“Gosto imensamente destes grandes silêncios, porque então ouço-me a mim mesmo, e vivo mais em cinco minutos de solidão do que em vinte horas de bulício.” (Machado de Assis)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

ALHOS VEDROS - 1 de Novembro de 1755


A 1 de Novembro de 2014 perfazem 259 anos do devastador terramoto
que assolou Lisboa! Também em Alhos Vedros o terrível abalo telúrico se fez sentir! 
Transcrevo um excerto do meu texto (ficcionado) intitulado “Triangulação”,
que publicarei futuramente.

Em Alhos Vedros, a terra estremeceu e tremeram de medo os habitantes da pacata Vila ribeirinha. Por se tratar de Dia de Guarda, o movimento no porto não era o costumeiro. Amarradas à muralha, quatro embarcações empachadas, aguardavam a primeira maré do dia seguinte, para zarpar.
            Cercãs da muralha, uma carreta e uma carroça haviam acabado de descarregar os carretos. À carreta estava jungida uma junta de bois; à carroça, uma parelha de cavalos.
            À porta da hospedaria do Galego, forasteiros proseavam para matar o tempo, aguardando a carreira para Lisboa.
            Para assombro dos três rapazes, repentinamente, os animais principiaram a ficar inquietos. Ecoava ruído cavo e tenebroso, enquanto o solo encetou a oscilar com violência. Os animais tiveram de ser fortemente seguros pelos freios: os bovinos resfolegavam agitados, avançando e retrocedendo; os equinos empinavam-se nas patas traseiras, relinchando amedrontados.
            As casas vibravam, portas e janelas chiavam e pessoas corriam espavoridas, aterradas, buscando refúgio no centro do terreiro.
            - Mirai o esteiro! - bradou José.
            - Que sucedendo, Deus?! - indagou Braz, bradando também.
            - É um tremor de terra! - clamou Kéhindé. - Mas... mas enxergai! Que está sucedendo às águas?!
            As águas retrocederam, deixando as embarcações assentes no lodo. Afora a cala, o esteiro quedou seco por instantes. Das bandas do Norte, emergia desmesurada massa de água que, galgando marinhas, viveiros e sapais, arrasava tudo à sua passagem.
            - Abalemos lestos! - berrou Braz, aterrorizado. – Enxergai! A maré vai galgar!
            Os três rapazes encetaram a correr para a Rua do Cais, seguidos por muita da gente que se achava no terreiro. Os jovens ampararam os mais vagarosos. Para assombro de todos, num abrir e fechar d’olhos, as águas apossaram-se da rua, idas do terreiro e das bandas da caldeira do moinho de maré. Os fugitivos, unidos uns aos outros como podiam, acarretando as crianças nas espaldas, quedaram com água acima da cinta e foram arremessados de encontro aos valados que ladeavam a rua. Aos mais débeis e abatidos valeu o providencial amparo dos mais expeditos. Botes e bateiras vogavam em terra, impelidos pelo ímpeto da maré.
Ecoavam angustiosos brados, mendigando o auxílio miraculoso.
            - São Lourenço, velai pl’a gente!
            - Senhora dos Anjos, amparai a todos!
            - É o Dia do Juízo! - clamou uma voz.
- Santo Cristo, socorrei-nos e salvai-nos!
            A enchente sumiu como havia surgido.
Os brados de pavor não haviam cessado por um só momento. Engalfinhando-se nas árvores, Kéhindé, José e os companheiros alcançaram travar o efeito de sucção das águas. Encharcados, enlameados e espavoridos, permaneceram prostrados nos terrenos empapados.
As culturas haviam sumido.
            - Qu’é dos mes filhos, Deus?! - clamava uma mulher, destroçada, quase fora de si. - Hei precisão d’ir por eles! Ai! Deus meu!
            - Aquietai-vos! Sigamos todos juntos! vos aparteis! Pode ocorrer outra enchente! – alvitrou o jovem africano.
            - O António com a razão! – assentiu Ti Julião. – Quedemos todos juntos... inté ò cais!
            A marcha revelou-se árdua, pois atascavam-se quase até à cintura e tinham de transpor obstáculos ocultos no lodo, que tudo conquistara.
            Alcançado o terreiro, não queriam crer naquilo que enxergavam. A carreta e a carroça estavam emborcadas de encontro à casa dos Mendonça Furtado e os bois jaziam mortos; dos cavalos, nem indícios; em cima da muralha, quase a tombar à água, achava-se uma barca de passagem; dispersos pelo largo, rodos e demais alfaias das marinhas, embarcações arrasadas, árvores arrancadas pelas raízes, montões de mato, sacas e barricas, cavernames desfeitos, quais ossadas descarnadas, o estaleiro derribado.
            Nas paredes das casas, podiam ver-se as marcas da investida de toda a sorte de detritos, amontoados no solo. As embarcações, até então fundeadas, ou estavam emborcadas e afundadas, ou haviam sumido.
            Alcandorados nos telhados, azoinados, expectantes e receosos, os sobreviventes tiritavam de frio e medo. Era assim na hospedaria, na casa de Dona Catarina e na do Senhor Conde, em cujas paredes as águas haviam alçado ao nível das sacadas. A hospedaria e a casa da família Mendonça Furtado haviam sido cabalmente devassadas: portas e janelas arrancadas e grande devastação de bens, efeito da violenta correnteza das águas.
