"A única revolução definitiva é a de despojar-se cada um das propriedades que o limitam e acabarão por o destruir, propriedade de coisas, propriedade de gente, propriedade de si próprio."
(Agostinho da Silva)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria V


Outono Óleo sobre Platex 15x15cm
Autor António Tapadinhas
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

A mais popular obra de Vivaldi é "As quatro Estações", em que o compositor expressa musicalmente, de uma forma simples, directa e descritiva a natureza. O Outono (clic) estação da queda das folhas, é um concerto em fá maior para violino, cordas e cravo. Tem os três andamentos dos outros concertos e pela mesma ordem: “Vindima”, allegro, a bebedeira causada pelo vinho, adágio molto, e no último, o trepidante ritmo da caça, obviamente allegro, menos para o veado, que é morto!
Diz-se que o Outono é uma estação calma, de meias-tintas. Tal como acontece com o veado, também as folhas ao morrer não me deixam indiferente: mostram com a violência das suas cores, o seu protesto pela morte que adivinham! E como são eloquentes!
Quando morrer quero ter cores assim!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Aventuras de Luís Guerreiro e Tina no Brasil - Parte 9


A EXPOSIÇÃO DE RIBEIRÃO PRETO NO CERVEJARIUM.

TRABALHO, MUITO TRABALHO...

AS ENTREVISTAS AO JORNAL "A CIDADE" E À "RÁDIO ELDORADO-CULTURA-AM-RP"

O ROUBO DA MÁQUINA E A SUA SUBSTITUIÇÃO POR OUTRA.

A FINESSAGE, UMA VERNISSAGE QUE FOI FEITA NO FIM DA EXPOSIÇÃO.

O CERVEJARIUM LOTADO DE CONVIDADOS. CERVEJA COLORADO À DISCRIÇÃO, PRETA E BRANCA, BELISQUETES PORTUGUESES.
O SUCESSO, A FAMA...
TUDO E TUDO, MENOS DINHEIRO, MAS COMO DIZIA A NANDA, A MINHA QUERIDA CUNHADA, QUANDO TINHA 5 ANOS, "SE NÃO TEM DINHEIRO, PASSA UM CHEQUE!"

OS AGRADECIMENTOS A TODOS.

O FIM DAS "AVENTURAS DE LUÍS E TINA NO BRASIL"

POR ESTE ANO É TUDO, OBRIGADO PELA PACIÊNCIA DE VISIONAREM ESTAS CRÓNICAS TÃO MAL PRODUZIDAS...
MAS É O QUE SE PODE ARRANJAR.

UM GRANDE BEM "MUITA" HAJA PARA TODOS VÓS.

TINA E LUÍS, UM CASAL FELIZ

:D

Saudações,
Luís Cruz Guerreiro

PS: A entrevista dada para a Rádio Eldorado será brevemente publicada em www.azulejariaguerreiro.com

terça-feira, 28 de setembro de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL
XXIV


-A ciência chama-nos a atenção, dá-nos a entender, põe em destaque a singularidade que é a vida, a irrepetibilidade de cada ser.
-Explique-se melhor.
-Se você verificar as contingências que são precisas que se reúnam para o aparecimento de um determinado ser, percebe que há uma singularidade tão grande, há um conjunto de circunstâncias que se combinam de um modo e um momento tão únicos que não têm qualquer repetição no decurso do tempo. Ora se aplicarmos isso ao ser humano, para que cada um de nós tenha nascido foram precisas a reunião de tantas circunstâncias que só por si nos confeririam a máxima importância. Se a isso acrescentarmos o facto de sabermos que resultamos da reunião de um espermatozóide determinado com um óvulo também ele determinado e que se fosse outro espermatozóide e outro óvulo já não nasceríamos aqueles que somos mas outros, considerando tudo isso verificamos uma singularidade tão irrepetível… Repare que mesmo no limite único da nossa génese, isto é, no acto preciso de que parte a nossa formação enquanto ser vivo, mesmo aí permanecemos nesse domínio da singularidade, do irrepetível, quer dizer, tendo também isso em conta, então não há como negar que a vida, as nossas vidas, são uma singularidade tão grande, são tão irrepetíveis que por si só valem como toda a humanidade e por isso também não podemos deixar de as achar infinitamente dignas e a partir daí também poderemos construir todo um sistema de ideias e valores que se alicerce no respeito pela vida, pela dignidade dos homens que nesse sentido nascem iguais e fraternos por serem membros de uma mesma espécie e, por isso, todos eles, à nascença, infinitamente dignos e merecedores de todo o respeito. Mas ainda há uma outra maneira de aí chegarmos por via da racionalidade científica, se assim podemos falar, desta vez parece-me a mim que pelo lado da filosofia.
(…)
-Sou toda ouvidos.
-Basta que pensemos na morte.
-Na morte?
-Sim.
-O que é que a morte tem a ver com isto?
-Ora bem. Consideremos o ponto de vista materialista segundo o qual não existe qualquer Paraíso e que a morte é pura e simplesmente o fim de tudo. Não existe nada mais para além do derradeiro suspiro de cada um. Há quem defenda isso, não é assim?
-Sim.
-Então, nesse caso, voltamos a ter que considerar tudo aquilo que dissemos a respeito da singularidade de cada uma vida e por via disso do quão cada vida terá que ser necessariamente preciosa. Ela acontece uma única vez, não mais se repetirá e isso volta a remeter-nos para a tal singularidade tão grande que, por si só, nos confere esse tal estatuto de infinitamente dignos.
-É uma observação pertinente.
-Mesmo tendo em conta todo o ror de atrocidades que desde tempos imemoriais o homem tem infligido ao seu semelhante?
-Mesmo tendo isso em conta, é claro e repare que a ciência, uma vez mais, vem em nosso socorro nesse aspecto.
-Como assim?
-É que apesar de, pelas provas arqueológicas que temos encontrado, sabermos que os seres humanos sempre se flagelaram uns aos outros, a verdade é que também se sabe que a natureza humana não é a da concorrência e da conquista e da rapina.
-O que queres dizer com isso?
-Se não é parece, não?



-Mas não é. Os seres humanos viveram a maior parte da sua existência enquanto espécie como caçadores e recolectores e, nessa dimensão, a chave da sobrevivência sempre foi a da partilha e a da cooperação. Mesmo tendo em conta a violência entre os homens desde os tempos mais primitivos, a verdade é que em tal modo de vida que foi o nosso desde as origens e que partilhamos ou herdamos das espécies anteriores das quais evoluímos, como, por exemplo, o homo erectus que, tudo o indica, já seria caçador, em tal modo de vida, dizia, a chave da sobrevivência sempre foi a da partilha e da cooperação e, se tivéssemos alguma natureza, seria assim essa. Portanto, nunca poderíamos sustentar que o homem é, por natureza, concorrente e predador em relação ao seu semelhante ainda que de facto também o seja, quer em relação ao seu semelhante como em relação ao meio envolvente no qual sobrevive. Mas não é essa a característica que lhe garantiu a sobrevivência; essa foi a da partilha. O gesto aparentemente inocente do caçador que chegava ao acampamento e partilhava a carne, da mesma maneira que esse outro gesto de apresentar, para a refeição do dia, aquilo que se tinha recolhido no ecossistema circundante. Foi isso que possibilitou que as populações humanas sobrevivessem e se multiplicassem num meio que, apesar de toda a abundância que a Natureza lhe colocou ao dispor, não deixava por isso de ter as suas hostilidades e naturalmente mortais. Mas foi essa relação de grupo que permitiu aos seres humanos resistirem à fome e ao frio e se, quiséssemos apontar alguma natureza para a nossa espécie, essa seria certamente a primeira de todas. Afinal, é aquela que seguramente se verifica desde sempre. Para além do que sabemos que existem populações humanas que nunca conheceram a guerra que, tal como os Andaman do arquipélago do Sueste do sub-continente indiano, nem mesmo têm uma palavra para designar esse fenómeno.
-Muito curiosa, essa tua observação.
-Mas isso mostra-nos que não estamos condenados e viver em conflito uns com os outros, não é?
-Sim.
-E isto mesmo tendo em consideração que também há povos que vivem sobretudo da caça e da recolecção, como nas terras altas da Nova Guiné e que vivem em quase conflito permanente entre grupos diferentes. Há meio século até, ainda haviam caçadores de cabeças. Mas não é isso que apaga aquilo que disse.
E agora voltando ao Pessoa, é por tudo isto que referi que, em minha opinião, não achei assim tão transcendente o seu ponto de vista da potencial infinitude que cada um tem dentro de si.

O sopro e o arranhar do chão, cascateado numa amaragem fonte de um ondulado aplaudido pelos piares que passam e, no atrevimento, saltitam nas margens, na concomitância do gargalhar da folhagem.

-Vocês não se querem levantar e passear um pouco? Não quererão aproveitar a frescura para continuarmos esta conversa por este sítio tão bonito?
-Por mim, já estou no ir.
-E eu já estou levantada.
-Vamos então.
-Depois de si.
(…)
(…)
(…)
-Diz-se que as conversas são como as cerejas, não é verdade? Mas depende sempre da qualidade das mesmas, não será? Aqui temos daquelas gradas e cheias de sabor. Já repararam onde o nosso Fernando Pessoa nos levou? Não será isso um testemunho, o melhor testemunho da grandeza da obra que nos legou?
-Estou inteiramente de acordo consigo.
-Não nos faltam provas de…


FIM

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

manipulação da luz

Lucas Rosa

CURSO ANUAL DE CULINÁRIA MACRO-VEGETARIANA

Olá!
Dia 8 de Outubro começa o meu Curso Anual de Culinária Macro Vegetariana (baseada nos Princípios da Alimentação Ayurvédica e da Macrobiótica).
No dia 8 Outubro, 6ª feira, é apenas a aula teórica, e no sábado 9 Out. passaremos à prática! Têm em baixo as datas das aulas de Outubro até Junho de 2011.
Para informações e inscrições têm que ligar para a Secretaria da Sociedade Portuguesa de Naturalogia, 21.3463335, entre as 12h00 e as 19h00.
Conto convosco e poder ver-vos em breve!
Agradeço, desde já, a divulgação deste email. :)


Um abraço,

Paula Soveral
tlm: 93.6423440
www.paulasoveral.net

sábado, 25 de setembro de 2010

VARIAÇÕES DE SE SER, algumas reflexões

Tudo o que o espírito materializa produz significações reactivas
Tudo o que é exterior ao espírito produz significações reactivas

Na tentativa de racionalizar o acto intuitivo e de fixá-lo num suporte a que o outro entenda, sem que sejam necessárias verbalizações, muita coisa poderá ficar sem ser fixada. Quando entramos no campo do subtil, a materialização do ímpeto interior sustenta-se por si só, tornando-se una com a envolvente e a envolvência de quem frui e se permite à fluição desse instante.

