sábado, 27 de novembro de 2010

Um artista ouro-pretano

Ouro Preto
Foto fonte: Revista: Diálogo Médico (Ouro Preto, jan/1992)



Em 18 de novembro de 1814, numa modesta casa de Ouro Preto, encima de um pobre estrado de madeira, expirava Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Andar por Ouro Preto, a antiga Vila Rica, é subir e descer ladeiras, é ficar com torcicolo de tanto olhar para cima e para baixo as suas belas moradias e ricas igrejas dos tempos do Brasil Colônia. Tombada em 1981 Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, a cidade possui o maior acervo de obras sacras barrocas do mundo. Calçadas por pedras pé-de-moleque, ruas e becos guardam histórias, lendas e segredos dos inconfidentes. Casas ricas ou pobres, geminadas, testemunhas de vidas e mortes, todas conservadas pela necessidade histórica de preservá-las para o turismo ou para o grande número de estudantes, que povoa a cidade no tempo das atividades escolares, na preparação para cursos universitários em Farmácia, Geologia e Mineralogia que lá têm base.

A cidade das ladeiras, fundada pelos bandeirantes paulistas, é um misto de passado e presente, bem dosado, onde se encontra um espaço para toda a gente. Após um dia inteiro percorrendo o patrimônio histórico e comércio, lojas de pedras e de produtos artesanais, nada como um banho relaxante numa hospedaria tranqüila e aconchegante do lugar. Ao jantar, apreciar um frango caipira “de molho” com quiabo e arroz branquinho, ou bom prato de feijão tropeiro, com couve mineira bem fininha refogada na manteiga e costelinha frita... mas só para quem não tem problemas com a dieta! A sobremesa, para horror dos franceses e delícia dos mineiros, poderá ser um Romeu e Julieta (goiabada com queijo frescal), ou talvez um pudim de leite !

Para quem é jovem e gosta de agito, as praças principais oferecem chope gelado, mandioquinha frita como tira-gosto, música moderna. Para os românticos que apreciam um local antigo, tradicional, intimista, onde ao som das cantigas tradicionais, dolentes, acompanhadas pela viola, serve-se a garapinha ou a purinha... sempre quente. Depois, lá pelas altas horas, um escaldado de frango, um caldo de feijão ou de mocotó, fumegantes, para rebater o frio da madrugada. Assim é hoje a terra do mais famoso artista da arte sacra barroca brasileira, filho do mestre de obras português, Manuel Francisco Lisboa e de sua escrava africana Isabel, o Aleijadinho.

Os historiadores não chegaram a um consenso, se Antonio Francisco nasceu em 1730 ou 1738, como leva a crer o atestado de óbito, que diz ter morrido a 18 de novembro de 1814 aos 76 anos de idade. O que se sabe ao certo, é que cresceu num ambiente colonial onde a influencia religiosa era marcante e onipresente. Em Vila Rica, a Igreja recebia parte do ouro descoberto e o empregava em construções, reformas e embelezamento dos templos. Ela era a maior empregadora de pedreiros, marceneiros, mestres de obras e artista da época. Nas fachadas, altares, tetos, frontispícios, a arquitetura, o entalhe e as pinturas das igrejas guardaram a arte sacra barroca mineira para a posteridade. “Deus é detalhe” disse Guimarães Rosa, Aleijadinho mostrou-O em sua obra.

Da juventude desse mineiro iluminado pouco se sabe, porém seus trabalhos mais conhecidos ( Os doze profetas e Os passos da Paixão) foram executados quando já estava velho ( mais de 60 anos ) e doente. Aleijadinho sabia ler e escrever. Com o pai e tio aprendeu os primeiros desenhos, a projetar, a fazer as primeiras esculturas. Na casa de Fundição de Vila Rica, com João Gomes Batista prosseguiu seus estudos. Com os entalhadores Francisco Xavier de Brito e José Coelho de Noronha aprimorou o entalhe.

A Fonte do Padre Faria, em Ouro Preto, as imagens São Simão de Stock, São João da Cruz , em Sabará, e muitas das suas obras estão espalhadas pelas históricas cidades mineiras. Os três anjinhos bochechudos formando um triangulo, talvez sejam a impressão, a marca registrada de sua autoria, em tantas outras obras.

O capricho, o requinte do detalhe, a alta expressividade de seus personagens valeram-lhe fama, encomendas de muitos trabalhos e dinheiro que nunca soube administrar. Mesmo vitima de um mal que o deformava e que pouco a pouco o incapacitava, destruindo articulações e comendo-lhe dedos e artelhos, fazia com que seus escravos ( dois) o carregassem, amarrassem o cinzel e o martelo às mãos e atassem uma joelheira de couro, para que de joelhos pudesse trabalhar. Dizem que saía à noite montado num cavalo, enrolado numa capa escura para esconder sua triste figura dos olhares indiscretos.

Em 1812, já quase cego e inválido, foi morar com Joana Lopes, sua nora, que cuidou dele até o final de seus dias, em 18 de novembro de 1814, pobre e esquecido pela comunidade.

Antonio Francisco Lisboa, um luso-afro descendente, nasceu e morreu numa região de Minas Gerais onde a montanhas e a natureza que as circunda nada tem de exuberante, só o ouro que, brotado das suas entranhas, arreganhou a cobiça dos homens, abriu e enfeitou cidades, e sob a inspiração divina encontrou no gênio criativo de um homem a sua maior expressão de arte e beleza.
Suposto retrato póstumo de Aleijadinho, realizado por Euclásio Ventura no século XIX. Fonte : Wikipédia, enciclopédia livre

Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 18 de novembro 2010-11-18

Dados:
-Diálogo Médico ( jan/1992) Ouro Preto
-Enciclopédia Delta Universal
-Wikipédia

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Paulo Borges na ESE de Setúbal


Para ampliar clique na imagem e, depois, volte a clicar.
Luis Santos

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

d´Arte – Conversas na Galeria XIII


D. Quixote Autor António Tapadinhas
Óleo sobre tela 80x100cm

Foi há quatrocentos e dois anos que saiu a primeira edição do livro El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha – quatro séculos de influência na cultura do mundo moderno. Tanto tempo decorrido e continua a fazer falta o nosso herói: “Vou a castigar insolentes e a endireitar tortos”.
Com esta minha obra aconteceu um facto estranho.
No segundo dia da exposição, já perto da hora do fecho, passei pela galeria para saber das impressões do público. Qual não é o meu espanto quando vejo, no sítio onde devia estar a obra, um letreiro a dizer vendido. Tinha dado instruções para que todas as obras ficassem em exposição, e só no final deveriam ser entregues aos eventuais compradores. Perguntei à encarregada da galeria o que se tinha passado. “Muito simples – disse ela – uma senhora nova, muito bonita e elegante (não são todas?), tinha de apanhar o avião para Buenos Aires e queria levar o quadro. Depois de pensar o que devia fazer, disse que o entregava mas exigi que me pagasse em dinheiro. Ela disse que sim, foi ao Banco ali ao lado e deu-me o dinheiro todo. Saiu toda contente”.
Quem não ficou muito feliz com a história fui eu. Até hoje não sei onde para esta obra. Refiro o caso porque (quem sabe?) pode dar-se a coincidência do meu blogue ser visitado pela pessoa que o comprou e contactar-me. Seria uma grande alegria reencontrá-lo.
Disse Woody Allen: “Por que Deus não fala comigo? Se Ele pelo menos tossisse”.
Quixotesco, não acham?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Filosofia e Saudade

8. Sampaio Bruno (1857-1915)

Nós vivemos num mundo, onde se parte do Mal, da fealdade, do erro. O pecado original é de Deus, não do homem. Existência é dor, padecimento. Estado normal é doença.

A Saudade é o movimento em que tudo participa para uma reabsorção em Deus. A partir de uma diferenciação inicial, há sempre desejo de regresso. A vontade de viver destina-se ao regresso à consciência pura, à unidade primordial.

Adepto de um vegetarianismo que pudesse até poupar as plantas - alimentção química. Não matar para viver. As alterações psico-fisiológicas trariam um Super-Homem no futuro.

O Homem está no mundo para procurar a evolução de si e de todas as coisas. A alma embora não se possa conhecer plenamente, sempre se pode ir conhecendo mais um pouco.

Crítico de todas as ideias antropocêntricas, não vê a Humanidade como o fim último da criação

Luis Santos

Referência Bibliográfica:
- Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
- Sampaio Bruno, A Ideia de Deus, 1902

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Greve Geral

24 de Novembro é dia de Greve Geral. Sim, façamos Greve Geral. Paralisemos todas as nossas actividades, como protesto contra um país mal organizado, mal governado, eticamente decadente e social e economicamente injusto, cada vez mais vergado à grande finança internacional, à ganância dos especuladores e ao consequente desprezo pelas necessidades básicas da população. Paremos totalmente, como protesto contra um país refém dos grandes grupos e potências económico-financeiras em todas as áreas, do trabalho à saúde, educação e política.

Façamos pois Greve Geral, em protesto contra todos os governos e oposições que, não só agora, mas desde a fundação de Portugal, contribuíram para o estado em que estamos. Todavia, façamos Greve Geral sobretudo em protesto contra nós próprios, que maioritariamente votamos sempre nos mesmos ou nos abstemos de votar e, principalmente, de criar alternativas à classe política e aos partidos em que desde há muito não acreditamos. Façamos Greve Geral, sim, mas também à nossa passividade e conformismo cívicos, à nossa preguiça e indolência, à nossa tremenda indiferença. Façamos Greve Geral ao nosso hábito inveterado de criticar tudo e todos e nada fazer, ficando sempre à espera que alguém faça, que os outros resolvam, que D. Sebastião apareça. Façamos Greve Geral à ideia de que basta fazer um dia de Greve Geral exterior, em prol de mudanças sociais, económicas e políticas, deixando tudo igual nos outros dias e dentro de cada um de nós. Sim, façamos definitivamente Greve Geral à demissão de sermos desde já, sempre e cada vez mais a diferença que queremos ver no mundo, em todas as frentes, sem exclusão de nenhuma: espiritual, cultural, ética, social, económica e política.

Façamos pois Greve Geral à nossa cumplicidade com o rumo de uma civilização que caminha aceleradamente para a sua perda, à nossa colaboração com a ganância e futilidade da hiperprodução e do hiperconsumo que violam a natureza e instrumentalizam e escravizam os seres vivos, homens e animais, em nome de um progresso e de um bem-estar que é sempre apenas o de uma pequena minoria de senhores do mundo. Façamos Greve Geral à intoxicação quotidiana de uma comunicação social que só deixa passar a versão da realidade que interessa aos vários poderes e contrapoderes. Façamos Greve Geral à imbecilização colectiva de muitos programas de televisão e seus outros avatares informáticos, que nos deixam pregados no sofá e nos ecrãs quando há crianças a morrer de fome, mulheres apedrejadas até à morte, velhos abandonados, defensores dos direitos humanos torturados e a apodrecer nas prisões, trabalhadores explorados, povos vítimas de agressão militar e genocídio, animais produzidos em série para os nossos pratos e a agonizar nos canis, matadouros, laboratórios e arenas, a natureza e o planeta a serem devastados… Façamos Greve Geral a todas as nossas ilusões e distracções, a todo o fazer de conta, a toda a conversa fútil no café, telemóvel, blogues e facebook, a todo o voltar a cara para o lado ante a realidade profunda das coisas e toda a nossa hipócrita cumplicidade com o que mais criticamos e condenamos.