            Embora ainda sob o efeito de tão abrupta e inusitada ocorrência, a quietude volvera aos espíritos das gentes. Por entre brados de alegria e louvor ao Altíssimo, iam-se ajuntando os entes queridos, que a calamidade atrozmente apartara.
            Em redor, afigurava “campo de contenda.”
            - Sigamos pra casa, Kéhindé.
            - Sim, José. Como se acharão por lá?
            - Também vou pl’os meus... – disse Braz.
            - Ide, rapazes. Ide com Deus! - exortou Ti Julião. – Por aqui, tudo se acha calmo. Ide… pl’os vossos. Quão ralados se acharão! Que Nosso Senhor acompanhe e guarde vossemecês!
            Por toda a parte se via gente aturdida: uns carpiam a perda de culturas, gado e demais haveres; outros, fitando atónitos, miravam embarcações assentadas em locais até então inconcebíveis.
            - As águas da maré alagaram a Matriz, que virou ilha! – anunciava Ti Joana, em alta voz, varada pela perplexidade. – Nunca sucedera o tal!
            - Há gente sumida?
- Por aqui não, Braz… – respondeu Ti Francisco que, amparado por vizinhos, se esforçava por virar uma bateira emborcada e prantada onde, anteriormente, havia sido o pomar.
            - Aqui, o Romão, acudiu das bandas da Praça e falou que a maré lambeu os pés ò pelourinho... – informou Soares, filho de Ti Francisco. – Pl’o qu’ele entendeu, também ninguém se acha sumido por lá.
            - Inda bem! - desabafou o rapaz, mais serenado, visto habitar com os pais na Rua do Tinoco. – António, José, vou embora sem mais detença.
- A gente tamém vai… – disse José, apreensivo. - Como se acharão os mes pais?
            Na Rua dos Pinheiros, homens, mulheres e crianças, numa azáfama jamais vista, acarretavam tudo de dentro das casas, que a lama acometera de feição implacável.
            Ao embocar na Rua da Cadeia, José divisou o pai que, alheado, mirava a casa: a chaminé tombara e descortinavam-se fissuras nas paredes.
Soluçando inconsolável, derreada, Ti Zefa sentara-se na soleira da porta, envolta no xale, tapando a cara com as mãos. As vizinhas acalentavam-na, suspirando também. 
            - Ai! Deus! - bradou Rosa, filha de Ti Perpétua, as mãos postas, assim que avistou os dois rapazes, por entre as gentes que enchiam a rua. - Ti Zefa! Ti João! O José mais o António acodem acolá, além! Nosso Senhor seja louvado!
            Incrédula, a mulher alevantou os olhos, de onde as lágrimas haviam sumido e, recobrando as forças que cuidava perdidas, ergueu-se de um salto e correu para os rapazes, de braços abertos.
            - Ai! Filho da minh'alma! Graças ao Senhor, que te achas bem! António, chega aqui, filho! Graças ao Céu pl’os dous! - clamava Ti Josefa, enlaçada aos jovens, beijando-os com carinho.
            Ti João abeirou-se e envolveu os três num forte abraço, chorando com a mulher, mas… de alegria.
            - A gente perdeu os cavalos... - disse José.
            - senhor! - proferiu o carreteiro, entrecortando palavras com soluços. - Os danados acudiram a casa. O Ventarola manca da pata dextra e o Garnizé maltratado na dentuça. Mas acham-se bem vivos, os ladinos!
- Por haverem voltado sem vosmecês é qu’a gente cuidou o pior… - soluçava Ti Josefa.
            - A carreta emborcada, à beira da casa de Dona Catarina… - informou o rapaz.
            - Mas… que sucedeu com as águas, rapazes? Nunca escutara o tal! - confessou Ti Lucas Moleiro, meditativo, afagando as barbas brancas. - E eu ando em este mundo de Deus há um ror de tempo! A terra tremer, vá que vá... Mas o rio galgar a terra! Nunca sucedera! Pl’a minha , asseguro eu a todos vossemecês!
            - Ti Lucas, vossemecê nem sonha o que ocorreu no cais! - declarou José, o semblante mui sério. - há palavras… O rio avultou das bandas do Norte e o terreiro virou mar. A maré de tudo se assenhorou.
            - Relatai à gente… o que vistes…    
- Mais tarde, relatam, Ti Januário. Vossemecê entenda. Por ora, têm é precisão de remanso – interveio Ti João, resoluto. – Vinde daí, rapazes. Vá lá, mulher. Sossega, qu’eles tão a salvo, com a graça do Senhor!
            Ti Zefa ao meio, cingindo cada um pela cintura, seguiu para casa.
Desfeito o ajuntamento que os rodeara, cada um seguiu à sua vida. Muito havia para fazer. A maioria das casas sofrera estragos que urgia reparar. Cinco moradias haviam desabado por completo. Os desalojados acoitaram-se em casa de familiares e vizinhos.
            O adro da Matriz porfiava atestado de povo, que aí acorrera suplicante. Todos se achavam ainda atemorizados, mal refeitos do que ocorrera.
Pela Vila correu a notícia que a Senhora dos Anjos sairia em procissão de ação de graças. E assim sucedeu, rente às dez horas. Pelas doze, muito povo apinhava o templo, para a Santa Missa. Eis que novo abalo se fez sentir. Quem testemunhou, passou a afiançar que só por intercessão da Senhora, Rainha dos Anjos, o templo não ruíra, sepultando todos quantos aí se encontravam.


