terça-feira, 13 de abril de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL




por

Jasmin D'Água







Para a

Anabela de Sousa Diogo,

pelas conversas de que mergulhei

nesta aventura de querer escrever uma obra literária.







I






A transparência do azul de uma piscina tremente, pela refracção de rasgos amarelados, serpenteando, no fundo. Pairando, o zumbido da quietude.

-Sabes o que é que mais me impressiona nele?
(…)
-A ousadia.
-A ousadia?
-Exactamente. A ousadia.
-Como assim? A ousadia em que sentido?
-No sentido em que ele quis fazer uma obra e fê-lo.
-E achas isso uma ousadia?
-Acho, na medida em que ele teve a intuição de uma determinada problemática, teve consciência de que a poderia tratar de alguma maneira, quer dizer, com certeza que percebeu ou sentiu que poderia dizer alguma coisa a esse respeito, sentiu que tinha um ponto de vista próprio e concebeu uma maneira de abordar e expressar uma tal temática que implicou que ele fosse capaz de construir uma série de trabalhos literários, não tão simples de fazer como tudo isso e ainda mais incertos quanto ao seu desfecho e que no conjunto se teriam que materializar numa verdadeira obra literária, por sinal, significativamente vasta e cheia de complexidade.
Ora temos de convir que isso é uma ousadia de todo o tamanho. Não achas o mesmo?
-É, nesse sentido é uma grande ousadia. Seja como for, estás mesmo convencido que houve esse propósito explícito de produzir, quer dizer, criar uma obra?
-Sim, estou convencido disso.
-Expressei-me mal. O que eu queria dizer era um propósito intencional. Parece-te que houve mesmo esse objectivo intencionalmente definido de criar uma obra?
-Sim. Acho que foi isso mesmo que aconteceu. Considerando todo o trabalho dele que, devo dizer, não tenho a veleidade de pretender que conheço na íntegra, mas considerando o todo que eu conheço do trabalho dele, volto a dizer que estou mesmo convencido de que foi isso que aconteceu.
-Isso não será uma interpretação muito ousada? Compreendes que, para ser assim, toda a produção que ele elaborou e que abrange áreas tão pouco relacionadas como a astrologia… Sabes que ele próprio chegou a criar horóscopos e a escrever sobre isso.
-Sim.
-Ou as questões metafísicas de um sentido para a história de Portugal. Para ser como dizes, esses diversos níveis teriam de alguma forma de estarem de acordo uns com os outros. A menos que obra tivesse sido, logo de início, imaginada como uma soma, digamos assim, de trabalhos independentes entre si, mas aí dificilmente conseguiríamos ver algum sentido nas tuas palavras.
-Mas é precisamente isso que aconteceu ou, pelo menos, é precisamente disso que eu estou convencido.
-O quê?
-De alguma maneira, esses diferentes níveis, como dizes, estão de acordo uns com os outros. É possível encontrar o que os liga e percebe-se que é precisamente isso que nos permite agrupar toda a sua criação numa obra literária.
-Sou toda ouvidos.









-Bem, eu não digo que desde os primeiros textos que ele tenha escrito que logo aí ele tenha pensado, lhe tenha ocorrido a ideia de criar uma obra literária para falar de um assunto determinado. Não é isso que eu quis dizer.
-E não foi isso que eu pensei, é claro.
-Não interessa o que o possa ter levado a escrever as primeiras coisas.
-Pois, mas não vejo muito bem como é que os primeiros poemas, os primeiros textos, por exemplo os anteriores a mil novecentos e dez que ele publicou em revistas, não vejo como é que isso se poderia enquadrar na pretensão de construir uma obra que presumo tenha a ver com a construção dos heterónimos.
-No entanto, olha que em alguns casos já lá está o germe daquilo que viria a ser o fundamental, o cerne, o ponto central, digamos assim, das preocupações filosóficas que a poética dele encerra, a questão do ser, da dimensão do ser, o destino do ser de se cumprir para além do imediato da simples vida material, olha lá bem que isso já transparece na “Hora Absurda.”
-Sim, isso é verdade, recordo-me desse poema que é anterior à explosão da heteronímia.
-Estás a referir-te àquela célebre tarde em que ele escreveu de rajada “O Guardador de Rebanhos” e qualquer coisa como umas três dezenas de outros poemas…
-Foi o que ele escreveu, se a memória não me atraiçoa, numa carta. Mas não sei dizer a quem a escreveu. Aconteceu em mil novecentos e catorze, o ano da primeira grande guerra mundial. Foi aí que ele criou o Alberto Caeiro.
-Escreveu em pé, sobre uma cómoda… Sabes que eu às vezes penso que isso foi invenção dele?
-O quê? O ter escrito todos esses poemas do modo como descreveu que o fez?
-Sim, às vezes acho que isso se tratou de mera invenção dele. Penso até que isso é uma das peças do puzzle que me leva a pensar no tal desiderato conscientemente assumido de criar uma obra literária com princípio, meio e fim, com cabeça tronco e membros, salvo seja a expressão.
-O poeta é um fingidor, não é?
-Tal e qual, como ele escreveu e tendo o propósito de fazer uma obra teve igualmente o cuidado de lhe dar o enquadramento de pontos de começo. Acho que isso faz todo o sentido, não te parece? Seja como for, num artigo a que ele deu o título de “Notas Íntimas” e que publicou com vinte anos de idade, ele escreveu que para contribuir para a melhoria de Portugal, sentia nele uma infinidade de projectos, acho que falava de mil que, para serem realizados por um só homem exigiriam uma força de vontade que ele próprio admitia não ter.
(…)