Sim, e sobretudo façamos Greve Geral à raiz de tudo isso, a todos os nossos pensamentos, emoções, palavras e acções iludidos, inúteis e nocivos a nós e a todos. Greve Geral a todos os juízos e opiniões que visam sempre autopromover-nos em detrimento dos outros. Greve Geral a colocarmo-nos sempre em primeiro lugar, a nós e aos “nossos”, familiares, amigos, membros da mesma nação, clube, partido, religião ou espécie, em detrimento dos “outros”, sempre a menorizar, desprezar, combater, dominar ou abater. Pois façamos Greve Geral, total e radical, não só um dia, mas para sempre, a toda a ignorância dualista, apego e aversão e à sua combinação em todo o egocentrismo, possessividade, orgulho, inveja e ciúme, avareza e avidez, ódio e cólera, preguiça e torpor. Paremos para sempre de produzir e consumir isto, cessemos de poluir mental e emocionalmente o planeta e deixemos espaço para que em nós floresça e frutifique a sabedoria, o amor, a compaixão imparciais e incondicionais, a paz e a alegria profundas e duradouras.

Façamos Greve Geral, agora e para sempre! E deixemo-nos contaminar pela Revolução doce e silenciosa de uma mente desperta e sensível ao Bem de todos os seres sencientes, que nada pense, diga e faça que não o vise, a cada instante, seja em que esfera for, também na economia e na política. Desta Greve Geral saem um Homem e um Mundo Novos.

Paulo Borges
23.11.2010

Insónia Pontual

O relógio bate as três,
E o tic-tac alheio do mundo continua.
A prova de vida arrasa a loucura
E o homem de si permanece seguro.

A vela arde e a noite perdura,
Origem eterna de todas as coisas.
De além são os sonhos surgindo tontura,
Esperando á janela o dia que vem.

Diogo Correia

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VALE MAIS PREVENIR...

Por mero acaso, passei nesta pequena localidade entre o Pinhão e S. João da Pesqueira, no Alto Douro Vinhateiro.
Com a crise reinante, acredito que, muito em breve, este será um local de grandes peregrinações...
À cautela, registei o local.
Nunca se sabe o dia de amanhã!


Manuel Henrique Figueira

domingo, 21 de novembro de 2010

Partes de Um

As formigas e as abelhas são uma boa metáfora para percebermos que tudo faz parte de uma unidade. Quando observamos quer abelhas, quer formigas, vemos apenas uma, mas isto não corresponde à realidade destes seres. Mais do que qualquer outra espécie, abelhas e formigas trabalham como partes de um todo. Elas não podem, nem sobrevivem individualmente; sobrevivem como membros de um grupo e a sobrevivência do grupo é o objectivo de cada vida individual. Não existe o conceito de vida fora do grupo, por isso, usar o mundo de forma individual não faz qualquer sentido para estes seres.

Ao contrário, frequentemente os humanos valorizam fortemente a individualidade associando negativamente a forma de organização das abelhas e formigas a falta de independência. No entanto, se observarmos bem de perto a vida destes animais, poderemos aprender diversas e valiosas lições de como poderíamos obter resultados muito positivos se nos ligássemos e trabalhássemos juntos na obtenção de um objectivo maior.

A maioria das abelhas e formigas têm papéis específicos dentro das suas comunidades e trabalham dentro dos limites das suas possibilidades sem queixumes e nunca desejando ser mais do que aquilo que são! Elas simbolizam, assim, o auto-conhecimento e a humildade. Também simbolizam o espírito de serviço desinteressado uma vez que trabalham para o bem comum. De uma certa forma, fazem-me lembrar as células do nosso corpo, vivendo e morrendo quando necessário para preservar a integridade de todo o corpo, não se protegendo individualmente.

Neste sentido, abelhas e formigas simbolizam a capacidade de ver para além do “pequeno ego”, de vermo-nos como indivíduos fazendo parte de um grande Todo e igualmente a capacidade de servir o Todo sem egoísmo.

Abelhas e formigas podem inspirar-nos sobre: quem somos?, o que fazemos nesta vida?, qual o nosso papel em cada dia da nossa existência?, como servimos e beneficiamos o todo e a humanidade no nosso dia a dia?, etc….

Poderemos ainda pensar que se agirmos como estes seres que trabalham em verdadeira unidade para bem do grupo, podemos aumentar a nossa consciência sobre questões ambientais, alimentando os famintos ou tornando uma criança feliz! Cada um de nós nasceu com determinados talentos. Quando estamos conscientes deles e os aplicamos, sabendo que somos apenas parte de uma grande unidade, podemos sem dar por isso e sem grande esforço contribuir para um mundo melhor, honrando a sabedoria das abelhas e das formigas!

Paula Soveral
tlm: 93.6423440
www.paulasoveral.net

sábado, 20 de novembro de 2010

Vidas Lusófonas

RODRIGUES LAPA e
CARVALHO CALERO
http://www.vidaslusofonas.pt/calero.htm
um português e um galego,
velha amizade...

Por sugestão de Carlos Loures
ambos sobem até
VIDAS LUSÓFONAS
http://www.vidaslusofonas.pt/
onde já moram 136.

Naquela casa
tudo está a acontecer,
cada vida / cada conto.

Por isso já recebeu
mais de 21,1 milhões de visitas

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Crioulinha..."

Rubem Alves*


As palavras são a carne do
mundo; não podem ser
substituídas por outras,
ainda que mais verdadeiras



UMA DAS MEMÓRIAS felizes que tenho de minha infância me leva de volta à escola. Eu estava no terceiro ano primário. Era a aula de leitura. Não, não era aula em que líamos para a professora ouvir e corrigir. Ao contrário, era a professora que lia para nos deliciar. Foi assim que aprendi a amar os livros. Não aprendi com a gramática.
Dizem que os jovens não gostam de ler. Mas como poderiam amar a leitura se não houvesse alguém que lesse para eles? Aprende-se o prazer da leitura da mesma forma como se aprende o prazer da música: ouvindo. A leitura da professora era música para nós.
A professora lia e nós nos sentíamos magicamente transportados para um mundo maravilhoso, cheio de entidades encantadas. O silêncio era total. E era uma tristeza quando a professora fechava o livro. "O Saci", "Viagem ao Céu", "Caçadas de Pedrinho", "Reinações de Narizinho". Esses eram os nomes de algumas das músicas que ela interpretava. E o nome do compositor era Monteiro Lobato.
Mas agora as autoridades especializadas em descobrir as ideologias escondidas no vão das palavras descobriram que, por detrás das palavras inocentes, havia palavras que não podiam ser ditas. Monteiro Lobato ensina racismo. E apresentam como prova as coisas que ele dizia da negra Tia Anastácia...
A descoberta exigia providências. Era preciso proibir as palavras racistas. Monteiro Lobato não mais pode frequentar as escolas...
Assustei-me. Senti-me ameaçado. Fiquei com medo de que me descobrissem racista também. Tantas palavras proibidas eu já disse.
É preciso explicar. Naqueles tempos, tempos ainda com cheiro da escravidão, havia um costume... As famílias negras pobres com muitos filhos, sem recursos para sustentá-los, ofereciam às famílias abastadas, brancas, para serem criados e para trabalhar. Assim era a vida. Foi assim na minha casa. Veio morar conosco uma meninota de uns dez anos, a Astolfina, apelidada de Tofa. Escrevi sobre ela no meu livro de memórias "O Velho que Acordou Menino". Cuidou de mim, dos meus irmãos, e morou conosco até se casar. Acontece que, ao contar sobre ela, eu usei uma palavra que fazia parte daquele mundo: "crioulinha". Era assim que se falava porque essa era a palavra que fazia parte daquele mundo. Imaginem que, obediente à "linguagem politicamente correta", eu, hoje, tivesse escrito no meu livro "uma jovem de ascendência afro"... Não. Esse não era o mundo em que a Astolfina viveu.
As palavras são a carne do mundo. Não podem ser substituídas por outras, ainda que mais verdadeiras, ainda que sinônimas. É preciso dizê-las como foram ditas para que o mundo que foi fique vivo novamente. A história se faz com palavras que faziam parte da vida. Aí, então, se pode explicar, como nota de rodapé: "Era assim. Não é mais...".
Estou com medo de que as ditas autoridades descubram que usei a palavra racista "crioulinha" para me referir àquilo que, hoje, seria "uma jovem de ascendência afro".
Estou, assim, tomando minhas providências. Para que não coloquem meu livro no "Índex" vou apagar a palavra "crioulinha" do texto e, sempre que precisar me referir à Tofa, direi que ela era uma governanta suíça e ruiva, uniformizada de branco e touca, para evitar que fios de cabelo caíssem na comida... Assim, meu livro purificado do racismo poderá frequentar as escolas...


* Rubem Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

d´Arte – Conversas na Galeria XII


Contraluz Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 50x50cm
(clique sobre a imagem)

O título foi dado a esta obra, na mesma semana em que se estreou o primeiro filme feito por um português, em Hollywood. Pode ler-se na respectiva sinopse: “Várias pessoas sem ligação entre si estão em situações de extremo desespero quando algo inesperado acontece que irá mudar radicalmente o rumo das suas vidas. Caberá a cada um moldar o seu destino de modo a reencontrar a felicidade. Mas há destinos que só se alcançam depois de alterar o dos outros.”
Eu ainda não vi o filme mas sei que o protagonista é salvo pelas palavras do GPS: “Faça inversão de marcha. Está na rota errada para o seu destino.” O poder da palavra, mesmo no GPS.
Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Neste provérbio chinês, mais uma vez o poder da palavra.
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
Gosto de acreditar que se completam, afinal
Eu pinto palavras e escrevo pintura.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Dumping Partidocrático

PODEM os senhores juízes e procuradores, alinhados na aberração democrática que são os seus sindicatos, naturalmente que legalíssimos, jurar a pés juntos que não têm uma agenda política que só acredita quem quer e eu estou convencido que a grande maioria dos portugueses não acredita. Eu não acredito nem um bocadinho que seja.

