"Cheguei finalmente à vila da minha infância (...) Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu."

- Álvaro de Campos


domingo, 20 de janeiro de 2013










QUERER - III

Com o sentir
de que se tecem
os sonhos
e se constroem castelos no ar,
se atrai o olhar
pelo infinito do
espaço sideral.

Em baixo,
a terra,
sente-se desafiada
decide também ir ao baile
e embalada,
devaneada,
galopa junto.

Para a comum jornada
partem,
de largada.
Pés no chão,
olhar de madrugada
desperto o ser
na alma iluminada.

Foto: Edgar Cantante; Pintura: Luís Delgado; Texto: Manuel João Croca

14 comentários:

Diogo Correia disse...

Amigo Croca!!!

Simplesmente magnifico, adorei o poema parabens. ;-)))))))

E uma pintura muito bonita do nosso amigo Luís eheheh

Grande Abraço
Diogo

A.Tapadinhas disse...

Partir de largada pés no chão ou cabeça no ar, não é a jornada mais difícil de cumprir...

...Mais difícil é ficar na nossa "apagada e vil tristeza"...

No EG, as palavras e as cores, com sentimentos dentro, servem de lenitivo.

Abraço,
António

Amélia Oliveira disse...

Gosto Muito deste Querer III... que bom é voar e habitar esses castelos no ar... também é isso a poesia, não é?

estudo geral disse...

Amigo Diogo,

fico tão contente por teres gostado ...

Acredita, fiquei mesmo!!!

Quanto ao quadro do Luís... bem, se o Luís deixar, os caminhos não acabam.

Abraço grande.

Manuel João Croca

estudo geral disse...

Amigo António, viva!!!

Talvez que sem a "apagada e vil tristeza" não se evadissem os olhos para o infinito do espaço sideral.

Talvez que os pés assentes no chão não sentissem o impulso para o ímpeto do correr ganhando balanço para tentar voar.

Quanto às cores ... ainda não conseguiram roubar nenhuma do arco-íris.

Um abraço.

Manuel João Croca

estudo geral disse...

Cara Amélia Oliveira, boa tarde.

Creio que a poesia é, como diz, também isso.

Como tudo, tudo é tudo, a poesia também.
Creio.

Obrigado pelo seu comentário.

Manuel João Croca

Luís F. de A. Gomes disse...

Quão longe nos levariam estes dois poemas-pensamento que, mutuamente, tão bem se complementam; se no primeiro podemos ver o fluir da Vida – e que, ainda que de modo redundante, pois tão boa poesia não necessita de suporte, é bem ilustrado pela fotografia do rio – e sobre o mesmo reflectir, a Vida que vem ao nosso encontro e que devemos aceitar com isso em ela nos sentindo em harmonia, mesmo quando importa que lhe troquemos as voltas, no segundo somos capazes de encontrar a estrela polar com que nos poderemos guiar quando nos deixamos prosseguir em tal balancear, mesmo sendo errático por natureza.

Até onde nos poderiam levar tais pensamentos…

Olho apenas para um, o sonho que tão desdenhado é pelos pragmáticos que – não interessa aqui indagar o porquê, tendo por certo que será esse plural e com pressupostos variados – o costumam ver como uma infantilidade, quando não insensatez pura e simples, geralmente tendo por base aquela verificação – empiricamente verdadeira, deve dizer-se – que não inúmeras as situações em que das melhores ideias decorreram as realidades mais atrozes. Ora o que esses detractores não são capazes de perceber é que confundem as coisas, desde logo o pormenor comezinho que está em que o facto do ser humano sonhar – acordado – isto é, idealizar, não implica necessariamente que a partir daí queria ou tenha que querer impor um tal idealismo aos semelhantes, isso sim, um acto de todo deplorável e liminarmente rejeitável e do qual sempre resultou a matéria que dá razão àquela prudência que já aceitámos como boa. Mas não se ficam por aí e ou não entendem, ou não são capazes de entender ou, até o entendendo, esquecem-se de o fazer, que essa ideia de sonho – e é aquela que, pelo menos, eu vejo aqui – pode ter um outro significado que tem a ver com a esperança, muito simplesmente esse sentimento tão humano da esperança que o amanhã seja melhor que o presente e sem o qual dificilmente a Humanidade seria aquilo que é ou, se quisermos, o que tem sido até aqui. Pois bem, uma vez aqui chegados, deparamo-nos de imediato com duas perguntas cruciais, sendo que a primeira delas é se não estará na nossa própria natureza animal essa propensão para o sonho, o onírico e a segunda, mais prosaica, tão simplesmente consistindo em procurar saber se poderíamos nós viver sem esperança?

Afinal e neste sentido, não será o sonho a forma que tem a esperança quando ainda não temos substância para lhe dar? Cais de partida para pensar o Homem, é assim naquilo em que estes teus poemas-pensamento se materializam. Deve então ser por eles que há um arco-íris no céu esta tarde.

Aquele abraço, companheiro
Luís

luis santos disse...


Ter uma corda numa mão
e na outra ter um pião
a corda dá enrolar
dá-se um jeito com o corpo
e fica o pião a rodar

O pião roda com a terra
nós pomos o pé no pião
deixamos o corpo rodar
e p'ra parar é só carregar no botão

E que lindo baile se havia de arranjar
a terra a dançar com o pião
e nós também, porque não?
Mas e a corda fica a olhar?

Eu lanço-lhe a mão
ela agarra-se a mim
vai debaixo do pião
e agora é aprender a voar.

MJC disse...

Amigo Luis Gomes,viva.

"não será o sonho a forma que tem a esperança quando ainda não temos substância para lhe dar?"

Aqui está algo com muita substância, andaime que instiga à produção da dita.

Abraço.

Manuel João Croca

MJC disse...

Amigo Luís,

que lindo poema para uma canção de roda com todos a cantar. Umas partes a solo e outras em coro. Consegue-se escutar a música e tudo. Ela está lá.

Abraço.

Manuel João

luis santos disse...


É uma canção, de facto, mas esta não é de roda. Até pode vir a ser, mas são precisos muitos ensaios por causa das naturais desafinações. Abraço.

MJC disse...

Por isso é que há as partes a solo, para prevenir as inevitáveis desafinações.

Acredito no entanto que uma parte signicativa da canção poderá ser cantada em coro sem motivo para grandes reparos.

Crenças, ...

Um abraço.

Manuel João

luis santos disse...


...Por isso é que esta canção foi feita para um coro de crianças.

MJC disse...

Boa!!!