(continua)

domingo, 11 de abril de 2010

Carta ao Director do "Público" sobre a mentira acerca da Marcha pelos Animais de 10 de Abril

Exmº Sr. Director

Tinha 14 anos em 25 de Abril de 1974 e saí à rua com o mesmo entusiasmo de milhões de portugueses para saudar a restauração das liberdades fundamentais dos cidadãos, entre as quais a liberdade de imprensa. Depois disso desiludi-me com a política convencional, a meu ver demasiado estreita, e dediquei-me sobretudo à docência universitária. Há cerca de um ano faço parte da Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais e foi nessa qualidade que apoiei a Marcha pelos Animais, em 10 de Abril, e que fui entrevistado pelo vosso jornal. Lendo a afirmação do jornalista de que "centenas" de pessoas estiveram presentes, não posso reprimir a minha indignação: como podem "centenas" de pessoas, em filas de cerca de dez, encher completamente o percurso do Saldanha ao Marquês de Pombal, dar a volta a esta Praça e entrar ainda na Rua Braancamp, como muitas fotos e videos documentam? Como pode alguém reduzir a "centenas" as 3000 pessoas que, no mínimo, estiveram presentes?

A minha indignação é tanto maior quando vejo o "Público", cuja qualidade prezo, fazer coro com outros jornais de qualidade muito inferior e ficar atrás dos canais televisivos, que deturparam ligeiramente menos a realidade, falando de "mil" pessoas...

Compreende-se que os órgãos de comunicação social não estejam interessados nos animais, que felizmente não lêem jornais nem vêem televisão, como se compreende que o poder e as forças políticas não se interessem por quem não vota e é apenas vítima passiva e silenciosa de todo o tipo de maus-tratos e abusos. Não se compreende é que os media tenham o despudor de insultar com tamanha mentira o crescente número de cidadãos que se erguem para dar voz a quem não a tem e que colocam a defesa dos direitos dos animais como condição para uma sociedade humana melhor e mais evoluída. Assim o comprova, além dos milhares de pessoas que saíram à rua no dia 10 de Abril, a recente entrega de uma petição contra a criação de uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura, de que sou primeiro subscritor, e que obteve 8200 assinaturas em menos de dois meses.

Sinceramente, Sr. Director, não foi para isto que a liberdade de imprensa foi restaurada em Portugal! Tenho hoje 50 anos e sinto o meu entusiasmo adolescente traído por ver a liberdade de imprensa convertida em liberdade de manipular a opinião pública. Não esperava era ver o "Público" ir tão despudoradamente neste rumo...

Paulo Borges
(Professor na Universidade de Lisboa)

sábado, 10 de abril de 2010

O Terrorista

O homem tinha-o no coração.
Era o seu primeiro e principal troféu.

- Ganhaste-o em competição?
- Sim, na maior das competições.

- Então foi duro!
- Muito duro, confirmou o homem do troféu.

- Há muito tempo?
- Antes de mim.

-Como assim? Homem do mais importante dos troféus?
- Ganhei-o pela memória. Conquistei-o, pela determinação e pela paciência.

- Estavas certo que irias ganhar?
- Sim! Não podia perder; não me era lícito perder.

- Grande desafio!
- O maior e mais sagrado de todos os desafios.

- Então tem-lo guardado em sítio seguro?
- Não, não há sítios seguros.

- E é grande?
- Não tem tamanho.

- E é pesado?
- Mais pesado que o ouro.

- Então vale uma fortuna!
- Tão grande que não tem quem a avalie.

- Mas pode deteriorar-se, ou desvalorizar-se!
- Pode, mas também pode enriquecer-se à medida que o tempo passa; sabes; os meus avós começaram há muitos séculos, a guiar o meu troféu na direcção da minha tenda. Guardando rebanhos, tecendo mágicos tapetes, tocando camelos, peregrinado cerimoniosamente.