Quando aquele senhor magistrado – que Deus e o Diabo protejam quem por ele haja que ser julgado – vem à praça pública gritar que é preciso meter os políticos na grelha e logo no discurso se lhe monta o «ovo kinder» (Morais Sarmento Dixit), é mais do que evidente que faz política nos mesmíssimos termos que o faz Passos Coelho. O problema aqui é que ele tem um poder que o líder do PSD não tem, que o governo não tem, e faz política sem ter a chatice de montar uma dispendiosa máquina partidária e sujeitar-se ao veredicto popular. Usa canhão enquanto os outros usam fisgas e tem o discurso que antigamente só à igreja era tolerado: fala em nome da verdade de que tem o exclusivo, como os sacerdotes julgavam ter procuração divina, também em exclusivo. Partidocracia e magistratura em mancebia é como casamento de primos, dá olhinho torto e outras anomalias. Isto são coisas do tempo que passa em que tudo é mais ou menos e o que é preciso é o poder nosso de cada dia obtido na dependuração permanente nos media.

Segunda-feira passada li no Correio da Manhã uma das habituais diatribes políticas do Secretário-geral do partido sindical dos senhores procuradores do MP desafiando tudo e todos na reivindicação do seu direito – que infelizmente tem – à greve. A forma como trata o Primeiro-ministro é simplesmente de bradar aos céus. Se eu fosse procurador, coraria de vergonha, não o sendo, só posso sentir-me agoniado. Como se diria lá para a América Latina: «Este país tiene gobierno? Pues yo soy contra…»

Que tristeza! Pobre país!

Bastante recentemente, num frente a frente televisivo, o juiz Rangel, face a desconchavos dos seus pares, defendia a sua corporação dizendo que uma andorinha não faz a Primavera. É evidente que não. Nem mil, nem todas as que haja no mundo. Mas a verdade, o que muito bem lhe foi lembrado pelo seu opositor, é que os dislates dos senhores juízes começam a deixar-nos muito preocupados. Não é só o caso daquele que exarou num processo a sua intenção de se diminuir no horário de trabalho, por ter sido prejudicado no seu salário, com a crise; é também o caso daquele que, qual António Aleixo de toga, dita para a acta quadras, aliás muito mal amanhadas, como se estivesse num qualquer bailarico dos santos populares. Isto para não lembrar aquela juíza que exarou aquela douta sentença em relação a um cavalheiro que se abasteceu de combustível e se pirou sem pagar: não houve crime, as bombas estão ali é para a gente se servir.

Os leitores pensam que há crise?

Não há, o que há é decadência e degenerescência. A gravidade é acrescida se pensarmos que, estando a Europa em decadência, nós somos a decadência dentro da decadência.

Vendas Novas, 15 de Novembro de 2010
Abdul Cadre
abdul.cadre@gmail.com

Revista ENTRE 2

Caros amigos(as),

Já se encontra disponível, no blogue da revista Cultura Entre Culturas, um link para efectuar o download de excertos do nº 2, em formato pdf, tal como já acontecia em relação ao nº 1.

Divulguem onde quer que entendam que possa interessar.

Se quiserem dar reporte dos meios ou media por onde disseminaram, poderão fazê-lo directamente para a responsável pela Comunicação e Imagem da revista, Dra. Isabel Metello (e-mail: isabel.metello@voxangelis.com).
Isso constituirá um auxílio precioso para o trabalho que ela tão generosamente tem vindo a desenvolver.
Muito obrigado.

http://arevistaentre.blogspot.com/2010/11/para-download-extractos-do-n-2-da.html

Pela Direcção,

Luiz Pires dos Reys
: e-mail : lap.drey@gmail.com
: gsm : + 351-913-077-206

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ventania

Fernanda Leite Bião(1)

Fenômeno constante e presente, insinua-se, renovada, uma dança silenciosa que, lentamente, volta a balançar todo o meu ser e sua integralidade, no compasso de trovões agitados e assustadores ou na cadência de uma canção leve e tenra. Sempre constante.

Em sua agitação, assemelha-se às tempestades violentas ou a águas diáfanas que movimentam toda a estrutura da vida. Fazem-me não aceitar e questionar o meu lugar na existência.

De maneira leve e rasteira, permite um silêncio nem sempre calado de si, eco seco de uma inquietação angustiante que demanda, quase sempre, conexões constantes de mares calmos ou revoltos. Ondulações incessantes.

Os ventos da mudança transbordam em meu ser a possibilidade de conhecer minha própria história (recente e longínqua). Lembro realizações e frustrações, medos e esperanças. Repenso os caminhos escolhidos, as escolhas realizadas e as oportunidades questionadas.

Vejo-me escalar um monte. Ao pé da montanha, ergo a cabeça ao alto. Para alcançar o objetivo, diviso o tempo, o tamanho do obstáculo e as estratégias. No coração, batidas exprimem sons característicos aos sentimentos e emoções despertadas, em diálogo com minhas tarefas, desejos e necessidades.

Existe uma graduação de aprendizado na experiência a ser vivida. Quanto mais perto do chão, mais grosseira é a atmosfera em que me encontro. O peso dos acessórios carregados é enorme. Porém, não posso me desfazer deles, logo eles que me trazem alguma segurança, que, reconheço, é, no momento, necessária. A segurança de ter em que me apoiar. Recordo dos valores, crenças e regras aprendidas, companhias constantes, ao longo da inconstância da vida. São como os meus equipamentos. Nesse momento ainda não posso abandoná-los de todo, embora sinta desejo de fazê-lo.
Subo mais um pouco. O corpo já se ressente dos movimentos bruscos que uma escalada pode proporcionar.

Enquanto tomo fôlego, penso na partida e no ponto final. A corda balança na montanha. Sou um pêndulo. Preciso me movimentar.

Aos poucos, sinto o meu corpo desfilar sobre um caminho possível. A esperança de chegar, finalmente, ao cume desejado expande a minha alma, desperta em mim uma força que desconhecia. Aproximo-me do meu destino. Sinto que a esperança que cultivei, questionada nos dias sombrios, foi o facho de luz diante da escuridão da incerteza.
Posso olhar para baixo sem constrangimento e para cima com mais alguma coragem. Estou quase lá, sigo com a consciência tranquila.

Existe um momento em nossa caminhada em que a dor busca abrigo em nós. O sofrimento entra pelos aposentos do nosso ser sem nos pedir licença. Escolhas são realizadas. Enquanto contemplamos as perdas e ganhos que cada escolha traz consigo, por vezes, esquecemos que, descuidados, abrimos a porta a visitantes, queridos ou indesejáveis. Quando damos conta, pode ser tarde para expulsar o sofrimento que chamamos de intruso. Confusos com gritos e respostas que circulam na atmosfera vivida, sentimos a necessidade de recolher em sacolas respostas esparsas que circulam ao redor. Em processo de evolução, caminhamos tateando em meio a esperanças e esforços de organizar a própria vida e dar sentido à existência.

Visões do porvir nem sempre vem a ser o exato prenúncio do futuro, mas precisamos perseverar, projetando no devir nossos projetos, que fazem a vida valer a pena ser vivida.

Uma lágrima desce no rosto com marcas das experiências de vida.
O mundo é um palco de representações e papéis sociais. Nem sempre gostamos de todos, mas temos de escolher alguns e caminhar.


1)Psicóloga e Orientadora Profissional. Bacharela em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Educadora Social. E-mail: fernandabiao9@hotmail.com. Blog: http://fernandaleitebiao.wordpress.com.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

domingo, 14 de novembro de 2010

REAFIRMAÇÕES

Reafirmo a crença no futuro
diz o homem moribundo

o medo da inexistência tolhe
seu gesto de contrição: a sabedoria
reversa redescobre os mitos
onde permanece no pensamento
adverso de ser o nada redundante

reafirmo a esperança no presente
afirma o homem em despedida.

Pedro Du Bois
inédito

sábado, 13 de novembro de 2010

Como, em 10 anos, um azulejo ficou pré-parado

joão ricardo terra
brasil


Este poema (AZULEJO PORTUGUÊS, logo abaixo) ficou por quase 10 anos guardado numa gaveta. É muito estranho olhar para isso hoje em dia, mas à época em que o poema “veio” eu não era lá muito afeito a essa nossa ancestralidade de culturas e pensamentos em língua portuguesa; ainda assim o poema existia, laconicamente, e nem por isso ele era meu, pois se sabe que há casos de o poeta pertencer ao poema.

Por ocasião de um interessante concurso promovido pela imprensa em minha atual cidade (São José do Rio Preto, Brasil), eu o resgatei da gaveta, tentando dar-lhe uma feição que valorizasse o nosso poético idioma (o nosso idioma é sim uma pura música incrível, basta que o ouçamos com sensibilidade e doçura), e, ao fim das contas, entre outras sutilezas, substituí a palavra “milharal”, tão carregada de vivências genuinamente brasileiras, infantis, familiares minhas, por um “olival” repentino, intangível, cuja contemplação até o momento não tive a emoção de realizar, mas cuja imagem me remonta a alguma expressão monumental de queridas gêneses verbais.

Depois brotou uma rima importante com o nome de um país inteiro (aviso aqui: a inicial minúscula que deixo agora não é por desconsideração, é por uma pretensa intimidade), e o singelo e simplório poema acabou sendo gentilmente acolhido no concurso de que antes falava, creio eu que por ressoar uma comunhão de sentimentos idiomáticos muito caros a todos nós que temos não o prazer, mas o verdadeiro privilégio de existirmos em português. Veja então, por favor, como esse azulejo rabiscado de azul, publicado no Diário da Região de 26 de julho de 2009, em São José do Rio Preto, ficou:

AZULEJO PORTUGUÊS

teu vestido ao vento,
o sol dourando o olival
e o súbito azul de uma lembrança:
ficou tudo no azulejo, em portugal

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Filosofia e Saudade

7. Antero de Quental (1842-1890)

7.1. A Ideia de Deus em Antero

Há um Deus misterioso que só parcelarmente se revela a quem o quer estudar:
Sócrates - Dentro do homem está um Deus desconhecido
Cristo - Dentro do homem está o Reino dos Céus
Lutero - Dentro do homem está Deus. O Homem é um Deus que se ignora.
Robespierre - Revelação de Deus através de valores humanistas.
Hegel - Revelação de Deus através da ideia.
Moisés, Maomé, Cristo - Profetas que revelam Deus, mas todos revelam apenas um aspecto parcelar do Absoluto

O homem, ele próprio, está mais perto do divino do que as formas através das quais O representa. Em vez de procurar Deus nos céus, o homem deve procurá-lo no seu interior.

A Existência humana é privilegiada porque é nela que mais se manifesta a essência divina. A Saudade é uma aspiração a uma relação mais plena com o deus desconhecido que cada um trás em si.

No fundo da consciência está aquilo que procuramos fora. Dormitando, em movimento mudo, mas murmurando sempre. Jeová, Brama, Sabaoth, Alá, Cristo. O homem não deseja mais do que aquilo que já há em si.

A santificação é a plena realização do indivíduo. É um Deus que se revela permanentemente, como se fosse um progresso constante, sem que nunca mais esse progresso acabe. O homem como o descobridor dos mundos encobertos do espírito.

As revoluções, os cultos, os mitos, tudo são apenas manifestações do princípio interior essencial. Civilizações e Impérios se fazem para sermos Homem um pouco mais.

in, Antero de Quental, Filosofia, Univ. dos Açores: Editorial Comunicação.