A árvore é uma árvore, ganha vida nos jogos de sombra. A sua silhueta é a essência da sua própria vida, a que constrói com um outro, nessa relação de troca subtil. Troca essa, que se complexifica na simplicidade do acto de se ser. Ser esse, que se traça numa linha ténue por vezes recta, por vezes curva, por vezes vazia de conteúdo e outras vezes ainda carregada de sombras.

As raízes alimentam-na, mantém-na atenta à consciência de que existe uma realidade que dá forma ao tronco, este sustenta-a na sua relação com o térreo, querendo sempre alcançar o etéreo com os seus ramos. E é nessa tentativa de querer abraçar o vento que todo o silêncio ecoa.

O silêncio ecoa no movimento
A palavra ecoa no irreflectido/reflectido
A acção ecoa na materialidada
Somos assim...nas variações de se ser

Maribel Sobreira, Julho de 2009

Texto no âmbito da instalação "Espaço" no www.projectoasala.blogspot.com/2009/07/maribel-sobreiraespacoquarta-feira-22.html

pormenor da instalação "Espaço", Maribel Sobreira 2009.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Carta Aberta aos Portugueses e ao Dr. Moita Flores sobre a sua petição "Em defesa da festa brava"

"Chamo-me Paulo Borges. Sou professor na Universidade de Lisboa e escritor. Dirijo a revista Cultura ENTRE Culturas. Tenho dois filhos. Sou o primeiro signatário da Petição “Pela abolição das touradas e de todos os espectáculos com touros”, que circula na net e em versão impressa. A petição, lançada pelo Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), serviu de base à constituição da plataforma “Basta de Touradas”, que conta já com a adesão de 24 associações e entidades de defesa dos animais e com vários apoios de figuras públicas, nacionais e internacionais.

O Dr. Moita Flores, figura pública e actual presidente da Câmara de Santarém, lançou uma petição contra a nossa, redigida em termos que considero deveras preocupantes, vindos de uma pessoa com a sua responsabilidade cultural, cívica, social e política. Sei que se sente ameaçado pelo movimento de defesa dos animais, mas isso não justifica tudo.

No texto da sua petição chama hipócritas, histéricos, angustiados, “talibãs” e “horda de analfabetos” a todos os que são contra as touradas. Diz que chegou à idade “onde já não há paciência para ser insultado”, quando ninguém o insultou. Pelos vistos chegou à idade onde só tem paciência para insultar os seus concidadãos. Para insultar os milhões de portugueses que, por serem contra o sofrimento dos animais e contra a degradação dos homens que se divertem com isso, são considerados psicopatas, terroristas e incultos.

Fui amigo do Professor Agostinho da Silva, sou editor das suas obras e presido à Associação com o seu nome. Aprendi com ele e com muitos outros – desde São Francisco de Assis, Leonardo da Vinci e Antero de Quental a Gandhi, Peter Singer e ao XIV Dalai Lama - a defender a causa do bem de homens e animais e recordo que Agostinho da Silva dizia haver dois tipos de “analfabetos”: os que não sabem ler e os que sabem, mas não conseguem entender o que lêem. Creio que o Dr. Moita Flores se arrisca a ser suspeito de um terceiro caso, ainda mais grave: não conseguir sequer entender o que escreve. Pergunto-lhe quem dos opositores às touradas comete atentados bombistas ou pretende impor as suas ideias pelo terror e pela violência. Pergunto-lhe porque é que ser contra o sofrimento de touros e cavalos e contra a degradação dos homens que com isso se divertem é ser “analfabeto”. Sou autor de 22 livros (de poesia, ensaio, ficção e teatro) e sou professor na Universidade de Lisboa há 22 anos: os portugueses ficam a saber, pela superior inteligência do Dr. Moita Flores, que a dita Universidade contratou um “talibã” e um “analfabeto” que anda a converter ao terrorismo e à incultura os milhares de alunos que o têm tido como professor. E eu, que tive a felicidade de crescer numa família onde se desligava a televisão mal começava a dar uma tourada, fico a saber que os meus avós, o meu pai, a minha mãe, a minha irmã, o meu cunhado, a minha mulher, os meus filhos e amigos, eram e são todos "talibãs" e "analfabetos".

Não gosto de falar de mim, mas tenho de o fazer pela causa que defendo e porque isto é gravíssimo, vindo de um criminologista, de uma figura pública e de um supremo responsável político camarário. O Dr. Moita Flores insulta desavergonhadamente a maioria da população portuguesa que, como o indica um estudo recente (2007) do ISCTE, é contra as touradas. Segundo a brilhante dedução deste senhor, Portugal tem assim, a par da crise económica, mais um problema grave: a maioria da sua população é composta de desequilibrados mentais, “talibãs” e “analfabetos”.

A solução para este estado de coisas seria, segundo fica implícito no espírito da sua petição, irmos todos curar-nos, reabilitar-nos e cultivar-nos, com as nossas famílias, filhos e netos, para essas vanguardas da alta cultura que são as praças de touros, onde se descobre o sentido da vida e da existência, e se aprende a amar os animais e a natureza, aplaudindo num êxtase de alegria o espectáculo da dor e do sangue. Desprezemos as artes, as letras e as ciências, deixemos as escolas, abandonemos as universidades, onde segundo Moita Flores ensinam “talibãs” e “analfabetos”, e vamos todos atingir a maioridade cívica, mental e cultural a gritar “Olé!” nas touradas.

Agora sem ironia: o seu texto, Dr. Moita Flores, de uma retórica literária completamente desprovida de coerência racional e apenas cheia de arrogância e insultos a quem não pensa como o senhor, confrange pela desonestidade e/ou confusão mental de que dá mostras. Pois não sabe o senhor que os defensores dos animais são contra todas as formas do seu sofrimento, incluindo essas que refere, e não apenas contra as touradas? Diz que se converteu ao franciscanismo e que São Francisco de Assis lhe ensinou o “caminho ético e moral” para educar os seus filhos e eu pergunto: já alguma vez leu as biografias de São Francisco, onde por exemplo se diz que “Chamava irmãos a todos os animais […]” (Tomás de Celano, Vida Segunda, CXXIV, 165) e se compadecia perante os sofrimentos que os homens lhes infligiam? E porque é que o “touro bravo” é uma “fera negra, símbolo da morte e do medo”? Não serão antes o toureiro e todos os aficionados que aplaudem o espectáculo da dor que são temíveis e negros símbolos – embora muitas vezes inconscientes - do pior que a humanidade traz em si? Fala do ritual trágico onde “vence a vida ou vence a morte” e eu pergunto se a evolução dos costumes não nos oferece outras formas, mais nobres, de fazer a catarse das paixões e vencer o medo, sem fazer sofrer ninguém? Não há hoje formas superiores de heroísmo, como dedicar-se às grandes causas de defesa dos homens, dos animais e da natureza? Não é isso mais benéfico, útil e urgente do que a religião cruel das touradas, anacrónica persistência dos arcaicos sacrifícios sangrentos? E não é uma grosseira mistificação identificar os opositores das touradas com a cultura urbana, quando há quem deteste touradas em todos os pontos do país, incluindo no Ribatejo e no Alentejo? Para já não falar da sua patusca ideia de que nós defendemos a “ditadura do ‘hamburger' urbano” (!?...) e de que é pelas touradas que se defendem os “Direitos do Homem”, dos animais e da “Terra”… Sinceramente, Dr. Moita Flores, o que há de lógico e sério nisto? Defendem-se os animais criando-os para os torturar? O touro bravo tem de ser torturado numa arena para continuar a existir e com ele os montados? Fala por fim da identidade nacional, da preservação da memória histórica de Portugal: triste identidade e triste país que depende de manter tradições eticamente inadmissíveis para subsistir! Pois eu digo-lhe: Portugal será muito mais motivo de orgulho para os portugueses, e muito mais respeitado internacionalmente, quando, após ser pioneiro na abolição da pena de morte, abolir as touradas e todas as formas de sofrimento animal. Portugal não desaparecerá, mas será um outro Portugal, que manterá na sua riquíssima tradição e cultura tudo o que for ético, relegando para os museus do passado a não repetir tudo o que hoje nos envergonha, como autos-de-fé, esclavagismo, perseguições político-religiosas e touradas.

Esta carta dirige-se a si, mas sobretudo a todos os Portugueses. Leiam-se as duas petições, o espírito, a argumentação e os objectivos de uma e outra, e vejamos o que queremos de melhor para o país, para nós e para as futuras gerações: aplaudir como cultura a tortura dos animais para divertimento dos homens, com prejuízo da sua humanidade e sensibilidade ética, ou dar um passo corajoso para abolir esta e todas as formas de fazer sofrer os animais, nossos companheiros na aventura da existência, em prol do seu bem e da nossa evolução pessoal e colectiva.

E vejamos quem queremos ter como representantes. É muito grave que num Estado de direito as forças policiais não sejam capazes de ou não queiram fazer cumprir a lei, como no recente caso da morte do touro em Monsaraz. Como é muito grave que uma figura como o Dr. Moita Flores desrespeite e insulte impunemente os seus concidadãos que, por imperativo de consciência, não pensam como ele. Está na hora de dizer “Basta!”: às touradas, a todas as formas de infligir sofrimento a homens e animais e a uma geração de políticos que coloca os seus duvidosos gostos pessoais, bem como os interesses de grupos minoritários, acima da sensibilidade maioritária da população. Está na hora de surgir uma nova geração, com um novo paradigma, que traga a ética para a política e assuma numa mesma bandeira a defesa dos homens, dos animais e da natureza.

Está na Hora! Basta!