- Nestes tempos duros, bom homem, como vais partilhar um tão importante troféu?
- Deixando sinais. Claros como a luz do sol, fortes como o aço das adagas, beneméritos como a natureza e maternais como as lobas.

- Gostava de ver o teu troféu, o teu tesouro.
- Vem. Esta é agora a minha tenda, tão visitada por bombas. Vou mostrar-te o mais querido troféu, ganho na mais longa e extraordinária de todas as competições!

- Mas é um menino?
- É. Vou levantá-lo bem alto. Ele não sabe ainda que é um terrorista.

Leonel Coelho

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Perspectiva

As duas fotografias intituladas de "Perspectiva" foram tiradas no Convento de Cristo em Tomar, em Janeiro de 2010.
O "auto-retrato" também foi tirado no mesmo lugar. Um daqueles momentos de brincadeira onde quero ser ao mesmo tempo fotógrafa e modelo...

Alexandra Viegas

Perspectiva I

Perspectiva II

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CARTA ABERTA A JACKSON BROWN

Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

Eu sei, Jackson Brown. Eu sei que te acomodas nessa crença moderna, tão antiga quanto o medo da morte, chamada de reencarnação, e que estás embrenhado nas mais excessivas teses new age para consolidares o teu desejo de acreditar, fazeres acreditar e dares consolação às fragilidades do peito.

Num tempo como é este que atravessamos, onde se descrê de tudo o que não é rentável, nem prático, nem descartável; num tempo em que a morte é uma derrota que se esconde e uma dor que ninguém chora, é bom que acredites no difícil, no improvável, no incerto, no não pragmático. É bom que desenhes a arco-íris a tua imortalidade, esconjures o teu medo e tanjas o teu sonho como se fora harpa, mas tem cuidado, não esqueças que acreditar não é saber.

Não te assustes, Jackson Brown, eu não vou diminuir a tua esperança nem poluir o teu sonho. Ao fim e ao cabo, eu também aceito a hipótese reencarnacionista, embora com um jeito outro, um jeito muito pessoal. Tu não sabes e por isso te digo: sou um homem de fé e, por esta razão, pouco dado a crenças. Escrevi um dia que a crença é a alienação do entendimento, serve aos homens desprovidos de fé para chamar às obstinações vontade, aos desejos convicção, ao medo atávico fé e às superstições entendimento.

Julgo que não se perde nada, antes pelo contrário, em submeter as crenças à lógica das unhas: se arranham limam-se, quando crescem aparam-se. Envernizá-las não é bom, impedir-lhes a respiração seca-as, desvitaliza-as; deixá-las crescer demasiado torna-as quebradiças e é anti-higiénico.

Tudo à nossa volta se abre como um livro, pedindo aos nossos olhos o favor duma leitura atenta. Em cada manhã, sem que nada façamos para o merecer, há um novo dia, debaixo sempre do mesmo sol milenar. E um novo tu debaixo do mesmo eu. E isto é reencarnação. De sete em sete anos nada te sobra em carne de quanto tiveste antes, mas continuas tu, perante ti e perante os que te reconhecem. E isto é reencarnação, a reencarnação da memória, que é o elo de ligação entre o ontem e o hoje. Mas a memória é uma coisa tão frágil que se faz da imponderabilidade de recordar e de esquecer. É por isso que temo – por ti e por mim – que o Jackson a quem o tempo enruga a face e a ampulheta conta os dias num fluxo de areia há-de passar um dia o rio que a todos lava a memória, e aí, não mais Jackson, só a recordação a esvair-se pouco a pouco no coração de alguns. Nostalgia para os que te amaram, satisfação e remorso para os que te odiaram, esquecimento saudável para todos.

A todos nós, personagens dum enredo imenso, onde muito presumimos e pouco entendemos, cabe nascer e morrer sem qualquer «encore», que isto é a vida. Dir-me-ás: «está bem, mas isso é o corpo, o animal, o bicho da terra, não a alma».

Que alma, amigo? Se a gente enquanto carne não tem alma, a alma é que nos tem e empurra?

Não é a rosa que tem a roseira, esta é que dá rosas, primeiro em botão, depois em resplendor, que logo murcha. O perfume exalado? Vai no vento. Vai no vento. A eternidade da rosa faz-se de haver roseiras.

Enquanto nos identificarmos com o efémero, com o precário, com o provisório, com o mortal, nada temos nem nada merecemos. Nem a alma. Dado que nos identificamos pela dor e pela morte, somos a identidade que nos ensinaram a ter. Por isso, meu amigo, se quiseres ser co-autor do enredo deste lado da vida, esquece o nome que te deram, símbolo da tua mortalidade e da sujeição ao papel que te coube no palco das precariedades; ganha o direito a um novo nome, verdadeiro e definitivo. Grava-o numa pedra branca e realiza a alma. Nessa altura, talvez não possa tratar-te como te venho tratando, mas creio que estarás legitimado para falar de reencarnação com o desprendimento e a distância de quem venceu o tempo e já não precisa de esgrimir qualquer crença para esconjurar o medo.

