“Nascer não é uma fatalidade, mas uma escolha pré-consciente, daquela consciência que se perde quando se voa do céu para a Terra, como dizia Platão.”

(Agostinho da Silva, Vida Conversável, p.14)


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

d´Arte - Conversas na Galeria LVII


Guarita Autor António Tapadinhas
Óleo sobre tela 70x90cm

Já falei na beleza da travessia do Tejo numa daquelas embarcações a que chamamos cacilheiros porque fazem a viagem para Cacilhas. Julgo que pouca gente saberá donde deriva este nome. Conta a lenda, que no actual largo, estacionavam muitos burros esperando o desembarque dos passageiros interessados em fazer um passeio turístico por Almada. Quando angariava um cliente o dono do burro gritava ao seu ajudante “dá cá cilhas” para aparelhar o burro para o serviço. E assim terá nascido o nome Cacilhas.
Achei interessante o contraste entre a guarita abandonada e o elevador panorâmico da Boca do Vento (na altura em construção), que permite subir uma colina de 50 metros, sem nenhum esforço, para ver um soberbo panorama de Lisboa, a cidade das sete colinas. Era um dos locais onde eu ia à pesca antes das obras que transformaram o local numa zona ajardinada à flor da água, com restaurantes e esplanadas, para turistas.
O curioso sobre este quadro é que foi comprado por um espanhol e roubado ao seu proprietário no aeroporto de Barcelona.
Não sei se será de colocar no meu currículo: Já me roubaram um quadro!

4 comentários:

luis santos disse...

Cacilhas, de forma automática, faz-nos lembrar os tempos em que de lá, depois do cacilheiro, apanhávamos o autocarro para Sesimbra para nos juntarmos ao Mar.

Muito engraçada a origem do nome da terra.

Já sobre a pintura, continuamos a gostamos mais de a ver ampliada, porque nos permite uma observação mais pormenorizada.

Abraço.

Luís F. de A. Gomes disse...

Mas isso para não contar com o que te estão levando não em quadros mas em rendimentos e saúde e escola para o teu neto que a justiça, essa, já nem vale a pena falar.

Mas a isso resiste esta tua pintura que provavelmente andará, por aí, valorizada pelo zelo comercial de um larápio que se apercebeu ter aí matéria de facturação extra e vai de ganhar mais um mês de vida a custo zero. Ou, será outra hipótese, estará agora no horizonte de admiração de um larápio que gosta de embelezar a casa onde vive.

Em qualquer dos casos, fazendo jus ao quadro que pintaste, no qual o cotovelo de onde se avista Lisboa, dá o espectáculo de querer cair no amparo de um céu que se fez de mar.

Pelo que podemos concluir até certas vozes chegam ao alto.
Nós, os espoliados, deveríamos ter isso em conta.

As coisas que um nome e uma pintura podem dar...

Aquele abraço, companheiro
Luís

A.Tapadinhas disse...

Eu lembro-me de quão difícil era chegar a Sesimbra.

Nasci e vivi em Pinhal Novo, o meu centro do mundo. Para os caramelos, qualquer terra estava próxima, desde que fosse servida pelo comboio. Para chegar a Sesimbra era um castigo: comboio até Setúbal e depois procurar uma camioneta que fizesse carreira para lá, e os horários, e o custo, e o tempo... Havia quem preferisse ir até Lisboa, fazer o cacilheiro e apanhar a carreira para Sesimbra. Certas terras ficavam, mesmo, no cu de Judas!

Ah! e ainda havia a hipótese de apanhar uma boleia... Os poucos que tinham automóvel eram pessoas respeitáveis...

Abraço,
Antónnio

A.Tapadinhas disse...

Luís F. Gomes: Este mês tive uma grande alegria, que me impede de falar de injustiças daqueles que cuidam dos nossos destinos. hehehe

Dá-se o caso de ter recebido da Segurança Social a habitual carta em que confirmam que vou receber os 150€ que me foram atribuidos por ser um antigo combatente em condição especial de dificuldade e perigo. Estou no escalão mais elevado porque ultrapassei os 25 meses de serviço nessas condições.

E pagaram! Fiquei muito admirado, porque, depois de ter dito que pagava, o ministro Crato, afinal não paga os 500€ de bolsa aos melhores alunos, numa prova que a matemática e a ética não são compatíveis. -Querias 500€ ó rato de biblioteca, ó caixa-de-óculos, para quê? Para gastar tudo em livros, seu marrão?

A mim já pagaram os 150€. Devem ter pensado que ainda há gajos cacimbados e que mais valia não comprarem mais essa guerra. Os antigos combatentes sabem mexer em armas e os melhores alunos só mexem em livros, não é srs. ministros?

Sabes o que é de gargalhada nisto tudo? É que eu fiquei muito feliz quando me informaram que ia passar a receber 150€. Durante uns dias andei nas nuvens a pensar no substancial aumento da minha reforma que me iria permitir comprar mais uns livros de Arte e umas tintas especiais, caríssimas, que gostaria de experimentar...

Uns dias... até que me apercebi que não eram 150€ por mês...

Obrigadinho sr. ministro dos Negócios Estrangeiros!

Abraço,
António

PS Acho que está um comentário interessante. Vou pensar se o devo publicar em "O RIO". Título: Carta a um Amigo