Vamos assinar em massa:

http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=010BASTA

Paulo Borges
Lisboa, 21 de Setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria IV


Muro dos Bacalhoeiros - Porto Acrílico sobre Tela 64x54cm
Autor: António Tapadinhas
(clique sobre a imagem para ver pormenores))

Há uma certa tendência para considerar a nossa cidade, a nossa terra, a nossa rua como o centro do Universo, o local mais... mais... umbilicus mundi. Eu não dizia que o melhor do Porto era a auto-estrada para Lisboa mas, para ser sincero, esta cidade não me entusiasmava especialmente.
Até que...
Comecei a pintar.
Um dia fui ao Porto, para ver uma exposição na Fundação de Serralves. A exposição apresentava o diálogo entre dois pintores, Amadeo Sousa-Cardoso e Piet Mondrian que, apesar de nunca se terem conhecido, tiveram um percurso muito semelhante, abandonando o seu país natal para viver em Paris, a cidade onde se concentravam os movimentos vanguardistas da sua época.
Cheguei de manhã, bem cedo e resolvi passar pela Ribeira. Dela, disse Aquilino:
“Este trecho do Porto com fragatas a chocalhar contra o cais, a selva de mastros, o mercado de galinhas, truculências, aleijões, uma mulher que mostra a perna monstruosa com elefantíase, tísicos de tigela à banda, lembra as velhas cidades hanseáticas com todo o seu tropo-galhopo de coisas”.
E depois as casas carregadas de janelas/olhos, cores/lantejoulas, pedras/musgo... e depois o rio Douro... e depois os barcos rabelo... meu Deus, não tinha olhos, ouvidos, nariz, cérebro, rolos de máquina fotográfica, para guardar tudo o que me cercava... mas tudo me ficou agarrado à pele como a tinta indelével duma tatuagem.
Da minha vertigem pela Ribeira do Porto, resultou uma das telas de que mais gosto, e que por isso continua em minha casa: esta que mostra o Muro dos Bacalhoeiros.
É uma obra em que utilizei cores fortes, com as suas complementares bem próximas, para salientar a força que emana daquelas pedras. Não satisfeito com o resultado obtido, procurei reforçar essa sensação com a mistura de areia na tinta, criando o aspecto rude e rústico das rochas, que falam connosco como as castiças gentes do Porto.
Nesta obra, as janelas das casas deixam de ser elementos “apenas” decorativos: estão humanizadas com a sugestão de roupas penduradas e vasos de flores que lembram as pessoas que as habitam.
Sei por experiência própria do mau gosto associado à escolha das molduras para as obras de arte. Não sei se por força da sugestão dos vendedores, que mais do que servir os clientes, querem vender as mais caras, ou por pressão do dono que quer valorizar uma obra que deve valer por si própria. Há casos em que a moldura fica mais cara do que a peça que contém.
Para este quadro, fui eu que fiz a moldura: cortei e pintei a madeira com a mesma tinta que utilizei na tela. Utilizei o azul ultramarino (deep), misturado com um pouco de vermelho de cádmio, para o escurecer ao mesmo tempo que o torna menos frio.
É este Porto sentido que eu pretendi retratar. Sempre que passo por esta obra não resisto a dar-lhe uma nova mirada. E ela retribuiu como uma amiga fiel: sempre lhe descubro novos encantos!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

CONVITE

A Casa Amarela - Escola Aberta Agostinho da Silva, em Alhos Vedros, na Rua 5 de Outubro nº 52, vai passar na próxima sexta-feira, 24/9, às 21h, o filme "Agostinho da Silva - Um Pensamento Vivo", de João Rodrigo Mattos. Apareçam.
Luis Santos / Manuel João Croca

Agostinho da Silva – um pensamento vivo
Classificação:M12
País:Portugal
Ano: 2003
Género:Documentário
Duração:79m
Realização:Nome: João Rodrigo Mattos

Sinopse
Agostinho da Silva - Um pensamento Vivo» foi filmado entre Fevereiro de 2001 e Setembro de 2003, em Portugal e no Brasil. Marcado pelo gosto do paradoxo, pela independência e inconformismo das ideias e por invulgares dons de comunicação oral e escrita, a figura ímpar de Agostinho da Silva desenha-se num singular misto de sábio, visionário e homem comum, no qual o pensamento e a vida se confundem. Este filme, percorre o trajecto biográfico, a vida e a obra deste grande pensador e humanista luso-brasileiro. A narrativa - adaptada de textos autobiográficos - inicia–se em Portugal, desde a sua infância e formação intelectual até as suas primeiras obras escritas, passando pelo seu auto-exílio brasileiro de 25 anos, a partir de onde desenvolveu projectos completamente únicos e inovadores em diversos continentes, vindo a culminar no seu regresso a Portugal, pouco antes do 25 de Abril, onde viveu o resto da sua vida, vindo a conhecer em inícios dos anos 90 uma popularidade e admiração invulgares.

(in, http://cinema.sapo.pt/filme/agostinho-da-silva-um-pensamento-vivo/detalhes#sinopse)

Reflexões sobre um Grupo de Estudos Celtas e Germânicos

Procuro sempre partilhar testemunhos de iniciativas que nos podem servir de exemplo. O movimento pela lusofonia não pode ser passivo, isto é, não podemos dizer que somos lusófonos e que promovemos a lusofonia, sem ações, sem estudos! Há muito que acompanho o grupo de Estudos Celtas e Germânicos, do qual é ativo participante o João Lupi (Florianópolis), com quem me correspondo. Digo isto, porque acredito na necessidade de estudarmos os povos, para melhor compreendermos a razão das nossas afinidades e para selecionarmos temas para “conversarmos” entre nós. Temos algo em comum.Há que acreditar nisto.

Os Estudos Celtas e Germânicos , no Brasil, deram origem ao BRATHAIR- http://www.brathair.com/revista/br/index.html, um periódico semestral de Estudos Celtas e Germânicos, que surgiu a partir do desejo de se aprofundarem os estudos sobre as sociedades celtas e germânicas e de discutir com outros pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, temas e pesquisas acerca dos estudos célticos e germânicos.

A revista BRATHAIR divulga artigos e resenhas de livros sobre celtas e germanos em português, inglês, francês, alemão, espanhol e italiano - produzidos por profissionais de diversas áreas do conhecimento, a saber: história antiga e medieval, filosofia, filologia, antropologia, arqueologia, literaturas medievais e em línguas celtas, germânicas e latinas.A revista é publicada na Internet, a fim de torná-la acessível a estudiosos e ao público interessado nas culturas celtas e germânicas, ampliando, sobretudo no Brasil, o debate e a produção acadêmicos em tais áreas de pesquisa.

A Edição da Revista BRATHAIR tem como responsáveis:

Comitê Editorial:
Profa. Dra. Adriana Zierer
Profa. Dra. Adriene Baron Tacla
Prof. Dr. Johnni Langer
Profa. Ms. Luciana Campos
Prof. Dr. Moisés Romanazzi Tôrres

Conselho Editorial:
Prof. Dr. Álvaro Bragança Jr., Língua e Literatura Alemã - UFRJ
Prof. Dr. Francisco José Silva Gomes, História - UFRJ
Prof. Dr. João Lupi, Filosofia - UFSC
Profa. Dra. Leila Rodrigues da Silva, História - UFRJ
Prof. Dr. Ricardo da Costa, História - UFES

Sugiro também que consultem, no endereço da BRATHAIR, os links(Sites) relacionados com estudos sobre Celtas e Germanos. Oferece uma vasta fonte de pesquisa.

Um dos temas que despertam grande interesse é o estudo dos Celtíberos e o significado de Celtibéria, antepassados dos povos ibéricos. Nossas raízes!

Na obra Geografia , de Estrabão, historiador, geógrafo e filósofo grego, escrita originalmente em 17 volumes, que pode ser vista como uma enciclopédia do conhecimento geográfico do ínicio da Era Cristã, encontramos referências sobre os povos celtíberos e os celtas, da realidade da Península Ibérica, antes da conquista romana. Este geógrafo, que na verdade nunca visitou a Ibéria, desenhou o mapa dos seus povos a partir de dados de autores anteriores, correspondentes a períodos históricos distintos.

Segundo outros autores antigos, como Heródoto, acredita-se que os Celtas já estariam na na Península Ibérica desde o século V a. C

As referências aos celtas pelas fontes antigas, nos leva a creditar que a designação, naquele período, tinha uma acepção genêrica destinada aos habitantes de um espaço ainda mal conhecido. Estarbão confirma isto, na obra Geografia, ao indicar que designações de ripo íberos, celtas, celtíberos ou cestasescitas, eram adotadas por autores antigos para indicar populações que habitavam distintas zonas da ecúmene(conjunto do mundo conhecido por uma cultura), que não eram bem conhecidas, assim como as populações.

Assim, a identificação das populações peninsulares, nos leva a refletir que o uso dos termos “Celtíberos” e “Celtibéria” é o resultado da definição de etnias e espaços, destinados a estruturar as áreas peninsulares que estão sendo descobertas e conquistadas. Posteriormente, os relatos e fontes históricas vão sendo reinterpretados pelos autores clássicos de acordo com as transformações político-sociais peninsulares impostas pela política romana.

Fontes Consultadas :
http://www.brathair.com/revista/numeros/04.02.2004/geografia_celtiberia.pdf
http://www.brathair.com/

Margarida Castro
19.09.10

terça-feira, 21 de setembro de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL
XXIII


-Ai, agora não posso estar de acordo contigo. Então e nós? Que sentido para nós humanos?
-Não te aflijas, minha cara. É precisamente aí que entra a Fé. A vida do homem tem ou terá o sentido que lhe quisermos dar. É tão simples como isso. E para aqueles que foram tocados pela Fé, eu gosto de dizer para aqueles que foram refrescados pela carícia do dedo de Deus, é para esses que a vida adquire sentido e esse só pode ser o de querer ir ao Seu encontro, estás a entender?
-Sim, visto dessa maneira…
-Ora acontece que é precisamente por em termos factuais não sermos capazes de encontrar qualquer sentido para o Universo e para a vida, é justamente pelo facto de na realidade eles surgirem –salvo seja a expressão, mas aqui para efeitos da conversa serve- é precisamente porque eles nos surgem sem qualquer sentido que lhe poderemos atribuir um determinado sentido. Isto pode parecer um truque intelectual mas não é e até me parece bem fácil de entender; parece uma redundância, mas a verdade é que se houvesse um qualquer sentido pré-destinado para o Universo e a vida, a menos que ele manifestamente fosse o de um desenlace no colo da Eternidade, quer dizer, a menos que ele próprio apontasse então para Deus, a menos que fosse assim, de outra forma não teríamos como poder ser tocados pela Fé. Ela pura e simplesmente não teria qualquer espaço para aparecer. E mesmo que fosse dessa forma, quer dizer, se o Universo e a vida tivessem esse tal sentido que apontasse para Deus, então também nesse caso a Fé não teria qualquer espaço pois ela estaria seguramente implícita, quer dizer, viria gravada, seria uma característica da própria espécie pois, independentemente de tudo o que pudéssemos fazer, o destino final seria sempre esse.
(…)
-Mas ainda para além disso, aí não teríamos qualquer maneira sequer de conceber a própria Fé, pois dessa forma não haveria o livre arbítrio que nos possibilita a escolha ou não em que ela se materializa. Desse modo não seríamos nós que escolheríamos ir ao Seu encontro, digamos que à partida já estaríamos programados para o fazer. Até poderia admitir, por hipótese de absurdo, que pudessem existir universos paralelos em que isso pudesse ser assim. Mas não custa muito perceber que aí estaríamos perante uma realidade completamente diversa desta e sobretudo completamente diferente; os pressupostos da mesma sendo outros, teriam que provocar materializações completamente distintas destas. Digamos que assim, a Humanidade, se é que pudéssemos usar esse termo para uma qualquer espécie que se nos assemelhasse, seria seguramente outra. Tal como a conhecemos, a Humanidade, pura e simplesmente não existiria.
-Estou a entender o que queres dizer.
-Mas desculpe-me lá mas há qualquer coisa que me escapa em toda a sua exposição.
-O quê?