Francisco José Noronha dos Santos

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Jin Ji Du Li


por Walter B. Oliveira

Faça este exercício da cultura chinesa simples e eficaz... E verá a essência é que seus olhos devem estar fechados quando você pratica “Jin Ji Du Li”... Preste atenção.

Eis o exercício: Fique sobre uma só perna, com os seus olhos abertos. E só isso. Experimente agora fechar os olhos. Se você não for capaz de ficar em pé por pelo menos 10 segundos seguidos, isso significa que seu corpo se degenerou ao nível de 60 a 70 anos de idade. Em outras palavras, você pode ter apenas 40 anos de idade, mas seu corpo envelheceu muito mais rápido.

Ficar sobre um pé com os olhos abertos, é uma coisa e fazer o mesmo com os olhos fechados... A história é outra! Não precisa levantar muito a perna. Se os seus órgãos internos estão fora de sincronia, mesmo levantando a perna um pouco vai fazer você perder o seu equilíbrio. Os chineses estão bem avançados no conhecimento do corpo humano. A prática frequente e regular do “Jim Ji Du Li” pode ajudar a restaurar o sentido de equilíbrio. Na verdade, os especialistas chineses sugerem que a pratica diária por 1 minuto, ajuda a prevenir a demência. Primeiramente, você pode tentar fechar os dois olhos, não completamente. Na verdade, é isso que o especialista de saúde Zhong Li Ba Ren recomenda. A prática diária de Jin Ji Du Li pode ajudar na cura de muitas doenças, tais como: Hipertensão; Altos níveis de açúcar no sangue ou diabetes; O pescoço e doenças da coluna vertebral; Também pode impedi-lo de sofrer de demência senil.

Zhong Li Ba Ren escreveu um livro intitulado: “A autoajuda é melhor do que procurar ajuda dos médicos”, um best-seller que também foi o melhor livro de saúde à venda na China desde que foi publicado pela primeira vez na época. Seu sucesso pode ser medido pelo fato que rendeu mais de um milhão de cópias vendidas. Diz-se que de acordo com o entendimento de médicos chineses, a doença pode aparecer no corpo devido a problemas surgidos na coordenação entre os vários órgãos internos, o que faz com que o corpo perca o seu equilíbrio.

Jin Ji Du Li pode zerar esta inter-relação dos órgãos e como funcionam juntos. Zhong Li Ba Ren disse que a maioria das pessoas não consegue ficar sobre um pé com os olhos fechados por 5 segundos, mas depois, praticando todos os dias, são capazes de fazer por mais de 2 minutos. Quando você conseguir ficar mais tempo, a sensação de peso desparece. Ao praticar Jin Ji Du Li, você vai notar que sua qualidade do sono fica melhor, a mente limpa e melhora a memória significativamente. A coisa mais importante é que se for praticado Jin Ji Du Li com os olhos fechados por 1 minuto todo dia, você não irá sofrer de demência senil (o que significa que o cérebro continuará saudável). Zong Li Ba Ren explicou que há seis meridianos principais que passam por entre as pernas. Quando você ficar em uma perna, você sente dor devido ao exercício e, quando isso ocorre, os órgãos correspondentes a esses meridianos e suas formas começam a receber os ajustes necessários. Este método é capaz de se concentrar a consciência e canalizar o corpo até os pés.