Eu sei e tu sabes que a alma nos quer com amor ardente, mas a gente anda por aí perdida, querendo coisas excessivas e desnecessárias que nos roubam o tempo e nos deixam exaustos. É por isso que não correspondem ao amor profundo que a alma nos tem.

É por isso que morremos, e reencarnar é ainda morrer, por paradoxal que pareça.

Abdul Cadre
in, http://khalad.blogs.sapo.pt
NOVOS CURSOS NA ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (VER AQUI)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"Avant-garde" no Estudo Geral


ao Leonel Limão

“The adjective form is used in English, to refer to people or works that are experimental or innovative, particularly with respect to art, culture, and politics.” (Wikipedia)

“Um dos mistérios do nosso tempo é o que chamamos de arte moderna. Uma das maiores fascinações, a ideia de vanguarda”.
(…)
“Certa vez, tive uma conversa fascinante sobre a canção Tropicália, num castelo medieval em Sesimbra, com Roberto Pinho e um senhor português que era tido como alquimista. O ponto de ligação entre eles era o Professor Agostinho da Silva (…) De modo que, em Sesimbra, comecei a ver a Tropicália – e a pensar o tropicalismo – também à luz do sebastianismo, ou melhor, da minha versão do sebastianismo, que consistia em adivinhações do que fosse o sebastianismo deles. Eu, no entanto, sempre fui muito cético”
Caetano Veloso

(in, RISÉRIO, António – avant-garde na bahia. São Paulo: Instituto lina bo e p.m. bardi, 1995)


“Avant-garde”
Como qualquer grupo de jovens
Um bando de jovens à procura de brincadeiras,
Deram-lhes uma vida e eles queriam viver,
Prometeram-lhes liberdade e eles tornaram-se livres

O ceptro do centro da mesa era o Amor
De dentro do meio do lodo brotava uma flor
Sempre a música acompanha os jovens
Numa festa permanente brindava-se à amizade

Voavam os pensamentos à procura de luz
Dançavam os corpos até entrarem em transe
Transavam os olhos em busca de beijos
Solidários em grupo carpiam as mágoas

Semearam as letras em bancos de jardim
Espalharam profissões deitados na relva
Passavam de mão em mão o Cachimbo da Paz
E em Paz cresceram e fizeram o mundo

Muito cantavam e as músicas nasceram
Mais os poemas que depois se escreveram
Tantas as mãos que guitarras tocavam
Brindavam os copos com o lume da casa

E depois partiram para rumos distantes
E o que era um lugar em grupo fechado
Foi sendo por todo o sítio anunciado.

Luis Santos

THE UNKNOWN GOD


Gigante Caído Acrílico sobre Tela 30x40cm
Autor António Tapadinhas
Os atenienses, apesar dos seus doze deuses principais, com receio de ferirem susceptibilidades, criaram um templo dedicado ao deus desconhecido. Se não serviu para mais nada, a sua existência ficou justificada com a obra-prima, “A um deus desconhecido”, de John Steinbeck.
Nesta novela telúrica, panteísta, Joseph Wayne, para cumprir o desejo do pai, vai viver para uma terra de vales imensos e de majestosas árvores. Depois da sua morte, Joseph acredita que a alma do pai se recolheu no imponente carvalho, junto da casa. A partir desse momento, a sua vida fica ligada umbilicalmente, de uma forma mística, ao destino da árvore. Como quase sempre acontece, é por uma boa razão, em nome de Deus, para o salvar do fogo do inferno, que seu irmão assassina o velho carvalho, cortando-lhe as raízes. O sentimento de tragédia, presente nas páginas da novela, começa a adensar-se com a seca que invade a terra e atinge o seu paroxismo quando Joseph se suicida. Com “o sangue a gorgolejar das artérias abertas”, ele diz: “Eu sou a terra e sou a chuva. A erva brotará de mim dentro em pouco.”
No passeio pelos sapais do Tejo, do qual falei anteriormente, logo a seguir ao Moinho da Charroqueira, encontrei um sinal das intensas chuvadas e fortes ventos: um pinheiro-manso (Pinus pinea) caído, suportado, de um lado, pelas suas raízes, e do outro, como que amparado por braços amigos, com as ramagens na terra. Lembrei-me de imediato da árvore assassinada em nome de Deus.
“E a tempestade recrudesceu e, com um enorme cachoar de águas, cobriu de sombra o mundo.”
Eu sou mais optimista.
Foi assim, cheio de cor, que vi o velho gigante…

Texto de António Tapadinhas

O Pergaminho do Poeta

Numa modesta casa
Escreve o poeta seus versos,
Na lareira aquece a brasa
De seus poemas sinceros.

