"Cheguei finalmente à vila da minha infância (...) Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu."

- Álvaro de Campos


domingo, 27 de janeiro de 2013





MANEIRAS DE ESTAR, DE SER.


Um grupo de jovens ria-se.

E ria-se por nada de concreto.

Ria-se como uma expressão de estar.

Depois, calaram-se.

Quer dizer, deixaram de rir.

Ficaram em silêncio olhando em várias direcções.

Cada um diferente na direcção do olhar.

Depois, um começou a falar enquanto os outros pareciam alheados mas se calhar não estavam porque, de repente, começaram todos a falar ao mesmo tempo.

Qual seria o estímulo para cada gesto e atitude?



Fotos: Edgar Cantante; Texto: Manuel João Croca

8 comentários:

Amélia Oliveira disse...

Quando se é jovem tem-se essa maravilhosa maneira de estar, de rir por tudo e por nada e de tudo e de nada também. Gosto muito do rir '(...)como uma expressão de estar.', que pena que com o passar dos anos encontremos outras 'expressões de estar' não tão felizes e que deixe de bastar o simples estar entre um grupo de amigos para que o riso se solte!
Desejos de um Domingo com muitos risos!

luis santos disse...

Como negar a importância dos grupos de jovens nesta vida, dos amigos. Como tudo na vida têm o seu prazo anunciado. E, depois, recomeça-se outra vez, até um dia.

A vida tem destas coisas, de rir e de chorar. Como é alegre rir, como é triste chorar. Por outro lado, que seria neste mundo, da alegria sem a tristeza. Seria reconhecível?

O riso, o sorriso e a boa disposição... A saúde!

Cá vai um estímulo que possa descambar em risada, ou melhor, em boa disposição, saúde. Definitivamente, andamos por boas companhias, depois do abraçaço do Caetano Veloso e do abraço do António Pinheiro da Silva, o produtor (...) do inebriante e extraordinário trabalho do "Mistério" de Teresa Salgueiro, essa enorme força da natureza que tão bem vai interpretando os desígnios nacionais, a alma lusa, universal, qual esfera armilar, roda então o abraço para esses lados.

Teresa Bondoso disse...

Um grupo de jovens ria-se.
como uma expressão de estar... realmente,a gente rir-se como uma expressão de estar é uma coisa extraordinária! Nunca tinha pensado nisto com palavras assim. Que engraçado!!! As palavras...

estudo geral disse...

Amélia Oliveira, boa noite.

Obrigado pelos seus votos que, penso, terei cumprido.

Porque hoje participei em mais uma sessão da comunidade de leitores de que faço parte, uma coisa com amigos onde se discutem e comentam obras literárias previamente lidas por todos, e lá está, o espírito libertou-se e o riso, quando assim é, solta-se com facilidade.

Obrigado pelo seu comentário.

Manuel João

estudo geral disse...

Amigo Luís, viva!!!

A melhor maneira de manter a juventude é sentirmo-nos bem com a idade que temos e a melhor maneira de ter Amigos é ser Amigo.
Quando se conseguem as duas coisas é mais frequente o riso e mais natural também.

As alegrias e as tristezas são consequência de muitas outras coisas. Por isso vão alternando porque nem sequer dependem, exclusivamente, de nós.

Aí o jeito é disfrutar das primeiras e assumir as segundas sem desesperos e na certeza de que a um dia se sucede sempre outro dia.

É óbvio que nesse "baile" as artes ajudam a acertar o passo e a não desafinar muito.

Abraço.

Manuel João

estudo geral disse...

Teresa, boa noite.

É, às vezes as palavras escolhem associações curiosas para nos facultarem determinadas revelações.

E a gente respeita isso e plasma mesmo assim. Como se nos apresentam.

Obrigado.

Manuel João Croca

luis santos disse...

É caso para dizer que cada um tem a comunidade de leitores que merece, esperando eu que seja merecida. E abraço.

MJC disse...

Amigo Luis,

a comunidade de leitores é aberta à participação de quem quer participar.
Nesse sentido,cada um tem a comunidade de leitores possível, a que pode e a que escolhe.

Já agora deixo a informação. A obra actualmente em discussão é "O Teu Rosto Será o Último" de João Ricardo Pedro (Prémio Leya 2011) que é bastante interessante. De seguida iremos abordar "Os Capitães da Areia" de Jorge Amado.

Abraço Grande.

Manuel João