Os efeitos benéficos da prática de Jin Ji Du Li em várias doenças como a hipertensão, diabetes, pescoço e coluna vertebral, começarão a serem sentidos rapidamente. Problemas como a gota também poderá ser prevenido. Cura doenças básicas como “Pés Frios” e também pode reforçar a imunidade do corpo. Você não precisa esperar até que você tenha uma doença para começar a praticar Jin Ji Du Li. É adequado para quase qualquer tipo de pessoa e especialmente benéfico em pessoas jovens, se praticadas diariamente, a probabilidade de adquirir problemas naturais da idade, será menor. Não recomendado para pessoas cujas pernas são fracas e não podem ficar por longos períodos em pé.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

SER SOLIDÁRIO


Um dia, estava o Paulo a ler um poema, quando encontrou uma palavra nova: solidário. 
Pegou num dicionário de Língua Portuguesa, seguiu a ordem alfabética e encontrou: 
solidário(a), adj: ser solidário define alguém que gosta de ajudar os outros … Expressões: causa solidária, estar solidário com alguém… 
Então o Paulo pensou e disse para com os seus botões: 
- Eu sou solidário, estou solidário com a Mafalda por o pai ter perdido o emprego, com o meu amigo José por ter perdido a avó; estou solidário com a Maria que está doente e também estou solidário com a Mica, a cadelinha que foi abandonada. 
Sentiu-se feliz e pensou: nunca estarei solitário, pois sou solidário com os meus amigos! 

 Ana Maria Santos

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (103)

 René Magritte, Dangerous liaisons,1926
Óleo sobre Tela, 72x64 cm 

 
Aquelas portas tinham mãos

Ou seriam sombras… 
Momentos acabados de alguém. 
Lembro-me das portas a fecharem e do barulho que faziam. Lembro-me do que sentia na ausência que o medo fazia real. Demasiado real.
Aquelas portas tinham mãos escuras por causa da luz. 
E a luz era só dali, daquelas mãos que uma sombra deixava cair. E as mãos deitavam-se e arrastavam os corpos a dormir na minha cama vazia. Ou seriam sombras…
Aquelas portas tinham mãos. 

Ou seriam espelhos perfeitos com duas vidas a tocarem-se na vontade…

Talvez momentos futuros que o sonho pintava. 
Lembro-me do barulho que faziam as portas a abrirem. Lembro-me da minha cara
E lembro-me do que sentia naquela espera tingida de azul pela luz que a sombra das tuas mãos revelava. 


Maria Teresa Bondoso

domingo, 26 de outubro de 2014



MIRADOURO 40 / 2014
 
Aula Querida
Ás 8.30h acordei do meu habitual sono e tomei um duche. Era uma terça-feira e ás 10h tinha que estar na escola.
Vesti-me, tomei o pequeno almoço e sai de casa, procurando o café ideal para esse dia, porque se há coisa que admiro é poder variar a rotina começando pela escolha do café ou pastelaria consoante o dia da semana nunca indo dois dias por semana ao mesmo café.
 O alpendre da escola aproximava-se alheio a mim e pelo puxador da porta principal disse um: “Bom dia alegria” a educadores e funcionários, olhei de frente o relógio marcava a 10h em ponto.
 Pela janela da porta onde me cabia entrar, vislumbrei de socapa os bébés meus alunos e estudei a melhor forma de entrar sem os assustar. Era a minha aula, aula essa que tinha o nome de: Música expressão e drama, um misto de música, teatro e circo, que no tempo de vida daquelas crianças são elas mesmo a própria música, o próprio teatro e o próprio circo em que talvez o maior aluno seja eu.
Bati á porta devagar esboçando um sorriso e entrei, a educadora começou cantando uma canção de “Bom dia Diogo” enquanto elas me olhavam correndo e gritando para mim. Já sentadas no tapete reinou o silencio. Meti uma música suave no rádio e ao mesmo tempo comecei-me a vestir de palhaço, sempre ao som da música enquanto elas estudavam fixamente a minha figura. Quando a música era agitada o palhaço assustava-se pelas expressões do corpo, quando a música era suave o palhaço oferecia um pouco de ternura dançando.
Que alegria ver vê-las sorrindo encantadas com o que digo e faço. Toda aquela sala era emoções sinceras, quando eu batia com a pandeireta na cabeça e me assustava era risada geral que ecoava dentro do meu peito provocando uma sensação de riso e choro em mim.
Quando me despi e voltei a mim peguei na caixa dos instrumentos e distribui-os por cada bébé, os seus entusiasmos eram do tamanho do mundo os seus olhos faiscavam ternura batendo com as clavas uma na outra imitando-me e com as pandeiretas, reco-recos, caixas chinesas, flautas que faziam o favor de explorar livremente os sons assim como brincarem com eles como se fossem bonecos. Um prazer enorme percorria-me a pele brincava com eles á música emitindo sons com a boca e ritmos com as mãos e passava dos sons, á linguagem não verbal e a seguir ás vozes de animais, que eles tanto gostam.
Olhei em frente, marcava 10.30h no relógio de parede. Disse á educadora: Está na minha hora. Arrumei os instrumentos na caixa e ela pôs-lhes a cantar e a gritar festas em minha honra e eles, incitados por ela, diziam-me
                    adeus cheiros de alegria nos olhos inocentes.
Quando a festa acalmou e eu ia a sair o Lucas começou a chorar, pois não queria que me fosse, tive de voltar atrás e dar-lhe um beijinho em sua face enquanto lhe pegava ao colo.
                                                                            Diogo Correia