-Então o senhor está a afirmar que nós damos sentido a uma coisa que a ciência, precisamente segundo aquilo que disse, nos diz que não tem sentido algum? Não podemos encontrar aí uma contradição nesse raciocínio?
-Admito que possa parecer assim, mas não há. É sempre a questão de termos a liberdade de irmos ao Seu encontro. Tal como disse, Deus é infinitamente justo e bom e por isso só poderia querer partilhar a Eternidade com alguém dotado da liberdade de escolher ou não ir em Seu alcance.
-Bem, tenho que dizer que continuo impressionada contigo, mas vejo sentido nisso que estás a dizer. Tenho que mais uma vez confessar que nunca tinha pensado dessa forma, mas para ser sincera, tenho que admitir que vejo sentido nisso que estás a dizer.
-Mas há mais e a verdade é que se nós não precisamos de Deus para nada quando pretendemos entender e explicar os fenómenos do Universo e da vida, bem vistas as coisas, também não precisamos Dele para nada para criarmos um corpo de ideias que igualmente nos conduzam è fraternidade entre os homens e, em conformidade, à ideia de dignidade humana e do respeito pela mesma que, por exemplo, podemos encontrar nos Mandamentos.
-Meu caro amigo, isso dito por mim não me causaria a menor admiração, mas vindo de quem disse tudo o que senhor acabou de dizer e até com a eloquência com que o fez, isso já me deixa um tanto ou quanto desconcertado.
-Mas não tem porquê, meu caro senhor e é tanto assim que o meu caro amigo, no contexto da reflexão a respeito do Homem que a ciência nos possibilita e digo-lhe que aqui não estou apenas a tomar em conta as ciências que tratam da vida em particular ou a própria filosofia, estou mais a pensar nas ciências físicas que tratam das leis da matéria e do Universo, nesse contexto, dizia, na reflexão a respeito do Homem que é possível de fazer aí, por via de questões como o lugar do Homem do Universo, o sentido da vida, por exemplo, é possível que nesse contexto sejamos capazes de desenvolver ideias, eu diria mesmo, teoria humanista, digamos assim, através da qual poderemos sintetizar lógicas de pensamento que igualmente nos conduzem ao princípio da dignidade humana e do respeito pela mesma e, nesse sentido, às ideias de fraternidade e paz entre os homens que são, afinal, pedras de toque de qualquer manifestação de pensamento religioso.
-Explique-se lá.
-O senhor veja; para mim a dignidade decorre do facto de sermos filhos de Deus, para falar no sentido em que tu falaste, podemos dizer que, por via da Sua obra, somos Seus filhos e por isso estabelecemos que somos dignos.
-Sim. Eu também partilho essa ideia é precisamente com base na mesma que considero que os seres humanos nascem, de igual modo, infinitamente dignos.
-Você aplica isso mesmo aos maiores criminosos? Como é que o faz?
-Sim, claro, mesmo a esses, até aí pode englobar aqueles que conceberam e executaram a Shoah. O que tanto eu como ela defendemos é que todos somos Seus filhos e aqui jamais poderia haver qualquer excepção. Como poderíamos justificar que uns nascessem com esse dom, salvo seja a expressão, mas serve aqui para a conversa, como é que poderíamos justificar que uns nascessem com esse dom e outros não?
-Não são os judeus que se dizem o povo eleito? Não será isso uma forma precisamente de afirmar isso mesmo?
-Isso do povo eleito é outra coisa, tratam-se de pessoas que aceitaram estabelecer uma Aliança, a Sagrada Aliança com Ele. Mas não tem necessariamente que derivar nessa interpretação que o senhor faz. É claro que isso seria matéria para outra conversa, mas tenho para mim que a ideia de povo eleito não significa ou representa uma posição de privilégio no sentido da que seria se por isso considerássemos o povo escolhido para usufruir dos benefícios da tal Aliança. Muito longe disso. Antes vejo essa ideia como a assunção da responsabilidade de ser exemplo para os outros homens daquilo que será a vida vivida no respeito pela vontade de ir em Sua procura. O povo eleito significa aquele que dá o exemplo de viver na Fé, para sermos mais simples. É uma ideia de humildade, não é um conceito xenófobo e logicamente não teria qualquer sentido que o fosse. Mas isso é, como disse, uma outra conversa.
Para aquilo de que estávamos a falar, o facto de mesmo os maiores criminosos nascerem filhos de Deus, ora o que acontece é que depois, por causa daquilo que fazemos, lá está aquilo que já dissemos da salvação depender daquilo que fazemos aqui na Terra e de mesmo um gentio poder alcançá-la na base da virtude, o que acontece é que depois, ao longo da vida, por causa daquilo que fazem na vida, há aqueles que podem estiolar essa centelha que todos nós transportamos dentro de nós e que em todos está no momento em que se nasce. Mas isso é outro problema. Seja como for, essa é, digamos assim, a forma de conhecimento que o pensamento religioso, o modo religioso de ver o mundo produz a respeito da natureza do homem que, sendo Seu filho, como já dissemos, nasce infinitamente dignos.
-E a ciência?

(continua)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Aventuras de Luís Guerreiro e Tina no Brasil-Parte 8



...as coisas estão a retomar a normalidade neste pedaço da África e América do Sul, que é Portugal...

Luís Cruz Guerreiro

domingo, 19 de setembro de 2010

Interligação de Universos (6)

……………fala-me sobre gnost.

- Gnost é uma parte de ti, não te pertencendo, esquecida, mas presente. Não é a mente, mas sim um espaço ilimitado, não anexado a ti, mas envolvendo-te. È uma ferramenta que podes utilizar sempre que tenhas duvidas, problemas a resolver. Podemos situá-lo, como ligação física a ti, no hemisfério cerebral direito (H.C.D.). Este hemisfério é a ligação entre o ser e o Ser. O hemisfério cerebral esquerdo (H.C.E.) contém o intelecto, os conhecimentos acumulados ao longo de milhões de anos pelo ser humano. OH.C.D. quando desperto, activado e utilizado é o ponto de partida para o surgimento do Novo Homem. Gnost está lá sereno, sem pressa, aguardando o despertar da Humanidade. É a solução para o problema, o esclarecimento para a dúvida, o que parece novo, não o sendo. O seu conteúdo emerge na mente sem se fazer anunciar. Não pode ser questionado directa e mentalmente, a sua frequência vibratória é mais subtil que todos os padrões próprios do H.C.E. É a antecâmara da Sabedoria, a sua informação vem de lá, mas não é o local da sua origem. Para ser utilizado tem que ser sentido como existente.

A falta de soluções para os problemas da humanidade, o caos aparente, que não o é, predispõe o Conhecimento de gnost.

António Alfacinha
Alfa2749@yahoo.com.br

sábado, 18 de setembro de 2010

D. João I, Praça da Figueira, Lisboa
Foto de Lucas Rosa

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

REMÉDIOS NATURAIS PARA CONSTIPAÇÕES E GRIPES

Quando se aproxima o fim do Verão é frequente aparecerem as constipações e gripes. Pode haver várias razões para tal, mas normalmente isto significa que ingerimos demasiados alimentos Yin (líquidos, saladas cruas, frutas, etc) durante o tempo quente e que, chegadas as temperaturas mais baixas, o corpo tenta libertar-se desse excesso. Em vez de recorrermos logo a medicamentos alopáticos mais agressivos para o nosso organismo, podemos recorrer a algumas práticas caseiras muito fáceis de preparar e eficazes.

Antes de mais, devemos tentar criar uma rotina diária que nos fortaleça e nos mantenha num estado de saúde equilibrada, pois são os extremos que criam as condições propícias para que a doença se instale. Todos estamos sujeitos a contrair todo o tipo de doenças, por isso, mais do que as doenças, o que importa é a qualidade do "terreno" e o estado do Sistema Imunitário que é quem tem sempre a "última resposta".

No caso das constipações e gripes, devemos tentar repousar e deixar que o corpo se liberte dos excessos, fazendo uma alimentação frugal ou mesmo, em alguns casos específicos e aconselhados por um profissional de saúde, praticando um jejum adequado a cada caso.

O que podemos fazer:

- chá de gengibre (ferver 1 L de água, juntar 8 a 10 rodelas finas de gengibre, deixar em infusão e beber quente, em jejum, depois das referições e quando quiser) (nota: o gengibre não deve ferver pois perde as qualidades terapêuticas.

Ao chá de gengibre pode acrescentar anis estrelado (ou erva doce), casca de limão (laranja ou toranja), alho (com casca), pimenta preta em grão e curcuma (açafrão das Índias). Neste caso, pode ferver estes ingredientes durante 10 min., e juntar o gengibre apenas no fim deixando de infusão.

Para aumentar as nossas defesas, podemos beber estes sumos, no início das refeições ou fora delas:

- sumo de 1 limão + 1 dente de alho + 1/2 cebola (tudo batido na liquidificadora com água) e beber de imediato; se tiver dificuldade em beber, adoce com um pouco de mel ou geleia de arroz.

- sumo de cenoura + maçã + aipo + gengibre (bater tudo com um pouco de água na liquidificadora e beber de imediato, pois as vitaminas desaparecem mto depressa);

A estes sumos pode ainda juntar salsa, laranja, toranja ou limão, conforme o gosto. É bom variar.

- O creme de Kuzu, é um excelente e eficaz remédio para as gripes: desfazer 1 colher de sopa de kuzu num pouco de água fria, juntar mais uma chávena de água fria, mexer, levar ao lume mexendo até que a solução fique transparente. Apagar o lume, juntar 1 colher de chá de shoyu. Beber quente.

- Escalda pés: Ferver uma chaleira de água. Preparar uma bacia ou alguidar com água bem quente e sal marinho (ou, como alternativa, gengibre fresco ralado). Levar para o local onde se vai fazer o escalda pés a chaleira com água a ferver, uma toalha e meias. Deixe os pés de molho cerca de 20 a 30 minutos e vá juntando, pouco a pouco, a água da chaleira para manter a água da bacia sempre quente. Antes de calçar as meias, se quiser, pode e deve!, massajar os pés com um pouco de óleo de sésamo morno (isto proporciona um bom sono).

Este tratamento pode ser feito diariamente e em qualquer altura do dia, sobretudo se a pessoa tiver os pés muito cansados. Mas o ideal é fazer à noite antes de se deitar.

- Suplementos: Vit C (2 a 3 gr por dia (não se preocupe, pode tomar até 5 ou 6 gr por dia sem problemas): 1000 mg ao pequeno almoço, e as restantes em intervalos de 1 ou 2 horas); Lisina (1 gr por dia, ao peq almoço); Vit A+C+E+Selénio (1 comp por dia); Complexo B (não exceder a dose recomendada); Equinácea (não exceder a dose recomendada); Propolis (não exceder a dose recomendada).

