De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

PENSAVERSANDO



ESCREVER, PERCORRER UM ESPAÇO EM BRANCO COM IDEIAS NO PLURAL


Sento-me.
Uma folha em branco,
um lápis
e começo a percorrer
trilhos de escrita,
trilhos de pensamentos
que se cruzam
formando um ponto de fuga,
criando a minha perspectiva,
o mundo recriado pelos meus olhos
pela leitura do meu cérebro,
por todas as minhas vivências,
por todas as que poderia ter vivido
E não vivi.

Continuo sentada,
voando nestes grafemas,
nestes fonemas,
transformando
a folha em branco em
folha-imagem, em
folha-vivida-sentida.

O lápis percorre
o resto do espaço em branco.
Cada vez mais
o ponto de fuga aproxima-se.
As cores adensam-se
e penetram em mim, como se o meu interior
fosse o seu prolongamento,
como se fosse um espelho,
um reflector.

Pouco espaço físico de escrita
me resta...
e tantos pensamentos
e tantos caminhos
e eu, os eus
e os nós,
aqui, agora,
parados
absorvidos pela cultura
do vazio, do nada!

Mas a minha linha de fuga
está perto...
levanto-me,
salto
e saio deste quadro
. .................................
Cá estou de novo,
do outro lado do espelho
do outro lado da vida.

O lápis não se cansa,
persiste em caminhar
ao meu lado, a continuar
um caminho de palavras,
de cheiros doces e acres.
de sons suaves, sofridos,
sabedores e sábios.
(Será da idade?)

O lápis tem razão!
Tanto para contar
(ou descontar,
ou até recontar)
nem que fosse (des-)
continua-
mente,
mas com continuidade,
com muita vida
para dar ao Futuro.

Ponto final.

Ponto final? Não.
Não liga com vida....
e muito menos com Futuro...

Levanto-me,
poiso o lápis.

(Quem sabe se ele não queira pegar na minha mão e voltar a sonhar...fica
em aberto...)

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