sábado, 25 de outubro de 2014

A Short Lexicon of Mystery, by Walter Barbosa de Oliveira


Nota: O livro pode ser adquirido através de contacto direto com o autor pelo e-mail:  valtereg@oi.com.br



P R E F Á C I O 

Esta nova versão possui assim como a anterior, cinco capítulos, corrigidos conforme o Acordo ortográfico de 1990 adotado por Brasil e Portugal. Acrescentamos ainda, alguns fatos novos, úteis e pouco conhecidos, procurando mostrar aos nossos leitores, algumas falsas concepções que existem no dia-a-dia das pessoas no que se refere a Deus e ao Universo.

Muito se escreveu no passado e mais ainda em anos recentes sobre misticismo. Provavelmente este termo junto com revelações populares do misticismo moderno ou dos processos psíquicos do desenvolvimento espiritual, foi vulgarizado por pessoas que nada sabem a esse respeito. Em meu primeiro livro Aleph-É um Retorno para o Estado de Pureza Original, procurei demonstrar de maneira insatisfatória em comparação com a complexidade do assunto, que certos princípios sagrados dos ensinamentos místicos foram muito popularizados e vulgarizados por pessoas que jamais se deram ao trabalho de estudar detalhadamente aquilo sobre o que falaram. É importante que nossos leitores tenham em mente que pouco eles de fato sabem e o que sabem é incompleto, fragmentado e com certeza é mal interpretado, ao passo que este nosso testemunho, esclarece, suplementa e reforça nosso primeiro livro. Veremos que assuntos profundos como reencarnação e a Lei de Compensação, foram deturpados e incompreendidos, tornando-se Leis Cósmicas ridicularizadas. O mesmo acontecendo com temas como Mente Cósmica, maestria e os Mestres Invisíveis, sobre tudo isso, escreveu-se recentemente num modo tal que sou levado a pensar que os autores simplesmente extraíram o título de algum antigo manuscrito sem o terem lido e depois escreveram o que achavam que fosse uma explicação apropriada para o título. É, pois da maior importância que este livro seja estudado e assimilado tão profundamente quanto possível por todo aquele que aspire à vida espiritual superior, pois o contato da mente do leitor com a dos Grandes Mestres tem o efeito de produzir nos primeiros toda a expansão espiritual que for capaz conforme sua constituição congênita. A preparação para esse contato nem sempre precisa ser feita por meio duma organização, mas deve haver uma preparação definida.

Verificamos que grandes homens passaram muito tempo em preces, meditação e contemplação e que suas vidas eram sistematizadas. Não há dúvida de que seus períodos de leitura, estudo e reflexão foram disciplinados durante um tempo definido para que a Consciência Cósmica lhes adviesse (Iluminação). Técnicas de meditação ajudam os místicos a concentrar e focalizar sua mente... Aconselhamos ao Amigo Leitor que escolha para consulta a este livro, algum momento durante a semana à noite ou de dia em que possa estar livre de qualquer perturbação ou interrupção e que esteja descontraído, em silêncio e em paz com o mundo.


Saudações!

Walter Barbosa de Oliveira


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Livros d'África




WANDA RAMOS (1948 – 1998)



Esta escritora já não está fisicamente entre nós: deixou-nos em 1998. Nasceu no Dundo, província da Lunda Sul, em 1948. Filha de um funcionário da Diamang, por lá passou a infância. Depois de fazer o exame de admissão, em Malanje, viajou para Portugal onde frequentou os estudos secundários e universitários. Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa. Entre 1982 e 1984 pertenceu aos corpos gerentes da Associação Portuguesa de Escritores.

No início da década de 70 voltou a Angola acompanhando o marido, destacado em comissão militar. Foi então que aproveitou a experiência para recuperar as memórias da sua infância angolana. O resultado foi a publicação de um belíssimo livro a que chamou “PERCURSOS – DO LUACHIMO AO LUENA” publicado pela Editorial Presença. Com este trabalho ganhou o Prémio de Ficção da APE, em 1980. Em 1995 foi-lhe atribuído o Prémio Literário Cidade de Almada pela obra “Litoral (Ara Solis)”, publicado em 1991.