Com a mão escreve o destino
Pelas linhas do coração,
Pelo peito abre caminho
Fazendo vibrar a razão.

Tudo o que passa não fica.
Sente o homem que agora pensa
Neste presente em que medita.

E à sua roda que tensa,
Uma paixão à volta gira
Neste inspirar que é uma doença.

Diogo Correia
6/4/10

quinta-feira, 1 de abril de 2010

PRIMAVERA


Óleo sobre Platex 15x15cm
Autor António Tapadinhas

Esta é a imagem sonora de Antonio Vivaldi que podem ouvir aqui.
Descreve a chegada da Primavera como uma festa da natureza. Nos solos dos violinistas, está reproduzido o canto dos pássaros e o murmúrio dos riachos afagados pela brisa suave e fresca. Podemos imaginar a dança das ninfas e dos pastores, sob o brilho do sol primaveril, depois do rugido dos trovões e da luz lívida dos relâmpagos iluminando o manto negro das nuvens características do Inverno.
Esqueçam os produtos que esta música já vendeu, nos spots publicitários – se puderem…
A imagem visual da Primavera, de António Tapadinhas, tem as flores mais singelas – umas papoilas saltitantes…

Texto de António Tapadinhas

Primavera


(foto enviada por Eduardo Espírito Santo - autor desconhecido)

sábado, 27 de março de 2010

A AGLP "abre as portas" da cultura galega no Brasil

A Academia Galega da Língua Portuguesa conta dende esta sexta feira con representación no Brasil. As académicas Concha Rousia, colaboradora de Vieiros, e Isabel Rei participan, por convite dos gobernos brasileiro e portugués, na Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua portuguesa no Sistema Mundial, que está a ter lugar en Brasilia.

Segundo explicou Ângelo Cristóvão, secretario da AGLP, as dúas representantes galegas participarán na primeira parte dos encontros, divididos en paneis temáticos, cuxos resultados se lles transmitirán máis tarde aos gobernos. Rousia e Rei estarán presentes nos relatorios que teñan máis interese para Galiza.

Rousia e Rei terán presenza noutros eventos de carácter cultural no país americano. Así, o día 28 participarán nunha visita guiada ao Museo da Língua Portuguesa en São Paulo. O día 29 asistirán a unha recepción oficial na Academia Brasileira de Letras, acompañadas do tamén académico Joám Evans Pim. Rousia pronunciará unha palestra sobre a participación galega nos Acordos Ortográficos e presentarán novas publicacións da AGLP: o boletín número 3 e o primeiro número da colección Clássicos da Galiza, con Cantares Galegos de Rosalía de Castro. Ese mesmo día, pola tarde, asinarán un protocolo de colaboración e apoio mutuo entre o Real Gabinete Português de Leitura e a AGLP, cun recital poético e musical.

Ademais da participación en varias conferencias en diferentes cidades do Brasil, o 31 de marzo as académicas da AGLP estarán na sesión inaugural do Instituto Cultural Brasil-Galiza, en Florianópolis. O novo organismo, integrado por profesores brasileiros e persoal galego, encargarase de promover a cultura do país no Brasil, con exposicións itinerantes en todos os estados.

A seguinte cita importante será a partir do 5 de abril, no Colóquio Açoriano da Lusofonia, tamén en Florianópolis, estado de Santa Catarina. Rei e Rousia intervirán con cadansúa palestra, mentres que o día 6 presentarán as novas publicacións da AGLP, Rousia falará de "Língua da Galiza: poder e responsabilidade" e Rei ofrecerá un concerto de guitarra de música galega, incluíndo temas inéditos de Marcial Valladares. O dia seguinte participarán nun recital de poesía que incluirá obras de Rosalía e de Martín Codax.

Cristóvão salientou que todos os actos en que vai participar a AGLP terán gran repercusión nos ámbitos culturais e nas entidades que van marcar a política cultural do Brasil, para dar a coñecer a cultura galega e a nosa realidade lingüística. Afirmou que o seu papel vai ser o de "abrir portas e camiños" para que despois outras entidades poidan levar a cabo un intercambio cultural e económico. "Non significa que queiramos encargarnos de difundir a cultura galega no Brasil, porque non temos capacidade, pero si abrir portas".