7.2. O materialismo idealista de Antero de Quental

A Filosofia é eterna, tal como o pensamento humano. Uma potência infinita e um acto limitado.

Divino e real ao mesmo tempo, o Universo manifesta a si próprio a sua essência prodigiosa, desde as forças elementares e puramente mecânicas, ao instinto que sonha, à inteligência que observa e compara, à razão que ordena, ao sentimento que fecunda, até à contemplação e virtude dos sábios e santos.

O acesso à libertação é atingido por um esforço de santificação. Do investimento que cada homem individual fizer depende a sua evolução. O animal evolui necessariamente, mas o homem pode regredir.

A união da alma com Deus é, simplesmente, a chegada do eu à sua plena realização.

in, Antero de Quental, As Tendências Gerais da Filosofia na 2ª metade do século XIX.

Luis Santos

(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

d´Arte – Conversas na Galeria XI



Moinhos de Alburrica Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 50x50cm
(clique sobre a imagem)

Éolo
Já devem ter notado que os deuses gregos têm relações de tal maneira conflituosas, que será melhor não nos metermos nas suas querelas familiares.
Éolo interessa-me porque, segundo a Odisseia, tratou com deferência Ulisses, ofertando-lhe um odre em que estavam encerrados todos os ventos com excepção dos Zéfiros que o levariam a sua casa, em Ítaca.
Ulisses, fundador da cidade de Lisboa segundo a lenda, daí também os seus habitantes serem chamados de ulissiponenses, tem no Castelo de S. Jorge uma torre com o seu nome. Nesse local, está instalado um mecanismo óptico inventado por Leonardo Da Vinci no século XVI, um Periscópio, único existente em Portugal, que permite observar a cidade a 360º em tempo real, incluindo a margem esquerda do Tejo.
Nesta paisagem que eu, recorrentemente, fotografo e pinto, o grande destaque vai habitualmente para os moinhos de vento de Alburrica. Desta vez, queria destacar a paisagem circundante, o céu e, claro, o Rio Tejo.
Mas não consegui resistir à beleza da embarcação beijada pelas águas calmas do rio!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Facetas do Tempo

Ao dar corpo à manivela,
Gastou o tempo seu calor.
Bem-dita sejas Primavera,
Que o Verão te conserve flor.

Das estações que o ano trás,
Em todo o apeadeiro pára,
O comboio constante faz,
Caminhando o tempo passa.

No Outono a vida caduca,
Espirra o ano decadente,
Tal como o Inverno educa.

Traz o tempo esta tragédia,
No choro das nuvens esperança
Que esta manhã nasça comédia.

Diogo Correia

terça-feira, 9 de novembro de 2010

CONVITE



A Âncora Editora tem o gosto de convidar V. Ex.ª para as sessões de lançamento do n.º 2 da revista Cultura ENTRE Culturas, e do livro Descobrir Buda, de Paulo Borges. A revista será apresentada pelo seu director artístico, Luiz Pires dos Reys, e Prof. Dr. Carlos João Correia, membro do seu Conselho de Direcção. e o livro pelo Prof. Dr. José Eduardo Reis.
As sessões terão lugar, respectivamente, nos próximos dias 11 de Novembro, quinta-feira, pelas 19:00 horas, na Sala do Arquivo dos Paços do Conselho (Câmara Municipal de Lisboa),
e 10 de Novembro, quarta-feira, pelas 18:00 horas, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa.

Entrevista de Luís Cruz Guerreiro à Rádio Eldorado RP.SP-Parte 2

Caros Amigos, a segunda parte da Entrevista de Luís Cruz Guerreiro à Rádio Eldorado, podem ver aqui (http://azulejariaartisticaguerreiro.blogspot.com/2010/11/entrevista-de-luis-cruz-guerreiro-radio_08.html)

Nesta segunda parte da entrevista que Daniel Gutierrez me concedeu à Rádio Eldorado Cultura de Ribeirão Preto, São Paulo-Brasil. Falamos sobre a dinâmica da narrativa da 9ª Arte, dos autores de Fição Científica que mais me influenciaram.

A apresentação do painel/poster que já retrata o sistema Zrakiano que irá entrar em guerra com Lokran o Reptilóide. Lokran tem cativa a Princesa Lana, filha do Imperador que a quer salvar para continuar a dinastia.

O seu filho primogénito foi morto numa briga por Kron o Mercenário e é o humanóide mais perseguido da Galáxia e com o melhor preço de recompensa.

A revista, "Aventuras de Jerílio no séc.25-1º episódio-Tudo Começou em Máfio", primeira em HQ de fição científica em azulejaria artística, foi comentada na entrevista.

As Exposições de 2000, 2006 e 2010 em Brasília e a exposição de Ribeirão Preto, foram também referidas.

A simpatia da equipe da Rádio Eldorado Cultura foi notória e bastante agradável.

Os créditos e agradecimentos a todos, o FIM da entrevista.

Espero que gostem...

Luís Cruz Guerreiro
www.azulejariaguerreiro.com

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"Nada Consta"






02 de nov.
Fotos Daniela Komives
assunto: mortos, 2010

Este coletivo "Nada Consta" - de participação aberta desde 1999 sai pelas ruas de Brasilia/DF em cada dia 02 de Novembro. O grupo plástico-performático abre questões sobre o sentido da vida e a morte da arte.

Delei

"Arte Delei", ver mais AQUI.

domingo, 7 de novembro de 2010

Interligação de Universos (9)

…………………….fala-me sobre a co-criação.

-Todos vós sois partículas do Todo. Quando decidiste experienciar os níveis mais densos de manifestação véus foram colocados entre nós. Com o esquecimento de quem Sois iniciaste o caminho de regresso, partindo do ponto mais baixo da evolução. Através do livre-arbítrio criaste e manifestaste formas, que foram alimentando aquilo que pensaste satisfazer as vossas supostas necessidades diárias. Só que, a maior parte dessas necessidades apenas alimentavam o vosso ego e seu sentido de posse. Durante éons mantiveste-vos alimentando as vossas personalidades (1), acreditando ser essa a razão da vossa existência. Provocaste o sofrimento em vós e à vossa volta, através de disputas, de guerras, muitas delas em defesa do vosso Deus, da vossa verdade, sempre diferentes e mais justos que os dos vossos opositores. Basta examinardes para dentro de vós e ao vosso redor para verificardes que aquilo que criaste durante milhares de anos, não trouxe o equilíbrio, a saúde física e mental, o bem-estar, que todos almejais.
Agora estais entrando em uma época de grande reversão, correcção e expansão de consciência. Aquilo a que chamais de caos, que não o é, permitirá aos mais audazes, mas também aos que mais sofreram, por um desgaste equivoco das energias que dispõem, uma correcção do caminho a seguir, uma vontade indomável do regresso a Casa. Este regresso predispõe um abandono total daquilo que se é aparentemente e a manifestação exteriorizada da essência que existe em todo o Ser. Haverá então um alinhamento com o Plano Evolutivo, o Plano Divino, e o homem será então a manifestação, o canal, para uma Co-Criação que a todos beneficiará. Será o fim do livre-arbítrio, o inicio da Nova Era, o elixir do Santo Graal, onde todos poderão saciar a sua sede.

(1) Personalidade – conjunto de forças, faculdades e energias dos níveis psíquicos do ser humano incluídos os corpos físico, mental e emocional (ou astral).

António Alfacinha
Alfa2749@yahoo.com.br

sábado, 6 de novembro de 2010

Breve ensaio sobre a LINHA - (Do lat. linèa-, «id.»)

Linha:

Nome feminino

Traço contínuo, de espessura variável

Figura geométrica gerada por um ponto que se desloca no espaço

Conjunto das possíveis posições de um ponto que se desloca no espaço, de modo contínuo

Traço real ou fictício que marca a separação entre duas zonas distintas

Sentido figurado - regra; norma; orientação

A linha é também uma abstracção, ela, não existe em estado puro, é concebida como elemento estrutural, para exprimir o que vemos.
Ao nível da formulação plástica, a linha surge-nos no registo gráfico do desenho, no contorno da pintura, no perfíl da escultura, no reforço expressivo das formas, na própria malha que ordena, muitas das nossas composições artisticas.
Pode-se dizer que a linha decorre de um gesto que se apresenta no suporte e que é sempre, acção e conhecimento para se transformar em meio de comunicação.
Ponto.

Corre Pé

Entrevista de Luís Cruz Guerreiro à Rádio Eldorado RP.SP-Parte 1

Daniel Gutierrez da Rádio Eldorado Cultura de Ribeirão Preto, AM 1333, entrevistou-me em 26 de Agosto de 2010 para o programa matinal "Entrevista". Esta Rádio em Onda Média tem uma larga cobertura para os municípios que envolvem a cidade de Ribeirão Preto, abrange uma área que tem mais de 500 000 habitantes e dezenas de municípios.

Ver aqui: http://azulejariaartisticaguerreiro.blogspot.com/2010/11/entrevista-de-luis-cruz-guerreiro-radio.html

A produção do programa é de Thaís Montoani, a direção de Gil Santiago e a apresentação de Daniel Gutierrez.

A entrevista tem como temática a história em quadrinhos que eu fiz, "Aventuras de Jerílio no séc. 25 "e o lançamento da revista em Brasília e RP no Brasil, mas abrange temas filosóficos e ecológicos, como a existência de outras civilizações extraterrestres e formas de evitar o fim da espécie humana, como por exemplo acabar com o dinheiro, as armas e tornar o planeta Terra uma reserva natural.

Coisas simples... :D

Uma breve explicação da concepção de uma História em Quadrinhos e a influência de artistas da 9ª Arte no meu trabalho, são alguns dos tópicos abordados nesta primeira parte da entrevista de Luís Cruz Guerreiro à Rádio Eldorado RP.SP

Não percam a segunda e última parte.

Luís Cruz Guerreiro

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria X


Cais de Alhos Vedros Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem)

DEPOIS DE VAN GOGH II

O realismo do desenho, os seus pormenores, serve para eu me deleitar na liberdade da pincelada, no seu empaste e, mormente, na intensidade da cor que, só por mera coincidência, coincide com a realidade.
Do primeiro plano desapareceu uma estaca que lá estava inicialmente para conduzir o olhar do observador para a direita do quadro: deixei essa missão para a margem multicolorida que nos espreita…
O contraste dos amarelos e azuis é realçado pelos tons verdes (soma e complemento de ambas as cores) das margens e suavizado pelos acordes rosa, presentes no céu e na água que deve ser o seu espelho.
Olhando para este trabalho concluído, quero dizer, com a maior franqueza, que não noto nenhumas diferenças em relação aos meus mais recentes quadros.
Será que os meus amigos notam algumas?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Filosofia e Saudade

5. Agostinho da Cruz (1540-1619)

Vivia na corte.
Decide renunciar a tudo e entra para a Ordem Monástica do Convento dos Capuchos, em Sintra. Viveu ermitariamente no Convento da Serra da Arrábida, os últimos 15 anos de vida (1604-1619).

