"Firme, forte, bem enraizada, a última azinheira e a sua dríade ou Espírito da Natureza, qual Deusa Mãe Terra, saúda-nos e pede-nos para defendermos mais as árvores, em especial as mais velhas, raras e sagradas..." (Pedro Teixeira da Mota)



segunda-feira, 6 de julho de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL ... (139)

Persistência da Memória, Salvador Dali, 1931
Óleo sobre Tela, 24x33cm

MÃOS

um pedaço de água se faz gelo e procura o frio
fecham-se as horas

a lua brilha e desvenda uma luz refletida de mim 
o instante, parado, sussurra segredos

sozinhas 
as palavras caem e vêm morar na quietude suspensa do mar
desnudadas ficam
como silêncios noturnos vestidos de gritos gelados

abertas as horas
o dia veste-se de azul e as palavras correm mais cedo

chegas afinal 
e as mãos
apenas as tuas mãos 
as sabem agarrar


Maria Teresa Bondoso

3 comentários:

estudo geral disse...

Nunca fui muito sensível ao Dali mas, como as palavras às vezes ganham uma dimensão mágica, com a ajuda da Teresa parece que tudo faz mais sentido,fica mais certo, a gente aprende a gostar e acaba a indiferença.
A conjunção é perfeita e, como tal, num único post apreciamos três artistas.

Abraços.

Manuel João Croca

Teresa Bondoso disse...

... e a memória persiste...

estudo geral disse...

MJC e TB: As minhas memórias vão-se atafulhando num sótão em que o pó vai pousando, deixando-as cada vez mais vulneráveis.

No entanto, este maldito pó não consegue atenuar as mais antigas...

É onde eu noto a persistência da memória!

Abreijos,
António