O secretario da Academia tamén explicou que "non obrigamos a ninguén a nada, temos o noso punto de vista" e que esta visita ao Brasil "con certeza, non será a última", polo que servirá para iniciar unha serie de contactos entre os dous países.

http://www.vieiros.com/nova/78889/a-aglp-abre-as-portas-da-cultura-galega-no-brasil
Ângelo Cristóvão, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

quinta-feira, 25 de março de 2010

Movimento cívico e cultural "Outro Portugal", em Alhos Vedros.

No dia 7 de Março, e ainda na sequência da apresentação do Manifesto "Refundar Portugal", pelo Professor Paulo Borges na Escola Aberta Agostinho da Silva, foi promovida uma jornada de reflexão sobre questões locais.

Estiveram presentes: Célia Martins, Diogo Correia, Edgar Cantante, Fernanda Gil, Joaquim Raminhos, Leonel Limão, Luís Santos e Manuel João Croca.

Aqui fica a síntese dos assuntos abordados:

1- A Fernanda Gil começou por fazer referência à sua participação na organização da Feira Medieval que decorrerá em Alhos Vedros nos dias 3, 4 e 5 de Junho. Foi levantada a possibilidade do nosso Grupo participar nalguma actividade relacionada com esse evento.

2- O Luís Santos apresentou o Blogue/Revista Estudo Geral e dada a riqueza da História Local da região pensou-se em iniciar a elaboração de um dossier sobre património histórico que poderá ser publicado na Revista. Relembrou também a inexistência na região de um núcleo museológico.

3- O Manuel João Croca, secundado por todos os outros, identificou um conjunto de problemas de que a região padece, como sejam, o abate intensivo de árvores, a desflorestação, a degradação das zonas naturais junto à margem do rio e a crescente degradação urbana do centro histórico de Alhos Vedros. Propôs ainda que se tentasse recuperar a organização do Festival Lusófono Musidanças.

4- O Edgar Cantante, em concordância, com algumas das questões assinaladas, falou das más condições a que os animais abandonados estão sujeitos e das dificuldades com que luta a direcção da respectiva Associação. Nesse sentido propôs que o Grupo pudesse ajudar nalgum sentido, nomeadamente, na organização de uma possível campanha para adopção desses animais. Falou-se também num eventual contacto com a União Zoófila da Moita.

5- A Célia Martins, acentuou também alguns problemas relacionados com o património natural, como é o caso do Cais de Desmantelamento dos Barcos (dito Cais Novo). Informou também sobre a operação “Limpar Portugal” que vai mobilizando todo o país e que na região envolve algumas centenas de pessoas.

6- O Digo Correia desenvolveu também algumas ideias sobre as zonas naturais, nomeadamente sobre o Cais de Desmantelamento dos Barcos e o impedimento que as pessoas vão sentindo de acederem ao rio, por motivos vários. Uma situação que merecerá ser reparada.

7- O Leonel Limão falou da possibilidade de se organizarem manifestações espontâneas, que de alguma forma pudessem dar visibilidade a algumas questões merecedoras de serem assinaladas.

8- O Joaquim Raminhos concordou com a possibilidade de se fazer um encontro com a Associação dos Animais Abandonados e com a realização da referida campanha de adopção. No âmbito das relações lusófonas propôs o envio de livro para cabo Verde em parceria com a Associação de Amizade Cabo Verde/Portugal. Assinalou também a proximidade do Dia da Árvore e da Floresta e que seria bom participarmos nos eventos que decorrerão na região.

terça-feira, 23 de março de 2010

PÁSSAROS DE FOGO


Flamingos no Rosário Acrílico sobre Tela 25x56cm
Autor António Tapadinhas
(clique sobre a imagem para a ver em pormenor)

Escrevi quando esta obra foi apresentada:
“Este quadro é o número um da exposição “Tejo Cintilante”. Não houve nenhum motivo especial: simplesmente, aconteceu. No entanto, a minha filha Elsa, que não esteve presente, quando me telefonou a desejar aquilo que uma filha querida deseja para o seu pai, pediu-me para lhe enviar uma fotografia da última obra que tinha feito para a mostra, porque alguém lhe tinha dito que era espectacularmente bela. Aconteceu também que esta foi adquirida, logo na abertura da exposição. Todos, sem excepção, achavam algo de especial nela. Chegaram ao ponto de dizer que seria um documento histórico, porque daqui a alguns anos, com a pressão urbana, os locais em que vivem os flamingos terão desaparecido, e o quadro seria um dos testemunhos vivos da sua presença na zona dos esteiros e sapais da Moita.
Depois de pensar um pouco sobre o assunto, quero confessar que, desta vez, foram os meus amigos que me ensinaram a ver a obra que eu tinha criado: manter o espírito aberto para aprender, é um sinal de humildade que eu gostaria de manter...
Sobre a execução da obra, foram os flamingos, pássaros-de-fogo, que me deram a inspiração para cobrir todo a tela com o meu mais profundo e afogueado laranja. Todas as outras cores nunca chegam a esconder a chama que está por baixo delas: vibra por entre as nuvens, espreita nas águas do Tejo, fornece luz às casas e dá o tom róseo aos flamingos!”
Não mencionei que alguém me disse que a obra lhe lembrava Turner. Sempre que me referem Mestres a propósito de alguma obra minha, fico honrado e envergonhado, acho que na mesma proporção.
Agora, a propósito de “Pastor de Sonhos”, apareceu a mesma referência. Por ser um texto de grande qualidade, reproduzo-o aqui com a devida vénia.