Renúncia ao mundo. Busca dos lugares ermos, dos lugares saudosos. Isolando-se do convívio humano acede-se com mais facilidade aos desígnios divinos. Saudade vertical.

Harmonizada a dualidade entre os contrários pela quietação, o pensamento é anulado: a morte em vida, a união com Deus, conforme a mística cristã.

Para Agostinho da Cruz, só morrendo para o mundo dos homens é possível a libertação:

"Assi com cousas mudas conversando
Com mais quietação dellas aprendo
Que outras que ha, ensinar querem fallando".(in, Agostinho da Cruz, Segredos e Elegias, Ed. Hiena.)


6. Padre António Vieira (1608-1697)

Na interpretação de Vieira, a partir da profecia bíblica de Daniel, o V Império é a implantação do futuro reino de Cristo na Terra. Os anteriores tinham sido o dos assírios, o dos persas, o dos gregos e o dos romanos.

Isso acontecerá quando todos os homens viverem Deus em espírito dentro de si, numa era de globalização ético-religiosa.

A grande vocação de Portugal é ser mediador dessa globalização espiritualista do mundo.

Luis Santos

(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)

Esta malta é mesmo gira



clique em cima da imagem para ampliar

Destilando

Parti minh` alma em amargura,
Casco partido de alheia sorte,
O gole que trago é uma doçura,
Meu whisky fatal, doirado e forte.

Deveras sentindo o pensar do mundo,
O tempo que gira e não arreda pé.
Todo eu sou grilo mudo,
Bebendo álcool com tanta fé.

E o passeio que se desfoca,
Tomo ele real, à sua maneira.
Cantando pela calçada torta,
Pensando comigo a noite inteira.

Sozinha existência universal!
Bebendo quebro a realidade,
Indo de um estado natural,
Ao estado zen da mocidade.

Diogo Correia

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Colóquio Internacional Oriente-Ocidente

Colóquio Internacional Oriente-Ocidente:
diálogos e cruzamentos
(nos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa)
10-11 de Novembro
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa / Câmara Municipal de Lisboa


Na circunstância oportuna dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa e da passagem em Lisboa, Porto e Funchal de uma Exposição de Relíquias Budistas, pretende-se reflectir sobre alguns aspectos centrais do constante, e cada vez mais evidente, diálogo e entrelaçamento Oriente-Ocidente.
Além de se dar voz a uma nova geração de jovens investigadores nacionais e estrangeiros, destaca-se a presença do Professor François Jullien, professor da Universidade de Paris VII, director do Instituto do Pensamento Contemporâneo e do Centro Marcel Granet. Eminente especialista da cultura chinesa, tem mais de 20 obras publicadas em cerca de 20 países sobre o pensamento chinês e o seu contraste com a filosofia europeia, repensando a essa luz a própria identidade cultural europeia-ocidental.
Uma iniciativa do Projecto “Filosofia e Religião”, do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da União Budista Portuguesa e da revista Cultura ENTRE Culturas.
Comissão Organizadora: Paulo Borges, Carlos João Correia, Carlos Silva

Programa:

4ª feira, 10 de Novembro – Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

9.30 – Abertura
10.00 – 10.25 - António Faria, Teosofia, Sāṁkhya-Yoga e Buda Dharma
10.25 – 10.50 - Filipa Afonso - O despertar do prisioneiro e a libertação do sonhador: a consistência do real no neoplatonismo do Pseudo-Areopagita e no Advaita Vedanta de Sankara
10.50 – 11.15 - Ricardo Ventura, «A Breve noticia dos erros, que tem os Gentios do Comcão na Índia», atribuível a João de Brito, no contexto dos tratados seiscentistas sobre o "gentilismo"

11.15 – 11.45 – Debate e intervalo

11.45 – 12.10 – Paula Morais, O feminino no Yoga primordial e no século XXI
12.10 – 12.35 - Fabrizio Boscaglia, A sabedoria de Omar Khayyâm entre Oriente e Ocidente
12.35 – 13.00 – Antonio Cardiello, Perspectivas de intercultura filosófica em Nishida Kitarō

13.00 – 13.15 – Debate e intervalo para almoço

14.30 – 14.55 – Beatriz Lobo, Ecos do Oriente na obra wagneriana
14.55 – 15.20 – Dirk Hennrich, A noção do Oriente em Vilém Flusser
15.20 – 15.45 – Rui Lopo, Budismo, niilismo e orientalismo. Ismo?

15.45 – 16.15 – Debate e intervalo

16.15 – 16.40 – José Eduardo Reis, Quadros de uma exposição ideal do Oriente na Literatura Portuguesa
16.40 – 17.05 – Bruno Béu, Eu metafísico e âtman: a suspeita de Vergílio Ferreira sobre a orientalidade do "seu" eu.
17.05 – 17.30 – Paulo Borges, Fernando Pessoa no Tibete: Bar-do e “King of Gaps”

17.30 – 18.00 – Debate e intervalo

18.00 – 19.00 - Apresentação do livro Descobrir Buda, de Paulo Borges, e pré-apresentação do nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, dedicada ao tema Encontro Ocidente-Oriente.
19.00 – 20.00 - François Jullien, Quel dialogue philosophique entre la Chine et l’Occident?


5ª feira, 11 de Novembro – Sala do Arquivo dos Paços do Concelho (Câmara Municipal de Lisboa, Largo do Município)

15.00 - Abertura
15.30 - 16.00 - Carlos João Correia, Oriente/Ocidente: a questão da identidade pessoal (presença a confirmar)
16.00 – 16. 30 – José Carlos Calazans, Comunidades e Migrações entre Índia, África e Europa
16.30 – 17.00 - Ana Cristina Alves, Metamorfoses do corpo sagrado nas biografias de Jesus Cristo e do Buda Histórico

17.00 – 17.30 – Debate e intervalo

17.30 – 18.00 - Miguel Real, “Viagem à Índia” de Gonçalo M. Tavares
18.00 – 18.30 - Carlos Silva, Sob o signo da dualidade: paralelo do Sâmkhya com o dinamismo de Anaxágoras

18.30 – 19.00 – Debate e intervalo

19.00 – 19.30 – Apresentação do nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, dedicada ao tema Encontro Ocidente-Oriente
arevistaentre.blogspot.com

Organização: “Projecto Filosofia e Religião” do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Apoios: Câmara Municipal de Lisboa / União Budista Portuguesa / Revista Cultura ENTRE Culturas

Exposição de Relíquias do Buda e de outros grandes mestres budistas – www.uniaobudista.pt

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Se ama os livros, deixe-os em liberdade."

A ideia por detrás do projeto "bookcrossing" está ligada ao movimento internacional de BookCrossing, cujo mote é: "Se ama os livros, deixe-os em liberdade."

Trata-se de um movimento a nível mundial que encoraja as pessoas a distribuir, dividir e a partilhar livros. A ideia é simples: basta deixar um livro em qualquer local público onde seja fácil de encontrar, ou então levar um que alguém tenha deixado. Para entrar neste projecto, basta ir ao website, registar o livro, e anotar um determinado código e, finalmente, deixá-lo num avião, no metro, num parque ou num tronco de árvore, como acontece na cidade de Berlim. No fundo, a ideia é estabelecer uma cadeia que permita acalentar o sonho de transformar o mundo numa gigantesca biblioteca.

O pai do projeto, Ron Horn-baker, quer que o mundo se torne numa livraria gigante e livre; segundo o website www.bookcrossing.com, quase 900 mil pessoas estão envolvidas neste "leva e traz", num total de quase sete milhões de livros em 132 países, sendo que nos primeiros lugares aparecem os Estados Unidos e a Alemanha e, em nono lugar, Portugal.

Na sua opinião que medidas poderiam ampliar o hábito de leitura em língua portuguesa?

Margarida Castro
in, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

Fontes consultadas;
http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1700070
http://www.bookcrossing-portugal.com/bookcrossing.htm
http://www.blogacesso.com.br/?p=2409

domingo, 31 de outubro de 2010

Après Moi, le Déluge!


Movendo-o a consciência da gravidade dos problemas e o sentido de responsabilidade, o Grande Aníbal sentiu o chamamento pátrio e o consequente dever de se recandidatar, anunciando aos portugueses a sua decisão na exactidão do dia, hora e local, segundo a “Anunciação” do Arcanjo Marcelo.

O Grande Aníbal, o presidente dos portugueses que acham que a sua (deles próprios) Política é o Trabalho e que a Política é para os políticos, usando a velha mas ainda resistente receita ideológica herdada do fantasma de Santa Comba, apresenta-se aos portugueses que sabem bem distinguir aqueles que falam verdade e aqueles que semeiam ilusões e utopias, com o já esperado exercício de narcisismo saloio, rodeado de bajuladores e assessores sem carácter e sem pingo de vergonha que se vendem por um “tachinho” para eles e para a família, evidenciando a sua experiência e os seus conhecimentos, o elevado grau de exigência ética que sempre caracterizou a sua vida (claro está que se refere ao modo como conduziu os desvarios e escândalos em que estiveram envolvidos alguns dos seus ministros, enquanto chefe de governo no Cavaquistão, nomeadamente uma sua actual Conselheira de Estado, ex-ministra da saúde, ou à forma como estavam a ser desbaratados (e desviados) os fundos estruturais que entravam todos os dias durante o seu consulado?), mais-valias que ajudarão o País a encontrar o Rumo, perguntando à plateia em que situação se encontraria o País sem a acção intensa e ponderada (como foi a novela das escutas…), muitas vezes discreta que desenvolveu ao longo do seu mandato?

O que teria acontecido sem os alertas e apelos que lançou na devida altura? Sem os compromissos que estimulou, sem os caminhos de futuro que apontou (bem, espero que não se estivesse a referir à Política Agrícola Comum da qual foi um grande defensor e impulsionador no passado, vindo agora há pouco tempo dizer que “A PAC deve ser encarada como uma prioridade e discutida com profundidade e participação activa de todos os interessados”, ou seja, como o eleitorado não tem memória, “vou fazer de conta que não tive nada com isto e que este é um assunto que muito me preocupa”), sem a defesa dos interesses nacionais que tem incansavelmente promovido junto de entidades estrangeiras (aqui não tenho qualquer dúvida de que se está a referir ao encontro com Václav Klaus)?

Mas se bem que a sua magistratura de influência tenha produzido resultados positivos, podia ter sido mais bem aproveitada pelos diferentes poderes do Estado (Ah! Lá está! Tal como Luís XV, os causadores dos problemas são sempre os outros e nunca ele – ele é a solução, o Messias, pois claro!...)