A EVITAR:

leite e todo o tipo de lacticínios, açúcar, doces, todo o tipo de alimentos refinados (farinhas, arroz e massas “brancos”), álcool, café, chocolate e tabaco.
Alimentos favoráveis:

cereais integrais, legumes de folha verde (pouco cozinhados), cenoura, abóbora, nabo, rabanete, alho francês, courgette, feijões, grão, tofu, tempeh, sopa de Miso, toranja, aipo, salsa, gengibre.

Evite deitar-se tarde e repouse o mais possível, lembre-se que o cansaço (ou a falta de repouso) é o primeiro passo para que a doença se instale.

Não tenha medo da doença porquanto ela é sempre um sinal do corpo indicando que, por alguma razão, nos afastámos do nosso centro. Pense positivo, alimente sentimentos e pensamentos alegres e felizes e deixe que, tranquilamente o seu corpo reencontre o seu estado natural e equilibrado.

Paula Soveral (www.paulasoveral.net)
Terapeuta Conselheira em Ayurveda e Macrobiótica
Presidente da Direcção Técnica da Sociedade Portuguesa de Naturalogia

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria III


Ying-Yang Acrílico sobre Tela Díptico 100x60x2 cm

Para melhor compreensão desta obra é necessário ter a noção do que significam estas palavras.
Segundo a concepção oriental, o universo era uno e sem movimento, até se ter cindido em duas espirais de energia, com dois princípios opostos, mas complementares entre si: Ying, o elemento feminino e Yang, o elemento masculino. Estes dois elementos primordiais são essenciais para manter o equilíbrio dinâmico do universo e são um conceito tão puro que se pode aplicar a qualquer coisa. Ying é escuridão e Yang é luz, Ying é lua e Yang é sol, Ying é água e Yang é fogo... Tudo que existe contém estes dois princípios, portanto qualquer discriminação entre eles não faz qualquer sentido, porque um não existe sem o outro.
Esta obra foi criada para duas pessoas especiais (Ying e Yang) que habitavam um certo espaço. As suas cores reflectem a energia vital que uma sala de grandes proporções, com paredes brancas, precisa para tornar o ambiente acolhedor, caloroso, luxuoso, festivo... As suas dimensões foram estudadas para evitar que, em conjunto com o dinamismo das cores, se tornasse demasiado absorvente e dominadora.
Depois de analisar estes aspectos mais conceptuais, a execução foi simples.
Numa tela, Ying, estendi o amarelo, na outra, Yang, o vermelho. Reservei espaços iguais nas extremidades esquerda e direita, bem como na parte superior de cada uma das telas. A seguir pintei o vermelho sobre o amarelo, tendo o cuidado de deixar respirar esta cor, ou seja, deixar o observador sentir o amarelo, mesmo nas zonas cobertas pelo vermelho. Na outra parte do díptico, devido ao fraco poder de cobertura do amarelo, foi necessário adicionar um pouco de branco de titânio. Para compensar esta perda de intensidade, misturei um pouco de amarelo mais intenso.
Esta obra é um elo de ligação entre estas duas pessoas, independentemente da distância que as separar...
Deixo a interpretação dos outros símbolos para a vossa fértil e criativa imaginação!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

VIDAS LUSÓFONAS

O rigor histórico não está condenado à prosa de notário,
é possível conviver com as figuras do passado.
Saber o que foi, pode ajudar-nos a talhar o que será.


O médico, escritor e militar:
BRITO CAMACHO
( http://www.vidaslusofonas.pt/bcamacho.htm )
diz para Carlos Vieira Reis :
- A ignorância, mais que a preguiça,
é a mãe de todos os vícios...

Depois instala-se em
VIDAS LUSÓFONAS
( http://www.vidaslusofonas.pt/ )
onde já moram 134.

Naquela casa
tudo está a acontecer,
cada vida / cada conto.
Por isso já recebeu
mais de 20,7 milhões de visitas

Fernando Correia da Silva

Concerto Meditativo ao Som de Taças Tibetanas


SOCIEDADE PORTUGUESA DE NATURALOGIA
PELAS LEIS NATURAIS, PELA CULTURA INTEGRAL DO INDIVÍDUO
www.spn.eco-gaia.net

22 de Setembro
19h às 20h

CONCERTO MEDITATIVO AO SOM DE TAÇAS TIBETANAS

Por Paula Soveral

Excelente forma de relaxar no final do dia!

Material necessário: roupa confortável e meias
Interdita a entrada depois das 19h15
Desconto para sócios

Mais informações e inscrições na secretaria da SPN:
Rua do Alecrim, nº 38 - 3º (Chiado), 1200-018 Lisboa
Tel./Fax: 213 463 335
E-mail: spn@eco-gaia.net Website: www.spn.eco-gaia.net
Ver / inscrever Newsletter: http://br.groups.yahoo.com/group/Sociedade_Portuguesa_Naturalogia/

terça-feira, 14 de setembro de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL
XXII

A fresta de sombra da arcada, orlando a calmaria da transparência da superfície.

-Ó meu amigo! Eu tenho estado a ouvi-lo falar e acabo por me perguntar se dessa forma, de outra maneira é claro, por outras palavras, pergunto-me se dessa maneira você não está a repetir as ideias daqueles que falaram na morte de Deus.
-Sinceramente, não vejo como.
-Então repare. De acordo com aquilo que você está a dizer, a ilação que poderemos tirar é que as coisas aconteceram mais ou menos por acaso, não será assim?
-Está a referir-se à àquilo que disse a respeito da evolução?
-Sim, também a isso…
-Nesse caso é mais ou menos isso, sim. Quer dizer, os cientistas ainda não sabem explicar muito bem porque é que ocorrem essas transformações que resultam na evolução das espécies. Sabemos que se tratam de mutações e tudo indica que elas decorram de erros de transmissão do código genético. Mas não existe uma explicação inteligível e aceite para que isso suceda e então admite-se, se quiser provisoriamente, como é da praxe da construção do conhecimento científico, aceita-se então provisoriamente que isso possa ocorrer por mero acaso. Depois há o facto de algumas alterações serem benéficas para os indivíduos, isto é, terem a propriedade de lhes conferirem vantagens adaptativas e outras não e isso parece que acontece por acaso. Neste sentido, quando estou a falar em termos da evolução posso estar a defender que tal acontece um tanto ou quanto por acaso.
-Mas veja. Se as coisas acontecem por acaso, então não podemos dizer que tenham um qualquer sentido, em termos práticos e dito de outra maneira, quer dizer que a vida e as coisas em geral não têm qualquer sentido.
-Mais ou menos. Presumo que está a utilizar o termo sentido como querendo significar um rumo à priori, digamos assim, que as coisas teriam que ter.
-Sim.



-É isso. O Stephen Jay Gould não falava do acaso, falava antes das contingências. Aliás, ele nem mesmo se considerava um evolucionista por causa disso. Mas até nessa teoria pode estar incorporado algum factor de acaso. De qualquer forma, vendo bem a realidade, pode dizer-se que o Universo, por exemplo, não tem qualquer sentido. Nem a vida, ela própria, nem mesmo a vida do Homem têm qualquer sentido.
-O quê? Agora já não te estou a perceber. A vida do Homem não tem qualquer sentido?
-Então lá está. Está a repetir aquilo que eu disse. Então dessa forma não está, de uma outra forma, é claro, mas da maneira como coloca o problema não estará então a corroborar as ideias daqueles que defenderam a morte de Deus?
-Não, nada disso, se bem que seja capaz de admitir que assim possa parecer. Mas repito que a essa sua objecção recoloco uma negativa veemente. É claro que continuo a afirmar que, na realidade, aquilo que podemos observar é que nem o Universo, nem a vida têm qualquer sentido ou, pelo menos, no estado actual dos conhecimentos que temos, não há nada que nos permita dizer que assim seja, quer dizer, que haja algum sentido na vida e no Universo e até mesmo na vida do Homem. Repito isso. Se houvesse algum sentido que pudéssemos atribuir, mas atribuir, sublinho que é diferente de dizer que o podemos encontrar lá, pois com isso não estamos a afirmar que ele o tenha em termos de facto, mas se houvesse algum sentido que pudéssemos atribuir encontrar para o Universo, então esse seria o de que a inteligência surgisse, se formasse, não é? Mas não há nada que nos permita ir nessa direcção, nada nos permite afirmar que o Universo tenha uma evolução determinada a partir de um ponto em direcção a outro e que ainda menos que este fosse especificamente o de se formarem as condições necessárias ao aparecimento da vida, tal como a conhecemos, deve dizer-se, e, nesse contexto, ao da formação da inteligência. Antes tudo indica que o que sucedeu é que nessas inter-influências cósmicas surgiram determinadas combinações que em certos pontos –por enquanto só conhecemos mesmo o nosso planeta- mas o que sucedeu foram certas combinações que num dado lugar do Cosmos propiciaram o aparecimento da vida.
-Ai, agora não posso estar de acordo contigo. Então e nós? Que sentido para nós humanos?

(continua)

domingo, 12 de setembro de 2010

Água Suja: A história de um lugar no distante interior mineiro!

Pouco a pouco a noite descia sobre largo e tranquilo planalto do Triangulo Mineiro. O calor abrasador do dia dava a vez ao ar fresco. As estrelas no céu tropical surgiam como translúcidos e faiscantes diamantes derramados sobre um manto de veludo azul-escuro. Não havia concorrência da luz artificial dos postes das cidades. A lua crescente, argêntea, clareava os caminhos que levavam os peregrinos a Água Suja. Lanternas e cajados nas mãos, garrafas de água amarradas à cintura, faixas luminosas cruzadas no peito, em bandos ou sozinhos, os devotos da Nossa Senhora da Abadia seguiam a passos lentos, seguros, para os festejos do dia 15 de agosto. Carros e barracas ao longo do trajeto lhes davam apoio.

À semelhança de Santiago de Compostela, na Galiza, todos os anos na primeira quinzena de agosto, romeiros saem de outras cidades triangulinas vizinhas a pé, a cavalo, de carro de bois, de automóveis, de ônibus, e percorrem até mais de 200 km para prestar homenagens, agradecer graças alcançadas e pedir favores, à padroeira do Triangulo Mineiro e Alto do Paranaíba. São noites e madrugadas de caminhadas arriscadas, à beira das estradas, nos acostamentos ou em caminhos de terra paralelos, pois durante o dia o calor abrasador cozinha-lhes os miolos, derrete-lhes os calçados, dá-lhes bolhas nos pés. Quando o sol está a pino, o que logo acontece, aproveitam para descansar, se alimentar e dormir em acampamentos localizados em áreas arborizadas, previamente demarcadas.

