeira História de Aladino que a fizesse preceder de umas palavras mágicas capazes de abrirem uma Introdução, isto é, uma Porta ou Janela para aqueles que não sejam capazes de entrar pelos telhados. A verdade é que, depois, a lermos a essa história tirada de outra história, sentimo-nos como Aladino nos jardins subterrâneos e o autor aparece-nos como o Mágico Africano, pois ao pôr no fecho dela a palavra exclamativa “Continua!” faz o equivalente ao que aquele fez ao colocar de novo a pedra para que o jovem jamais de lá pudesse sair. Mas as palavras do autor têm a qualidade de um ritmo superior e funcionam como o anel de poder e de guarda que o Mestre deu ao discípulo e assim abre-se em nós a perspectiva de continuar a história maravilhosa dentro da nossa alma, pois o “Continua!” é uma pedra que se abre, uma pedra que se levanta, fazendo com que nos sintamos impregnados do santo desejo de encontrarmos nos subterrâneos dessa alma a lâmpada maravilhosa.»

António Telmo


[1] Nota do Editor – Publicado originalmente em Rodrigo Sobral Cunha, A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, Sintra, Zéfiro, 2009, pp. 7-8.

Ler mais: https://www.antonio-telmo-vida-e-obra.pt/news/os-meus-prefacios-15/

terça-feira, 12 de junho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

SUNNY DAYS

Varadero, a vila, é uma recta com alguns quilómetros, marginada por casas onde vivem aqueles que trabalham nos muitos hotéis que ocupam a linha de costa da península de praias e canais de mangue numa das margens da ponta de lança que a terra faz pelo mar a dentro. 

Também aqui pululam as casas de vida atamancada, pisos térreos que já viram melhores dias e outros, com anexos de barracas e alguns com as corcundas dos primeiros pisos de auto-construção para responder ao aumento das bocas sob o mesmo tecto. 

E lá estão as pequenas feiras de artesanato como a que vimos na capital, na imediação das unidades hoteleiras. 


Também aqui, os cubanos têm olhos tristes. 



Como é boa a tranquilidade do dolce fare niente. 

Esta manhã passeamos de bicicleta pelos arredores, pois amanhã passearemos de barco pelas ilhotas de mangue. 
Há fotografias a fazer. 


Vida de hotel. Leituras, beijos e braçadas. 
Nada mau, heim… 

Ontem à noite assistimos a um espectáculo de magia.
Um canadiano chamado Ron caiu na berlinda. 


Dias com vinte e nove graus, noites com vinte e oito e águas com vinte e sete. 

Na pequena língua de areia lambida pela espuma de um verde transparente que se deixa azular na direcção do largo, as sombras são dadas pelos coqueiros e outras palmeiras que não sei identificar. 
O cair da tarde faz-se de uma luz doirada que parece acender a ressaca com brilhos que o mar traz e leva. Depois vai-se o crepúsculo em fogo que aqui, neste litoral, se faz sobre a terra. 


Enquanto em hotéis de países cristãos é comum haver uma Bíblia na mesa-de-cabeceira, aqui há exemplares de uma revista de propaganda. 

Ainda assim, no exemplar de Janeiro deste ano, com uma entrevista a Chomsky, (1) em que o jornalista se esforça por fazer revelar os aspectos mais críticos do capitalismo no pensamento do cientista. 



Hoje vi um pelicano pescando na praia. 


   Varadero 
 03/04/2004 


NOTA 

(1) Chomsky, Noam, TAN PARECIDO A SU FANTASMA, pp.8/11 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Chomsky, Noam, TAN PARECIDO A SU FANTASMA, Entrevista por Vladia Rubio, Bohemia, nº. 2, Ano 96, 23/01/2004

segunda-feira, 11 de junho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (308)

O Campo de Milho, Autor John Constable, 1826
Óleo sobre Tela, 1,43 x 1,22 cm


John Constable foi um pintor romântico inglês, que nasceu em Suffolk a 11 de junho de 1776 e faleceu em Londres, a 31 de março de 1837.
Foi considerado um excêntrico pelos pintores que eram seus contemporâneos, porque preferia pintar ao ar livre.
Autodidata, John Constable mudou-se para Londres quando tinha vinte anos de idade.
Foi precursor da pintura de paisagens ao ar livre, para estudar os efeitos da luz na paisagem o que o levou a pintar versões do mesmo motivo sob diferentes condições atmosféricas, técnica que, anos depois, teria influência decisiva sobre os impressionistas.