Com a tranquilidade de quem já tem a vitória “no papo”, sabendo que, embora uma pequena parcela da direita mais beata se vá abster por vias do não-veto à Lei do Casamento Gay, grande parte da base eleitoral do PS votará nele, pois muito pior que Aníbal em Belém, seria uma forte votação em Alegre, que poderia conduzir a um despertar de consciências com movimentações internas, fazendo regressar os “exilados de esquerda” no Bloco e pondo em risco de morte toda a hegemonia ultra-liberal (estou a utilizar o termo “ultra-liberal” eufemisticamente, de forma a evitar uma forma linguística indecorosa, mais exacta na definição desse grupo) Socrática, lá vai o Grande Aníbal fazendo ao longo do seu discurso, o auto-elogio perante os portugueses que sabem distinguir a verdade da ilusão…

Como desejável e expectável, não se viu na plateia o seu grande (ex?) amigo Dias Loureiro, que tantos embaraços lhe causou, enterrado até ao pescoço nas trafulhices do BPN (por triste infortúnio, vá lá saber-se porquê, o mesmo banco onde o Grande Aníbal e a sua filha tinham umas parcas poupanças amealhadas à custa de tanto sacrifício…), a tratar da sua vidinha em Cabo Verde e a gozar um merecido descanso e um não menos merecido rendimento por serviços inestimáveis à Pátria.

“Não colocarei um único cartaz!” – diz Ele. Convenhamos: Ele é feio que se farta e ainda por cima sempre com aquele ar sinistro, de gato pingado, pespegado em grandes “outdoors”, mete medo às crianças e é mau para o negócio. Penso que deverá ter sido aconselhado pelo “staff” o qual, sendo esse o caso, terá tido uma ideia brilhante. Eu estou totalmente de acordo - deixemos que a obra fale pelo Homem! Decididamente a fotogenia não é um dos seus melhores atributos. Haverá alguém que já se tenha esquecido daquele ar "monga" e das bochechas a rebentar de bolo-rei na época do “tabu”? Ninguém, certamente.

“Um Presidente deve actuar com discrição e reserva” – Outra grande ideia… Para quem não tem dotes oratórios, nem nunca sabe o que dizer, nada melhor do que deixar que os outros falem por nós. Presumo que será uma campanha marcada por elogios dos “yes men” (e “yes women”) à sua Obra.
E diz mais adiante:
“Centenas de militares portugueses cumprem missões no exterior do território de Portugal em zonas de conflito situadas em 3 continentes.” Ora aí está mais uma página triste da nossa História actual. Andamos a enviar mercenários para defender os interesses dos Senhores do Ópio e do Petróleo, aliciando jovens com salários chorudos, eles próprios pressionados pelas famílias na mira de um rendimento que permita algum desafogo financeiro, criando uma ideia fantasiosa de guerra a brincar, do género daquilo que eram as nossas brincadeiras de infância, aos cowboys e aos índios – os cowboys ganhavam sempre porque eram os bons e os índios perdiam sempre, porque eram os maus. Mas na vida real, às vezes os índios ganham e matam os cowboys; outras vezes, não conseguimos distinguir uns dos outros…

Para concluir: Temos Homem! Que mais necessitará de provar à Nação alguém que em nome da Coisa Pública e da Honra está disposto a abdicar da defesa das suas alfarrobeiras no Boliqueime, numa altura em que as máfias de leste lançam olhares de cobiça aos seus frutos? Alguém que poderá dizer com propriedade: Depois de mim, o Dilúvio!...

Raul Costa

Alhos Vedros, 31 de Outubro de 2010

Genesis

Genesis, by Steve Hacket
Foto de Lucas Rosa

sábado, 30 de outubro de 2010

II Encontro Internacional Sobre Políticas de Intercâmbios na CPLP

O II Encontro Internacional sobre Políticas de Intercâmbio na CPLP decorre em Teresina, Piauí, no âmbito do FESTLUSO – Festival de Teatro Lusófono. Ele vem dar continuidade ao encontro realizado em Coimbra em Dezembro de 2009, e mantém como objectivo principal estimular o diálogo entre agentes culturais e instituições oficiais quanto à concepção, à planificação e à concretização das políticas de intercâmbio cultural no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

À semelhança do que aconteceu no primeiro encontro, o próprio formato dos trabalhos, organizado em mesas-redondas abertas à participação de todos os intervenientes, visa aproximar os criadores e as estruturas de produção artística que operam no terreno dos decisores políticos dos vários países, na perspectiva de fomentar o inter-conhecimento pessoal e de facilitar a discussão sobre oportunidades e projectos concretos de colaboração, mais do que a produção de ambiciosos documentos programáticos ou cartas de intenção.

Os resultados obtidos em Dezembro, cujas conclusões se encontram publicadas (http://www.scribd.com/doc/23898901/EIPI-conclusoes), apontaram para a necessidade de uma mais ampla divulgação dos vários acordos de cooperação actualmente em vigor entre os países lusófonos e, sobretudo, de que as medidas aí enunciadas sejam efectiva e definitivamente colocadas em prática. Foi igualmente assinalada a insuficiência da acção cultural da CPLP enquanto comunidade multi-nacional e reconhecido o interesse em que este tipo de encontros se realizem regularmente, de preferência de forma rotativa pelos vários países envolvidos.

Um ano depois, numa altura em que algumas das instituições envolvidas têm novos responsáveis e em que se anunciam para o futuro próximo significativos projectos de colaboração, multi-laterais e bi-laterais (como o “Ano do Brasil em Portugal” e o “Ano de Portugal no Brasil”), cremos ser oportuno fazer um novo ponto da situação.

Para o efeito, convidamos os participantes do I Encontro e iniciamos o alargamento progressivo desta plataforma a outros agentes culturais, em particular, neste caso, do país anfitrião.

Organização
Grupo Harém de Teatro / FESTLUSO
Cena Lusófona

Apoios
Funarte, Governo do Estado do Piauí, Prefeitura Municipal de Teresina, Universidade Estadual

PROGRAMA

15/11 – segunda-feira

16h00 > 18h00
Recepção aos convidados
Sessão de abertura
[INTERVENÇÕES DA ORGANIZAÇÃO E DAS INSTITUIÇÕES OFICIAIS]

16/11 – terça-feira

10h00 > 12h30
mesa-redonda

I. Festivais de Teatro e circulação de espectáculos: o encontro como base para o conhecimento

14h30 > 17h30
mesa-redonda

II. Formação cruzada: enriquecer com a diversidade

18h00 > 19h30
apresentação de publicação
setepalcos, 9: o Teatro em Cabo Verde

17/11 – quarta-feira

10h00 > 12h30
mesa-redonda

III. Co-produções: juntar forças e diferenças

14h30 > 18h00
debate

IV. Comunidade artística e poder político: fórmulas para o diálogo
Conclusões


Fonte: Cena Lusófona
http://festluso.blogspot.com/2010/10/ii-encontro-internacional-sobre.html

CHRÓNICAÇORES

para os que ainda não COMPRARAM NEM LERAM, agora gratuitamente

CHRÓNICAÇORES: UMA CIRCUM-NAVEGAÇÃO DE TIMOR A MACAU, AUSTRÁLIA, BRASIL, BRAGANÇA ATÉ AOS AÇORES
(volume 1, revisto em 2010) agora livremente disponível em
http://www.scribd.com/doc/39955110


Chrys CHRYSTELLO,
An Australian in the Azores/Um Australiano nos Açores (Portugal)
drchryschrystello@gmail.com ; drchryschrystello@yahoo.com.au drchryschrystello@sapo.pt
Homepage/página : http://oz2.com.sapo.pt
Colóquios da Lusofonia: www.lusofonias.net

CONCURSO LITERÁRIO EM LÍNGUA PORTUGUESA

ELOS INTERNACIONAL DA COMUNIDADE LUSÍADA - 2010/11

REGULAMENTO

01 – MODALIDADES: Este Concurso é dirigido a todos os Escritores, Poetas, Trovadores, Sonetistas, Artistas Plásticos e Músicos que, de modo geral poderão expressar-se com liberdade, desde que em Língua Portuguesa. Podem até residir em país de Língua estrangeira, mas, os trabalhos, em Português. Para os Trovadores é dado um tema: ELO, ELOS: 04 trovas numa página só, com pseudônimo.

02 – DOS TRABALHOS: Cada participante poderá enviar até dois trabalhos, em somente um envelope, em três vias, digitados em Times New Roman, espaço dois, fonte 12, não podendo ultrapassar trinta linhas (espaço é linha). Usar somente papel branco, escrito apenas em um lado, colocar o título do trabalho (ou trabalhos) e assinar todos com o mesmo pseudônimo. No caso de pintura, pode ser ilustrada com poesia do mesmo autor; se for outro, o pseudônimo deverá também ser identificado. O poeta que ilustrar trabalho de outra pessoa poderá, independentemente desse trabalho, concorrer normalmente, porém, deverá usar o mesmo pseudônimo. Todos os trabalhos serão numerados por ordem de chegada.

03 – PRAZO E LOCAL DE ENTREGA DOS TRABALHOS: Enviar até o dia 31 de dezembro de 2010, para CONCURSO LITERÁRIO EM LÍNGUA PORTUGUESA – Rua Pio XII, 97/Sala 1102 – CEP: 86020-380 – LONDRINA/PR – BRASIL.

04 – IDENTIFICAÇÃO: Nome, pseudônimo e endereço completo, com CEP; Código, mais o número do telefone; e-mail (para facilitar a comunicação), um breve currículo de até cinco linhas, citando o Clube ao qual pertence. Colocar tudo em envelope lacrado e enviar, de acordo com o item 03 deste regulamento.

05 – CLASSIFICAÇÃO: Haverá, em cada modalidade, três trabalhos classificados.

06 – PRÊMIOS: 1º colocado, Medalha dourada; 2º - Medalha prateada; 3º - Medalha de bronze, bem como os respectivos Diplomas.

07 – PREMIAÇÃO: A entrega dos prêmios será na Convenção do Elos Internacional, em Outubro de 2011, no Brasil. Pede-se a presença dos premiados ou seus representantes. Serão informados com antecedência sobre data e local. Os prêmios não serão enviados por correios.

08 – COMISSÃO JULGADORA: Será composta de Companheiros Elistas com autonomia de decisão, podendo participar da obra, sem participar do Concurso. Os casos omissos a este Regulamento serão decididos pela Comissão Julgadora.

09 – CLASSIFICAÇÃO ESPECIAL: Mediante a qualidade dos trabalhos, os dez melhores em cada modalidade, no conceito da COMISSÃO JULGADORA, poderão ser classificados para a composição de um livro intitulado CONCURSO LITERÁRIO EM LÍNGUA PORTUGUESA DO ELOS INTERNACIONAL... e seus autores receberão um exemplar, graciosamente.

OBS.:
1 – Independente da classificação, todos receberão Certificado de Participação, na Convenção.
2 – Se acontecer a publicação do livro e algum Companheiro Elista (CE) quiser adquirir um ou mais exemplares, poderá obter a preço de custo, mais despesas de correio.
3 – Autorizar – ou não – a publicação do endereço.

10 – LEMBRETES: 1 - Trabalhos escritos a mão serão desclassificados; 2 – Não serão aceitos trabalhos enviados por Correio Eletrônico (e-mail); 3 – No envelope, no lugar do remetente, ESCREVAM O PSEUDÔNIMO e repitam: RUA PIO XII, 97 – 86020-380 – LONDRINA/PR-Brasil.