Preservando a tradição dos antepassados, os devotos de Nossa Senhora da Abadia, forasteiros, pedintes e visitantes, fazem romaria. Chegam cansados, mas esperançosos e contentes, à pequena cidade de Romaria, antiga Água Suja, movimentando o fraco comércio, distribuindo esmolas e alimentos, fazendo novenas, assistindo missas, participando das procissões, revigorando a fé, cada um à sua maneira.

Região outrora ocupada por tribos indígenas, algumas frontalmente avessas à aproximação do branco, o extremo-oeste mineiro foi tardiamente colonizado por faiscadores, garimpeiros, fazendeiros, a maioria aventureiros que buscavam riqueza fácil que o solo pudesse oferecer. Após tentativas e iniciais fracassos, ao fim conseguiram se estabelecer. Ganharam sesmarias, criaram raízes nas terras do Triangulo Mineiro. Trouxeram as famílias, amigos, parentes, tradições e crenças, muita vontade de vencer. Se é verdade que através das devoções religiosas pode-se adivinhar as origens de uma povoação, podemos dizer que o Centro-oeste mineiro teve na sua formação gente vinda do norte de Portugal, quando cultua a padroeira Nossa Senhora da Abadia, e dos Açores, quando festeja o Divino Espírito Santo. Fatos que podem ser comprovados pelos dados da história local.

No centro-oeste mineiro a devoção à Santa começou à época da Guerra do Paraguai (1864-1870), quando o Brasil por falta de engajamento popular, precisou fazer recrutamento forçado. No interior, para despistar o governo, as famílias davam aos rapazes nomes que poderiam ser aplicados em ambos os sexos, e os homens abandonavam suas casas e trabalhos para não serem encontrados e escaparem à convocação militar. Assim foi que muitos garimpeiros que não queriam trocar a bateia pela baioneta deixaram os garimpos de Bagagem ( hoje Estrela do Sul) e embrenhados nas matas, pesquisando córregos da vizinhança, descobriram diamantes no Córrego de Água Suja (devido à coloração amarelada das águas na lavagem do cascalho). A descoberta logo se espalhou e com a crescente afluência de gente, aí nasceu um povoado. Batizaram-no com o mesmo nome do córrego. Descendentes de bracarenses, os garimpeiros implantaram a devoção a Nossa Senhora da Abadia, já venerada em Goiás (Muquém), onde anualmente faziam romaria. Prometeram construir uma igreja caso o Estado os esquecesse. Atendidos, na tentativa de manter a tradição, e estando Muquém muito distante, pediram e tiveram autorização do Bispo de Goiás, D. Joaquim, para cultuar a Santa no recente povoado. Em 1870 construíram uma capela e encomendaram a imagem que veio do Rio de Janeiro, trazida pelo viajante português Custódio da Costa Guimarães. Inicia-se então a devoção de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, hoje Romaria ( Arquidiocese de Uberaba). Em 1872 edificaram a Igreja, e em 1930 inauguraram o Santuário de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, conhecido em toda a região.

Dentre as inúmeras graças e histórias acontecidas conta-se o caso do Padre Tristão de Mendonça Carneiro:
“...Era 1878, vindo de Goiás, trazia a permissão do Exmo. Diocesano para administrar os sacramentos na capela aí existente, nas fazendas e roças do lugar. Estatura regular, robusto, olhos azuis e vivos, tinha características de homem de ação evidentes. A par de suas atividades espirituais resolveu tirar de um Córrego da redondeza chamado Paiol, um rego para abastecimento de água ao povoado. Para tal conclamou os fazendeiros e moradores da vizinhança para pôr mãos à obra.

Antonio da Cunha Ferreira, dono de três fazendas próximas, por algum motivo particular, tentou embargar a obra. Como o dito fazendeiro chegou ao local com a intenção, porém, sem as formalidades legais, o padre não lhe deu atenção.

Três dias depois apareceu um oficial de Justiça, mas este foi rechaçado porque não trazia, conforme exigia o padre, a papelada em termos. Passados mais 4 dias, serviço quase concluído, o padre assistindo aos trabalhos debaixo de uma árvore, chegaram dois oficiais de Justiça, com a papelada em mãos, exigindo do padre o embargo da obra. Conferido os termos, o padre Tristão aceita a intimação. Chama o pessoal e pergunta à frente dos dois oficias se algum deles estava trabalhando por conta dele. Com a negativa, disseram que ali não havia patrão, que estavam trabalhando cada um por sua própria conta e só parariam depois que cada um recebesse uma intimação, nos termos legais. Deste modo concluíram o serviço que é até hoje uma realidade.

Indignado com o fracasso de suas diligencias, o fazendeiro resolveu vingar-se. Foi a um amigo e pediu-lhe a indicação de alguém capaz de executar o seu plano mortal. Contratou um tal de José Vitorino, e deu-lhe as instruções.

Vésperas de Natal e Ano Novo, o padre Tristão que estava de viajem marcada, resolveu à ultima hora não ir. Coincidência ou intervenção da Santa, o matador de tocaia aguardou em vão a passagem do padre no Capão dos Rodrigues. Depois de muita espera resolveu ir a Água Suja, dar ciência ao patrão do que acontecia.

Logo que chegou à cidade foi à Igreja, onde a missa já estava no meio, à elevação. Ao entrar no recinto, seu tropel chamou a atenção. Ao ver o padre, procurou com o olhar o patrão que, ao vê-lo, cai repentinamente fulminado, não se sabendo porquê. Trouxeram água fresca, em vão tentaram reanimá-lo... . Era já um cadáver.

O padre Tristão ainda ficou mais um ano na paróquia até que se mudou para Poços de Caldas, onde faleceu. “


(Texto resumido, retirado de uma caderneta de um filho de Irahy (MG), presente na Monografia da Paróquia e Santuário Episcopal de Água Suja de N. S. da Abadia (P. Primo Maria Vieira)

Segundo o geógrafo e agente de Pastorais (na Igreja N.S de Fátima de Uberlândia), Geovane da Silva e Sousa, fundamentado em pesquisas do Mons. Primo Vieira:

Foi à época das invasões árabes na terra de Braga, onde mais tarde seria Portugal, que monges cenobitas esconderam a imagem esculpida em pedra de Nossa Senhora. Achada séculos depois, em 1107, numa caverna por frades do Mosteiro do Monte de São Miguel (Paio Amado e frei Lourenço), começa aí a devoção à Virgem. Foi por essa época que o superior desses monges recebe o nome de abade e o mosteiro de Abadia. A partir daí a Santa passa a receber o nome Nossa Senhora da Abadia.

Com as viagens dos descobrimentos e as migrações portuguesas o culto à Santa se espalhou por todos os continentes aonde chegou a colonização lusa.

Apesar de Nossa Senhora da Conceição ser a padroeira de Portugal, a veneração a Nossa Senhora da Abadia foi a primeira genuinamente portuguesa.

No Brasil, o culto a Nossa Senhora da Abadia começou na Bahia em 1718, Jandira (Diocese de Alagoinhas). Mas foi no centro-oeste brasileiro, talvez por ter recebido maior contingente nortenho português, que a devoção à Virgem teve maior repercussão. Da Bahia, a Goiás (Vila Boa de Goiás), de Muquém (GO) a Minas Gerais, principalmente nas áreas de Mineração e Garimpo, no Triangulo Mineiro e Alto do Paranaíba Ela é a padroeira.

Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 09/09/10
Triangulo Mineiro, MG

Para saber mais:
. Monografia da Paróquia e Santuário Episcopal de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja. (Padre Primo Maria Vieira)
. Nossa Senhora da Abadia, A história de uma devoção.(Mons. Primo Vieira) Obra póstuma
. Conhecendo Romaria (Geovane Silva e Sousa)

sábado, 11 de setembro de 2010

Quatro poemas de Verão

1)
Desta vida, a vida breve
A brisa da manhã rejuvenesce,
O canto que a vida semeia
E o trigo que a morte apanha.

Roda o moinho a morada,
A mó desfazendo centeio.
Se existo não sou nada
Ser todo é meu direito.

2)
Do sentir girar o mundo
Grita o homem salvação.
No mundo o espaço é curto
Para se lhe perder a razão.

Insiste no homem a questão,
Em seus olhos o naufrágio.
Os sonhos por água vão,
E o mundo afunda por contágio.

3)
Entre a aurora do pensamento
E tudo o que preenche os dias pensando.

Eis que surge a emoção,
Completando todo o ser racional.

Encaixe perfeito no pôr-do-sol da razão,
Consequência perfeita pela noite caindo,
E a lua imortaliza sobre o sol
O que no pensar se faz sentindo.

4)
A casa de minha mãe
Anoitecendo à deriva.
Pesa na cruz a noite
E morte é uníssona a ela
Onde meu pensamento
Dirige para casa a visão.

Vejo a casa pelos meus olhos
Que a mente tem como certa.

Minha mãe aquece na lareira
Com nostalgia as mãos que
Agora se cruzam.

Tudo permanece vivo na casa onde nasci
E olhar para ela é ver como o tempo passou.
Recordo o passado e aprecio com atenção,
Minha mãe fazendo malha
Como quem faz o que falta na vida fazer.

Eterna passagem de criança!

Curioso, como a vida me sorria
Quando era de sonhos que vivia.
E a altivez agora, com que a vida
Perde e rompe em si a inocência.

Diogo Correia
Agosto/2010

Colóquios da Lusofonia

Terminam dia 15 as inscrições para assistir ao 14º colóquio da lusofonia em Bragança (Portugal) de 27 setembro a 2 outubro 2010 com a presença de mais de 40 oradores de todo o mundo para debater temas como:

1. HOMENAGEM CONTRA O ESQUECIMENTO:

Recordar autores lusófonos esquecidos, (convidado este ano VASCO PEREIRA DA COSTA)

2. LUSOFONIAS:

2.1. A herança islâmica portuguesa
2.2. Marranos ou conversos, judeus e cripto-judeus em Portugal
2.3. Influências culturais africanas em Portugal de 1380 a 2010
2.4. Questões e raízes da Lusofonia.
2.5. 2º Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico de 1990
2.6. Língua Portuguesa como língua segunda e como língua estrangeira
2.7. Língua e Literatura Portuguesa no Mundo.
2.8. Lusofonias e Insularidades
2.9. Literaturas africanas de língua português

3. TRADUÇÃO:

3.1. Tradução de autores portugueses no estrangeiro. Tradutores e autores
3.2. Tradução Monocultural e intercultural
3.3 Tecnologias e Tradutologia

O Colóquio tem 44 oradores confirmados.