Texto de António Tapadinhas

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Jorge já não mora aqui




Foi com muita surpresa e imensa dor que ao atender o meu telemóvel no dealbar do dia 16 de Março ouvi atónito e quase incrédulo a voz do meu amigo João Sequeira embargada e triste exclamar: - O nosso amigo Jorge já se foi! - Silêncio, depois as palavras de circunstância e pelo meio e centro de tudo o mais o Pedro, o filho do Jorge, o menino homem em tão breve tempo privado de mãe e pai. Retratar os conteúdos do Jorge seria e será obra para mais do que um homem. As facetas onde o Jorge mostrou obra feita que se visse, clara, transparente, são tantas que seria preciso um bom aguarelista, um óptimo escultor e em última análise o Povo. Povo esse que acorreu ao cemitério do Pinhal do Forno, transformando aquele lugar de despedida num mar de gente de todas as condições sociais, camaradas de Partido, colegas de trabalho, autarcas, colaboradores da Misericórdia de Alhos Vedros e de todas as suas valências, Abrigo do Tejo, Pedro Rodrigues da Costa, São José Operário, Varino e Charlot. Todos irmanados na dor, todos conscientes que ia a enterrar um homem de consensos, afável, brincalhão e acima de tudo responsável. O Jorge não brincava em serviço. Quando penso no Jorge vem-me à memória a figura deFrancisco Julião, imortalizado por Jorge Amado. Ao meu vizinho e amigo Jorge, também Frederico, também Fatia e Bajanca, direi de forma lapidar. Valeu a pena Jorge um mar de gente este à tua beira. Foi bom de ver. O teu corpo já aqui não mora, mas o teu exemplo onde a lealdade assumiu tom maior incentiva-nos a prosseguir rumo à utopia. Vou terminar este desabafo fumando agora um cigarro por mim e outro por ti, porque como muito bem sabemos a vida são dois dias. Já não nos ouves, mas a tua presença mora por toda a rua, por toda a freguesia, por todo o Concelho e por aí adiante, onde se agita a luta pela liberdade.

(ao Jorge Bajanca)

Guitarra toca baixinho
que o meu amigo dorme
toca baixinho guitarra amiga
que o meu amigo descansa
mas toca guitarra minha
que o meu amigo gostava de cantigas
consola o seu dormir
toca baixinho
o meu amigo partiu sereno
e nós estávamos cá
E tu guitarra universal
tocavas e tocavas e tocavas
baixinho como o nosso amigo gostava
sem sobressaltos
de mansinho
Agora apagamos as velas
saímos
o nosso amigo partiu
ao som de vermelhas gargalhadas
compassadas
carregadas de ritmos
com solidariedades envolventes
como almofadas de veludo
povoando de esperanças
os garimpeiros dum mundo novo.

Leonel Coelho

sábado, 20 de março de 2010

Fernando Pessoa e Pedro Vargas

TUDO O QUE FAÇO OU MEDITO

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço –
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.


TRIBUTO AO SOL

Por mim prefiro o Sol.
O Sol é a nossa alma.
O Sol permite a visão.

A partir do sol
vejo o mundo
Sobre o mundo vejo-me
a mim próprio e aos outros

O Sol permite-me pensar.
Com ele penso o que me rodeia
E o que rodeia é mundo

Sem Sol há escuridão
Cegueira,
escravatura
e ausência de lucidez

Tudo o que faço,
faço a partir da luz.
A Luz é iluminação
de tudo o que faço
e penso.

Os Livros são um pouco de Sol,
sol que entra nas nossas almas.
Entra e fica.
Fica e ilumina.

Os Livros, os amigos e as partilhas
são pedaços de Sol,
Como se fossem as tochas da nossa interioridade.

Mas de todos os sóis que existem,
as pessoas são o máximo da iluminação,
o climax da lucidez e da esperança.

Por isso acredito na Humanidade,
no Humanismo e na Verdade.