Selecção de António Tapadinhas

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A Poesia de Manuel (D'Angola) de Sousa


1.

“Encantado De Vento Em Pôpa Pela Ilusão Encaixotada De Cantos Fluídicos Espirituais”

Encantam-me os cantos e os desencantos da desilusão
Encaixo-me dentro de caixas e caixotes de cartão pré-reciclados
Desinibo-me de inibições e exibições pouquíssimo ambiciosas
Desarmo-me de armas e munições de pólvora sêca atómica

Disparo balas explosivas e os próprios canhões a reacção
Desloco-me materialmente para locais deslocalizados
E ainda vou de vento em pôpa sem proa ou leme ou velas
Subo ao mastro principal sempre a escorregar por ele a baixo

Seco o fluido rubro das veias e dou-o a beber aos vampiros do alheio
Descontrai-me imenso ver a carteira vazia cada vez mais contraída
Monto a besta quer queira ela ou não e desmonto-a peça por peça
Alego na escrita mural de parede de só fazer recurso a alegorias

Uso parábolas de desígnios feitos em contrafacção por profetas falsos
Entro em contradição e teimosia plenas em função das metáforas
Contradigo o que digo de olhos fechados com os olhos abertos
Faço desmoronar a ideia fixa e movo-me verbalmente por afinidades

Início o inicio de uma frase com paradoxos e findo-a sem lógica alguma
Rompo com o passado das sentenças desprovidas de sentido figurado
Desfiguro-me facialmente através de gestos de irrelevante significado
Fecho a fonte das origens primordiais e desligo a correnteza espirita…

Encerro por momentos o fluxo dos sonhos mal sonhados e reinicio o programa elementar…

Escrito a 5 de Junho de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Luanda, Angola, em Homenagem aos Afoitos, Corajosos e Aventureiros da Vida e dos que enfrentam Riscos e outros Perigos com o peito abertamente e com a maior das normalidades e sem que isso pareça constituir algo por aí além…

“Aos que normalmente e de forma muito natural, são heróis das iniciativas da Vida, e que, assim, a ajudam a mudar e a evoluir…”


2.

“Da Verdade E Da Realidade Em Duvida Ao Invisível Azimute Da Irreflexão Ilimitada…”

Já não sei se o diga ou não!
A verdade já não me soa mais ao que devia ser!
Fico agora confuso…
Duvido amiúde disto tudo…
Tenho a própria realidade posta em questão!...

Transplanto a sêde e a fome para outra ocasião…
Busco respostas em tudo o que mexe…
Movimento o ego…
Centralizo-me no umbigo…
Perco o fio à meada e nada sei mais!…

Quiçá vegete tanto e tão pouco!
Navegue sem rumo definido!
Sem destino ou azimute!
Saio tão simplesmente dos limites do tempo…
Sou um nada ou um ninguém e um que nunca fui ou foi!…

Vejo-me espelhado na invisível inflexão interior sem qualquer reflexão exterior…

“Em resiliente e persistente busca de uma Orientação Consciente e da/pela/na Plenitude da Verdade e da/na Realidade…”

Escrito a 4 de Junho de 2018, em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em data dos nascimentos de meu Avo Daniel de Sousa (transitado há alguns anos atrás), nascido em São Martinho do Porto, Portugal, e de meu Filho mais velho, Luis Daniel Silva de Sousa, nascido em Luanda, Angola


3.

“Hipotético Ser Aos Poucos…”

Nada sou e hipotético sou e sei disso!
Patético ando e tresando aos poucos…
Escabeceio no meio de um só seio
Parece que ensurdeço com a falta de barulho
Ou será que enlouqueço antes de tudo?...