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O Presidente da Comissão Executiva, Colóquios da Lusofonia,
Dr. J. CHRYS CHRYSTELLO,
A NOSSA DIVISA É “NÃO PROMETEMOS, FAZEMOS “
Telefone: (351) 296446940,Telemóvel: (351)919287816/ 916755675 E-fax (faxe):+(00)16305631902
Correio eletrónico: coloquioslusofonia@gmail.com , lusofonia@sapo.pt ; lusofoniazores@gmail.com
* Todos os colóquios: http://www.lusofonias.net
XIV Colóquio BRAGANÇA 2010: http://www.lusofonias.net/lusofonia2010/index.htm
XV Colóquio MACAU 2011: http://www.lusofonias.net/encontros2011Macau/index.htm
Tudo sobre o Acordo Ortográfico http://www.lusofonias.net/acordoortografico/index.htm
Cadernos/Estudos Açorianos http://www.lusofonias.net/Estudos e cadernos açorianos/index.htm
* Patronos: Malaca Casteleiro Academia Ciências de Lisboa/Evanildo Cavalcante Bechara Academia Brasileira de Letras
* Protocolos e Parcerias:
o ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA, GALIZA
o CAMARA MUNICIPAL DA LAGOA (AÇORES)
o Direção Regional das Comunidades da Presidência do Governo Regional dos Açores
o UNIVERSIDADE DO MINHO, BRAGA, PORTUGAL
o ESE, INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETÚBAL, PORTUGAL
o ESE, INSTITUTO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA, PORTUGAL
o ESTH, INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA, PORTUGAL
o LICEU LITERÁRIO PORTUGUÊS DO RIO DE JANEIRO, BRASIL
o UNIVERSIDADE MACKENZIE DE SÃO PAULO, BRASIL

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Uni-Verso

Em 1974 foi encontrado na Etiópia parte do esqueleto de uma mulher que representava o hominídeo mais antigo conhecido até então. Esse nosso antepassado comum baptizado com o nome de “Lucy” terá existido há aproximadamente 3,2 milhões de anos e o seu nome, é sabido, deve-se a no momento da descoberta ter passado na rádio uma música dos Beatles, intitulada “Lucy in the Sky with Diamonds”. Mas alucinação é que a revelação não terá sido, porque em investigações arqueológicas posteriores, nessa mesma região, já foi descoberto um esqueleto que fez recuar os vestígios dos nossos mais velhos ancestrais para 4,4 milhões de anos. Aos mais antigo de todos deu-se o nome de “Ardi”. E, afinal, o que serão 4,4 milhões de anos na existência do planeta, do Universo?

Nada impede que daqui a uns anos se descubram outros esqueletos, noutras regiões, que eventualmente, recuem mais ainda o início da aventura dos hominídeos na Terra. Mas hoje, em termos arqueólogicos, faz-se corresponder o berço da humanidade aquela região da África Oriental. Terá sido, dizem, a partir daí que se terá iniciado o povoamento do planeta. Ásia, Europa, Oceania e América, por esta ordem, terão sido a pouco e pouco, lentamente, ocupados por populações humanas.

Em cada uma das mais diferentes regiões desenvolveram-se estratégias de sobrevivência que corresponderam a outras tantas formas de organização social. Entre os inúmeros humanos que se disseminaram pelo planeta, foi-se assistindo a diferentes formas de organização da família, da política, de economia, da religião, naquilo a que a Antropologia designa por diversidade cultural. Por exemplo, em relação à organização da família referem-se vários tipos conhecidos como a monogamia, bigamia, poligamia, poliandria; ou quanto à religião, onde se podem falar de sistemas animistas, monoteístas, politeístas; e por aí fora.

Durante algum tempo, no século XIX, os autores evolucionistas classificaram as sociedades tecnologicamente menos desenvolvidas como povos mais atrasados, mais primitivos, quando comparados com as sociedades ocidentais. Depois a Antropologia concluiu pela falta de sustentação científica dessas ideias que afirmavam a superioridade de “uns” em relação a “outros”. Pensemos, por exemplo, na legitimação que algumas dessas ideias deram ao racismo, nazismo, etc. O que na Antropologia, hoje, corresponde mais à verdade científica é que as diferentes sociedades humanas em vez de avançadas ou primitivas, superiores ou inferiores, são simplesmente diferentes. Uma mesma travessia histórica através dos tempos, diferentes usos e costumes que se desenvolveram, diferentes padrões culturais, diferentes formas de organização social. Tantas formas de explicação da natureza e tantas outras possíveis, infinitas. Sempre a mesma incerteza, ou quase…

Hoje, vivemos tempos em que faz mais sentido a valorização da diversidade cultural, do que a afirmação etnocêntrica de universos singulares. O que nos deverá guiar é mais o estabelecimento de pontes, de diálogo, entre diferentes culturas, pela paz!, do que a afirmação desses modelos etnocêntricos. Será nessa abertura ao outro, nessa escuta do outro, em que assentaremos o nosso Estudo. Será a partir da soma das partes que partiremos para a valorização e construção da Unidade. Nada de falsas manipulações, nada de querermos o outro à nossa imagem. Liberdade até de não ser livre. Com regras, claro, até que uma plena emancipação social se instale, até à chegada de uma consciência plena.

Coisa tão estonteante tem sido esta aventura pelo espaço-tempo. Meu Deus…

Luis Santos

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria II


A Grande Caminhada – Acrílico sobre Tela 60x60cm
Autor: António Tapadinhas

Esta obra ganhou vida por ela própria. A ideia inicial era, numa tela já pintada com cores ocre, texturada, com incisões horizontais espaçadas e verticais mais próximas, pintar séries de cores frias e quentes, no plano horizontal. Queria incutir no espectador uma sensação de grupos heterogéneos a caminhar, determinados, na obtenção de um objectivo misterioso. Este estudo serviria para preparar uma tela mais ambiciosa para uma bienal de prestígio – Prémio Vespeira. O problema foi que gostei tanto deste estudo que não me quis copiar. Na versão final, mais elaborada e de maiores dimensões, nem o título mantive. Esta tela continua comigo e não é mais um estudo – tem um lugar de destaque entre as obras que criei.
Esta pode representar a Grande Caminhada do Homem na descoberta do seu ADN…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Singularidade

por
Fernanda Leite Bião*


O que são palavras,
Senão a reunião de letras que
Precisam de um autor para dar sentido.
E o sentido é o movimento de um corpo-alma,
Em direção de um alvo.
E o alvo é o desejo corporificado.
Uma entidade que precisa ser alcançada.
Do movimento a uma direção nasce o propósito.
E esse propósito precisa de gestos.
Gestos simples ou complexos,
Não importa.
Na reunião da palavra (sinais) com o verbo (gestos),
A relação, enfim, acontece.
Relacionar-se é ser-com.
Não duas metades, partidas, quebradas.
Mas dois inteiros, íntegros seres em sua singularidade.
Singularidade, movimento das diferenças nos diferentes.
Diferentes que somam e intercruzam.
Nos movimentos quânticos da vida.

* Bacharela em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Psicóloga e Orientadora Profissional. E-mail: fernandabiao9@hotmail.com.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL
XXI

-O que é que foi isso?
-O homem de Piltdown?
-Sim.
-Foram umas ossadas creio que de chimpanzé que foram descobertas no Sul de Inglaterra e que a Antropologia inglesa da época, estávamos nos finais do século dezanove, os académicos ingleses de então pretenderam que seriam os vestígios mais antigos dos antepassados do homem o que faria da Inglaterra uma espécie de berço da humanidade. Estão a ver a utilidade de um achado assim numa época em que os nacionalismos estavam em efervescência e em que as teorias racistas procuravam provar que existiam raças mais desenvolvidas que outras e fazia a classificação daqueles que consideravam inferiores e as que consideravam superiores. Estão a ver o acaso, não é? Mas depois descobriu-se que tinha sido uma fraude levada a cabo por certos académicos e outras pessoas e é claro que a História do Homem deixou cair esse pretenso achado científico. Enfim…
-A teoria da conspiração no século dezanove…
-Sim. A fraude envolveu altas individualidades do mundo académico e com certeza que não só.
-Dava um romance, daqueles que andam agora na moda.
-Ah isso dava, não tenho dúvidas, mas teria que ser a mão de um mestre a tratar disso, caso contrário lá viria a ser mais um daqueles casos das máquinas de escrever. Estou a lembrar-me de um monumento como “A Guerra do Fim do Mundo”, do mestre Llosa, em que sem pretensiosismos e sem palha de erudição balofa ele consegue criar uma personagem que personifica a visão científica justamente desse século, com aquele aventureiro que era frenologista e que via tudo à luz das ideias do Broca. Mas isso não está ao alcance de qualquer escrevinhador, isso são artes de contar que só mesmo os grandes é que as dominam e sabem utilizar com elegância.
-Esse é um dos grandes romances escritos em castelhano e só me admira como é que o Vargas Llosa ainda não ganhou o Nobel da literatura.
-Não é política nem literariamente correcto e ainda por cima tem a ousadia de pensar fora dos cânones de qualquer cartilha.
Mas não era disso que eu queria falar e vou voltar atrás para concluir o que estava a dizer.
E o que eu estava a dizer é que apesar dos erros e das correcções que possam ter havido no decurso dos estudos da História do Homem, mesmo tendo em conta tudo isso, a verdade é que a informação que possuímos aponta, toda ela, para que, à semelhança de todos os seres vivos que existem e existiram no nosso planeta, também nós tenhamos sido resultado de um processo mais ou menos longo de evolução. Quer dizer a nossa espécie deriva de outras que a antecederam e que se transformaram por via da melhor adaptação de novas características que foram surgindo em indivíduos das mesmas e que por isso, com o tempo, foram aqueles que melhor e mais se reproduziram levando essas alterações a conferirem novas características a esse grupo ao ponto de em muitas situações virem a originar o aparecimento de outras espécies diferentes. O criacionismo teria que saber explicar como é que isto não se teria passado assim e não o faz, limita-se a apresentar ideias que, sem qualquer corroboração empírica, justifiquem a ideia de que para que, as coisas sejam como são, teria que ter havido um qualquer tipo de intervenção Superior. Mas o que teria que igualmente fazer seria explicar como é que aquilo que manifestamente são as provas de uma evolução não o seriam de facto. Não o fazendo, não pode deixar de ser uma falácia.