Em “Percursos – do Luachimo ao Luena”, uma obra a todos os títulos notável, ficam dorida e claramente expressas as relações humanas orientadas por um regime opressor e discriminatório. Porém, este livro, dada a sua grande riqueza e complexidade, não se consegue resumir: tem que ser avaliado no todo. DEVE ser lido e não apenas comentado. Para o comprovar extraí o que segue, onde, em tão poucas linhas, é dito tanto…

“(…) Primeira reminiscência
Vai ‘gora no mato, sinhora. Seu matumbo, vai no mato fazer o quê? Vai ver família, mulher lá, no mussôco. Tem ainda os minino, tirar saudade dele. Vai mas vem logo, tem serviço pra fazer, tem hoje visita.

Enchia-se amiúde o quintal de mulheres, traziam com elas os monas, panos garridos enrolados no corpo, carapinha basta, entrançada, ou tão-só sulcada a deixar ver o couro cabeludo esbranquiçado por entre os tufos densos e escuros, traziam também galinhas ou os ovos das galinhas delas para vender, vinham ver os homens delas: acocoradas no quintal, perto de alguma papaeira bem alta. Ladrava-lhes o cão-Ling, corria-lhes atrás, trepavam então de medo árvore acima. De chão de cimento encarnado, era grande a casa, varanda corrida a toda a frente, alpendre atrás. Havia o jardim, canas floríferas da altura de homem, floxes, petúnias, bocas-de-lobo, sécias. As que mais gostava. Regado tudo à tardinha, descido o sol de mil ardências sobre o sossego à hora crescendo, já quase noite, gostava então de ver o jardineiro ensopar a terra de água – sendo à vezes a mãe que o fazia. Ousou algumas vezes ainda pedir a mangueira, sempre lha recusaram, pequena que és, sabes lá tu como se rega um jardim, melhor era se fosses fazer os deveres e, além disso, dar confiança ao preto, pôr-se ele para aí a mangonhar.

Os deveres da escola: tabuada muito de cor, a geografia desse continente longínquo onde como podia lembrar-se de ter estado? – fora no puto não tinha ainda um ano, voltou tão-logo que não deu para conhecer. Só sabia dali, chuvadas torrenciais e a terra muito cheirosa depois delas, assustadoras trovoadas com os musseques a arder, as queimadas acarretando farripas de cinza e emporcalhando as cortinas, preciso era fechar as janelas todas; ou então, as imaginadas serpentes no cocuruto das mangueiras, soltavam-se sobre as pessoas para as matar, dizia-se. Geografia de um continente longínquo de cor, as serras todas, os rios de seguida, os caminhos-de-ferro sem hesitações, as províncias uma a uma. E os inúteis brinquedos que de lá vinham, mandados pela tia beata e solteirona, os avós, portadores de mundo desfasado, necessariamente mitificado nos servicinhos de plástico às florinhas, nas panelinhas de alumínio, nalgum tecido de mais rica textura ou estampado. Supostamente mais à moda, vestir a menina de folhos, organzas e cambraias por entre os calores e poeiradas africanas, laçarotes no cabelo, fitinhas de cetim – pois não era frustrante vesti-la somente com os tecidos de lá, tobralco, róbia, algum escasso pano importado das américas, que o outro mais ordinário empilhado nas prateleiras do único armazém era coisa para pretas porem à roda do corpo, e não havia ali diversidades nem concorrência? (…)”

Alguns de nós se recordarão destas infâncias…


Tomás Lima Coelho

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A Última Flor do Lácio






Cristiana Penna de Amaral
Título: Flor do Lácio
Técnica: Mista sobre tela
Data: 2014


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

(Olavo Bilac)


terça-feira, 21 de outubro de 2014

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

PENSAVERSANDO


NÓS VIAJANTES DAS ESTRELAS



Viajamos no espaço, 
No mar, 
No cimo das ondas. 
Cristais descobrimos, 
Vidas, suspiros. 
Somos espaço, 
Partículas de estrelas. 
Fechamos os olhos 
E o Universo dança à nossa volta. 
Um turbilhão de ideias, 
De passado, de culturas 
Atravessam-nos. 
Vivemos na Terra 
Com saudades do Espaço 
Voltamo-nos para o Céu 
E voltamos a ser partículas, 
Partículas de estrelas, 
E tornamo-nos oxigénio, 
E somos Vida

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (102)

Moinhos de Alburrica e Cerco
Autor: Kira
A Lua Azul me contou

A Lua Azul me contou
Que viu rostos galantes
Que os viu deslumbrantes
Em seu brilho de luz

