"Cheguei finalmente à vila da minha infância (...) Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu."

- Álvaro de Campos


sábado, 17 de novembro de 2012


OUVIR

Ouço no canto o grito do silêncio
nas madrugadas que se ofertam
em oportunidades perdidas
aos dias que se anunciam:

o estupor do corpo
ante a luz
amanhecida
aterroriza o gesto
depois da hora

ouço o desencanto da voz
em conversas e desdouros

o grito sutil da descoberta
do corpo sobre a relva

amanheceres repõem
dúvidas desconsideradas.

(Pedro Du Bois, inédito)

3 comentários:

Pedro Du Bois disse...

Gratíssimo, por mais esse destaque. Abraços e bom domingo.
Pedro.

Anónimo disse...

Há pequenas coincidências que nos preenchem a alma e que, mesmo sendo pequenas, proporcionam grandes momentos! Antes da leitura do seu poema tinha estado a reler alguns poemas de 'Leaves of Grass' de Walt Whitman - há já algum tempo que não o relia, nem sei bem porquê! Mas voltei a reencontrá-lo no seu poema, na 'descoberta do corpo sobre a relva'. Perdoe-me este reencontro se não gostar do Whitman - mas deixe-me agradecer-lhe por me ter feito pensar que há acasos felizes!

luis santos disse...

Lemos e ou-vimos... o silêncio, a descoberta do corpo sobre a relva.
Obrigado pela partilha. Abraços.