-E não acha que ainda assim se poderá perguntar se Deus não poderia ter tido aí uma qualquer intervenção?
-Não, não acho. Ele, de facto, descansou depois de lançar a obra, quer dizer, é aquilo que já disse, na verdade Ele não interfere nos fenómenos do Universo. É justamente aí que reside a nossa liberdade naquele sentido em que falei anteriormente. Ele simplesmente esperou que no contexto da Sua obra se pudesse vir a revelar a inteligência que fosse capaz de O reconhecer e de querer ir ao Seu encontro. No fundo é isso que significa que Deus descansou ao sétimo dia. Não te ofendes por eu dizer isto, pois não?
-És parvo. Claro que não. Bem, confesso que nunca tinha colocado o assunto da maneira como tu o fazes, mas estou a compreender aquilo que estás a dizer e não deixo de encontrar fundamento nas ideias que estás a sustentar. É o que eu já disse, eu estou verdadeiramente surpreendida contigo.
-Pois bem, mas nesse caso digo-te mais quanto a isto de Ele simplesmente esperar que a inteligência se revelasse e livremente quisesse ir ao Seu encontro, isto é, livremente se deixasse tocar pelo reconhecimento da Fé. Eu faço uma pergunta: o que é para vocês a expressão mais elevada da inteligência?
(…)
(…)
-Sim, o que é que poderemos designar como o mais elevado nível de inteligência?
-Não estou a perceber onde queres chegar, nem sei se estou a perceber o que pretendes perguntar.
-Não quero chegar a lado nenhum estou apenas a fazer uma pergunta. O que é que vocês acham que nós poderemos considerar que é o máximo da inteligência?
-Será a capacidade para resolver os mais complexos problemas matemáticos, ou da física? Será isso que você quer dizer?
-Também responderias assim?
-Não sei. Como disse não estou a perceber onde queres chegar. Mas talvez seja isso que o senhor disse, não?
-Não, não é. Pensem bem. É claro que para resolvermos certos problemas matemáticos e científicos é, sem dúvida alguma, necessário que a pessoa tenha não só determinados conhecimentos que podem ser mesmo consideráveis, como também tenha certas capacidades de inteligência que, poderemos dizer assim, não estarão repartidas por todos os seres humanos e muito menos de igual modo. É claro que isso é um reflexo da inteligência, é uma manifestação do quão inteligente pode ser um determinado indivíduo. Até aí estamos de acordo. Mas o máximo expoente da inteligência está em sermos capazes de acedermos à tolerância de aceitarmos o próximo por muito diferente que ele seja de nós. É afinal essa manifestação de inteligência que nos leva à harmonia de vivermos em paz com os outros e não será esta a única forma que está ao alcance da nossa espécie para que esta se preserve e permaneça na busca da Eternidade?
-Muito interessante, sem dúvida e cheio de sentido, isso que estás a dizer.
-Ora não é então curioso que a expressão mais elevada da inteligência seja precisamente aquela que melhor nos poderá permitir alcançá-Lo?
-Isso que estás a dizer é muito bonito de se pensar.
(continua)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Aventuras de Luís Guerreiro e Tina no Brasil-Parte 7-Brasília


BRASÍLIA

A TORRE DE TELEVISÃOTEM UMA FEIRA...
A FEIRA DA TORRE

O PLANETA MÁFIO ESTÁ LÁ E ESTÁ AQUI, É ONDE UM MAFIOSO QUISER.

AKIRA, MOSTRA A MESTRIA DE DESENHAR NUM GRÃO DE ARROZ.
AKIRA ACHA QUE OS ESCRITORES PORTUGUESES SÃO MUITO DIFERENTES DOS ESCRITORES BRASILEIROS...
USAM PELO MENOS MAIS 300 VOCÁBULOS DO QUE OS ESCRITORES BRASILEIROS, ELE GOSTA DE LER LIVROS EM PORTUGUÊS DE PORTUGAL.
AKIRA ADQUIRIU O GOSTO DE LER OS AUTORES PORTUGUESES NO JAPÃO ONDE FOI CONHECER A TERRA DOS SEUS PAIS.

A PARADA GAY DE BRASÍLIA FOI BEM DIVERTIDA

ESTA PARTE 7 DAS AVENTURAS DE LUÍS GUERREIRO E TINA
NO BRASIL É "GAY"
É GAY QUE EU SEI!

--
Luís Cruz Guerreiro

domingo, 5 de setembro de 2010

"Lobos Insonsos"

Comam-me a lingua os lobos
Sejam eles marinhos ou bravos
Veja eu as coisas por uma lupa
Vejam-me eles a mim por uma luneta...

Comungo a inveja do sentir
Minto com pernas curtas e coxas
Pulo a cerca sem pejo ou temor
Tremo que nem vara verde invejada...

Quero comer com todos o pão
Levar para mesa o desejo de ser
Sem sentimentos que me levem a cegar
Com as vistas turvas pela fome negra...

Trepo pelas paredes acima desgarradamente
Nem unhas tenho para tanto e tão pouco
Oiço que o sino da miragem toca sem parar
Paro para escutar o som do uivo trazido pelo vento...

Lavo a cara e as mãos nas águas da inocência
Corre-se-me face abaixo a tristeza perdida
Vou-me tambem corrego abaixo levado
Desfaço mágoas no liquefeito reflexo ido para sempre...

Escrito em Luanda, Angola, a 3 de Setembro 2010, por manuel de sousa, em Homenagem aos Irmãos de todo o Mundo, sejam-no somente de carne ou aspecto fisico, sejam-no na Alma...

sábado, 4 de setembro de 2010

Interligação de Universos (5)

……………………….fala-me sobre a oração.

-Orar, como tu o fazes, dirigindo-te a alguém exterior a ti próprio, induz à separatividade, nega a integração naquilo que tu já És, o Todo. Não há nada a pedir, quer material, quer espiritualmente. O Todo é omnipresente, omnisciente e omnipotente. Enquanto entenderes a oração como um acto de pedir por, ou para, revelas a ignorância desse teu estado transitório. Como podes tu pedir aquilo que já tens, ou aquilo que já És? Quem pede é a tua personalidade, o teu ego, aquele que acredita que a sua totalidade é aquela imagem reflectida diariamente pelo espelho e que crê que tudo o que existe é o que o rodeia, quer próximo de si, quer a milhares de quilómetros de distância.

Tu não és apenas esse corpo físico. Tens muitos mais corpos, entre eles o etérico, o astral, o mental, o espiritual e não só.

Há um Plano Evolutivo Cósmico, que abrange tudo e todos os reinos humanos, animal, vegetal e mineral. Esse Plano é regido por um arquétipo desde sempre delineado e em constante evolução e actualização, permitindo a formação dum Tapete Cósmico, do qual tu és um ponto indissolúvel. Pára a tua mente e permite que a tua personalidade se integre, dissolvendo-se e fluindo ao ritmo desse Plano. Passarás então do estado de ser ao Ser, e assim, aos olhares para trás saberás que o tempo das orações exteriorizadas faz parte do que se chama a Grande Noite dos Tempos.

António Alfacinha
alfa2749@yahoo.com.br

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Visitemos Lisboa na Baixa Pombalina


Rua Augusta, Baixa de Lisboa


Sobre os bairros do centro de Lisboa, hoje, sugerimos uma visita à Baixa Pombalina. São mais de 250 anos de história, onde também se encontram as heranças milenares de outros povos.

A Baixa Pombalina faz parte integrante e central da Lisboa histórica. Desde os tempos remotos da fundação da cidade, a Baixa(centro) foi ocupando uma centralidade crescente da capital do país. Nela estavam implantados, entre outros edifícios emblemáticos, o Arsenal, a Casa da Índia, a Alfândega, o Paço da Ribeira, a Patriarcal e o Palácio da Inquisição. Símbolos de uma Nação que se projetava no comércio com África, a Índia e o Brasil.

O terramoto de 1755 e a reconstrução pombalina recriaram esta centralidade do universo português num plano urbanístico único no Mundo. Com o tempo, a Baixa foi sendo enriquecida com elementos da “modernidade” e hoje constitui um exemplo excecional da associação contínua de vários séculos, gerações, vontades e estilos. Por isso é muito frequentada por turistas de todas as latitudes.

A Baixa é formada por um conjunto de ruas retas e perpendiculares organizadas para ambos os lados de um eixo central constituído pela Rua Augusta. Dispôs da primeira verdadeira rede de esgotos domésticos, dando para coletores subterrâneos sob as ruas.
Foi apreciada como candidata portuguesa à lista de Patrimônio Mundial em 7 de Dezembro de 2004, declarando-a superior às áreas planejadas em Edimburgo, Turim e Londres; inclusivamente, a inscrição alega que os planos da reconstrução de Londres após o Grande Incêndio "não implementa princípios gerais" tais como os conseguidos na zona pombalina.

São Vicente é o santo padroeiro de Lisboa, apesar de grande parte da população não saber. O dia de São Vicente é comemorado em 22 de janeiro. Mas sabem a história da ligação de São Vicente com Lisboa e o corvo, símbolo do brasão de Lisboa?

Boa Viagem!
Margarida Castro

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria I



Título: Marionetas
Autor: António Tapadinhas
Técnica: Acrílico sobre papel
Dimensões: 31,2x24,0 cm
(clic sobre a imagem para ver pormenores)

Hoje é um dia especial! Inauguramos uma galeria de Arte com as condições ideais para receber os seus amantes. Sala nobre, ampla e bem iluminada, a que todos têm acesso, a qualquer hora, sempre grátis, sem qualquer restrição de idade, raça, religião ou indumentária.
Tem uma característica única: a sua acústica dá para ouvir as conversas e até os pensamentos dos seus visitantes…
A “d´Arte” foi inaugurada com o trabalho “Marionetas”, que estará exposto, a partir do dia oito deste mês, na Casa da Cultura de Gdansk, cidade no norte da Polónia, onde se iniciou a revolução liderada por Lech Walesa. Nesta exposição estarão representados oito artistas polacos e oito portugueses, tendo como tema, KOLOROFON, a relação entre arte contemporânea e o universo pictórico da criança.
Pretende explorar as possíveis e subjectivas relações que podem existir entre os criadores e um universo infantil que tem marcado a criação visual e plástica desde o início do século XX.
Já sabem: Vernissage todas as quintas-feiras!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aventuras de Luís Guerreiro e Tina no Brasil-Parte 6-Brasília


A FANTÁSTICA AVENTURA COMEÇA NO SHOPPING!
A CADEIRA ELÉTRICA LÁ ESTAVA E EU TAMBÉM.
OLHEI PARA ELA E ELA OLHOU PARA MIM, FOI UM ELETROCHOQUE!

A VIAGEM PROSSEGUE

TODA A EXPLICAÇÃO DO PAINEL/POSTER DO 2º EPISÓDIO DAS AVENTURAS DE JERÍLIO NO SÉC.25, EXPLANATIVO E METICULOSO.

MAS EU GOSTO DE COISAS MUITO PERFECCIONISTAS...

AS COISAS MAIS SIMPLES, SÃO SEMPRE MUITO DIFÍCEIS DE SE CONSEGUIR EXPLICAR FÁCILMENTE.

A FORMA MAIS FÁCIL DE SE TORNAR INTELIGÍVEL AS COISAS DIFÍCEIS É VIVÊ-LAS...

Luís Cruz Guerreiro