(poemas enviados por Luís Mourinha)

sexta-feira, 19 de março de 2010

PASTOR DE SONHOS


Pastor de Sonhos Acrílico sobre Tela 30x40cm
Autor António Tapadinhas
(clique sobre a imagem pra ver pormenores)

Os membros dos Conselho Editorial deste blogue são amigos. No passado Domingo, reunimo-nos para trocar impressões sobre o seu objectivo. Cada um de nós pretendia uma coisa diferente, como é norma entre pessoas que pensam com a sua cabeça…
Pela minha parte, quero aproveitar a oportunidade para falar de pintura, escrever sobre pintura, pintar…
Nesta primeira reunião, levei o meu bloco de esquiços, a máquina fotográfica e o meu equipamento natural, olhos e cérebro treinados para verem uma pintura em qualquer recanto. Para Raul, uma fotografia, para Luís e Manuel João, uma descrição da beleza que nos rodeava.
Fizemos um circuito a pé, pela Reserva Natural do Tejo, zona de antigas salinas e sapal.
Estive, pela primeira vez, sentado num banco, junto ao que resta do Moinho da Charroqueira.
No silêncio só quebrado pelos gritos das aves e pelo relinchar de cavalos que pastavam as suculentas plantas, trocámos algumas, poucas, impressões, com medo de interrompermos o ciclo vital que se desenrolava perante nós.
É assim, com respeito, que se contempla a Natureza.
Este quadro, para além do óbvio, pretende guardar a parte nobre dos homens: os seus sonhos!

Texto de António Tapadinhas

quarta-feira, 17 de março de 2010

TUDO O QUE VOA... UM INFINITO AZUL DO FUTURO AGORA


(Fundo musical: - o tema Nightbook do álbum com o mesmo nome de Ludovico Einaudi).

Guardo memória (e vivência) de tempos esquinados e adversos que não convocam hossanas ou aleluias antes requiens com o seu quê de desgraça, tragédia e fatalismo.

Tempos que ciclicamente se repetem e retornam ensombrando os sonhos e tornando adiados os desejos.

Tempos em que os pés se afundam no cinzentismo em que caminham, em que os ombros descaem, a voz emudece e a vontade se desmorona.

Tempos de olhares fugitivos e evasivos, escondendo o quebranto do medo ou derrota ou resistindo resguardando-se em territórios inacessíveis de dentro.

Tempos em que os cantos não procuram coro e as almas não esperam eco, pois impera a lei da sobrevivência de multidões frenéticas de seres sozinhos.

Tempos em que mingua a dimensão colectiva perante o avanço dos detentores dos poderes quais pastores com seus cajados apascentando rebanhos que pretendem dóceis.

Tempos em que se calam, à superfície, as flautas e violinos trocados pelo som das trombetas dos caçadores de almas e destinos.

Tempos em que a vida assume uma dimensão opressiva e um peso quase insuportável a quem nasceu para, e pretende voar.

Tempos em que, apesar de tudo e não obstante, naqueles que ainda estão vivos, não se resignaram completamente e anseiam, algo se eleva e procura uma saída, um espaço de evasão, prosseguir o caminho.

Esses, nós, continuam a procurar a acendalha para que a combustão se não apague e a fogueira continue acesa produzindo aquele calorzinho no peito que conforta e anima.

E é nas pessoas, nas coisas, nos animais e nos locais mais improváveis que encontramos alimento.
Num olhar de quem passa, no sorriso de uma criança, nas mãos enrugadas de um velho, nas páginas de um livro, num recorte de jornal, num trecho musical, na visão fugaz de uma paisagem, numa imagem projectada, registada, …

São múltiplos e variados os escolhos que procuramos tornear mas, nunca se acabam os caminhos da vida.

Sei do que falo. Falo de uma simples (?) foto captada por um amigo que, decerto sem grandes preciosismos, registou em dado momento um naco de mundo, fixando um instante eterno na efemeridade da vida.

Olhando-a impôs-se-me, por uma segunda vez, a expressão-síntese-metáfora numa alquimia instantânea de emoções – INFINITO AZUL DO FUTURO AGORA.

(Fotografia de Joaquim Raminhos)

Surgiu-me na ideia-flash, pura emoção sem qualquer elaboração mental e afirmou-se como uma clareira de evasão.

É uma foto maravilhosa.

Tem sombras negras num rendilhado de teia como tantas vezes sentimos na vida mas, por detrás, mais acima, surge a Lua num tremeluzir de vela feita farol, iluminando o caminho para uma navegação segura no imenso espaço azul.

Um azul compacto, uniforme e sem fracturas.

Infinito Azul do Futuro Agora.

A alma voou.

“O meu mundo não é deste reino”.

Será isso que tudo isto quer dizer ?

Recompõe-se a orquestra da vida. Ouvem-se em fundo os violinos.

MJ, março 2010.