De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Três Girassóis, António Tapadinhas, 1997, Óleo Sobre Tela, 50x40 cm

O SOL

Desde sempre presente na memória das árvores
nas translações que impulsionam sem imposições,
aqueces os ninhos onde sonham
os pássaros que irão colorir os ares
e animar com seus gorjeios
aqueles que há muito deixaram de sorrir.
És o suor da campina do pão
na minha mesa, do vinho no meu copo.
Canta Sol, senhor do mundo
e traz contigo a claridade da razão
tirar a amizade da vida é,
tirar o Sol do universo.
A vida com Sol é bom gozá-la
mas sem Sol não vale a pena ignorá-la.
O mesmo Sol que arrasta planetas no seu caminho,
amadurece com delicadeza um cacho de uvas em Setembro
acaricia as flores de Maio
embala os amantes no seu regaço acolhedor.
O Sol, é claro, está lá sempre
os outros, chegam cada um a seu tempo.

II Poema Colectivo escrito em 5 de Junho de 2015, por ocasião do III Cenáculo - Tertúlia Poética do CACAV.

Selecção de António Tapadinhas

2 comentários:

luis santos disse...


A pintura é muito bonita e sempre faz lembrar os outros girassóis...
Traz-me também à memória o poema de Haroldo de Campos musicado por esse extraordinário músico da MPB Caetano Veloso e com arranjo musical do não menos brilhante Maestro Jaques Morlembaum e seu violoncelo mágico. Aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=u0g6NGq5jAY
E que venham mais tertúlias poéticas!
Abraço.

A.Tapadinhas disse...

luis santos:
Faz cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre
Que me ensinou já não dá ensinamento...

Pois que venham nais... com a tua presença. O Sol e os girassois teriam mais cor.

Abraço,
António