SAUDAÇÕES ELISTAS
CE Maria A M Frigeri – Da Diretoria de Cultura
Telefones: 0XX 43 – 3324.3462 – 9942.6320
e-mail: mariafrigeri@gmail.com

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria IX


Cais de Alhos Vedros Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 30x40cm (em construção)

DEPOIS DE VAN GOGH
Na minha visita ao museu Van Gogh, em Amesterdão, fiquei com algumas certezas e muitas dúvidas.
Na análise dos seus desenhos, fiquei com a certeza que, afinal, ele preparava os seus quadros ao pormenor, com a indicação da fonte de luz e os seus traços dados com a direcção e intensidade que permitiam a aparente espontaneidade da sua pincelada. Num dos retratos, inacabado, é visível a quadrícula que utilizou para respeitar as proporções do modelo.
Sobre as dúvidas falaremos depois.
Neste meu desenho, não indico a direcção da pincelada, mas está garantida a sua espontaneidade, pois tenciono cobrir toda a tela com este vibrante Cadmium Yellow Médium Hue…
Quero que este amarelo fique a cintilar por debaixo das cores que o vão cobrir!
Vou continuar o meu trabalho.
Até para a semana!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Feijão Azuki

O Azuki é um feijão pequeno e vermelho. Tal como todas as leguminosas (grão de bico, lentilhas, favas, ervilhas e outros feijões: frade, encarnado, manteiga, catarino, moong, soja, etc) é rico em proteína, cálcio, ferro, minerais e vitaminas. No entanto, todas as leguminosas são ricas também em purina (metilxantina), existente sobretudo na pele, substância considerada muito tóxica para o nosso organismo. É por esta razão que as leguminosas têm de ser postas de molho e cozinhadas, não devendo ser ingeridas cruas, a não ser na forma de germinados. É também aconselhável que sejam cozinhadas em duas ou três águas, ou seja: sempre que aparecer uma espuma branca na fervura (sinal da acidez da leguminosa), essa água deve ser deitada fora e substituída por outra, até que a espuma desapareça. É essa a causa das leguminosas serem indigestas, “esgotando” (inutilmente) os órgãos digestivos Fígado e Pâncreas, e de acidificarem o intestino, desmineralizando-o.

As leguminosas têm sido utilizadas na alimentação humana desde tempos imemoriais, tal como os cereais integrais. São uma excelente forma de ingerir proteína de boa qualidade. De facto, se comermos leguminosas regularmente teremos a quantidade necessária de proteína no organismo, não necessitando de recorrer à proteína de origem animal saturada em gordura. A proteína vegetal tem um teor de gordura muitíssimo baixo e é, por isso, muito mais saudável. Dado o seu baixo teor de gordura não causam tantos problemas nos intestinos.

De todas as leguminosas, as mais saudáveis para uso regular são o feijão azuki, o grão de bico e as lentilhas. Todas as leguminosas podem ser cozinhadas em sopas, estufados, acompanhadas de cereais integrais, com vegetais, ou ainda em “pâtés”, etc. É tudo uma questão de imaginação! Tanto o feijão azuki como, por exemplo, o grão de bico, podem ser usados também em doçaria, ficam excelentes e saborosos!
Para evitar a formação de gases e os outros problemas acima indicados, todas as leguminosas devem ser cozinhadas com alga kombu (1 tira de 5 a 10 cm, consoante a quantidade), que as torna mais digestíveis e macias. Para além disso, as algas são ricas em sais minerais.

É bom também saber que não se devem misturar proteínas, por isso, quando cozinhamos uma proteína vegetal não devemos misturá-la com outra, sobretudo se for de origem animal.

De todas as leguminosas, o feijão azuki é o mais terapêutico e é essencialmente indicado para tratar problemas relacionados com a energia dos órgãos Rins e Bexiga. É um feijão sem grandes “contra indicações” e que pode e deve ser usado regularmente para fortalecer estes órgãos, mesmo que não tenhamos nenhum problema aparente. A estação do ano que corresponde aos órgãos Rins e Bexiga é exactamente o Inverno, por isso devemos intensificar o seu consumo nesta época do ano, seja em sopas, estufado sozinho ou com outros vegetais, cozinhado juntamente com arroz integral (em proporções iguais, é altamente terapêutico), ou mesmo em chá. Fica delicioso estufado com abóbora e alga kombu!

Uma bebida excelente para fortalecer os órgãos que lhe correspondem durante a estação invernosa é o “Chá de Feijão Azuki” (para 2 litros de água usa 4 c. de sopa de feijão): lava bem o feijão e põe de molho numa panela com 10 cm de alga kombu durante umas horas; nessa água, leva a ferver até o feijão estar bem cozido (vai juntando água fria aos poucos para que o caldo não desapareça); coa e bebe o líquido quente, de preferência em jejum ou fora das refeições. Podes aproveitar o feijão para uma refeição, acompanhado de um cereal integral e de vegetais salteados!

Paula Soveral (www.paulasoveral.net)
Presidente da Direcção Técnica da Sociedade Portuguesa de Naturalogia

Bibliografia consultada: “Compêndio de Ciências do Homem, da Alimentação e Nutrição Humana”, de Dr. Manuel R.C. Melo, N.D., Plátano Editora
“Cadernos Macro: Alimentação Macrobiótica”, de Francisco Varatojo com Pedro Romão, ed. UME

terça-feira, 26 de outubro de 2010

HÁ PINTASSILGOS NO MEU QUINTAL


Termina aqui a publicação do conto “Há Pintassilgos No Meu Quintal” neste formato da blogosfera. Não é uma leitura fácil, reconheço-o e também não será um exemplar de uma simples companhia de entretenimento. Ainda assim, se a mesma tiver servido para proporcionar alguns momentos de prazer, estarão saldados os esforços deste vosso servidor. Se por qualquer motivo, da mesma tiver resultado a inquietação de perguntar, a dúvida de dizer, ou a curiosidade de querer saber mais sobre determinadas matérias, então diria que teríamos ultrapassado as minhas melhores expectativas. Se, no fim de tudo, o querido Leitor encontrar aqui uma alegoria sobre a Vida, aí terei que dar por alcançados todos os meus propósitos.

Resta-me assim agradecer àqueles que me convidaram para colaborar neste “Estudo Geral” e para que não corra o risco de me escapar algum nome, coloco o meu reconhecimento nas pessoas do António Manuel Tapadinhas que me endereçou o convite e na do Luís Carlos Santos que é a alma do projecto.
A todos aqueles que me leram, quer tenham ou não deixado o rasto de um comentário, o meu bem-haja pela atenção que me dispensaram.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

XX Encontro Inter-Religioso de Meditação

(integrado na Exposição de Relíquias do Buda e de Outros Grandes Mestres Budistas)

A União Budista Portuguesa e a Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa convidam os membros de todas as confissões religiosas para o XX Encontro Inter-Religioso de Meditação, que decorrerá na ESMTC, na Rua D. Estefânia, 175, em Lisboa, no dia 8 de Novembro, às 19h.

Este XX Encontro está integrado no programa de actividades da Exposição de Relíquias do Buda e de outros grandes mestres budistas (ver anúncio em anexo), que decorre no mesmo espaço, de 6-14 de Novembro, seguindo depois para o Funchal (19-21) e para o Porto (26-28).

Este Encontro é dedicado ao projecto da Exposição, que é promover o diálogo inter-religioso e a Paz no mundo. Como habitualmente, serão lidos curtos textos (1-2 m) de cada religião presente, seguidos de uma curta reflexão e de 25 minutos de meditação em silêncio, após a qual poderá haver diálogo e partilha de experiências.

Nota - No programa (VER AQUI) há uma alteração no Colóquio Internacional "Oriente-Ocidente: diálogos e cruzamentos": o Professor François Jullien, especialista do pensamento chinês, falará às 19h do dia 10 no Anf. III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Bem hajam pela vossa presença e divulgação destas iniciativas! Façamos nossa a diferença e a Paz que desejamos no mundo!

União Budista Portuguesa
Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa

Apoio: Revista Cultura ENTRE Culturas, cujo nº2, dedicado ao tema "Encontro Ocidente-Oriente", será apresentada no dia 11, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa (ver o programa do Colóquio): arevistaentre.blogspot.com

Informações: Paulo Borges - 918113021.

domingo, 24 de outubro de 2010

Filosofia e Saudade

4. Luís Vaz de Camões (1524?-1580)

"Conforme o amor que tiverdes, assim o entendimento dos meus versos."

Em Camões existe uma ambiguidade: Amor a uma mulher que é simultaneamente divina. A mulher é tratada como semidiva. A mulher como mediadora para uma experiência do divino. A mulher como aquilo que do plano divino desce ao plano humano.

Encontra-se também em Camões, um amor mais fino que não quer encontrar o objecto do desejo: o desejado sem consumação é sempre mais perfeito - o amor saudoso.

A Mulher, o Amor e a Saudade são temas em destaque na poesia camoneana.

Luis Santos

(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)

Festival Musidanças


De 19 a 27 de Novembro
no Tambor Que Fala e Musicbox


O Musicbox e o Tambor que Fala acolhem, de 19 a 27 de Novembro, a 10ª edição do festival das artes do mundo lusófono, o Musidanças. Com uma programação diversificada e reforçando a sua aposta nas novas tendências da arte lusófona, o Musidanças conta, este ano, com uma novidade, o Concurso de Novos talentos.

O festival arranca no espaço dos Toca a Rufar, o Tambor que Fala, no Seixal. Este espaço já acolheu duas edições do Musidanças, em 2008 e 2009. Contudo, este ano a música é outra e nos dias 19 e 20 a festa faz-se com os ritmos tradicionais dos Pauliteiros de Miranda ou com a tradição popular portuguesa já quase esquecida, dos grupos de Cavaquinhos ou Bandolins.

De 24 a 27 de Novembro, o Musidanças desloca-se para um dos pólos multiculturais mais promissores da capital e onde são bem-vindos os amantes das artes do mundo lusófono, da multicultura e da mistura, o Musicbox. Para este espaço, o Musidanças preparou um cartaz coeso, que procura mostrar a música das comunidades lusófonas que evoluem em Portugal e no Mundo. Catarina dos Santos, Cabace, Semente, Katharsis, Chullage, são alguns dos nomes que estarão presentes.

O Passatempo Novos talentos Musidanças pretende levar cinco bandas a actuar no festival. As inscrições já se encontram abertas até dia 29 de Outubro no portal Palco Principal:


Preço de venda ao público/
Musicbox: Bilhete: 8€
Tambor que Fala: Bilhete: 5€
Info: http://www.musidancas.com

sábado, 23 de outubro de 2010

A Tríplice Herança de Portugal

“O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos.”
Provérbios, 13:22

Se – como afirma Salomão, o rei-sábio – “O homem de bem deixa uma herança aos filhos dos filhos”, nada mais natural que uma nação de bons princípios e de tradição humanista, galardoe as “nações filhas” com herança tão sólida e valiosa que se perpetue em sua história. Esse é o caso de Portugal em relação, especialmente, ao Brasil. Sem exagero, podemos considerar ter recebido da “mãe pátria” não uma singela, mas uma tríplice herança. Herança que, portanto, se consubstancia nas três benesses a seguir explicitadas.