Escrito a 4 de Junho de 2018, ao início da madrugada, em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em semelhança ao estilo dos Hakai Japoneses… e em Homenagem ao singelo Homem Divino, que cada um de nos reflecte e representa…

quarta-feira, 6 de junho de 2018

47ª Feira do Livro de Alhos Vedros


PROGRAMA DA 47 FEIRA DO LIVRO
DIA 28 DE JUNHO
INAUGURAÇÃO
ATUAÇÃO DOS BOMBEIROS DA MOITA
INTERVENÇÃO DAS ENTIDADES
MÚSICA COM LAU GOD DOG - APRESENTAÇÃO DO ÁLBUM "MEIO CÃO MEIO DEUS"

DIA 29-MÚSICA COM ASSOCIAÇÃO ACADEMIA DE ARTES DA MOITA
DIA 30 - ATUAÇÃO DAS CLASSES DE GINASTICA AERÓBICA DA ACADEMIA 8 DE JANEIRO SOB A ORIENTAÇÃO DE TIAGO FAQUINHA
HOMENAGEM A ARTUR MANUEL ANTUNES
CELEBRAÇÃO DOS MÉRITOS E DESEMPENHOS DAS GINASTAS NAS PROVAS NACIONAIS E DISTRITAIS
MÚSICA COM TONY DA COSTA
DIA 1 DE JULHO - ATUAÇÃO DO GRUPO B VOICE-VOZES E INSTRUMENTOS -
NA CAPELA-EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA ANTÓNIO ALEIXO SOBRE MADEIRA
E INSTALAÇÃO UM CONTO COM VIDA
TODOS OS DIAS AMIZADE
LIVROS E AUTORES
ENCONTROS E CONVERSAS POSSÍVEIS EM BOM AMBIENTE

terça-feira, 5 de junho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Viagem entre Havana e Varadero. 

Há rios que desaguam em gargantas carregadas de verde até à linha de transparência das águas azuladas. 
E os urubus, sempre atentos e planantes, indicando a caça ao nível do solo. 


Como será a distribuição da propriedade rural? 

Aqui e ali há casas de famílias que, tudo o indica, têm uma leira de terra em amanho. 


Ao longe, as montanhas deram-se ao reino de florestas. 
E no vale imenso que em abrasão se estende até ao mar, a planície arroteada tem os nichos de árvores que nos fazem saber em paisagem tropical. 


A rede viária responde perfeitamente ao tráfego existente. 
E o estado de conservação não deixa muito a desejar. 


Chegada a Varadero para hotel com praia privada. 
Entrámos num mundo de fantasia. 

Espera-nos o repouso nos próximos dias. 


Cada restaurante tem a sua banda para embalar a refeição. 


   Varadero 
 01/04/2004

segunda-feira, 4 de junho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (307)

Casino de Nice, Raoul Dufy, 1927

Óleo sobre Tela


Raoul Dufy, nome completo Raoul Ernest Joseph, nasceu em Le Havre, a 3 de Junho de 1877 e faleceu em Forcalquier, a 23 de Março de 1953.
Foi um pintor, desenhista, gravador, ilustrador de livros, ceramista, ilustrador de tecidos, decorador de interiores e teve diversas intervenções em espaços públicos.
Na pintura, foi Impressionista a princípio mas evoluiu progressivamente para o fauvismo, depois de travar contacto com Henri Matisse.
A cidade de Nice ofereceu um jazigo no cemitério de Cimiez, em 1956, onde ele jazz, próximo a Matisse.

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 1 de junho de 2018

EG 100

ESTUDO GERAL
Mai/jun     2018           Nº100


"Gaia”, a Terra mãe, de onde nós humanidade saímos de um parto recente, após um desenvolvimento de 3.800 milhões de anos. A biosfera é uma finíssima “película” superficial. Cuidemos dela em vez de a delapidar e contaminar. Em grande parte a ação da Natureza depende da ação quotidiana." (José Augusto Batista)


Sumário
Intróito
Diarística
Versatilismo (pintura)
Com legenda de Carlos Drumond de Andrade
Antepassados ibéricos (ou, nós também gostamos de História)
Um Poema
Audio e Oficial Vídeo
Vídeoclip Oficial de album de estreia “Meio Cão, Meio Deus”
Fitoterapia
Uma reportagem sobre Encontro organizado por um grupo de cidadãos 12.5.2018


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