A Lua Azul me contou
O segredo de amantes
Que iluminou por instantes
No pratear das paixões

A Lua Azul me contou
Que a energia captada
Foi então renovada
E disse aí que chorou

Que seu raio brilhante
Clareou por instante
Esses corpos ardentes
A pulsar corações

A Lua Azul me falou
“Volto logo mês de Maio
Só vou olhar de soslaio
Cada beijo molhado
Cada corpo tocado
Sob a luz dessa noite" 


Walmir Lima

Walmir Lima

domingo, 19 de outubro de 2014



MIRADOURO 39 / 2014
(à laia de continuação do Miradouro 38)


Para quê então tentar representar uma perfeição que se sabe não existir ou ser sequer possível?
Ninguém se prende pelo que não há, antes pelo que o toca, emociona e ilumina. Pelo que põe os olhos a brilhar e motiva.
Pelo que alimenta a combustão interna e o calor no peito, garante do conforto e recompensa maiores.
O resto é ilusão, alienação, despropósito.
O que há que procurar é o propósito e vontade de ser (tornar-se) melhor ainda que, para isso, em cada chegada, se tenha de novo que partir.
Ou nunca sequer chegar e ser, assim, um eterno viajante de si, em si e por si.
E se nunca ninguém se revela na totalidade, se nunca em nada tudo é transparente e revelado, que à imagem das fisionomias (visíveis e reconhecidas porque exteriores), o que do dentro se abra e revele possa reflectir e corresponder ao pulsar profundo do sentido e do pensado para que cada um possa saber com o que pode contar.
Não se pense em pretensão doutrinária ou evangelizadora. Não! Apenas a manifestação de algo em que se acredita.
Antes e apenas o propósito de poder justificar e merecer a possibilidade do que em cada um se esboça de único e irrepetível.
Enquanto pólo mobilizador de uma comunidade que se deseja livre, diversificada e plural mas activa e solidária.
Apesar das diferenças, será por aí que nos encontraremos (ou não) na construção de realidades mais gratificantes e dignificantes para todos.
O resto, serão apenas coisas que se dizem.

Manuel João Croca 


Foto de Edgar Cantante

sábado, 18 de outubro de 2014

Rosa Vermelha e Branca de Neve





Rosa Vermelha e Branca de Neve

60X60

Acrílico

Carola Justo

2013

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Figo-da-índia


por Miguel Boieiro

Quando a Sociedade Portuguesa de Naturalogia comemorou o seu 95º aniversário, como habitualmente, a festa terminou com um jantar de gala vegetariano no qual participaram cerca de meia centena de comensais.

Nestes jantares ou almoços festivos que se realizam, em média, um em cada estação do ano, é costume inovar gastronomicamente com o uso de produtos vegetais que se encontram hoje um pouco esquecidos, face ao imediatismo dos prés cozinhados artificiais que abundam nas grandes “catedrais” consumistas.
Ora, uma das novidades, foi a apresentação de um magnífico sumo de figo-da-índia, como excelsa bebida para acompanhar a refeição. Na realidade, quase se tratou de uma aventura, pois não sabíamos bem se iria dar certo; todavia, o resultado foi espetacular e todos gabaram a saborosa bebida de tonalidade verde clara.
É certo que os bons eventos começam sempre por ideias criativas, mas a vera dificuldade é passá-las à prática. De facto, descobrir onde se encontravam os melhores cactos, colher os frutos, retirar-lhes a polpa, liquefazê-los, separar as sementes e engarrafar a bebida de forma a ficar em condições na altura do repasto, foi tarefa muito demorada e espinhosa (na acepção dupla do termo).  

A figueira-da-índia ou Opuntia ficus-indica é uma Cactácea subtropical, originária do México que se naturalizou em várias regiões do mundo, especialmente na bacia mediterrânica. Gosta de climas amenos e quentes, solos bem drenados e tolera bem terrenos áridos com baixa fertilidade, como aliás, todos os cactos.
A planta é perene e arbustiva, podendo atingir cinco metros de altura. É destituída de folhas, embora os caules ramificados formem parras carnudas que se assemelham a folhas com a configuração de raquetes.
As flores, hermafroditas, de um amarelo vivo, aparecem na borda dessas pseudo folhas e os frutos, com formato oval (parecem pequenos barris), amadurecem por volta de cem dias após a floração.
Os figos começam por ser verdes e à medida que vão amadurecendo, ganham uma tonalidade amarelada e até levemente alaranjada. Cada unidade chega a alcançar o peso de 220 gramas.
Na morfologia da planta falta referir o mais desagradável que são os espinhos. Quer as “folhas”, quer os frutos, são providos de duas espécies de espinhos, uns muito duros e longos e outros mais pequenos, sedosos, quase invisíveis. Principalmente estes últimos causam intensos dissabores porque se introduzem na nossa pele e é muito difícil retirá-los. Com a prática, adquire-se uma técnica própria para os manusear com os cuidados devidos.