PRIMEIRA HERANÇA – A FÉ CRISTÃ – Se, em 22 de abril de 1500, alguém, na praia da terra a ser descoberta, visse surgir algo inusitado no horizonte, essa primeira visão teria sido a da Cruz da Ordem de Cristo, presente nas velas das naus portuguesas que se aproximavam. Por sua vez, os de bordo, avistando o que imaginavam ser uma ilha, designaram-na “Ilha de Vera Cruz”. Desfeito o equívoco, mudaram o nome para “Terra de Santa Cruz”. Tudo nesse primeiro contato de Portugal com Brasil faz referência à cruz – símbolo da fé cristã. Fé que foi aceita e absorvida em seu mais sagrado sentido: o da tolerância religiosa, do respeito à diversidade de culto e doutrina de cada um, firmando o princípio da crença no Deus que criou os homens e não no Deus que os homens criaram. Dessa forma, todos podem realizar seus cultos de acordo com sua própria consciência, sem imposições ou interferências de quaisquer autoridades eclesiásticas ou governamentais. Por essa tradição de harmonia e paz, já foi referido o Brasil como “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo”. Pátria do Evangelho porque a fé cristã predomina em todo o imenso território nacional, mas Coração do Mundo porque todas as manifestações religiosas de todos os matizes gozam de liberdade ilimitada. Nações há em que tais diferenças geram guerras e genocídios. Em outras, se tanto, toleram-se as divergências, o mais das vezes sob o manto do desprezo. Aqui não há meramente tolerância. Há respeito! À guisa de exemplo, em São Paulo a OAB realiza, todos os anos, ato inter-religioso em que se manifestam padres, pastores, dirigentes espíritas, rabinos, xeques, monges budistas e líderes de religiões orientais e afro, em um mesmo templo, sob a atenção respeitosa de todos os presentes!

SEGUNDA HERANÇA – A LÍNGUA PORTUGUESA – Outra e também notável herança é a Língua Portuguesa – “Última flor do Lácio, inculta e bela” – uma das mais extraordinárias, versáteis e melodiosas línguas do mundo! Rica em flexões e em figuras, possui construções e palavras muito suas, como o sonoro infinitivo pessoal flexionado e vocábulos tais como luar e saudade! Equivoca-se quem ousa traduzir esses termos por moonlight e remembrance... Remembrance é apenas lembrança, mas há muitas coisas das quais temos lembrança... e nenhuma saudade! Moonlight é somente luz da lua. Para ser luar, falta-lhe o romantismo, de que não se separa um milímetro, como bem o sabem os corações enamorados, assim como não há falar em saudade sem o intenso componente nostálgico que impregna essa suave palavra!
A expressão de Caminha: “Nesta terra em se plantando tudo dá” estendeu-se também à língua e de tal forma que, apesar da dimensão continental do Brasil, um mesmo idioma é falado e entendido, sem sacrifício, do Oiapoque ao Chuí! Países bem menores, como Espanha, Itália e Suíça não gozam desse privilégio! Por isso é lamentável a enxurrada de estrangeirismos dispensáveis que vêm sendo colocados em circulação, apenas por modismo ou pedantismo (esnobismo, para ilustrar...). Bom seria se todos declarássemos, com Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac: ”Amo-te, ó rude e doloroso idioma”!

TERCEIRA HERANÇA – O HUMANISMO LUSÍADA – Uma sensível diferença distinguiu o colonizador português de todos os demais. Estes estabeleciam uma “linha demarcatória” entre colonizador e colonizado: o senhor e o servo. Essa linha jamais podia ser transposta, o que deu origem a terríveis e incessantes combates entre as partes. Ao contrário disso, o colonizador português se aproximou dos colonizados, mesclando-se com índias e negras. Assim, em vez de fazer inimigos, fez parentes! Mais do que isso, procedeu ao início de um caldeamento de etnias que desaguaria na formação de um povo único na face da terra: o brasileiro! O “homo brasiliensis”! Foi precisamente isso que se viu na 1ª. Batalha de Guararapes, de 19 de abril de 1648, quando brancos, índios e negros – sob o comando de André Vidal de Negreiros, Felipe Camarão e Henrique Dias – se unem para combater o invasor holandês. É quando, pela primeira vez “na história deste país” se fala em “tropa brasileira”! Em consonância com essa realidade, assim principia a poesia “Raça”: “O brasileiro traz dentro de si / Um português, um negro e um índio guarani. / O luso deu-lhe a fibra audaz, arrojadiça/ E a fidalguia própria dessa raça./ O índio, a indolência, a preguiça / O amor à pesca, a inclinação à caça. / No excesso de carinhos e de zelos / Reflete do africano o meigo coração / E às vezes, dos cabelos, aquela permanente ondulação...
Por tudo isso, nós, luso-descendentes, temos orgulho de ostentar mais esta herança: o sobrenome que nos qualifica: Silva, Sousa, Pereira, Fernandes, Moura, Martins... e, é claro, o meu: Oliveira!"

João Baptista de Oliveira,
consultor de empresas, advogado, professor, jornalista e escritor.
(in, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br )

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

d´Arte - Conversas na Galeria VIII



Cenáculo Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre tela Díptico 2x60x100cm


Cenáculo Pormenor


Cenáculo Pormenor

Cenáculo, nome dado à sala, à reunião, em que Jesus Cristo celebrou a ceia. Por ext.
Reunião qualquer de pessoas unidas para um fim comum, especialmente sociedade ou grémio literário.


Quando um casal meu amigo me convidou para almoçar porque queriam falar comigo sobre um assunto importante, não fazia ideia de qual seria o tema da conversa. Durante o almoço foi crescendo a minha curiosidade que, finalmente, foi saciada na hora dos cafés. Tinham um espaço nobre da casa que queriam preencher com uma obra minha. Deixavam ao meu critério todos os pormenores: cor, técnica, estilo, tamanho... Aceitavam qualquer sugestão porque confiavam em mim...
Se não fossem meus amigos, a partir desse momento ficaria a considerá-los como tal: depositar no meu critério o preenchimento dum espaço do seu lar, com que iriam conviver para o resto da sua vida, mais do que uma prova de amizade, é uma prova de amor...
Poucas pessoas, os dedos de uma mão chegam para as contar, têm uma obra oferecida por mim, se descontar aquelas que ofereço para serem leiloadas para instituições de solidariedade. Fiquei marcado pelas lágrimas de uma aluna minha, que ofereceu uma das suas obras a um familiar, e foi surpreendida por a ter encontrado escondida na gaveta dum armário, na despensa. Não sei que maior ofensa se pode fazer ao trabalho de alguém, independentemente do seu valor artístico! Agora, aconselho os meus alunos a fazerem como eu: para desfazer dúvidas sobre o interesse de alguém sobre uma obra, peço um montante por ela, nem que seja simbólico. A reacção é sempre esclarecedora... Em qualquer altura, encontraremos a oportunidade de devolver a quantia recebida sem o amigo notar: no aniversário, no Natal... que pode ser quando quisermos.
Coloquei uma condição: teriam de me convidar para ir a sua casa, tomar um café e uma bebida. Claro que foi aceite, pois nem sequer era uma condição, era um prazer – disseram.
Passei parte do tempo num convívio do qual não tirei muito partido porque volta não volta, estava a pensar na principal motivação dessa minha visita. Registava mentalmente a cor da parede com luz, sem luz, na sombra, tomava nota do tom da mobília, das peças que envolviam toda a enorme sala comum, com a confortável lareira, e as portadas envidraçadas por onde jorrava a luz... Ah! Falta dizer que o local onde a peça seria colocada era na parede fronteira à mesa, no espaço da sala de jantar.
Quando a tela ficou completa combinámos a entrega da obra, com a sua instalação no local onde iria morar. Pedi aos meus amigos que fossem brincar com o seu belo cão para o jardim enquanto eu colocava o díptico. Podem imaginar (se calhar não podem!) a minha angústia expectante quando eles voltaram para ver pela primeira vez a obra no local escolhido. Eu fiquei em êxtase com a sua reacção, talvez por contágio...
A Beleza reside no mundo das ideias e o Belo é identificado com a perfeição, com a verdade. A partir da beleza emanada por uma obra podemos chegar à beleza superior do Homem.
Uma vez por outra, é bom esquecer imperfeições...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Um Monumento para D. Ricardo Carvalho Calero

A Carvalho Calero, a quem o Parlamento da Galiza no 1996 declarou filho predilecto, neste ano do seu centésimo nom se queria valorizar a sua pessoa memória e obra, e desde a Fundaçom Meendinho, -que presido- uma entidade declarada de interesse galego, impulsionamos todo um processo para que fosse devidamente e publicamente homenageado, -a Carvalho Calero a quem se nega todos os dias-, e ao que se tivo a galanice de nom dedicar o dia das letras, tivesse um monumento digno, um monumento a colocar no lugar da Galiza -Alameda de Compostela- onde o vam ver 1.500.000 pessoas ao ano. O monumento vai ser inaugurado no seu centésimo exacto, o dia 30 de Outubro as 11:00 h. E muito gostaríamos de que nesse acto compartíssemos a tua presença e a das tuas amigas/os e família. (vai anexo o convite ao acto)

A obra está sendo esculpida, polo escultor ganhador do concurso, José Molares. e é espectacular, está feita para interagir com o público, para ser tocada sovada, fotografar-se com ela, por em valor a sua contorna e enriquecer o património da capital da Galiza.

As contribuições das instituições por razões que nom alcanço, agora estám dando volta a trás (ver aqui). Ainda que está havendo contributos individuais, estes som em muito pequena quantia, e nos temos que ir fazendo frente aos pagamentos. AF undaçom Meendinho foi apanhada polo actual padroado totalmente descapitalizada.

Como sei do teu compromisso e apoio pessoal a estas actividades, e que valoras que na Galiza se renda homenagem a quem se dedicou integral e honestamente a ela, homenagem com obras que ao além de qualquer outra cousa vam falar às gerações futuras de realidades bem reais deste país que se tentam apagar.

Para isso há que ingressar na conta da F. Meendinho indicando o teu nome e b.i. para a declaraçom do impresso 182 da AEAT a fim de teres a correspondente "reduçom" do 25 % no IRPF contributos a Fundações sem ânimo de lucro.

Caixanova 2080 0132 15 0040021179
IBAN ES25 2080 0132 1500 4002 1179

Temos também um leilão de obras de arte achegadas polos seus autores e ao que se vam indo incorporando mais que pode ser do teu interesse ( http://agal-gz.org/blogues/index.php/meendinho/ ).

Agradecendo o teu contributo, apoio e difusom.

Alexandre Banhos,
Pte da F. Meendinho