A planta tem várias aplicações úteis. Destacamos as seguintes:
- Formação de sebes protectoras das propriedades;
- Mecanismo natural contra a erosão dos solos e retenção da humidade;
- Ornamentação de espaços verdes;
- Usos industriais: Corantes naturais extraídos dos frutos ou base para criação de cochonilhas (corante vermelho), produção de mucilagens, artigos de beleza (óleo), etc.;
- Alimentação de animais, especialmente em climas áridos no que respeita às “folhas” e aos frutos, depois de retirados os picos, obviamente;
- Alimentação humana: os mexicanos comem as chamadas raquetes jovens, em sopas, em pickles, ou mesmo assadas (possuem um sabor que lembra o do feijão verde).
 - Há também quem utilize as sementes moídas para fazer uma farinha que misturada com a dos cereais, dá para fazer pão muito fortificante.
- De resto, as sementes são oleaginosas e proporcionam um óleo de alta qualidade que pode ser usado em cosmética e para fins medicinais.

Os frutos podem consumir-se frescos ou secos, em sumo, geleias ou xaropes.
As folhas cortadas longitudinalmente, barradas nas partes internas com mel e dependuradas, ficam a escorrer, durante 24 horas, uma substância xaroposa que é muito eficaz para a tosse e os males da garganta. Podem também ser utilizadas em cataplasmas para inflamações cutâneas.
Finalmente convém mencionar mais algumas das propriedades desta valiosa planta medicinal:
Os figos são riquíssimos em vitamina C, provitamina A, cálcio, magnésio, potássio, fósforo e açúcares redutores não cristalizáveis.

Em medicina natural e popular, há imensas indicações, de que se salienta a prevenção da asma, as anginas, os vermes intestinais, os problemas da próstata, as dores reumáticas, a diarreia, as doenças da pele, os males do fígado, o escorbuto, etc.


ALMOÇO COMEMORATIVO DO 102º ANIVERSÁRIO
SOCIEDADE PORTUGUESA DE NATURALOGIA


19 de outubro de 2014 (domingo), às 13:30 h
Rua João de Meneses, nº 1


EMENTA:

- Tostas com espargos silvestres
- Puré de abóbora-menina, acelgas marítimas e outras hortaliças silvestres espontâneas
- Cuscuz com cachupa vegetariana
- Salada de alface, tomate, cenoura e algas Porphira umbillicalis
- Marmelo cozido com sua geleia
- Bolo de aniversário
- Suco de cenoura
- Suco de figo-da-índia
- Infusão de erva-príncipe
- Água aromatizada com Menta piperita

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Poemas que se encontram



ESPELHAR

O ângulo
espelhado
demonstra o corpo
                 em olhos
                  dispostos
                  ao encontro
                  embaçado: a vida
                  retira da imagem
                  o reencontro
                                           despista
                            o sonho no reflexo dispensado.

(Pedro Du Bois, inédito)



DA OUTRA VEZ O POEMA

(escrita automática a um repto amigo)

escorrem de palavras e cores
o rio dos paus, o mel
das tâmaras e das câmaras
a careca do palhaço e os
dançarinos em bicos de pés
nas palmeiras do jardim
no sítio onde o rei fez um ninho azul

a delicadeza
cor de turquesa, a vitória
que se senta em cima da dor,
e o bolor.

Luís Santos

quarta-feira, 15 de outubro de 2014




Uma fonte de água fresca sob o olhar de uma santa e uma chuva de luz.

Lucas Rosa


terça-feira, 14 de outubro de 2014

FANTASIANA E OUTROS LUGARES

UM CHAPÉU ONDA

Queria ser como o Principezinho que sabia desenhar elefantes dentro de jiboias! Mas ele só sabia desenhar chapéus com abas muito largas, à cowboy! 
Um dia, estava ele na praia, junto ao mar, quando veio uma onda que se ergueu no ar e ficou com a forma dos chapéus que ele desenhava. 
Então, voltou para casa, pegou numa folha branca e num lápis e resolveu colocar ali a onda parecida com os seus chapéus! Ficou linda... com salpicos e tudo! 
Foi logo perguntar aos adultos o que seria o seu desenho. 
- Sabem o que desenhei? 
- Sim, já sabemos! Um jiboia que engoliu um elefante! 
- Não, não! Isso é no Principezinho! Eu desenhei uma onda gigante! É verdade que parece um chapéu, mas mexicano, com berloques e tudo! 
Por fim exclamou: os adultos não percebem nada de desenhos!